sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Quando Minas Gerais dominou o mercado mundial de ouro

Quando Minas Gerais dominou o mercado mundial de ouro

Os espanhois trouxeram de volta da América Latina  330 toneladas de metais prciosos por todo o século XVI. A prata representou 97% das suas importações de metais preciosos e o ouro só 3%. Na realidade foram os Portugueses que extrairam a maior parte do ouro. Mais de 1200 toneladas de ouro foram extraídos das minas de Minas Gerais/ Brasil entre 1700 e 1820, representando 80% da produção mundial. A mina de ouro de Passagem é a mais antiga. Apesar de uma primeira descoberta do ouro de 1693 conflitos violentos tornam necessário esperar por 1720 para conseguir 9 tonelada de ouro por ano. Anteriormente, a produção de Minas Gerais não excedia 2 ou 3 toneladas de ouro por ano.

A área dependia da Capitania de São Vicente. A Câmara de São Paulo emitiu em 07 de abril de 1700 uma petição exigindo a anexação. Em 1707, dois líderes paulistas foram linchados. Em 1708, o confronto armado foi retomado. Manuel Nunes Viana foi banido do distrito de Rio das Velhas, mas  controlando dois dos três centros de mineração, acabou declarado governador. O rei de Portugal criou as fundições reais. Todo o ouro extraído era para ser derretido, removendo do peso total  20% (1 quinto) correspondente ao imposto. Ouro Preto, chamado Vila Rica, foi fundada em 08 de julho de 1711 em várias colinas de encostas  íngremes, na sequência da descoberta de ouro nos rios. Desde 1750, ele já tem mais habitantes do que o Rio de Janeiro ou Nova York, 80.000 pessoas em 1760 contra 40.000 hoje. Sua riqueza lhe permitiu construir uma infinidade de igrejas barocas, decoradas pelo arquiteto e escultor Aleijadinho. Mariana foi fundada no mesmo ano, dois séculos antes de Belo Horizonte, capital regional. A produção de ouro atingiu um máximo de 14,5 toneladas de ouro por ano entre 1740 e 1760, graças ao afluxo de mineiros e técnicas modernas para cavar fundo como as bombas Thomas Newcomen. Mas o ouro fácil começa a esgotar-se: a produção de ouro cai para 10-11 toneladas por ano entre 1760 e 1780. entre 1800 e 1820 ainda é cerca de 3 toneladas por ano

A fórmula para a compra de ouro

A fórmula para a compra de ouro

Os fatores que influenciam o valor final na compra do ouro são:

- O preço do ouro mil:

O preço de ouro mil é dado a cada dia pelo preço da bolsa de São Paulo: Ele é ele mesmo um componente do preço do ouro na bolsa de Londres com o valor do dólar no mercado paralelo brasileiro

- O teor do ouro de garimpo:

Cada garimpo tem um teor do ouro diferente, além do tipo do ouro, aluvionar, de filão, etc... Na prática o ouro de garimpo é feito de ouro, de prata, de cobre e outros elementos metálicos. Como o ouro é muito mais pesado do que esses outros metais menos valiosos, é na balança de Arquimedes que será possível calcular o seu verdadeiro teor de ouro mil contido.

- A margem de lucro:

Qualquer empresa que compra ouro tem que pagar as despesas de funcionários, incluindo seguranças, seguros, energia, veículos, etc..  Além de conseguir extrair uma margem de lucro. Essa margem é influenciada pela concorrência acirrada com as demais empresas de compras, tanto legais como ilegais. Na prática, a loja fixa uma percentagem mínima sobre o preço do ouro mil obtido cada dia na bolsa de São Paulo: se por exemplo, o preço do ouro mil em São Paulo for de R$ 130,00, a loja 1 aplica um desconto de 5%, o que ira fornecer um valor de ouro mil para esta loja 1 de 123,5; mas se a loja 2 fixar o desconto em 4%, o preço anunciado do ouro mil para esta loja 2 será de 124,8. Com este preço a loja 2 ira comprar mais ouro do que a loja 1, e assim ter um movimento maior que poderá ou não compensar a menor margem de lucro, mas cada loja sabe que as margens são estreitas.

