terça-feira, 17 de novembro de 2015

Fiscais apreendem 25 toneladas de pedras preciosas em porto no RS

Fiscais apreendem 25 toneladas de pedras preciosas em porto no RS Fiscais do Ibama e auditores da Receita Federal encontraram quase 25 toneladas de pedras preciosas prontas para serem exportadas de forma ilegal no porto de Rio Grande, no litoral gaúcho. Segundo os dois órgãos, os minerais foram extraídos de maneira irregular no interior do Rio Grande do Sul e seriam levados de navio para a Alemanha. A operação que resultou nas apreensões no porto gaúcho ocorreu na última terça-feira (18). Entre as pedras havia ágatas, esmeraldas e cristais de rocha. Ao menos quatro grandes blocos foram retidos pela fiscalização. Também foram encontrados discos de madeira petrificada que seriam retirados do país. A empresa responsável pelo material, que não teve o nome divulgado pelos fiscais, vai ser multada em R$ 295 mil. De acordo com o Ibama, os responsáveis são da cidade de Lajeado (a 112 km de Porto Alegre). Eles compravam minerais explorados em jazidas na região de Soledade (a 217 km de Porto Alegre), cidade que possui uma série de indústrias e empresas de beneficiamento de minérios. A fiscalização não encontrou licenças ambientais para exploração dessas pedras nem documentação comprovando a origem delas, conforme determina a legislação federal. Ibama Pedras preciosas apreendidas no porto de Rio Grande, no litoral gaúcho 

Que joia

Que joia


O tão esperado desfile anual da Victoria’s Secret será no dia 5 de dezembro, mas a marca de lingerie antecipou detalhes do tradicional sutiã milionário que é apresentado a cada evento. Este ano, o “fantasy bra” – feito em parceria com a grife de joias Mouawad, chega adornado com mais de 6 mil pedras preciosas, entre safiras e diamantes. A modelo americana Lily Aldridge, de 29 anos, foi a angel escolhida para desfilar com a lingerie, avaliada em US$ 2 milhões.

Garimpando ganhos

Garimpando ganhos

Investir em diamantes pode até dobrar o capital. Saiba como aproveitar as oportunidades com a primeira bolsa especializada nessa pedra na América Latina

