sábado, 23 de janeiro de 2016

A pequena cidade de Pauna, na Colômbia, está vivendo uma verdadeira "febre das esmeraldas"

A pequena cidade de Pauna, na Colômbia, está vivendo uma verdadeira "febre das esmeraldas"


Esmeralda (Foto Parent Gery - Wikicommons)
Colômbia é uma das maiores produtoras de esmeralda
A pequena cidade de Pauna, na Colômbia, está vivendo uma verdadeira "febre das esmeraldas" desde sexta-feira, quando operários que trabalhavam na construção de uma estrada descobriram pedras preciosas nas suas proximidades.
As esmeraldas foram achadas por três trabalhadores na região conhecida como Nariz do Diabo.
De acordo com o prefeito de Pauna, Omar Casallas, citado pelo jornal colombiano El Tiempo, os três estavam cavando o solo para construir a fundação de um muro inclinado que protegeria a estrada quando fizeram a descoberta.
"Um deles estava perfurando a rocha com um martelo hidráulico e viu uma pedra verde brilhante", escreveu o jornal.
A notícia se espalhou não só por Pauna, mas também pelos povoados vizinhos de Maripí, Quípama e Muzo.
Logo, centenas de pessoas correram para as imediações do Nariz do Diabo com o objetivo de procurar mais esmeraldas.
Para evitar caos, a polícia teve de bloquear a estrada e a encosta íngreme perto da qual as pedras foram encontradas.
Segundo Casallas, uma das esmeraldas foi adquirida por 4 milhões de pesos colombianos (cerca de R$ 4,4 mil) e seria enviada aos EUA.
Outra, um pouco menor, seria usada para pagar estudos que identificarão a pureza das pedras da região.

Mercado

A Colômbia é um dos maiores produtores de esmeralda do mundo, juntamente com países como a Zâmbia e o Brasil. E Boyacá é uma das principais regiões produtoras do país.
Em pelo menos duas ocasiões, uma nos anos 60 e outra nos anos 80, disputas entre famílias e grupos produtores por minas e territórios ricos em esmeralda desataram conflitos que deixaram centenas de mortos no país - as chamadas "guerras verdes".
A Colômbia exporta hoje US$ 64 milhões (R$ 129 milhões) em esmeraldas, segundo a Fedesmeraldas, que representa produtores do setor. A associação diz, porém, que ainda há margem para aumentar a produção se mais investimentos forem feitos.

Família italiana descobre tesouro arqueológico durante reforma de banheiro

Família italiana descobre tesouro arqueológico durante reforma de banheiro


 
Faggiano encontrou essas peças durante uma reforma no banheiro de sua casa e montou nela um museu
"Em Lecce, aqui no sul da Itália, em qualquer lugar que você escava, pode encontrar um pedaço de história."
A frase é de Andrea Faggiano, um dos proprietários do museu Faggiano, que reúne descobertas arqueológicas encontradas por sua família durante os últimos dez anos. Ele a repetiu várias vezes durante a entrevista à BBC.
As descobertas da família não foram resultado de profundos estudos acadêmicos. Pelo contrário, elas aconteceram da maneira mais comum e improvável possível: na reforma de um banheiro.
Os donos se viram obrigados a virar encanadores e começaram a quebrar pisos e azulejos na propriedade, localizada no centro histórico de Lecce.
Sob os azulejos, eles se depararam com muito mais do que canos quebrados: uma coleção de vasos e pinturas que datam da época pré-Romana da cidade.
"Nos últimos anos, retiramos mais de 5 mil peças de cerâmica que pertencem a várias épocas históricas. E tudo isso foi tirado por mim, meu pai, Luciano, e meus irmãos, com nossas próprias mãos", contou Faggiano.
E tudo começou quando os antigos inquilinos da propriedade, onde agora funciona o museu, começaram a reclamar da umidade da casa.

