terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

ESMERALDAS

ESMERALDAS


A esmeralda é a gema mais antiga conhecida da humanidade; foi comercializada há cerca de 6000 anos na Babilônia, anterior ao diamante. Era muito apreciada na Pérsia e na Índia. Seu nome vem do grego smáragdos, latinizado smaragdus, provavelmente derivado do sânscrito marakatam, originário do idioma acadiano barraqtu, que significa pedra reluzente, brilhante. O nome era usado para pedras de diferentes composições químicas, mas geralmente de cor verde. Atribuiu-se à esmeralda o significado de imortalidade.
A esmeralda é a variedade verde do mineral berilo, um silicato dos metais berílio e alumínio (Be3Al2Si6O18), que forma cristais de prismas hexagonais. Outras variedades com qualidade de gema são a água-marinha (azul), o heliodoro (amarelo) e a morganita (rosa). A variação de cor é causada pela inclusão de traços de elementos metálicos, chamados cromóferos, no caso da esmeralda cromo e/ou do vanádio. Entre todas as variedades, a esmeralda é a mais rara, formada em condições geológicas muito específicas. Esmeraldas transparentes e de cor verde intensa e uniforme são muito raras, podendo atingir preços superiores aos dos diamantes, considerando sempre como base de preços o quilate (0,2 g).
Esmeralda da Lavra Carnaíba – Carnaíba, BA, em exposição na atração
Inventário Mineral do MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal.

As minas de esmeraldas mais antigas encontram-se no Egito, na costa do Mar Vermelho, e já foram exploradas há 5.000 anos ou mais, fornecendo gemas para o Oriente e para gregos e romanos. há cerca de 2.000 anos os romanos descobriram esmeraldas nos Alpes da Áustria, perto de Salzburgo. Estas pedras abasteceram o mercado europeu durante séculos até a descoberta das esmeraldas no Peru pelos espanhóis.
As primeiras esmeraldas das Américas foram levadas à Europa pelos espanhóis depois da conquista do México por Hernando Cortez (1485-1547) nos anos de 1519/22, onde foram saqueadas em templos e túmulos. Não há notícias de minas de esmeralda no México. Foram trazidas provavelmente do Peru, onde as minas de esmeralda já eram exploradas há mais de 1000 anos.
O fato mais importante na história das esmeraldas nas Américas, foi a conquista do Peru por  Francisco Pizarro (ca. 1475 -1641) com uma tropa de somente 180 homens, nos anos 1530 a 1533. Acharam muitas esmeraldas com os nativos, mas os espanhóis não conseguiram localizar as minas. Em março de 1537, eles receberam de presente algumas esmeraldas dos índios, que também indicaram a localização das minas de Chivor, situadas na encosta oriental da Cordilheira de Bogotá. Como o um lugar era de acesso muito difícil, os espanhóis abandonaram logo os trabalhos. Pouco tempo depois tiveram conhecimento de outras minas nas terras da tribo Muzo, que ofereceu muita resistência aos conquistadores. Somente em 1555 os espanhóis, liderados por Antonio Lanchero, conseguiram derrotá-los, tendo, assim, acesso às minas das melhores esmeraldas do mundo.
O vale dos Muzo está situado cerca de 100 km a norte de Bogotá, e a exploração de esmeraldas começou em 1558. Ambas as ocorrências estão situadas nas montanhas Somondoco, que significa deus das pedras verdes na língua dos nativos da tribo chibcha.
A produção de esmeraldas na Colômbia foi tão grande, que afetou o preço das esmeraldas orientais (e da Áustria) na Europa. O padre jesuíta José d’Acosta relata que, quando voltou do Peru à Espanha em 1587, foram transportadas no mesmo navio duas caixas com algumas dezenas de quilos de esmeraldas.
Até hoje, a Colômbia produz aproximadamente 60 % das esmeraldas no mundo e 80 % das de melhor qualidade. Até a descoberta das esmeraldas nos Montes Urais na Rússia, em 1831, a Colômbia forneceu quase toda a produção mundial. Geologicamente, a ocorrência do vale Muzo se distingue das jazidas mencionadas (Egito, Áustria, Rússia e outros países) como também das brasileiras. Ali a esmeralda ocorre em finos veios de calcita, intercalados em xistos carbonosos e calcíferos, fortemente dobrados.
Uma pedra do tamanho de um ovo de galinha foi encontrada, junto com objetos de ouro, por Antonio de Sepulveda, em 1580, quando tentou drenar o Lago Guatavita, um lago formado em uma cratera vulcânica a cerca de 60 km ao norte de Bogotá. Este e outros lagos eram locais de cultos e cerimônias de consagração de caciques. Depois de untados com óleo e cobertos com ouro em pó, os novos caciques eram levados ao meio do lago em uma balsa carregada com objetos de ouro e esmeraldas, onde se banhavam, tirando o ouro em pó. Os objetos de ouro também eram jogados na água como oferendas ao deus do sol. Essa cerimônia deu origem à lenda do Eldorado, que não é propriamente dito um lugar, mas sim o homem dourado.
 
