Neste trabalho é feita uma caracterização das esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás por meio de sua gênese e inclusões minerais. A gênese dessas esmeraldas remonta as soluções da fase pneumatolítica-metassomática tendo, como fonte doadora de cromo, rochas básicas-ultrabásicas metamorfisadas (diversos xistos) cujo mineral cromífero é o espinélio, encontrado também como inclusão protogenética. As inclusões minerais, identificadas por meio de difração de raios X, microscopia óptica e mlcrossonda eletrônica, foram espinélio, pinta, pirrotita, dolomite, siderite com Mg, talco, mica, esmeralda, quartzo, talco-pirofilita, rutilo, halite e/ou silvita. Foi observada, também, a presença de inclusões bifásicas de tamanhos e formas bastante variadas. Destes inclusões, a pirrotita, a silvita e/ou halita, a siderite com Mg e o talco-pirofilita foram detectados pela primeira vez em esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás. A presença de grande quantidade de espinélio constitui uma das principais características dessas esmeraldas. Desde 1982, um ano após a descoberta do Garimpo de Santa Terezinha de Goiás, alguns trabalhos específicos foram realizados, uns enfatizando a geologia local e regional, outros destacam as características mineralógicas. Entretanto, foi observado que, nos trabalhos anteriores, não está clara a questão da gênese das esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás. Este trabalho visa fornecer resultados que contribuam com informações para as hipóteses formuladas para a sua gênese, além de apresentar um estudo amplo sobre as inclusões encontradas nessas esmeraldas. Localização e acesso O garimpo de esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás, está situado no centro-oeste goiano, distando de Goiânia cerca de 310 km. Seu ponto central apresenta longitude e latitude aproximadas de 49°20'W e 14°55'S. Tomando-se a rodovia asfaltada GO-080, num percurso de 95 km de Goiânia, atinge-se a BR-153, na altura do km 1,157. Percorrendo esta até o km 1,055,5, toma-se a GO-336, que conduz a Itapaci por uma distância de 20 km. Seguindo rumo a Pilar de Goiás pela GO-154 alcança-se essa cidade após um percurso de 30 km e segue-se por esta rodovia, não asfaltada, por 52 km até Santa Terezinha de Goiás, seguindo-se, então, mais 21 km até a Fazenda São João, por estrada municipal, onde se localiza/o garimpo, hoje denominado Campos Verdes. É possível chegar também ao garimpo partindo da BR-153, através da GO-439, via Hidrolina e GO-465, passando por Campinorte. A geologia do garimpo de Santa Terezinha de Goiás é considerada como compreendida no Grupo Araxá, sendo formada por duas seqüências, uma basal, composta de micaxisto a duas micas, finas e grossas, com intercalações de quartzitos micáceos, e outra de calcoxistos, com intercalações de calcário. A área estaria enquadrada dentro de uma seqüência vulcano-sedimentar do tipo cinturões móveis, bordejando núcleos cratônicos, representados pelos terrenos granítico-gnáissicos migmatizados que ocorrem na região. Essa seqüência, de idade provável proterozóica-inferior-média, apresenta como características principais, direção estrutural predominante NE e uma extensão superficial de várias centenas de quilômetros de comprimento, com largura que varia até dezenas de quilômetros. Denominaram de Seqüência Santa Terezinha ao conjunto vulcano-sedimentar de baixo grau metamórfico, posicionado a norte da cidade homônima. Esta encontra-se inserida numa calha de direção preferencial NE-S W, com bifurcação para sul, possuindo largura média de 6 km. É balizada, a sudoeste, por uma estrutura dômica de forma grosseira elíptica, constituída de gnaisses grossos (domo da Serra de Santa Cruz). a noroeste, é limitada por rochas graníticas gnaissificadas, onde se demarca um corpo de granito pórfiro. a sudoeste, encontra-se com uma associação gnáissico-anfibolítica-calcossilicática. Seus limites longitudinais encontram-se fora da área cartografada, mostrando continuidade física para sul com a Seqüência Mara Rosa, de Ribeiro e para norte com o Grupo Araxá. Consideraram que a área do garimpo apresenta, como embasamento, uma rocha biotito-gnáissica, que se encontra em contato com uma seqüência de rochas vulcano-sedimentares, com o termo ácido representado por rochas metavulcânicas, de composição provavelmente dacítica. os termos ultrabásicos da seqüência seriam representados pelos seus equivalentes retrometamorfisados, tais como talco-clorita xisto carbonátíco e tremolita-clorita xisto. Subordinadamente, ocorrem leitos de metacherts ferríferos, manganesíferos, quartzitos ferruginosos e metamargas. A mineralização, segundo os autores, obedece a um controle litológico e ocorre, principalmente, no talcoclorita xisto e/ou bolsões de biotitito ou mesmo no veio quartzo-feldspátíco, corte ou não aquelas litologias. As amostras foram coletadas em duas etapas. A primeira visita realizada ao garimpo de Santa Terezinha de Goiás foi efetuada em setembro de 1985. Nesta visita foram conseguidos lotes de amostras de dois pontos do Trecho Velho, de quatro pontos do Trecho Novo, um ponto do Trecho do Netínho e um ponto do Trecho do Antônio Rosa. A segunda visita ocorreu um ano após a primeira, durante a qual foram obtidos lotes de amostras de um ponto do Trechodo José Maria e de dois pontos do Trecho Novo. Às amostras abrangeram todos os trechos em produção, no período em que foram coletadas. Assim, foi possível dispor de aproximadamente 70 amostras, quase todas sem valor comercial,algumas com valor comercial e aproximadamente o mesmo número de amostras de rochas encaixantes. Estudos das inclusões por fluorescência e difração de raios X Para estudo das inclusões por fluorescência de raios X, foi usada uma microssonda eletrônica e do EDS (Energy Dispersive System X-ray microanaly-LINK Systems), sendo este acoplado à microssonda. Com este conjunto, é possível obter a análise semiquantitativa da amostra. As lâminas delgadas utilizadas nesta técnica de análise foram preparadas da seguinte forma, imersão das amostras em uma resina, por serem pequenas, seguida de laminação e fixação em lâminas de vidro apropriadas. A seguir, sofreram polimento grosso com carbeto de silício, até uma espessura de aproximadamente 200 µm, e fino com pasta de diamante. E, por fim, as mesmas foram metalizadas com carbono. Após a preparação das amostras, foi possível obter 80 espectros relativos às inclusões e aos hospedeiros. Os espectros de EDS mostram a presença de elementos compatíveis com os presentes nos minerais de espinélio, quartzo, siderita com Mg, esmeralda, dolomita, flogopita, talco-pirofilita, biotita, talco e carbonates. A difração de raios X foi realizada em um difratômetro de pó HZG4B com radiação CuKct, velocidade de varredura 2°/min em 2, em câmara de Guinier, usando-se também a radiação CuKa e 10 horas de exposição. Com estas técnicas de policristal, foi possível identificar as inclusões de pirita, talco e pirrotita. Estudo das rochas encaixantes por difração de raios X Na análise das rochas encaixantes foram utilizados um goniômetro horizontal de raios X Philips, um difratômetro depó HZG4B e câmara de Debye-Scherrer. Os difratogramas obtidos foram analisados como demonstrativos da presença de dolomita, magnesita, talco, flogopita/ biotita, quartzo, moscovita, turingita e clorita. Os resultados obtidos pela câmara de Debye-Scherrer, para algumas amostras, são concordantes com os expostosanteriormente. A teoria mais difundida e com maior aceitação