quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Geológos identificam jazidas de diamantes

Geológos identificam jazidas de diamantes


Uma equipe de geólogos do governo federal identificou dezenas de novas áreas pelo país potencialmente ricas em diamantes. A maioria está no Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará. Até então, informações oficiais sobre esses pontos eram escassas ou não existiam. Os detalhes dos achados ainda são mantidos em reserva. A previsão é que sejam divulgados em 2014. O governo avalia que os dados poderão atrair empresas e levar a um aumento da produção de diamantes no país.
Os trabalhos fazem parte do projeto Diamante Brasil, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia. As pesquisas de campo começaram em 2010 e desde então geólogos visitaram cerca de 800 localidades em todo o país, recolhendo amostras de rochas, fazendo perfurações e levantando informações sobre as gemas de cada um dos pontos.
O objetivo, segundo o geólogo Francisco Valdir Silveira, chefe do Departamento de Recursos Minerais do CPRM e coordenador do projeto é fazer uma espécie de tomografia das áreas diamantíferas no território brasileiro. É um levantamento inédito.
O ponto de partida da equipe foi uma lista que a De Beers, gigante multinacional do setor de diamantes, deixou com o governo após anos de investimentos e atividades no Brasil. Da lista constavam coordenadas geográficas de 1.250 pontos, entre os quais muitos kimberlitos, mas nada de detalhes sobre quantidades, qualidade e características das pedras dessas áreas. Kimberlito é um tipo de rocha que serve como um canal do subsolo até a superfície e na qual em geral os diamantes são encontrados.
“O projeto Diamante Brasil não foi concebido para descobrir novas áreas de diamantes. Mas a grande surpresa foi que conseguimos registrar novos kimberlitos e áreas com potencial para que outros kimberlitos sejam descobertos”, disse Silveira ao Valor.
“O projeto já descobriu e cadastrou mais de 50 corpos [possíveis depósitos de diamantes no subsolo]”, disse. Em praticamente todos os Estados, segundo ele, a equipe identificou áreas com potencial para produção de diamantes. Várias delas não constavam nem do documento da De Beers. Caso, por exemplo, de um kimberlito descoberto no Rio Grande do Norte. Mas as maiores novidades estão no Norte e Centro-Oeste (Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará).
Este ano, com o trabalho de campo praticamente concluído, os geólogos do Diamante Brasil passam a se dedicar mais à descrição dos minerais encontrados e às análises dos furos das sondas. O projeto se encerra em 2014.
O diagnóstico ajudará a atrair investimentos de mineradoras e eventualmente ajudar a mobilizar garimpeiros em cooperativas. E com isso, aumentar a produção de diamantes no país. Hoje, a produção nacional é pequena e em grande parte ilegal, diz. Brasil é signatário do Processo de Certificação Kimberley, um acordo internacional chancelado pela ONU, que exige dos países participantes documentação que ateste procedência em áreas legalizadas.
Todo o diamante que sai do Brasil é ainda produzido em áreas de aluvião – pedras retiradas de leitos de rio ou do solo. Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso são alguns dos Estados com atividade garimpeira expressiva. O país não tem mina aberta extraindo diamante em rocha primária, no subsolo, onde estão depósitos maiores e as pedras mais valiosas. Os novos achados podem abrir caminho para potenciais novas minas.
Reservas dos chamados diamantes industriais e também de gemas (para uso em joias) se espalham pelo país, segundo Silveira. Estes últimos são os que fazem girar mais dinheiro.
Um diamante pode ser vendido em um garimpo do Brasil por R$ 2 milhões. Depois, um atravessador de Israel ou da Europa paga R$ 10 milhões pela pedra. E ela pode chegar a Antuérpia, por exemplo, para ser lapidada, ao preço de R$ 17 milhões, R$ 20 milhões.
Esses diamantes brutos, grandes e valiosos, também estão no radar do CPRM. O projeto ainda não conseguiu desvendar um mistério sobre a origem dos maiores diamantes do Brasil. O alvo principal é o município de Coromandel e região, no leste de Minas Gerais, onde foram encontrados nas últimas décadas grandes exemplares. Vários acima dos 400 quilates.
Silveira diz que os geólogos do CPRM vão testar novos métodos para tentar encontrar os kimberlitos que dão origem a essas pedras.

CABEÇA, O DONO DO MAIOR GARIMPO DE ALTA FLORESTA

CABEÇA, O DONO DO MAIOR GARIMPO DE ALTA FLORESTA

Mais de 20 mil garimpeiros extraíram 66 toneladas (t) de ouro na Pista do Cabeça, entre 1982 e 85. Quem controlava essa área de 19 mil hectares era o paraibano Eliézio Lopes de Carvalho, o Cabeça, que recebeu 12 t de ouro em pagamento por remédios, gasolina, bebidas, mulheres, alimentos e transporte em seus aviões que fornecia aos garimpeiros. Os donos das pistas de garimpo na Amazônia Legal faziam chover e acontecer. Cabeça foi um deles e tinha sob seu poder a segurança, saúde, as regras sociais e a economia dos milhares de garimpeiros de todos os cantos do Brasil que viviam a aventura do ouro na sua pista localizada na calha do rio Teles Pires, em Alta Floresta. A agora desativada Pista do Cabeça ficava a 75 km de Alta Floresta. À época não havia estrada e o meio de acesso era o avião. Cabeça promoveu 36 shows nacionais para animar as noitadas dos garimpeiros. Amado Batista, Waldick Soriano, Donizete e Suzamar foram algumas dessas atrações. Dona Maria Odete Brito de Miranda fez show por lá e na madrugada rebolou Conga la Conga para o anfitrião. Essa senhora é Gretchen, a rainha da preferência nacional. 

