quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Gema é uma substância geralmente natural e inorgânica que, por sua raridade, beleza e durabilidade

Gema é uma substância geralmente natural e inorgânica que, por sua raridade, beleza e durabilidade




Gema é uma substância geralmente natural e inorgânica que, por sua raridade, beleza e durabilidade, é usada para adorno pessoal. Na sua grande maioria são minerais, de modo que gema e pedra preciosa são quase sinônimos. Mas existem gemas importantes que têm outra origem, como a pérola e o marfim, que são substâncias orgânicas. Essas não podem ser chamadas de pedras preciosas, simplesmente porque não são pedras.
Existem dezenas de gemas e só o Brasil produz 90 tipos diferentes. Algumas são muito conhecidas e várias delas são citadas na Bíblia. Outras são conhecidas apenas por uma parcela restrita da população, seja por terem sido descobertas em tempos relativamente recentes, seja por não serem encontradas com facilidade no mercado.
Veremos a seguir algumas daquelas gemas bem tradicionais, famosas, conhecidas desde tempos muito remotos.

Ágata
A ágata é um tipo de calcedônia, que, por sua vez, é uma variedade de quartzo. Ela é muito usada em joias e na decoração de interiores há mais de 3 mil anos.
O que caracteriza a ágata são suas cores, distribuídas em faixas paralelas, retas e/ou curvas. Ela forma-se em cavidades de rochas vulcânicas, como basaltos, e costuma conter na sua porção central cristais de outros minerais (como calcita, siderita, goethita e zeólita) ou outras variedades do próprio quartzo (como cristal de rocha e ametista). A forma externa reflete a forma da cavidade da rocha em que a ágata se formou.
As cores mais comuns são vermelho, laranja, marrom, branco, cinza e cinza-azulado. Mas a ágata pode ser colorida artificialmente, processo que é usado desde o século XIX. O procedimento varia de acordo com a cor desejada e é aplicado depois de a gema ter sido lapidada. Pelo menos 90% das ágatas vendidas no mundo foram tingidas, mas das ágatas procedentes do Rio Grande do Sul só cerca de 40% recebem esse tratamento. Ágatas azuis, verdes, rosa ou roxas são produto de tingimento (mas na Austrália existe ágata azul). A cor preta pode ser natural ou não.
O maior produtor do mundo é o Brasil. O Rio Grande do Sul produz essa gema desde 1830 e dele provêm os mais belos exemplares conhecidos e o maior volume de produção. Extrai-se ágata também em Minas Gerais e na Bahia, bem como no Uruguai, cujas jazidas são um prolongamento das jazidas do Rio Grande do Sul. 
 Ágata branca e azul bruta
Ágata branca e azul bruta
 Ágata colorida lapidada
Ágata colorida lapidada


Água-Marinha
Á água-marinha é uma variedade do mineral chamado berilo e tem esse nome por sua cor azul ou esverdeada, em tons claros, semelhante à cor do mar. Seus cristais são prismáticos, de base hexagonal e chegam a atingir mais de 100 kg. É considerada a pedra preciosa mais típica do Brasil e aqui se encontrou a maior água-marinha conhecida. Ela foi encontrada em Marambaia (MG) e pesava 111 kg, medindo 45 cm de altura por 38 cm de largura. Outras águas-marinhas famosas são a lúcia, a marta rocha e a cachacinha, todas brasileiras. Esta última tinha 65 kg.
Minas Gerias produz as águas-marinhas mais valiosas do mundo, mas essa gema é produzida também no Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e Paraíba.
Não existe água-marinha sintética, mas muitas vezes se vende topázio natural e espinélio sintético azuis como se fossem água-marinha. Mais de 90% das gemas encontradas no comércio internacional devem sua cor azul ao aquecimento a que foram submetidos berilos amarelos ou verdes, e a cor obtida desse modo não pode ser distinguida do azul natural. Além disso, as gemas de cor fraca são aquecidas a 400-500°C para ficarem mais escuras.
As águas-marinhas mais valiosas são as azuis e quanto mais escuras, maior o valor. Os preços vão de US$ 1 a US$ 750 por quilate (um quilate = 200 mg) para gemas lapidadas de 0,50 a 50 quilates.
 Água marinha bruta
Água marinha bruta
 Água marinha lapidada
Água marinha lapidada


Âmbar
O âmbar é uma resina fóssil de cor geralmente amarela, podendo ser marrom-escuro, marrom-esverdeado, marrom-avermelhado ou branco. Não é, portanto, uma pedra preciosa, e sim uma gema orgânica. É de transparente a semitranslúcido e muito leve (densidade 1,08), podendo flutuar em água salgada. É muito usado como gema e em objetos ornamentais, podendo receber lapidação facetada ou simples polimento.
Pode conter muitas bolhas de ar e até mesmo insetos e restos vegetais. Quando atritado contra um pano de lã fica eletrizado e consegue atrair objetos leves, como pequenos pedaços de papel. 
Os principais produtores de âmbar são Alemanha e Rússia, vindo a seguir a Itália. No Brasil nunca foi encontrado. A maior peça conhecida dessa gema é o Âmbar Burma, que tem 15,250 kg e está no Museu de História Natural de Londres.
 Âmbar
Âmbar


Ametista
Gema muito apreciada por sua bela cor roxa, a ametista é uma variedade de quartzo transparente a semitransparente. É encontrada em cavidades de rochas vulcânicas e em pegmatitos, outro tipo de rocha ígnea. É muito usada como gema e em objetos ornamentais. Seus cristais podem atingir grandes dimensões, havendo, no Museu Britânico, um cristal com cerca de 250 kg.
Na coleção particular de Dom Pedro II, ex-imperador do Brasil, havia um cristal de 80 x 30 cm, ao que consta procedente do Rio Grande do Sul. Nesse estado descobriu-se um geodo (cavidade revestida internamente de cristais) medindo 10 x 5 x 3 m, com 35 toneladas. A cor da ametista que ficar muito tempo exposta ao Sol pode enfraquecer. Isso acontece no Brasil principalmente com as ametistas provenientes do Pará. A cor assim perdida pode ser recuperada com uso de raios X.
Aquecida a aproximadamente 475°C, a ametista pode transformar-se em citrino, um quartzo de cor amarela, laranja ou excepcionalmente vermelha. O Rio Grande do Sul produz muito citrino por esse processo. Convém lembrar, porém, que nem todo citrino é obtido a partir da ametista, existe citrino natural.
Algumas raras ametistas quando aquecidas ficam verde-amareladas e recebem o nome de brasilinita (não confundir com brasilianita, que é outra gema). O maior produtor mundial de ametista é o Brasil (Rio Grande do Sul, seguido da Bahia). Outros produtores são Rússia (Sibéria), Sri Lanka, Índia, Madagascar, Uruguai, EUA e México. 
O preço desta gema é relativamente baixo. Ametistas lapidadas de 0,5 a 1 quilate custam entre US$ 0,50 e US$ 20 por quilate, mesma faixa de preço do citrino. Ametistas sintéticas de ótima qualidade vêm sendo produzidas na Rússia e já são abundantes no mercado internacional. 
 Ametista bruta
Ametista bruta
 Ametista lapidada
Ametista lapidada