- A aplicação da fórmula na balança de Arquimedes:

A balança de Arquimedes mede o peso de uma barra do ouro de garimpo seco (após fundido) e depois o peso da mesma barra dentro da água; Se o ouro de garimpo conter mais prata e a prata sendo mais leve do que o ouro, terá mais volume dentro da água, provocara uma inflexão na balança de Arquimedes que é calculada pela fórmula abaixa:
Peso liquido= peso sólido*2307-208X

Nesta fórmula, o X é um número aleatório entre 0 e 9 que ira influenciar o valor final, e que pode ser modificado pelo comprador de balcão. Se aumentar ou baixar, poderá ganhar o cliente dando a ele a impressão que o teor nesta loja é maior que na outra, compensar um valor anunciado de ouro mil acima do autorizado pela matriz, ou jogar com a cara do cliente.

ICMBio terá a última palavra sobre as LO na APA (antiga reserva garimpeira) Tapajós

ICMBio terá a última palavra sobre as LO na APA (antiga reserva garimpeira) Tapajós

Fora da APA, eles já decidem! 

Informação enviada pela SEMMA de Itaituba: 
Ao iniciar este ano estamos tentando aperfeiçoar o procedimento de licenciamento e nos adequar às exigências dos órgãos fiscalizadores, com alguns avisos importantes:

  • Os processos de requerimento inclusos na APA Tapajós serão submetidos a apreciação do órgão gestor (ICMBio), conforme estabelecido pela Resolução COEMA 120/2015 (art. 1o§ 3o).
  • Após rever a relação de documentos exigidos para iniciar o Licenciamento Ambiental constatamos que há exigências, previstas nas legislações em 2015, que estava conturbando o andamento do procedimento. Em virtude desta, foi elaborado a Instrução Normativa SEMMA 001/2016, que dispõe sobre o licenciamento ambiental das atividades de extração mineral e entrará em vigor neste/2016, assim como também, estamos apresentando a V. Sas. (em anexo) a relação de documentos que passarão a serem exigidos no protocolo. Estes pré check list são nada mais que a condensação das exigências contidas na IN 001/2016 e será apresentado na próxima reunião do COMDEMA para apreciação.
  • Brevemente estaremos apresentando, também, a relação de documentos para renovação de licenças ambientais.
  • As contribuições serão bem recebidas.
  • Solicito especial atenção ao fato de que todos os documentos exigidos na relação de LP, LI e LO deverão fazer parte do processo de requerimento e que os consultores deverão seguir o roteiro mínimo de PCA/RCA previsto no Anexo Único da IN 001/2016.