sobre a gênese de depósitos esmeraldíferos em todo o mundo atribui a formação da gema à substituição do A13+ pelo Cr3+, na estrutura cristalina do mineral berilo. Para que tal processo ocorra, é necessário, portanto, que uma solução transportadora de berilo encontre um ambiente em que haja disponibilidade de Cr3+, elemento responsável pela cor verde da esmeralda. Essa teoria tem encontrado respaldo nas jazidas russas, em Leidsdorp e no complexo de Gravellotemica,o mesmo ocorrendo na Colômbia. No Brasil, os exemplos mais conhecidos e estudados são os garimpes de Carnaíba e Santa Terezinha de Goiás que, de uma maneira geral, também se enquadram na teoria acima. Em Carnaíba, de acordo com dados da literatura, as esmeraldas ocorrem nas proximidades do Granito de Carnaíba, em filões de flogopita-biotita xistos, encaixados em serpentinitos, especialmente em zonas mais fraturadas, geradas pela ação metassomática de pegmatites injetados a partir da massa granítica. As esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás ocorrem, além de nos filões de flogopita-biotita xistos, também nos veios carbonáticos, ambos nas proximidades do Granito São José de Alegre. A semelhança entre as esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás e as colombianas é atribuída à ocorrência de ambas em veios carbonáticos, disto provém o grande número de inclusões carbonáticas observadas nas mesmas. Para Schwarz,a falta de inclusões trifásicas tipo sólido-líquido-gás, consideradas características para esmeraldas formadas em ambiente hidrotermal, indica que as esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás remontam às soluções da fase pneumatolítico-metassomática. A gênese pode estar relacionada tanto às soluções pneumatolíticas de granitos subjacentes, como às transferência de material por deformação diferencial a partir de rochas circunvizinhas. Uma fonte mista, isto é, soluções residuais de granito, associadas à fase de metamorfismo, pode também ser admitida. Após o estudo das inclusões nas esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás, é possível concluir que o espinélio é a fonte doadora de cromo para a esmeralda. Esta hipótese corrobora às admitidas, que indicaram, como fonte doadora de cromo, rochas básicas-ultrabásicas metamorfisadas. As inclusões minerais predominam nas esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás. Apresentam-se em quantidades e formas bastante variadas, que são descritas aseguir. Halita e/ou silvita Foi notada, em algumas amostras, a presença de cristais cúbicos e transparentes ao serem observadas no microscópio com luz transmitida. Com ou sem polarização, não foi observada nenhuma alteração de cor nesta inclusão, sendo esta completamente isotrópica. Uma vez que essas características são as mesmas de halita e silvita, foi concluída sua presença. A ocorrência de inclusões de rutilo é muito pequena. De todas as amostras estudadas, somente uma apresentou inclusão deste mineral, sob forma prismática alongada ou curta e geralmente com geminação na forma de joelhos, com cor castanho-avermelhada escuro e brilho submetálico. O rutilo apresenta-se em cristais isolados e bem formados, distribuídos de uma maneira mais ou menos uniforme no cristal hospedeiro. Esmeralda e quartzo Ocasionalmente, são observados, como mineral de inclusão, pequenos cristais de esmeralda. Podem ser reconhecidos devido a uma ligeira variação de cor em relação ao cristal hospedeiro. O mesmo ocorre com o quartzo, que foi identificado pela análise por microssondaeletrônica. Talco e mica Em quantidades bem pequenas, são encontrados o talco e a mica. O talco é praticamente imperceptível sem o auxílio do microscópio, porém, com o auxílio deste, usando-se luz transmitida, é percebido pelos seus reflexos prateados. A composição química desta inclusão foi analisada em várias amostras com as mesmas características. Com a utilização de microssonda eletrônica, foi constatada a presença de Si, Mg e traços de Fe e Ni e, em algumas das amostras, também foi detectada a presença de Al, caracterizando, assim, a presença de talco e talco-pirofilita respectivamente. Por meio de difração de raios X, foi verificada a presença de duas reflexões cujas distâncias interplanares correspondem às raias mais intensas do talco, como pode ser observado na tabela l, quando comparada com os valores tabelados JCPDS. As micas podem se apresentar em cristais individuais ou, mais raramente, como concentração de agregados irregulares. Elas formam família caracterizada por uma série de propriedades comuns. Um dos meios de diferenciação é pela composição química. Os elementos químicos determinados nas análises realizadas foram Al, Si, Mg, K e traços de Fe e, em outras amostras, um teor de Fe mais elevado foi determinado, o que levou à conclusão da possível presença de flogopita e biotita, respectivamente. Carbonates Inclusões carbonáticas ocorrem em maior quantidade do que a mica e o talco. Apresentam-se em formas muito variadas, desde pequenos cristais irregulares e razoavelmente distribuídos sobre o cristal hospedeiro, até concentrações em algumas regiões da esmeralda, e também cristalizadas em fendas. Dentre as inúmeras inclusões carbonáticas de origens proto, epi e singenéticas foi possível identificar a dolomita e a siderita com Mg. Pirita e pirrotita O mineral de inclusão opaca mais freqüente que os carbonates é a pirita, que é identificada devido a forma cúbica bem desenvolvida de seus cristais. Além de observada por microscopia óptica, a sua presença foi confirmada por meio de difratometria de raios X, pelo método do pó. Nas interpretações dos difratogramas foram obtidas, além das reflexões da esmeralda, mais seis reflexões correspondentes às mais intensas da pirita, com distâncias interplanares observadas e comparadas com as tabeladas na JCPDS, mostradas na tabela 2. A presença de mais um sulfeto de ferro, além da pirita, foi observada nos resultados experimentais obtidos pela difração de raios X. Após análise detalhada dos difratogramas, foi verificado que as distâncias interplanares, correspondentes às reflexões ainda não explicadas, eram compatíveis com os dhkl, das reflexões mais-intensas da pirrotita, como pode ser observado na tabela 3. A inclusão mais freqüente é de minerais do grupo do espinélio, que foram identificados. Apresentam-se de forma muito variada, desde pequenos grãos, distribuídos no cristal hospedeiro, ou até den samente concentrados, formando "nuvens" que tornam a esmeralda praticamente opaca nessas regiões. Na realidade, trata-se de um espinélio com Mg e Al altamente substituídos por Fe eCr, respectivamente. Inclusões bifásicas As inclusões fluidas são identificadas, em muitos casos, pela presença na cavidade de umabolha de gás móvel. Na maioria das amostras estudadas foram observadas inclusões tipo líquido-gás com tamanhos variados. Em algumas amostras, estão localizadas em fendas e, em outras, distribuídas quase uniformemente por todo ocristal de esmeralda. O que pode ser observado neste conjunto de inclusões minerais, nas esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás, é que elas foram formadas antes, durante e depois da cristalização do hospedeiro. O espinélio, por exemplo, é um dos primeiros minerais a se formar durante o resfriamento do magma. Mostra que o espinélio não foi apenas englobado pelo fluxo mineralizante do berilo, mas também interagiu ativamente com o mesmo. Como um dos resultados desta interação houve a deformação dos cristais de espinélio. O outro