sábado, 26 de dezembro de 2015

A produção de Gemas e Artefatos de Pedras nos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri

A produção de Gemas e Artefatos de Pedras nos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri


A ATIVIDADE DE GEMAS E PEDRAS EM MINAS GERAIS


A extração de minerais é uma das mais antigas atividades da economia do Estado de Minas Gerais, bem como dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri. Esta é uma constatação relevante para que se entenda a atual peculiaridade do setor de gemas e artefatos de pedra mineral ali prevalecente. Além do mais, essa Mesorregião tem sido objeto de constante preocupação pelas dificuldades que se antepõem ao seu desenvolvimento econômico e social.
O Estado de Minas Gerais, desde os primórdios de sua colonização, se caracteriza como uma das mais importantes províncias minerais do Brasil, e a sua ocupação territorial se inicia pelo Vale do Jequitinhonha. Na segunda metade do século XVI realizaram-se as Entradas e Bandeiras no afã da descoberta de esmeralda e ouro, que os nativos afirmavam existir no interior.
Esta primeira entrada foi infrutífera, mas outras se seguiram e, assim, se descobriram jazidas de pedras coradas: turmalinas, berilos e águas-marinhas (identificadas à época como esmeraldas, safiras e turquesas), localizadas na serra divisora das bacias do Mucuri, Jequitinhonha e Rio Doce e, também, no Espinhaço entre os rios São Francisco e Jequitinhonha.
Mais tarde, após o esgotamento do “ciclo da cana-de-açúcar”, segue-se o “ciclo do ouro”, iniciado em 1690 com a descoberta de ouro na região onde hoje é Minas Gerais.
O setor de Mineração de Minas Gerais surtiu consideráveis efeitos de encadeamento. A demanda por alimentos nas cidades e nos centros de mineração representou um estímulo à produção agrícola, inclusive em outras regiões do País. A exportação de ouro financiou um grande volume de importações de bens de consumo e suprimento para a mineração. O “ciclo do ouro” terminou no final do século XVIII, quando a maioria das minas economicamente viáveis haviam se esgotado.
A Província Pegmatítica Leste de Minas Gerais - segmento da Província Pegmatítica Oriental do Brasil, que inclui no seu recorte geográfico a Mesorregião Diferenciada dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - é considerada a mais rica área de concentração gemológica do País.
Nessa Mesorregião, o Médio Jequitinhonha concentra o maior potencial de extração e produção de gemas (pedras coradas), particularmente nas Microrregiões de Araçuaí e Pedra Azul. Em Minas Gerais se concentram as jazidas e a extração regular das gemas, principalmente nos pólos de produção regular nos eixos Araçuaí-Salinas, Medina-Pedra Azul-Itambé e Malacacheta-Padre Paraíso.
Minas Gerais, isoladamente é uma das grandes áreas gemológicas do mundo, com 11 depósitos conhecidos. O Estado responde por 30% da produção mundial. As cidades de Governador Valadares e Teófilo Otoni, esta última na Mesorregião dos Vales dos rios Jequitinhonha e Mucuri, podem se tornar importantes centros de lapidação de pedras coradas, fabricação de jóias seriadas e artesanato mineral, voltados à exportação, gerando emprego e renda, baseados na abundância de matéria prima e mão de obra regionais.
Além das gemas, são produzidos outros minerais próprios para uso industrial, tais como o feldspato, o quartzo e o espodumênio, Em decorrência do fato da prospecção e a lavra estarem fundamentalmente voltadas na região para a extração de gemas, tem sido, entretanto, relativamente limitado o aproveitamento desses minerais, que em sua grande maioria acabam abandonados como rejeitos.
Da atividade extrativa voltada para a produção de gemas preciosas ocorre também uma grande quantidade de pedras semi-preciosas, que  também são rejeitadas; são gemas com inclusões e defeitos, que não se enquadram na categoria de pedras preciosas e não se prestam, portanto, à produção de jóias.