Diamante
O diamante é a gema mais cara que se pode encontrar no mercado e difere das demais em vários aspectos. É composto de carbono puro, como a grafita (ou grafite), mas é completamente diferente desse mineral - na cor, no brilho, na dureza, na densidade e no valor. É transparente, quase sempre incolor ou com cor clara. De todos os diamantes produzidos, 99,9% são incolores ou levemente amarelados. Salvo raras exceções, quanto mais escura é a cor de uma gema, mais valor ela tem. Mas o diamante não: quanto menos colorido ele for, maior é o valor (a não ser que tenha uma cor bem definida). O diamante pode ser amarelo, castanho, cinza, preto, leitoso, às vezes azul ou verde e raríssimas vezes vermelho.
 Diamante
Diamante
Tem um brilho intenso (chamado de brilho adamantino) e é a substância mais dura que se conhece. Na escala de mohs, que vai de 1 a 10, ele tem dureza 10, sendo 150 vezes mais duro que o rubi e a safira, que têm dureza 9. Por essa razão, para serrar ou polir um diamante é preciso usar o próprio diamante. Embora muito duro, isto é, difícil de ser riscado, é frágil, sendo fácil de quebrar. Em muitos locais, o diamante ocorre numa rocha chamada kimberlito (foto). Na África do Sul, os kimberlitos têm em média apenas 67 mg de diamante em cada tonelada de rocha, mas mesmo assim o aproveitamento é lucrativo. No Brasil, é encontrado em aluviões e eluviões, não sendo ainda conhecidos kimberlitos diamantíferos economicamente aproveitáveis. Pode aparecer também em arenitos e conglomerados.
Em 1983, descobriu-se, na Austrália, que também o lamproíto, outro tipo de rocha, pode conter diamantes. De todo o diamante produzido, apenas 1/3 é próprio para uso em joias, mas esse 1/3 corresponde a 80% do valor total da produção. O restante é usado como abrasivo e em instrumentos de corte e perfuração.
A maioria dos diamantes brutos comerciais tem de 0,3 a 1 quilate. A formação do diamante se dá a uma profundidade entre 150 e 200 km, sob temperaturas de 1.100 a 1.500ºC e pressão também muito alta. De lá, ele é trazido para cima por magma kimberlítico ou lamproítico, que é bem mais jovem que o diamante. Atualmente já se extraem diamantes do fundo do mar.
Embora muita gente chame o diamante de brilhante, está errado. Brilhante é um tipo de lapidação, não uma pedra preciosa. Como esse estilo de lapidação é o mais usado para o diamante, estabeleceu-se essa confusão. A lapidação de um diamante pode durar vários dias, enquanto a lapidação de outras gemas raramente excede alguns minutos.
A extração de diamantes começou provavelmente entre 800 a.C. e 600 a.C. na Índia, e até o século XVIII ele só era produzido no Oriente. Em 1730, foram descobertas as jazidas brasileiras e o nosso país tornou-se o maior produtor mundial. Em 1870, a liderança passou a ser da África do Sul. Em 2004, os maiores produtores, em volume, foram Rússia, Botswana e República Democrática do Congo. Levando em conta o valor da produção, os maiores produtores são Botswana, Rússia e África do Sul. O Brasil produz cerca de 1 milhão de quilates por ano, principalmente no Estado do Mato Grosso. Praticamente todos os estados, porém, possuem diamantes, como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paraná e Roraima.
Ele é a mais cara das gemas, ou uma das três mais valiosas, dependendo do critério considerado. O seu preço é determinado em grande parte pela natureza do mercado, em que uma só empresa, a De Beers Consolited Mines, controla 75% do mercado. Diamantes brutos podem ter preços entre US$ 0,40 e US$ 2.900 por quilate para pedras de até 5,60 quilates. Os lapidados vão de US$ 70 a US$ 62.795 por quilate para gemas de 0,005 a 5,99 quilates.
A produção sintética do diamante é feita desde 1954, mas só a partir de 1984 passou a haver produção de pedras com qualidade gemológica. As pedras sintéticas constituem 80% dos diamantes não gemológicos. As imitações de diamante de melhor qualidade são a moissanita sintética e a zircônia cúbica, mas há várias outras. Essa gema tem grande afinidade com gorduras e óleos, que podem ser removidos com uma mistura de água com amônia (ou detergente caseiro) em partes iguais.



Esmeralda
Assim como a água-marinha, a esmeralda é uma variedade de berilo, só que com cor verde, em tom escuro a médio. Se contém menos de 0,1% de óxido de cromo, é considerada apenas berilo verde, não esmeralda.
Forma cristais prismáticos de base hexagonal, como a água-marinha, mas não é transparente, porque apresenta incontáveis fraturas e fissuras, muitas delas preenchidas por impurezas. Apenas gemas muito pequenas mostram-se bem límpidas. É lapidada geralmente em um tipo facetado próprio, chamado de lapidação esmeralda, no qual a mesa (faceta maior) é retangular ou quadrada, com os cantos cortados.
As primeiras minas de esmeralda surgiram no Egito, mas já não há produção nesse país. Ela já era comercializada dois mil anos antes de Cristo, na Babilônia, mas foi rara até a época do Renascimento, quando se descobriram as jazidas sul-americanas. Hoje é produzida principalmente na Colômbia, Zâmbia, Zimbábue, Tanzânia, Madagascar e Brasil (Goiás, Bahia e Minas Gerais).
Entre as esmeraldas que se tornaram famosas estão a kakovin, a imperador jehangir e a devonshire. A esmeralda é uma das três gemas mais valiosas (as outras são o rubi e o diamante), em razão de sua cor, principalmente. As gemas de melhor qualidade, com 5 a 8 quilates, podem valer até US$ 5.600 por quilate. Gemas de mesmo peso com qualidade média variam de US$ 100 a US$ 580 por quilate. A esmeralda é sintetizada comercialmente desde 1940. Ao contrário do que acontece com outros minerais, toda a produção de pedras sintéticas destina-se à joalheria.
 Esmeralda bruta
Esmeralda bruta
 Esmeralda lapidada
Esmeralda lapidada


Granada
Granada não é o nome de uma pedra preciosa, mas de um grupo delas. Geralmente aparecem na natureza na forma de belos cristais granulares (daí seu nome), nas cores vermelha, amarela, marrom, preta e mais raramente verde ou incolor. São de transparentes a semitransparentes.
As granadas mais comuns chamam-se almandina, piropo, spessartina, grossulária, uvarovita e andradita (esta assim chamada em homenagem a José Bonifácio de Andrade e Silva, que foi, além de estadista, importante mineralogista). Para uso como gema, as mais importantes são piropo, almandina e demantoide. Para outros fins, a mais importante é a almandina. Quando não servem para uso em joias, as granadas são empregadas como abrasivos (em lixas, principalmente) e em relógios (como “rubis”).
Os principais produtores são República Checa, África do Sul (piropo), Rússia, Austrália, Sri Lanka, Áustria, Hungria, Alemanha, Índia, Madagascar e EUA. No Brasil, ocorrem em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Ceará, Rondônia e Rio Grande do Norte. A almandina e o piropo valem de US$ 0,50 a US$ 35 por quilate para gemas de 0,5 a 30 quilates. A rodolita tem faixa de preço semelhante: de US$ 0,50 a US$ 25.
 Granada bruta
Granada bruta
 Granada lapidada
Granada lapidada


Jade
 Jade lapidado
Jade lapidado
Jade é o nome usado para designar duas gemas diferentes, a jadeíta e anefrita. Ele tem sido usado como pedra preciosa desde a antiguidade, principalmente na China. Os astecas o empregavam na forma de amuleto e era mais apreciado que o ouro. Hoje é usado principalmente no Oriente.