Atenciosamente,

O garimpo ilegal numa das maiores reservas de diamantes do planeta

O garimpo ilegal numa das maiores reservas de diamantes do planeta


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RESUMO Terras indígenas entre os Estados de Rondônia e Mato Grosso possuem o que, estima-se, possa ser a maior jazida de diamantes do mundo. Os indígenas cintas-largas que ali vivem passaram a colaborar com garimpeiros e atravessadores na exploração; a área agora sofre desmatamento e tem até pista de pouso.
"A nossa terra é nosso espírito. Um índio sem sua terra é um índio sem alma." Assim uma das lideranças do povo cinta-larga encerrou seu discurso em um encontro, realizado em maio, para discutir novas políticas indígenas. Inseparáveis na sua crença, a terra e a alma dos cintas-largas padecem juntas: o genocídio cultural e a violência contra membros da etnia são resultado da violação do chão que consideram sagrado. Debaixo das Terras Indígenas Roosevelt, Serra Morena, Parque Aripuanã e Aripuanã, entre Rondônia e Mato Grosso, onde habitam, esconde-se aquela que pode ser a maior jazida de diamantes do planeta.
O brilho das pedras começou a atrair o garimpo ilegal à região do igarapé Lajes entre 1999 e 2000. O território indígena demarcado (que, em tese, não poderia ser objeto de atividade mineradora, exceto garimpo artesanal promovido pelos próprios índios) é cortado hoje por uma clareira de aproximadamente 10 km de extensão por até 2 km de largura –além de um apêndice, também de 2 km, na chamada Grota do Sossego.
Garimpeiros e indigenistas estimam área ainda maior: seriam mais de 1.000 hectares dedicados à exploração mineral.
O pico da corrida ao diamante na Roosevelt ocorreu em 2004, quando havia mais de 5.000 garimpeiros na região. Foi interrompido com um conflito, após uma sequência de ameaças mútuas entre garimpeiros e indígenas, que resultou na morte de 29 dos extratores de minerais. Desde então, o garimpo no local já foi fechado e reaberto diversas vezes.
"O quadro atual é mais grave do que era em abril de 2004. Em março deste ano havia pelo menos 500 garimpeiros, a maioria armada e afrontando os índios, dizendo que não iria sair da terra indígena", afirma Reginaldo Trindade, procurador da República incumbido de defender a etnia.
A situação se repete: a reportagem esteve dentro do garimpo enquanto as atividades estavam completamente suspensas, em maio, por ordem dos índios. Ainda havia equipamentos abandonados e marcas de pneus recentes. Em julho, a área foi retomada pelos garimpeiros, que, armados, voltaram a extrair os diamantes.
DIAMANTES
Por ser terra indígena, a Reserva Roosevelt não pode ser estudada nem lavrada até a aprovação de uma lei com regulamentação específica. Ou seja, o conhecimento que se tem hoje resume-se a estimativas, e todas elas –segundo especialistas e empresas de mineração– estão abaixo do potencial real.
Mesmo conservadoras, as previsões sobre a reserva são superlativas: a Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), ligada ao Ministério de Minas e Energia, calcula que, apenas no garimpo Lajes, seja possível extrair 1 milhão de quilates de diamante por ano –uma receita que ultrapassaria US$ 200 milhões (cerca de R$ 800 milhões). Mais que isso: semelhantes ao raro kimberlito (tipo de rocha vulcânica onde se formam os diamantes) do Lajes, de acordo com relatório de uma empresa mineradora, existiriam em pelo menos mais 14 áreas. Não seria exagero dizer que há anuais US$ 3 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões) debaixo da terra.
Confirmados esses números, a Roosevelt seria a maior jazida do planeta, com quase 50% de vantagem sobre a segunda, a russa Jubilee, que produz 10,4 milhões de quilates ao ano. Em 2012, a Rússia anunciou que a jazida Popigai Astrobleme, cratera de quase 100 km de diâmetro resultante do impacto de um asteroide, teria diamantes para abastecer o mercado global por 3.000 anos, mas ainda não há provas dessa capacidade.
Atualmente, o Brasil é inexpressivo no comércio internacional de diamantes: em 2013, o país produziu aproximadamente 49,2 mil quilates, o que corresponde a 0,04% do total da produção mundial (130,5 milhões de quilates). Destacam-se hoje Mato Grosso (88% do total) e Minas Gerais (11%), não por acaso as principais rotas de lavagem do diamante ilegal.
As pedras oriundas da Roosevelt são muito valorizadas por seu formato, tamanho, pureza e cor. "Podem ser usadas principalmente para joias de alto valor, são diferentes e facilmente identificáveis", diz o chefe do departamento de recursos minerais do CPRM, Francisco Valdir da Silveira.
Para atingir uma produção proporcional ao potencial da Roosevelt, seria necessária a exploração mineral industrial de alta tecnologia, com máquinas modernas e mão de obra qualificada. Bem diferente da garimpagem semiartesanal que lá se pratica, com perda de até 40% das pedras no processo. Sem nenhuma fiscalização, utilizam-se equipamentos improvisados com baixa capacidade produtiva.
As retroescavadeiras abrem fendas de até 20 metros –ao passo que, nas grandes minas do mundo, as escavações chegam a até 600 metros. Ainda assim, estima-se que que a venda anual de pedras extraídas do território indígena chegue a R$ 100 milhões.
GARIMPO