O ASPECTO NÃO GEMOLÓGICO DAS GEMAS

O ASPECTO NÃO GEMOLÓGICO DAS GEMAS



As gemas estão presentes na história da humanidade em diferentes culturas, aplicações e simbolismos. São protagonistas de rituais, objetos de desejo, instrumentos de cura, matéria prima da indústria joalheira, indicativo de status e poder. Quanto a sua definição, não há um consenso, mas sim um denominador comum: são especiais! Apresentam uma beleza que pode ser traduzida na cor, nos fenômenos ópticos exclusivos, no brilho, na resistência e na raridade. Antigos escritos dos séculos I e IV relacionam as gemas aos meses do ano e aos signos do Zodíaco. Para cada mês existe uma gema especial que detém virtudes dedicadas aos nascidos naquele mês. E, portanto, existe uma gema ligada aos signos do zodíaco, mesmo que algumas pedras ser consideradas de diversos signos:
ÁGATA
Na Roma Antiga acreditava-se que a ágata, em forma de anel, trazia poder, riqueza e proteção. Há vários tipos de ágatas.
Característica: O contato com a pedra ajuda a obter equilíbrio físico e mental, atua no sentido da consciência, nos dá autoconfiança e ajuda no sistema digestivo.
Signo: Capricórnio.
ÁGUA MARINHA
Água-marinha é um berilo, da mesma família da esmeralda.
Sua cor, como bem diz o nome, é a cor da água do mar, variando do azul ao verde, em tons claros. Mas, quanto mais azul ela for mais valiosa será. É a pedra da coragem. As suas energias calmantes reduzem o estresse e aquietam a mente. Com sua cor verde-azulada ela pode ser translúcida ou mesmo opaca. Para completar, esta maravilhosa pedra desperta a nossa intuição e ativa a clarividência.
Conta a lenda grega que cavalos marinhos roubaram essas pedras aquáticas do tesouro das ninfas, espalhando-as pelas praias, onde o homem as encontraria. Diz-se que a água-marinha protege os que estão no mar.
Característica: A energia áurica desta pedra traz ao usuário a força dos vencedores, pioneiros, desbravadores de novos caminhos.
Signos: Aquário, Peixes, Touro, Gêmeos, Libra, Escorpião.
ALEXANDRITA
Alexandrita é uma das pedras mais caras e é muito apreciada. Muda sua cor de acordo com a luz: à luz natural é, geralmente, verde-oliva, mas à luz artificial assume cor vermelha.
É uma variedade verde-escuro de crisoberilo à luz natural, e vermelha na luz artificial. Seu nome vem de Czar Alexandre II.
Característica: Permite descobrir a mentira e o engano em pessoas próximas. Protege o sistema nervoso e alivia vários tipos de câncer.
Signos: Aquário.
AMAZONITA
A presença do cobre na amazonita dá a sua coloração típica verde-azulada. Lembra a turquesa ou o jade. Por tradição, era oferecida aos homens pelas mulheres de uma tribo do Amazonas, daí seu nome.
Também é encontrada no deserto árabe, onde os antigos egípcios a procuravam para produzir amuletos ou contas. Foi adotada pela joalheria ocidental pela primeira vez durante a Renascença.
Característica: Tem efeito calmante, combatendo o estresse.
Signos: Virgem e Aquário.
ÂMBAR
É uma resina fossilizada do pinheiro “Pinus Succinifera”, com milhões de anos de idade. Capturados dentro da seiva, encontra-se com frequência pequenos insetos, flores, sementes e outros resíduos da natureza. Essas formas preservadas de vida tornam o âmbar um achado arqueológico digno de estudo.
Conta a lenda grega que Hélios, deus do sol, concedeu as rédeas da carruagem solar ao seu filho Fateonte, mas o rapaz revelou-se incapaz de controlar os voluntariosos cavalos permitindo que a carruagem se aproximasse demais da terra, causando uma terrível estiagem. Zeus, para evitar o pior, lançou um raio sobre Fateonte, jogando-o no rio Erídano, onde se afogou. Suas irmãs, as helíades, choraram sua morte tão amargamente que os deuses as transformaram em álamos, para que pudessem lamentar sua perda por toda a eternidade. Suas lágrimas se transformaram em âmbar.
Característica: Estabiliza e desperta a Kundalini. Aumenta a beleza natural, estimula a felicidade e traz amigos para os solitários. Ajuda na dificuldade para tomar decisões, ansiedade. Paciência e tranquilidade em todos os momentos da vida.
Signos: Capricórnio e Virgem.
AMETISTA
Uma variedade de quartzo e devido à presença de ferro pode variar de um roxo bem claro ao bem escuro sendo mais valorizada. Está associado à espiritualidade e poderes sobrenaturais. Dissolve forças negativas transformando-as em forças positivas.
Na Grécia, conta a lenda que a ametista era uma ninfa que amava o deus do vinho e ao ser desprezada por ele machucou-se tornando-se uma pedra se opondo aos efeitos da bebida.
Característica: Deve ser usada em casos de depressão. Ajuda a dormir, pedra da paz, transformação e sabedoria. Auxilia no alívio do stress e dos medos. Eleva o espírito e promove espiritualidade. Eleva a meditação, a generosidade. Transmite paz, desperta a espiritualidade. Excelente para a meditação.
Signos: Peixes.
CITRINO
É uma variedade de quartzo de cor amarela, laranja, e excepcionalmente na cor vermelha. O nome citrino é derivado do latim “citrus”, devido a cor amarelo-limão. Embora ocorram naturalmente, são raras. É por isso que muitas vezes se obtém um equivalente seu por meio do aquecimento de sua pedra-irmã, a ametista.
Graças à possibilidade de multiplicar o número de citrinos disponíveis com o emprego dessa técnica, os joalheiros têm muitas opções de citrinos grandes e impecáveis. Não se deve confundir o citrino com o topázio, gema amarela ainda mais rara.
