terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Garimpeiros ainda buscam fortuna procurando pedras preciosas em MG

Garimpeiros ainda buscam fortuna procurando pedras preciosas em MG

Terras são exploradas desde o século 18, mas no estado existe uma área preservada em que o garimpo mecanizado não entrou.

Foi da febre do garimpo que nasceu Minas Gerais. A coroa portuguesa queria garantir que o ouro e as pedras extraídas no interior do Brasil não fossem roubados ou desviados. A estrada real seria o caminho seguro. E ela foi sendo aberta no século 17 por escravos, bandeirantes e tropeiros, seguindo o trajeto de antigas trilhas indígenas.
Era por lá que as pedras preciosas saíam das Minas Gerais e chegavam até o litoral do Rio de Janeiro. E embarcada em caravelas, nossa riqueza ia embora para Portugal.
Diamantina é a terra natal do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Cidade das vesperatas com músicos tocando nas sacadas coloniais. As ruas se enchem de música e a festa enche a cidade. Passado e presente se misturam em harmonia quase todos os fins de semana de abril a outubro. 
A apenas dez quilômetros do centro de Diamantina, já na área rural, há um lugar que vale a pena conhecer. Natureza virgem, nem parece que são terras de garimpo. A família de Belmiro Nascimento explora as terras de Ribeirão do Guinda desde o século 18. Ele conduz a equipe do Globo Repórter pelo lugar que ele conhece desde menino. O que se fazia ali era o garimpo artesanal. Só com enxada, peneira e olhos muito atentos. A ocupação principal do Belmiro agora é o turismo. Naquelas terras nunca entrou garimpo mecanizado.
Não muito longe dali a realidade é completamente diferente. Areinha parece o fim do mundo, lugar perdido, destruído de tal forma, que não dá para saber como era antes. É ali que homens de todas as idades procuram a pedra dos sonhos. Pobre rio Jequitinhonha. É muito clara a lei estadual que deveria proteger os terrenos às margens dos rios. É proibido revolver sedimentos para a lavra. E também é proibido o exercício de atividade que coloque em risco o ecossistema. Mas não é exatamente o que está acontecendo ali. Máquinas e garimpeiros trabalham a todo vapor.
Pelo menos mil garimpeiros trabalhavam em Areinha até uma operação da Polícia Federal. Doze foram presos. Mas ainda há acampamentos em condições precárias, esgoto a céu aberto, gente cortando lenha. Homens e mulheres que culpam a falta de emprego na região. Na lei do garimpo, quem bota a mão na massa fica com, no máximo, 10% do que é achado. Se alguém enriquece, é o dono da máquina.
Um pequeno diamante bruto. Misturado a outras pedras, quem conseguiria distinguir?
Ao ser lapidado, perde metade do tamanho. E alcança a perfeição.
Equipe do Globo Repórter visita a casa onde Chica da Silva morou

Diamantina nasceu aos pés da Serra do Espinhaço, a única cordilheira brasileira. A cidade atrai equipes de cinema e seus filmes de época.
Um único homem recebia da coroa portuguesa o direito de explorar os diamantes. O mais famoso, o contratador João Fernandes de Oliveira, se apaixonou e se uniu com uma escrava: Chica da Silva. A equipe do Globo Repórter visitou a casa em que eles moraram, que está aberta à visitação.
Quando morreu no final do século 18, a ex-escrava recebeu as honras que eram devidas quase que exclusivamente às mulheres brancas e ricas. Foi sepultada no interior da igreja de São Francisco de Assis.
O que será que sobrou da fortuna de João e Chica? “Nada. Também eram muitos. Só de filhos ela e João Fernandes de Oliveira tiveram 13. E cada um desses filhos na época tiveram seus 10, 11 filhos. Então a minha bisavó teve 10 irmãos. Era muita gente”, conta Ana Catarina Pinheiro, jornalista e octaneta de Chica da Silva.
Mineiros que se espalharam por toda a região. Histórias que se entrelaçaram na estrada real.
Parque estadual é criado após população se rebelar contra garimpagem
Mais pra cima no mapa está São Gonçalo do Rio Preto. Na cidade, de pouco mais de três mil habitantes, também há uma casa de um descendente da Chica. E um parque estadual de encher os olhos.
Do centro de São Gonçalo até o parque são só 15 quilômetros de estrada de terra.
A paisagem é deslumbrante. O parque já tem 21 anos de idade e chega a quase 12.200 hectares de área. Nada no parque foi plantado ou replantado. A natureza se encarrega de tudo.
É raro encontrar animais no caminho durante o dia. Só pegadas e vestígios. Eles se escondem ao menor ruído. E a maioria sai à noite para caçar. Tudo é bonito e preservado, uma vitória do povo de São Gonçalo que se rebelou contra a garimpagem.

