sábado, 5 de dezembro de 2015

Amazônia abriga terceira corrida do ouro no Brasil

Amazônia abriga terceira corrida do ouro no Brasil


Brasília – O que o resultado das operações de fiscalização de crimes ambientais sinalizava, e o governo temia, está sendo confirmado agora por especialistas em mineração e órgãos ambientais: começou, há quase cinco anos, a terceira corrida do ouro na Amazônia Legal, com proporções, provavelmente, superiores às do garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará, no período entre 1970 e 1980.
Nos últimos cinco anos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desativou 81 garimpos ilegais que funcionavam no norte de Mato Grosso, no sul do Pará e no Amazonas, na região da Transamazônica. O Ibama informou que foram aplicadas multas no total de R$ 75 milhões e apreendidos equipamentos e dezenas de motores e balsas.
Nesta semana, fiscais do Ibama e da Fundação Nacional do Índio (Funai) e agentes da Polícia Federal, desativaram três garimpos ilegais de diamante no interior da Reserva Indígena Roosevelt, em Rondônia. Dezessete motores e caixas separadoras usadas no garimpo ilegal foram destruídos, cessando o dano de imediato em área de difícil acesso.
A retomada do movimento garimpeiro em áreas exploradas no passado, como a Reserva Roosevelt, e a descoberta de novas fontes de riqueza coincidem com a curva de valorização do ouro no mercado mundial. No ano passado, a onça – medida que equivale a 31,10 gramas de ouro – chegou a valer mais de US$ 1,8 mil.
Com a crise mundial, a cotação no mercado internacional, recuou um pouco este ano, mas ainda mantém-se acima de US$ 1,6 mil. No Brasil, a curva de valorização do metal continua em ascensão. No início deste ano, o preço por grama de ouro subiu 12%, chegando a valer R$ 106,49.
“É um valor muito alto que compensa correr o risco da clandestinidade e da atividade ilegal. Agora qualquer teorzinho que estiver na rocha, que antes não era econômico, passa a ser econômico”, afirma o geólogo Elmer Prata Salomão, presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral e ex-presidente do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério de Minas e Energia.
Como a atual corrida do ouro é muito recente, os dados ainda são precários e os órgãos oficiais não têm uma contagem global. Segundo Salomão, que presidiu o DNPM na década 1990, depois da corrida do ouro de Serra Pelada, foram feitos levantamentos que apontaram cerca de 400 mil garimpeiros em atividade no Brasil.
O secretário executivo da Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (Adimb), Onildo Marini, cita duas regiões em Mato Grosso consideradas estratégicas para o garimpo: o Alto Teles Pires, no norte do estado, que já teve forte movimento da atividade e hoje está em fase final, e Juruena, no noroeste mato-grossense, onde o garimpo foi menos explorado.
“Tem garimpos por toda a região e tem empresas com direitos minerários reconhecidos para atuar lá”, relata. Como ainda há muito ouro superficial que atrai os garimpeiros ilegais, a área tem sido alvo de conflitos. As empresas tentaram solucionar o problema no final do ano passado, quando procuraram o governo de Mato Grosso e o DNPM. “A notícia que tive é que a reunião não foi muito boa. Parece que o governo local tomou partido do garimpo”, disse ele. Procurado pela Agência Brasil, o governo de Mato Grosso não se manifestou.
“Os garimpos mais problemáticos são os de ouro e diamante. Na Amazônia, incluindo o norte de Mato Grosso, estão os mais problemáticos e irregulares, tanto por estarem em áreas proibidas, como por serem clandestinos.”
A Reserva Roosevelt, no sul de Rondônia, a 500 quilômetros da capital, Porto Velho, é outro ponto recorrente do garimpo ilegal. A propriedade de mais de mil índios da etnia Cinta-Larga, rica em diamante, foi palco de um massacre, em 2004, quando 29 garimpeiros, que exploravam clandestinamente a região, foram mortos por índios dentro da reserva. O episódio foi seguido por várias manifestações dos Cinta-Largas, incluindo sequestros, que pediam autorização para explorar a reserva.
“Agora existe um grupo de garimpeiros atuando junto com os índios, ilegalmente. Agora, eles estão de mãos dadas. A gente viu fotografias com retroescavadeiras enormes”, diz o geólogo.
Os garimpos na Reserva Roosevelt voltaram a ser desativados esta semana, quando o Ibama deflagrou mais uma operação na região, com o apoio da Polícia Federal.
Marini explicou que ainda não é possível contabilizar os números da atividade praticada ilegalmente na região. “Não há registro. Na região do Tapajós, onde [o garimpo] está na fase final, falava-se em valores muito altos, em toneladas de ouro que teria saído de lá, mas o registro oficial é pequeno, a maior parte é clandestina. Ouro, diamante e até estanho, que é mais barato, na fase de garimpo, mais de 90% era clandestino”.