Característica: Atrai o sucesso profissional, aumenta a auto-estima. Boa para desintoxicar o intestino. Amplia o pensamento, pode ser usada na meditação para rejuvenescer o físico e eliminar formas tóxicas do pensamento.
Signos: Gêmeos.
CORAL
Muitas pessoas desconhecem, mas o coral não é uma pedra. Trata-se de uma substância calcária secretada pelos pólipos, animais marinhos microscópicos, para formar uma camada protetora e que com a presença do caroteno, pode ganhar ramificações, formando os lindos recifes de corais (foto nº 2).
Os gregos antigos acreditavam que o coral era o sangue de Medusa petrificado.
Característica: Vitalidade e alegria. Protege contra o mau-olhado.
Signos: Virgem.
CORNALINA
É uma variedade vermelha ou avermelhada-marrom de calcedônia. A palavra é derivada do Latim “carne” do significado da palavra em referência à cor da carne exibida às vezes. Se a colocarmos ao sol durante longos períodos de tempo a sua cor ficara acentuada.
Característica: É estimulante, transmite alegria de viver. Promove a paz e harmonia. Boa para ser usada por pessoas que são envergonhadas e tímidas. Abre o Chacra Cardíaco. Coragem e paz.
Signos: Áries, Leão e Escorpião.
CRISTAL
É conhecida como a pedra da luz. Os antigos gregos acreditavam que o quartzo era, pela sua transparência, gelo congelado pelos deuses que jamais se derreteria.
Característica: Possui uma vitalidade radiante, muito forte, indicada para harmonizar ambientes. É o cristal da sabedoria. Equilibra as emoções. Excelente para a meditação. Desfaz negatividade no campo energético da pessoa e no ambiente. Pode ser utilizado em qualquer chakra.
Signos: Todos.
DIAMANTE
Conhecido pelos gregos como “inconquistável ou indomável”. É a mais dura substância produzida pela natureza. A cor predominante é o incolor, pode também ser encontrado em outras cores: amarelo, castanho, verde, azul, vermelho e negro.
O maior diamante foi encontrado na África do Sul em 1905, e tinha 3106 quilates, que deu origem a 105 pedras de menor tamanho. Dentre elas está o diamante Cullinan I com 530,20 quilates que adorna o cetro do Rei Eduardo VII, que está na Torre de Londres, também chamado de “Estrela da África”.
Reza uma lenda que o diamante Hope, na cor azul, se encontrava na frente de uma importante estátua de Budha quando foi roubado por um guerreiro, que pouco depois foi assassinado. Depois disso um comerciante vendeu a pedra para o rei Luis XIV. Pouco depois o comerciante empobreceu, contraiu uma doença e morreu em meio a terríveis convulsões. Quando a Madame de Montespan, obteve a honra de provar o diamante, foi abandonada e morreu sozinha na pobreza.
Depois da Revolução Francesa, o diamante foi escondido em edifício Guarda-Móveis Nacional, de onde foi roubado em 1791. Seis anos depois, os ladrões foram condenados a pena de morte. Os seus proprietários seguintes morreram ou empobreceram.
O diamante Hope se encontra atualmente no Smithsonian Institute de Washington, onde seu fluxo magnético não transpassa o grosso cristal da vitrine, onde é exposto aos turistas.
Característica: Fortalece funções cerebrais. É um grande curador, afasta as negatividades, purifica e limpa sexualmente. Aumenta a força física e dá coragem.
Signos: Leão.
ESMERALDA
Os gregos conheciam como “smaragdos”, mas provavelmente a origem do seu nome seja persa ou hindu, significando “pedra verde”. As esmeraldas eram empregadas como antídoto para venenos e feridas, assim como contra possessões demoníacas. Usadas ao redor do pescoço eram vistas como um fator de cura para a epilepsia.
No século III, a pedra preciosa era sugerida para a vista cansada. Esta teoria era tão prevalecente naquele tempo, que os gravadores de pedra conservavam esmeraldas em suas mesas de trabalho de modo a poder, de tempos em tempos, olhar para elas para aliviar a fadiga dos olhos.
A tradição medieval dizia que o Santo Graal fora esculpido a partir de uma única esmeralda grande, que caira da coroa de Satanás durante a sua descida do céu para o mundo inferior.
Característica: É boa para o equilíbrio mental, emocional e espiritual. Ajuda na meditação, e eleva a consciência e as habilidades psíquicas. Efeitos terapêuticos especialmente sobre a coluna, sistema nervoso, musculatura, reumatismo e visão. A água enriquecida com esmeralda regula a taxa de açúcar, melhora a visão, o equilíbrio corporal e impede o quebradiço das unhas e dos cabelos.
Signos: Câncer.
GRANADA
Seu nome veio da palavra latina ‘granatum’ que significa romã, pois essa fruta representava o ventre materno. Pensava-se que as granadas só deviam ser usadas por mulheres devido à sua ligação com a força vital feminina.
Acreditava-se que as granadas não podiam ser roubadas, porque trariam ao ladrão uma catastrófica má sorte até serem devolvidas ao seu legítimo dono.
Dizia-se que seu portador teria melhorada a circulação do sangue e o coração.
Contrariamente à crença popular, nem todas as granadas são vermelhas. Isso ocorre basicamente porque, embora todas compartilhem a mesma estrutura cristalina cúbica, suas propriedades químicas, embora semelhantes, podem variar, o que modifica a cor.
Característica: Considerada a pedra da paixão, da vitalidade, criatividade e coragem. Melhora a auto-estima, aumenta o magnetismo pessoal, otimismo, coragem e energia.
Signos: Escorpião.
JADE
O nome foi dado à época da conquista espanhola na América Central, e significa “piedra de ijada” (pedra do rim), porque consideravam um meio de proteção e cura de enfermidades dos rins.
