segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Os diamantes

Em razão de suas propriedades físico-químicas peculiares, o diamante é um dos mais singulares ‘presentes’ da natureza. Seu nome (do grego adámas = inconquistável, indomável) deriva da altíssima dureza que apresenta, a maior verificada no reino mineral. Por mais de 150 anos, durante os séculos 18 e 19, o Brasil foi o maior produtor mundial dessa gema, até a descoberta dos ricos depósitos da África do Sul, Rússia e Austrália. No cenário nacional destacam-se as províncias diamantíferas do Alto Paranaíba e da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, as duas maiores reservas do Sudeste brasileiro, ainda hoje com significativo impacto na economia daquelas regiões.
O estudo da mineralogia do diamante na Serra do
Espinhaço tem permitido, graças à extraordinária resistência dessa pedra preciosa aos processos geológicos que atuam na crosta terrestre, identificar diversos ciclos de erosão e sedimentação. Por seus aspectos típicos, é o único mineral que permaneceu no registro geológico desde um período muito remoto, o Proterozóico Médio, há aproximadamente 1,7 bilhão de anos. Foi no Espinhaço que desenvolvemos pesquisas na tentativa de responder uma velha pergunta da geologia brasileira: a partir de que rochas-fonte o diamante ter-se-ia espalhado pela região? Embora os dados coletados não admitam uma resposta conclusiva, certamente contribuem para o entendimento do problema.
Mario Luiz de Sá Carneiro Chaves Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais Darcy Pedro Svisero Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo
Escala de Mohs
A escala criada pelo mineralogista austríaco Friedrich Mohs (1773-1839) no início do século 19 classifica os minerais segundo sua dureza. Entre o talco, o mais ‘tenro’, e o diamante, o mais resistente, Mohs reconheceu oito diferentes graus de dureza entre os minerais. Mas esses intervalos não são regulares. A escala é uma simples classificação da dureza dos minerais e foi feita levando em conta que cada mineral arranha os de número inferior. Assim, entre o diamante (dureza 10) e seu seguidor imediato, o coríndon (dureza 9), há uma diferença de dureza 10 vezes maior que aquela entre o coríndon e o talco (dureza 1).
DiamantesDiamantes
Qual terá sido o caminho das pedras
10• Diamante 9•Coríndon 8•Topázio 7•Quartzo 6•Ortoclásio 5•Apatita 4•Fluorita 3•Calcita 2•Gipsita 1•Talco junho de 1999 • CIÊNCIA HOJE • 23
G E O C I Ê N C I A S A maior parte da produção mundial de diamantes provØm hoje da junho de  • 23 para o de maior produtor mundial, com cerca de 40 milhıes de quilates extraídos só em 1997.
O diamante tem origem no manto da Terra em profundidade superior a 150 km. Atualmente o meio científico aceita a hipótese de que os kimberlitos e lamproítos sªo apenas o meio de conduçªo do mineral desde a sua fonte, no manto, atØ a litosfera. Nos œltimos 20 anos, seu estudo tem sido amplamente desenvolvido por serem considerados como uma das raras janelas para o manto na superfície do planeta.
`frica do Sul, AustrÆlia e Rœssia, onde o mineral Ø lavrado diretamente em rochas primÆrias conhecidas como kimberlitos e lamproítos. Nessas rochas magmÆticas ultrabÆsicas, raras na crostra terrestre, o diamante estÆ disseminado em teores que variam de 1 a 3 quilates por metro cœbico (ct/m3), embora o lamproíto de Argyle, na AustrÆlia, apresente o formidÆvel teor de 18 ct/m3. A descoberta da jazida de Argyle, em 1986, fez com que a AustrÆlia passasse de um país nªo-produtor de diamantes4 es de Minas Geraises de Minas Gerais G E O C I Ê N C I A S
O kimberlito ocorre principalmente nas zonas de crÆtons, porçıes da crosta terrestre estÆveis desde o período PrØCambriano. A figura 1 apresenta as principais zonas cratônicas da Terra, identificando maior ou menor ocorrŒncia de intrusıes kimberlíticas. No Brasil, hÆ trŒs Æreas cratônicas, sendo a principal delas o crÆton Amazônico. Ao norte do Mato Grosso e sul de Rondônia jÆ foram encontrados kimberlitos com diamantes, cuja viabilidade econômica de exploraçªo vem sendo estudada. O crÆton do Sªo Francisco, que ocupa grande parte de Minas Gerais, destaca-se no Sudeste brasileiro. Nele, no entanto, nªo se conhecem rochas kimberlíticas mineralizadas.
Embora os teores diamantíferos sejam mais expressivos em matrizes primÆrias, o percentual de diamantes gemológicos Ø em geral baixo nessas rochas, predominando os de interesse industrial. No caso da mina de Argyle, por exemplo, apenas 5% de seus diamantes tŒm qualidade gemológica, fazendo com que o preço mØdio do quilate das pedras aí produzidas seja de US$ 10. A proporçªo de diamantes gemológicos encontrados nos kimberlitos sulafricanos varia entre 10-25%, e o preço do quilate gira em torno de US$ 40. Cristais de alta quilatagem podem, no entanto, ocorrer com mais freqüŒncia nesses depósitos primÆrios. O maior diamante jÆ encontrado, o Cullinan, pesava 3.106 ct antes de ser lapidado em nove pedras, a maior das quais estÆ encravada na parte frontal da coroa britânica. Estudos feitos nas principais províncias diaman-
Diamante incrustado em kimberlito da mina Mir, na Sibéria, Rússia tíferas do sul e oeste africano demonstraram que, a partir de suas fontes primÆrias, os diamantes se espalharam por milhares de quilômetros quadrados. Observou-se uma sistemÆtica reduçªo na mØ- dia do tamanho dos cristais quanto mais eles se afastavam de seu local de origem, deslocando-se por via fluvial ou marinha. Tal reduçªo, no entanto, Ø acompanhada de expressiva melhora gemológica, pois os diamantes de qualidade inferior sªo destruídos durante o transporte.
Minerais e gemas
Um mineral é um corpo sólido de origem natural formado por processos inorgânicos, de composição química e estrutura cristalina definidas e constantes. A ciência dos minerais é a mineralogia, da qual um dos ramos é a gemologia, que estuda as gemas e suas propriedades. As gemas – medidas pelo peso-padrão do quilate (ct), equivalente a 0,2 g – são minerais dotados de propriedades físicas especiais (transparência, brilho e/ou cores atrativas), podendo servir como adorno pessoal após trabalhados pelo homem. O diamante, composto de carbono puro, é certamente o mais importante dos minerais gemológicos.
Os diamantes encontrados na natureza podem ser mono ou policristalinos. Os monocristalinos simples são caracterizados por formas típicas como o cubo, o octaedro e o dodecaedro rômbico, podendo ser gemológicos ou não. Entre as variedades policristalinas, destacam-se o bort, o ballas e o carbonado, de interesse exclusivamente industrial. O primeiro é um agregado complexo de microcristais de tamanhos e formas irregulares. O ballas é um agregado esférico ou semi-esférico onde os cristalitos estão dispostos radialmente. O carbonado é uma designação brasileira, largamente aceita na literatura mineralógica, para definir um agregado cinza ou preto, muito poroso e de aspecto irregular, com cristalitos de diamantes de tamanho muito reduzido, da ordem de 0,01 a 0,001 m.