resultado foi a migração de cromo do espinélio para o berilo, originando, assim, a esmeralda. Entre as inclusões de origem não-magmáticas encontradas foi notado mais de um período de formação, em relação à esmeralda. Mostra um carbonato singenético e a outra mostra um epigenético, preenchendo fendas do cristal hospedeiro. A comparação dos minerais presentes nas rochas encaixantes com aqueles formando inclusões, nas esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás, mostra, de forma geral, a conexão direta entre as duas associações. Quase todos os componentes que formam as mineralizações em veios ou bolsões, junto à esmeralda, apresentam-se também como minerais de inclusão. Além de pirita, talco, mica, quartzo, pirrotita, carbonates, halita e/ou silvitae rutilo é diagnóstica, em esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás, a presença acentuada de espinélio. O aparecimento de substâncias carbonáticas nestas esmeraldas remonta às rochas encaixantes. As inclusões mais importantes nas esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás são pirita, cromita, talco e calcita, das quais a pirita é amais freqüente. Neste trabalho, ao contrário, o espinélio foi encontrado como o mineral de inclusão de maior freqüência. A discrepância sobre o mineral mais freqüente resulta, provavelmente, do fato de que os pequenos cristais formadores das "nuvens" típicas foram vistos como pinta. Estas "nuvens" de minerais opacos, segundo os resultados aqui expostos, são quase exclusivamentede cristais de espinélio. Foi observada, também, uma pequena discordância entre os pesquisadores com relação às inclusões de espinélio presentes nas esmeraldas. Trata-se de cromita,de magnesioferrita ou magnesiocromita. e neste trabalho, no qual a conclusão foi feita a partir de análise química por microssonda eletrônica, essas "nuvens" são identificadas como espinélio. As inclusões bifásicas são raras e muito pequenas, enquanto os resultados aqui obtidos mostram que a maioria das amostras estudadas apresentam inclusões "2-g" com tamanhos e freqüências variadas. O número dessas inclusões é grande em algumas amostras. Inclusões de rutílo, em esmeraldas do Estado de Goiás, tinham sido observadas somente nas provenientes do Garimpo da Fazenda das Lages, e não tinham sido descritas, até o presente, nas de Santa Terezinha. As inclusões minerais identificadas no presente trabalho, ou seja, espinélio, pirita, pirrotita, carbonates (dolomita, siderita com Mg), talco, talco-pirofilita, mica, esmeralda, quartzo, rutilo, halita e/ou silvita e inclusões bifásicas, já foram citadas em outros trabalhos, exceto pirrotita, halita e/ou silvita, siderita com Mg etalco-pirofilita. As esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás são, sob o ponto de vista de inclusões minerais, muito parecidas com as da Colômbia, principalmente no que se refere à presença de pirita e carbonates. A presença de pirita tinha sido observada somente nas esmeraldas da Colômbia. Em outras esmeraldas brasileiras, quase não se observam inclusões minerais. As numerosas inclusões carbonáticas encontradas, de origens proto e singenéticas, cuja presença não é compatívelcom a gênese puramente "pegmatítica", indicam que, durante o transporte de berílio e no decorrer da cristalização, as esmeraldas foram envolvidas por soluções carbonáticas. Esta hipótese é reforçada pela ausência de feldspatos, molibdenita, scheelita etc, minerais indicativos da presença de veios pegmatíticos. Assim, é possível que a origem das esmeraldas de Santa Terezinha de Goiás remonte a soluções da fase pneumatolítico-metassomática, tendo, como fonte doadora de cromo, rochas básicas-ultrabásicas metamorfisadas, cujo mineral cromífero é o espinélio, encontrado também como inclusão protogenética.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Garimpo de Santa Terezinha de Goiás
ESMERALDAS
ESMERALDAS
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A esmeralda é a gema mais antiga conhecida da humanidade; foi comercializada há cerca de 6000 anos na Babilônia, anterior ao diamante. Era muito apreciada na Pérsia e na Índia. Seu nome vem do grego smáragdos, latinizado smaragdus, provavelmente derivado do sânscrito marakatam, originário do idioma acadiano barraqtu, que significa pedra reluzente, brilhante. O nome era usado para pedras de diferentes composições químicas, mas geralmente de cor verde. Atribuiu-se à esmeralda o significado de imortalidade.
A esmeralda é a variedade verde do mineral berilo, um silicato dos metais berílio e alumínio (Be3Al2Si6O18), que forma cristais de prismas hexagonais. Outras variedades com qualidade de gema são a água-marinha (azul), o heliodoro (amarelo) e a morganita (rosa). A variação de cor é causada pela inclusão de traços de elementos metálicos, chamados cromóferos, no caso da esmeralda cromo e/ou do vanádio. Entre todas as variedades, a esmeralda é a mais rara, formada em condições geológicas muito específicas. Esmeraldas transparentes e de cor verde intensa e uniforme são muito raras, podendo atingir preços superiores aos dos diamantes, considerando sempre como base de preços o quilate (0,2 g).
Esmeralda da Lavra Carnaíba – Carnaíba, BA, em exposição na atração
Inventário Mineral do MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal.
Inventário Mineral do MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal.
As minas de esmeraldas mais antigas encontram-se no Egito, na costa do Mar Vermelho, e já foram exploradas há 5.000 anos ou mais, fornecendo gemas para o Oriente e para gregos e romanos. há cerca de 2.000 anos os romanos descobriram esmeraldas nos Alpes da Áustria, perto de Salzburgo. Estas pedras abasteceram o mercado europeu durante séculos até a descoberta das esmeraldas no Peru pelos espanhóis.
As primeiras esmeraldas das Américas foram levadas à Europa pelos espanhóis depois da conquista do México por Hernando Cortez (1485-1547) nos anos de 1519/22, onde foram saqueadas em templos e túmulos. Não há notícias de minas de esmeralda no México. Foram trazidas provavelmente do Peru, onde as minas de esmeralda já eram exploradas há mais de 1000 anos.
O fato mais importante na história das esmeraldas nas Américas, foi a conquista do Peru por Francisco Pizarro (ca. 1475 -1641) com uma tropa de somente 180 homens, nos anos 1530 a 1533. Acharam muitas esmeraldas com os nativos, mas os espanhóis não conseguiram localizar as minas. Em março de 1537, eles receberam de presente algumas esmeraldas dos índios, que também indicaram a localização das minas de Chivor, situadas na encosta oriental da Cordilheira de Bogotá. Como o um lugar era de acesso muito difícil, os espanhóis abandonaram logo os trabalhos. Pouco tempo depois tiveram conhecimento de outras minas nas terras da tribo Muzo, que ofereceu muita resistência aos conquistadores. Somente em 1555 os espanhóis, liderados por Antonio Lanchero, conseguiram derrotá-los, tendo, assim, acesso às minas das melhores esmeraldas do mundo.
O vale dos Muzo está situado cerca de 100 km a norte de Bogotá, e a exploração de esmeraldas começou em 1558. Ambas as ocorrências estão situadas nas montanhas Somondoco, que significa deus das pedras verdes na língua dos nativos da tribo chibcha.
A produção de esmeraldas na Colômbia foi tão grande, que afetou o preço das esmeraldas orientais (e da Áustria) na Europa. O padre jesuíta José d’Acosta relata que, quando voltou do Peru à Espanha em 1587, foram transportadas no mesmo navio duas caixas com algumas dezenas de quilos de esmeraldas.