Trattoria

"Meu pai era dono de um restaurante e tinha uma casa alugada. Mas depois viver ali por 20 anos, as pessoas que alugavam nos disseram que a casa tinha muitos problemas de umidade e decidiram sair", disse Faggiano.
Era o ano de 2000. Com o lugar vazio, Luciano pensou que a melhor maneira de aproveitá-lo seria adaptar o espaço e transformá-lo em uma trattoria, um típico restaurante italiano.
Luciano sabia que era fundamental que o banheiro funcionasse de forma adequada e para isso teria de resolver um problema com os canos que estavam atrás das paredes do primeiro andar.
Mas não poderia fazer isso sozinho, e então pediu ajuda da mão de obra mais barata que tinha a seu alcance: seus três filhos.
"Assim que começamos a quebrar as paredes daquela casa, nos demos conta que havia algo estranho e pronto, deixamos de nos preocupar com os canos para começar a escavar e encontrar mais coisas", contou.
 
Nas escavações, a família encontrou peças a até 15 metros de profundidade
O que eles ainda não sabiam é que a casa tinha sido construída sobre vestígios deixados ali pelos messápios, habitantes daquela região italiana cerca de 500 anos antes de os romanos chegarem a Lecce.
Era um conjunto de lugares que incluíam ossários, esconderijos, tanques, quartos e despensas, tudo decorado com desenhos que foram feitos há 2.500 anos.
"Foi aqui que nosso pai nos disse, enquanto nós descíamos a fossa de 15 metros de profundidade com cordas, que não era para dizer nada à nossa mãe, para ela não ficar nervosa", conta Luciano.
Mas pela roupa suja dos filhos, que na época eram adolescentes, ela não demorou até perceber o que estava acontecendo – primeiro a mãe, depois alguns vizinhos.

Prefeitura

Até que a fofoca de que "estavam tirando relíquias históricas dos encanamentos de uma casa" chegou aos ouvidos da prefeitura de Lecce.
"Isso foi em 2001 e sabíamos que era algo importante, mas a prefeitura decidiu fechar a escavação até encontrar alguém capacitado para fazer isso", relatou Andrea Faggiano.
 
Foram encontradas mais de 5 mil peças de diferentes períodos históricos
Um ano havia se passado, no entanto, e o local continuava fechado. Luciano, o pai da família, preocupado com o fato de não estar ganhando nada com a propriedade, decidiu fazer uma proposta ousada à prefeitura: a própria família continuaria a escavação.
"Eles aceitaram, claro, e houve controle de vários arqueólogos. Ficamos mais de seis anos dedicados a isso, desenterrando objetos daquele lugar todos os dias."

Museu

Em vez de abrir a trattoria, Luciano pensou que, com todos aqueles registros históricos, a melhor ideia era abrir um museu.
Em 2008, enquanto continuavam com os estudos sobre as peças encontradas, eles inauguraram o Museu Faggiano.
Giovanni Giangreco, um dos seus funcionários encarregados da supervisão dos processos, disse ao jornal americano New York Times que a casa trtaz bem mais atrativos do que meros objetos de culturas primitivas.
"A casa Faggiano tem coisas que representam quase todos os períodos históricos da cidade, desde os messápios até os romanos, passando pelos medievais e bizantinos", ressaltou.
E no ano passado, a família Faggiano conseguiu que completar os processos de análise arqueológica das peças e agora espera que o museu se torne um dos mais populares de Lecce.
"Para mim, é como uma herança que fazemos com nossas próprias mãos. Algo que vai ficar para sempre e que nos custou muito esforço. E sim, isso começou quando estávamos no banheiro", concluiu Andrea.