Certas formas mono e policristalinas, como cubos, borts e carbonados, sªo pulverizadas durante o registro geológico, depois de reduzidas a partículas muito finas. Experimentos feitos pela mineradora sul-africana De Beers mostraram que seis horas de moagem foram suficientes para reduzir o bort e pedras defeituosas do Zaire em partículas de peso inferior a 0,001 ct. Submetidos ao mesmo procedimento, diamantes da costa da Namíbia com formas cristalinas perfeitas perderam apenas 0,01% de seu peso após quase mil horas de moagem.
Os cristais de diamante de forma dodecaØdrica sªo mais resistentes ao transporte, pois seu coeficiente hidrodinâmico, resultante do grande nœmero de faces naturalmente arredondadas, Ø maior que o daqueles que tŒm forma de cubo ou octaedro. Depósitos da Namíbia, por exemplo, apresentam um nœmero desproporcionalmente grande de cristais dodecaØdricos.
Com a evoluçªo do registro geológico, os diamantes tendem a sofrer as seguintes modificaçıes: reduçªo do tamanho mØdio dos cristais; preservaçªo dos dodecaedros nas formas monocristalinas; queda expressiva do nœmero de pedaços quebrados; pulverizaçªo dos borts e cristais com defeitos ou inclusıes; aumento do nœmero de cristais gemológicos.
O diamante em Minas Gerais
No Brasil, a descoberta oficial de diamantes ocorreu em 1729 nas imediaçıes do município mineiro de Diamantina. Muito antes, porØm, pedras dessa regiªo jÆ chegavam à Europa. Por mais de 150 anos o Brasil foi o maior produtor mundial do mineral, atØ a descoberta dos depósitos sul-africanos. Historicamente Minas Gerais Ø o maior produtor dessa gema no Brasil, tendo a Bahia, Mato
Grosso e ParÆ se destacado em alguns curtos períodos. Ainda hoje os diamantes tŒm importância no setor mineral da regiªo, sendo sua lavra efetuada em aluviıes por companhias de mineraçªo ou garimpeiros independentes. Destacam-se ainda campanhas de prospecçªo visando descobrir e explorar as rochas-fonte primÆrias do mineral, como se faz na `frica, AustrÆlia e Rœssia.
Os principais depósitos diamantíferos de Minas
Gerais concentram-se em duas macrorregiıes, designadas na nomenclatura geológica como províncias minerais do Espinhaço e do Alto Paranaíba, respectivamente no centro-norte e sudoeste do estado (figura 2). A província do Espinhaço notabiliza-se por sua importância econômica, destacando-se nesse cenÆrio a regiªo de Diamantina. A Serra do Espinhaço Ø constituída por um conjunto de rochas metamórficas intensamente dobradas, incluindo quartzitos, filitos e conglomerados, que representam originalmente sedimentos depositados em rios, taludes serranos, desertos, lagunas e mares rasos.
A idade de formaçªo desses depósitos Ø atribuída ao Proterozóico MØdio, a partir de dataçıes radiomØtricas obtidas em rochas e minerais vulcânicos presentes no conjunto sedimentar. HÆ diversos tipos de depósitos diamantíferos no Espinhaço. O mais antigo Ø o Conglomerado Sopa, rocha de origem sedimentar que ocorre nas porçıes basais do complexo serrano. A partir dele o diamante espalhou-se para depósitos sedimentares mais jovens, sobretudo em certos períodos do CretÆceo Inferior (hÆ cerca de 136- 100 milhıes de anos), TerciÆrio Superior (hÆ cerca de 7-1,5 milhıes de anos) e QuaternÆrio (de cerca de 1,5
Figura 1. Os grandes depósitos primários de diamante do globo concentram-se nas áreas cratônicas (em amarelo). Os maiores são indicados por losangos grandes e os menores por losangos pequenos
milhªo de anos atrÆs atØ o presente). As rochas-fonte primÆrias da regiªo nªo sªo conhecidas, e os minerais indicadores típicos dessas rochas (minerais satØlites) estªo ausentes.
Na província do Alto Paranaíba, no entanto, vÆrias chaminØs de rochas kimberlíticas semelhantes às fontes vulcânicas primÆrias do diamante russo e sulafricano sªo conhecidas desde a dØcada de 1960. Embora ainda nªo tenham sido detectados kimberlitos mineralizados de interesse econômico na re- mado na Øpoca das atividades vulcânicas que trouxeram os diamantes, pois apresentam diversos minerais satØlites típicos de rochas kimberlíticas. Assim como na regiªo de Diamantina, hÆ tambØm depósitos sedimentares terciÆrios e quaternÆrios, os quais, pela maior facilidade de extraçªo, sªo mais intensamente lavrados.