Do alto, vê-se uma grande clareira na floresta amazônica, com a terra avermelhada em contraste com o verde. Já no chão, a entrada do garimpo parece uma ilha de um ecossistema seco e sem vida, margeado por um rio de um lado e um lamaçal do outro. É preciso tomar cuidado com onde se pisa –a terra rachada pode esconder buracos de areia movediça.
Poucos quilômetros à frente, o coração da garimpagem: enormes crateras enfileiram-se, entrecortadas por montanhas de terra, num horizonte sem fim. Perto dos buracos erguem-se barracões precários de madeira cobertos por lonas. É onde os garimpeiros fazem suas refeições, preparadas por suas mulheres ou por cozinheiras.
"Tem muita droga e prostituição, claro, mas vai muita família para o garimpo. A família toda, mulher e filhos, fica meses lá, e todo mundo se respeita", conta um garimpeiro que não quer se identificar. Ele reclama de que a vida no garimpo é muito dura.
Chegar até lá já é um sofrimento: da aldeia Roosevelt, a maior de toda reserva, percorre-se uma estrada de 35 km transitáveis apenas em trator, veículos potentes ou motocicletas. De moto, a viagem passa por áreas alagadas, e o veículo precisa ser carregado no braço em alguns momentos. Não raro o desgaste dos freios é tal que eles acabam antes do fim do percurso de aproximadamente quatro horas.
No garimpo, o trabalho é pesado, e o retorno, incerto. "Encontramos uma pedra grande, bonita, de mais de 11 quilates. Entregamos para o atravessador vender e nunca vimos a cor do dinheiro. Disseram que ele vendeu por R$ 180 mil", reclama um garimpeiro que, após o episódio, desistiu do trabalho.
O sistema de funcionamento do garimpo é uma espécie de engrenagem complexa, que gera uma "guerra fria" entre garimpeiros, índios e intermediários: todos tentam passar a perna nos demais.
Para começar, um investidor dispõe-se a comprar equipamentos, fazer contatos com compradores estrangeiros e subornar a fiscalização. Ele utiliza um intermediário local para negociar cada etapa desse processo –mediante, é claro, uma comissão.
O intermediário contata uma das principais lideranças cinta-larga (cada uma pode "operar" um trecho do garimpo) e oferece as máquinas em troca de um percentual da venda das pedras, de 20% a 30%. O garimpeiro entra como trabalhador braçal, sem renda fixa. É "contratado" pelo líder indígena e deve se reportar a ele caso encontre pedras. Do total do valor do diamante, o grupo de garimpeiros recebe 7%, parcela geralmente dividida igualmente entre todos.
Acontece que o intermediário avalia a pedra entre 30% e 40% abaixo do valor real da venda, dizem índios e compradores. Muitas vezes o índio recebe sua parte e não repassa aos garimpeiros, que, por sua vez, tentam vazar o diamante do garimpo direto para o comprador, driblando índios e atravessadores. Pequenas, as pedras cabem no bolso ou podem ser engolidas; o problema é que, se descoberto, o garimpeiro corre o risco de pagar com sua vida.
MASSACRE
Os primeiros contatos dos cintas-largas com o homem branco foram trágicos: sofreram um monstruoso genocídio, conhecido como Massacre do Paralelo Onze, em 1963, que matou 3.500 indígenas e precipitou a extinção do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), sucedido pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O que era uma etnia com cerca de 5.000 indivíduos hoje tem, segundo o Censo, apenas 1.758 pessoas.
A relação com os brancos seguiu estável até o início da garimpagem. Daí em diante iniciou-se um processo sistemático de aculturação. Primeiro, a contragosto, os índios permitiram o garimpo com ressalvas, mas a fartura de dinheiro e as perspectivas de consumo corromperam hábitos e geraram dívidas muitas vezes impagáveis.
Levantamento realizado pela indigenista Maria Inês Hargreaves indica que, em média, para cada índio cinta-larga, há entre três e quatro processos judiciais, a maior parte de cobrança de dívidas. Independentemente das trapalhadas financeiras, parte do endividamento é fruto de golpes: estelionatários que abusam do despreparo dos índios para fazê-los assinar documentos em branco, aceitar juros abusivos e aprovar cartas de crédito sem detalhamento das condições de pagamento.
Para saldar os débitos, muitas vezes cobrados a arma de fogo, permitem a garimpagem em sua terra e a ela se aliam. "Eles sabem que a situação criminosa e marginal em que se encontram conduzirá (já está conduzindo, na verdade) toda a comunidade à extinção. O povo cinta-larga está à beira do genocídio, se não físico, no mínimo étnico e cultural", sentencia o procurador Reginaldo Trindade.
O coordenador regional da Funai em Cacoal, Bruno Lima e Silva, corrobora: "A comunidade, no geral, é contra o garimpo, e são apenas poucas lideranças que lucram com isso e geram divisões políticas na etnia", afirma.
"Pela vontade da gente, não teria mais garimpo faz tempo, mas o governo não ajuda", diz uma das mais importantes lideranças, que pediu para não ser identificada. A queixa tem endereço certo e motivação definida: a falta de apoio técnico e financeiro da Funai.
Ainda que elogiem a recente ação regional da fundação, há atritos sobre repasse de verbas e um histórico de problemas de relacionamento dos cintas-largas com a gestão do ex-presidente Márcio Meira (2007-12) –alvo, com mais três dirigentes, de uma ação civil de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.
Em 2014, a Funai destinou apenas R$ 104.823,26 à etnia, um valor médio de R$ 58 por índio.
