domingo, 10 de janeiro de 2016

A Rússia tem mais diamantes escondidos em uma cratera de asteroide do que o resto do mundo tem combinado

A Rússia tem mais diamantes escondidos em uma cratera de asteroide do que o resto do mundo tem combinado

O mundo somos um diamante.
Se você tivesse mais diamantes que o resto do mundo combinado escondidos em uma cratera de asteroide, você contaria a alguém? A Rússia estava numa boa mantendo esse segredo até agora, mas finalmente revelou seus planos de chegar a uma reserva contendo o valor de trilhões de quilates em diamantes.
É um tesouro de tamanho, sigilo e valor sem precedentes.
Relatada pela primeira vez pelo Christian Science Monitor, a cratera, que fica nos limites superiores da Sibéria, foi criada por um asteroide que caiu na Terra há 35 milhões de anos, criando uma zona de impacto de quase 100 km de diâmetro. Ali, acredita-se que haja diamante suficiente para abastecer o mercado global pelos próximos 3 mil anos. Para contextualizar, a segunda maior reserva da Rússia nas minas Yakutia acredita-se tenha o valor de um bilhão de quilates — diversas ordens de magnitude a menos.
O que torna esses diamantes especialmente valiosos para compradores em potencial é o fato de que eles são diamantes de impacto, ou diamantes formados como resultado de um asteroide ou meteoro que se chocou em um composto de grafite baseado em carbono. De acordo com o IDEX, esses são diamantes que não podem nunca serem usados como joias, mas são extremamente valiosos por suas aplicações industriais. Para começar, os oficiais russos alegam que os recém-revelados diamantes, conhecidos como impactites, são duas vezes mais rígios do que diamantes normais, enquanto outros valorizam esses diamantes por seu tamanho e cortes abrasivos.
Por que revelar o segredo agora, depois de todos esses anos? Quando a descoberta foi feita, há décadas, a Rússia já tinha outras minas de diamantes que forneciam o cobiçado mineral em quantidades abundantes. E como a indústria de diamantes estava fortemente regulada naquela época, havia pouca motivação financeira para anunciar uma descoberta com potencial de influenciar com força o mercado dessas coisas. Mas agora, com a indústria do diamante começando a dar sinais de vida após chegar ao fundo do poço em 2009, e com o crescente uso de diamante em equipamentos de alta tecnologia, a Rússia acha que é uma boa hora de começar a extrair essas valiosas coisinhas (ou pelo menos começar a pensar nisso).
Mas o real efeito ainda levará tempo para ser sentido, de acordo com uma citação dada à publicação russa ITAR-TASS por um especialista da área:
“O Vice-Diretor do Instituto Yakutnipromalmaz, Gennady Nikitin, alerta: ‘Os diamantes de Popigai podem mudar tudo e não está claro o que acontecerá com os preços de mercado.'”
Que impacto isso causará a nós, meros mortais? Provavelmente nada muito drástico. Como essas pedras nunca serão convertidas em joias, o preço daquele anel de noivado que você planeja dar ou receber não será afetado pelo zilhão de diamantes russos. Mas deve haver uma falta global do material no futuro, e nesse momento a Rússia estará em uma posição única de controle de toda a indústria de diamantes industriais. Dado o crescente uso de lasers nas inovações tecnológicas e a busca para atingir a fusão nuclear (os dois dependentes de diamantes industriais), a demanda por essa pedra não diminuirá a curto ou médio prazo.