A quantidade de diamante nessas províncias varia segundo características geológicas responsÆveis pela concentraçªo do mineral em certas porçıes do sedimento ou da rocha sedimentar. Os diamantes lavrados no Conglomerado Sopa desde o sØculo passado tŒm, em mØdia, de 0,01 a 0,1 ct/m3 de rocha. Sªo teores muito baixos se comparados aos dos kimberlitos sul-africanos, que apresentam valores mØ-
Figura 2. Províncias diamantíferas de Minas Gerais – Espinhaço (I) e Alto Paranaíba (I) – e seus principais centros produtores: Diamantina (1), Grão Mogol (2), Jequitaí (3) e Coromandel (4)
Mineração aluvionar de diamantes no Rio Jequitinhonha, em Diamantina: grandes dragas da Mineração Rio Novo escavam o leito do rio giªo, muitas mineradoras tŒm feito intensas pesquisas na Ærea em funçªo da presença de diamantes em dezenas de rios e córregos, principalmente nas proximidades do município de Coromandel.
De grande importância para a geologia do diamante do Alto Paranaíba Ø a Formaçªo Uberaba, constituída de depósitos sedimentares do CretÆceo Superior (hÆ cerca de 100-65 milhıes de anos).
Esses depósitos de arenitos, conglomerados e tufos vulcânicos parecem ter se for- dios de atØ 6 ct/m3. Em depósitos de aluviªo recentes, como no Rio Jequitinhonha, as concentraçıes sªo ainda menores. Nesse local, a Mineraçªo Tejucana opera com ínfimos 0,008 ct/m3. Mas como o volume de material lavrÆvel Ø excepcionalmente grande, compensa investir na lavra mecanizada do depósito. Os diamantes da regiªo de Diamantina sªo em geral pequenos, com 0,3 ct em mØdia, sendo raras as pedras com mais de 10 ct.
No Alto Paranaíba, o conglomerado da Formaçªo Uberaba Ø lavrado desde 1888 na Mina de Romaria, com teores variÆveis entre 0,03 e 0,07 ct/m3. Outros corpos de conglomerado e tufos
vulcânicos tambØm jÆ foram lavrados nas proximidades de Coromandel. Deve-se, porØm, destacar a ocorrŒncia de grandes diamantes nessa regiªo. O maior deles, com 726 ct, encontrado no rio Santo Antônio do Bonito em 1938, era na Øpoca o quarto maior do mundo. Nesse mesmo rio foi encontrada em 1993 uma pedra com 602 ct, a segunda maior do Brasil, e em agosto de 1998, uma outra com 481 ct. Quase todo ano aparece um grande diamante nessa província, cujo padrªo de peso Ø muito maior que o da Serra do Espinhaço.
lógico, as pedras de boa qualidade sªo mais hialinas e apresentam baixas taxas de imperfeiçıes internas.
A fonte distante dos diamantes do Espinhaço
Os dados disponíveis indicam forte semelhança entre os diamantes aluvionares da regiªo do Alto Paranaíba e aqueles extraídos diretamente de kimberlitos e lamproítos. Demonstram ainda que as
Detalhe do conglomerado diamantífero Sopa, nas proximidades de Diamantina (MG)
Como o diamante Ø um mineral gemológico, seu preço Ø definido nªo só em funçªo do peso, mas principalmente de suas particularidades físicoquímicas. Em geral de excelente qualidade, as pedras da Serra do Espinhaço alcançam elevada cotaçªo no mercado. Na regiªo de Diamantina o preço do quilate gira em torno de US$ 150, podendo, em certas Æreas, alcançar atØ US$ 400. Como no Alto Paranaíba os diamantes tŒm baixa qualidade gemológica (apesar de maiores que os de Diamanti- na), os preços mØdios sªo infe-riores. Do ponto de vista gemo-
Seleçªo natural no mundo mineral
A partir da publicação do célebre Sobre a origem das espécies, de Charles Darwin, em 1859, o paradigma da seleção natural foi se tornando progressivamente aceito pela maioria dos pesquisadores do mundo animal e vegetal. No reino mineral, porém, o termo não é empregado, embora a ‘resistência’ de certas espécies seja uma evidência relatada cotidianamente por geólogos e mineralogistas em seu trabalho de prospecção.
O grau de resistência de um mineral ao longo do curso de um rio, por exemplo, dependerá diretamente de fatores inerentes às suas características físico-químicas. Durante o percurso, ele tenderá a pulverizar-se cada vez mais, e seu tempo de ‘vida’ varia em função de propriedades como composição química e estrutura cristalina, dureza, modo de clivagem e, sobretudo, pureza.

