domingo, 10 de janeiro de 2016

As pedras do Brasil: Morganita – Minas Gerais

 

morganita-minas-gerais

As pedras do Brasil: Morganita – Minas Gerais

É interessante observar como algumas simples palavras são capazes de despertar nossos sentidos e emoções. Poucas delas têm a capacidade de expressar em sua simbologia gráfica todos os sentimentos advindos de sua referência física. Quando se lê, por exemplo, “pedra preciosa”, já associa-se a um imaginário de glamour e sofisticação.
Dando continuidade à nossa série sobre as pedras do Brasil, hoje você conhecerá uma das muitas gemas brasileiras, e a partir deste post, toda vez que ler ou ouvir qualquer referência a ela, conseguirá, imediatamente, sentir todo o seu encanto. Continue acompanhando e conheça mais sobre a morganita de Minas Gerais!
As características da Morganita de Minas Gerais
morganita
A morganita é uma gema de tonalidade rosa que, apesar de belíssima, ainda é pouco conhecida pelos apreciadores e compradores de joias. Isso pode ser facilmente exemplificado se ela for comparada a outras pedras preciosas, pertencentes ao grupo dos berilos, a qual faz parte, como a água-marinha e a esmeralda.
Este fato pode estar associado ao seu recente reconhecimento. Apesar de ter sido encontrada há milhares de anos, foi somente em 1911 que os gemólogos a nomearam e atestaram-na como uma legítima pedra preciosa, e não somente como uma variação de um mineral berilo.
A pedra recebeu este nome em homenagem a um banqueiro e colecionador americano chamado J.P. Morgan. Em sua forma natural, pode ser encontrada como um cristal ou uma passa petrificada, com poucas inclusões. Sua cor rosa é resultado da presença do manganês e do ferro em sua composição, mas ela também pode surgir em tons de laranja-rosado e salmão, sempre translúcidas (a variação dos elementos químicos é que será responsável pela tonalidade).
Minas Gerais é um dos estados brasileiros que mais a produz, porém, a morganita pode ser encontrada também em jazidas de países como o Afeganistão, Madagascar e Estados Unidos.
O misticismo nas pedras: morganita
morganita-pedra
Acredita-se que as pedras preciosas têm energias capazes de influenciar a vida das pessoas que as utilizam. A morganita é reconhecida misticamente por seus efeitos terapêuticos sobre as vias urinárias, os músculos, a respiração e a digestão.
Em relação à psique, ela atua emitindo fortes vibrações, auxiliando pessoas inquietas a terem mais calma e confiança no dia a dia. O planeta que a rege é Vênus e ela é associada ao signo de Libra. Tem uma energia protetiva e é uma gema poderosa para aqueles que se vitimizam constantemente, ajudando a reconhecer pensamentos de fuga.
A morganita e as datas comemorativas
morganita=anel
Aos 53 anos de casados, comemora-se Bodas de Morganita. A gema, que tem como símbolos o amor e os sentimentos, é referência para aqueles que estão há muitos anos juntos. Portanto, presentar um casal nesta data comemorativa com uma joia com esta gema, é uma atitude muito significativa.
Mas você não precisa esperar tantos anos para ofertar a uma pessoa especial uma joia com uma morganita, há os aniversários, natal, formaturas, etc. Nos EUA, por exemplo, esta tem sido uma pedra bastante procurada para anéis de compromisso em um namoro. E independente do momento, não faltarão oportunidades para surpreender alguém com esta belíssima gema!
morganita-joia

sábado, 9 de janeiro de 2016

Conheça a brasileira que viveu vestida de homem entre garimpeiros

Conheça a brasileira que viveu vestida de homem entre garimpeiros

No município de Curionópolis, no sudeste do Pará, começou a história de vida da enfermeira Idelzuite Fontes. Quando jovem foi proibida de trabalhar.

Daniela AssayagAmazônia
Globo Repórter Amazonia 3 (Foto: Rede Globo)Globo Repórter Amazonia (Foto: Rede Globo)
No município de Curionópolis, no sudeste do Pará, começou a história de vida da enfermeira Idelzuite Fontes. Quando jovem foi proibida de trabalhar.
“A única forma que eu encontrei foi me vestir de homem e todos os trajes de homem. O meu disfarce era boné, o bigode postiço e calça comprida, sempre gostei de calça, camisa. Fiquei assim 8 meses”, contou Idelzuite Fontes.
Idelzuite viveu um dos momentos mais ricos e também trágicos da história de milhares de Brasileiros. Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo. Mais de 80 mil trabalhadores vieram pra cá.