Até hoje, a Colômbia produz aproximadamente 60 % das esmeraldas no mundo e 80 % das de melhor qualidade. Até a descoberta das esmeraldas nos Montes Urais na Rússia, em 1831, a Colômbia forneceu quase toda a produção mundial. Geologicamente, a ocorrência do vale Muzo se distingue das jazidas mencionadas (Egito, Áustria, Rússia e outros países) como também das brasileiras. Ali a esmeralda ocorre em finos veios de calcita, intercalados em xistos carbonosos e calcíferos, fortemente dobrados.
Uma pedra do tamanho de um ovo de galinha foi encontrada, junto com objetos de ouro, por Antonio de Sepulveda, em 1580, quando tentou drenar o Lago Guatavita, um lago formado em uma cratera vulcânica a cerca de 60 km ao norte de Bogotá. Este e outros lagos eram locais de cultos e cerimônias de consagração de caciques. Depois de untados com óleo e cobertos com ouro em pó, os novos caciques eram levados ao meio do lago em uma balsa carregada com objetos de ouro e esmeraldas, onde se banhavam, tirando o ouro em pó. Os objetos de ouro também eram jogados na água como oferendas ao deus do sol. Essa cerimônia deu origem à lenda do Eldorado, que não é propriamente dito um lugar, mas sim o homem dourado.
Preparação do cacique Manoa para a cerimônia de posse, tendo seu corpo coberto com ouro em pó, virando o El Dorado. (Theodore de Bry, Grand Voyages, vol. 8, 1599)
As riquezas em ouro, prata e esmeraldas, encontradas pelos espanhóis no México e no Peru, provocaram a inveja do soberano português, no caso D. João III (1502/1521-1557), e também de seus sucessores. D. João III iniciou a colonização do Brasil e em 1548 incumbiu Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Estado do Brasil (1549-1553) com sede em Salvador, de explorar o interior do país. Este contatou o espanhol Felipe de Guillén, morador em Porto Seguro desde 1538, que havia passado pelo Peru, e tinha conhecimentos de química e mineralogia, pedindo-lhe que organizasse uma expedição de reconhecimento. Guillén recusou a tarefa devido à sua idade, mas, numa carta de 1550 ao rei, se mostrava convencido da existência de esmeraldas no Brasil, e relata que Tomé de Souza “…esteve determinado para me mandar ao descobrir, porque é necessário para isso um homem de muito siso e cuidado, e que saiba tomar a altura [do sol para determinação da latitude] e fazer roteiro da vinda e inda, e olhar a disposição da terra e o que há, porque sem duvida há lá esmeraldas e outras pedras finas.”
Começou a epopéia das esmeraldas no Brasil. A expedição planejada por Tomé de Souza partiu de Porto Seguro em 1554 com 12 homens brancos e numerosos índios sob o comando de outro espanhol, Francisco Bruza de Espinoza, atravessando o sul da Bahia e o nordeste de Minas Gerais até o Rio São Francisco. Retornou após 18 meses sem resultados concretos, a não ser o conhecimento da imensidão do sertão do interior do Brasil. Seguiram outras entradas partindo do litoral da Bahia ou do Espírito Santo: Vasco Rodrigues Caldas (1562), Martim de Carvalho (1567/68?), Sebastião Fernandes Tourinho (1572/3), Antônio Dias Adorno (1573), João Coelho de Souza (1580), Diogo Martins Cão (1596), Marcos de Azeredo (1596 e 1611/12); todas elas à busca de esmeraldas e da serra resplandecente. Quase todas essas entradas convergiram, mesmo com itinerários diferentes, no nordeste de Minas.
A crença das esmeraldas foi alimentada por contatos com os nativos. Pero de Magalhães Gandavo escreveu no seu “Tratado da Terra do Brasil” (ca. 1570): “… A este capitania de Porto Seguro chegaram certos índios do sertão a dar novas de uma pedras verdes, que havia numa serra muitas léguas pela terra dentro, e traziam algumas delas por amostras, as quais eram esmeraldas, mas não de muito preço; e os mesmos índios diziam que daquelas havia muitas, e que esta serra era muito fermosa e resplandecente.” Estas “novas” era o sinal para a entrada de Martim de Carvalho que partiu com 50 ou 60 portugueses e alguns índios locais, percorrendo umas 220 léguas pela região entre os rios Jequitinhonha e Doce.
Marcos de Azeredo partiu em 1596 de Vitória, no Espírito Santo, e subiu pelos rios Doce e Suaçuí Grande e voltou com amostras de pedras verdes. Frei Vicente de Salvador, na sua “História do Brasil” (1627) relata o seguinte: “… De cristal sabemos em certo haver uma serra na capitania do Espírito Santo em que estão metidas muitas esmeraldas, de que Marcos de Azeredo levou amostras a el-Rey, e feito exame por seu mandado, disseram os lapidários que aquelas eram da superfície e estavam tostadas do sol, mas se cavassem ao fundo as achariam claras e finíssimas.” Marcos de Azeredo deixou o roteiro de sua viagem e descobrimento, que foi usado por outros sertanistas na busca das esmeraldas, entre eles Fernão Dias.
Vários cartógrafos do século XVII desenharam a serra resplandecente ou mesmo a Serra das Esmeraldas nos seus mapas. O divisor das águas entre os rios Jequitinhonha e Araçuaí ao norte, e os rios Mucuri, São Mateus e Doce ao sul, chamava-se Serra das Esmeraldas nos mapas até o século XIX; hoje é conhecida como Serra Negra.
Fernão Dias Paes Leme (ca. 1608-1681) é certamente o mais famoso dos bandeirantes na caça às esmeraldas. Saiu de São Paulo como Governador do Descobrimento das Esmeraldas em julho de 1674 com muitos paulistas e índios. Andou mais de 1000 km durante sete anos até o norte de Minas, de onde trouxe pedras verdes. Tudo indica que cruzou a Serra das Esmeraldas, e ele morreu convencido de ter localizado as escavações do Azeredo, porém, hoje supõe-se que as pedras eram turmalinas.
Mapa da capitania de Porto Seguro, mostrando a Serra das Esmeraldas ao norte do Rio Doce junto a uma grande lagoa. Esta localização deve ser atribuída às expedições de Marcos de Azeredo (1596 e 1610/11). Fonte: Atlas ”Estado do Brasil” de João Teixeira Albernaz, 1631. Fonte: (Mapoteca do Itamarati, RJ)
Passaram-se mais de duzentos anos até serem encontradas esmeraldas legítimas no Brasil, quase sempre por um acaso. A primeira ocorrência foi localizada na região de Brumado (ex-Bom Jesus dos Meiras) na Bahia por volta de 1912. Seguiram-se outras descobertas: na Fazenda Lajes em Itaberaí, Goiás, em 1920, e ainda no mesmo ano na Fazenda Bom Sossego em Ferros, Minas Gerais, localizada cerca de 50 km ao norte de Itabira. Fica cerca de 170 km de Belo Horizonte por rodovia e 120 km (em linha reta) da Quinta do Sumidouro na margem do Rio das Velhas, o pouso da bandeira de Fernão Dias nos anos de 1670. A distância até a Serra Negra (ou Serra das Esmeraldas), também em linha reta, é de cerca de 130 km. Assim, foi por pouco que Fernão Dias não acertou na localização das sonhadas esmeraldas.