Estudantes de primário desenterram presilha de 4 mil anos

Estudantes de primário desenterram presilha de 4 mil anos


 
Alunos da escola primária de Alston participavam de um projeto de arqueologia
Um grupo de alunos da escola primária Alston, no norte da Grã-Bretanha, desenterrou uma presilha dourada de aproximadamente 4 mil anos.
O grupo participava de um projeto de arqueologia fazendo escavações na cidade de Kirkhaugh, quando encontrou um objeto brilhante.
Uma das crianças, Joseph Bell, de 7 anos, afirmou que começou a "dançar de alegria" quando viu o ouro.
O ornamento, datado de cerca de 2.300 a.C. foi encontrado em uma tumba, ao lado de três pontas de flechas e um botão negro.
A peça mede 3,3 cm e foi manufaturada na Idade do Bronze. Acredita-se que tenha pertencido a um ferreiro que teria viajado para a Grã-Bretanha em busca de ouro e cobre.
"Quando vi o objeto, fiquei feliz, mas pensei que fosse plástico. Quando descobrimos que era ouro, fiquei muito feliz", afirmou Luca Alderson, de 8 anos.
Acredita-se que a presilha forme par com outro ornamento encontrado na região de Kirkhaugh em uma escavação de 1935.
 
A presilha mede apenas 3,3 cm e é de ouro; brilho chamou a atenção das crianças
 
Além da presilha dourada, foram desenterradas também três pontas de flecha
"Qualquer sítio arqueológico é importante de alguma maneira, mas este é excepcional", afirmou Paul Frodsham, coordenador do projeto North Pennines AONB com os alunos de escola.
"Essa área pode ser vista como o início da exploração mineral nesta área, que acabou atraindo para cá a exploração romana de chumbo e prata, e mais tarde, no período pós-medieval, a enorme indústria de chumbo que fez da região famosa internacionalmente."
A expectativa agora é de que o adereço dourado seja levado para um museu em Newcastle, onde deverá ser exposto ao lado da presilha encontrada em 1935.

Exploradores afirmam ter encontrado tesouro pirata em naufrágio

Exploradores afirmam ter encontrado tesouro pirata em naufrágio

 
Barra de prata de 50kg foi achada em naufrágio nas águas de Madagascar
Mergulhadores dizem ter encontrado nas águas de Madagascar, na África, o suposto tesouro de um famoso pirata escocês, William Kidd.
A barra de 50kg de prata foi trazida para a superfície e recebida pelo presidente de Madagascar e diplomatas do Reino Unido e dos Estados Unidos.
Agora, ela está sob a custódia de soldados na ilha de Sainte Marie.

O repórter da BBC Martin Volgt acompanhou a cerimônia e relata que a descoberta gerou grande entusiasmo em Madagascar.
"A equipe do explorador Barry Clifford não tem dúvidas de que o tesouro é genuíno", diz Volgt.
 
Clifford liderou a equipe de mergulhadores que encontrou o suposto tesouro
n Soldados protegem a barra em cerimônia na qual participou o presidente de Madagascar
 
Barra de prata teria sido forjada no século 17 na Bolívia
Clifford e seus mergulhadores acreditam que a barra de prata data do século 17 e foi forjada na Bolívia. Já o navio onde ela se encontrava teria sido fabricado na Inglaterra.

No entanto, afirma Volgt, ainda existe um ceticismo em torno da legitimidade do tesouro e provavelmente haverá pedidos para que isto seja provado.
Uma alternativa seria retirar amostras da madeira do navio para checar se de fato ele veio da Inglaterra.

Tecidos, ouro e prata

 
O escocês William Kidd foi condenado à morte por pirataria no século 18
O Capitão Kidd foi executado em 1701 por pirataria depois de retornar de uma viagem pelo oceano Índico.
Ele havia sido designado pela Coroa britânica para combater a pirataria e capturar navios franceses inimigos.
Em 1698, Kidd saqueou um navio armênio, o Quedagh Merchante, que aparentemente navegava sob a proteção da França.

Mas o capitão da embarcação era um inglês, e Kidd foi executado em Londres em 1701.
O Quedagh Merchant carregava tecidos, ouro e prata quando foi atacado.
Acredita-se que grande parte de sua carga pertencia à Companhia Britânica das Índias Orientais.
 
