domingo, 14 de fevereiro de 2016

CICLO DO OURO

Ciclo do Ouro


Ciclo do Ouro
Mineração de ouro pintada por Rugendas

História

Ciclo do Ouro foi o momento em que, no século XVIII, a extração do ouro foi a principal atividade econômica brasileira
No final do século XVII, as exportações de açúcar brasileiro começaram a diminuir. Com preços mais baixos e boa qualidade, a Europa passou a dar preferência para o açúcar holandês. Esta crise no mercado brasileiro colocou Portugal numa situação de buscar novas fontes de renda.
Foi neste contexto que os bandeirantes começaram a encontrar minas de ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. No século XVII, o bandeirante Fernão Dias saiu de São Paulo com seus seguidores em busca de prata e esmeraldas em Sabará.
Porém, foi só no fim do século XVII que revelou-se em Minas Gerais a ocorrência de ouro. Os diamantes, por sua vez, foram descobertos na segunda década do século XVIII.? O primeiro ouro encontrado era chamado “ouro de aluvião”, ou seja, o ouro que se encontra nos vales dos rios.
Foi achado no vale do rio Doce e do rio das Mortes. Isso desencadeou uma verdadeira corrida para a região de Minas Gerais.

Sociedade

O ciclo econômico da mineração dinamizou a sociedade brasileira. Diferente do ciclo do açúcar, a riqueza proveniente do ouro não ficou concentrada nas mãos de um único grupo social.
Como as riquezas passaram a se concentrar na região sudeste, a capital da colônia deixou de ser Salvador e passou a ser o Rio de Janeiro. Rio de Janeiro tornava mais fácil e rápido o acesso as regiões mineradoras.
Com o desenvolvimento de cidades como Vila Rica, Mariana, Diamantina, entre outras, apareceram os comerciantes, artesãos, intelectuais, padres, funcionários públicos e outros profissionais liberais.
Os escravos também ganharam importância, e muitos deles conquistaram junto a seus senhores o direito à liberdade devido ao êxito das minerações. Eram denominados negros alforriados ou forros. Outros compravam sua liberdade.
Um outro grupo que se destacou foram os tropeiros, que faziam comércio de alimentos e mercadorias. Muitos faziam o transporte da carga entre Rio Grande do Sul e São Paulo, seguindo depois para Minas Gerais.

Cultura

O desenvolvimento da vida urbana trouxe também mudanças culturais e intelectuais na colônia, destacando-se a chamada escola mineira, geralmente ligada ao Barroco.
São expoentes as obras esculturais e arquitetônicas de Antônio Francisco Lisboa, o "Aleijadinho", em Minas Gerais e do Mestre Valentim, no Rio de Janeiro.
Na música, destacou-se o estilo sacro do mineiro José Mesquita, além da música popular representada pela modinha e pela cantiga de ninar de origem lusitana e pelo lundu de origem africana.? Na literatura, se destacaram grandes poetas, como Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, entre outros.

Exploração

Haviam duas formas principais de exploração do ouro na região das minas: a lavra e a faiscação.
A lavra era o tipo mais frequente. Consistia na extração em grandes jazidas, utilizando mão-de-obra de escravos africanos.
Por sua vez, a faiscação – também conhecida como faisqueira – era a extração representada pelo trabalho do próprio garimpeiro, raramente auxiliado por ajudantes.
Na segunda metade do século XVIII, a mineração entrou em decadência com o esgotamento das jazidas.

Fiscalização

Portugal exerceu sobre a exploração do ouro controle maior do que aquele exercido no açúcar. Um dos motivos é o fato de que, no decorrer do século XVIII, a economia portuguesa estava muito dependente da economia inglesa.
Assim, para recuperar sua economia, Portugal criou vários mecanismos de controle e fiscalização, como a Intendência de Minas e as Casas de Fundição.
A Intendência de Minas foi um órgão criado em 1702. Controlado pelo rei, a intendência tinha a função de distribuir terras para exploração do ouro, fiscalizar e cobrar impostos.
As Casas de Fundição, por sua vez, eram locais em que todo o ouro encontrado nas minas era transformado em barras para facilitar a cobrança de impostos.
Dentre os principais impostos cobrados sobre a exploração do ouro, podemos destacar o quinto, a capitação e a derrama.

Impostos

Como vimos anteriormente, a coroa portuguesa lucrava muito com a cobrança de taxas e impostos. Assim, quem encontrava ouro na colônia deveria pagar o quinto. Este imposto era cobrado nas Casas de Fundição, que retiravam 20% do total e enviavam para Portugal.
Este era o procedimento legal e exigido pela coroa portuguesa. Porém, muitos sonegavam mesmo correndo riscos de prisão ou degredo, ou seja, a expulsão do país.
Outro imposto era a Capitação, valor cobrado por cada escravo utilizado como mão-de-obra na extração das minas.
Portugal cobrava de cada região aurífera uma certa quantidade de ouro, aproximadamente 1500 kg anuais. Quando esta taxa não era paga, havia a execução da derrama. Neste caso, soldados entravam nas residências e retiravam os bens dos moradores até completar o valor devido.
As cobranças excessivas de impostos, as punições e a forte fiscalização da coroa portuguesa provocaram reações na população. Várias revoltas ocorreram neste período, como a Guerra dos Emboabas, a Revolta de Felipe dos Santos, a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana.

Guerra dos Emboabas

A Guerra dos Emboabas ocorreu entre 1707 e 1709, em Minas Gerais. Dentre as causas, podemos destacar os embates entre paulistas e portugueses pelo direito de explorar ouro na região das minas.
Pelo fato de terem sido os primeiros a descobrir as minas, os paulistas queriam ter mais direitos e benefícios sobre o ouro que haviam encontrado.
Por outro lado, os portugueses – também denominados emboabas, ou forasteiros – queriam o direito de exploração do ouro e formaram comunidades dentro da região que já era habitada pelos paulistas.
Dentre os líderes estavam o bandeirante Manuel de Borba Gato, que chefiava os paulistas. O português Manuel Nunes Viana, por sua vez, chefiava os emboabas.
Dentro desta rivalidade ocorreram muitos conflitos e mortes que abalaram consideravelmente as relações entre os dois grupos. No fim, foi criada a capitania de São Paulo.

Revolta de Felipe dos Santos

A Revolta de Felipe dos Santos, também conhecida como Revolta de Vila Rica, ocorreu em 1720, em Vila Rica.
Dentre as causas da revolta, podemos destacar a insatisfação do povo - além de comerciantes e proprietários - com a rígida fiscalização portuguesa, os altos impostos e as punições.
O principal líder da revolta foi Felipe dos Santos Freire, que era um rico fazendeiro e tropeiro. Ele defendia o fim das Casas de Fundição e a diminuição da fiscalização da Metrópole. Suas ideias atraíram a atenção de boa parte da população, que pegou em armas e chegou a ocupar Vila Rica.? A revolta durou quase um mês. Diante da situação tensa, o governador da região, Conde de Assumar, chamou os revoltosos para negociar, solicitando que abandonassem as armas.
Após acalmar e fazer promessas aos revoltosos, o conde ordenou às tropas para que invadissem a vila. Os líderes foram presos e suas casas incendiadas. Felipe dos Santos foi julgado e condenado à morte por enforcamento.

Inconfidência Mineira

A Inconfidência Mineira, também conhecida como Conjuração Mineira, ocorreu em 1789, em Minas Gerais. É considerada um movimento separatista, pois tinha a intenção de separar o Brasil de Portugal.
Dentre as causas da revolta, podemos destacar a cobrança excessiva de impostos, em especial a derrama, além da proibição de instalação de fábricas em território brasileiro. Além disso, as ideias de liberdade, pregadas pelo iluminismo europeu, contagiaram boa parte do povo e da elite econômica de Minas Gerais.
Os principais líderes foram Tomas Antonio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes. Chamados de inconfidentes, a ideia do grupo era conquistar a liberdade de Portugal e implantar o sistema de governo republicano em nosso país. Vale ressaltar que, sobre a escravidão, o grupo não tinha posição definida.
Os inconfidentes haviam marcado o dia do movimento para uma data em que a derrama seria executada. Desta forma, poderiam contar com o apoio de parte da população que estaria revoltada. Porém, um dos inconfidentes, Joaquim Silvério dos Reis, delatou o movimento para as autoridades portuguesas, em troca do perdão de suas dívidas com a coroa.
Todos os inconfidentes foram presos, enviados para o Rio de Janeiro e acusados pelo crime de infidelidade ao rei. Alguns inconfidentes ganharam como punição o degredo para a África e outros pena de prisão. Porém, Tiradentes, após assumir a liderança do movimento, foi condenado à forca em praça pública.