Na China, é considerada sagrada de nome de “yu”. Os noivos chineses costumavam presentear as noivas com borboletas de Jade como símbolo de amor. Os chineses começaram a usar o jade quatro mil anos atrás, em esculturas, joias e na confecção de acessórios preciosos.
As civilizações pré-colombianas passaram a utilizar a pedra pouco depois. Os imperadores mongóis e os marajás indianos foram grandes aficionados do jade. A pedra também foi muito apreciada no século XX, quando o estilo art déco a promoveu.
Característica: Traz sorte e inspira sentimentos de honra.
Signos: Libra e Peixes.
JASPE
Os gregos a chamavam assim, pois significava “Pedra manchada”. O Jaspe era incrustado em ouro e usado sobre o peitoral dos grandes sacerdotes no tempo de Aarão.
Quartzo microcristalizado que se torna opaco e colorido graças à presença de argila ou óxidos de ferro. O jaspe tem muitas tonalidades diferentes, e há exemplares multicoloridos e com padrões.
Característica: Poder de cura. Alivia a dor, principalmente durante o parto.
Signos: Áries, Escorpião.
LÁPIS-LÁZULI
A lápis lázuli é opaca cujo nome tem etimologia persa-latina ("pedra azul").
Foi uma das primeiras a ser utilizada por suas qualidades decorativas: contas de lápis-lázuli remontando ao século VII a.C. foram encontradas em Mehrgarh, no pé das montanhas Baluchistã, no Paquistão.
Característica: Aumenta a confiança e segurança nas decisões. Favorece a intuição. Estimula a mente e o senso de força, vitalidade e virilidade. Propriedades purificadoras. Ajudam nas inflamações, inchaços e estimula a inspiração e clarividência.
Signos: Aquário, Gêmeos, Libra e Sagitário.
OLHO-DE-TIGRE
Protege contra influências negativas e fortalece as amizades. É chamada "pedra da liberdade", pois proporciona uma grande força interior para ajudar na tomada de decisões.
Característica: Possui uma poderosa força que nos protege do mau olhado e da inveja. Ajuda a reconhecer nossos recursos internos e a utilizá-los para a realização dos nossos sonhos.
Signos: Gêmeos e Sagitário.
ÔNIX
Calcedônia levemente translúcida que pode ser negra ou listrada de negro e branco. Foi essa translucidez que inspirou o nome da pedra: em grego, a palavra "onux" significa "unha".
Como sua cor é escura, está relacionado com as profundezas da terra e sua energia. Os indianos e persas usavam o ônix para proteger-se contra o mau-olhado. Esta pedra foi muito usada em camafeus, com a intenção de fortalecer a estrutura óssea, o coração e os olhos.
Característica: Controla emoções e paixões. Alivia a apatia e o stress. Equilibra a qualidade feminina e masculina. Proteção, autodefesa contra negatividades conscientemente dirigidas e ataques psíquicos.
Signos: Capricórnio.
OPALA
Do sânscrito “UPALA”, que significa “pedra valiosa”. É uma pedra composta de aproximadamente 30% de água, por isso se você quiser ver sua Opala sempre bonita, mantenha-a imersa na água.
Na Idade Média, dizia-se que a Opala curava doenças dos olhos e o poder mágico da pedra poderia supostamente tornar seu usuário invisível. Por causa desse atributo era chamada de “protetora dos ladrões.
Civilizações árabes antigas acreditavam que a pedra tinha propriedades protetoras e usavam-na para criar amuletos, talismãs e joias. A opala voltou a cair nas boas graças dos joalheiros no movimento art nouveau.
Característica: Promove sentimentos de benevolência e amizade. Inspira energia dinâmica, intensidade, paixão, expressividade mental e emocional. Muito utilizada para realização de negócios.
Signos: Capricórnio, Escorpião.
PERIDOTO OU OLIVINO
O peridoto é encontrado nas tonalidades verde-amarelo vibrante, relaciona-se com a cura das feridas do ego. Esta pedra verde-amarelada, também chamada “olivina”, foi introduzida na Europa por cavaleiros que regressavam das Cruzadas.
O nome provém do grego e significa “procurar”. O peridoto é associado com os diamantes, pois é um dos componentes da pedra matriz do diamante, o kimberlito, do qual tira sua inconfundível cor azul-esverdeada.
Característica: É a pedra da esperança. Com ela facilmente enxergamos a realização de nossos sonhos.
Signos: Leão.
PÉROLAS
As pérolas perfeitas são muito raras e por estarem ocultas no interior das conchas, tornaram-se o símbolo do conhecimento velado e da sabedoria esotérica. São mencionadas, ao longo de milênios, na mística, na religião, na arte, folclore e literatura dos mais diferentes povos.
A origem mítica mais comum menciona conchas fecundadas através de temporais, pelo trovão, o dragão celestial, e sendo alimentadas pela luz da lua, gerando então a pérola.
Poemas indianos contém interessantes lendas sobre pérolas: "Após a criação do mundo os quatro elementos honraram o Criador, cada um com um presente: O Ar ofereceu-lhe um arco-íris; o Fogo uma estrela cadente; a Terra um precioso rubi e a Água uma pérola".
Na Malásia, acreditava-se que elas nasciam nos coqueiros, enquanto que na China supunha-se que elas cresciam num peixe parecido com a enguia, ou no cérebro do dragão.
As pérolas eram conhecidas nas mais antigas civilizações da China, do Egito, Grécia, Pérsia e Roma. São usadas para ornamentação há pelo menos 2500 anos. O mais antigo colar de pérolas de que se tem conhecimento, uma peça com três voltas, contendo 72 pérolas, datada do século VI a.C.
Para os gregos, são as lágrimas de Vênus; para os romanos, lágrimas de anjos solidificadas. Na religião muçulmana, são as lágrimas que Adão e Eva choraram por seus pecados. Esse conjunto de crenças explica por que as pérolas sempre foram um símbolo do amor e da pureza.
Característica: Atrai amor, sorte, saúde e dinheiro. Considerada a mais sensível das pedras, por ser gerada a partir de um ser vivo.