Em 1939 foram encontradas esmeraldas na região de Anagé, Bahia (40 km noroeste de Vitória da Conquista) e nos anos 1950 em Tauá, Ceará. Nenhuma destas ocorrências chegou a ter uma produção considerável. Somente na segunda metade do século XX registra-se a descoberta de depósitos maiores: Carnaíba (1964) e Socotó (1983), perto de Campo Formoso na Bahia, e Santa Terezinha (1981) em Goiás. Em todos estes lugares houve uma invasão de garimpeiros que tomaram conta da exploração das gemas.
Uma nova ocorrência foi descoberta em Minas Gerais, em 1978, localizada cerca de 15 km a sul de Itabira, quando José Ota Melo, um ferroviário da Estrada de Ferro Vitória Minas, encontrou umas pedrinhas verdes no sangradouro de um açude que, posteriormente, foram identificadas como esmeraldas. Imediatamente houve uma invasão de garimpeiros; no segundo ano (julho de 1979 a agosto de 1980) foi registrada uma produção de 32 kg de pedra bruta.
Atualmente a jazida está sendo explorada pela empresa Belmont Mineração, uma empresa de referencia na mineração de esmeraldas. A rocha que contém a gema é lavrada em mina de subsolo, depois de britada passa por peneiras, e as esmeraldas brutas são catadas manualmente. A Belmont Mineração é a única mineradora de esmeralda no Brasil e uma das poucas no mundo, pois as outras ocorrências estão sendo exploradas por garimpeiros. O Brasil é hoje, depois da Colômbia, o segundo maior produtor de esmeraldas no mundo, especialmente devido à operação contínua desta mineradora.
Outras ocorrências (Capoeirana, Piteiras, Toco, Canta Galo, Alfié) foram achadas posteriormente na região, na mesma formação geológica, formando um cinturão de rochas esmeraldíferas de cerca de 80 km de extensão, a leste de Itabira, entre São Domingos do Prata e Ferros. A gênese da esmeralda nestas ocorrências é praticamente idêntica em todas elas. Biotita-xistos (às vezes de flogopita, uma mica preta com teores mais elevados de magnésio) foram cortados por fluídos magmáticos de altas temperaturas contendo o elemento berílio. Estes fluidos solubilizam dos xistos traços de cromo que entram na estrutura dos cristais de berilo, formando assim a esmeralda. Quanto mais devagar o resfriamento e crescimento do cristal, mais limpo fica a gema.
Existem centenas de tipos diferentes de gemas e materiais gemológicos
As gemas vêm do interesse dos homens há 10000 anos. Ametista, Cristal de rocha, Âmbar, Granada, Jade, Jaspe, Coral, Lápili-lazúli, Pérola, Serpentina, Esmeralda e Turquesa foram as primeras a serem conhecidas.
Não existe uma definição aceita por todos para esse termo, porém há um denominador comum, todas as gemas têm algo especial, alguma beleza em torno delas. Elas são principalmente minerais (Safira), minerais agregados (Jaspe), orgâincas (Pérola), sintéticas (Esmesralda Sintéticas) ou mais raramente rochas (Lápili-Lazúli). As Gemas podem ser, por algum processo de aprimoramento de sua cor ou aparência, tratadas.
Algumas gemas são raras e belas devido a cor, a um fenômeno óptico exclusivo, ou brilho diferenciado. Outras são especiais devido a sua dureza ou inclusões excluvisas.
A raridade é outro fator importante na avaliação de uma gema. Como algumas das características que valorizam as gemas só se apresentam depois da pedra estar lapidada, o termo gema geralmente refere-se a uma pedra lapidada. A lapidação é a valorização de um material que de outra forma poderia passar apenas como um material bruto insignificante.
Existem centenas de tipos diferentes de gemas e materiais gemológicos. Como sabemos a atribuição de valor para gemas é um processo bastante subjetivo. Raridade, cor, tamanho, grau de pureza, transparência, formas e perfeição de lapidação são alguns fatores que têm grande influência na avaliação.Além disso, a diversidade de procedência das gemas, a situação político-econômica do país produtor e a distância do local de produção aos centros de consumo levam os mercados envolvidos a estabelecer valores de formas variadas.
Devemos considerar que outro fator de influência na avaliação de gemas é a complexidade dos vários níveis de mercados existentes e como são interpretadas as cotações em cada um desses níveis.
Comercialmente, as gemas são divididas em pedras coloridas e diamantes (mesmo os que não são incolores) além de ambas terem seu peso medido em quilate (1ct=0,2g).
2 – ESMERALDA
O nome vem do grego smaragdos. Ele significa “pedra verde”(Foto 3). É a mais nobre variedade de berilo.
Seu verde é tão incomparável que esta cor tão peculiar passou a ser chamada de verde-esmeralda. A substancia corante para a esmeralda é o cromo. A cor é muito resistente à luz e ao calor, não se modificando até uma temperatura de 700 ou 800°C.
As esmeraldas são formadas pro processo hidrotermal associado ao magma e metamorfismo. Jazidas são encontradas em filões de pegmatito ou em seus arredores.
2.1 - Jazidas mais importantes:
Mnia de Muzo (Colômbia) (foto 4), Mina de Chivor (Colômbia), jazidas na Bahia, Minas Gerais, Goiás; Zimbabue, África do Sul e Russia.
Foto 1: Mina de Muzo. Colômbia. Foto 2: Esmeraldas colombianas. Colômbia.
Unicamente na Colômbia são encontradas as raríssimas esmeraldas “Trapiche”(foto 5) caracterizado por um crescimento parecido com uma roda, de vários cristais prismáticos.
As jazidas de Minas Gerais se extendem desde o norte de Rio Casca até o sul de Guanhães. Nessa área deve-se destacar as minas Belmont (a maior do Brasil), Piteiras e o garimpo de capoeirana (cooperativa).
Foto 3: Esmeralda “Trapiche”. Mina Chivor (Colômbia).
Para Schrorcher et al. (1982), a geologia básica dos terrenos encontrados na região Itabira/Nova Era é caracterizada por um embsamento cratônico arqueano composto basicamente por terrenos gnáissicos migmatíticos, comcaracterísticas poligenéticas e polimetamórficas, incluindo rochas graniticas do tipo Granito Borrachudos; por um cinturão de rochas verdes arqueanas pertencentes ao Supergrupo Rio das Velhas; por metassedimentos do paleoproterozóico do supergrupo Minas; e pelos metassedimentos do mesoproterozóico, constituído essencialmente por quartzitos do Supergrupo Espinhaço.
Em termos estratigráficos, o Garimpo de Capoeirana e as Minas Belmont e Piteiras estão localizados em uma área onde afloram metarcóseos a metagrauvacas com intercalações concordantes de mica xistos e quartzitos micáceos. Secundariamente, há rochas anfibolíticas, intercalacões de xistos metaultramáficas e aparecimento descontínuo de veios pegmatíticos. Nesse contexto, as metaultramáficas e os veios pegmatíticos são as rochas mais importantes para mineralização da esmeralda.
Em relação a genese da esmeralda, todas as jazidas e/ou ocorrências de minas Gerais estão associados aos xistos derivados de rochas metaultramáficas, em locais de intensa percolação de fluidos hidrotermais relacionados aos pegmatitos, devido as condições tectônicas propícias. Esses xistos, representados essencialmente por biotita/flogopita xisto, clorita xisto, tremolita/actinolita xisto.
As áreas mineralizadas ocorrem nas proximidades do contato entre xistos metaultramáficos e as rochas granitos gnáissicas, do tipo Granito Borrachudos, estéreis em esmeralda.