Os gemólogos relacionam pureza à freqüência de inclusões estranhas e/ou microfraturas no interior do mineral hospedeiro. Conseqüentemente, quanto mais impuro for um mineral, maior será sua tendência à pulverização em um meio de transporte ativo como o fluvial ou marinho. Não é por acaso que 9% da areia de praia se constituem de quartzo, uma estrutura rígida formada por tetraedros de SiO2 (dióxido de silício). O caso do diamante é particularíssimo. Além de sua estabilidade química, sua resistência ao desgaste físico e a fortes variações de temperatura e pressão faz com que, após desprender-se de sua rocha-matriz original, ele tenda a permanecer no registro geológico. Uma população de diamantes ou outro mineral com características físicas ‘perfeitas’ deve, portanto, indicar, em termos estatísticos, uma longa e complexa história, na qual o material mais resistente ficou preservado.
rochas-fonte daquela província estªo relativamente próximas umas das outras, podendo os trabalhos de prospecçªo que vŒm sendo feitos levar à descoberta de aparelhos vulcânicos mineralizados.
A fonte dos diamantes da Serra do Espinhaço, porØm, estÆ em local distante, e os minerais encontrados resultam de sucessivos processos de erosªo, transporte e nova deposiçªo. Como a Ærea alimentadora da sedimentaçªo da bacia do Espinhaço ficava a oeste, onde se estende o crÆton do Sªo Francisco, presumese que as desconhecidas rochas primÆrias estariam nessa regiªo. A identificaçªo de tais fontes, no entanto, Ø uma tarefa difícil, pois a Ærea foi recoberta por sedimentos marinhos do chamado Grupo Bambuí em período geológico posterior, hÆ aproximadamente 900-550 milhıes de anos. Durante o transporte do mineral do crÆton atØ os sítios onde se encontra hoje, certas formas foram sendo selecionadas, e a populaçªo
À esquerda, topo da borda norte da Serra do Cabral, na região de Jequitaí (MG), com restos de um conglomerado diamantífero do Cretáceo Inferior. À direita, nas encostas da serra, garimpeiros exploram diamante de cristais de qualidade gemológica se multiplicou.
Como mostra a figura 3A, a intrusªo dos kimberlitos e lamproítos ocorreu antes da formaçªo da bacia do Espinhaço, em profundidades compatíveis com a curva de estabilidade das espØ- cies de carbono, grafita (G) e diamante (D). A erosªo das chaminØs (figura 3B) e o conseqüente assentamento de depósitos aluvionares perifØricos sªo atestados hoje pela presença de seixos de um conglomerado mais antigo dentro do Conglomerado Sopa. Com a implantaçªo da paleobacia do Espinhaço (figura 3C), ocorreu a primeira fase de deposiçªo dos diamantes, posteriormente redistribuídos na própria bacia atØ a formaçªo dos sedimentos fluviais que deram origem àquele conglomerado (figura 3D).
Movimentos tectônicos ocorridos no final do PrØ-Cambriano causaram dobramentos na crosta terrestre. Após um longo período, em que o relevo pouco se alterou em conseqüŒncia da separaçªo continental entre a AmØrica do Sul
Figura 3. História evolutiva do diamante da Serra do Espinhaço durante o Proterozóico, desde a geração das rochas-fonte até a deposição do Conglomerado Sopa