Conjuração Baiana

A Conjuração Baiana, também chamada de Revolta dos Alfaiates, ocorreu em 1798, em Salvador.? Da mesma forma que a Conjuração Mineira, também foi um movimento separatista e desejava a proclamação da República. Porém, ao contrário daquela, esta teve maior participação popular e defendia o fim da escravidão.
Dentre as causas principais, podemos destacar a mudança da capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro, os altos impostos, a concentração de terras e as imposições de Portugal.
Além disso, o movimento foi influenciado pela Independência dos Estados Unidos, do Haiti e pela Revolução Francesa. As ideias iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade estimulavam os conjuradores.
A conjuração contou com a participação de sapateiros, alfaiates, bordadores, ex-escravos e escravos. No fim, o movimento foi sufocado por Portugal e os principais líderes foram, presos, degredados ou condenados à morte.
Michel Goulart
Fonte: www.historiadigital.org
Ciclo do Ouro
Cada esquina sussurra a liberdade nas 19 cidades desse importante destino turístico.
O Ciclo do Ouro foi o mais rico período da história do século XVIII. O metal amarelo e tão cobiçado, revolucionou o mundo. Em todos os municípios, o patrimônio arquitetônico é testemunha desse passado histórico-cultural.
Ao lado desse fabuloso acervo, a natureza oferece belezas que precisam ser conhecidas e preservadas. O Circuito do Ouro é um programa turístico desenvolvido e apoiado pela Secretaria de Estado do Turismo de Minas Gerais, que se propõe a promover o turismo, difundir cultura, preservar o ambiente natural e gerar empregos e renda para os municípios mineiros.
Compõem este percurso os municípios de Barão de Cocais, Belo Vale, Bom Jesus do Amparo, Caeté, Catas Altas, Congonhas, Itabira, Itabirito, Mariana, Nova Lima, Ouro Branco, Ouro Preto, Piranga, Raposos, Rio Acima, Sabará, Santa Bárbara, Santa Luzia e São Gonçalo do Rio Abaixo.
O Circuito do Ouro teve seu acesso facilitado ao ser desbravado pelos bandeirantes, devido à presença do Rio das Velhas, utilizado como caminho natural de penetração pelo interior. Em suas margens, foram encontradas as primeiras pepitas de ouro da região, em local denominado Sabará - buçu, onde, nos fins do século XVII, se formou o arraial de Sabará.
O Circuito do Ouro foi palco, ainda, dos primeiros conflitos ocorridos na zona mineradora. O conflito que mais destacamos denomina-se "Guerra dos Emboabas", cuja luta baseou-se na disputa do controle do sistema de mineração pelos paulistas que julgavam-se no direito de possuí-las, já que as haviam descoberto, conquistando assim privilégios econômicos e políticos.
Figura extremamente popular na época do descobrimento do ouro foi o 'tropeiro'. Além de sua função econômica, ele adquiriu um papel social de portador de notícias, representando, assim, um verdadeiro elo entre os grandes e os pequenos núcleos urbanos. O tropeiro era quem comprava, nos grandes centros abastecedores, gêneros de toda a espécie e os levava para o interior, ganhando, sobre as vendas, porcentagens exorbitantes. Em pouco tempo, adquiria fortuna, prestígio social e ingressava na carreira política.
Igreja, nesta época, representou um papel relevante no processo de colonização e organização da sociedade do Circuito do Ouro. No momento em que o ouro era detectado em determinada região, iniciava-se o processo de ocupação da área. Uma das primeiras providências tomadas pelos povoadores era a construção de uma capela. Sua construção era feita em local estratégico, ou seja, à beira dos caminhos, funcionando como ponto de atração das populações diversas que, construíam suas moradias em torno do santuário, formando, assim, os primeiros núcleos urbanos.
O papel da Igreja, e mais especificamente dos clérigos, foi da maior importância, já que eram as únicas autoridades capazes de pôr freio aos abusos cometidos pela população, na sua maioria composta de aventureiros ávidos de riqueza fácil.
Inicialmente, a capela era de construção muito pobre, mas à medida que o arraial progredia, a capela era reconstruída com material de melhor qualidade e ampliava seu tamanho. Com sua reforma, a capela era alçada à categoria de Igreja Matriz.
As sociedades locais se dividiam em Irmandades, compostas geralmente pelos homens mais categorizados do arraial. Desta maneira, formou-se a Irmandade do Santíssimo Sacramento e das Ordens Terceiras de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco, ocupadas pelos homens brancos.Os homens de cor, em geral escravos, ocupando a base inferior da sociedade, formaram as Irmandades de Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e Nossa Senhora das Mercês; os mestiços e mulatos ficaram, por sua vez, associados às Irmandades de São José, Cordão de São Francisco e Nossa Senhora do Amparo. Esta divisão justifica o número excessivo de construções religiosas nas cidades que compõem o Circuito do Ouro.
Como exemplo desta manifestação, para visitar, admirar e se exaltar, citamos a Igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição e Igreja do Carmo de Sabará, a matriz de Santo Antônio de Santa Bárbara, a matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Caeté, a matriz de Nossa Senhora da Conceição de Catas Altas, e muitas outras irmandades mais pobres como as do Rosário dos Pretos, espalhadas pelas diversas cidades que compõem o Circuito do Ouro.
A cidade de Ouro Preto é considerada o foco central desse Circuito, dada a grandeza de seu legado histórico, artístico e arquitetônico. Patrimônio Universal da Humanidade, tem como marco inicial a Igreja de Nossa Senhora de Conceição de Antônio Dias (1727), projeto de Manoel Francisco Lisboa.
Thiago Dias Neves
Fonte: www.piranga.com.br
Ciclo do Ouro
O período do reinado de Dom João V, entre 1706 e 1750, foi reconhecido pelo aumento da produção de ouro no Brasil.
A exploração do ouro era tamanha, que funcionaram três casas da moeda simultaneamente. As moedas eram produzidas também para Portugal, e por isso, eram idênticas às do reino português.
Ciclo do Ouro
Moeda de 20 mil réis, da série "dobrões". Imagem extraída do livro "A moeda no Brasil: na coleção do Centro Cultural do Brasil".
A série de moedas conhecida como “dobrões”, cunhada pela Casa da Moeda de Minas Gerais, entre 1724 e 1727, ficou famosa por seu peso.
A moeda de 20.000 réis pesava 53,78 gramas e foi uma das moedas de ouro de maior peso que já circulou no mundo.
Fonte: 200anos.fazenda.gov.br
Ciclo do Ouro
O ouro foi substituído pelo café em importância econômica na região de Castelo região.
A exemplo do ouro, o estudo do período do café também foi dividido em fases:
A primeira Fase
É a das grandes fazendas que utilizava a mão-de-obra escrava. Nesta fase, os grandes fazendeiros executavam, através da mão de obra dos negros, todo o tipo de trabalho, fosse na plantação, na colheita e no transporte do café, e também nos serviços domésticos.
As fazendas eram importantíssimas para a economia, pois no entorno delas girava tudo que existia na época. Eram também auto-suficientes, pois produziam tudo o que era necessário para a sua manutenção. Soberanos, os donos das fazendas agiam com mão de ferro na administração de suas terras e tinham grande poder em seus domínios.
Segunda Fase
A segunda fase começa com o fim da escravidão. Os escravos eram tão importantes no processo de produção desta época que o fim da escravidão representou a decadência das grandes fazendas. Com a decadência das grandes fazendas, elas vão sendo aos poucos adquiridas pelos imigrantes europeus e seus descendentes.
Todas as atividades domésticas da casa do dono da fazenda passam a ser realizados pela família do fazendeiro. Essas fazendas ocupavam grandes quantidades de terras devolutas, e sua situação só foi regularizada em termos de documentos de posse, após vários anos de suas instalações.
As principais fazendas deste período foram a do Centro, a do Fim do Mundo, Da Prata, de São Cristóvão, da Povoação, São Manoel e Ante-Portão. Todas pertenciam aos irmãos e irmãs Vieira Machado da Cunha, que foi a primeira família a instalar-se aqui, para produzir café através da mão de obra escrava. As fazendas eram os centros culturais, econômicos e políticos da época. Era lá que tudo acontecia.