A formação das esmeraldas mineiras (foto 6) está intimamente associada à interação química ocorrida entre a fase pegmatítica berilífera e as rochas metaultramáficas portadoras dos elementos (Cr, V, Fe).

Foto 4: Esmeralda Mineira, Coloração devida ao íons de Cr, V, Fe. Itabira, MG.
3.2 - Aspectos mineralógicos:
De cor verde claro a muito escuro ao verde azulado muito forte, tranparente a translúcido, brilho vítreo, dureza de Mohs 7,5 a 8, acatassolamento ou “olho-de-gato e asterismo (raro). Índice de refração de 1,577 a 1,583(± 0,017), pleocroísmo de moderado a forte, fratura conchoidal de brilho vítero a resinoso, clivagem basal, inclusões bifásicas e trifásicas, cristais negativos, “plumas” líquidas e inclusões minerais (micas da série biotita-flogopita, hornblenda, actinolita, tremolita, pirita, calcita, cromita, dolomita, pirrotita); o aspecto geral das inclusões nas esmeraldas é conhecido como “jardim” que são utilizadas como um “selo de autenticidade” das esmeraldas naturais diferindo-as das sintéticas.
A explotação da esmeralda no garimpo de Capoeirana é feita por meio de poços, túneis e galerias, com técnicas de mineração rudimentar e sem preocupação com o aproveitamento total das esmeraldas gemológicas e meio ambiente(foto 7).

Foto 5: Garimpo Capoeira. Nova Era, MG.
Na Mina Belmont a elplotação é realizada a céu aberto e subterrânea (foto 8), contando com sistema mecanizado desde a extração até o beneficiamento final. Na lavra a céu aberto, o xisto altamente decomposto favorece, sobremaneira a retirada mecânica do material esmeraldífero. Todo material explotado, tanto na mina a céu aberto quanto no subterrâneo, é transportado por meio de caminhões para usina de beneficiamento, onde o material é deslamado (separação de finos, <2mm), depois separação granulométrica, separação ótica, onde todo material verde é separado por uma máquina e por fim catação manual das esmeraldas (foto 9).

Foto 6: Mina Subterrânea, Mina Belmont. Itabira, MG. Foto 7: Catação Manual, Mina Belmont. Itabira, MG.
Além da Belmont Mineração podemos cita ainda empresas como: Rocha mineração, Beibra, Garipo de capoerana, Garimpo na Bahia na cidade de Anagé, Itaobi Campos verde ( GO ), Mineração Alexandrita
Existem muitas esmeraldas de grande valor e fama. A maios famosa das jóias de esmeralda é um pequeno frasco de unção de 12cm de altura e 2205 quilates talhado de um único cristal de esmeralda.
PREÇOS DE ESMERALDAS LAPIDADAS
Cotações por quilate em dólares americanos
FRACA (TERCEIRA)
1 - 2
|
2 - 3
|
3 - 4
| |
de 0,50 a 1 ct
|
2 - 10
|
10 - 35
|
35 - 60
|
de 1 a 3 ct
|
2 - 15
|
15 - 50
|
50 - 80
|
de 3 a 5 ct
|
2 - 20
|
20 - 60
|
60 - 80
|
de 5 a 8 ct
|
2 - 30
|
30 - 60
|
60 - 100
|
acima de 8 ct
|
2 - 50
|
50 - 60
|
60 - 100
|
MÉDIA (SEGUNDA) BOA (PRIMEIRA)
4 - 5
|
5 - 6
|
6 - 7
|
7 - 8
| |
de 0,50 a 1 ct
|
60 - 90
|
90 - 170
|
170 - 250
|
250 - 360
|
de 1 a 3 ct
|
80 - 230
|
230 - 390
|
230 - 520
|
520 - 820
|
de 3 a 5 ct
|
80 - 300
|
300 - 510
|
510 - 620
|
620 - 1200
|
de 5 a 8 ct
|
100 - 430
|
430 - 580
|
580 - 750
|
750 - 1600
|
acima de 8 ct
|
100 - 440
|
440 - 700
|
700 - 850
|
850 - 1900
|
EXCELENTE (EXTRA)
8 - 9
|
9 - 10
| |
de 0,50 a 1 ct
|
360 - 660
|
660 - 2000
|
de 1 a 3 ct
|
820 - 1100
|
1100 - 3500
|
de 3 a 5 ct
|
1200 - 1700
|
1700 - 5500
|
de 5 a 8 ct
|
1600 - 3000
|
3000 - 5600
|
acima de 8 ct
|
1900 - 4000
|
4000 - 9000
|
Atualizado em outubro de 2005
3 – ALEXANDRITA
A gema alexandrita (Foto 11e 12), descoberta nos Montes Urais (Rússia), foi batizada em homenagem ao Czar Alexandre II que no dia da descoberta completava 12 anos de idade.

Foto 8: Alexandrita lapidada. Antônio Dias, MG Foto 9: Cristal de alexandrita. Antônio Dias, MG
No Brasil esta gema foi descoberta na década de 70 em pequenos garimpos no Espírito Santo e Bahia. Pórem a produção se revelou pequena e de baixa qualidade.
Em Minas Gerais, a primeira descoberta aconteceu em 1975, no Córrego do Fogo, município de Malacacheta e em 1986 foi descoberta a que seria a maior jazida já registrada na história, no distrito de Hematita, no município de Antônio Dias. Atualmente essa área é explotada por duas empresas: Alexandrita Mineração Comércio e Exportação Ltda, detentora da maior jazida de alexandrita do mundo, com uma reserva de aproximadamente 60kg e a Mineração Itaitinga.
Além dessas duas jazidas, existem outras ocorrências de alexandrita, pórem sem importância econônica associadas às jazidas de esmeralda, como em Belmont, Capoeirana e Esmeralda de Ferros.
3.1 - Principais Jazidas:
Brasil, Sri Lanka, Zimbáue, Birmânia, Madagascar, Tanzânia e Russia (esgotadas).
Para que ocorra a cristalização da alexandrita, além do excesso de alumínio e deficiência em sílica é necessária a presença de uma fonte de cromo. Na grande maioria das ocorrências de alexandrita no mundo, são descritos processos geológicos envolvendo rochas ácidas e ultramáficas em ambientes ricos em alumínio (Munasinghe & Dissanayake 1981, Ustinov & Chizhik 1994).
Na jazida de Hematita, observam-se inúmeros pequenos corpos pegmatóides cortando as rochas ultramáficas da região, e, nos concentrados aluvionares, constata-se a presença de cianita, granada, berilo (esmeralda e água-marinha), crisoberilo, estaurolita, muscovita, plagioclásio, e quartzo. Desse modo, a jazida de Hematita enquadra-se no modelo de Beus (1966) de pegmatitos ricos em Al2O3.
Relacionando os aspectos geológicos observados na região de Malacacheta, com a presença de corpos graníticos e intercalações de rocha metaultramáfica com xisto peraluminoso, Basílio (1999) propôs uma gênese baseada num sistema metassomático envolvendo fluidos hidrotermais de alta temperatura, ricos em berilo e oriundos do corpo granítico. A interação desses fluidos com os xistos aluminosos e suas intercalações metaultramáficas, fonte de cromo, propiciaram a formação da alexandrita.
Em relação às ocorrências de alexandrita associadas às jazidas de esmeralda, pouco se sabe.
A cor, a mudança de cor (efeito alexandrita) e o forte pleocroísmo são fatores determinantes na qualidade da alexandrita.