A hierarquia de valor das pedras preciosas.

A HIERARQUIA DAS GEMAS



Atendendo a sugestão de uma leitora, abordaremos este mês um tema controverso, mas de grande interesse, o da hierarquia de valor das pedras preciosas.
Sabemos que é no mínimo arriscado propor qualquer espécie de ranking das gemas comerciais pelo critério de valor, tendo em vista que a diversidade e a subjetividade dos fatores envolvidos na sua avaliação dificulta qualquer consenso, mesmo entre aqueles que lidam cotidianamente com a comercialização e a avaliação de gemas e que, portanto, devem estar sintonizados com as particularidades e a dinâmica desse mercado.
Assim sendo, ao elaborá-la, não tivemos a pretensão de apresentar uma relação ultimada e definitiva, nem nos propusemos a suscitar uma discussão sobre o tema que, sabemos, jamais teria termo. Visamos com ela, orientar o público consumidor de jóias quanto ao valor relativo das gemas mais apreciadas, mostrar a relevância no mercado internacional de algumas ainda pouco difundidas pelo setor joalheiro nacional e estimulá-lo a tirar suas conclusões através da prática e da experiência próprias.
Levando-se em consideração as cotações médias praticadas no mercado internacional de espécimes com qualidade para uso em joalheria, que apresentem tamanhos comerciais e possam ter sido submetidos a tratamentos tradicionalmente aceitos pelo mercado, é esta, em nossa opinião, a atual hierarquia das dez gemas minerais mais valiosas:
1. Diamante
2. Alexandrita
3. Rubi
4. Padparadscha
5. Safira Azul
6. Esmeralda
7. Turmalina da Paraíba
8. Demantóide
9. Tsavorita
10. Benitoíta