Migração Italiana para Castelo

Enquanto os antigos fazendeiros enfrentavam dificuldades financeiras, um processo inverso ocorria com imigrantes italianos. Os italianos que chegavam ao Espírito Santo recebiam terras na região de Alfredo Chaves e, com muito trabalho, foram se capitalizando e adquirindo terras em Castelo, iniciando assim um processo de pulverização da propriedade rural.
Alguns italianos não foram para os núcleos coloniais, mas vieram trabalhar diretamente nas antigas fazendas em substituição aos escravos. Após as dificuldades iniciais, eles também foram se capitalizando e adquirindo as terras de seus antigos patrões.
Outro fator que confirmou a vocação de Castelo por pequenas propriedades foi a aquisição de Fazenda do Centro pela ordem dos padres Agostinianos. Após a compra, os padres dividiram a fazenda em pequenos lotes e os venderam , em boas condições de pagamento, para os descendentes de italianos que viviam na região de Alfredo Chaves, que não possuíssem terras muito férteis.
Assim as grandes fazendas escravocratas foram dando lugar ao mosaico de pequenas propriedades que compõe hoje nosso município.
Fonte: descubracastelo.com.br
Ciclo do Ouro
Em meados do século XVIII, as primeiras minas de ouro na região de Minas Gerais foram encontradas. Com isso, o centro econômico deslocou-se para a região Sudeste.
A mão-de-obra escrava de origem africana, assim como nos engenhos do Nordeste, passou a ser usada nas minas.
Com a exploração do ouro no Brasil, a Coroa Portuguesa passa a lucrar criando impostos e taxas. Entre os principais impostos estava o quinto. Quem encontrava ouro na colônia deveria pagar o quinto.
As cobranças excessivas de impostos, as punições e a fiscalização da coroa portuguesa provocaram reações na população. Várias revoltas ocorreram neste período, dentre elas a Revolta de Felipe de Santos.
Grande crescimento das cidades na região das minas, com grande urbanização, geração de empregos e desenvolvimento econômico.
Com a exploração do ouro, a região Sudeste desenvolveu-se muito, enquanto o Nordeste começou a entrar em crise. Neste contexto, a coroa portuguesa resolveu mudar a capital da colônia de Salvador parao Rio de Janeiro.
No campo artístico destaque para o Barroco Mineiro e seu principal representante: Aleijadinho.
Fonte: www.clickescolar.com.br
Ciclo do Ouro
O ciclo do ouro ocorreu no final do século XVII, época em que as exportações do açúcar nordestino diminuíram. Essa diminuição na exportação do açúcar brasileiro se deu ao fato de os holandeses terem iniciado a produção deste produto em suas colônias da América Central.
Com esta queda na produção açucareira, os colonos portugueses se viram obrigados a buscarem novos meios de obterem riqueza do solo de sua colônia, de modo que pudesse reverter tal patrimônio à Coroa Portuguesa, e foi justamente neste momento em que foram descobertas as primeiras minas de ouro no Brasil, mais especificamente nas regiões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Então, com a exploração do ouro, esta atividade tornou-se a mais lucrativa no período colonial, e a capital da colônia, que até então se localizava em Salvador, mudou-se para o Rio de Janeiro, sob ordens do governo português, como meio de estratégia de aproximar a capital às regiões auríferas.
Porém, a Coroa Portuguesa cobrava altos impostos sobre o minério extraído, sendo tais impostos recolhidos pelas Casas de Fundição – órgão responsável pelo arrecadamento das taxas, e onde também o ouro era transformado em barras.
Os principais impostos eram:
Quinto: 20% de toda a produção do ouro pertenceriam ao rei português;
Derrama: 
A colônia deveria arrecadar uma quota de aproximadamente 1.500 kg de ouro por ano, e caso, essa quota não fosse atingida, penhoravam-se os bens de mineradores;
Capitação: 
Imposto pago por cabeça, ou seja, para cada escravo que trabalhava nas minas era cobrado imposto sobre eles.
Essas cobranças de impostos, taxas, punições e o abuso de poder político português sobre o povo nativo, gerou enormes conflitos contra os colonos, culminando, desta forma, em diversas revoltas sociais. Entre elas, a mais importante foi, sem dúvida, a Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789 e liderada por Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes.
O período do ciclo do ouro durou aproximadamente até o ano de 1785, época em que sucedeu a Revolução Industrial, na Inglaterra.
Tiago Soriano
Fonte: www.historiabrasileira.com
Ciclo do Ouro
Ciclo do Ouro
Carlos Julião: Mineração de diamantes, Minas Gerais, c. 1770.
Até o fim do século XVII, a exportação do açúcar se constituía na principal atividade econômica desempenhada por Portugal em terras brasileiras.
Contudo, após a Holanda iniciar o cultivo da cana-de-açúcar nas Antilhas, passou a oferecer um açúcar de grande qualidade e com um preço mais competitivo do que o produzido no Brasil. Tal fato desencadeou uma crise no mercado de açúcar brasileiro. Desta forma, Portugal precisou buscar uma nova fonte de lucros.
Essa busca teve um fim com a informação da existência de muito ouro e outras pedras preciosas em Minas Gerais e, posteriormente, Goiás e em Mato Grosso.
Tais descobertas se deram em razão da ação dos bandeirantes, sertanistas que desbravavam o interior do Brasil em busca de riquezas.
O Ciclo do Ouro desencadeou uma verdadeira corrida em busca do enriquecimento. Portugueses e brasileiros de todas as partes se moveram para as novas e promissoras regiões. Entretanto, logicamente a Coroa logo estabeleceu pesados impostos para lucrar com toda a atividade aurífera gerada.
Todo o ouro encontrado deveria ser encaminhado para as Casas de Fundição, derretido e transformado em barras, nas quais havia o selo da Coroa (uma espécie de autorização).
Neste processo já era cobrado um imposto: o “quinto”, que nada mais era do que a cobrança da quinta parte de todo o ouro encontrado.
Outro imposto estabelecido pela Coroa foi a “derrama”. Neste caso, a mesma estabelecia a cobrança anual de uma quantidade específica de ouro de cada região aurífera. Caso não fosse gerado o valor pretendido em impostos, os soldados invadiam as casas e tomavam bens de valor da população, até atingir o valor pré-estabelecido.
O Ciclo do Ouro trouxe consigo significativas mudanças de caráter socioeconômico. O eixo econômico do Brasil passou a ser o Sudeste. Uma prova disto foi a mudança da capital, de Salvador para o Rio de Janeiro. De uma forma geral, o Centro-Sul do Brasil passou por uma fase de desenvolvimento, com a construção de escolas, teatros, igrejas e diversas obras de infra-estrutura.
Fonte: www.historiadetudo.com
Ciclo do Ouro