Cientistas descobrem ouro crescendo em árvores no deserto australiano

Cientistas descobrem ouro crescendo em árvores no deserto australiano

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Todo mundo já deve ter ouvido dos pais que dinheiro não nasce em árvore, mas vai ficar meio difícil dizer isso daqui para frente. Pesquisadores na Austrália descobriram ouro –sim, ouro de verdade!– em eucaliptos no Outback, nome pelo qual é conhecido o deserto australiano.
Uma equipe de improváveis garimpeiros recentemente se aventurou pelas terras áridas da região de Goldfields-Esperance, na Austrália Ocidental, procurando descobrir mais sobre o que estava por baixo do solo. A área ganhou seu nome por ser rica em depósitos de ouro — que eram, entretanto, notavelmente difíceis de se encontrar. Então os pesquisadores resolveram procurar em um lugar bem inusitado: as árvores.
Os eucaliptos dessa região são conhecidos por sua resiliência e pelas raízes que chegam até as profundezas inimagináveis para alcançar as águas subterrâneas necessárias para sua sobrevivência. Acontece que os depósitos de ouro estão lá embaixo também.
Indo atrás de um rumor que vem de tempos longínquos, que diz que as folhas da árvores conseguem seu brilho dourado desses depósitos, os cientistas analisaram as folhas de eucalipto da área — e puderam se assegurar de que há traços de ouro. Aparentemente, as raízes cresceram até dez andares de profundidade sob o solo e absorveram partículas de ouro das proximidades dos depósitos. Para se certificar que as partículas vieram do solo onde estavam as raízes, os pesquisadores cultivaram árvores de eucalipto numa estufa, usando solo preparado com ouro. E, mais uma vez, eles encontraram ouro nas folhas.
A concepção de que as plantas absorvem minerais do solo que as cerca é muito recente, mas este é um caso extraordinário. “O ouro provavelmente é tóxico para as plantas e é levado para as suas extremidades (como as folhas) ou em zonas preferenciais dentro de células, a fim de reduzir reações bioquímicas prejudiciais’, diz um estudo recente sobre a pesquisa, publicado na Nature Communications. Os autores também apontam que esta é a primeira evidência de partículas de ouro em amostras naturais de tecido biológico vivo.” E isso é importantíssimo.
Mas não pense que você pode ficar rico derrubando eucaliptos. Cada árvore tem uma quantidade tão pequena de ouro –46 partes por bilhão, para ser exato– que você precisaria de centenas para conseguir fazer uma aliança de casamento. Mas as árvores poderiam ser usadas para indicar a localização dos depósitos subterrâneos de ouro. E como acredita-se aproximadamente 30% das reservas do mundo estão enterradas na região de Goldfields-Esperance, a busca pode valer a pena. [Nature via Real Clear Science]

Os diversos e incríveis usos para o ouro elástico

Os diversos e incríveis usos para o ouro elástico

Ouro elástico.
Você já pensou nas possibilidades que eletrônicos dobráveis e esticáveis podem criar? São fascinante: de um circuito conectado ao seu cérebro, a um marcapasso que gruda no coração- uma mistura de ficção científica aplicada à medicina.
Só há um problema: eletrônicos maleáveis são notoriamente impossíveis de serem feitos. Ou pelo menos eram até agora.
Uma equipe de engenheiros da Universidade de Michigan estão, no momento, aperfeiçoando uma invenção modesta, porém incrível: um condutor de ouro elástico. Feito de nanopartículas de ouro e poliuterano elástico, o material se parece com uma lâmina a olhos destreinados. Mas depois de vê-lo esticado a até quatro vezes o seu tamanho normal, fica óbvio que este conector tem algo mais.
Como Nicholas Kotov, um dos engenheiros químicos que criaram o material, explicou à Wired: “Ele parece ouro elástico… mas nós podemos esticá-lo como se fosse uma borracha.”
Este é um feito e tanto. O problema em desenvolver condutores elásticos é que essas duas características, nas palavras da equipe de Michigan, são “propriedades fundamentalmente difíceis de combinar.” Esticar um material condutor o torna menos condutor, e materiais esticados tendem a não ser muito condutivos por natureza. Isso porque na medida em que um material estica, as moléculas se reorganizam, e os elétrons são afastados mais e mais.
No passado, a melhor maneira de criar eletrônicos que esticam era dobrar ou enrolar fios condutores de modo que, quando eles fossem esticados, os circuitos apenas se desenrolassem. Com o novo método, entretanto, o material pode ser esticado a até quatro vezes o seu tamanho natural, e ainda assim manter suas propriedades condutoras.
Agora que nós temos este incrível novo material, vem à mente uma quantidade enorme de usos maravilhosos, principalmente no campo da tecnologia medicinal. O ouro esticável poderia ser aplicado diretamente na superfície do cérebro, para ajudar pessoas que sofram de certas lesões e doenças: quando conectado a uma fonte de energia, o material poderia dar pequenas descargas de eletricidade a áreas específicas. Na verdade, Kotov e sua equipe já estão pensando em fazer experimentos nos cérebros de ratos como o próximo passo da pesquisa.
A lâmina de ouro poderia, também, ser implantada diretamente no coração, onde agiria com um marcapasso esticável e de baixo impacto, ou até regular o funcionamento do órgão. Ela também poderia ser incorporada a um sistema de cateter, que seria inserido dentro de uma artéria próxima do coração para transmitir informações sobre ele a um dispositivo externo. Ela poderia até ser aplicada à pele, para monitorar variáveis como o ritmo cardíaco, a oxigenação do sangue, respiração, transpiração e outras informações.
Se tudo isso lhe parece muito futurista, é porque é mesmo. Isto também mostra como pequenas descobertas na engenharia podem levar a grandes avanços no mundo real, especialmente na medicina. Claro, considerando que o condutor esticável é feito de ouro, esses avanços não serão baratos. [Nature via Wired. Imagem: Michigan Engineering]