Pirata só morreu por enforcamento depois de três tentativas
Além da acusação de pirataria, o capitão Kidd foi sentenciado à morte por assassinar um dos seus tripulantes durante uma briga em 1697.
Durante sua execução, a primeira corda colocada em seu pescoço arrebentou. Houve ainda uma segunda tentativa, quando a corda arrebentou novamente.

Kidd só morreu na terceira tentativa. Seu corpo foi coberto por piche e pendurado por correntes sobre o rio Tâmisa para servir de alerta para os interessados em entrar na pirataria.
A lenda dá conta que Kidd escondeu boa parte de seus saques, o que levou a inúmeras caças ao tesouro e inspirou o autor Robert Louis Stevenson a escrever A Ilha do Tesouro (1883), um dos clássicos da literatura infanto-juvenil.

"Vulcão" de 65 mil km pode ajudar a entender como a Terra funciona

"Vulcão" de 65 mil km pode ajudar a entender como a Terra funciona



  • Center for Marine Environmental Research/University of Bremen, Germany via The New York Times
    Parte da estrutura vulcânica no fundo do oceano conhecida como "dorsal oceânica"
    Parte da estrutura vulcânica no fundo do oceano conhecida como "dorsal oceânica"
Imagine um vulcão. Agora imagine que sua principal cratera seja uma linha longa sobre a terra. Agora, imagine que essa linha é tão longa que ela se estende por mais de 65 mil quilômetros nos recônditos obscuros de todos os oceanos do planeta, como as costuras de uma bola de futebol.
Seja bem-vindo a uma das características mais obscuras e importantes da Terra, conhecida pelo nome prosaico de "dorsal oceânica". Ainda que seja longa o bastante para dar seis voltas em torno da Lua, a dorsal recebe pouca atenção, já que fica escondida nas profundezas escuras da Terra. Os oceanógrafos perceberam sua natureza vulcânica em 1973. Desde então, expedições caríssimas começaram lentamente a explorar esse mundo subaquático, que geralmente fica a mais de 1,5 quilômetro abaixo da superfície do mar.
Os resultados podem fazer as visões de Júlio Verne parecerem comedidas.
A dorsal conta com longas fossas tectônicas e, bem no centro delas, campos gigantes com fontes de água quente que lançam milhões de toneladas de minerais na água fria do oceano, construindo lentamente morros e torres estranhas que podem ser ricas em metais como ouro e prata. Uma torre no Oceano Pacífico, apelidada de Godzilla, chegou a mais de 15 andares de altura. Uma infinidade de vermes marinhos e outras criaturas bizarras cobrem de vida as fontes vulcânicas, dividindo o espaço com predadores famintos como os caranguejos-aranha.
Essa vida intensa coexiste com fontes termais quentes o bastante para derreter chumbo e as janelas de plástico dos minissubmarinos. Com muito cuidado, humanos e robôs puderam medir temperaturas que chegam a 415 graus.
Até o momento, esses estudos foram espaçados. As expedições à dorsal oceânica acontecem com dificuldade, com cronogramas definidos pelo clima instável e as verbas limitadas, sem falar na dificuldade de conseguir equipes e equipamentos especializados.
Porém agora, os cientistas criaram uma nova iniciativa de pesquisa. Na Costa Oeste dos EUA, foram instaladas centenas de sensores e câmeras em um trecho especialmente ativo da dorsal, contando com cabos que trazem as informações para a superfície. O observatório oceânico vai operar esses equipamentos por pelo menos um quarto de século, substituindo novidades esporádicas pela pesquisa constante.
Este mês, esses dados finalmente estão chegando à internet. Centenas de cientistas do mundo todo serão capazes de monitorar uma das características mais inquietas e enigmáticas da Terra com a facilidade de quem lê um e-mail.
"Estamos vendo isso ganhar vida", afirmou Maya Tolstoy, geofísica marinha do Observatório Terrestre Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia. Recentemente ela recebeu dados que incluíam o de uma erupção. "É animador. Estamos apenas começando a compreender o que está acontecendo."