A ATIVIDADE DE GEMAS E PEDRAS NA BAHIA

Em 2000, a Bahia foi o terceiro maior produtor de rochas ornamentais brutas (mármores e granitos) do Brasil, com produção estimada em 490 mil toneladas/ano, depois do Espírito Santo, com 2 milhões e 400 mil t/ano, responsável por 47% da produção nacional, e Minas Gerais, com 1 milhão e 146 mil toneladas t/ano, segundo estudo do Centro de Tecnologia Mineral do Ministério da Ciência e Tecnologia(Cetem).
Informações da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) apontam a Bahia como o Estado brasileiro que possui a maior variedade de padrões e cores de granitos do país. É o único produtor brasileiro do raríssimo granito azul, nas modalidades azul-bahia e azul-macaúbas, encontrados no município de Potiraguá, bem como do mármore travertino, e do bege-bahia, no Vale do Salitre, cujos principais produtores são os municípios de Ourolândia, Jacobina e Mirangaba. No Estado, também registram-se ocorrências de outros tipos de granitos de elevado valor comercial, como o rosa (em Itaberaba, Macajuba e Ruy Barbosa), o branco (no Extremo Sul), o marrom (em Itarantim), o amarelo (em Itamaraju), o negro (em Brumado) e o verde (em Jequié).
A Bahia tem sido, por muito tempo, juntamente com Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, destaque na produção de pedras preciosas naturais do Brasil, país que detém grande parte das reservas mundiais desses bens minerais, com produção de gemas de qualidade reconhecida internacionalmente. Os controles estatísticos registram, historicamente, a presença de mais de
trinta variedades gemológicas em território baiano, com destaque para esmeralda, água-marinha, ametista, diamante, citrino, crisoberilo e cristal-de-rocha.


O ARTESANATO MINERAL NA BAHIA

A Bahia é o segundo maior Estado produtor de gemas, com destaque para a esmeralda, ametista, turmalina, citrino, crisoberilo, as águas-marinhas (consideradas as melhores do mundo), diamantes, entre outras gemas, além de ser o quarto Estado maior produtor de ouro no País. A Bahia também produz uma variedade muito grande de pedras ornamentais como granito, mármore, dentre outras.
As técnicas utilizadas no Estado para a produção da lapidação e do artesanato mineral são tradicionais, com instalações e equipamentos simples que permitem agilidade na implantação, treinamento e produção por pessoas das comunidades envolvidas nos vários projetos já em atividade e seguem um modelo consolidado por mais de vinte anos.

CARACETERIZAÇÃO DA REGIÃO BAIANA DO VALE DO JEQUITINHONHA E MUCURI

O Estado da Bahia é conhecido como grande produtor de gemas, metais, rochas e pedras decorativas que, inexplicavelmente saem brutos, sem maior valor agregado, para o exterior.
A região do extremo sul da Bahia é destaque pela presença de granitos pegmatíticos com grande aporte de gemas, especialmente águas-marinhas e crisoberilos, a exemplo dos garimpos existentes na região. Notícias de extração de água-marinha na região sul do Estado remontam ao início deste século, especialmente na área do vale do rio Jibóia, a noroeste da cidade de Itambé. Na década de 50, no garimpo de Água Fria, município de Vereda, extraiu-se um valioso exemplar dessa pedra preciosa. Conhecido como “água-marinha do Jaquetô”, este cristal pesava mais de 19 quilogramas. A geração desse mineral está intimamente relacionada aos corpos pegmatíticos que ocorrem em duas regiões, uma compreendida entre os municípios de Vitória da Conquista, Cândido Sales e Macarani (incluindo os conhecidos “pegmatitos da Região de Itambé”) e outra abrangendo os municípios de Eunápolis, Itanhém e Teixeira de Freitas.
Essas duas regiões integram a expressiva Província Pegmatítica Oriental (Paiva, 1946), que se estende pelo norte de Minas Gerais, especialmente pelo vale do rio Jequitinhonha, reconhecida mundialmente pelas excelentes gemas que produz. Devemos observar o grande potencial de exploração de gemas e pedras ornamenais, não somente para a produção de matéria prima como também para a manufatura de produtos de maior valor agregado tais como: gemas lapidadas para o uso em joalheria, objetos de decoração e utilitários, além de outras atividades que viabilizam a inclusão social como a joalheria propriamente dita, a montagem de bijuterias e a fabricação de acessórios para as indústrias de roupas, calçados, entre outras.
Além da água-marinha e dos minerais industriais, diversas gemas ocorrem na região, isoladas ou em associação: crisoberilo, topázio, morganita, andaluzita, zircão, quartzo róseo, amazonita, fluorita e turmalinas de diversas cores.
Vale destacar que o artesanato mineral é uma atividade difundida mundialmente e com grande avanço tecnológico, especialmente na China, Índia e Tailandia, tornando necessária a modernização da tecnologia aqui aplicada para dinamizar econômica e competitivamente a produção realizada nesta região específica do Estado.