O jade não possui transparência, sendo, por isso, lapidado em cabuchão ou na forma de pequenas esculturas. A jadeíta é o mais raro e o mais valioso dos dois tipos de jade. Tem (como a nefrita) cor variável: branco, violeta, marrom, vermelho-alaranjado ou amarelo, mas principalmente verde intenso (devido ao cromo), às vezes com manchas brancas. Varia de semitransparente a quase opaco, com brilho vítreo a sedoso. É produzido principalmente em Mianmar (ex-Birmânia). Outros produtores são: China, Tibete, Japão, Guatemala e EUA.
A nefrita é uma variedade do mineral chamado actinolita. É o mais comum e mais resistente dos dois tipos de jade. É fibrosa, de translúcida a opaca, de brilho vítreo. A mais importante é a nefrita verde-escura, conhecida como jade-chinês (ou jade-espinafre). É usada principalmente em objetos ornamentais e sua lapidação requer um aquecimento prévio, seguido de brusco resfriamento. Os principais produtores de nefrita são Rússia e China. Outros produtores são Canadá, Nova Zelândia, Zimbábue e EUA. No Brasil, é encontrada em Roraima e na Bahia.


Jaspe
Como a ágata, o ônix e a cornalina, o jaspe é um tipo de calcedônia, variedade de quartzo. É muito usado como pedra ornamental. É opaco a levemente translúcido, contendo frequentemente impurezas de óxido de ferro.
Mostra imensa variedade de cores, conforme as impurezas presentes: a hematita dá cor vermelha; argilas dão cores branca, cinza e amarela; goethita dá cor marrom-escura etc.
O melhor jaspe está na Índia e na Venezuela. Outros produtores são EUA (jaspe orbicular), França, Alemanha, Rússia (listras vermelhas e verdes), Chipre, Egito, Itália, Brasil e África do Sul. No Brasil existe jaspe em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. 
A variedade mais conhecida e apreciada é a vermelha, produzida no Brasil, África do Sul, Índia, Austrália e Madagascar. África do Sul, Austrália e México produzem o jaspe leopardo, comum no mercado brasileiro. O jaspe-paisagem, também encontrado no nosso comércio, provém da África do Sul e dos EUA (Arizona).




Lápis-Lazúli
O lápis-lazúli (e não "lápis-lázuli", como pronunciam alguns) é uma gema que, ao contrário da imensa maioria das demais, não é um mineral, e sim uma rocha. De fato, ele é uma rocha composta principalmente de lazurita e calcita, com hauynita, pirita, sodalita e outros minerais. A pirita forma pontos amarelos e é um bom meio de identificar o verdadeiro lápis-lazúli. Tem cor azul-escura e pode ser de opaco a semitranslúcido. É usado como gema e em objetos ornamentais.
O lápis-lazúli de melhor qualidade é o produzido no Afeganistão. Existe produção também no Chile, Irã, Rússia e EUA. A lazulita assemelha-se muito a ele, o mesmo acontecendo com a sodalita (mas esta não costuma ter pirita). O lápis-lazúli é sintetizado desde 1976 com muita perfeição, podendo ser extremamente difícil diferenciá-lo do natural. É considerado a pedra nacional do Chile, onde é extraído em Cerro Azul, no norte do país.
 Lápis-lazúli bruto
Lápis-lazúli bruto
Lápis-lazúli lapidado
Lápis-lazúli lapidado



Opala
A opala é uma gema que se destaca das demais pela enorme variedade de cores que pode exibir simultaneamente e pelas mudanças que essas cores sofrem quando a gema é movimentada (fenômeno chamado de jogo de cores). Varia de transparente (opala de fogo) a quase opaca. Ela tem composição semelhante à do quartzo (óxido de silício), mas contém também água (3% a 21%), ou seja, é uma sílica hidratada. Por isso, deve-se evitar que seja submetida a calor intenso, porque a perda de água pode levar a gema a se fraturar ou no mínimo perder a cor.
Possui inúmeras variedades, podendo-se dividi-las em dois grupos: as opalas comuns (sem jogo de cores e raramente usadas como gema) e as opalas preciosas (com jogo de cores e bem mais raras). Quanto à cor, as opalas podem ser brancas (cores claras) ou negras (com um fundo escuro); estas últimas são mais belas, mais raras e, portanto, mais valiosas. Entre as variedades gemológicas destacam-se a opala de fogo, a opala-arlequime a opala-musgo.
A opala ocorre em fendas e cavidades de rochas ígneas, como nódulos em calcários e em fontes termais. Pode formar-se também sobre outros minerais e mesmo vegetais, dentes e conchas fósseis, além de às vezes formar estalactites. Opalas com jogo de cores são mais raras que o diamante. O preço das variedades brancas varia de US$ 1 a US$ 120 por quilate em gemas de 1 a 15 quilates.
Há opalas sintéticas, mas não é muito difícil distingui-las das naturais. A única variedade que admite lapidação facetada é a opala de fogo. As demais são lapidadas sempre em cabuchão, sendo comum lapidar com a gema o material sobre o qual ela se formou. O principal produtor é a Austrália (mais de 90%), seguindo-se Índia, México, Nova Zelândia e EUA. No Brasil destacam-se as jazidas de Pedro II, no Piauí, existindo opala também na Bahia, no Ceará e no Rio Grande do Sul.
 Opala bruta
Opala bruta
 Opala lapidada
Opala lapidada


Pérola
A pérola é a mais importante e a mais usada das gemas orgânicas. É produzida por moluscos marinhos ou de água doce e constituída principalmente (92%) de aragonita, uma forma de carbonato de cálcio. Contém também conchiolina (6%) e água (2%). Esses constituintes depositam-se em camadas em torno de um núcleo, e é a camada de aragonita que dá à pérola brilho e iridescência.
São geralmente brancas e esféricas, mas podem ter formato irregular (pérola-barroca) e cor cinza-alaranjada, preta, avermelhada, prateada, amarelada, azulada ou esverdeada. Costumam medir de 1 a 30 mm; as pérolas encontradas no comércio têm em média 7 mm.
O brilho é tipicamente nacarado, podendo ter reflexos metálicos se for pérola de água doce. São fáceis de riscar (baixa dureza), mas muito resistentes a fraturas. O corpo estranho que desencadeia o processo de formação da pérola raramente é um grão de areia, ao contrário do que muitos pensam. Geralmente, é um verme que perfura a concha e atinge o corpo do molusco. 
 Uma pérola e a concha onde se formou
Uma pérola e a concha onde se formou