Garimpo ilegal no MT volta a ser explorado após desocupação


Garimpo ilegal no MT volta a ser explorado após desocupação

Novos túneis, de mais de 20 metros, foram cavados na Serra da Borda, em Pontes e Lacerda, para a exploração de ouro.

Pouco mais de um mês após a desocupação de um garimpo ilegal, a corrida do ouro recomeçou e está tirando a paz de uma cidade de Mato Grosso.
Novos túneis, de mais de 20 metros, foram cavados na Serra da Borda em Pontes e Lacerda, oeste de Mato Grosso, para a exploração de ouro. A área de garimpo ilegal tinha sido desocupada pela Polícia Federal em novembro, mas foi só a fiscalização diminuir que os garimpeiros voltaram.

São mais de 2 mil pessoas acampadas com o sonho de enriquecer da noite para o dia. Os garimpeiros tentam impedir a entrada da imprensa. Com uma câmera escondida, registramos a movimentação.
Repórter: Estão conseguindo tirar alguma coisa?
Garimpeiro: Só mixaria...
Garimpeiro: Não. Só vontade só.
 
Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral, a exploração e o comércio de ouro no local, além de ilegais, são arriscados. Um desmoronamento em outubro deixou cinco pessoas feridas. Outra preocupação é com a violência. Na semana passada, Rodrigo de Sousa Barbosa, de 25 anos, foi linchado pelos garimpeiros. Ele teria atirado em um adolescente de 13 anos, que está internado em estado grave.
A Polícia Militar informou que reforçou o policiamento no município de 42 mil habitantes, mas a população está assustada. “Está vindo muita gente estranha e andando junto com a gente. A gente tem medo”, diz uma moradora.
A área que ficou conhecida como nova Serra Pelada fica entre duas fazendas. Os donos foram multados em R$ 3,5 milhões pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente por terrem permitido a exploração do garimpo, inclusive cobrando por isso. Já o Ministério Público Federal entrou na Justiça com um novo pedido de desocupação. Os procuradores também querem que a fiscalização seja contínua, para evitar outras invasões.

Diamantes de sangue na Amazônia

Diamantes de sangue na Amazônia



Ana Aranda, especial para a Amazônia Real



Espigão D´Oeste (RO) – Os indígenas Cinta Larga, falantes da língua Tupi Mondé, vivem uma situação parecida com a da grande maioria dos agricultores familiares do interior da Amazônia. Suas casas não têm sistema de esgoto, nem água encanada. As escolas e os postos de saúde são precários e o que produzem nas roças é ineficiente à sobrevivência, pois faltam maquinário, insumos, assistência técnica e crédito bancário. Mas eles moram em cima da maior mina de diamantes do mundo, com capacidade para exploração de um milhão de quilates de pedras preciosas por ano, com receita anual estimada em US$ 200 milhões (ou R$ 760 milhões).

A exploração ilegal das pedras preciosas, que ganhou força em 1998 e chegou a reunir 5 mil garimpeiros, em 2004, mudou a vida dos índios. O Ministério Público Federal estima que vivem cerca de 2.500 Cinta Larga nas Terras Indígenas Roosevelt, Serra Morena, Parque Aripuanã e Aripuanã, que ficam na divisa dos estados de Rondônia e Mato Grosso.

O garimpo levou às reservas danos ambientais às florestas rios e lagos, drogas, prostituição, mortes, processos na Justiça, e aos índios a fama de milionários e o estigma de assassinos e bandidos. Há 11 anos, um grupo de guerreiros Cinta Larga matou 29 garimpeiros. O massacre ocorreu devido à disputa por jazidas de diamantes. O caso, que ganhou repercussão internacional, não foi julgado ainda.

O estigma da criminalização contra a etnia voltou a tomar força esse mês. No dia 08 de dezembro, a Polícia Federal deteve, por cinco dias, seis lideranças Cinta Larga entre as sete pessoas presas na operação Crátons, um desmembramento direto da operação Lava- Jato, que investiga o esquema bilionário de desvio e lavagem de dinheiro na Petrobras.