O complexo mineral foi descoberto na década de 70. O documentarista inglês Adrian Cowell filmou por mais de dez anos os milhares de corpos recobertos de barro da cabeça aos pés.
“Se eu trabalhasse à noite todinha limpando ouro, eles me pagavam a quantia de 8 a 10 gramas de ouro”, disse Zaqueu Ferreira Neto, ex-garimpeiro.
Picaretas na mão, homens vindos do Ceará, do Pernambuco, do Maranhão, de todos os cantos do país enxergavam lá uma chance de melhorar de vida .
“E a senhora conseguiu ganhar dinheiro em serra pelada?”, perguntou a repórter Daniela Assayag.
“Eu não cheguei porque quando estava perto, perto mesmo, próximo de eu pegar bastante ouro, foi a época que o garimpo fechou”, disse Idelzuite.

O formigueiro humano ficou para trás, histórias de vida enterradas. No lugar onde funcionava o garimpo, agora é um imenso lago que toma conta da paisagem. Os barrancos ficaram submersos. Não existe mais a corrida pelo ouro, mas essa região continua rica em minérios. Uma associação de 38 mil garimpeiros hoje é dona desse lugar.
Idelzuite agora trabalha como enfermeira. Mas nunca esqueceu da vida no garimpo. “Eu vi trabalho, eu vi escravidão, eu vi brigas”, contou.
E muitas tragédias. Cerca de 50 pessoas morriam por ano nas avalanches de terra.
“Eu cheguei a ver um garimpeiro soterrado com as mãos pra cima, e ele morreu. Foi uma cena assim que eu nunca vou esquecer é como se eu tivesse vendo sempre”, disse Idelzuite.
“E a senhora nunca teve medo disso acontecer com a senhora quando a senhora estava lá?”, questionou a repórter.
“Você teme, todo mundo teme a morte, mas aquele medo, medo de morrer nunca tive”, respondeu Idelzuite.
A última pepita de ouro foi retirada de lá em 1992. A partir daí os trabalhadores passaram a viver de bicos. E até hoje é assim. A famosa vila de Serra Pelada ainda existe. São cerca de sete mil moradores em centenas de barracos, quase todos de madeira. As ruas não têm calçamento. Não existe rede pública de iluminação. A luz é clandestina. A água não recebe tratamento.
O fundo do lago, a mais de cem metros de profundidade, está cheio de mercúrio, que era usado para garimpar o ouro. A paisagem é bonita, mas ninguém pode tomar banho ou beber água. Foi a herança que ficou para os moradores da vila de serra pelada.
“Essa água não serve pra nada. Essa água pra gente, pelo nosso entendimento, ela está poluída, jamais, a gente sequer põe os pés dentro”, afirmou uma mulher.
De olho nos negócios, os 38 mil garimpeiros fecharam um acordo inédito na história. Se associaram a uma empresa multinacional que ganhou o direito de explorar toda essa área. No lugar das antigas bateias, máquinas. A tecnologia está por toda parte.
Os primeiros levantamentos feitos pela empresa canadense no terreno indicaram a presença de, pelo menos, 50 toneladas de metal precioso, ouro, platina, paládio. A "Nova Serra Pelada", como foi batizada, deve entrar em operação no segundo semestre de 2013.
“Hoje seria difícil garimpar do jeito que era garimpado há 30 anos atrás?”, perguntou a repórter.
Não tem como, não tem como porque o garimpo ficou muito fundo, não tem como não ser mecanizado. Manual acredito que não. Tem que ter máquina”, respondeu Zaqueu.
A retomada da produção em Serra Pelada, agora mecanizada, é a esperança de uma vida mais tranquila financeiramente pra esse povo.
“A senhora acha que serra pelada foi um lugar que fez bem ou fez mal para as pessoas?”, questionou Daniela Assayag.
“Ela fez o bem porque foi uma descoberta, todo mundo trabalhou, quem pegou ouro pegou, quem não pegou viveu, viu a história. Isso o bem. O mal foi porque muitas famílias, muitas mulheres ficaram viúvas, os esposos vinham pra trabalhar aqui e nunca mais retornavam então ficou muita viúva por causa de serra pelada”, disse Idelzuite.
Hoje, esposa e mãe de 4 filhos, Idelzuite ainda se emociona ao falar de Serra Pelada. Com orgulho guarda, numa caixinha, em casa, os documentos da época de garimpeira.