B.2. A BASE PRODUTIVA LOCAL

O ARTESANATO MINERAL NOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

O PRISMA – Programa de Inclusão Social da Mineração, implantado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Governo do Estado, realiza ações de treinamento de lapidação e artefato mineral através de uma rede de 40 núcleos de treinamentos sediados em toda a Bahia. No município de Itanhém, um destes núcleos foi estruturado, resultado do convenio celebrado entre o governo do Estado e a Prefeitura Municipal.
Nos municípios de Vereda, Itanhém, atuam as lavras de água-marinha de Saluzinho, Salomão e Centenário (esta última com crisoberilo), fornecedoras de matéria-prima de ótima qualidade para a lapidação e o artesanato mineral. Em Vereda, no garimpo de Água Fria, foi encontrada a maior água-marinha de qualidade do Brasil. Os três municípios citados formam o principal centro produtor mineral da micro-região.

Pontos fortes para o avanço, crescimento e desenvolvimento da lapidação de gemas e do artesanato mineral na região extremo sul da Bahia:

  • Existência de importantes ocorrências minerais;
  • Localização geográfica: grande proximidade com centros produtores de artesanato mineral em Minas Gerais (Teófilo Otoni, por exemplo);
  • Água em abundância;
  • Clima favorável;
  • Disponibilidade de mão-de-obra;
  • Apoio político e técnico;
  • Bom mercado consumidor;
  • Demanda do mercado mundial em função da qualidade existente;
  • Malha rodoviária;
  • Parcerias políticas e institucionais;
  • Acesso à tecnologia e a capacitação básica.

Pontos passíveis de aprimoramento na região extremo sul da Bahia:

  • Ausência de fornecedores de equipamentos na região;
  • Carência de treinamentos específicos;
  • Escala de produção;
  • Estruturação de base nas poucas Associações existentes;
  • Dificuldades de acesso ao crédito;
  • Pouca assessoria técnica e gerencial;
  • Planejamento estratégico de marketing;
  • Dificuldade de comercialização regional e escoamento;
  • Dificuldade de construção de casas/entrepostos de artesanato em algumas localidades;
  • Profissionalização da mão de obra;
  • Apoio municipal integrado;
  • Segurança patrimonial;
  • Política tributária específica.

Cadeia produtiva do artesanato mineral do extremo sul da Bahia

Mercado consumidor:
  • Salvador: MINARTE, lojas de artesanato, Mercado Modelo, quiosques de venda de artesanato em hotéis, aeroporto, shoppings e outros pontos de grande fluxo de turistas e consumidor final;
  • Itanhém: Núcleo de artesanato mineral, consumidor final e atravessadores;
  • Teixeira de Freitas: Aeroporto, lojas, consumidor final;
  • Porto Seguro e Eunápolis: Atravessadores, aeroporto, lojas de artesanato, consumidor final (donas de casa e turistas);
  • Mucuri: Mercado local e atravessadores internos e externos.

Fornecedores atuais:

  • Municípios Fornecedores: Garimpos (Sulzinho, Salomão, Centenário, Jaquetô) e empresas mineradoras de rochas ornamentais dos municípios de Teixeira de Freitas e Eunápolis.