Todo o ouro da Terra veio de enormes explosões espaciais

Todo o ouro da Terra veio de enormes explosões espaciais

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Astrônomos sempre tiveram a impressão de que elementos pesados – ouro, platina, chumbo, urânio, entre outros – vieram de explosões de supernova. Mas agora cientistas anunciaram uma nova teoria para esses elementos, envolvendo duas estrelas ultra-densas de nêutrons e uma colisão espetacularmente violenta.

Nós somos todos feitos de estrelas

Essencialmente, todos estamos aqui porque, em algum lugar no espaço, uma estrela explodiu. No interior das estrelas, a alta pressão e calor aquecem elementos como átomos de carbono e oxigênio (as coisas das quais somos feitos). Então, quando chegou o inevitável momento daquela estrela morrer, a explosão lançou os ingredientes da vida que conhecemos.
Esta explicação, no entanto, não se aplica a elementos mais densos. Enquanto a maioria dos elementos leves surgem de uma receita simples, os mais pesados como ouro exigem 79 prótons, 79 elétrons e 118 nêutrons – um monte de coisa. Por isso era necessário que essas estrelas densas em nêutrons nos dessem mais suprimentos de átomos, para podermos ter o belo, pesado e brilhante ouro.

O que é uma estrela de nêutron?

Quando uma estrela massiva entre em supernova tipo II, tipo Ib e Ic – em outras palavras, quando seu núcleo é esmagado pela força da sua própria gravidade – duas coisas podem acontecer. Ela pode ou se tornar um buraco negro, ou emergir do seu casulo como uma estrela de nêutrons. Para gerar a última, você precisa começar com uma estrela com um tamanho entre 4 e 8 vezes maior que o do Sol. Assim que ela queimar combustível nuclear o suficiente, a ponto do seu núcleo não conseguir mais se suportar, a gravidade enfim vence e engole o núcleo com força o suficiente para fazer prótons e elétrons se combinarem. Isso cria nêutrons. Por isso, como você já deve ter percebido, ela ganhou o nome de estrela de nêutrons.
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Para ter ideia de quão densa é uma estrela de nêutrons, uma colher de chá com seus componentes provavelmente pesaria 10 bilhões de toneladas (claro, isso se você conseguisse extrair uma colher de chá de gosma de neutrônio, mas você perderia toda aquela força gravitacional que prende tudo, e tudo explodiria imediatamente em uma gigante massa de nêutrons, mais ou menos do tamanho de um planeta que então seria quebrado em partes individuais de prótons e elétrons. Para ser franco, caro leitor, você morreria.)