Signos: Câncer e Libra.
QUARTZO
O nome provém do alemão ("quartz"). É um grande grupo de minerais encontrados em abundância na crosta da terra. Todas as variedades do quartzo podem conter inclusões que alteram sua aparência e lhes conferem um charme especial e podem ser encontrados em várias cores.
Comumente usado entre índios da América do Norte que conheciam o poder do quartzo.
Incolor conhecido como CRISTAL DE ROCHA: Todos os signos.
Amarelo conhecido como CITRINO: Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra e Sagitário.
Violeta conhecido como AMETISTA: Aquário, Peixes, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Sagitário.
Verde, como PRASIOLITA: Capricórnio.
Rosa, conhecido como QUARTZO ROSA: Touro.
Cinza conhecido como QUARTZO FUMÊ: Câncer
Característica: Atua como uma grande fonte de energia, recarregando o corpo físico, espiritual e emocionalmente.
RUBI
O nome origina-se do latim “rubinus”, que significa (vermelha). Na Índia, por sua beleza e raridade, é chamado de “Senhor de todas as pedras preciosas” e está associado à alegria e ao entusiasmo pela vida.
Depois do diamante, a pedra mais dura da natureza. A cor tradicional é um vermelho profundo, mas também pode apresentar colorações rosa. Segundo uma lenda Hindu, o Rubi vermelho foi criado a partir do diamante incolor de uma rainha quando esta foi assassinada por um cortesão ciumento. Seu sangue manchou a pedra e todas as outras iguais a ela.
Característica: As prescrições modernas são iguais às antigas: o Rubi utilizado favorece a circulação do sangue.
Signos: Áries.
SAFIRA
Seu nome vem do sânscrito (sauritatna), e a pedra é adorada há milhares de anos. Uma das gemas mais conhecidas e mais valiosas, a safira é conhecida e usada há séculos.
Como o rubi, é uma variedade do mineral coríndon; quando vermelho, o coríndon é chamado de rubi, quando é azul, é chamado de safira. Desse modo, embora a safira mais valiosa seja a azul com tons violeta, essa não é sua única cor.
Como o rubi, uma variedade de corindo. A safira é uma pedra preciosa rara cuja cor azul sempre foi associada ao céu e, por extensão, ao paraíso e à religiosidade.
Na Grécia, era chamada de “hyakinthos”, em uma referência à íris azul, e foi usada por sacerdotes, para mostrar sua ligação com o céu. No início do século XIII, uma bula emitida pelo papa Inocêncio III aconselhava os prelados a usar uma safira na mão direita, como símbolo da luz divina que transmitiam em suas bênçãos.
Característica: Contra as influências negativas. Estimula a oração, a meditação e a devoção e paz interior. Traz clareza, inspiração.
Signos: Peixes, Touro e Virgem.
TOPÁZIO
O topázio recebeu seu nome da fabulosa Ilha Vermelha de Topázios ou Topazin (ilha Zebeirget, no mar vermelho) que significa "buscar". Em hindu, o topázio significa "fogo" e serve para energizar o corpo especialmente durante o sono.
Entre as pedras coradas, é umas das mais belas e valiosas.
O topázio imperial é um mineral com estrias longitudinais. Ocorre numa grande variedade de cores, do amarelo ao vermelho, passando por nuances intermediárias como as de cores rosa e o lilás, mais raros. A designação imperial para este tipo de topázio tem origem na Rússia, local das primeiras jazidas, exauridas durante o período Czarista.
Característica: Equilíbrio emocional, espiritual. Acalma paixões, raivas, depressões, ciúmes e preocupações. Intensifica e transforma os pensamentos e sentimentos mais subjetivos em forma concreta.
Signos: Sagitário.
TURMALINA
A Turmalina chegou à Europa no início do século XVII, pelas mãos dos holandeses, que descobriram o Ceilão. Nenhuma outra gema tem tão grande variedade de cores, sendo as de um tom só, as mais raras.
O rei Gustavo, da Suécia, presenteou a imperatriz Catarina II, da Rússia, com uma turmalina vermelha (rubelita) de 250 quilates, ainda hoje no Fundo dos Diamantes de Moscou.
A Turmalina Paraíba é de um azul profundo, com brilho próprio, já considerada a pedra mais rara do mundo. Descoberta na década de 1980 no estado do Nordeste que lhe dá nome, a gema é encontrada em apenas cinco minas ao redor do planeta; três delas no Brasil, de onde saem os exemplares mais valiosos. A produção, entretanto, é muito escassa.
Característica: Revigora o coração, sabedoria, força de vontade. Ativa a criatividade e fertilidade. Atrai amor e amizade.
Signos: Verde: Libra. Azul: Peixes, Touro, Gêmeos e Escorpião. Rosa: Áries, Libra e Sagitário.
TURQUESA
Por milhares de anos, essa pedra azul foi admirada e muito utilizada por sua beleza, como demonstram as ruínas de minas de turquesa no deserto do Sinai egípcio (4.000 a.C.).
Naquela época, a turquesa já era usada como adorno pessoal (colares e anéis) e esculpida em forma de besouro ou gravada com inscrições ritualísticas e tinha valor de talismã. Na forma de pó, também era usada como maquiagem para os olhos.
Adotada por civilizações ancestrais por sua intensa cor, que varia do azul celeste ao verde água, dependendo do teor de ferro e cobre que contém, a turquesa nunca deixou de seduzir povos de todo o mundo.
Há mais de 1500 anos, as mais belas turquesas foram extraídas na região de Nishapur, Irã, sendo exportadas para a Europa, Índia e Arábia muitas vezes passando pela Turquia, que inspirou seu nome.
Característica: Excelente contra mal olhado. Protege os viajantes. Melhora a meditação, circulação e paz de espírito. Um símbolo do mar e céu. O mar fala da profundeza da alma. O céu fala da ascensão limitada.