O SÉCULO XVIII

A DESCOBERTA DO OURO

Os Caminhos do Ouro
Durante os dois primeiros Séculos de colonização do Brasil, a busca de minas de metais e pedras preciosas foi uma verdadeira obsessão e os portugueses nunca perderam as esperanças de encontrar em suas terras riquezas como as encontradas nas terras espanholas. A estimativa bastante subestimada da amplitude do continente sul-americano, levava à convicção de que o Cerro de Potosi não deveria estar muito distante da fronteira brasileira e motivava as buscas em direção ao oeste, sempre resultando em contínuos desapontamentos. A ilusão durou duzentos anos e reclamou muitas vidas antes de se tornar uma espantosa realidade.
Ao final do Século XVII, Portugal e Brasil estavam em situação financeira tão precária que só um Eldorado poderia salvá-los, este Eldorado existia e logo seria encontrado, mas trouxe consigo muitos outros problemas.
Os Governadores do Rio de Janeiro, muitas vezes haviam enviado expedições para o interior em busca de riquezas, mas foram os paulistas com seu sangue ameríndio, que mais se embrenharam pelo sertão, em busca de índios para escravizarem nas suas lavouras e também de riquezas. A discussão acadêmica sobre a descoberta do ouro é tão grande e as informações tão contraditórias e fragmentadas, que não ficam dúvidas de que o ouro foi encontrado quase que simultaneamente em diversas regiões do que é hoje o Estado de Minas Gerais, por grupos diferentes de paulistas entre 1693 e 1695.
Manuel Borba Gato refugiou-se na Região do Rio das Velhas e pode ter descoberto o ouro de aluvião em quantidade compensadora, mas manteve o fato em segredo. Existe também a possibilidade de que o ouro possa ter sido encontrado por aventureiros vindos da Bahia que penetraram em Sabarabuçu pelo Rio São Francisco e pelo Rio das Velhas.
Charles Boxer considera que de fato:
"a descoberta do ouro de aluvião nos vales do Rio das Mortes e Rio Doce, ocorreu respectivamente num intervalo de tempo muito pequeno, entre 1693 e 1695."
A corrida ao ouro, de início foi intensa e desesperada, fazendo com que a região ficasse povoada de toda espécie de aventureiros e muitos mineiros, com os alforjes cheios de ouro, morreram no caminho sem encontrar um pedaço de mandioca, pelo qual dariam uma pepita. Entre 1697 e 1698 um surto de fome assolou as minas.
Quando as riquezas das Minas começaram a ser descobertas, a jornada até as minas durava cerca de dois meses e meio e havia dois caminhos para se atingir a região:
O primeiro, mostrado no mapa, era seguido pelas bandeiras, ia de São Paulo até o Rio São Francisco, acompanhando o Rio Paraíba através da Serra da Mantiqueira até o Rio Grande, onde se bifurcava para o Rio das Velhas e Doce. Por volta de 1700 uma ligação para este caminho já existia vindo do Porto de Parati e do Rio de Janeiro, este caminho ficou conhecido como Caminho Velho e se reunia ao caminho inicial em Taubaté, daí em diante a estrada se fundia até chegar aos campos auríferos. Em 1710 foi aberto outro caminho que ficou conhecido como Caminho Novo, que era mais direto e entrava pelo interior atingindo Juiz de Fora e daí a região do ouro. Esta foi a primeira estrada oficial da Colônia;
O segundo vinha da Bahia e Pernambuco seguindo a margem direita do Rio São Francisco até o Rio das Velhas, este era o caminho mais longo mas também mais fácil do que as trilhas montanhosas de Parati e São Paulo.
A corrida desencadeada no início da descoberta do ouro, fez com que D. João de Lencastre previsse que o ouro encontrado em Minas encontraria caminho rápido para nações estrangeiras, o que veio realmente a acontecer dez anos depois, conforme o jesuíta Antonil e o Conselho Ultramarino deploraram de forma idêntica.
Isto ocorreu muito embora o Governador do Rio de Janeiro Artur de Sá e Meneses (1697-1702) tivesse visitado várias vezes São Paulo e a região das Minas.
Durante as suas ausências deixava o governo da cidade, interinamente com Martim Correia Vasques e Francisco de Castro Morais.
Em 1701, D. João de Lencastre fechou a estrada do Rio São Francisco e proibiu a ida às minas de qualquer pessoa que não tivesse um passaporte assinado por ele próprio, Governador Geral do Brasil ou pelos Governadores do Rio de Janeiro ou de Pernambuco. Mas esta medida impedia também que fossem levados às regiões das Minas os suprimentos necessários à população e por isto ela se tornou inócua. Igualmente inúteis foram as medidas tomadas para limitar o número de negros escravos que entrava em Minas.
Como as autoridades locais eram incapazes de exercer sobre a região das Minas qualquer controle efetivo, as autoridades da Bahia e do Rio de Janeiro procuravam limitar o tráfico e policiar os caminhos que levavam à região, providência que também obteve pouco êxito.
Segundo Antonil:
"Em 1709, calcula-se com razoável grau de possibilidade que havia umas 30.000 pessoas ocupadas em atividade mineradoras, agrícolas e comerciais, em Minas Gerais."
Apesar dos exageros das estimativas que apresentam um número de 800.000 de pessoas chegando da terra-mãe para as Minas entre 1705 e 1750, sabe-se que a corrida à região foi bastante grande.
Em 1720, Portugal limitou a emigração para o Brasil. Outro tipo de pessoa que migrava para a região eram os desertores das guarnições da Bahia, Rio de Janeiro e da Colônia do Sacramento, fato que comprometia a segurança dos portos do mar.
A região mineira foi explorada, ocupada e em menor escala, colonizada com rapidez espantosa, dos arraiais mineiros vizinhos surgiram as atuais cidade como Ouro Preto, Sabará e São João Del Rei. Em menos de meio século a população da região mineira ultrapassou os 600 mil habitantes, enquanto toda a população do Brasil e de Portugal não passava de 4 milhões.
Artur de Sá nomeou vários funcionários que deviam zelar pelos interesses da Coroa: na cobrança nos diversos distritos dos impostos que representava 20% do ouro oficialmente declarado, o que era conhecido como o quinto; no leilão das datas da Coroa e no confisco das mercadorias contrabandeadas. Manuel Borba Gato, pioneiro paulista estava entre os funcionários da Coroa. O Governador estabeleceu centros de inspeção nos caminhos principais que levavam á saída da região.
A quantidade de ouro que deixava minas através de São Paulo e Rio de Janeiro fosse legal ou ilegal era menor do que a parte que chegava à Bahia pela Estrada do São Francisco, mas ambos fugiam ao controle da Coroa que não tinha como evitar o escoamento descontrolado. A primeira medida efetiva para controlar o movimento do ouro foi estabelecer a Casa da Moeda no Rio de Janeiro, o que foi feito em 1697, no local onde funcionava o Armazém Del Rei, lá foi instalado também os fornos e a fundição real para processar o ouro que vinha das Minas.
Em 1699, foram extraídos das minas cerca de 725 kg de ouro, este número subiu para 1.785 kg dois anos depois e para 4.380 kg em 1703. O aumento foi progressivo e atingiu um total de 14.500 kg em 1712.
"Antonil avalia que menos de um terço do ouro realmente retirado das minas era declarado e outra autoridade da época alega que menos de um décimo encontrava, eventualmente, o caminho das fundições e da Casa da Moeda."
Se os mineiros tivessem se mantido unidos poderiam ter desafiado o controle da Coroa, mas não foi o que aconteceu e as divergências que colocava em oposição os paulistas de um lado, que queriam a exclusividade na mineração e os "forasteiros" vindos de todas as partes e que eram conhecidos como emboabas de outro, fez com que, em 1707 eclodisse a Guerra dos Emboabas. A guerra, que durou três anos, deixou centenas de mortos, até o último combate em 22 de novembro de 1709, quando os paulistas desistiram de tomar o arraial onde os emboabas estavam entrincheirados, deu oportunidade à Coroa de intervir e firmar sua autoridade na região.
A Guerra dos Emboabas fez com que o novo Governador do Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho logo que assumiu o Governo, em 1709, tivesse que viajar para as Minas para tentar debelar a Guerra cujos germens o seu antecessor não havia conseguido deter. Pacificada a região D. Antônio sugeriu à Metrópole a criação da Capitania Real de São Paulo e Minas Gerais, devido à distância deste território, onde se desenvolvia grande atividade e que se povoava densamente, do Rio de Janeiro, fato que dificultava a ação eficiente da administração. A sugestão foi aceita e D. Antônio de Albuquerque foi o 1º Governador da nova Capitania.