"A política indigenista vem sofrendo ataques constantes, que podem ser notados nas PECs e PLs e no enfraquecimento institucional da Funai, seja por limitação da atuação do órgão, seja pelos recursos irrisórios destinados à fundação", analisa Bruno Lima e Silva.
Por outro lado, o grupo operacional capitaneado pelo Ministério da Justiça e pela Polícia Federal recebia, entre 2006 e 2009, cerca de R$ 7 milhões por ano para coibir o garimpo. Não só não coibiu como piorou a relação dos índios com o Estado. Além da questão financeira, os indígenas relatam maus-tratos –e o Ministério Público já denunciou abusos por parte da própria Polícia Federal.
Rarefeita, mas agressiva, a presença do Estado é evitada pelos cintas-largas na reserva, o que abre espaço para outras formas de poder: lobistas, intermediários, operadores do garimpo e líderes religiosos entram na terra indígena e agem como tutores da comunidade –conseguem remédios, vagas em hospitais, prometem riquezas e encaminhamento espiritual. A etnia hoje é quase toda seguidora da Assembleia de Deus.
FLUXO
Há bases da Polícia Federal em todas as portarias oficiais das terras indígenas, mas ainda assim é impossível controlar o fluxo de pessoas e equipamentos até o garimpo. Abrem-se estradas clandestinas que vazam a reserva por meio de fazendas fronteiriças. E há uma pista de pouso dentro da reserva, além de diversos pequenos aeroportos em fazendas.
Os diamantes extraídos da Roosevelt saem, sobretudo, por três caminhos. Um deles é justamente o transporte aéreo. Retiradas da terra, as pedras são fotografadas e as fotos enviadas pela internet para os compradores intermediários, geralmente europeus e norte-americanos. Por mensagem, negociam preços e local e data da entrega.
O comprador chega à América do Sul via Equador, Peru, Colômbia ou Bolívia. Num desses destinos, aluga um monomotor e cruza a fronteira pelo ar, até aterrissar numa pista ilegal para entregar o dinheiro e pegar o diamante, sem nem pisar em solo brasileiro.
Outra forma de desovar os diamantes é pela fronteira terrestre, rumo à Venezuela e à Guiana. A Venezuela era um dos poucos países produtores de diamante que não emitia o certificado Kimberley (espécie de certidão da pedra que, em tese, comprova sua origem) até abril deste ano, quando assinou o acordo internacional. Antes, todo seu mercado de diamantes era ilegal, e toda pedra brasileira que lá entrava era incorporada pelo comércio local. Para a Guiana, o fluxo de contrabando é menor. A vantagem é que se pode conseguir o selo Kimberley –pedras que entrem num zoneamento legal da certificação são cadastradas como se tivessem sido extraídas de lá.
O terceiro modo de esquentar os diamantes é interno. A operação é semelhante à que se realiza na Guiana, com o registro feito em outros Estados, no caso Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás. Os diamantes são levados de forma ilegal até minas regularizadas e, chegando lá, são "oficializados".
Com a chancela Kimberley, podem ser exportados diretamente ou vão para a cidade de Juína (MT), onde são vendidos em uma legalizada "bolsa de valores de diamantes", na praça principal.
Tudo isso dificilmente se faria sem um guarda-chuva de interesses poderosos. "Sempre acreditamos no envolvimento de pessoas poderosas a movimentar o garimpo", diz Reginaldo. "São muitos os relatos a respeito do envolvimento de servidores de diferentes órgãos, políticos, empresários e até multinacionais na exploração; só isso pode justificar que uma situação tão grave seja tratada de forma tão amadora", conclui.
O dinheiro que entra nas contas das lideranças indígenas, claro, também não é legal. É usado geralmente para melhorias na comunidade, com alguns privilégios para os líderes: compram-se, por exemplo, caminhonetes para o transporte de todos, mas a prioridade de uso é dos caciques; ou instalam-se antena parabólica e internet wi-fi, mas antes na casa do cacique. Por outro lado, se a liderança não atender a um mínimo de expectativas em sua aldeia, será contestada internamente.
Hoje, os líderes mais influentes são aqueles com mais respaldo popular, caso de Marcelo Cinta-Larga, cacique da Aldeia Roosevelt, e do já idoso João Bravo, chefe da Aldeia Tenente Marques, onde pouco se fala português.
João Bravo é liderança histórica dos cintas-largas e tem status de prefeito vitalício, bancado pelo dinheiro do garimpo. Ficou rico, mas levou contrapartidas à comunidade: construiu estradas e iluminação, providenciou médicos e remédios para a aldeia, comprou carros e gado e até ergueu uma pequena hidrelétrica na terra indígena.
Já seu filho, Raimundinho Cinta-Larga, não conta com o mesmo prestígio. Um relatório do Ministério Público de Rondônia aponta que em 2005 ele já era dono de uma casa avaliada em R$ 400 mil em Cacoal. Em 2014 foi citado nas investigações da Lava Jato como destinatário de oito remessas de dinheiro (em um total de R$ 21.450,00) oriundas do doleiro Carlos Habib Chater, suspeito de participar da extração e venda de diamantes no exterior.
A defesa de Raimundinho diz que ele e a cooperativa que comanda, Coopecilar, nunca extraíram diamantes da terra indígena.
LEI
Diz o parágrafo 3 do artigo 231 da Constituição Federal que "o aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei".