Cerca de 70% das pérolas são usadas em colares, mas as pérolas azuis nunca são perfuradas, pois isso altera sua cor. A principal imitação de péroilas é obtida com contas de vidro. Às vezes, usa-se coral rosado do Mediterrâneo. Pérolas falsas são fabricadas desde 1680. Entre as imitações mais conhecidas, encontram-se as chamadas pérola-girassol, pérola-indestrutível epérola-romana.
Ela é usada sempre no seu estado natural, sem passar por lapidação. A maior produção e a melhor qualidade encontram-se no Golfo Pérsico. Outros produtores são Sri Lanka, Austrália, Filipinas, Venezuela, Golfo do México, ilhas do Pacífico, Europa e China. O Japão lidera a produção de pérolas cultivadas, junto com a China; esses dois países respondem por 96% da produção mundial. No Brasil, não há produção de pérolas, mas elas parecem ocorrer na porção sul da Ilha de Marajó, no Pará.
As pérolas têm valor inferior ao das pedras preciosas. Quanto mais esférica, mais valiosa ela é e seu valor cresce na razão do quadrado do seu peso. Não existe pérola sintética. Apesar de provocada artificialmente, a pérola cultivada forma-se por um processo natural e o produto resultante não é sintético, muito menos artificial. Hoje praticamente não existe pérola natural no comércio, apenas pérolas cultivadas.
Uma pérola pode perder o brilho e sofrer escamação pelo contato excessivo com suor, laquê ou cosméticos. Recomendam-se que pessoas de pele clara usem pérolas rosadas, brancas ou prateadas; as de pele escura devem preferir pérolas douradas ou creme.


Rubi
O rubi, assim como a safira, é uma variedade do mineral chamado coríndon. Chama-se de rubi o coríndon de qualidade gemológica com cor vemelha, e de safira as gemas de coríndon de qualquer outra cor. Ele forma geralmente pequenos cristais hexagonais de brilho vítreo, encontrados em mármores dolomíticos, basaltos decompostos e cascalhos. Pode ser confundido com várias gemas, como espinélio, almandina, jacinto, piropo, topázio e rubelita.
Quando tem qualidade inferior, é usado em relógios e outros aparelhos de precisão, bem como na produção de raios laser e maser. O rubi é geralmente lapidado em cabuchão, estilo sempre adotado quando mostra asterismo (faixas luminosas que parecem flutuar sobre a gema). Pode receber também lapidação facetada oval. O maior rubi conhecido foi descoberto nos EUA. No estado bruto tinha 694,2 g; lapidado deu várias gemas, a maior delas com 750 quilates. Sua qualidade, porém, não era boa. Em 1934, encontrou-se um rubi astérico de 593 g, no Sri Lanka.
É produzido principalmente em Mianmar, Tailândia e Vietnã. Outros produtores importantes são Quênia e Tanzânia. As pedras de melhor qualidade provêm de Mianmar, Índia, Sri Lanka, China e Rússia. É raro no Brasil, existindo na Bahia e em Santa Catarina.
O rubi é uma das quatro gemas mais valiosas, destacando-se principalmente as pedras vermelho-escuras, levemente púrpuras. O rubi de Mianmar de melhor qualidade (extra fine), sem tratamento, com 4 a 5 quilates, vale entre US$ 28.000 e US$ 40.000 por quilate. Gemas maiores que isso não têm cotação de mercado, sendo o preço acertado entre compradores e vendedores. Fabrica-se rubi sintético desde 1885, pelo menos. Ao contrário do que ocorre com a esmeralda, só 10% das pedras sintéticas são usadas em joias. Esse rubi com o passar do tempo perde o seu brilho.



Safira
 Safira bruta
Safira bruta
A safira é a outra variedade de coríndon famosa como pedra preciosa. Com exceção da cor vermelha, que identifica o rubi, pode ter qualquer cor (pode ser até incolor), mas a mais apreciada e mais valiosa é a azul. A safira incolor chama-se leucossafira ou safira branca; e a alaranjada, padmaragaya. Costuma ocorrer em mármores, basaltos, pegmatitos e lamprófiros e pode ter asterismo, como o rubi.
Entre as safiras famosas, estão a Estrela Negra (233 g no estado bruto) e aStuart. Das gemas lapidadas, a maior de todas é a Estrela da Índia (563 quilate), que está no Museu Americano de História Natural de Nova Iorque. ALogan (azul, de 423 quilate, descoberta no Sri Lanka, que talvez seja a maior safira azul facetada do mundo) e a Estrela da Ásia (330 quilates) estão na Smithsonian Institution, em Washington, nos Estados Unidos. É também famosa a safira Ruspoli, de 135,8 quilates.
É produzida principalmente no Sri Lanka. Outros produtores importantes são Mianmar (ex-Birmânia), Tailândia e Vietnã. As melhores safiras vêm da Índia, mas as jazidas estão praticamente esgotadas. Ótimas gemas vêm de Mianmar; e as maiores, da Austrália. É rara no Brasil, existindo no Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Minas Gerais. O maior centro de lapidação é a Índia.
É uma das gemas mais valiosas, principalmente a azul. A cinza tem valor gemológico só se mostrar asterismo. É sintetizada do mesmo modo que o rubi. Quando não serve para confecção de joias, é usada em canetas esferográficas sofisticadas e instrumentos ópticos.



Topázio
Outra gema tradicional, o topázio forma cristais prismáticos que podem ser incolores ou de cor branca, amarela, laranja, marrom, rósea, salmão, vermelha ou azul. Tem brilho vítreo e varia de transparente a translúcido. A variedade mais valiosa é o topázio-imperial, só produzida em Ouro Preto (MG). É usado apenas como gema.
Em 1740, foi encontrado no Brasil (Ouro Preto, MG) o topázio Bragança, que se pensava inicialmente ser um diamante e que tinha 1.680 quilates. O Museu Americano de História Natural de Nova Iorque tem um topázio bem formado de 60 x 60 x 80 cm. No Brasil podem ser encontrados cristais com até mais de um metro e com mais de cem quilos.
O maior topázio lapidado é o Princesa Brasileira, tem 21,327 quilates e foi encontrado em Teófilo Otoni (MG). Estima-se que provavelmente 80% das gemas vendidas como topázio-imperial sejam, na verdade, citrino. O principal produtor mundial de topázio é o Brasil, seguindo-se Rússia, Irlanda, Japão, Grã-Bretanha, Índia, Sri Lanka e EUA. No Brasil é produzido principalmente em Minas Gerais, mas existe também no Ceará e na Bahia.
O topázio avermelhado (cherry) situa-se entre as pedras preciosas mais valiosas, mas o azul está na faixa de preço do quartzo enfumaçado e do quartzo rutilado, sendo mais barato que o citrino. Valem mais as pedras parecidas com a água-marinha. O topázio vermelho varia de US$ 33 a US$ 2.000 por quilate, para gemas de 0,5 a 50 quilates. O rosa varia de US$ 2 a US$ 1.400 por quilate. O salmão, de US$ 2 a US$ 1.200 e o alaranjado, de US$ 2 a US$ 450, sempre para gemas entre 0,5 e 50 quilates. O topázio amarelo vale, depois de lapidado, de US$ 2 a US$ 100 por quilate, para gemas de 0,5 a 20 quilates; o azul, de US$ 0,80 a US$ 3,50 por quilate, para gemas de 0,5 a 100 quilates. O topázio não é sintetizado, pelo menos em escala comercial.
 Topázio imperial bruto
Topázio imperial bruto
 Topázio lapidado
Topázio lapidado