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Ali Pastorini, da Del Lima: “Antes, eu tinha de comprar as pedras na China. Hoje elas estão a apenas oito horas de viagem”
Ali Pastorini, da Del Lima: “Antes, eu tinha de comprar as pedras na China. Hoje elas estão a apenas oito horas de viagem” ( foto: Pedro Dias)
Os diamantes são os melhores amigos da mulher, já dizia a atriz americana Marilyn Monroe. Para a designer gaúcha Ali Pastorini, proprietária do ateliê de joias Del Lima, eles são fonte de lucro e, também, de um dia a dia sacrificado. A cada seis meses, ela enfrentava jornadas de até 60 horas, entre viagens de avião e longas esperas em salas de embarque, para comprar sua principal matéria-prima, vendida em Hong Kong e Dubai. O custo das viagens e as taxas de importação tornavam o negócio oneroso. Desde julho, porém, as horas de voo diminuíram bastante.
Agora, a empresária compra suas gemas no Panamá, reduzindo os gastos com deslocamento e, melhor ainda, pagando menos impostos. Ela tem negociado suas pedras na Panamá Diamond Exchange (PDE), primeira bolsa de diamantes da América Latina. A PDE, que abrirá oficialmente em janeiro de 2015, foi criada por meio de uma parceria entre empresários do setor de joias e o governo panamenho, com investimentos de US$ 200 milhões. A bolsa reúne fisicamente compradores e vendedores em um mesmo local. Como os diamantes são muitos e diferentes entre si, e sua cotação varia em função do tamanho, pureza e procedência, a bolsa também publica cotações e informações sobre as pedras na internet.
Para negociar ali, é necessário obter uma licença, que deve ser retirada pessoalmente. A relativa proximidade geográfica com o Brasil e o fato de a bolsa estar localizada em uma zona franca, livre de impostos, portanto, beneficia diretamente negociantes e investidores brasileiros. “A maior dificuldade de quem trabalha com diamantes é achar pedras que tenham procedência registrada e bons preços, e isso só era possível indo à China ou aos Emirados Árabes”, diz Ali. A empresária compra diamantes polidos para produzir suas joias – que levam também ouro, rubis e esmeraldas – e as revende para clientes endinheirados dos Estados Unidos e Emirados Árabes.
Apesar de não revelar o faturamento, ela revela que a rentabilidade de sua empresa aumentou nos últimos meses em função da redução de gastos e taxas. “Eu chegava a pagar até 20% de impostos quando comprava em Dubai, dependendo do estado das peças”, diz. Atualmente, ela paga somente o imposto de importação no Brasil, que pode variar entre 10% e 45%. Com a abertura da bolsa, será possível a investidores de alto poder aquisitivo e apetite por diversificação comprarem e venderem pedras, aproveitando-se da perspectiva de alta de preços.
O mercado de joias na América Latina é avaliado em US$ 8 bilhões, sendo que a metade desse total vem da negociação de diamantes. Somados, Brasil e México, que são os maiores mercados, respondem por US$ 1 bilhão. Não por acaso, o foco da bolsa é atrair investidores brasileiros como a gaúcha Ali, diz o israelense Eli Izhakoff, presidente da PDE (leia ao lado). Apesar de não ser um investimento popular, os diamantes estão se tornando uma opção rentável. “As pedras são um ativo de baixa volatilidade e a demanda está crescendo rapidamente em mercados como Ásia, Oriente Médio e América Latina”, diz Izhakoff.
A maior facilidade trazida pela bolsa para a compra não isenta o investidor de alguns cuidados. A primeira orientação é obter informações sobre as características e o mercado das pedras antes de adquiri-las. “A procedência pode fazer toda a diferença na hora da venda”, diz Ali. Outro ponto importante é o estágio de processamento da pedra. “Entre o garimpo e a joalheria, um diamante passa por seis etapas e os investidores podem comprá-los em qualquer uma delas”, diz Izhakoff. Na fase de exploração e mineração, o retorno pode chegar a 20%.
Quando está em uma joia, o rendimento pode ser de até 100%. Para formar o preço médio do quilate são utilizados fatores como a origem da pedra e o grau de pureza. No site do Serviço Geológico do Brasil, um quilate, unidade de 0,2 grama de diamante, pode alcançar até US$ 63 mil. Apesar das possibilidades de um bom retorno, é preciso ter claro que os diamantes não possuem tanta liquidez quanto as ações. A maior ou menor facilidade para vendê-los vai depender do momento do mercado. A procura por diamantes tem aumentado e isso pode justificar a aposta nesse tipo de investimento. Segundo o consultor em finanças Augusto Saboia, a principal vantagem desse tipo de investimento é a possibilidade de valorização em épocas de expansão do mercado.
“Em momentos de turbulência, os diamantes são uma reserva de valor, da mesma forma que o ouro, com a vantagem de ocupar menos espaço físico”, afirma Saboia. Para Saboia, entre as desvantagens de se investir na pedra está a baixa liquidez em épocas de retração. “Além disso, segurança, transporte e conservação devem ser levados em conta”, diz o consultor. Para não ficar tão exposto às oscilações do diamante, Izhakoff diz que o investidor deve priorizar o mercado de varejo, ou seja, adquirir o diamante em fase finalizada, já lapidado e pronto para ser montado em uma joia, por exemplo.
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ELI IZHAKOFF
O presidente da Panama Diamond Exchange fala à DINHEIRO sobre as oportunidades para investidores
Onde estão as maiores bolsas de diamantes em todo o mundo? 
Existem 30 bolsas de diamante. Os maiores centros comerciais para a pedra são os de Nova York, Antuérpia, na Bélgica, Ramat Gan, em Israel, e Dubai, nos Emirados Árabes.
Qual é o potencial brasileiro para o mercado de diamantes? 
O mercado de joias da América Latina movimenta US$ 8 bilhões, dos quais cerca de 50% são de diamantes. Brasil e México respondem por US$ 1 bilhão por ano em diamantes. Até 2019, o mercado de varejo vai chegar a US$ 2 bilhões.
Como os investidores brasileiros podem ter retorno com diamantes? 
O uso de diamantes como um mecanismo de investimento está crescendo. Eles são vistos como uma forma de investimento estável e com baixa volatilidade. Além disso, o retorno sobre os diamantes durante o prazo imediato é mais positivo por causa do rápido crescimento da demanda.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Energia nuclear muda a cor e multiplica o preço de cristais

Energia nuclear muda a cor e multiplica o preço de cristais

Com tecnologia, quartzo é transformado em ametista. Lapidário revela como destaca a beleza de pedras brutas.


Em busca da perfeição. Será que é possível mudar a cor e a beleza dos cristais? É sim, com energia nuclear e criatividade de artista. Em Minas Gerais encontram-se, em cidades vizinhas, dois homens que se dedicam a essa transformação. Em Lagoa Santa, Walter Ferreira trabalha com as mãos. Na capital, Belo Horizonte, o professor Fernando Lameiras e sua equipe bombardeiam cristais com raios gama.

Os alquimistas nunca conseguiram fazer ouro. Mas, em Belo Horizonte, os cientistas conseguem mudar a cor e multiplicar o preço dos cristais. Na mão deles um quartzo vira uma ametista.