Antônio da Albuquerque era de família da Beira, da aristocracia secundária, que de há muito tempo estava relacionada com o Brasil e a Capitania do Maranhão. Foi a primeira autoridade da Coroa a ser recebido em Minas com real respeito.
D. Antônio elevou à condição de vila três dos arraiais da região: Ribeirão do Carmo em 8 de abril de 1711, Vila Rica de Albuquerque em 8 de julho de 1711 e Nossa Senhora da Conceição de Sabará em 17 de julho de 1711.
D. Antônio conseguiu apaziguar os ânimos na região das Minas e tomou outras providências visando melhorar a administração local, para facilitar a cobrança dos quintos e para fazer a distribuição justa das datas mineiras e de sesmarias, entre emboabas e paulistas. Garantiu às forças rivais um equilíbrio de forças nas Câmaras municipais recentemente criadas.
Em meio à situação de pacificação e de organização da Capitania, Albuquerque recebeu a alarmante notícia da invasão do Rio de Janeiro pela expedição francesa comandada por Duguay-Trouin. O destino da cidade estava na balança e ele sem perder tempo levantou tropas de socorro, equipou-as e marchou para o litoral para prestar socorro à cidade neste momento de dificuldade.
O ouro das Minas foi a maior reserva de ouro do mundo e nunca se tirou tanto ouro de uma região. Depois de Minas foi encontrado ouro também em Goiás, na Bahia e em Mato Grosso.
Mas as riquezas descobertas não se limitaram apenas ao ouro, em 1727, num lugarejo conhecido como Arraial do Tijuco, hoje Diamantina, foi encontrada uma grande lavra com os mais reluzentes diamantes. Esta notícia fez com que D. João V exultasse juntamente com todo Portugal. No Tijuco, a alegria durou pouco, porque a política que Portugal instaurou no Distrito para controlar a exploração e a saída das pedras preciosas foi das mais repressivas e opressoras da colonização européia na América, a região dos diamantes foi totalmente isolada e só se podia entrar e sair dela com autorização.
O Brasil jogou tantos diamantes no mercado europeu que o preço do quilate caiu 75%. Dos seis contratantes que detiveram o poder de explorar os diamantes, quatro caíram em desgraça depois que o Marquês de Pombal assumiu o comando da Corte em Lisboa. Ao longo de sete décadas, 1740 a 1810, o Brasil produziu cerca de três milhões de quilates. Nesta época mais de dez mil escravos trabalharam nas minas.
Estas descobertas tiveram profundas repercussões no mundo português: o interior do Brasil começou a ser ocupado em massa; a mão-de-obra escrava e livre das plantações das cidades costeiras foi atraída para a exploração mineira, tornando-se a mão-de-obra na lavoura escassa e causando o aumento do preço do açúcar; aumentou a procura de escravos para as minas e para as plantações.
O governo de Portugal endividado, com uma nobreza falida e uma burguesia indigente, num prazo de vinte anos se transformou no maior produtor de ouro do mundo. O ouro do Brasil permitiu a retomada de entrada de reservas em Portugal e ele pode se recompor financeiramente.
Portugal vivenciou tempos de uma Monarquia Ilustrada e rica e a Corte teve seus dias de grandiosidade e esplendor. Se o quinto enviado para Portugal foi suficiente para enriquecer Portugal, pode-se imaginar o que não ocorreu na Colônia que ficou com quatro quintos que passaram a circular no mercado, deve ter servido para enriquecer grande parcela da população, principalmente negociantes, capitalistas e mercadores que viviam em sua maior parte nas Capitanias do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Esta concentração de riquezas causou fortes mudanças econômicas, sociais e culturais que refletiram na vida das vilas e das cidades.
Antes da descoberta do ouro das minas, a disposição legal sobre a tributação do ouro se resumia às Ordenações Manuelinas, de 1521, que estipulava que um quinto do minério extraído deveria pertencer à Coroa. Com a riqueza aflorando da terra e a dívida externa de Portugal sendo duas vezes superior à sua renda, as Minas sofreriam uma das mais altas tributações já conhecidas.
Os mineradores pagavam o quinto, mas também tinham de pagar: os "direitos de entradas", sobre os produtos vindos de fora, que às vezes chagava a 75% do valor da mercadoria no Porto do Rio de Janeiro; os "direitos de passagem" que era um pedágio cobrado nos rios; os dízimos para Igreja e o "subsídio voluntário" criado pelo Marquês de Pombal, para reconstrução de Lisboa, depois do terremoto de 1755. Todas as estradas, rios e passagens possuíam casas de registro e o ouro só podia circular em barras ou com um guia.
Em 1713, os mineradores ofereceram, em troca da suspensão do quinto, uma finta de 30 arrobas anuais à Coroa, que foi baixada para 25 em 1718 e aumentada para 37 em 1719.
Ao receberem suas datas, os mineiros tinham que pagar um dízimo para cobrir os ordenados dos superintendentes, guarda-mares, guardas menores, oficiais e policiais que patrulhavam a região. Mas calcula-se que 35% do metal extraído era contrabandeado. A legislação mudou em 1701, 1713, 1715, 1718, 1719, 1725, 1730 e 1750. Em 1735 quando Gomes Freire quis estabelecer um imposto de 17 gramas por ano por escravo, os mineradores ofereceram uma finta de cem arrobas anuais à Coroa.
Além da quantidade de ouro declarado oficialmente e que pagava o quinto havia grande parte não declarada, que se mantinha fora do controle e alimentava a prática de grande quantidade de atividades clandestinas. A Corte sabia e tentava impedir a sonegação de impostos, que se tornava prática comum no Brasil e também combatia a possibilidade de ourives da Colônia cunhar moeda sem controle do Governo. Em 1742, o Governador Mathias Coelho de Souza baixou um bando com a finalidade de estabelecer uma zona da cidade em que todos os profissionais de ourivesaria ficassem confinados com suas oficinas.
O contrabando de ouro utilizava frequentemente uma forma bastante interessante que era a Santa do Pau Oco, que carregava ouro em seu interior. O Museu Histórico Nacional possui magníficos exemplares deste tipo de santo.
O período mais importante do ouro no Brasil ocorreu no reinado de D. João V, entre 1706 e 1750, o período foi marcado pelo desvario típico dos que enriquecem depressa, além do costume de presentear amigos com caixotes de ouro, o rei encheu a cidade de obras faraônicas. A riqueza era grande e pouco se ligava para os negócios de Estado. D. João V foi contemporâneo do rei Sol, Luís XIV e desejou imitá-lo inaugurando urna era dourada de absolutismo em Portugal e construiu o gigantesco Palácio-Mosteiro de Mafra - 1717 a 1735, para rivalizar com o Escorial e com o Palácio de Versalhes, gastando a maior parte do ouro que chegava a Portugal. Construiu também o Aqueduto das Águas Livres - 1732 a 1748, que transportou pela primeira vez água potável para Lisboa e foi de grande utilidade e aceitação popular. D. João pode também contratar para trabalhar em Portugal artistas estrangeiros para participarem das obras que pretendia realizar.
Neste mesmo período estreitaram-se os laços entre Portugal e Inglaterra, com a riqueza do ouro, os ingleses incrementaram o relacionamento com Portugal, sobretudo após o Tratado de Methuen, em 1703, pelos quais os ingleses tornaram-se fornecedores do que Portugal exportava para o Brasil e de alimentos que Portugal já não produzia, enquanto a Grã-Bretanha imporia taxas preferenciais para os vinhos portugueses. A partir do tratado, acentuou-se em Portugal o domínio comercial dos ingleses, que acumularam grande quantidade de ouro, pois os portugueses compravam muito mais do que vendiam e desta maneira quase todo o ouro arrancado das entranhas de Minas Gerais passaram por Lisboa e foram parar na Inglaterra. Aos poucos os comerciantes ingleses tornaram-se os senhores de todo o comércio português com a Europa.
Em 1770 a produção de ouro brasileiro começou a declinar desastrosamente, e Portugal não soube aproveitar seu período de riqueza, em vez de ter utilizado seus recursos para se industrializar e pagar suas dívidas endividou-se cada vez mais e manteve a estrutura do século XVI, decretando assim sua falência e ficando subjugado totalmente à Inglaterra. Todo o ouro do Brasil passava pela nobreza portuguesa e ia enriquecer a burguesia inglesa. A Espanha também teve sua crise, mas não foi tão monstruosa quanto a de Portugal.