3.2 - Aspéctos Mineralógicos:
Sob a luz natural, a alexandrita apresenta-se verde ou mais raramente azul (foto 13) e quando iluminada por luz incandescente, mostra-se em tons de vermelho e violeta.
Seu intenso tricroísmo é caracterizado, variando nas cores verde, amarelo, vermelho e, mais raramente, azul. Assim como no rubi e na esmeralda, sua cor é resultante da presença de íons
substituindo parte parte do alumínio nas posições octaédricas da estrutura cristalina.
Dureza 8,5; clivagem boa; fratura conchoidal;brilho vítreo ao subadamantino;mudança de cor; pleocroísmo

Foto 10: Alexandrita azul. Antônio Dias, MG
Quanto a explotação o método usado é igual ao método da esmeralda
PREÇOS DE ALEXANDRITAS LAPIDADAS
Cotações por quilate em dólares americanos
Fraca (Terceira)
|
Média (Segunda)
|
Boa (Primeira)
|
Excelente (Extra)
| |
até 0,50 ct
|
15 – 150
|
150 - 500
|
500 - 1500
|
1500 - 2000
|
de 0,50 a 1 ct
|
40 – 250
|
250 - 1000
|
1000 - 3000
|
3000 - 4500
|
de 1 a 2 ct
|
70 – 500
|
500 - 2800
|
2800 - 5500
|
5500 - 7000
|
de 2 a 3 ct
|
90 – 800
|
800 - 3800
|
3800 - 6500
|
6500 - 9000
|
Gemas de Minas atraem turistas de todo o mundo
Gemas de Minas atraem turistas de todo o mundo
A história de Minas Gerais tem início com a procura pelas riquezas minerais no estado. Os registros das primeiras descobertas de gemas no Estado de Minas Gerais datam de 1554, quando ocorreram as primeiras Entradas e Bandeiras que percorreram o interior do Brasil em busca de ouro e outras riquezas. Hoje o estado é conhecido internacionalmente pelo subsolo rico em minerais, gemológicos e amostras raras para coleção, sendo o principal produtor de ouro, gemas coradas e diamantes do Brasil. Todas estas características fazem com que o turismo mineral tenha uma grande procura, principalmente pelo mercado internacional.
Os principais pólos mineradores são os municípios de Ouro Preto, Itabira, Guanhães, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Araçuaí, Diamantina e Corinto, onde é possível acompanhar uma série de atrativos ligados a atividade mineradora, além de promover o acesso e a comercialização das gemas e minerais produzidos no estado.
Além do ouro, as principais pedras preciosas encontradas no estado são a esmeralda, a água-marinha, topázios, o diamante, a turmalina, a alexandrita, o crisoberilo, o heliodoro, a morganita, o olho-de-gato, a kunzita, a andaluzita, a granada, a ametista e o citrino. O estado ainda tem a produção de gemas exclusivas encontradas na região, como o topázio imperial, que tem sua extração no município de Ouro Preto.
A grande quantidade de gemas produzidas no estado, alinhado aos atrativos culturais e naturais presentes nas principais regiões, formam um grande produto turístico, e que é comercializado pela D’Minas Turismo. Fatores históricos, geológicos, geográficos, sociais integrados formam um roteiro temático que disponibiliza para os turistas momentos de conhecimento cultural, vivências e compras.
Ouro Preto e Mariana
Uma das cidades em que a mineração está mais evidente na sua história e no cotidiano do seu povo é Ouro Preto e Mariana. E toda a atividade turística está ligada ao turismo mineral e comercialização de gemas.
A estruturação turística também coloca a disposição dos turistas grandes atrativos. Um exemplo é o Museu de Ciência e Técnica, cujo acervo mineralógico é um dos maiores da América Latina e a Casa dos Contos, edificação por onde passava todo o ouro produzido na região para a cobrança do quinto. O garimpo de topázio imperial de Antonio Pereira, ainda em funcionamento e explorado com técnicas totalmente artesanais recebe um expressivo fluxo de turistas e tem pavimentação asfáltica até sua entrada.
Mariana também é uma boa opção para visitação, a primeira cidade e capital de Minas Gerais tem além do seu conjunto arquitetônico a única mina de ouro aberta a visitação turística do Brasil, a antiga Mina de Ouro de Passagem.
Itabira e Nova Era
A região de Itabira e Nova Era tem grande importância na produção mineral do estado, pois a região é uma das principais produtoras de esmeraldas do mundo além das históricas e impressionantes minerações de ferro do Quadrilátero Ferrífero. Além da esmeralda e do ferro, ainda se encontra nos arredores a alexandrita, gema cuja raridade e preço são impressionantes. O Brasil é o principal produtor desta gema, com pouquíssimos exemplares que chegam ao comércio.
Na região é possível visitar as áreas de garimpagem de esmeralda (Capoeirana) e a compra de amostras.
Guanhães e arredores
Nos arredores de Guanhães, Santa Maria do Itabira, Ferros e Sabinópolis encontram- se inúmeros garimpos e minerações de água- marinha e outras gemas da família do berilo, ligados à presença de múltiplos corpos pegmatíticos (rochas especiais ricas em minerais raros). A água- marinha é uma das gemas símbolo do Brasil no mercado internacional e sua produção é quase que totalmente artesanal, com poucas pessoas trabalhando em pequenas lavras.
Apesar de não ter uma infra-estrutura turística, a região recebe a freqüentemente visitação turístico-científica organizada por universidades, congressos e instituições de pesquisa do Brasil e de países da Europa.
Governador Valadares, Teófilo Otoni e Vale do Jequitinhonha
A região que reúne os municípios de Governador Valadares, Teófilo Otoni, Padre Paraíso e Araçuaí é hoje reconhecida como uma referência para o turismo mineral e também para quem comprar uma variedade de gemas. Espécimes de coleção na forma bruta com alguns centímetros de altura chegam a alcançar preços de vários milhares de dólares, e atraem muitos turistas.
Na grande região de Governador Valadares (Galiléia, Conselheiro Pena, Barra do Cuité, Divino das Laranjeiras) são produzidas quase todas as variedades de gemas: turmalinas, granadas, água-marinhas, brasilianitas e outros minerais raros. Recentemente um estudo avançado de mineralogia apresentou nove espécies novas de minerais descobertas no Brasil e destas, seis são provenientes desta região. São elas a coutinhoíta, a lindbergita, a atencioíta, a matioliíta, a arrojadita e a ruifrancoíta.
A cidade de Governador Valadares mantém ainda um dos grandes eventos da área, a Brazil Gem Show que apresenta stands com impressionante variedade mineral e reflete a riqueza econômica e cultural deste segmento.
Em Teófilo Otoni, encontra- se a Gems Export Association (GEA) que representa a indústria e os comerciantes e organiza a Feira Internacional de Pedras Preciosas (FIPP), realizada anualmente e que atrai grande número de expositores e forte visitação internacional. O evento entrou para o circuito dos consumidores mundiais de gemas e minerais raros. É o evento mais importante turisticamente para toda a região do Vale do Mucuri e um dos mais importantes do Brasil para o setor.
A produção, beneficiamento, comércio e exportação de gemas em Teófilo Otoni fazem deste município a capital das gemas na América do Sul e coloca toda a região entre as maiores províncias gemológicas do mundo.
Em Araçuaí e no Vale do Jequitinhonha também é possível apreciar a produção de pedras preciosas. A região é grande produtora de kunzitas, hiddenitas, andaluzitas e petalitas, além das turmalinas, topázios-azuis e berilos.