Turmalina
Assim como as granadas, as turmalinas constituem um grupo de minerais, e não uma espécie só. São 11 espécies, mas as usadas como gema são, em sua maioria, variedades de elbaíta. A turmalina preta é outra espécie, a schorlita. Formam em geral cristais colunares alongados verticalmente, quase sempre com faces curvas e estriadas na direção de maior comprimento. A cor é muito variável e, de acordo com ela, a elbaíta recebe nomes como rubelita (rosa ou vermelha), indicolita(azul), acroíta (incolor), verdelita (verde).
Um cristal de turmalina pode ter uma cor em cada extremidade e ainda uma terceira no centro, ou ter uma cor por fora e outras no seu interior distribuídas concentricamente. A turmalina de duas cores é chamada deturmalina bicolor. Se tem cor rosa no centro e verde externamente recebe o nome popular de turmalina melancia. A indicolita é bastante rara e a schorlita, a mais comum.
São gemas opacas a transparentes, de brilho vítreo. A rubelita costuma ter muitas fissuras. As mais usadas em joias são as amarelo-esverdeadas, amarelo-mel, azul-escuras, vermelhas, verde-escuras e rosa. São produzidas principalmente na Namíbia, no Brasil e nos EUA, vindo em seguida Rússia, Mianmar (ex-Birmânia), Sri Lanka (turmalina amarela), Índia e Madagascar. No Brasil, destaca-se o Estado de Minas Gerais, mas existem turmalinas também no Ceará, em Goiás e na Bahia. Em 1978, no Município de Conselheiro Pena (MG), descobriram-se vários cristais de rubelita gemológica com dezenas de quilogramas. 
Não existe turmalina sintética no comércio de gemas. O valor dessas gemas cresce com a intensidade da cor, mas entre as verdes valem mais as mais claras (mais parecidas com a esmeralda). Nas turmalinas bicolores o valor maior corresponde ao maior contraste de cor. A turmalina paraíba, a mais valiosa de todas as turmalinas, com a cor azul néon vale de US$ 15 a US$ 15.000 por quilate, para gemas de 0,5 a 3 quilates. A verde néon é um pouco menos cara: de US$ 10 a US$ 9.000 por quilate. Como as reservas brasileiras de turmalina paraíba estão esgotadas e as da África estão no fim, esses preços deverão subir, se já não subiram.
As variedades rubelita, verdelita e bicolor variam de US$ 1 a US$ 280 por quilate, para gemas com 0,5 a 20 quilates. A indicolita é um pouco mais cara que elas: de US$ 2 a US$ 480 por quilate. Dravita e uvita custam de US$ 3 a US$ 30 por quilate, para gemas com 0,5 a 1 quilate. A schorlita, a mais barata de todas, vale de US$ 0,20 a US$ 1,80 por quilate, para pedras com até 100 quilates.
 Turmalina-melancia bruta
Turmalina-melancia bruta
 Turmalina bicolor (lapidada) e com três cores (bruta)
Turmalina bicolor (lapidada) e com três cores (bruta)


Turquesa
Outra gema tradicional, usada há muitíssimo tempo, a turquesa é bem conhecida por sua cor azul-celeste, verde-azulada ou verde-amarelada. Varia de semitransparente a opaca e tem brilho porcelânico, enquanto a maioria das gemas tem brilho vítreo. É porosa, suja com facilidade e é fácil de riscar, exigindo, portanto, cuidados no seu uso. Além disso, está sujeita a alterações de cor por ação de luz solar, suor, cosméticos e desidratação.
Há várias imitações de turquesa feitas com materiais diversos, como a chamada turquesa viena. A turquesa pode ser confundida com amazonita, crisocola, jade e outros minerais. É lapidada sempre em cabuchão, sendo usada na Ásia, assim como o jade, para pequenas esculturas.
É produzida principalmente no Egito, EUA, Irã e Turquia, seguindo-se Rússia, Austrália, Afeganistão, Israel, Tanzânia e China. As melhores pedras vêm do Irã. No Brasil há pequena produção na Bahia. A turquesa não é uma gema cara. Dentre as diversas variedades, tem mais valor a compacta e de cor azul-celeste. É sintetizada desde 1972 e não é muito fácil diferenciar a sintética da natural. A presença de pontos brancos indica uma origem natural.