Considerações
É importante salientar que o Brasil produz ou produziu até recentemente, de forma regular, quatro dentre as sete gemas que consideramos as mais valiosas: diamante, alexandrita, esmeralda e turmalina da Paraíba. Caso estendêssemos esta hierarquia aos 20 ou 30 tipos mais apreciados ou nos detivéssemos apenas às gemas de uso amplo e consagrado em joalheria, certamente figurariam outras espécies e variedades produzidas regularmente em nosso país, tais como olho-de-gato, topázio imperial, água-marinha, rubelita(turmalina vermelha), indicolita(turmalina azul), turmalina verde, opala e crisoberilo.
Dentre as 10 gemas consideradas mais valiosas e que não ocorrem no Brasil ou sua produção é pequena e descontínua em nosso país, encontram-se: rubi, padparadscha (safira laranja-rosada, de tom claro a médio), safira azul, demantóide (nome comercial de uma variedade da granada andradita, de cor verde a verde-amarelada), tsavorita (designação comercial da granada grossulária verde) e benitoíta (espécie mineral de cor azul a azul violácea e, até onde sabemos, de ocorrência restrita a uma única localidade nos EUA).
Outras gemas que não ocorrem no Brasil ou sua produção é aqui escassa e irregular e que, certamente, deveriam constar de uma relação com os 20 ou 30 tipos mais valiosos, são a tanzanita, as safiras de diversas cores (rosas, alaranjadas, roxas, amarelas e com mudança de cor), os espinélios de diversas cores (vermelhos, azuis, rosas) e algumas espécies de granadas de características ou procedências específicas, tais como a Malaya (nome comercial da combinação de piropo-espessartita, de cor laranja), a Kashmirina (designação comercial da espessartita laranja, proveniente do Paquistão) e a Mandarim (nome comercial da espessartita laranja, oriunda da Namíbia).
Muitos leitores poderão, com razão, estranhar a ausência da pérola, que deveria, sem dúvida, constar de qualquer hierarquia de gemas mais valiosas que se proponha séria. No entanto, ela não foi incluída por ser extremamente difícil situá-la no ranking, tendo em vista sua diversidade de tipos e cotações, além de tratar-se de uma gema de origem orgânica, quando todas as demais constantes da relação acima possuem origem mineral.
Como as variações de qualidade e preço das gemas, sobretudo das antes conhecidas como preciosas (diamante, rubi, safira e esmeralda) são extremamente amplas, o fato de que um determinado tipo esteja situado em uma posição hierarquicamente superior não significa, evidentemente, que todos os espécimes deste referido tipo devam ser necessariamente mais valiosos que os de um tipo situado em uma posição hierarquicamente inferior.
Muitas vezes, é uma tarefa extremamente difícil tentar situar adequadamente na hierarquia determinados tipos de gemas, como são os casos, por exemplo, do rubi e da alexandrita. Enquanto a pesquisa direta e as cotações existentes em publicações referenciais de preços indiquem que os melhores exemplares de rubi usualmente apresentam valores um pouco superiores ao melhores de alexandrita, os preços médios praticados para mercadorias de qualidade comercial (cotações média e boa) são superiores no caso da alexandrita, motivo pelo qual melhor a situamos no ranking.
A mesma dificuldade ocorre entre a safira azul e a esmeralda que, historicamente, apresentam cotações muito próximas, de modo que, ressalvamos, não devem ter suas posições relativas na hierarquia tomadas com absoluta rigidez. Nos últimos anos, a presença no mercado de grandes quantidades de safiras azuis e esmeraldas tratadas por métodos de difícil detecção tem tido maior influência sobre as cotações destas gemas do que propriamente o aumento ou a diminuição de sua oferta.

ALGUNS CÉLEBRES DIAMANTES BRASILEIROS Descobertos no século XX

ALGUNS CÉLEBRES DIAMANTES BRASILEIROS
Descobertos no século XX



É muito provável que os exemplares descritos neste artigo, cuja existência tornou-se pública, constituam apenas uma parte dos espécimes de vulto que tenham, de fato, sido encontrados no século XX, pois, à medida que as condições de segurança e econômicas se deterioraram no país, cada vez menos se soube de eventuais descobertas de grandes diamantes.
Logo no início do século, em 1906, foi encontrado aquele que é considerado o terceiro maior diamante de qualidade gemológica já descoberto em nosso país, o denominado Goyás. Ao que consta, a gema pesava 600 quilates, foi lavrada no Rio Veríssimo, Município de Catalão, no estado homônimo, sendo sua história e paradeiro atual desconhecidos.
O maior diamante de qualidade gemológica encontrado no Brasil e, provavelmente, o oitavo maior jamais descoberto no mundo, é o denominado Presidente Vargas, que originalmente possuía 726,60 quilates e forma plana. Ele foi achado em 1938 no leito do Rio Santo Antônio do Bonito, região de Coromandel, no Triângulo Mineiro, e vendido no ano seguinte para o joalheiro novaiorquino Harry Winston, por US$600 mil. Esta pedra foi lapidada em 23 gemas, das quais 8 possuem corte esmeralda. A maior delas, pesando 48,26 quilates, foi mais tarde relapidada para 44,17 quilates e adotou o nome de Vargas, o mesmo da gema bruta.
1- Diamante Presidente Vargas
(computação gráfica de Jaime Barbosa, sob supervisão de Iran F. Machado)