“Eu não fiquei rica, mas vivi a história. Pra mim é a melhor lição de vida”, completou Idelzuite.
   

O sonho do ouro volta a assolar o Pará; Victor Lopes conta o que sobrou da Serra Pelada

O sonho do ouro volta a assolar o Pará; Victor Lopes conta o que sobrou da Serra Pelada

Com a notícia de que ainda há 50 toneladas de metais preciosos no subsolo de Serra Pelada, 
o sonho do ouro volta a assolar o sul do Pará. O cineasta Victor Lopes conta o que sobrou da lenda do Eldorado brasileiro, um lugar síntese do país com sua mistura de miséria e riqueza extremas
Raimunda tem 66 anos e foi uma das primeiras mulheres a entrar no garimpo de Serra Pelada. Olhos vivos, mente ágil, na tarde quente a ex-garimpeira está sentada na entrada de sua casa, a menos de 1 km da antiga cava. Uma casa típica do sul do Pará, de madeira de castanheira, erguida sólida o suficiente para resistir em pé e ser movida entre as chuvas, ou abandonada quando chegar a hora. Nas paredes cor-de-rosa esmaecidas da madeira gasta, retratos e calendários se misturam a galhardetes de campanha política.

Valem como diamantes

Valem como diamantes

Joalheiros e colecionadores de gemas raras internacionais criaram outro significado para o nome Paraíba. O estado do Nordeste virou sinônimo de uma nova variedade de turmalina que, descoberta há 25 anos no município de São José da Batalha, quase divisa com o Rio Grande do Norte, retirou dos diamantes a supremacia que sempre tiveram entre as pedras preciosas. Uma gema com peso de 5 quilates -- equivalente a 1 grama -- chega a valer 100 000 dólares, cotação só superada pelos diamantes coloridos, bastante raros. Desde que o joalheiro mineiro Marcelo Bernardes a apresentou, em 1990, numa feira da cidade americana de Tucson, no Arizona, o valor da pedra aumentou 100 vezes. "Os rubis, as safiras e as esmeraldas também são gemas valorizadas, mas, ao contrário da turmalina, têm mais de 2 000 anos de história", disse Bernardes numa recente entrevista ao Robb Report, revista americana especializada em consumo de luxo.

Bela e rara, a pedra nordestina arrebatou o entusiasmo dos compradores lá fora graças à sua cor excepcional -- um azul-turquesa faiscante, quase fluorescente. Essa tonalidade, chamada de azul-néon, resulta de um elevado teor de cobre em sua composição. No restante do Brasil, o maior produtor de gemas coloridas do mundo (exportou 614 milhões de dólares no ano passado), as turmalinas ocorrem em todas as cores do arco-íris. Recentemente, descobriram-se variedades azuis, mas com tonalidade menos intensa, no Rio Grande do Norte e também na Nigéria, onde foi batizada de African Paraíba. "São azuis, mas só alcançam um décimo do valor da gema nordestina", diz Hecliton Santini Henriques, presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos. A dificuldade de encontrar a pedra nordestina nos veios da rocha contribui também para sua valorização espetacular. De cada 1 800 toneladas de material escavado de duas minas em São José da Batalha, retiram-se apenas 40 gramas de gemas. Boa parte delas não pesa mais que 1 quilate. "As turmalinas Paraíba representam apenas 0,5% de meu estoque", diz o gemólogo Daniel Sauer, da rede de joalherias Amsterdam Sauer. "São pedras para colecionadores ou para quem pode pagar muito por um produto especial."

Por que as turmalinas da paraiba são tão cobiçadas
Caracteristica 
Depois dos diamantes corados, é a pedra brasileira mais valorizada. O quilate chega a ser vendido por 20 000 dólares, 100 vezes o valor de dez anos atrás

Local de extração 
Duas únicas minas em São José da Batalha, na Paraíba

Cor predominante 
Azul intenso. A tonalidade, só encontrada nas pedras da Paraíba, deve-se à presença de cobre e de um traço de ouro em sua composição