CURIOSIDADES
* Em certos países da Europa, o âmbar e o coral são usados pelas crianças contra mau-olhado e contra tosse.
* A ametista é considerada símbolo da sinceridade, da lucidez, servindo, acreditam alguns, para combater a embriaguez, o sono e até mesmo gafanhotos. É a pedra do anel de formatura dos professores e do anel dos bispos. Seu nome vem do grego amethystos (não ébrio), porque se acreditava na Idade Média que a bebida servida em cálice feito com essa gema não provocava embriaguez.
* Não existe refugo na produção de diamante; tudo é aproveitado, até mesmo o pó que se forma na lapidação.
* O menor diamante lapidado tem 0,00063 quilate, 57 facetas e 0,53 mm de diâmetro. Foi lapidado na Antuérpia (Bélgica). O maior e mais célebre de todos os diamantes já encontrados é o Cullinan, descoberto na mina Premier, em Pretória (África do Sul), em 25 de janeiro de 1905, por Sir Thomas Cullinan. Tinha 3.106 quilates (621,2 gramas) no estado bruto. Lapidado, deu uma gema de 530,2 quilates e 104 outras menores.
* O mais caro diamante lapidado do mundo tem 101,84 quilates. Foi vendido em Genebra (Suíça), em 14 de novembro de 1990, por US$ 12,8 milhões. O mais alto preço já pago por um diamante bruto foi US$ 9 milhões por uma pedra de 255,10 quilates, em 1989.
* Em 1993, a Nasa anunciou a descoberta de enormes concentrações de nuvens de microdiamantes no interior da Via Láctea, com uma massa total de 6 sextilhões de toneladas.
* Um diamante azul de 6,04 quilates foi vendido por US$ 7.981.835 em 2007, sendo esse o maior preço por quilate já pago na venda de um diamante. O diamante azul Hope, da Smithsonian Institution, é considerado por alguns a peça de museu mais visitada do mundo. A empresa suíça Pat Says Now fabricou um mouse revestido de ouro 18 K e cravejado com 59 diamantes, vendido por US$ 24 mil.
* A mais cara obra de arte contemporânea é um crânio feito pelo artista britânico Damien Hirst, coberto com 8.601 diamantes e avaliado, em 2007, em US$ 105,2 milhões; chama-se Pelo Amor de Deus.
* Em outubro de 2007, a Philips holandesa e a joalheria nova-iorquina A Link apresentaram na Índia um televisor de tela plana de 42 polegadas, contendo no gabinete 2.250 diamantes.
* Na Antiguidade, acreditava-se que o diamante quando usado na segunda-feira trazia azar, sendo o sábado o dia mais indicado para seu uso. Segundo o Talmude, se ficasse embaçado diante de um suspeito de crime, este era culpado. No século XVIII, era tido como dissipador de raios e fantasmas e defensor da virtude. Acreditava-se também que era capaz de se reproduzir. Os birmaneses acreditam que se ingerido é tão venenoso quanto o arsênio.
* Na Antiguidade, recomendava-se que a esmeralda só fosse usada na sexta-feira. No século IV, era tida como fonte de felicidade. Se seu proprietário agisse de modo incorreto, ela se estilhaçaria. Era considerada por Aristóteles remédio contra a epilepsia. Já se acreditou que a esmeralda pudesse tornar invisível o homem solteiro e até há pouco era usada como remédio contra febre, disenteria e mordidas de animais venenosos. Atualmente é usada como amuleto na Índia. É a gema usada no anel do papa.
* O maior cristal conhecido de granada foi descoberto na Noruega, tinha 2,30 m e 37,5 t.
* O maior jade conhecido foi descoberto na China, em 17 de setembro de 1978: é um bloco de 603 m3 e 143 t.
* Em um templo de Xangai (China), há uma estátua de Buda de 1,5 m de altura e 3 t, esculpida em jade branco.
* O nome jade deriva do espanhol piedra de ijada, que significa pedra para cólicas, pois se acreditava que curasse infecções renais. Dessa crença deriva também o nome nefrita, do grego nephros, rim. No Museu Metropolitano de Nova York e no Museu Britânico, em Londres, há dois blocos de nefrita, cada qual com cerca de uma tonelada.
* Acreditam alguns ser o jaspe útil para afastar o medo de fantasmas e bruxarias. Na Antiguidade, era considerado provocador de chuva.
* A maior opala conhecida é a Olympia Australis, de 17.700 quilates, descoberta na Austrália, em agosto de 1950. Está exposta lá, em Melbourne, e seu valor é estimado em US$ 1.800.000.
* Na Antiguidade, a opala valia mais que o diamante e pensava-se que tinha o poder de evitar o mau-olhado, de curar doenças nos olhos e de advertir do perigo. No século XIX, passou a ser considerada de mau agouro, razão pela qual durante certo tempo seu uso diminuiu muito.
* A maior pérola conhecida, a Pérola da Ásia, tem 121 g. De cada 40 conchas, só uma, em média, contém pérola. Mas conchas com várias pérolas podem ser encontradas. Elas são usadas como gema há seis mil anos. A joia mais antiga que se conhece feita com pérolas é um colar de três fios e 216 pérolas encontrado em escavações feitas no Irã e que se encontra no Museu do Louvre, em Paris (França).
* Segundo os hindus, as pérolas são lágrimas congeladas nascidas do contato das nuvens com as águas. Os gregos diziam que delas emanavam forças vivificantes e protetoras. Na Antiguidade, era triturada e misturada com vinho e cerveja quando se pretendia homenagear pessoas de alta linhagem.
* No século IV, o rubi era símbolo do amor. Antigamente, era usado para combater epidemias, pesadelos e melancolia, além de aumentar a inteligência e curar desgostos amorosos. Acreditava-se também que combatia a obesidade.
* A grife Victoria’s Secret, de Nova Iorque, confeccionou um biquíni com 3.024 gemas, entre elas 1.988 safiras e um diamante de 5 quilates.
* Acreditam alguns que a safira usada sobre o coração proporciona valentia. São Jerônimo via nela um meio de adquirir prestígio junto aos poderosos e proteção contra a cólera divina. Era tida como remédio contra a febre e os egípcios a ingeriam como tônico.
* Os que usam cristais para tratamento de saúde dizem que a safira é útil no caso de suores excessivos, úlceras e distúrbios da visão, principalmente a safira-macho (azul-celeste). Com leite ou vinagre, é usada para combater reumatismos e resfriados. A safira é a gema usada no anel dos cardeais.
* O topázio na Antiguidade simbolizava a amizade e atribuía-se-lhe o poder de acalmar a cólera e conter hemorragias.
* A turquesa era usada pelos egípcios no tratamento da catarata. Acreditava-se outrora que protegia contra acidentes e que tinha o poder de acusar a presença de veneno, exsudando abundantemente. Para Aristóteles, era antídoto contra picadas de cobra.

O diamante é chamado de melhor amigo das mulheres por ser uma joia cara que dura a eternidade.

O diamante é chamado de melhor amigo das mulheres por ser uma joia cara que dura a eternidade.
Publicado em 9.03.2015
O diamante é chamado de melhor amigo das mulheres por ser uma joia cara que dura a eternidade. Mas o que muitas pessoas não sabem que ele é na verdade muito comum quando se trata de pedras preciosas. Abaixo, confira uma coleção de dez gemas muito mais raras na Terra.

10. Painita

pedras preciosas raras 10
Em 2005, o Livro dos Recordes Guinness reconheceu a painita como a pedra preciosa mais rara do mundo. Descoberta pela primeira vez em Mianmar pelo mineralogista britânico Arthur C. D. Pain na década de 1950, por anos apenas dois cristais do mineral foram conhecidos na Terra. Até o ano do recorde, ainda havia menos de 25 espécimes encontrados.
Hoje, a painita não é tão rara quanto costumava ser. De acordo com a divisão de ciências geológicas e planetárias do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech, EUA), a identificação de um novo repositório em Mianmar, a origem das pedras originais, e a descoberta posterior de duas grandes novas localidades do mineral na área de Mogok levaram à recuperação de vários milhares de cristais de painita. No entanto, a pedra ainda está entre as mais raras da Terra.

9. Alexandrita

pedras preciosas raras 9
Alexandrita é famosa pelas suas propriedades ópticas estranhas – a gema pode mudar dramaticamente de cor dependendo do tipo de luz que incide sobre ela. Essa mudança de cor é independente do ângulo de visão de quem a está observando. Uma pedra preciosa que muda de cor quando você a gira em sua mão é chamada de pleocróica, e enquanto a alexandrita é fortemente pleocróica, também pode mudar de cor independentemente do ângulo de visão quando vista sob uma fonte de luz artificial. Por exemplo, na luz solar natural, a gema parece azul esverdeada, mas na luz incandescente suave, parece roxa avermelhada.
A alexandrita pertence à mesma família das pedras preciosas que a esmeralda. Sua propriedade de mudança de cor e sua relativa escassez são devidas a uma combinação extremamente rara de minerais que inclui titânio, ferro e crômio.