Principais produtos do mercado fornecedor:

  • Municípios / Produtos: Prado: caixas; Itanhém: cristais e rochas, caixas p/ embalagem; Teixeira de Freitas: macacão e caixas; Nova Viçosa: caixas; Mucuri: minerais, rochas, caixas p/ embalagem; Teixeira de Freitas: rochas ornamentais; Eunápolis: rochas ornamentais.

Mercado concorrente:

  • O Estado da Bahia possui vários sítios mineralógicos onde são desenvolvidos, também, trabalhos de capacitação, produção e venda de artesanato mineral.
  • Em outros Estados brasileiros, a exemplo de Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e, especialmente, Minas Gerais, a produção de artesanato mineral e de joalheria é tradicional e bem desenvolvida.

UM POTENCIAL A SER EXPLORADO

Em decorrência da atividade de extração de gemas abre-se a possibilidade de desenvolvimento de um outro ramo de atividade, que potencialmente pode se tornar economicamente significativo para a região, que é o beneficiamento das gemas semipreciosas e de outros minerais que integram o pegmatito, visando a produção de peças artesanais de bijuterias, adornos, ornamentos, lembranças, utilidades, etc.
O beneficiamento e a comercialização das gemas preciosas e semipreciosas é uma atividade secular na Província Pegmatítica Leste, sendo bastante desenvolvidos fora da Mesorregião, especialmente nas cidades de Teófilo Otoni e Governador Valadares. Por outro lado, a maior utilização dos minerais de uso industrial depende de condições tecnológicas, de mercado, de investimentos e de estudos mais aprofundados de viabilidade econômica e financeira.
No eixo de Araçuaí-Pedra Azul, onde se concentra essencialmente a extração, há um potencial que, contudo, tem de ser incentivado, por meio de políticas públicas e do setor privado (desenvolvimento da “cultura cooperativa”, suporte de “empresas âncoras”, criação da marca, cursos de aprendizagem profissional de lapidação, design, empreendedorismo, etc), voltado para o aproveitamento dos rejeitos da extração, na produção de Artefatos de Pedra Mineral.
O desenvolvimento de Artefatos de Pedra Mineral na Mesorregião exige uma forte “ação estruturante”, ou seja, uma ação pró-ativa pública e do setor privado tanto no que se refere à produção e à aprendizagem técnica, quanto ao mercado, aos canais de comercialização e venda, etc. É um potencial a ser ainda explorado em sua plenitude. Dada a presença de grande quantidade de mão-de-obra localmente disponível e a tradição de grande oferta de pedras minerais na região, há um considerável espaço para a produção de Artefatos de Pedra Mineral em geral - bijuterias, adornos, ornamentos e lembranças, como na linha dos utilitários.
Mas há gargalos ou pontos de estrangulamentos muito fortes para o desenvolvimento do Artesanato de Pedra Mineral na Mesorregião, tais como:
  • A produção incipiente de artefatos de pedra mineral na Mesorregião;
  • A ausência de lideranças expressivas com foco na produção de Artefatos de Pedra Mineral;
  • A deficiente qualificação da mão-de-obra;
  • A secular e forte “cultura extrativista” em lavras de risco com expectativas de alto retorno;
  • A fraca “cultura da cooperação” e a inexistência de entidades de classe que sejam representativas do Artesanato de Pedra Mineral;
  • A deficiente estrutura dos canais de comercialização dos Artefatos de Pedra Mineral resulta em gargalos expressivos para o desenvolvimento do setor, exigindo, pois, uma “ação estruturante” tanto do lado da oferta como do lado da demanda; e,
  • A falta de formação básica profissional na técnica de produção de Artefatos de Pedra Mineral, empresarial e em gestão de negócios.
Contudo existem, também, potencialidades e recursos latentes na região que podem ser incentivados e estimulados, para constituírem uma estrutura básica para o desenvolvimento da atividade na Mesorregião; aí reside a “ação estruturante”, que combina simultaneamente políticas públicas e do setor privado em vários campos de atuação. A lista a seguir apresenta os pontos, que a nosso ver concorrem para o sucesso do projeto:
  • Há um expressivo mercado interno e internacional para Obras e Artefatos de Pedra Mineral, atualmente melhor explorado no Rio Grande do Sul, e para folheados de metais, como em São Paulo, pelo Arranjo Produtivo Local de Limeira; As exportações de folheados foram as que mais cresceram no segmento, nos últimos anos (ver anexo a este Relatório);
  • Há um potencial de mobilização já despertado na população, para a busca de alternativas à pura extração de gemas;
  • Há motivação, interesse e programas públicos, que por meio de “empresas âncoras” podem garantir uma demanda inicial de produtos artesanais; e,
  • Há possibilidades de sucesso no desenvolvimento da atividade artesanal de pedra mineral, desde que haja aprendizagem técnica profissionalizante, incluindo uma composição de grades curriculares de formação básica em empreendedorismo, design e criação relacionados.