Zé da Roça, um polivalente no garimpo

Zé da Roça, um polivalente no garimpo


Trinta e cinco anos de vida passados no garimpo, a maioria deles no vale do Tapajós. Uma história recheada de fatos inusitados, que fazem de Zé da Roça, um personagem da vida real dos mais interessantes das milhares que foram escritas ao longo deste meio século. Nasceu no Piauí, na Barra do Maratoam, no dia 10 de fevereiro de 1934. Cedo, começou a trabalhar na roça, seguindo os passos da família. Há uns vinte anos deu uma entrevista para a revista Veja. Hoje, aos 74 anos, com uma saúde de dar inveja a muita gente mais nova, ele mora numa chácara, no Laranjal, onde a reportagem o encontrou para uma conversa de quase duas horas.


“Com dezessete anos eu casei, em 1952. Vivi doze anos com a primeira mulher. Não deu certo porque ela me botou umas perucas (de touro). A essa altura eu já estava vivendo no Maranhão, para onde eu me mudei em 1956, na esperança de ter ao menos o que eu tenho hoje, porque eu venho de uma família muito carente. Fiquei dez anos no Maranhão. Lá eu comecei a trabalhar com farmácia, mesmo com pouquinho estudo. Depois que o casamento acabou a vida desaprumou e eu resolvi vir para o Pará.


Cheguei a Belém; de lá me mandei para Santarém aonde eu cheguei urrando de liso. O trabalhou que eu arranjei foi catar litro seco, que eu lavava e vendia. Isso durou 28 dias até que eu consegui ir para Manaus e de lá para Porto Velho, com a idéia fixa de ir para o garimpo. Fiquei um tempo em Ariquemes com o velho João Estrela, cuidando da farmácia, aplicando soro. Ele era muito brincalhão e começou a me chamar de doutor Sopapo. O pessoal chegava e perguntava: cadê o doutor Sopapo?


Estava lá quando surgiu a notícia de que no Aripuanã tinha um garimpo onde a gente enchia uma garrafinha de diamante ligeirinho. Eu me empolguei. Pensei: pegando diamante bom a gente se arruma ligeirinho; eu vou morrer de rico. Mas, não foi como eu esperava que fosse, o que fez com que eu só ficasse quatro meses. Voltei para Porto Velho e de lá fui para Santarém. Quando cheguei lá o Zeca Furtado estava juntando gente para levar para o garimpo. Eu perguntei quanto ele cobrava e ele me disse que para brabo (sem experiência) eram trinta dias de trabalho.


No dia 28 de junho de 1968 eu pisei pela primeira vez num garimpo do Tapajós. Chegando na pista do Marupá eu coloquei um jamanxim nas costas pela primeira vez. Foi nessa data que eu cheguei ao garimpo do Pau D’Arco. Trabalhei quatro meses, até que a malária me pegou pra valer. Eu pedi o meu saldo, mas o Zeca Furtado não quis me dar, porque o ouro que tinha ele disse que era para o Zé Arara. Ruim como eu estava me mandei para o Marupá. Gastei dois dias, numa viagem que a gente fazia em seis horas. Onde anoitecia eu dormia.


Sozinho no mundo eu tinha que me virar de qualquer jeito. Assim, cheguei ao Marupá, muito ruim, mas não tinha para quem apelar. Fui procurar o Bebé Sudário, que tinha uma roça a qual o fogo só tinha queimado um pouco pelo meio e perguntei se ele tinha serviço. Quando ele viu o meu estado, que não era nada bom, pois eu cheguei ao Marupá me arrastando de doente, com uma anemia danada, disse: Pra homem eu tenho serviço, mas pra defunto o lugar é bem ali, disse ele, me mostrando o cemitério que era bem pertinho. Eu fiquei zangado com aquilo, mas, fazer o que?


Passados uns seis dias, eu já tinha tomado uns remédios e estava bem melhor. Nisso fui procurar o Raimundo sudário para pedir que ele intercedesse junto ao irmão dele, o Bebé, para que ele me desse um serviço, pois eu já estava devendo e tinha que pagar quem tinha me ajudado na precisão. Em pouco tempo eu deixei a roça em condições de ser plantada. Quando eu plantei foram dizer para o Bebé que o arroz estava muito junto igual cebola. Eu disse que deixasse comigo, porque daquilo eu entendia.