Novas jazidas de diamantes no Brasil

Novas jazidas de diamantes no Brasil

Oito especialistas do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia, mapearam e identificaram dezenas de novas áreas potencialmente ricas em diamantes no País, especialmente no Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará.
Essa iniciativa faz parte do projeto Diamante Brasil, cujas pesquisas de campo começaram em 2010. Desde então, os geólogos visitaram cerca de 800 localidades em diversos estados, recolheram amostras de rochas e efetuaram perfurações para descobrir mais informações sobre as gemas de cada um dos pontos.
O ponto de partida para as expedições foi uma lista deixada ao governo pela empresa De Beers, gigante multinacional do setor de diamantes que prestava serviços para o Brasil na área de mineração. Neste documento, constavam as coordenadas geográficas de 1.250 pontos, entre os quais muitos kimberlitos*. Apesar das informações sobre as possíveis localidades dessas jazidas, não havia detalhes sobre quantidades, qualidade e características das pedras, impulsionando o trabalho de campo dos geólogos.
O objetivo principal dos pesquisadores era fazer uma espécie de tomografia das áreas diamantíferas no território brasileiro, visando atrair investimentos de mineradoras e eventualmente ajudar a mobilizar garimpeiros em cooperativas. Essas medidas podem trazer um aumento na produção de diamantes em território nacional e coibir as práticas ilegais relacionadas a essas pedras preciosas.
Atualmente, o Brasil conta principalmente com reservas dos chamados diamantes industriais e de gemas (para uso em jóias). Os de gemas são os que fazem girar mais dinheiro, considerando que um diamante desses pode ser vendido em um garimpo do Brasil por R$ 2 milhões. Já o valor da pedra lapidada pode chegar à R$ 20 milhões.
Os detalhes dos achados ainda são mantidos em sigilo. Com o fim do trabalho de campo, os geólogos do Diamante Brasil darão início à descrição dos minerais encontrados e as análises das perfurações feitas pelas sondas. A intenção dos pesquisadores é divulgar todos os dados em 2014.
*O que é um Kimberlito?
De acordo com Mario Luiz Chaves, doutor em geologia pela Universidade de São Paulo e professor adjunto da UFMG, kimberlitos são rochas hibridas, ígneas ultrampaficas, potássicas e ricas em voláteis, com origem a mais de 150km de profundidade e que chegam a superfície por meio de pequenas chaminés vulcânicas ou diques. Normalmente, os diamantes são encontrados neste tipo de rocha. Confira uma foto:

Os cinco maiores diamantes lapidados do mundo

A obra Diamante: a pedra, a gema, a lenda, de autoria do professor doutor Mario Luiz Chaves e do doutor em engenharia de minas Luís Chambel, aborda aspectos geológicos e de mineração relacionados aos famosos minerais e traz diversas curiosidades para os leitores. Abaixo separamos uma lista baseada no livro com dados sobre os maiores diamantes do mundo e fotos incríveis de cada um deles.
1)    Cullinan I
Essa pedra foi encontrada em 1905 na África e recebeu o nome de Cullinan em homenagem ao dono da mina, Thomas Cullinan. É considerado o maior diamante já encontrado e pesa 3.106 quilates. Atualmente, adorna o Cetro do Soberano, propriedade real da Inglaterra.
2)    Incomparable
O Incomparable, ou Imcomparável, tem uma história curiosa: foi encontrado em 1984 por uma garota em uma pilha de cascalho próxima à mina MIBA Diamond, no Congo. Considerado inútil pela administração da mina, o cascalho foi descartado com a pedra, e a menina acabou descobrindo o segundo maior diamante bruto do mundo, com 890 quilates. O corte do diamante gerou 14 gemas menores e o Incomparável, um diamante dourado com 407,48 quilates.
3)    Cullinan II
O Cullinan II, conhecido como Pequena Estrela da África, foi encontrado no mesmo ano e local que o Cullinan I. Com 317.4 quilates (63.48 g) é o terceiro maior diamante lapidado do mundo, e foi colocado na coroa imperial, também pertencente à realeza da Inglaterra.
4)    Grão Mogol
Encontrado na Índia em 1550, pesa 793 quilates. A pedra deu nome a um município em Minas Gerais. O paradeiro atual desta preciosidade é desconhecido.
5)    Nizam
O Nizam é o diamante mais antigo desta lista e foi descoberto na Índia em 1830. A pedra tem 227 quilates e já adornou coroas e joias reais (Elizabeth). Atualmente ninguém sabe ao certo qual foi o seu último destino.

Preço do diamante faz De Beers fechar mina

Preço do diamante faz De Beers fechar mina




A mina de diamantes Snap Lake, nos Territórios do Noroeste Canadense, está sendo fechada.

O motivo, segundo a De Beers, é o mercado desfavorável. Snap Lake está com custos operacionais elevados e no prejuízo há algum tempo.

À De Beers não restava outra opção.

Foram demitidos 434 empregados. Os restantes remanejados para a nova mina da De Beers Gahcho Kue e para o escritório de Snap Lake que permanecerá ativo a espera de melhores condições..

Snap Lake é um jazimento sobre o kimberlito de mesmo nome.

Este kimberlito é diferente da maioria por ser composto por várias intrusões hipoabissais de idade Cambriana. Por estar debaixo de um lago e pela sua complexidade geológica Snap Lake não pode ser lavrado a céu aberto o que implica em custos operacionais elevados.

Minério de ferro a preços baixos, mas Vale continua otimista

Minério de ferro a preços baixos, mas Vale continua otimista



A Vale declarou, através do seu executivo do minério de ferro Peter Poppinga, que vê um mercado saudável para 2016.

Poppinga acredita que o mercado mundial estará em torno de 1,4 bilhões de toneladas no ano que vem.

O mesmo sentimento foi expresso pela Rio Tinto, na última conferência em Perth. A Rio prevê um aumento do comércio mundial para três bilhões de toneladas em 2030.

Apesar do preço do minério de ferro ter caído abaixo de US$40/t, a Vale prevê um preço médio ao redor de US$50/t em 2016.

Caso esse cenário se concretize a mineradora irá ter lucros extraordinários já que os seus custos operacionais se aproximam de US$10/t com a entrada em produção da sua nova supermina a S11D.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O fim da mineração?

O fim da mineração?



 
Se existe um fato que todos da área mineral muito bem sabem é que a mineração mundial precisa, urgentemente, se reinventar.

As notícias que vemos na mídia global são alarmantes.

Muitas minas estão produzindo no prejuízo e não poderão continuar por mais tempo.

Grandes empresas amargam prejuízos imensos que se acumulam nos últimos anos. Somente neste primeiro semestre de 2015 os lucros da Rio Tinto, Glencore e Anglo caíram mais de 30%. Já os da BHP superam os 50%. Os produtores menores, por serem menos diversificados, sofrem bem mais.