A transformação acontece no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear de Minas Gerais. A técnica foi descoberta na Alemanha, na década de 40, e aprimorada no Brasil. Cristais claros, sem cor, ganham tons de que vão do amarelo ao azul.

O primeiro passo é selecionar o cristal certo. Nem todos mudam de tonalidade. Mas o Brasil desenvolveu a tecnologia mais avançada do mundo para avaliar a composição química dos minerais e assim saber se a pedra vai ou não ganhar cor. Aí entra o poder da energia nuclear.

O laboratório é cercado de medidas de segurança. Para acionar a cápsula radioativa é preciso primeiro digitar no computador a senha que desbloqueia o sistema.

Pablo Grossi é o responsável pela segurança do laboratório e um dos únicos que têm acesso à chave da câmara de irradiação, onde as pedras mudam de cor.

Só é permitido entrar no local com o sistema desligado. Mesmo assim, nos corredores que levam à cápsula, é difícil esquecer que estamos a poucos metros de uma perigosa fonte radioativa.

"A fonte de radiação fica um metro abaixo do solo. É uma fonte de cobalto 60. Quando ela é exposta, sai de sua blindagem de chumbo e fica em uma região onde os produtos são irradiados e todo o processo ocorre. Ela fica dentro de um cilindro, que serve para proteger o material radioativo que está lá dentro", explica Paulo Grossi.

Para mudar de cor, os cristais ficam expostos à radiação de três dias a dois meses. Os cientistas explicam que o processo não deixa nos minerais nenhum resquício de radioatividade. O que muda mesmo é o valor da pedra.

"No Brasil, costuma sair pedra em um estado que vale muito pouco, cerca de R$ 20 o quilo. Bruta e sem cor. Uma pedra que já está bruta e colorida pode chegar a valer R$ 2 mil o quilo", explica Fernando Lameiras.

Walter Ferreira faz parte de um grupo de artistas cada vez mais raros. A lapidação artesanal de joias vem diminuindo muito no Brasil. Quase sempre as pedras são exportadas em forma bruta e lapidadas no exterior, geralmente na Ásia, onde a mão-de-obra é mais barata. Walter resiste. Começou a trabalhar aos 11 anos e nunca mais parou. Para ele, toda pedra é preciosa. O lapidário acha que só ajuda a revelar a beleza que ela sempre teve.

"Quanto à forma, eu só obedeço. A pedra é que me mostra o seu formato. Eu enxergo formatos dentro das pedras. Se eu não puder por meu trabalho em uma pedra com respeito, eu não ponho. Porque temos que respeitar a natureza", diz Walter.

A lapidação do quartzo consome a tarde inteira. Mas, antes de o sol se por, a peça fica pronta. Apesar das incertezas da profissão, Walter nunca pensou em desistir. "Sou apaixonado por pedras, pela natureza e por minha profissão", afirma.

A mesma paixão que levou o ex-garimpeiro Júlio Bento para Diamantina, o dono de mina Heitor Barbosa para a Paraíba, e que alimenta, todo dia, o sonho dos garimpeiros Miguel Tressi, Deda, Valdemar Bilibil e tantos outros. O sonho de encontrar a felicidade em uma pedra. Para eles, uma pedra mais do que preciosa.

EM BUSCA DOS DIAMANTES

EM BUSCA DOS DIAMANTES
Ex-garimpeiro garante que o rio Pardo ainda tem pedras e pensa em lançar um livro