Na Crátons (nome de estruturas geológicas que dão origem à formação de diamantes), a PF desarticulou uma organização criminosa que promoveu crimes ambientias para extração e comercialização ilegal de diamantes na região do “Garimpo do Lage”, conhecido também como Garimpo do Roosevelt.

De acordo com a PF, o esquema foi descoberto a partir de informações sobre a atuação do doleiro Carlos Habib Chater, o primeiro preso da Lava Jato, em março de 2014.  Os investigados da Lava Jato estavam financiando o garimpo dentro da reserva, como a compra de equipamentos, combustível, pagamento de mão de obra de indígenas e não-indígenas, diz a polícia. Uma associação indígena também é investigada como envolvida na organização criminosa, que teria investido R$ 1 milhão para render ao grupo até R$ 6 milhões em 90 dias.

Segundo as investigações, participavam da organização empresários, comerciantes, garimpeiros, advogados e índios. Entre os seis índios que foram presos estão os caciques Nacoça Pio Cinta Larga e Marcelo Cinta Larga. Curiosamente, apenas os nomes deles foram divulgados pela imprensa de Porto Velho. A Polícia Federal diz que os nomes de todos os acusados estão em sigilo devido as investigações e, por isso, não os divulgou. Os acusados foram indiciados em crime de financiar, gerir e promover a exploração de diamantes no “Garimpo Lage”.

A Amazônia Real apurou que os seis indígenas cumpriram prisão temporária em regime domiciliar nas aldeias e na sede da Funai, em Cacoal. Eles foram soltos no dia 12 de dezembro depois de assinarem um acordo de delação premiada, o que permitirá à Polícia Federal investigar a exploração ilegal de diamantes e madeira dentro da reserva.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A CRATERA DOS MILHÕES DE DIAMANTES

Os diamantes são raros e extremamente preciosos em nosso mundo. Dependendo do tamanho, cor e clareza, uma pedra pode chegar a valer centenas de milhões de dólares. Por isso, eles são disputados por todos e amados pelas mulheres, mas existe um lugar no mundo onde existem tantos diamantes que poderíamos encher diversos caminhões:

DO GRAFITE AO MILHÃO

20140124_diamond_shutterstock
Os diamantes, ao contrário da crendice popular, não são feitos de carvão. Essas pedras são criadas a partir de carbono puro que, sob uma pressão enorme, acaba por formar uma estrutura única. Os diamantes, devido a sua formação extraordinária, são as coisas mais duras que a natureza consegue criar.
Existem diversas maneiras de diamantes se formarem naturalmente. O meio mais comum é no manto terrestre, a uma distância de centenas de quilômetros da crosta. Lá eles ficam pressionados por toneladas e toneladas de material, durante milhões de anos. Com um pouco de sorte, ele sobem, levados por lava, e chegam a superfície.
Os diamantes também podem surgir devido a pressão das placas tectônicas. Como é sabido, existem enormes placas se movendo pelo planeta. Elas são as responsáveis pelo movimento dos continentes e também são grandes causadoras de terremotos. Esse mexe-mexe, gera zonas de pressão extremas, onde diamantes podem acabar se formando.
Também temos as estrelas, afinal esses lugares com supergravidade são capazes de criar diamantes enormes. Acredita-se que uma estrela, que recebeu o nome de Lucy (por causa da música “Lucy In The Sky With Diamonds” do Beatles), seja feita de puro diamante.
Para completar a criação de diamantes naturais, nós temos os impactos de meteoros na Terra. Basta que uma pedra grande vinda do espaço acabe batendo em um depósito de grafite para que um enorme número de diamantes se forme instantaneamente.

O SEGREDO RUSSO

Diamonds_by_BeBz
Em uma região remota da Sibéria, na Rússia, existe uma cratera chamada Popigai. Acredita-se que ela tenha sido formado há 35 milhões de anos, graças ao impacto de um meteoro com nosso planeta. Ela tem um raio de 100 Km e é a sétima maior de que se tem registro na história.
Contudo, desde a descoberta dessa cratera até 1997, a Rússia não permitia estudos no local, por um motivo bem óbvio: A cratera estava lotada de diamantes!
Existem tantas pedras preciosas desse tipo por lá, que a Rússia seria capaz de suprir a necessidade de diamantes do planeta por 3 mil anos! Mas para o azar dos russos, esses diamantes, formados em impactos de meteoros, não são utilizados para a criação de joias. Mesmo assim, eles servem para diversos fins industriais, principalmente por causa de sua dureza.
A declaração oficial da Rússia de que eles detinham “trilhões de quilates” de diamantes ocorreu apenas em 2012. Caso eles consigam extrair os diamantes de lá com um custo baixo, todo o mercado dessa pedra no mundo vai mudar e eles se tornarão os “Reis dos Diamantes”.