Como funciona uma mina de diamantes?

Como funciona uma mina de diamantes?

Na maioria dos casos, máquinas gigantes escavam em busca das pedras preciosas, que são separadas do cascalho pelo peso e identificadas por um sofisticado sistema de raios x. As minas são criadas em regiões com alta concentração de um tipo de rocha, denominado pelos geólogos de kimberlito. Esse material é formado pelo resfriamento do magma, que chegou até a superfície há milhões de anos, carregando elementos de regiões profundas da Terra. Feitos de carbono submetido a altíssima pressão, os diamantes foram forjados até 200 km abaixo da superfície há pelo menos 3 bilhões de anos. O tipo mais comum de mina é o de poço aberto – como a representada no infográfico a seguir –, baseada na escavação do kimberlito, e a maioria delas está na África. No Brasil, a produção se concentra em minas formadas por erosão de kimberlito. As águas de rios e lençóis freáticos carregam pedras, que se concentram em áreas superficiais e passam a ser exploradas por mineradores. As 26 toneladas de diamante produzidas no mundo movimentam US$ 13 bilhões. O maior comprador é a China.
MUNDOESTRANHO-131-46
TRABALHO ÁRDUO
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Supermáquinas, explosivos e alta tecnologia são usados para vasculhar toneladas de rocha.
Amaciando a terra
Após encontrar provas geológicas da presença de diamantes, os mineiros escavam o kimberlito. Mas a ferramenta deles não é picareta, não: os caras colocam explosivos em buracos de até 17 m de profundidade feitos pela perfuradora. O objetivo é fazer a rocha dura virar cascalho.
Trio parada dura
Três máquinas gigantes fazem o trabalho pesado: a perfuradora abre buracos na rocha para a colocação de explosivos, a escavadora movimenta até 50 toneladas de rocha por minuto e o caminhão mineiro leva 100 toneladas de material para o beneficiamento.
Buraco fundo
Com o avanço da escavação, o poço fica mais afunilado, chegando a centenas de metros de profundidade e a quilômetros de largura. A maior mina de diamantes em operação, com 600 m de profundidade e 1,6 km de diâmetro na parte mais larga, é a Argyle Diamond, na Austrália.
Plano B
Quando a escavação afunila demais, é preciso cavar um túnel paralelo ao poço. Do túnel principal, partem túneis perpendiculares para extrair a rocha mais profunda. No subterrâneo, são usadas versões menores das máquinas empregadas na superfície.
Coisa fina
O material extraído da mina vai para o processamento. O cascalho é triturado duas vezes, lavado e peneirado. Em seguida, as pedrinhas – de 1,5 a 15 mm – vão para um tanque de flotação. As pedras mais pesadas, com potencial de ser diamantes, ficam no fundo e as mais leves são descartadas.
Catando milho
Uma máquina de triagem equipada com raios X identifica os diamantes. Ao rolarem na esteira e serem atingidos pela radiação, eles ficam fluorescentes. Um sensor registra essa luz e aciona um jato de ar, que separa o que importa do restante das pedras. Por último, rola uma checagem manual.
Feitos para brilhar
Cerca de 30% dos diamantes são gemas, ou seja, têm características ideais para se tornar joias: cor, claridade, tamanho e possibilidade de lapidação. O restante é usado na indústria para a produção de peças de corte, como brocas, discos, serras e bisturis. Como transmitem calor rapidamente, diamantes também são usados em termômetros de precisão.
VALE QUANTO PESA
Cada tonelada de terra extraída rende 1 quilate de diamantes (0,2 g)
Valor de mercado
Um caminhão carregado rende até 20 diamantes de 1 g. Pedras usadas em joias valem, em média, US$ 1 mil/quilate. Para uso industrial, paga-se em torno de US$ 10/quilate.
Além do brilho
O valor do diamante é baseado em cor, claridade, tamanho e lapidação. Gemas azuis, laranja, vermelhas e rosa são raras. Brancas e amareladas são mais comuns (98% do total).
Joia da coroa
O maior dos diamantes foi extraído na África do Sul em 1905. A pedra bruta tinha 3,1 mil quilates e foi lapidada em nove. As duas maiores (Cullinan I e II) foram dadas à realeza britânica.
- Em 1714, foi encontrado o primeiro diamante no brasil, em um garimpo de ouro próximo a Diamantina, MG.
- O diamante mais caro do mundo foi leiloado em Londres por US$ 46 milhões. O Graf Pink pesa 24,78 quilates e tem coloração rosada.

No riquíssimo subsolo de Teófilo Otoni

APRESENTAÇÃO

  • Teófilo Otoni - Pedras Preciosas - Circuito Turístico Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Pedras Preciosas - Circuito Turístico Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Praça Germânica - Circ. das Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição - Circ. das Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Câmara Municipal - Circ. das Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Igreja Matriz da Imaculada Conceição - Circuito Turístico Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Praça Germânica - Circuito Turístico Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Cachoeira Pedra D'Água - Circuito Turístico Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Praça Tiradentes - Circuito Turístico Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Casarão do Sesc - Circuito Turístico Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Ponte Antiga Ferrovia Minas-Bahia - Circuito Turístico Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Pedras Preciosas - Circuito Turístico Pedras Preciosas
  • Teófilo Otoni - Pedras Preciosas - Circuito Turístico Pedras Preciosas
Capital das Pedras Preciosas
No riquíssimo subsolo de Teófilo Otoni, formaram-se, há milhões de anos, águas marinhas, topázios, berilos, turmalinas, crisoberilo, alexandrita, ametistas, quartzo róseo, olho-de-gato e outras gemas. A razão para a diversidade e a riqueza é o município estar localizado na província pegmatítica Oriental do Brasil, uma das mais ricas áreas mundiais de produção de pedras preciosas.

Além da exploração das gemas, a cidade é um importante centro de lapidação. São cerca de 250 pequenas empresas de lapidação e comercialização, 2.700 lapidações informais, 200 corretores autônomos e empresas de exportação. Anualmente, em julho, acontece a Feira Internacional de Pedras Preciosas (FIPP). Por tudo isso, Teófilo Otoni passou a ser conhecida como a "capital das pedras preciosas".

Teófilo Otoni exerce liderança regional - Vale do Mucuri, São Mateus e Jequitinhonha - como centro cultural, comercial, educacional e de assistência hospitalar. Com um dos maiores rebanhos bovinos do Estado, o setor pecuário também é um dos pilares da economia da cidade e da região. Para incrementar os negócios, acontece a Exposição Agropecuária dos Vales do Mucuri, São Mateus e Jequitinhonha (Expovales).

O calendário de eventos é variado e movimenta a cidade o ano inteiro - Carnaforró, VII Feira do Peixe, Feira do Mel, Encontro dos Médicos Veterinários dos Três Vales, Forró das Pedras, Congresso de Medicina do Nordeste Mineiro, Festival do Folclore, Festa da Colheita e a Mostra de Orquídea.

As especialidades da terra são a carne de sol, o feijão-verde, a mandioca preparada de formas diversas e a legítima cachaça mineira. O visitante pode saboreá-los nos inúmeros restaurantes da cidade ou adquiri-los no Mercado Central.

"Aqui farei a minha Filadélfia"
Foi desse desejo do político liberal Teófilo Benedito Ottoni que nasceu a cidade.

Natural do Serro, antiga Vila do Príncipe do Serro Frio, Teófilo Ottoni, eleito para a Assembleia Geral de 1838, foi um dos líderes da Revolução Liberal de 1842. Os revoltosos foram vencidos pelas tropas de Caxias, em Santa Luzia, e os líderes, enviados para a prisão. Em 1844, os revoltosos foram anistiados por D. Pedro II. A partir dessa data, os liberais começaram a ser chamados de "luzias", enquanto os conservadores são apelidados pelos opositores de "saquaremas".