Preparação do cacique Manoa para a cerimônia de posse, tendo seu corpo coberto com ouro em pó, virando o El Dorado. (Theodore de Bry, Grand Voyages, vol. 8, 1599)
As riquezas em ouro, prata e esmeraldas, encontradas pelos espanhóis no México e no Peru, provocaram a inveja do soberano português, no caso D. João III (1502/1521-1557), e também de seus sucessores. D. João III iniciou a colonização do Brasil e em 1548 incumbiu Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Estado do Brasil (1549-1553) com sede em Salvador, de explorar o interior do país. Este contatou o espanhol Felipe de Guillén, morador em Porto Seguro desde 1538, que havia passado pelo Peru, e tinha conhecimentos de química e mineralogia, pedindo-lhe que organizasse uma expedição de reconhecimento. Guillén recusou a tarefa devido à sua idade, mas, numa carta de 1550 ao rei, se mostrava convencido da existência de esmeraldas no Brasil, e relata que Tomé de Souza “…esteve determinado para me mandar ao descobrir, porque é necessário para isso um homem de muito siso e cuidado, e que saiba tomar a altura [do sol para determinação da latitude] e fazer roteiro da vinda e inda, e olhar a disposição da terra e o que há, porque sem duvida há lá esmeraldas e outras pedras finas.”
Começou a epopéia das esmeraldas no Brasil. A expedição planejada por Tomé de Souza partiu de Porto Seguro em 1554 com 12 homens brancos e numerosos índios sob o comando de outro espanhol, Francisco Bruza de Espinoza, atravessando o sul da Bahia e o nordeste de Minas Gerais até o Rio São Francisco. Retornou após 18 meses sem resultados concretos, a não ser o conhecimento da imensidão do sertão do interior do Brasil. Seguiram outras entradas partindo do litoral da Bahia ou do Espírito Santo: Vasco Rodrigues Caldas (1562), Martim de Carvalho (1567/68?), Sebastião Fernandes Tourinho (1572/3), Antônio Dias Adorno (1573), João Coelho de Souza (1580), Diogo Martins Cão (1596), Marcos de Azeredo (1596 e 1611/12); todas elas à busca de esmeraldas e da serra resplandecente. Quase todas essas entradas convergiram, mesmo com itinerários  diferentes, no nordeste de Minas.
A crença das esmeraldas foi alimentada por contatos com os nativos. Pero de Magalhães Gandavo escreveu no seu “Tratado da Terra do Brasil” (ca. 1570): “… A este capitania de Porto Seguro chegaram certos índios do sertão a dar novas de uma pedras verdes, que havia numa serra muitas léguas pela terra dentro, e traziam algumas delas por amostras, as quais eram esmeraldas, mas não de muito preço; e os mesmos índios diziam que daquelas havia muitas, e que esta serra era muito fermosa e resplandecente.” Estas “novas” era o sinal para a entrada de Martim de Carvalho que partiu com 50 ou 60 portugueses e alguns índios locais, percorrendo umas 220 léguas pela região entre os rios Jequitinhonha e Doce.
Marcos de Azeredo partiu em 1596 de Vitória, no Espírito Santo, e subiu pelos rios Doce e Suaçuí Grande e voltou com amostras de pedras verdes. Frei Vicente de Salvador, na sua “História do Brasil” (1627) relata o seguinte: “… De cristal sabemos em certo haver uma serra na capitania do Espírito Santo em que estão metidas muitas esmeraldas, de que Marcos de Azeredo levou amostras a el-Rey, e feito exame por seu mandado, disseram os lapidários que aquelas eram da superfície e estavam tostadas do sol, mas se cavassem ao fundo as achariam claras e finíssimas.” Marcos de Azeredo deixou o roteiro de sua viagem e descobrimento, que foi usado por outros sertanistas na busca das esmeraldas, entre eles Fernão Dias.  
Vários cartógrafos do século XVII desenharam a serra resplandecente ou mesmo a Serra das Esmeraldas nos seus mapas. O divisor das águas entre os rios Jequitinhonha e Araçuaí ao norte, e os rios Mucuri, São Mateus e Doce ao sul, chamava-se Serra das Esmeraldas nos mapas até o século XIX; hoje é conhecida como Serra Negra.
Fernão Dias Paes Leme (ca. 1608-1681) é certamente o mais famoso dos bandeirantes na caça às esmeraldas. Saiu de São Paulo como Governador do Descobrimento das Esmeraldas em julho de 1674 com muitos paulistas e índios. Andou mais de 1000 km durante sete anos até o norte de Minas, de onde trouxe pedras verdes. Tudo indica que cruzou a Serra das Esmeraldas, e ele morreu convencido de ter localizado as escavações do Azeredo, porém, hoje supõe-se que as pedras eram turmalinas.
 