A tabela a seguir apresenta o total das exportações brasileiras de pedras e artefatos de pedra:


EXPORTAÇÃO
ESTADO
PEDRAS PRECIOSAS*
(%)
ARTEFATOS DE PEDRA MINERAL
(%)
Minas Gerais
35.860
33%
864
8%
Rio Grande do Sul
44.396
41%
7.940
74%
Rio de Janeiro
12.937
12%
1.132
11%
São Paulo
12.238
11%
786
7%
Bahia
2.319
2%
47
0,5%
TOTAL
107.750
100%
10.786
100%
As principais características da cadeia produtiva de gemas e jóias do Brasil permitem avaliar melhor, também, a atividade de Artefatos de Pedra Mineral. Pode-se dizer que:
  • O Brasil é responsável pela produção de 1/3 das gemas do mundo, excetuando diamante, rubi e safira;
  • Estima-se que a informalidade no setor é de 50%;
  • Considerando todos os impostos, a tributação brasileira no setor pode chegar a 53% contra 15% da média mundial;
  • A lapidação e a fabricação de Obras e Artefatos de Pedra Mineral é feita por pequenas indústrias, muitas de fundo de quintal, sendo que a prática da terceirização vem se acentuando nos últimos anos;
  • O grau de profissionalização é reduzido e o de concentração de decisões muito elevado. A maioria dos empresários foi formada na própria indústria;
  • Empresas fabricantes de jóias:
  • Micro (até 20 empregados) 73%;
  • Pequeno porte (20 a 99) 23%;
  • Médio porte (acima de 100) 3,9%.

Os Principais Pólos Produtores do País são:

  • Principais Estados Produtores de Pedras Preciosas: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, Pará, Tocantins e Piauí;
  • Principais Estados na Área de Lapidação e Produção de Artefatos de Pedra: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia e Goiás; e,
  • Principais Regiões na Área de Bijuterias e Folheados: Interior Limeira, em São Paulo; Caxias e Guaporé no Rio Grande do Sul, Cariri no Ceará, São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia, Rio de Janeiro.

Principais Canais de Distribuição:

  • Lojas em Shopping - 36%;
  • Lojas de Rua - 27%;
  • Sacoleiras - 30%;
  • Ourives/Outros - 7%.

Jazida de Topázio Imperial (Imperial Topaz).

Topázio imperial, no arraial de Antônio Pereira.