Em outras palavras: é preciso que o Congresso crie e aprove uma lei que permita e regulamente a extração de recursos naturais em terras indígenas. Como essa lei não existe, hoje qualquer tipo de mineração na Roosevelt é ilegal.
"Queremos que o garimpo seja legalizado", diz com veemência Marcelo Cinta-Larga. A regulamentação é a solução apontada por nove entre dez fontes ouvidas pela reportagem, como funcionários do Ministério Público e Polícia Federal, índios e indigenistas e até garimpeiros, que dizem preferir trabalhar legalmente.
Já foram propostos três projetos de lei para tentar regular a atividade, os PL 7.099/06, 5.265/09 e, principalmente, o 1.610/96, proposto pelo hoje senador Romero Jucá (PMDB-RR) há quase 20 anos.
A proposta de Jucá foi tida como inaceitável por defensores dos direitos indígenas, sobretudo porque diminuía o peso da consulta às comunidades e estipulava royalties de só 2% da receita bruta das riquezas naturais, por lei, pertencentes à União. O projeto valeria para todo tipo de mineração, fosse de diamante, ouro ou qualquer outro minério ou pedra preciosa.
Em 2010, o deputado Eduardo Valente (PT-RO) apresentou texto substitutivo ao PL 1.610/96 que incorporou 40 emendas, mas rejeitou outras 62, além de considerar quatro inconstitucionais. O texto, que prevê royalties pouco maiores, de 3%, também enfrenta resistência.
Em paralelo, tramita no Congresso a PEC 215, que transfere da União para o próprio Congresso o direito de demarcação das terras indígenas e permite revisão dos territórios já demarcados, sob novos critérios. Tais medidas ferem a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, acordo assinado pelo Brasil a partir de 2003, que incorpora à legislação interna dispositivos de proteção a povos indígenas e tribais.
"A lei ainda não veio. O modelo de mineração depende do texto aprovado; se será por licitação, se a negociação será direta com os índios, ou qualquer outro modelo", esclarece o advogado e professor de direito financeiro da Universidade de São Paulo Fernando Scaff.
Scaff explica que, regra geral, o direito de explorar a riqueza é do primeiro a descobri-la, mas que em terra indígena o procedimento dependerá da lei. A consulta aos povos indígenas deve ocorrer na operação de cada garimpo, não na aprovação da proposta.
Isso significa que, para operar em terra demarcada, seria preciso se acertar com os índios. Há quem já esteja fazendo isso.
Existem duas cooperativas dedicadas à exploração mineral entre os cintas-largas, a já citada Coopecilar, durante anos liderada por João Bravo e Raimundinho, e a Coesci (Cooperativa Extrativista e Sustentável dos Cinta-Larga), capitaneada por Marcelo e Oita Mina Cinta-Larga, mas que conta com apoio de quase todas as lideranças. Para qualquer interessado em operar o garimpo legalizado, essas são as duas portas de entrada –e ambas já têm seus representantes.
Quem atende a Coopecilar há alguns anos é o advogado Raul Canal, cujo escritório fica em Brasília. Para a Coesci, o também advogado sediado em Brasília Luís Felipe Belmonte e o empresário Samir Santos Entorno apresentaram uma proposta de regulamentação do garimpo em março deste ano.
Em ambos os casos, os discursos são semelhantes: fazem trabalho de consultoria jurídica em Brasília para proteger os direitos indígenas e representá-los em processos judiciais em favor da legalização.
As promessas também: índios acreditam que, após a legalização, a etnia cinta-larga será uma das mais ricas do mundo –a reportagem viu Samir Entorno mostrando para os índios fotos de seu trabalho com aldeias milionárias no Novo México, nos Estados Unidos.
As frentes de atuação, contudo, são diferentes. Canal diz que se empenha em aprovar ainda neste ano o processo judicial que abstém os cintas-largas de se submeterem à aprovação do Congresso para "a exploração exclusiva por eles [índios] de todas as riquezas do subsolo e potenciais energéticos".
"Não apoiamos nenhuma das iniciativas legislativas, pois nenhum dos projetos que tramitam no Congresso atende aos interesses dos indígenas. Todos são de interesse das grandes mineradoras."
Já Belmonte dedica-se a obter para o cintas-largas a permissão para a legalização do garimpo, faiscação e cata –procedimentos de exploração do solo na superfície.
"A proposta é dar meios legais para eles trabalharem. O dinheiro seria todo da comunidade por vias legais: eles fazem o garimpo, negociam o diamante, e a cooperativa administra. O Estatuto do Índio permite isso", afirma. "O problema é abrir para o garimpeiro entrar e explorar atividades ilegais", diz.
Os dois advogados afirmam não manter relação com o garimpo ilegal e mineradoras.
Uma fonte do governo federal diz que a legalização do garimpo na Roosevelt é parte de um lobby internacional que vem da Antuérpia, na Bélgica (país responsável pela negociação de 80% dos diamantes brutos e de 50% dos diamantes lapidados do mundo), cujos investidores querem direcionar seu dinheiro para países com democracia e economia estáveis.
Em conflito com o Estado, sem verbas e com a cultura deteriorada, os cintas-largas seguem dependentes do garimpo, seja clandestino como hoje, seja legalizado por homens de terno em Brasília.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O Ouro é conhecido desde tempos pré-históricos e foi um dos primeiros metais a ser trabalhado