Mapa da capitania de Porto Seguro, mostrando a Serra das Esmeraldas ao norte do Rio Doce junto a uma grande lagoa. Esta localização deve ser atribuída às expedições de Marcos de Azeredo (1596 e 1610/11). Fonte: Atlas ”Estado do Brasil” de João Teixeira Albernaz, 1631. Fonte: (Mapoteca do Itamarati, RJ)
Passaram-se mais de duzentos anos até serem encontradas esmeraldas legítimas no Brasil, quase sempre por um acaso. A primeira ocorrência foi localizada na região de Brumado (ex-Bom Jesus dos Meiras) na Bahia por volta de 1912. Seguiram-se outras descobertas: na Fazenda Lajes em Itaberaí, Goiás, em 1920, e ainda no mesmo ano na Fazenda Bom Sossego em Ferros, Minas Gerais, localizada cerca de 50 km ao norte de Itabira. Fica cerca de 170 km de Belo Horizonte por rodovia e 120 km (em linha reta) da Quinta do Sumidouro na margem do Rio das Velhas, o pouso da bandeira de Fernão Dias nos anos de 1670. A distância até a Serra Negra (ou Serra das Esmeraldas), também em linha reta, é de cerca de 130 km. Assim, foi por pouco que Fernão Dias não acertou na localização das sonhadas esmeraldas.
Em 1939 foram encontradas esmeraldas na região de Anagé, Bahia (40 km noroeste de Vitória da Conquista) e nos anos 1950 em Tauá, Ceará. Nenhuma destas ocorrências chegou a ter uma produção considerável. Somente na segunda metade do século XX registra-se a descoberta de depósitos maiores: Carnaíba (1964) e Socotó (1983), perto de Campo Formoso na Bahia, e Santa Terezinha (1981) em Goiás. Em todos estes lugares houve uma invasão de garimpeiros que tomaram conta da exploração das gemas.
Uma nova ocorrência foi descoberta em Minas Gerais, em 1978, localizada cerca de 15 km a sul de Itabira, quando José Ota Melo, um ferroviário da Estrada de Ferro Vitória Minas, encontrou umas pedrinhas verdes no sangradouro de um açude que, posteriormente, foram identificadas como esmeraldas. Imediatamente houve uma invasão de garimpeiros; no segundo ano (julho de 1979 a agosto de 1980) foi registrada uma produção de 32 kg de pedra bruta.
Atualmente a jazida está sendo explorada pela empresa Belmont Mineração, uma empresa de referencia na mineração de esmeraldas. A rocha que contém a gema é lavrada em mina de subsolo, depois de britada passa por peneiras, e as esmeraldas brutas são catadas manualmente. A Belmont Mineração é a única mineradora de esmeralda no Brasil e uma das poucas no mundo, pois as outras ocorrências estão sendo exploradas por garimpeiros. O Brasil é hoje, depois da Colômbia, o segundo maior produtor de esmeraldas no mundo, especialmente devido à operação contínua desta mineradora.
Outras ocorrências (Capoeirana, Piteiras, Toco, Canta Galo, Alfié) foram achadas posteriormente na região, na mesma formação geológica, formando um cinturão de rochas esmeraldíferas de cerca de 80 km de extensão, a leste de Itabira, entre São Domingos do Prata e Ferros. A gênese da esmeralda nestas ocorrências é praticamente idêntica em todas elas. Biotita-xistos (às vezes de flogopita, uma mica preta com teores mais elevados de magnésio) foram cortados por fluídos magmáticos de altas temperaturas contendo o elemento berílio. Estes fluidos solubilizam dos xistos traços de cromo que entram na estrutura dos cristais de berilo, formando assim a esmeralda. Quanto mais devagar o resfriamento e crescimento do cristal, mais limpo fica a gema.
 A reserva citada pode ser a maior do Brasil, e valor incalculável, pois está ainda sem ser pesquisada.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Como se extraem esmeraldas?

Como se extraem esmeraldas?

Há sistemas de iluminação, de ventilação e de comunicação que ligam a entrada ao fundo do poço. As minas funcionam 24 horas diárias.