Em 1845, Teófilo Ottoni foi reeleito deputado por Minas Gerais. Poucos anos mais tarde, estava decepcionado com a política - as eleições de 1849 foram manipuladas pelo governo imperial, e a Câmara passa a ser dominada por uma maioria conservadora. "Dispostos a fazer ao poder pessoal mais concessões do que aquelas que eu julgava admissíveis retirei-me da política e deixei de estar em comunhão com qualquer partido."

Foi nesse período que Otoni passa a ter outro objetivo. "Afastado da política, procurei em outro terreno ser útil ao meu país. Uma idéia me assaltava o espírito."
A ideia que lhe assaltava o espírito era a colonização da região do Mucuri e a fundação de uma cidade que se tornasse o centro do progresso do Nordeste de Minas, para fazer a ligação da região com o litoral que seria vital para o desenvolvimento da região.

No ano de 1847, os irmãos Teófilo e Honório Ottoni tinham concluído o projeto "Condições para a Incorporação de uma Companhia de Comércio e Navegação do Rio Mucuri". Nesse mesmo ano, acompanhados por 18 pessoas, os irmãos Ottoni navegaram, a bordo do vapor "Princesa Imperial", do Rio de Janeiro a São José do Porto Alegre, foz do rio Mucuri. Após percorrer a região, Teófilo Otoni passou a ter certeza de que o projeto seria viável.

A Companhia do Mucuri, formada com capital da família Ottoni, do visconde de Mauá e de pequenos acionistas, (formavam o capital da empresa) passou a ser realidade em 1851.

Era um projeto de desenvolvimento regional integrado, a busca de alternativa à crise econômica da região serrana e de Minas Novas, a partir do declínio do ouro. Região onde viviam 100 mil pessoas (MIRANDA, 2000).

Quando deputado, Ottoni já desejava que a Província de Minas Gerais possuísse ferrovias, estradas e sistema de navegação. Escreveu o político e líder liberal,

A província dotada de um clima invejável, de uma população laboriosa, de pastagens preciosas, de prodigiosas riquezas minerais, de uma ampla superfície de terras fertilíssimas, tudo podia produzir, mas nada conseguia exportar.

A segunda vez que Ottoni chegou ao Mucuri foi em 1852. Subiu o rio em canoa até Santa Clara. Enquanto isso, outro grupo saiu de Alto dos Bois, hoje Minas Novas, e outro de Trindade até o aldeamento de Pote, onde os dois grupos se encontraram. A partir desse ponto, abriram uma trilha de 33 quilômetros até o local onde seria construída Filadélfia, que mais tarde ganharia o nome de "Teófilo Otoni". Continuaram a abertura da trilha por mais 50 quilômetros até a foz do rio Todos os Santos, no Porto das Canoas, onde encontraram Teófilo Ottoni e seu grupo.

Foi uma grande aventura; o caminho era penoso e cheio de armadilhas - cobras, centenas de insetos, onças e índios prontos para defender seu território. A mata impenetrável obrigava ao árduo trabalho de abrir as picadas e trilhas a golpes de facão e de machado. Para as expedições, tudo foi preparado cuidadosamente: selecionaram homens fortes, afiaram facões, limparam velhas carabinas, contrataram "línguas" que seriam intérpretes para o contato com povos indígenas desconhecidos, levaram alimentos, remédios, ferramentas, fumo de rolo e pólvora.

A primeira ação foi grandiosa, a construção da estrada de Santa Clara, 180 quilômetros de uma via que ligava a cachoeira de Santa Clara, próximo a atual Nanuque, até Filadélfia. Para a construção, foram contratados vários engenheiros, os alemães Oscar Henning e Roberto Schlobach; John Humphreys, de nacionalidade inglesa, os franceses Charles Bernard e Schaedli, um polonês, Christiano Wisewsky, engenheiros militares brasileiros e um dos irmãos mais novos de Otoni, Cristiano.

Para o trabalho pesado, foram contratados 100 operários chineses, que trabalharam no sistema de assalariados. No início, dos planos constava a utilização de homens livres. Mas brancos, pobres e negros alforriados não se interessaram pelo trabalho; os índios pacificados eram nômades. Assim, foi necessário recorrer ao trabalho escravo. "Não há filosofia contra a experiência e por isso mais de 150 escravos já se empregavam na Companhia." Dessa maneira, Ottoni escreveu sobre a experiência frustrada de contratar trabalhadores assalariados.

Os 180 quilômetros construídos pela Companhia do Mucuri se tornaram a primeira estrada do interior brasileiro em plena Mata Atlântica. Filadélfia estava ligada a Santa Clara pela estrada. A partir desse ponto, havia 170 quilômetros de navegação até o litoral e daí o viajante prosseguia para a capital do Império por via marítima. "A Santa Clara foi feita antes mesmo da estrada União e Indústria, esta com recursos públicos e investimentos dez vezes superiores aos empregados naquela" (MIRANDA, Nilmário 2007).

Em 1857 foi talvez com sentimento de vaidade que percorri no meu carro as 27 léguas e meia da entrada de Santa Clara, e no dia 23 de agosto entrei triunfalmente na minha querida Filadélfia.

Era a realização do projeto iniciado em 1847.

Na confluência dos rios Todos os Santos e Santo Antônio, uma planície de 15 quilômetros rodeada por sete colinas foi escolhida como local ideal para a realização do sonho de Teófilo Ottoni, ou seja, construir uma "nova Filadélfia" nos trópicos. O nome era inspirado nos ideais republicanos de liberdade e de direitos do homem, consagrados na Declaração de Independência dos Estados Unidos. Entre os anos de 1790 e 1800, Filadélfia havia sido capital da jovem nação republicana dos Estados Unidos da América.

A inauguração no dia 7 de setembro de 1853 foi marcada pela abertura da rua Direita sob a responsabilidade do engenheiro Roberto Scholobach.

Um alinhamento de uma grande rua plana e retilínea, tendo extensão de mais de meia légua no sentido NS (Reinaldo Ottoni Porto). Foram abertas, duas ruas paralelas à rua Direita, diversas perpendiculares formando ângulos retos e duas praças. O ideal de cidade manifesto na criação de Filadélfia pode ser entendido a partir do choque entre dois mundos, dois universos de valore. De um lado, o espaço regional, visto como formador de identidades, construtor de um tipo de liberdade, empreendedor e viril. De outro, a cidade-corte marcada por efeminados, como o beija-mão. Filadélfia é a negação da cidade-corte (ARAÚJO, 2003)

A urbanização se inicia com a instalação de serraria, carpintarias, olarias, armazéns, lojas e um quartel. 
Seguindo a política de imigração do período, a Companhia de Comércio e Navegação do Rio Mucuri, quando foi constituída, recebeu do governo imperial concessões como: dez léguas de testada por uma de fundo para estabelecimento do projeto de colonização. 

Na imigração, estava uma das esperanças de povoamento e desenvolvimento de Filadélfia e região. No início da construção da estrada Santa Clara, Otoni já havia demonstrado seu interesse na substituição da mão de obra escrava pelo trabalho livre assalariado. Uma tentativa da Companhia foi atrair a população pobre dos vales dos rios Doce e Jequitinhonha.

Os povos indígenas, principalmente os aguerridos Botocudos, representavam ameaça para o projeto de povoamento do Mucuri, mas Otoni nunca adotou uma política belicosa contra eles. O pioneirismo do empreendedor também pode ser observado pela aproximação pacífica junto aos povos indígenas do Mucuri. Tentou adotar uma ação de integração oferecendo alimentos e ferramentas.