História

O Ouro é conhecido desde tempos pré-históricos e foi um dos primeiros metais a ser trabalhado, principalmente porque era para ser encontrado como pepitas ou como partículas nos leitos dos córregos.
Essa foi a exigência de que, até 2000 aC, os egípcios começaram a mineração de ouro.
A máscara mortuária de Tutankamon, que morreu em 1323 aC, continha 100 kg do metal.
Os túmulos reais da antiga Ur (atual Iraque), que floresceu 3800-2000 BC, também continham objetos de ouro.
A cunhagem de moedas de ouro começou por volta de 640 aC, no reino de Lydia (situada no que é hoje a Turquia moderna), utilizando electro, uma liga natural de ouro e prata.
As primeiras moedas de ouro puras foram cunhadas no reinado do rei Creso, que governou 561-547 aC.

Símbolo: Au

Elemento metálico de transição amarelo, mole e maleável.
Número atômico: 79; 
Configuração eletrônica: [Xe]4f145d106s1;
MA = 198,967; 
d = 19,32g.cm-3; 
PF = 1064,43°C; 
PE = 2807°C. 
Número de prótons / Elétrons:
 79
Número de nêutrons:
 118
Data da descoberta: 
cerca de 3000 aC.
Usos:
 eletroeletrônicos, jóias, moedas
Obtido a partir de: crosta da Terra, minérios de cobre
É encontrado na natureza como metal livre no cascalho e em veios no quartzo.
Ocorre nos minérios de sulfetos de chumbo e cobre e também combinado com prata em minério de telúrio (Ag, Au) Te2.
É usado na joalheria, como material dentário e em dispositivos eletrônicos.
Quimicamente não é reativo, não sendo afetado pelo oxigênio.
Reage com cloro a 200° C para formar cloreto de ouro(III).
Forma vários complexos com ouro nos estados de oxidação +1 e +3.
Ouro
Pepita de ouro de 170 gramas, encontrada em 1980 na região de Carajás, no Estado do Pará, Brasil.
Ouro
Imagem de 1980 do Garimpo de Serra Pelada, no Brasil.