O garimpeiro usa a própria pressão da água para "ajeitar" as pedras em um círculo perfeito“Basta ter paciência”. Essa era a receita dada pelo saudoso professor Hélio Castanho de Almeida — morto em 1995 — para quem quisesse encontrar um diamante no rio Pardo. Dez anos antes de sua morte, Castanho era enfático ao garantir que, apesar de mais de 200 garimpeiros terem explorado o Pardo na década de 50, o rio ainda guardaria pedras.
Pode até ser. Mas se encontrar o diamante já é difícil, ainda pior é achar alguém que saiba procurá-lo: um garimpeiro “de verdade”. A prática tão comum em Santa Cruz do Rio Pardo há algumas décadas perdeu-se e as novas gerações pouco ou nada sabem sobre o assunto.
É por isso que Paulo Afonso dos Santos, 70 — mineiro de Jequitaí radicado em Santa Cruz há 20 anos — quer colocar em um livro as técnicas do garimpo que aprendeu com seu pai. Junto ao sonho de escrever o livro, Paulo cultiva outro há duas décadas: encontrar, nas águas do Pardo, um diamante. “Já sonhei diversas vezes que estava achando esse diamante. Quando acordo, fico triste de ser só sonho”, conta.
Paulo, assim como apostava o professor Hélio Castanho de Almeida, tem absoluta certeza de que ainda há diamantes no rio Pardo. Certeza que brotou de um comentário de um parente, quando ele ainda morava em Minas Gerais e estava prestes a se casar com uma santa-cruzense. “Você vai para Santa Cruz do Rio Pardo? Lá tem diamante no rio”, foi a observação feita pelo familiar.
A certeza foi aumentando quando, já instalado na cidade, Paulo passou a observar o cascalho que vem na areia grossa para reformas de casas. Chegando aqui, porém, o garimpeiro começou a trabalhar no ramo de calçados e deixou adormecer, por longos anos, o sonho do diamante. Mas a vontade de encontrá-lo e a certeza dessa possibilidade brotaram novamente depois que o ex-garimpeiro realizou pesquisas no rio Pardo, recolhendo cascalho para examinar o tipo de pedra que o compõe.
Paulo Afonso dos Santos mostra a ferramenta básica de qualquer garimpeiro: a peneiraCertos tipos de pedras costumam acompanhar o diamante e o bom garimpeiro sabe “ler” essa mensagem. Paulo aprendeu a garimpar ainda menino, por volta dos oito anos, em um Estado onde praticamente todos faziam isso — em alguns locais de Minas Gerais, aliás, o garimpo ainda é freqüente. Ele já praticou os três tipos de garimpo existentes: no leito do rio, de gupiara (fora do leito do rio) e de virada — quando se constrói uma barragem para desviar o curso do rio e facilitar o garimpo. Foi no garimpo de virada em Minas Gerais que Paulo, na época com apenas 20 anos, encontrou 126 diamantes. Renderam um bom dinheiro, que foi dividido com colegas. Sua parte, porém, gastou nos anos seguintes.
O tipo de garimpo mais praticado é o de leito de rio — talvez porque nessa modalidade o garimpeiro não tenha que pagar comissão a nenhum meieiro, o que ocorre no garimpo de gupiara e de virada. Mas é uma técnica trabalhosa.
O garimpeiro deve, em primeiro lugar, localizar a concentração de cascalho do rio. Paulo explica que o rio tem “bolsas” no fundo — o que nós chamamos de “fossos” do Pardo. Há dois tipos de bolsas: a fêmea, larga na boca e cheia de cascalho, e o macho, de boca larga, mas estreito no fundo. “A melhor para pegar cascalho é a fêmea”, ensina Paulo.
Para achar as bolsas, o garimpeiro precisa ir de barco pelo rio e usar uma sonda — uma barra de ferro comprida — para “medir” a profundidade. O local da bolsa também deve ser especial — não pode ser muito fundo, já que o garimpeiro deverá retirar cerca de 50 latas de cascalho.
Depois de encontrada a bolsa, o garimpeiro deve preparar o terreiro na margem, em um local sem barrancos. É preciso limpar e socar o terreno, deixando a terra nua e bem plana. Com as próprias mãos, o garimpeiro separa as pedras grandes do cascalho — não servem para nada. O que sobra é passado no ralo, um tipo de funil quadrado feito de ferro que separa mais uma parte de pedras grandes.
O que restou deve ser peneirado, dentro da água. Primeiro na peneira grossa, de aço, especial. O tamanho dos furos impede que as pedras maiores vazem para a peneira de baixo, a mais fina. O garimpeiro descarta novamente as pedras maiores — mas tomando o cuidado de verificar se nenhum diamante “enorme” ficou lá.
No terreiro, o "resumo": pedras maiores, inclusive o diamante, ficam sempre no centro do círculoQuando a peneira fina está com a quantia certa de pedras — coisa que o garimpeiro de verdade “sente” — começa a parte mais interessante. O garimpeiro passa a rodar a peneira, chocando-a de vez em quando contra a água para fazer pressão. Ao final de algumas rodadas e outras tantas batidas, ele vira a peneira de uma só vez no terreiro preparado, para fazer o “resumo” — o exame detalhado das pedras.
No chão, forma-se um círculo de cascalho perfeitamente desenhado: nas bordas, apenas umas pedras minúsculas, que podem ser amareladas ou cinzentas. O tamanho das pedras vai aumentando gradativamente e simetricamente em direção ao centro da peneira. Bem no meio fica o “caboclo”: as pedras maiores e escuras, pretas ou marrons, que durante o processo vão se aglutinando no “fundo” da peneira. Se houver diamante, estará ali. “No meio das pedras escuras, ele salta aos olhos. Não tem como não ver”, conta Paulo. A sensação de encontrar um diamante, segundo o ex-garimpeiro, é indescritível. Uma sensação que Paulo ainda espera vivenciar no Pardo. “Acho que tudo tem seu dia e sua hora”, comenta, cheio de esperança.