John R. Delaney, oceanógrafo da Universidade de Washington, que criou o observatório há algumas décadas, afirmou que isso iria ajudar os cientistas a entenderem melhor não apenas as fendas vulcânicas, mas também a água em seu redor, que cobre a maior parte do planeta.
"De repente, uma porta tecnológica foi aberta para estudar os oceanos de dentro para fora", afirmou. Essa nova perspectiva, acrescentou, "é a única que vai permitir a compreensão de sua verdadeira complexidade, das centenas de processos".
Uma das principais questões é como o vulcanismo muda ao longo do tempo. A antiga noção era a de que as erupções de lava líquida se mantinham mais ou menos estáveis ao longo do tempo. Agora, as pesquisas indicam a existência de picos grandes o bastante para influenciar não apenas o caráter oceânico global, como também a temperatura do planeta.
Os especialistas acreditam que a atividade possa ter maiores repercussões porque a dorsal oceânica é responsável por 70 por cento de todas as erupções vulcânicas da Terra. Em princípio, isso a transforma em uma enorme fonte de calor e minerais exóticos, além de gases comuns, como o CO2, liberados por qualquer tipo de vulcão.
"É uma nova perspectiva sobre como a Terra funciona. Nossos olhos e ouvidos estão em uma parte do leito oceânico que é realmente dinâmica", afirmou Daniel J. Fornari, cientista sênior no Instituto Oceanográfico Woods Hole, em Cape Cod, Massachusetts.
A fonte de toda essa atividade é a lenta movimentação do interior derretido da Terra, que troca constantemente a posição das mais de vinte grandes placas tectônicas da Terra. As fendas vulcânicas marcam os locais onde as placas oceânicas se separam, formando uma rota de escape para os gases e as rochas derretidas.
Os primeiros sinais de atividade vulcânica apareceram em 1973, quando minissubmarinos mergulharam na Fenda Meso-Atlântica. Ela se estende por mais de 16.000 quilômetros, o que a transforma na maior cadeia de montanhas do planeta. A equipe franco-americana que trabalhava na região acreditava que iria encontrar reentrâncias e fissuras rochosas típicas de regiões onde as placas tectônicas se separam, conhecidas como limites divergentes. Ao invés disso, encontraram leitos de rocha ígnea.
A empolgação aumentou em 1977 quando um submersível americano mergulhou em uma fissura profunda próxima às Ilhas Galápagos. Através do hidrofone, já no leito do oceano, um cientista confuso disse à nave mãe que além da atividade vulcânica, o lugar estava cheio de vida, ao contrário do retrato desolado encontrado na maioria dos lugares das profundezas oceânicas.
"Está cheio de animais aqui em baixo", afirmou o pesquisador. Essa fauna inesperada incluía camarões vermelhos, peixes rosados com caudas onduladas e incontáveis vermes oceânicos cobertos de plumagens vermelhas.
Nos anos 80, os cientistas revelaram que as fontes termais liberavam fluxos constantes de água quente. O zooplâncton -- nuvens de minúsculas criaturas marinhas -- se reproduzem nas regiões quentes e ricas em minerais no entorno das fontes. A leitura dos chamados de baleias sugeria que os mamíferos gigantes se alimentam dessas nuvens densas.
No ano passado, uma descoberta mais básica veio à luz. Uma equipe de 11 cientistas revelou que as fontes de água fervente também funcionam como centros de reciclagem global que converte cadeias complexas de carbono criadas pelos restos mortais de gerações de plantas e animais marinhos em substâncias químicas muito mais simples e capazes de formar novos organismos.
"Elas ajudam a criar materiais biologicamente reativos. Formam a corrente sanguínea do fundo do mar", afirmou Jeffrey A. Hawkes, químico marinho na Universidade de Oldenburg, na Alemanha, e líder da pesquisa.
A partir dos anos 90, os oceanógrafos começaram a ver o que o monitoramento constante tinha a oferecer quando a Marinha dos EUA compartilhou com eles uma rede anteriormente secreta de microfones instalados no fundo do mar, usados durante a Guerra Fria para acompanhar a movimentação dos submarinos inimigos. De repente, os cientistas marinhos passaram a poder ouvir as erupções vulcânicas e estudar suas consequências.