8. Tanzanita

pedras preciosas raras 8
Há quem diga que a tanzanita é mil vezes mais rara do que o diamante, e pode muito bem ser, considerando que é encontrada quase que exclusivamente no sopé do Monte Kilimanjaro, em suprimentos limitados.
Como a alexandrita, a tanzanita apresenta mudanças de cores dramáticas que dependem de condições como a orientação do cristal e sua iluminação (mais para o azul, para o roxo ou para o vermelho). De acordo com a divisão de geologia da Caltech, essas variações de cores são, em grande parte, devido à presença de íons de vanádio.

7. Benitoíte

pedras preciosas raras 7
Esta pedra azul impressionante só foi encontrada perto das águas do rio San Benito em San Benito County, na Califórnia. Algumas fontes dizem que também foi descoberta em quantidades limitadas no Japão e no estado americano do Arkansas, mas estes espécimes não possuem “qualidade de pedra preciosa”.
Uma das características mais marcantes do benitoíte é sua cor azul incandescente sob uma luz UV. O que é estranho é que, apesar de ter sido descrito pela primeira vez na virada do século XX e sua composição química ser conhecida há anos, a origem da sua cor e suas propriedades fluorescentes ainda não são bem compreendidas.

6. Poudreteita

pedras preciosas raras 6
Os primeiros vestígios de poudreteita foram descobertos em meados da década de 1960 na pedreira Poudrette de Mont Saint Hilaire, em Quebec, no Canadá. No entanto, o mineral não foi reconhecido oficialmente como uma nova espécie até 1987, e não foi exaustivamente descrito até tão recentemente quanto 2003.
É provável que poucas pessoas sequer vejam um espécime dessa pedra em pessoa, e a maioria provavelmente nunca sequer vai ouvir falar nela.

5. Grandidierite

pedras preciosas raras 5
Este mineral verde azulado é encontrado quase que exclusivamente em Madagascar, embora o primeiro (e, presumivelmente, único) espécime facetado puro tenha sido recuperado no Sri Lanka. Como a alexandrita e a tanzinita, o grandidierite é pleocróico, e pode transmitir as cores azul, verde e branca.

4. Diamantes vermelhos como o Moussaieff Vermelho

pedras preciosas raras 4
Os diamantes são comuns, mas não o de todas as cores. Eles vêm em uma variedade de tons, em ordem de raridade: amarelo, marrom, incolor, azul, verde, preto, rosa, laranja, roxo e vermelho.
Como ponto de referência, o maior diamante vermelho da Terra – o “Moussaieff Vermelho”, retratado na foto acima – pesa apenas 5,11 quilates (cerca de 1 grama). Os maiores diamantes conhecidos – como alguns cortes do diamante Cullinan – pesam bem mais do que 500 quilates.

3. Musgravite

pedras preciosas raras 3
Este mineral foi descoberto pela primeira vez em 1967 no sul da Austrália, mas também foi encontrado em quantidades limitadas na Groenlândia, Madagascar e Antártica. Os primeiros espécimes realmente grandes e puros o suficiente para serem cortados não foram relatados até 1993.
A partir de 2005, apenas oito espécimes desse mineral são conhecidos.

2. Jeremejevite

pedras preciosas raras 2
Descoberto pela primeira vez na Sibéria no final do século 19, desde então, cristais de jeremejevite com qualidade de gema (grandes e claros o suficiente para serem cortados) só foram recuperados em suprimentos limitados na Namíbia.
Na imagem acima, você vê o maior cristal jeremejevite facetado da Terra.

1. Berilo vermelho

pedras preciosas raras 1
Berilo vermelho, também conhecido como “bixbite”, “esmeralda vermelha” ou “esmeralda escarlate”, foi descrito pela primeira vez em 1904, e enquanto está intimamente relacionado em um nível químico com as pedras esmeralda e aquamarine (ou água-marinha), é consideravelmente mais raro do que ambas.
A distribuição conhecida do mineral é limitada a partes de Utah e Novo México, nos EUA, e ele tem-se revelado extremamente difícil de minerar de forma economicamente viável. Como resultado, algumas estimativas dizem que rubis de qualidade similar (isso porque rubis também são uma joia rara) são cerca de 8.000 vezes mais abundantes que quaisquer amostras de berilo vermelho. Consequentemente, os preços dessa gema chegam a atingir até US$ 10 mil (cerca de R$ 30 mil, no câmbio atual) por quilate de pedra cortada.

Diversidade das Gemas Brasileiras

Diversidade das Gemas Brasileiras



O Brasil é mundialmente conhecido por sua riqueza em pedras preciosas. Das nove províncias gemológicas existentes no mundo, ou seja, das nove regiões geográficas excepcionalmente ricas em gemas, nosso país é líder não apenas na quantidade produzida, mas também na diversidade.
Para se ter uma idéia do quanto aqui se produz, basta dizer que apenas o Estado de Minas Gerais contribui com cerca de 25% da produção mundial. Para demonstrar a diversidade, basta dizer que um brasileiro bem informado e de bom nível cultural consegue citar (conhecendo ou não) cerca de quinze pedras preciosas, mas existem em nosso país mais de cem tipos diferentes.
Elaborar uma lista das gemas de um país é tarefa que apresenta algumas dificuldades:
- Devem-se incluir apenas as gemas produzidas ou todas as existentes?
- Devem-se incluir as gemas existentes mesmo que as ocorrências sejam esparsas ou apenas aquelas que são encontradas num número significativo de locais?
- Uma gema que já foi produzida, mas que hoje está com suas reservas esgotadas, deve figurar na lista?
- Minerais que podem ser lapidados, mas só o são para peças de coleção, não para confecção de joias, devem ser considerados?
Essas são algumas questões que exigem uma definição de critérios. Assim, os critérios adotados para elaborar a relação apresentada a seguir são os seguintes:
a) Foram incluídas gemas que podem não estar sendo produzidas, mas que existem em volume considerável em pelo menos um lugar do país, como é o caso do rubi. 
b) Incluíram-se também gemas cuja produção foi importante, mas cujas jazidas estão hoje em fase de esgotamento, como a turmalina Paraíba.
c) Não foram incluídas substâncias minerais que são usadas para obtenção de objetos decorativos, mas não para adorno pessoal, pois, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT esse segundo uso é condição indispensável para que uma substância seja considerada gema. Ficaram de fora, por isso, substâncias como pedra-sabão, gipsita e agalmatolito. 
d) Variedades diferentes de um mesmo mineral foram consideras gemas diferentes. Ex.: quartzo rosa, quartzo enfumaçado, ametista, citrino, ágata etc. (gemas diferentes, mas todas variedades de quartzo).
e) Gemas que têm dois nomes diferentes aparecem com o nome oficialmente recomendado pela Comissão de Minerais Novos - Nomenclatura e Classificação da International Mineralogical Association. Ex.: schorlita (e nãoafrizita), titanita (e não esfênio).
f) Em lugar de quartzo, termo que designa um grande número de gemas diferentes, usou-se cristal-de-rocha, que é o quartzo macrocristalino e sem impurezas. Embora esta seja uma denominação muito inadequada, está consagrada pelo uso em todo o mundo e em muitos idiomas.
g) Praticamente todas as gemas brasileiras são minerais, ou seja, pedras preciosas. Mas foram incluídas duas gemas orgânicas: o copal - uma espécie de resina semelhante ao âmbar - e a jarina - também chamada de marfim-vegetal, uma palmeira da Amazônia que tem sementes grandes e muito duras -, pois ambos são usados como adorno pessoal.
h) Foram incluídas gemas como aragonita, fluorita e apofilita, que não costumam ser vistas no mercado de gemas brasileiras, mas existem em nosso país e são assim consideradas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM, 1983). 
i) São tantos e tão variados os tipos de jaspe que poderiam ser considerados gemas independentes; são aqui, porém, considerados uma só. 
j) Existe, no Brasil, citrino natural, mas o citrino aqui produzido é principalmente aquele obtido por tratamento térmico da ametista. Isso permite que sejam considerados duas gemas diferentes, mas são aqui reunidas sob o mesmo nome, até porque o preço de mercado dos dois é o mesmo. Pela mesma razão, chama-se de ágata indistintamente a natural e aquela de cores obtidas por tingimento.
Obedecendo a esses critérios, chega-se à relação abaixo, de 108 gemas diferentes. Vê-se, portanto, que as cerca de 15 pedras preciosas que uma pessoa culta e bem informada consegue citar não são nem 15% do elenco de gemas brasileiras.