Estrutura atômica

Ouro
Número de níveis de energia: 6
Primeiro Nível de energia: 2 
Segundo Nível de Energia: 8 
Terceiro Nível de Energia: 18 
Quarto Nível de energia: 32 
Quinto Nível de Energia: 18 
Sexta Nível de Energia: 1

Usos

É também, no entanto, amplamente utilizado em joalharia, quer na sua forma pura ou como uma liga.
O termo "quilate" indica a quantidade de presente de ouro em uma liga. 24 quilates é ouro puro, mas é muito macia.
Ligas e 18- 9 quilates são vulgarmente utilizados porque são mais duráveis.
O metal também é usada para a cunhagem, e foi usado como padrão para sistemas monetários em alguns países.
O ouro pode ser convencional em folhas muito finas (folha de ouro) para ser usado na arte, para a decoração e de Ornamento arquitetônico. Galvanização pode ser utilizada para cobrir um outro metal com uma camada muito fina de ouro. Isto é usado em engrenagens para relógios, articulações dos membros artificiais, jóias barato e conectores elétricos. É ideal para proteger componentes de cobre elétrico porque ele conduz bem a eletricidade e não corrói (que quebraria o contato). Finos fios de ouro são usadas dentro de chips de computador para produzir circuitos.

Propriedades físicas

O ouro é dúctil e maleável.
Dúctil significa que pode ser transformado em fios finos. Meios maleáveis, capazes de ser batido em folhas finas.
Um pedaço de ouro pesando apenas 20 gramas (um pouco menos de uma onça) podem ser martelado em uma folha que irá abranger mais de 6 metros quadrados (68 pés quadrados). A folha será de apenas 0,00025 cm (um décimo de milésimo de polegada) de espessura. Folha de ouro desta espessura é muitas vezes usado para fazer a rotulação na janela sinais.
O ouro é bastante suave. Ele normalmente pode ser riscado por um centavo.
O seu ponto de fusão é de 1,064.76 ° C (1,948.57 ° M) e o seu ponto de ebulição é de cerca de 2.700 ° C (4.900 ° F).
A sua densidade é de 19,3 gramas por centímetro cúbico.
Duas outras propriedades importantes são a sua refletividade e falta de resistência elétrica.
Tanto o calor ea luz refletir fora de ouro muito bem. Mas uma corrente elétrica passa através de ouro com muita facilidade.

Propriedades quimicas

De um modo geral, o ouro não é muito reativo. Ele não se combinam com o oxigénio ou dissolver-se na maioria dos ácidos. Ele não reage com halogéneos, tais como cloro ou bromo, muito facilmente.
Estas propriedades químicas também conta para alguns usos importantes de ouro.
As moedas de ouro, por exemplo, não se corroem (ferrugem) ou mancham muito facilmente, bem como jóias ou obras de arte feitas de ouro.

OURO (Au)

O ouro é um metal de alta densidade, maleabilidade e ductibilidade, que não sofre a ação do ar atmosférico. Nenhum ácido isolado consegue atacá-lo , a não ser uma mistura de ácido clorídrico e nítrico.
Pode ser dissolvido pelo mercúrio e é atacado pelo cloro e bromo. Tem uma grande afinidade pelo enxofre, pequena pelo carbono e nitrogênio e nenhuma pelo oxigênio. Os antigos o empregavam para eliminar o prurido palmar.
No fim do século 19 foi descoberta sua capacidade de inibir in vitro a "mycobacterium tuberculosis". Em algumas doenças como o Lupus e a artrite reumatoide, tidas como de origem tuberculosa foi tentado com sucesso uma terapia à base de ouro.
O ouro tem o efeito de parar a evolução da artrite reumatoide. Também em vitro os sais de ouro demonstraram a capacidade de suprimir ou prevenir , mas não curar artrite e sinovite induzida por agentes químicos.
As mais recentes pesquisas parecem demonstrar uma ação de inibição sobre a maturação e função dos fagócitos suprimindo dessa maneira a resposta imunológica. Em medicina alopática é empregado o ouro coloidal para cura particular da forma inicial e muito ativa da artrite reumatoide, artrose psoriasica, mal de Sjogren, , pênfigo.
Os sais de ouro (AuS) isoladamente paralizam a evolução da artrite e a sua difusão para outras articulações. Entretanto esses sais tem uma grande toxicidade a nível hepático, gastrointestinal, renal e medular. Em medicina natural o ouro é empregado devido ao seu efeito de estabilização da estrutura do cola´geno e ação genericamente anti-inflamatória.
O oligoelemento é um tônico geral, muito útil na astenia e nas deficiências imunológicas. A modalidade mais indicada para a administração do ouro é na forma de oligoelementos (soluções iônicas glicero-aquosas ) , isoladamente nos casos de algumas formas artro-reumaticas ou em associação com a prata e cobre nos casos de anergia ou deficiência do sistema imunológico.