Recentemente, Maya Tolstoy, da Universidade de Columbia, utilizou esses dados acústicos de nove erupções no leito oceânico ao longo de quase duas décadas para traçar um retrato cheio de surpresas. Revelou-se que todas essas erupções, ocorridas nos oceanos Pacífico, Atlântico e Ártico, ocorreram entre janeiro e julho.
A causa, segundo ela, é a órbita levemente elíptica da terra ao redor do Sol. Isso muda a força da atração gravitacional do Sol durante o ano e, como resultado, a magnitude das marés que espremem o planeta. Ela afirmou que as erupções coincidem com o momento de maior pressão exercida pela gravidade. Além disso, Maya também sugeriu que esses mecanismos podem ajudar a explicar porque as eras do gelo acabaram tão repentinamente no planeta -- um mistério que por muito tempo ficou sem resposta.
Os níveis oceânicos caem de forma extrema nesses períodos de frio, uma vez que a água está presa em gigantescas calotas de gelo. Em um artigo, ela sugere que uma vez que a dorsal oceânica fique sem a pressão da água, as erupções se tornam mais frequentes. Como resultado, mais dióxido de carbono é lançado no oceano e, eventualmente, também na atmosfera, aquecendo o planeta como consequência.
Em resumo, de acordo com essa hipótese, as calotas de gelo crescem a ponto de iniciar sua própria destruição, levando a água de volta aos oceanos. Foi essa ideia radical que gerou tanto debate.
Em uma entrevista, Maya afirmou que as evidências coletadas no leito marinho sugerem que a dorsal oceânica seja "especialmente sensível" às mudanças no estresse, tornando-as mais abertas à influência dos astros. Os cientistas afirmam que esses fatores podem um dia ajudar a entender como o clima da Terra varia tanto ao longo das eras, de forma a aperfeiçoar seus modelos e previsões.
Por meio da análise de centenas de características da dorsal, o observatório subaquático promete ajudar os cientistas a resolverem essas charadas.
Ele fica sobre a cordilheira de Juan de Fuca. O centro de atividade vulcânica -- com cerca de 500 quilômetros de extensão -- fica na Costa Oeste da América do Norte, indo da Columbia Britânica ao Oregon. O observatório é dividido em duas partes. O Canadá opera o trecho que fica mais ao norte, ao passo que os EUA operam o que fica mais ao sul, como parte de um programa conhecido como Iniciativa dos Observatórios Oceânicos.
Ao todo, o programa custa cerca de US$ 500 milhões -- muito menos que os telescópios óticos de última geração que estão sendo construídos em todo o planeta. A Fundação Nacional de Ciências, o principal financiador de ciências básicas do governo federal, pagou pela parte americana.
Juntas as duas partes contam com mais de 1.600 quilômetros de cabos, dezenas de caixas de junção e centenas de sensores.
Os instrumentos no leito do mar incluem metros de inclinação, câmeras, sismógrafos, medidores de temperatura, hidrofones, sondas químicas, sensores de pressão e coletores de amostras de fluidos. Além disso, plataformas se movem para cima e para baixo com a ajuda de longas amarras para realizar colunas de água. Os principais cabos do observatório chegam à superfície em Port Alberni, na Ilha de Vancouver, e em Pacific City, Oregon.
"Temos o observatório de cabos mais avançado em qualquer vulcão dos oceanos do mundo todo. Existem muitas descobertas pela frente", afirmou Deborah S. Kelley, cientista da Universidade de Washington que dirige o segmento norte-americano.
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Vulcões assustam e criam belas imagens

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 - O vulcão Sinabung expele lava e cinzas durante erupção, vista desde o vilarejo de Pancur, em Karo, no norte de Sumatra, na Indonésia. A imagem foi feita na hora da erupção.