Relação das Gemas Brasileiras
Gemas orgânicas
Copal
Jarina

Granadas
Almandina
Grossulária
Hessonita 
Piropo 
Rodolita
Spessartina 

Grupo das olivinas
Crisólita
Peridoto


Variedades de berilo
Água-marinha
Berilo verde
Esmeralda
Goshenita
Heliodoro
Morganita

Variedades de coríndon
Rubi
Safira

Variedades de crisoberilo
Alexandrita
Crisoberilo
Olho-de-gato

Variedades de espodumênio
Hiddenita
Kunzita
Trifana 
Variedades de feldspato
Adulária
Amazonita


Variedades de opala
Opala-de-fogo
Opala preciosa
Variedades de quartzo
Ágata 
Ametista 
Aventurino
Calcedônia 
Cornalina
Crisoprásio 
Jaspe
Ônix
Ônix-real
Concreção de sílica
Heliotrópio
Citrino
Cristal-de-rocha 
Madeira fossilizada
Oneguita
Quartzo azul
Quartzo com dendritos
Quartzo com goethita
Quartzo com turmalina
Quartzo enfumaçado
Quartzo mórion 
Quartzo olho-de-gato  
Quartzo rosa
Quartzo rutilado

Variedades de turmalina
Acroíta 
Dravita 
Indicolita 
Rubelita
Schorlita
Turmalina bicolor 
Turmalina melancia
Turmalina Paraíba
Verdelita 

Variedades de topázio
Topázio
Topázio-imperial
Demais gemas
Allanita
Ambligonita 
Anatásio
Andaluzita 
Apatita 
Apofilita 
Aragonita 
Axinita 
Barita 
Brasilianita 
Calcita 
Cassiterita 
Childrenita 
Cianita 
Cordierita 
Crisocola
Diamante 
Diopsídio 
Dumortierita 
Epídoto
Escapolita 
Esfalerita 
Espinélio
Estaurolita 
Euclásio 
Fenaquita 
Fluorita 
Gahnita 
Hematita
Herderita
Lazulita
Malaquita
Nefrita
Obsidiana
Petalita 
Pirita
Quiastolita 
Rodonita
Rutilo 
Scheelita 
Sillimanita
Sodalita 
Titanita
Turquesa 
Zircão


As mesmas 109 gemas em ordem alfabética são:
Acroíta 
Adulária
Ágata 
Água-marinha 
Alexandrita
Allanita
Almandina
Amazonita 
Ambligonita 
Ametista 
Anatásio
Andaluzita 
Apatita 
Apofilita 
Aragonita 
Aventurino
Axinita 
Barita 
Berilo verde Brasilianita 
Calcedônia 
Calcita 
Cassiterita 
Childrenita 
Cianita 
Citrino 
Concreção de sílica
Copal
Cordierita 
Cornalina
Crisoberilo 
Crisocola
Crisólita 
Crisoprásio 
Cristal-de-rocha 
Diamante 
Diopsídio 
Dravita

Dumortierita 
Epídoto
Escapolita 
Esfalerita 
Esmeralda
Espinélio
Estaurolita 
Euclásio 
Fenaquita 
Fluorita 
Gahnita 
Goshenita 
Grossulária
Heliodoro
Heliotrópio
Hematita
Herderita
Hessonita 
Hiddenita
Indicolita 
Jarina
Jaspe
Kunzita 
Lazulita
Madeira fossilizada
Malaquita
Morganita 
Nefrita
Obsidiana
Olho-de-gato 
Oneguita
Ônix
Ônix-real
Opala-de-fogo
Opala preciosa
Peridoto
Petalita 
Pirita
Piropo 
Quartzo azul
Quartzo com dendritos
Quartzo com  goethita
Quartzo com turmalina
Quartzo enfumaçado
Quartzo mórion 
Quartzo olho-de-gato  
Quartzo rosa
Quartzo rutilado
Quiastolita 
Rodolita 
Rodonita
Rubelita
Rubi
Rutilo 
Safira 
Scheelita 
Schorlita
Sillimanita
Sodalita 
Spessartina 
Titanita
Topázio
Topázio imperial
Trifana 
Turmalina bicolor 
Turmalina melancia
Turmalina Paraíba
Turquesa 
Verdelita
Zircão


Alguns comentários adicionais
- Alguns autores não fazem diferença entre berilo verde e esmeralda; outros consideram berilo verde aquele com menos de 0,1% de cromo (ou 0,15% para outros).
- Adulária é o mesmo que pedra-da-lua. 
- Ônix é a calcedônia com faixas retas e paralelas de qualquer cor, exceto vermelha, alaranjada e marrom (cores da cornalina e do sárdio). A preta é a mais apreciada e a maior parte do ônix hoje comercializado é calcedônia tingida dessa cor.- Ônix-real é o nome comercial de uma variedade que ocorre em Sapopema e Curiúva, próximos da Cidade de Ibaiti, no Estado do Paraná. As cores comumente distribuem-se em anéis, e são preta e branca, às vezes com tons cinza alternados com branco e marrom. Tem alta densidade e brilho metálico após lapidação. O aspecto metálico da gema deve-se à presença de pequenas quantidades de ouro, platina, cobre ou ferro, geralmente dois desses metais. 
- Concreção de sílica não é um nome muito apropriado, mas designa melhor a gema conhecida comercialmente como conchinha de ágata e medalha.

Topázio Imperial

Topázio Imperial