Depois que eu plantei disse que queria ir embora. O Bebé Sudário me falou que era para eu ir para Santarém, para a casa dele, me tratar, pois eu tinha melhorado, mas não estava bom ainda. Lá fui eu, para ser tratado pelo Dr. Manoel Fernandes. Fiquei vários dias até que achei que estava no ponto de encarar a dureza do trabalho novamente. Depois disso, nunca mais tive um dia de malária. Durante mais três anos eu continuei fazendo roça para o Bebé, com trinta ou mais linhas. Aí, outras coisas, outras atividades começaram a aparecer.


Agricultor, farmacêutico, enfermeiro e delegado


O apelido de Zé da Roça pegou lá no Marupá. Quando chegava alguém perguntando pelo enfermeiro a turma dizia: quem, o Zé da Roça. Aí, pegou. Nesse tempo, passados uns dois anos eu fiz uma roça pra mim, de umas trinta linhas. O Bebé achou ruim, querendo saber com ordem de quem eu tinha feito. Eu disse que eu fazia o que quisesse com o dinheiro que ele me pagava. Mas, a terra é minha, disse ele. Quem foi que disse que é sua? Você não tem documento nenhum dela, então eu posso plantar.


A essa altura eu já era muito procurado pelo pessoal para passar remédio, fazer curativos e costurar gente cortada. Peguei uma caixa de sabão e arrumei dentro dela um pouquinho de remédio que tinha e comecei a vender. Era uma coisainha de nada. Era medicamento para malária e outras coisas. Tinha hepavitan, dextrovitase, paludil, paludan, anecrosan, anecromin e um bocado de comprimidos.


Estava difícil porque o Bebé não deixava eu comprar remédio para aumentar o estoque. Queria que eu ficasse no cabresto, trabalhando na roça dele e na farmácia. Foi aí que o finado Valdemar, sobrinho dele me pediu o dinheiro e comprou o que eu precisava. Nisso, o Allfredo Andrade, que já tinha me ajudado quando eu estava doente, soube o que estava acontecendo e me chamou querendo saber o que estava acontecendo. Depois que eu contei ele disse que era para eu escolher um lugar para fazer um barraco no terreno dele, podendo ficar o tempo que eu quisesse. Se eu fizesse alguma benfeitoria, seria dele, mas, lá, ninguém mexeria comigo. Assim eu fiz.


Ao mesmo tempo em que atendia quem precisava de remédio, eu cuidava da minha roça de mandioca, que foi uma coisa que ajudou a fazer com que eu melhorasse de situação. Mal terminava de fazer a farinha e o pessoal já estava esperando para comprar. Para encurtar a história, com um ano nesse serviço eu tinha com o que comprar a pista que o Bebé, que foi me oferecer por 65 mil cruzeiros. Eu disse que dava no monte, mas não queria que não ficasse nenhum Sudário lá. Como ele disse que não dava para tirar o pessoal da família dele, eu não comprei. Eu continuava sendo agricultor, farmacêutico e enfermeiro, atendendo a todos os que me procuravam, com dinheiro ou sem dinheiro.


Um belo dia desceu uma guarnição da Polícia Militar para pegar uns Sudário que tinham matado o Alemão e o Cearazinho. A ordem era levar de qualquer maneira, o Elias, o Bebé e o Antônio. O Raimundo era calmo. Eu conversei com o sargento, ao qual pedi que não fizesse aquilo, pois as famílias deles iriam ficar passando necessidade. Só tem um jeito de eu não leva-los, me disse o sargento. E qual e? perguntei. Se você aceitar ser o delegado daqui, para botar ordem, porque seu nome é muito forte; você é muito respeitado. Deus me livre e guarde duma desgraça dessas, respondi. Então eu vou levar os homens, falou o sargento. Não faça isso, pedi de novo.


O sargento me fez uma proposta que eu aceitei: fazer uma votação na manhã seguinte para o pessoal decidir se queria ou não que eu fosse delegado. Eu topei e fui cedinho falar com a turma que trabalhava nos baixões, que era para votarem contra mim. Quando chegou na hora da votação o sargento disse: quem for a favor de que Zé da Roça seja o delegado, fique no lado direito; quem for contra, passe para o lado esquerdo. Todos passaram. Aí não teve jeito, tive que aceitar o cargo, mas exigi que só ficava se me mandassem uma carteira de delegado. Passados oito dias recebi a tal carteira.


Eu não agia como um delegado, mas, como um presidente de comunidade, procurando resolver as coisas por meio do entendimento. O Barba de Aço, um garimpeiro que era macho, que não enjeitava parada, eu consegui acalmar várias vezes. Quando perguntavam se ele tinha medo de mim ele respondia: não, o que eu tenho é respeito, porque ele me trata melhor do que meu pai.


Aquela vida de delegado de garimpo não era vida pra gente não. Se uma mulher enganava um homem, se um homem enganava uma mulher, corriam lá com o Zé da Roça. Felizmente, com muito jeito, eu consegui fazer um bom trabalho durante uns três anos. Nunca precisei disparar um tiro contra ninguém. Com calma e boa conversa estou aqui hoje para contar a história.