Quando duas estrelas de nêutrons se amam demais…

Então, sob a maioria das circunstâncias, essas estrelas mortas e insanamente densas vão flutuar pelo universo sem causar problemas para ninguém. Mas em um sistema binário de estrelas, as duas estão destinadas a se colidirem. E foi isso o que o telescópio espacial Swift da NASA observou no dia 3 de junho.
Após observarem um flash de luz chamado “erupção de raios gama” (GRB na sigla em inglês) na distante constelação de Leão, astrônomos conseguiram rapidamente deduzir (com a ajuda de alguns modelos teóricos) que era o brilho radioativo de uma massa gigantesca de metais pesados, criados após uma colisão entre estrelas de neurônio. Anteriormente, cientistas só conseguiram teorizar que os GRBs eram resultados da colisão de estrelas de nêutrons, mas agora temos provas.
Edo Berger, o astrônomo que conduziu a pesquisa no Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, descreve o processo:
Quando elas fazem contato, muitas coisas excitantes ocorrem rapidamente. Boa parte do material entra em colapso e forma um buraco negro. Parte dele então é sugado pelo buraco negro. Esse é o evento que causa a erupção de raio gama. Uma parte desse material é espalhada pelo espaço. O material, que veio das estrelas de nêutrons, é rico em nêutron e, como resultado, bastante eficiente na formação de elementos pesados, incluindo o ouro.
E considerando quantas partículas essas estrelas de nêutrons juntaram, faz sentido que duas delas sejam capaz de criar um pouco de ouro – o suficiente parar igualar cerca de 20 vezes a massa da Terra, para ser mais específico. O que é o suficiente para encher cerca de 100 trilhões de petroleiros. Mas ei, não é todo mundo que gosta de ouro. Estrelas de nêutrons também produzem cerca de oito vezes essa quantidade de platina.
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Impressão de um artista da colisão de estrelas de nêutrons via NASA
Mas, por mais que pareça muita coisa em quantidade, isto não é bem ouro como você o imagina. O que você recebe de uma colisão de nêutrons é ouro atomizado. Ele precisa encontrar uma nuvem de partículas para ser unido pela gravidade de um planeta. Então, quando as partículas de ouro se reúnem e o planeta aplica a pressão geológica, elas vão ser unidas e, cerca de 1 bilhão de anos depois, se tornam algo que você pode ver a olho nu.
Considerando essa nova teoria, é bem provável que o belo ouro do nosso planeta tenha sido originado de uma força destrutiva violenta. O que é bem legal. Então amigos, quando você sair de casa hoje, abrace bem forte seu ouro e agradeça-o por estar aqui – ele teve uma viagem muito dura.

Arqueólogos ficam surpresos ao descobrir 2.000 pequenas espirais de ouro

Arqueólogos ficam surpresos ao descobrir 2.000 pequenas espirais de ouro

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Achar ouro na cidade de Boeslunde, na Dinamarca, não é nenhuma surpresa: ela é conhecida como uma área onde é regularmente encontrado ouro da Idade do Bronze. Mas uma recente descoberta tem surpreendido arqueólogos: duas mil pequenas espirais – um “enigma dourado“.
Boeslunde fica na Zelândia, a maior ilha entre a Dinamarca continental e a ponta da Suécia. Ela é um foco para a arqueologia dinamarquesa desde que o lugar serviu como centro de conexão há milhares de anos — acumulando recentes descobertas tão diversas quanto joias viking de mais de 1.000 anos e uma fortaleza de verdade, para citar só coisas que foram encontradas no ano passado.
As espirais foram encontradas em um “lugar sagrado especial da Idade do Bronze, onde pessoas realizavam rituais e ofereciam ouro a forças maiores”, de acordo com Flemming Kaul, curador do Museu Nacional da Dinamarca. A constante descoberta de ouro na área tem estimulado novas escavações — incluindo uma liderada em conjunto pelo Museu Nacional e pelo Vestsjælland, um museu local, que encontrou as espirais.
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Então, o que exatamente eles encontraram? Milhares de fios de ouro apertados, cada um com cerca de 2,5 cm de comprimento, que somados dão cerca de 200g de ouro sólido. Eles foram encontrados enterrados dentro de uma caixa de madeira.
O mais surpreendente, entretanto, é que ninguém sabe dizer exatamente qual a função destes pequenos cabos —no comunicado sobre a descoberta, que parece datar de 900 a.C., o museu chama os fios de ouro de “um pequeno mistério”.
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Mas os pesquisadores têm algumas teorias: Kaul acredita que eles eram usados para fins decorativos, representando o poder do Sol nas roupas de um padre ou rei.
“O Sol era um dos mais sagrados símbolos da Idade do Bronze e o ouro possuía uma magia especial”, ele escreve. “Talvez o padre-rei usasse um anel de ouro no pulso, e as espirais de ouro em seu manto e chapéu, e elas brilhariam como o sol durante as cerimônias”. Enterrados com tanto cuidado como foram, as espirais talvez simbolizassem algum tipo de sacrifício.
Quem é que não ama um bom mistério envolvendo grandes quantidades de ouro enterradas sabe-se lá por qual motivo há milhares de anos? A descoberta tem causado grande interesse público. Tanto que hoje, o museu local de Skaelskor fará um evento de duas horas para apreciação das peças, além de uma discussão da descoberta com um curador. Enquanto isso, a busca por mais espirais — e o seu uso — continuam no campo de ouro. [National Museum of Denmark via BBC]