Diamantina e Serro
A região da Serra do Espinhaço e sua geologia de beleza cênica incomparável tiveram uma grande importância para a história do Brasil Colônia. Assim como Ouro Preto e Mariana a história destas cidades sempre esteve ligada a exploração mineral e principalmente a produção de diamantes.
Durante cerca de 140 anos (s éculos XVIII e XIX) o Brasil foi o maior produtor do mundo de diamantes, fornecendo material para a maior parte das jóias da realeza européia nesta época.
Em Diamantina, um dos cartões postais da cidade tem uma importância para a história da geologia do Espinhaço. Trata-se da famosa Casa da Glória, que foi transformada em Centro de Estudos que recebe estudantes e pesquisadores do Brasil e do exterior, além de apresentar para os turistas a história do diamante.
Na cidade ainda é possível conhecer o Museu do Diamante, com peças raras ligadas ao período áureo e a mais antiga joalheria do Brasil, a Joalheria Pádua de 1883.
Corinto e Curvelo
A região de Corinto e Curvelo, entre outras localidades no entorno, apresenta uma intensa produção de quartzo e inúmeras oficinas de lapidação artesanal, um atrativo a parte para os visitantes. Na região ocorre também a feira anual de minerais (Feira de Curvelo) onde é possível ter acesso a amostras do mineral.
Conheça a Rota das Esmeraldas na Bahia
Conheça a Rota das Esmeraldas na Bahia
A pedra preciosa embala o sonho de alguns brasileiros. O trabalho exige sacrifício. Tem gente que abandona tudo para tentar vencer.
A esmeralda embala o sonho de alguns brasileiros. O trabalho exige sacrifício. Tem gente que abandona tudo para tentar vencer. Conheça a Rota das Esmeraldas, uma história que os repórteres José Raimundo e Carlitos Chagas descobriram no sertão da Bahia.
Carnaíba, município de Pindobaçu, na Bahia, é um vilarejo que atrai garimpeiros do Brasil inteiro e endereço de uma das maiores reservas do país da mais cobiçada pedra verde. É a terra das esmeraldas.
São cerca de 70 garimpos nas terras de Carnaíba. Os mais rasos têm 50 metros de profundidade. Alguns já chegaram a 300 metros.
“Esse tem 200 metros, mas ninguém despencou daqui. Tem 20 garimpeiros lá embaixo”, comenta Noel Almeida, dono de um garimpo.
A vida por um fio, um cabo de aço e um cinto de borracha. Este é o único transporte para se chegar ao esconderijo das esmeraldas. É tão profundo que não dá para ver onde acaba. São cinco minutos descendo o abismo e uma eternidade para quem não está acostumado.
Nesse estranho mundo subterrâneo, o homem desconhece o medo e se entrega ao exaustivo trabalho braçal. O sonho desses aventureiros é, num piscar de olhos, encontrar a sorte.
Já são 47 anos de exploração, e as pesquisas indicam que os garimpeiros ainda não extraíram 10% de todo o volume de esmeraldas concentrados na região. Lá embaixo, não há estudo geológico. É pela experiência que eles descobrem o caminho das pedras.
“A gente descobre que está rumo às esmeraldas quando pega um material preto, que é o cromo. Ele indica que tem esmeralda, que ela está perto”, comenta um garimpeiro.
Perto e muito arriscado – eles furam a rocha e enchem os buracos com dinamite.
“São cem detonações por dia”, calcula um garimpeiro.
Nem na hora do fogo, eles sentem medo. Ficam a 10 ou 15 metros, no máximo, do local da explosão. É assustador. A impressão é de que as galerias vão desabar.
Cerca de 50 garimpeiros já morreram em Carnaíba, mas nenhuma estatística é capaz de abalar o desejo de ficar rico de repente. Muita pedra vem abaixo. Pelas evidências, os garimpeiros estão diante de um futuro milionário.
“Não falei? Abaixo do material preto, tem esmeralda. É muita alegria. Sinal de que estou ficando rico”, comenta um garimpeiro.
Tem garimpeiro que abusa da sorte. Francisco José Campo não pode se queixar. Já achou esmeralda suficiente para nunca mais voltar ao garimpo.
“Achei que estava rico, mas voltei porque gastei tudo”, diz Francisco.
O que é lixo para uns é dinheiro para muitas famílias. No cascalho jogado fora ou nos arriscados porões das jazidas, o mundo das pedras preciosas é um labirinto de incertezas. Uma aventura que desafia a coragem do homem.
“Isso tudo é esmeralda. Dá para ganhar um dinheiro”, comenta a dona-de-casa Maria de Lourdes de Jesus.
Carnaíba, município de Pindobaçu, na Bahia, é um vilarejo que atrai garimpeiros do Brasil inteiro e endereço de uma das maiores reservas do país da mais cobiçada pedra verde. É a terra das esmeraldas.
São cerca de 70 garimpos nas terras de Carnaíba. Os mais rasos têm 50 metros de profundidade. Alguns já chegaram a 300 metros.
“Esse tem 200 metros, mas ninguém despencou daqui. Tem 20 garimpeiros lá embaixo”, comenta Noel Almeida, dono de um garimpo.
A vida por um fio, um cabo de aço e um cinto de borracha. Este é o único transporte para se chegar ao esconderijo das esmeraldas. É tão profundo que não dá para ver onde acaba. São cinco minutos descendo o abismo e uma eternidade para quem não está acostumado.
Nesse estranho mundo subterrâneo, o homem desconhece o medo e se entrega ao exaustivo trabalho braçal. O sonho desses aventureiros é, num piscar de olhos, encontrar a sorte.
Já são 47 anos de exploração, e as pesquisas indicam que os garimpeiros ainda não extraíram 10% de todo o volume de esmeraldas concentrados na região. Lá embaixo, não há estudo geológico. É pela experiência que eles descobrem o caminho das pedras.
“A gente descobre que está rumo às esmeraldas quando pega um material preto, que é o cromo. Ele indica que tem esmeralda, que ela está perto”, comenta um garimpeiro.
Perto e muito arriscado – eles furam a rocha e enchem os buracos com dinamite.
“São cem detonações por dia”, calcula um garimpeiro.
Nem na hora do fogo, eles sentem medo. Ficam a 10 ou 15 metros, no máximo, do local da explosão. É assustador. A impressão é de que as galerias vão desabar.
Cerca de 50 garimpeiros já morreram em Carnaíba, mas nenhuma estatística é capaz de abalar o desejo de ficar rico de repente. Muita pedra vem abaixo. Pelas evidências, os garimpeiros estão diante de um futuro milionário.
“Não falei? Abaixo do material preto, tem esmeralda. É muita alegria. Sinal de que estou ficando rico”, comenta um garimpeiro.
Tem garimpeiro que abusa da sorte. Francisco José Campo não pode se queixar. Já achou esmeralda suficiente para nunca mais voltar ao garimpo.
“Achei que estava rico, mas voltei porque gastei tudo”, diz Francisco.
O que é lixo para uns é dinheiro para muitas famílias. No cascalho jogado fora ou nos arriscados porões das jazidas, o mundo das pedras preciosas é um labirinto de incertezas. Uma aventura que desafia a coragem do homem.
“Isso tudo é esmeralda. Dá para ganhar um dinheiro”, comenta a dona-de-casa Maria de Lourdes de Jesus.
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