O auge, tempos difíceis e o presente


Não tenho nenhuma dúvida de dizer que Zé da Roça foi o pai a pobreza no Marupá por diversos anos. Quando eu estava numa situação muito favorável, com comércio grande de secos e molhados, com farmácia, nunca deixei de atender a todos. Quando a fase é favorável a gente ganha dinheiro fácil. Eu fiquei numa situação realmente muito boa. Houve dia em tinha 43 redes de doentes, armadas no meu barracão


No trabalho do garimpo, mesmo, eu nunca peguei muito ouro. Teve um baixão onde eu me dei bem, do qual tirei quatro quilos e oitocentos gramas. Peguei bastante ouro no meu comércio. Às vezes vinha para cidade fazer compras e eu trazia três quilos de ouro ou mais. Acontece que eu pegava e investia. Eu moro numa casa de madeira, não porque eu não tenha podido construir uma de alvenaria. Eu preferi investir em outras coisas para prevenir o futuro.


Tem um bocado de coisa em que não acredito, mas, o tal de olho grande, esse existe e a gente tem que se defender dele. Digo isso, porque quando eu estava no auge começou uma perseguição contra mim. O Toninho Sudário, que o Diabo o tenha no Inferno, botou um pistoleiro chamado Pinto, para me matar. Mas, mas o cabra era ruim de tiro e acertou numa lata de farinha que estava do lado. Eu saí atrás dele, disposto a matar. Mas, graças a Deus, não precisei sujar minhas mãos de sangue e espero nunca precisar em toda minha vida, pois quando eu cheguei na beira do rio ele já tinha fugido.


A perseguição foi grande em cima de mim. Um dia, depois que eu voltei de Santarém, onde fui atender o chamado de um advogado, o Toninho Sudário me peitou. Eu ainda era delegado nesse tempo. Eu falei para ele, que se ele quiser trocar tiros comigo a gente trocava na hora. Ele saiu rosnando, mas foi embora.


As coisas foram dando errado e eu fui tomando abuso pelo meu trabalho. Um dia, chegou uma mulher da vida em casa, m pleno dia. O comércio estava fechado porque eu não tinha ânimo para abrir. Ela disse: Zé, abre essa porta! O que é que está acontecendo contigo? Tu estás te entregando? Eu estava com um quilo e setecentos e oitenta gramas de ouro, em casa, ouro meu e mais quatro quilos e meio dos outros. Eu chamei o pessoal para receber o ouro deles, pois queria sair para Itaituba para me tratar. Aqui procurei o seu Alemar, que me disse que não me vendia mais nenhum comprimido, porque o meu problema, médico nenhum podia dar jeito.


Onde hoje é a Loja Giorama era o Hotel São Francisco. Eu ia passando por lá e parei para conversar com a Maria do Paulinho, que trabalha no hotel, contando tudo o que estava acontecendo comigo. Ela me disse: tu não estás vendo o que o homem (seu Alemar) está te dizendo? Bem ali tem uma velha que chegou de Fortaleza, que manda chover. A velha disse que faria o trabalho, mas que lá dentro não iria de jeito nenhum e garantiu que o que era meu estava perdido, pois tinham feito um trabalho brabo pra cima de mim. Ela ainda falou que se eu fosse lá, levasse logo o caixão, ou então teria que sair matando gente para não morrer. Se daqui a oito dias você não estiver bonzinho eu paro de trabalhar. E tem mais: a derradeira pessoa que vai lhe trair vai ser sua mulher, que vai lhe abandonar quando você blefar. Fiquei um ano e meio sem ver ela. Um dia, quando eu fui a Santarém ela estava dando os pulos dela por lá com outros, como a velha tinha dito.


Ajudei muita gente, mas também fui ajudado por diversos amigos que foram solidários nas horas de dificuldades, como o finado Raimundo Dias, que foi um homem que se condoeu de mim na hora do maior aperto. O Goiano também me ajudou bastante, no Marupá. Hoje, vivo tranqüilo com a renda da fazenda que tenho no Guajará, porque soube guardar, mesmo tendo passado por momentos difíceis. Não tenho mágoa de ninguém. O que tenho são boas lembranças, como dos crioulos, homens direitos, que pagavam tudo direitinho. Eu fazia questão de vender para eles. O Caetano, o James, o Felipão, o René, o Zé Crioulo e outros, tudo gente boa. Eu ainda vou voltar ao garimpo. Tenho um negócio aí que eu não posso falar muito. Mas eu vou voltar lá, e não vai demorar.

REVISTA MANCHETE NO GARIMPO JURUENA

REVISTA MANCHETE NO GARIMPO JURUENA


A revista Manchete publicou na edição de Junho de 1988, uma reportagem sobre os garimpos de ouro do Norte de Mato Grosso, dando destaque ao garimpo Juruena, próximo das margens do rio Juruena, a 450 Km de Alta Floresta. Na época da reportagem o garimpo Juruena era tido como um dos garimpos mais violentos do Mato Grosso, por se tratar de uma região que o único acesso era por avião ou dois de barco até a próxima comunidade. O garimpo Juruena ficou conhecido, em 1988, pela acirrada disputa envolvendo a Mineradora Jaruana e garimpeiros da região. No começo de 1988 entra em cena José Altino de Machado, presidente da USAGAL, União dos Sindicatos da Amazônia Legal, como articulador do conflito e com interesse de gerenciar o garimpo para os garimpeiros. Mas, Zé Altino, era desconhecido entre os garimpeiros, uma vez que sua área de atuação era Roraima e os garimpos do Alto Tapajós. Naquela momento a maior autoridade entre os garimpeiros, aos olhos da Mineradora Jaruana, era o então presidente da USAGAL. Enquanto a empresa confiava no Zé Altino a missão de controlar o garimpo, os garimpeiros buscavam um nome que superasse o do Presidente da USAGAL. Foi então que surgiu o nome de Rangel, comprador de ouro, amigo da família Sarney e favorito a prefeito de uma das maiores cidade do Maranhão. Com a intervenção da família Sarney, Rangel assumiu o garimpo Juruena.