Além do Presidente Vargas, a região de Coromandel produziu, entre 1935 e 1965, mais oito diamantes com mais de 200 quilates, cada, e outros 16 com mais de 100 quilates. Ademais, o exemplar anônimo que ocupa a segunda posição no ranking brasileiro, com 602 quilates (1994), e os que detém da quarta à sexta posição, isto é, o Darcy Vargas, com 460 quilates (1939), o Presidente Dutra, com 407,68 quilates (1949) e o Coromandel IV, com 400,65 quilates (1940) foram todos encontrados nesta região.
Em 1986, um exemplar de alta qualidade com 164 quilates foi encontrado no município de Carmo do Paranaíba, no Triângulo Mineiro, e recebeu o nome de Princesa do Carmo. No ano seguinte, um pequeno diamante vermelho pesando 0,95 ct, proveniente de uma localidade brasileira não identificada, estabeleceu o atual recorde de mais valiosa substância mineral jamais alcançado, ao ser arrematado em um leilão pela quantia de US$880 mil, o que correspondeu ao astronômico valor unitário de US$926 mil por quilate. Esta pedra e outras duas de cores algo semelhantes foram adquiridas por um colecionador de Montana (EUA) de um lapidário brasileiro, em 1956.
Nos anos de 1989 e 1990, foram noticiados os achados de dois grandes diamantes de boa qualidade na região de Juína, Mato Grosso, sendo o primeiro, de 232 quilates, descoberto no ribeirão Mutum, e o segundo, de 213 quilates, encontrado no leito do rio Cinta Larga.
Outro diamante descoberto no Brasil, que recentemente adquiriu notoriedade, é o denominado Moussaieff Vermelho, um dos 4 únicos desta cor sem qualquer tom modificador, cuja existência é pública. Até 1997, ele possuía mais que o dobro do peso de qualquer outro diamante vermelho lapidado já graduado pelo Instituto Norte-Americano de Gemologia (GIA). A gema foi adquirida de um fazendeiro brasileiro nos anos 90 e possuía, originalmente, 13,90 ct. Em seu estado atual, possui 5,11 ct, mede 11.02 x 10,57 x 6,06 mm e foi lapidada em estilo brilhante modificado e forma triangular arredondada pela empresa William Goldberg Diamond Corp., de Nova York.
2- Diamante Moussaieff Vermelho
Fotografia de Chip Clark (Smithsonian Institution, EUA)

Joias de Liz Taylor leiloadas em NY arrecadam quase US$ 116 milhões

Joias de Liz Taylor leiloadas em NY arrecadam quase US$ 116 milhões

'A peregrina', presente de Richard Burton, foi vendida a US$ 11,8 milhões.
Jogo de seis peças de esmeraldas e diamantes atingiu US$ 24,6 milhões.


O leilão da coleção de joias de Elizabeth Taylor, em Nova York, arrecadou quase R$ 116 milhões. A expectativa em torno das peças era tal que a Christie's só permitiu o acesso à zona nobre de sua sede na cidade americana a quem abrisse uma linha de crédito de US$ 100 mil.
Quatro horas depois os 80 lotes alcançaram quase US$ 116 milhões, muito acima dos US$ 30 milhões estimados inicialmente.
A estrela da jornada foi uma impressionante pérola conhecida como "A peregrina", um dos diversos presentes dados pelo amor de sua vida, o ator Richard Burton. A peça foi arrematada na primeira metade da sessão por US$ 11,8 milhões, o novo recorde mundial de venda de uma pedra preciosa durante um leilão.
‘A peregrina’, pérola dada por Richard Burton a Liz Taylor na década de 1960, alcançou o preço recorde de US$ 11,8 milhões. (Foto: Arquivo / AP Photo)‘A peregrina’, pérola dada por Richard Burton a Liz Taylor na década de 1960, alcançou o preço recorde de US$ 11,8 milhões.
Várias soberanas espanholas ostentaram a joia, que data do século XVI e pertenceu à Coroa espanhola durante oito gerações, até que José Bonaparte fugiu do país com a famosa pérola, que passou depois por Irlanda e Estados Unidos até terminar nas mãos de Liz Taylor, na década de 1960.
"A peregrina", montada em um colar com outras pérolas, além de rubis e diamantes, estava avaliada pela Christie's em até US$ 3,5 milhões, mas acabou ofuscando outras das joias mais cobiçadas da jornada, como um anel com um diamante de 33 quilates que encontrou comprador por US$ 8,8 milhões.
"É difícil escolher uma das peças, mas uma das mais especiais é este anel de diamantes que foi presente do grande amor dela, Richard Burton", disse a responsável pela venda, Heather Barnhart, antes do leilão.
Também foi muito aplaudido um jogo de seis peças de esmeraldas e diamantes, vendido por US$ 24,6 milhões, entre os quais se destacaram um singular broche arrematado por US$ 6,5 milhões e um colar que alcançou US$ 6,1 milhões, além de um bracelete, um anel, dois brincos e outro broche.
Outra das pérolas do leilão foi um diamante plano com engrenagem de ouro conhecido como "Taj Mahal", com o qual Burton surpreendeu a atriz mais emblemática de Hollywood em seu aniversário de 40 anos. A joia foi vendida por US$ 8,8 milhões, enquanto um colar de safiras e diamantes assinado pela marca Bulgari em estilo art déco conseguiu US$ 5,9 milhões.
Uma mulher dá um lance por uma joia de Liz Taylor, durante leião em Nova York. (Foto: Carlo Allegri / Reuters)Uma mulher dá um lance por uma joia de Liz Taylor, durante leião em Nova York.
Os presentes ficaram igualmente deslumbrados com outro jogo de quatro peças de rubis e diamantes assinado pela Cartier, que acabou arrematado por US$ 9,6 milhões, incluindo um anel que alcançou US$ 4,2 milhões e um colar que saiu por US$ 3,7 milhões, enquanto um chamativo anel de diamantes amarelos - sua cor preferida - chegou a US$ 2 milhões.
Outras joias negociadas foram uma tiara vendida por US$ 4,2 milhões, um anel de diamantes de cor cognac, também presente de Burton à diva, que saiu por US$ 2,3 milhões, e brincos de pérolas naturais e diamantes, avaliados em até US$ 600 mil e arrematados por quase US$ 2 milhões.
O leilão continuará  com a coleção de roupas da diva, "toda a história da moda no século XX", na qual se destacam chamativos vestidos produzidos pela grife Pucci na década de 1960, jaquetas com pedraria feitas pela Versace nos anos 80 e várias peças de Christian Dior.
Dois dos trajes que mais interesse despertaram são os vestidos que a protagonista de "Gata em teto de zinco quente" usou nos dias de seus dois casamentos com Burton, em 1964 e 1975, um de seda amarela assinado por Irene Sharaff, e outro de seda verde e rosa da estilista Gina Fratini.
Liz Taylor, que morreu após um ataque cardíaco em março, aos 79 anos, atraiu boa parte dos olhares durante a temporada de leilões deste ano, onde tiveram especial relevância alguns retratos da atriz, como "Liz 5", do rei da Pop Art, Andy Warhol (1928-1987), vendido por quase US$ 27 milhões.