Nas cercanias de Mariana, antiga capital de Minas Gerais, funciona um garimpo muito conhecido na região, o do topázio imperial, no arraial de Antônio Pereira. Chovia quando o visitámos, daí que os garimpeiros não estivessem a trabalhar. É perigoso o garimpo, as terras são pouco firmes, podem aluir, soterrando os mineiros. Nessa paisagem estranhamente desolada, como um grande buraco aberto na terra, sem vegetação, os homens acorrem, quando há visitas, para venderem o fruto do seu trabalho: além do topázio imperial, outras pedras, mais valiosas como o diamante, e menos valiosas como a hematite ou as ametistas. Enfim, decerto tudo o que contém o «Kit da sorte - os 7 chacras», recordação vendida aos turistas noutros locais de Minas: ametista, jaspe, citrino, quartzo rosa, quartzo branco, sodalita e quartzo verde. Cada uma tem as suas propriedades e produz os seus efeitos. Como trouxe o kit completo, vou rejuvenescer e enriquecer rapidamente. A ametista, por exemplo, «traz grande prosperidade para quem a possui».O garimpo tem proprietário, que recebe rendas. Os garimpeiros podem trabalhar livremente para eles, mas, acima de mil reais por venda, pagam uma percentagem à dona.
O termo «arraial» é muito antigo, em Portugal já não o usamos, a não ser com valor semântico de festa. Ali, diz respeito à implantação de um povoado, que depois pode crescer até cidade, como Ouro Preto, anteriormente arraial de Vila Rica. No Brasil conserva-se um léxico muito antigo, por vezes até medieval, perdido no nosso discurso atual, em Portugal. De outra parte, usam-se termos que nós nunca usámos na acepção brasileira, como «contos», na área semântica do dinheiro. Em vez de «dez escudos», no tempo do escudo, nós diríamos «dez paus». Em São Paulo e em Curitiba, ouvi dizer «dez contos, vinte contos», significando «dez, vinte reais».
Pois as pedras preciosas, compradas na origem, têm valor diferente consoante o tamanho, a pureza e o tipo das pedras, mas sempre poderei adiantar que comprei um punhado delas para presentear amigos. Terei gasto uns cinquenta «contos», no máximo. Digamos mesmo que cheguei aos cem. E anote, se quer um futuro na vida: em Diamantina, um comerciante de pedras preciosas contou que fez negócio com um português que lhe encomenda pedras para as vender em Portugal. Está rico, o português. A minha companheira de viagem comprou uma variedade de topázios que a irmã, em Portugal, vai engastar e vender na sua loja. Vou imaginar que as jóias serão compradas, na Rua de Santa Catarina, no Porto, supondo, dez vezes mais caras, se não for mais do que isso.
Serão ricos, os garimpeiros? Como acontece com qualquer atividade primária, haja em vista a de escritor, a exploração é muita. Os trabalhadores, neste nível da produção, ganham pouco ou nada. Quem ganha são os intermediários. Entre o preço do produto na origem e o preço na loja há um abismo tão grande como o das cavernas escavadas pelos mineiros, e que, quantas vezes, lhes caem em cima, soterrando-os.

 
O Arraial de Antônio Pereira é um povoado pequeno, pobre, cuja rua principal vemos à esquerda.
À esquerda, um velho garimpeiro que já teve melhores dias, pois, dizem eles, este trabalho é de sorte: ora se tem, ora se perde, como na roleta.
Estas pedras compram-se no garimpo ao preço da chuva, o seu valor real é o da loja, depois de transformadas em jóias,
e de preferência nas casas famosas.
 
O garimpo é um lugar de beleza assustadora,
e realmente oferece perigo para os mineiros.
Abaixo desta superfície, há galerias e subterrâneos,
que a máquina fotográfica, por sofrer de vertigens, não conseguiu captar.
 

Não dá mais para tirar ouro com a mão, diz coronel

Não dá mais para tirar ouro com a mão, diz coronel


Sebastião Curió chegou ao garimpo em 1980 e coordenou a extração de ouro com mão de ferro. Hoje, acompanha de longe a mecanização