CORES, TAMANHO E VALORES

2003-37147-TwoBlueDimnds
Para que um diamante valha muita “grana”, ele precisa ser, além de grande, bem transparente. Um diamante perfeito deve ser totalmente incolor. Mas existem alguns poréns nessa história. A maior parte dos diamantes encontrados no mundo são amarelados, pois sua formação não foi perfeita. Contudo, os diamantes que são bem amarelos são valorizados, ou seja, o que vale pouco é o meio do caminho. Além disso, existem os raros diamantes de outras cores, que podem variar do rosa claro ao azul profundo. Essas cores exóticas são ultrarraras e podem fazer uma pedrinha valer centenas de milhões de dólares.
O maior diamante já encontrado na história foi o Cullinan, uma pedra de 621 gramas. Ela foi vendida para um nobre inglês, por 150 mil dólares. Depois disso, a pedra foi cortada em pedaços menores e os dois maiores foram dados a Coroa Inglesa, que as mantém até hoje.

OS MAIS VALIOSOS

Existem diversos diamantes famosos no mundo todo. Alguns são tão valiosos, que não existe um preço, pois eles não estão a venda. Mesmo assim, eles possuem preços estimados, que são de deixar qualquer um com inveja.

PINK STAR

pink-Star_2733027b
O Pink Star é um dos mais belos diamantes do mundo, com sua coloração vermelha, ele vale algo em torno de 120 milhões de reais.

HOPE DIAMOND

11-10-hope-diamond-ftr
O Hope é um diamante incrível, pois além de ser bem grande (45 quilates), ele possui um cor azul incrível. Essa bela peça é avaliada em 700 milhões de reais.

THE CULLINAN DIAMOND

cecb06d7ac29520d130cec868c38549e
A maior pedra do Cullinan é também o diamante mais valioso do mundo. Atualmente ele está montado em um cetro do Tesouro Inglês, que foi usado por diversos Reis e Rainhas. Seu valor é estimado na casa dos 800 milhões de reais.

A EVIDÊNCIA DE VIDA MAIS ANTIGA DA TERRA ERAM ROCHAS

Análises foram feitas dos que eram os chamados ‘fósseis mais antigos do mundo’ – os microfósseis de 3,4 bilhões de anos de Apex chert -. Essas análises sugerem que eles, na verdade, não são fósseis. De acordo com os pesquisadores, são pilhas de minerais que apenas deram essa aparência dentro das rochas.
046
Estes microfósseis são frequentemente rotulados como a mais antiga evidência de vida na Terra. Agora, os livros didáticos podem ser reescritos com base nestas novas reivindicações.
David Wacey, um curador na Universidade da Escola de Ciências da Terra de Bristol, trabalhou em colaboração com o falecido professor Brasier. Eles revelaram os novos dados, publicados na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, que mostraram que os microfósseis de Apex chert compreendem pilhas de minerais de argila em forma de placa, dispostos em cadeias semelhantes a vermes ramificadas e cônicos. O carbono foi absorvido para as bordas destes minerais durante a circulação de fluidos, dando uma falsa impressão de vida fossilizada.
046-1
Wacey e sua equipe examinaram fatias ultrafinas de candidatos a ‘microfósseis’, para construir mapas em nanoescala de seu tamanho, forma, química e distribuição de carbono mineral. “Logo ficou claro que a distribuição de carbono era diferente de todas as outras observadas em microfósseis autênticos”, disse ele. “A falsa aparência de compartimentos celulares é dada por vários pratos de minerais de argila que têm uma química inteiramente compatível com um ambiente hidrotermal de alta temperatura”.
Ele disse que, em alta resolução, ficou claro que os “microfósseis” ‘pareciam ter uma morfologia espetada’, que era devido aos cristais de argila revestidos de ferro e carbono.
Antes de sua morte, o professor Brasier comentou: “Esta investigação deve, finalmente, proporcionar um capítulo final para o debate do microfóssil de Apex. Essas discussões têm nos encorajado a refinar tanto as perguntas e as técnicas necessárias para procurar vida remota no tempo e no espaço, incluindo os sinais de Marte ou além. Espera-se que os livros didáticos e sites agora se concentrem nas descobertas recentes e mais robustas de microfósseis de idade semelhante aos de ‘Western Austrália’, também por nós examinados no mesmo artigo.”