Aposentado encontra diamante em Estrela do Sul, MG

Aposentado encontra diamante em Estrela do Sul, MG

Ele estava na calçada de casa quando avistou o diamante de 4 quilates.
6º maior diamante do mundo é da cidade e foi exposto no museu de Louvre.


 Um aposentado de 70 anos morador de Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro, encontrou uma pedra de diamante na porta da própria casa. O caso foi no início do mês passado e repercutiu entre os moradores da pacata cidade que tem cerca de 7.000 habitantes. O município é conhecido pelo garimpo e pelas histórias de quem encontrou pedras preciosas de forma inusitada.
André Fontes, que procurou gemas boa parte da vida, conversava com os amigos na calçada. O assunto: diamantes. Foi quando um caminhão passou e espirrou a pedra para perto dos pés do ex-garimpeiro. A pedra tem quatro quilates e pode valer cerca de R$ 5 mil depois de lapidada. Se virar joia pode valer ainda mais. Não é uma fortuna, mas alegrou a vida do aposentado. “Eu olhei e falei: esse trem não quer quebrar. Aí agachei, peguei e vi que era um diamante. Mostrei para os colegas que estavam junto e eles confirmaram”, disse.
Diamante vale R$5 mil (Foto: Reprodução TV Integração)Diamante pode valer R$5 mil (Foto: Reprodução TV
Integração)
Município é conhecido pelos diamantes
Na década de 70, quando a cidade começou a ser asfaltada, foi usado cascalho tirado do rio Bagagem, onde muitos diamantes foram encontrados. O prefeito, Lycurgo Rafael Farani, acredita que o diamante tenha saído do asfalto. O administrador do município está até preocupado. “Já imaginou a corrida para garimpar as ruas da cidade? Eu não vou ter recurso para tapar tantos buracos”, brincou.
Segundo ele, outras histórias são contadas na região. Em uma delas, um morador fez um buraco na própria casa. “Um morador sonhou que na casa dele tinha um diamante e cavou um buraco, mas não encontrou”, disse. Ele diz que outros já foram encontrados até na moela de uma galinha.
O museu da cidade guarda as fotos do sexto maior diamante do mundo. Ele foi retirado do Rio Bagagem. O “Estrela do Sul” chegou a ser exposto no museu Louvre, em Paris. Com a notícia de André Fontes, outros moradores disseram que vão ficar de olho nas ruas da cidade.“Vou prestar mais atenção. Quem sabe não acho um desse também”, disse o motorista Isac Almeida.
O estudante João Bacelar se empolgou com a ideia e já pensa em garantir o futuro: “Vou varrer a rua inteira e procurar um para mim”.
“Estrela do sul” chegou a ser exposto no museu Louvre, em Paris (Foto: Reprodução TV Integração)“Estrela do Sul” chegou a ser exposto no museu Louvre, em Paris (Foto: Reprodução TV Integração)