Aos 75 anos, o coronel Sebastião Rodrigues de Moura conhece como poucos as agruras de Serra Pelada. Há exatos 30 anos, Curió, como é conhecido, chegou pela primeira vez na região, como enviado do governo federal para coordenar a corrida pelo ouro. Durante três anos, baixou regras rigorosas para controlar a turba de mais de 100 mil homens que tentavam bamburrar – ou enriquecer, na gíria dos garimpeiros – e viu sair 42 toneladas de ouro da mina. Quando foi deputado federal, aprovou um projeto de lei para estender por mais cinco anos o garimpo e foi prefeito de Curionópolis, município do qual Serra Pelada é um distrito e cujo nome foi dado em sua homenagem.
Com a experiência de três décadas em Serra Pelada, Curió tem uma certeza: não dá mais para tirar ouro com as mãos como nos velhos tempos.  O garimpeiro tirava com as mãos kilos de ouro por dia, as vezes bamburrava com  "OURO BOMBRIL" que é o veio mais forte do ouro, média de 100 kilos por dia. Hoje não é mais possível. Por isso, é a favor da mecanização da mina, processo que terá início em maio, quando o governo deverá conceder a licença de lavra para a Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral (SPCDM), joint venture entre a mineradora canadense Colossus e a Coomigasp, a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada. “Nessa nova fase de Serra Pelada nenhum garimpeiro vai enriquecer”, disse ao iG o coronel Curió. “Mas, como acionistas da empresa, eles têm uma boa perspectiva para melhorar a qualidade de vida”.
De sua casa em Brasília, Curió, que antes de chegar a Serra Pelada havia combatido a guerrilha do Araguaia, falou sobre a mecanização da mina e fala dos tempos em que comandava os garimpeiros.
Durante três anos, o coronel Sebastião Curió coordenou com mão de ferro o garimpo em Serra Pelada

Minas Gerais é pólo de produção e venda de pedras preciosas brasileiras

Minas Gerais é pólo de produção e venda de pedras preciosas brasileiras

O estado responde por quase a metade das exportações brasileiras e possui um dos três maiores centros mundiais de comercialização de pedras, na cidade de Teófilo Otoni. Em agosto de 2004, acontece mais uma edição da Feira Internacional de Pedras Preciosas, quando os empresários pretendem incrementar os negócios externos.


Ouro Preto - O estado de Minas Gerais não só concentra quase a metade das exportações brasileiras de gemas preciosas como também possui um dos três maiores centros mundiais de comercialização de pedras, na cidade de Teófilo Otoni. Para completar, a região ainda exibe as únicas minas de alexandrita e topázio imperial exploradas comercialmente no mundo, em Antônio Dias e Ouro Preto, respectivamente.

A procura por metais preciosos começou há mais de dois mil anos, quando os nobres ostentavam rubis, safiras e esmeraldas. Com a descoberta da América, as esmeraldas colombianas passaram a ser algumas das pedras mais cobiçadas do mundo.

No Brasil, foram os índios que encontraram as primeiras gemas preciosas, até a realização das expedições em busca da Serra das Esmeraldas (localizada na Serra do Cruzeiro, próxima à cidade mineira de Governador Valadares).  

Atualmente, as cidades mineiras de Nova Era e Itabira têm o título de maiores produtoras de esmeraldas do país, embora no mercado mundial as pedras colombianas ainda tenham total supremacia. Já a produção de alexandrita, que pode chegar a valer até US$ 30 mil o quilate, fica totalmente concentrada no município mineiro de Antônio Dias. A exploração comercial deste minério começou há 10 anos e sua maior característica é a mudança de cor.

Segundo a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Minas Gerais é líder na produção de gemas preciosas no país, com 27% da produção total brasileira. Informações coletadas pela Associação de Comerciantes e Exportadores de Jóias e Gemas do Brasil (Gems Exporters Association - GEA) também indicam que, das US$ 102,1 milhões de exportações nacionais de pedras e artefatos registradas em 2001, US$ 46,9 milhões, ou seja, 46%, tiveram origem em Minas.

Capital mundial

A sede da GEA fica na cidade de Teófilo Otoni que, por ter um comércio intenso de pedras coradas (com cor), foi eleita uma das capitais mundiais de gemas preciosas, juntamente com Bancoq e a cidade alemã de Idar-Oberestein. Segundo o diretor-executivo da GEA, Guilherme Bamberg, os maiores compradores estrangeiros são os alemães, americanos e japoneses.