Principais compradores 
Japoneses, americanos e alemães

Pedras preciosas são última opção contra mudança climática

Pedras preciosas são última opção contra mudança climática


Colar com a olivina, pedra preciosa que, quando envelhece, absorve CO2
Colar com a olivina, pedra preciosa que, quando envelhece, absorve CO2
Louise Downing, da Bloomberg
Enquanto as negociações para desacelerar o aquecimento global se arrastam, pesquisadores estão propondo novas ideias, que alguns consideram ser medidas desesperadas para evitar as piores consequências da mudança climática.
Algumas propostas são incontestáveis, como a utilização de carvão vegetal para fixar o dióxido de carbono no solo ou espalhar pedras preciosas que absorvem carvão.
Richard Branson, o bilionário presidente da Virgin Group Ltd., ofereceu um prêmio de US$ 25 milhões para a melhor solução no campo conhecido como geoengenharia.
Outras ideias para resfriar o planeta fazem com que os cientistas se preocupem com as consequências imprevistas.
Existem propostas, que ainda não foram testadas a grande escala e têm custos incertos, para bloquear os raios do sol com partículas atmosféricas ou semear ferro, que absorve carbono, nos oceanos.
O simples fato de que essas propostas estejam sendo consideradas revela tanto a frustração com a inércia dos governos quanto o ceticismo de que as políticas públicas resolvam o problema.
“Durante os últimos vinte a trinta anos, os governos, sem muita consideração, supuseram que mitigar era o principal caminho para o futuro”, disse Mark Maslin, membro da Sociedade Real de Geografia do Reino Unido. Agora, os pesquisadores estão percebendo que o planeta precisa de “outras formas urgentes de lidar com o CO2”.
O interesse na geoengenharia surge depois de duas décadas de negociações nas Nações Unidos que ainda não produziram um acordo mundial sobre a mudança climática.
Representantes de cerca de 200 países se reunirão em dezembro, em Paris, onde se espera que eles finalizem um pacto para diminuir as emissões de carbono.
Aumento
As temperaturas da superfície do planeta já subiram 0,85 graus Celsius desde 1880, segundo um relatório da ONU publicado em 2014.
Os pesquisadores concluíram que, embora as consequências imprevistas de manipular o clima possam ser relevantes, “certa investigação básica de fato parece apropriada”.
Um painel da Academia Nacional de Ciências dos EUA refletiu essas preocupações.
Em um relatório publicado em fevereiro, encontrou-se poucas evidências de que os pesquisadores vão conseguir empregar a geoengenharia no futuro próximo. Também concluiu que os EUA deveriam estudar as tecnologias como ferramenta “de último recurso”.
O Virgin Earth Challenge, o desafio proposto por Branson, começou em 2007 e anunciou onze finalistas em 2011.
A solução vencedora deve conseguir remover 1 bilhão de toneladas de carbono da atmosfera por ano, durante dez anos, e ser economicamente viável, entre outros critérios. Branson não disse quando o prêmio será entregue, se é que isso realmente acontecerá.
“É improvável que ocorra uma redução de CO2 a uma escala suficiente no futuro próximo, considerando que as prioridades da China e da Índia são desenvolver suas economias e que ambos os países dispõem de enormes reservas de carvão”, disse Olaf Schuiling, assessor científico da Smart Stones, uma das finalistas do Earth Challenge.
Smart Stones e Climeworks
A Smart Stones, com sede na Holanda, está trabalhando com a olivina, um mineral verde-amarelo encontrado em abundância no manto da Terra.
A olivina, que era a preferida dos joalheiros egípcios, absorve CO2 quando envelhece. A ideia é extraí-la, esmagá-la e espalhá-la pelo solo.
Outra finalista é a Climeworks AG, com sede em Zurique, que está desenvolvendo sistemas móveis para capturar CO2 em filtros.
O gás é injetado em estufas para promover o crescimento das plantas ou utilizado em bebidas carbonadas.
Algumas ideias de geoengenharia preocupam os cientistas.
A gestão da radiação solar, que visa reduzir o aquecimento global ao bloquear os raios do sol, poderia desencadear mudanças nos padrões regionais de precipitações e de temperatura que ainda não são bem compreendidas.
O efeito seria similar às consequências da erupção do Monte Pinatubo nas Filipinas em 1991, uma das maiores erupções vulcânicas do século 20.
O vulcão chegou a expelir 20 milhões de toneladas de sulfuro na parte superior da atmosfera, o que formou um escudo entre a Terra e os raios do sol e provocou uma queda de quase meio grau Celsius nas temperaturas mundiais em apenas um ano.
A tecnologia “está à beira da ciência-ficção e poderia ser muito problemática”, disse Maslin.
“Talvez ela conserve a temperatura média um pouco abaixo do que deveria estar, mas ela prejudica o clima do mesmo jeito”.