[...] desenvolveu-se uma prática indigenista inédita, como mostra o Relatório de 1861 ao Presidente da Província do então Diretor dos Índios do Mucuri, Augusto Otoni... Para dar-lhes o incentivo que levasse a trabalhar e para guarda-lhes o direito, anunciei a todos os habitantes do distrito que ninguém poderia trabalhar com os índios sem pagar-lhes de jornal uma pataca...Outra providência escrupulosa e geralmente cumprida é a proibição de tomar aos índios os filhos para conservar em mal disfarçada escravidão... Cuido poder asseverar a V. Excia. Que, do meu distrito e durante minha direção ainda não saiu um indiozinho (A colonização alemã no Vale do Mucuri,1993).

Em 1808, o príncipe regente D. João VI havia autorizado, por meio de uma carta régia, datada de 13 de maio, uma ação armada contra os povos botocudos, justificada como "guerra justa". A animosidade continuou pelo século. Em uma carta ao escritor Joaquim Manuel de Macedo, Otoni relata abomináveis ações contra os índios "...cães especialmente treinados na caça ao Botocudo, alimentados com carne de indígenas assassinados... contaminação proposital de comunidades inteiras através de agentes patogênicos letais para o indígena - sarampo, por exemplo."

No dia 2 de junho de 1856, os primeiros imigrantes desembarcaram no porto de Santa Clara. Eram alemães, suíços, portugueses, italianos, belgas, holandeses, chineses e espanhóis. Com o tempo, aconteceu a "germanização", ou seja, todos eram chamados de "alemães".

Os imigrantes que tinham formação profissional, como tecelões, enfermeiros, agrimensores, oleiros e outros, ficaram na área urbana. Para a área rural, foram encaminhados os agricultores. Os imigrantes sofriam com muitas dificuldades - o idioma; o desconhecimento da flora, da fauna e das plantas comestíveis; o clima; as doenças tropicais. Por exemplo, eles não sabiam como tratar coisas corriqueiras, como um bicho-de-pé. Surgiram conflitos com a medição das terras, que era lenta e imprecisa.

A primeira escola primária de Filadélfia foi organizada em 1880 pelo pastor Johann Leonhardt Hollerbach, o primeiro religioso protestante a se instalar na comunidade, em 1862. A escola funcionou até 1954 e, até a década de 40, havia sido dirigida por professores de origem alemã.

A Companhia também estimulou a abertura de estradas no Norte de Minas, já que Filadélfia se impunha como polo regional. Foram interligados os municípios de Serro, Minas Novas, Peçanha, Araçuaí e Capelinha ao Vale do Mucuri. Em um relatório de 1859 apresentado aos acionistas, Teófilo Otoni escreveu: "[...] orço em mais de 20.000 almas o movimento da população atraída pelas estradas e comércio que a Companhia do Mucuri levou aquelas paragens".

A Companhia, com sérios problemas financeiros, teve os pedidos de empréstimos negados pelo governo; vivia-se um período de domínio dos conservadores, velhos inimigos políticos dos Otoni. Em 1860, a Companhia do Mucuri foi encampada pelo governo da província.

Sem a Companhia, Otoni retornou à vida política; em 1864, tornou-se senador e ocupou a vaga deixada por Diogo de Vasconcelos, que faleceu durante o mandato. Teófilo Benedito Otoni, vitimado de "intoxicação miasmática", segundo diagnóstico médico, faleceu no dia 17 de outubro de 1869.

Em 1874, Filadélfia demonstrou sua prosperidade do Vale do Mucuri com a realização de uma exposição agrícola, comercial e industrial. Tinham muito para mostrar: gado, cereais, legumes, café, açúcar, subprodutos do leite, produtos farmacêuticos e de medicina natural, artigos em madeira, tecelagem, fotografia e outros. Muitos colonos alemães foram agraciados com menções honrosas pelos seus produtos; podemos citar: Guilherme Schultz, cereais; Gottlieb Bremmer, polvilho; Augusto Wolf, charutos e cigarros; Frederico Marx, paletó de casimira, Henrique Pietsch, fotografia.

O progresso de Filadélfia fez com que, pela Lei nº 2.486, de 9 de novembro de 1878, o distrito fosse elevado a município. Em homenagem ao fundador, passou a se chamar "Teófilo Otoni".

Nas últimas décadas do século19, a estrada de Santa Clara estava intransitável por falta de manutenção; isso significava que a produção de Teófilo Otoni precisava de caminhos para seu escoamento. Atento a essa questão, o Dr. João da Mata Machado solicitou à Assembleia Provincial de Minas Gerais a construção de uma estrada de ferro para ligar Caravelas, no sul da Bahia, à cidade de Teófilo Otoni. O engenheiro civil Miguel de Teive e Argolo foi o nomeado para coordenar os trabalhos. No dia 16 de abril de 1881, foi instalado o primeiro trilho da estrada de ferro Bahia-Minas. Em 1882, a estrada chegou à divisa de Minas Gerais, na área da serra dos Aimorés.

Após uma série de problemas financeiros, finalmente, no dia 3 de maio de 1898, a primeira locomotiva chegou a Teófilo Otoni. 
O barulho já é estridente e dominador, emociona a todos e, num instante surge na reta a grande locomotiva... A máquina avança a incrível velocidade um, dois, três, era composta de quatro carros de passageiros e duas pranchas cheias de pessoas desconhecidas. Um poeirão vermelho acompanha a composição, cobrindo todos os presentes, enquanto os desatentos são queimados por fagulhas... Um vozeirão tem início, porém é abafado por palmas e vivas, enquanto a locomotiva continua resfolegante. Alguém no meio da massa popular grita: Viva o Brasil (Estrada de Ferro Bahia e Minas).

O município de Teófilo Otoni entrou no século 20 como polo econômico e de desenvolvimento do Mucuri e do Jequitinhonha. A população, que em 1890 era de 13.222 habitantes, saltou para 163.199 em 1920.

Martim de Carvalho e Fernandes Tourinho, em expedições pelos sertões do Brasil, na década de 70 do século 16, recolheram várias amostras de pedras na região. Quando se iniciou o povoamento pela ação empreendedora de Teófilo Ottoni, tinha-se noção da existência das pedras preciosas no subsolo, mas a mineração e a extração não se tornaram opções de atividade econômica. Um descendente de imigrantes alemães, em uma entrevista para o livro A colonização alemã no Vale do Mucuri, disse: "Os alemães ficaram em cima de um tesouro sem saber".

Na década de 20 do século 20, as gemas começaram a ser exploradas em escala comercial, tornando-se a segunda principal atividade econômica do município. Alguns alemães se dedicaram a esse tipo de atividade. A cidade chegou a receber imigrantes de Idar-Oberstein, na Alemanha, importante centro de comercialização de pedras do mundo. Mas a maioria dos pequenos grupos de garimpeiros não era morador local.

Com o nome de Marta Rocha e valendo uma fortuna de duzentos e sessenta milhões de cruzeiros, uma preciosa água-marinha foi encontrada, no final da década de 50, no distrito de Topázio. A pedra pesava cerca de 175 mil quilates e possuía 60% de limpidez. Essa foi uma das maiores descobertas feitas em Teófilo Otoni.

O município hoje faz parte do Circuito das Pedras Preciosas. Em uma operadora local, é possível adquiri passeios para conhecer a cadeia produtiva da extração das gemas à confecção de joias e o artesanato mineral.

Cachoeiras do rio Mucuri e as pedreiras majestosas se tornaram opção para adeptos de esportes radicais; existem opções menos radicais, como uma boa caminhada. Para promover o turismo, estão nos planos da cidade a construção de um museu dedicado às gemas e a reativação de um trecho da estrada de ferro Bahia-Minas.

Na praça Tiradentes, o visitante pode sentir a alma de Teófilo Otoni - o conjunto arquitetônico; a Maria Fumaça - Poxixá -, preservando a memória da ferrovia Bahia-Minas; o bicho-preguiça nas árvores, o comércio das pedras e a Feira de Artesanato.

Uma das mais notáveis histórias sobre o povoamento e desenvolvimento de uma cidade de Minas Gerais, sem nenhuma dúvida, é a de Teófilo Otoni - concretização da sonhada Filadélfia de Teófilo Benedito Ottoni, que vale ser conhecida por todos os brasileiros.