O comércio com os países árabes, porém, ainda é pequeno. "Alguns dos nossos associados têm negócios com os Emirados Árabes Unidos, mas o comércio é tímido. E, quando acontece, é feito por duas vias: ou por intermédio da Alemanha ou por descendentes de árabes, principalmente os libaneses, que vivem no Brasil", afirmou Bamberg.

A GEA tem 67 associados que atuam em mineração e comércio de pedras, serviços aduaneiros ou fabricação de produtos para lapidação de peças. Uma das estratégias da associação para incrementar as exportações é a Feira Internacional de Pedras Preciosas (FIPP), que ocorre anualmente em Teófilo Otoni. Em 2004, o evento está marcado para os dias 17, 18, 19 e 20 de agosto.

Teófilo Otoni está em uma região rica em mineração, que vai de Juiz de Fora (MG) até o sul da Bahia, Espírito Santo e Tocantins. "Nós soubemos capitalizar essa proximidade, e hoje a cidade é um grande centro lapidário e de comercialização de gemas", disse Bamberg. 

Topázio imperial

Em Ouro Preto, a corrida do ouro que deu origem ao nome da cidade já passou. Nos garimpos da cidade, a procura agora é por outro metal: o topázio imperial.

A mineração comercial do topázio começou no final da década de 70 e, segundo o proprietário da mineradora Topázio Imperial, Wagner Colombarolli, o mineral existe em todo o município e não em uma única jazida. "Há também jazidas de topázio imperial no Paquistão e na Rússia, mas lá não há exploração comercial", explicou.

De acordo com o executivo, a mineração de topázio imperial tem duas características: é estável e fica concentrada nas mãos de poucas empresas. "A exploração vive um momento de estabilidade, mas o movimento é pequeno, se comparado com o ouro, por exemplo", afirma Colombarolli, que foi pioneiro na exploração da gema preciosa no município.

Na mineradora Topázio Imperial, 56 funcionários trabalham no garimpo, que é totalmente mecanizado. Há ainda outras duas mineradoras industriais na cidade: a Vermelhão, que vende toda sua produção exclusivamente para os Estados Unidos, e a JVC - além de um garimpo artesanal, que funciona no distrito de Antônio Pereira, 16 quilômetros distante de Ouro Preto.

De US$ 10 a US$ 2 mil

Os empresários do setor evitam falar de números e do tamanho das jazidas da gema preciosa. Sabe-se apenas que a maior parte da produção é escoada para as joalherias locais, que contam com ourives próprios. Mas há também vendas para outras cidades mineiras e Rio de Janeiro.

Uma pedra de topázio imperial pode custar entre US$ 10 e US$ 2 mil. A dureza da gema é considerada elevada - 8. Segundo o professor de gemologia da UFOP, Júlio César Mendes, as cores do topázio imperial vão do amarelo claro, passando pelo mel, conhaque, salmão e vermelho. "O chamado topázio azul só adquire esta cor porque há o bombardeamento de elétrons", disse.

Nas lojas da cidade histórica, que é Patrimônio Cultural da Humanidade, o turista pode comprar uma peça de topázio imperial por US$ 500,00, em média. Mas o dono da joalheria Itagemas, Luís Antônio Amaral, afirma que se o produto for vendido em lotes para exportação, pode ficar em torno de US$ 350,00. "Nossa confecção é própria e fazemos um trabalho totalmente artesanal, e que pode ser sob encomenda", afirma.

Nas vitrines, também é comum encontrar pedras brutas que são normalmente apreciadas por colecionadores. Se o comprador for mais sofisticado, a loja da grife Luíza Figueiredo oferece um anel de topázio imperial por US$ 760,00, com design exclusivo.

No varejo de jóias em Ouro Preto, o topázio não é o único produto cobiçado. Também são vendidas jóias de água marinha, turmalina, ametista, esmeralda e até algumas importadas como a opala australiana, a safira e o rubi, dependendo do porte da joalheria. Um ponto em comum entre todas é que o cliente é sempre um: o turista estrangeiro.