Projetos, minas e mineradoras estão começando a fechar as portas em todos os cantos do planeta. Eles já não mais conseguem atuar com a qualidade esperada e de mocinhos passaram a ser considerados pela sociedade como vilões.

A quebradeira é geral e a herança deixada pelas massas falidas não se resume somente ao desemprego, mas ao abandono das operações mineiras sem a devida reabilitação ambiental.

As comunidades que antes vicejavam com a mineração colhem uma contrapartida de ambientes poluídos e cicatrizes abertas de cavas abandonadas.

Com a quebra das mineradoras as comunidades e o Estado se deparam com o pior: o desemprego e a falta de renda. E, para piorar, os preços dos metais e das commodities continuam caindo, reduzindo ou simplesmente extirpando o lucro dos mineradores.

É um cenário sombrio sentido por aqueles que veem desaparecer a sua principal fonte de renda. É o caso do Prefeito de Mariana, que tem que lidar com o desaparecimento de 80% dos recursos do seu município que vinham de uma única mineradora.

Os exemplos são muitos e repetitivos.

Segundo a Standard Chartered PLc 70% da produção de níquel mundial já sai da mina no prejuízo. O mesmo ocorre com o alumínio onde 60% de toda a produção que chega ao mercado chega no vermelho, ou com o zinco, (25%) e o cobre (15%).

No caso do minério de ferro o número de empresas afetadas pode ser muito maior.

A quantidade de empreendimentos mineiros que já não mais conseguem lucrar aumenta a cada dia. Os efeitos colaterais deste megadesastre econômico são muitos. A falta de lucratividade leva aos cortes de custos que induzem a maioria das empresas a baixar a qualidade e, até mesmo demitir os funcionários mais bem pagos.

É um processo que se espirala.

Sem qualidade, sem investimentos ou manutenções, com equipes mais baratas surgem os erros que frequentemente podem finalizar a própria empresa.

É o caso da Samarco que vinha acelerando a produção ao mesmo tempo em que reduzia seus custos para poder enfrentar um mercado em recessão.

Será que o rompimento da barragem do Fundão não é um efeito colateral desta difícil situação que as mineradoras enfrentam?

O fato é que com menos investimentos e a consequente queda da qualidade aumentam as possibilidades de desastres como o da Samarco. Não somente no Brasil, mas no mundo inteiro.

Este é o momento que atravessamos: commodities em queda, empresas em crise.

Quem irá sobreviver a esta crise global?

Se você acredita que a mineração está desaparecendo pode começar a repensar.

O que move a mineração mundial é a necessidade que o homem tem de matérias-primas para poder crescer e desenvolver. Neste cenário, onde o mundo todo está crescendo (com exceção de poucos países como o Brasil) não há como extinguir a mineração.

Enquanto existir crescimento populacional a humanidade vai continuar a construir, consumir e se alimentar e, por trás de TUDO que consumimos (literalmente) existe o dedo de um geólogo e um produto originado na mineração.

O que a mineração vai fazer é se reinventar.

Veremos um gigantesco processo de falências a nível mundial. Mas veremos, também, o fortalecimento daquelas mineradoras mais eficientes, aquelas que, apesar de toda a crise, conseguem produzir com qualidade a custos competitivos.

Será o renascimento de uma mineração forte, autossustentável, com compromisso, não só com o lucro, mas com o meio ambiente e com a sociedade.

Atingir o equilíbrio entre a produção e a preservação do meio ambiente será o maior desafio futuro de todos os mineradores. Aqueles que não conseguirem se enquadrar serão declarados obsoletos e extintos.

Para os céticos que não acreditam nessas mudanças é bom lembrar a velocidade com que as coisas mudam neste mundo de comunicação global.

Esta revolução já começou. Adapte-se!!!