Para se chegar a um veio de esmeraldas, é preciso cavar buracos verticais com até 500 metros de profundidade no solo rochoso. Os garimpeiros passam dias a fio dentro dessas minas, dotadas de uma estrutura rústica, mas eficiente. Há sistemas de iluminação, de ventilação e de comunicação que ligam a entrada ao fundo do poço. As minas funcionam 24 horas diárias.
Publicidade
Os trabalhadores manipulam dinamite, respiram fuligem o tempo todo, urinam e defecam em sacos plásticos e estão sujeitos a desabamentos. O risco de morrer é real, mas pode compensar: uma gema de boa qualidade com 1 quilate (2 gramas) é vendida por até 5 mil dólares.
No Brasil, uma das principais áreas de extração de esmeraldas fica na serra da Carnaíba, Bahia, onde o mineral foi descoberto em 1 963. Lá as minas são cavadas dentro de barracões cobertos, sendo invisíveis para quem anda nas ruas do garimpo. Sob a terra, o cenário lembra um formigueiro. Para iniciar a perfuração de uma mina, é preciso instalar bananas de dinamite em fendas feitas com uma britadeira. À medida que se encontram veios de pedra preciosa e a rocha fica mais solta, os garimpeiros se valem de ferramentas mais “delicadas”, como marretas e picaretas. Isolados do resto do mundo, os caçadores de esmeraldas desenvolveram um vocabulário peculiar (leia quadro abaixo).
As primeiras esmeraldas foram descobertas há cerca de 5 mil anos, no Egito. A pedra verde é considerada a quinta gema mais valiosa do mundo – perde apenas para o diamante, o rubi, a alexandrita e a safira. A cor de uma esmeralda varia do um verde pálido ao verde intenso, com tonalidades azuladas ou amareladas. A qualidade da gema depende, fundamentalmente, dessa cor. As mais valiosas e raras são aquelas que têm verde intenso, puro ou com ligeira tonalidade amarelada. O grau de transparência e a presença de rachaduras também influem na avaliação de uma gema.
Fábio Lamachia Carvalho (autor do livro Sonho Verde, sobre sua experiência como garimpeiro)

Imagem: thisisbossi/Wikimedia Commons
TERRA DE NINGUÉM
No subsolo, os territórios de cada garimpo não são muito bem definidos. Não existe propriedade da terra. É comum que escavações de minas concorrentes acabem se encontrando
FURO N’ÁGUA
Quando o poço rompe um lençol freático, a água escorre pela parede e se acumula no fundo. É preciso, então, cavar um desvio e abrir um túnel paralelo. Para que a mina não se inunde, os garimpeiros drenam constantemente a água empoçada
LUZ NO FIM DO TÚNEL
Os túneis têm cerca de 2 metros de altura. O ar é bombeado da superfície até o fundo da mina. A fiação também desce para possibilitar a iluminação das galerias
CONTRA DESABAMENTOS
Às vezes é necessário escorar as paredes com “caixas”, ou estruturas de madeira, para prevenir desabamentos. Os garimpeiros usam a marreta para avaliar a segurança do teto: dependendo do som da pancada, a pedra está solta ou segura

Brasil e Japão na Bahia

Conheça um pouco das estranhas gírias do garimpo
Brasil - a superfície
Japão - o fundo da mina
Malado - quem ganhou muito dinheiro
Massegueiro - ladrão de esmeraldas
Boi - rocha pendurada no teto ou nas paredes da galeria
Canga - boi de xisto com pedras preciosas incrustadas
Indianada - pedras de qualidade inferior, que são vendidas para o mercado indiano
Martelete - tipo de britadeira
Quarta-feira - marreta muito grande e pesada. Tem esse nome porque poucos conseguem operá-la por mais de dois dias seguidos. Ou seja: o garimpeiro agüenta o trabalho na segunda e na terça, mas na quarta já não dá conta do serviço
Vazar - encontrar esmeraldas

O buraco é mais embaixo

Como funciona uma mina de esmeraldas na Bahia
REPESCAGEM
No entulho retirado das escavações, sempre há esmeraldas pequenas e de pouco valor. Isso atrai os “quijilas”, nome dado a quem aproveita os restos do garimpo. Geralmente são crianças, mulheres ou idosos
O ASCENRISTA
Quem controla o que sobe e desce – de pedras a pessoas – é o operador de guincho. A máquina, movida a diesel, tem dois comandos: acelerador e freio. O guincheiro se comunica com o interior da mina por um “telefone”, que, na verdade, não passa de um tubo de PVC

O descobrimento da maior jazida de alexandrita do mundo

MAIOR JAZIDA DO MUNDO

Conflitos, amizades, traições. Conheça histórias de que quem testemunhou a abertura da mina de alexandrita, em Hematita


Mina de alexandrita em Hematita, distrito de Antônio Dias
O descobrimento da maior jazida de alexandrita do mundo, no distrito de Hematita, em Antônio Dias, é uma história cheia de versões. Com poucos registros oficiais, é difícil creditar quem, de fato, descobriu a mina, nos idos de 1986. O que se sabe é que foi por acaso e por gente que não fazia ideia do quanto valia o material daquele subsolo. Por ser extremamente rara, a alexandrita se compara ao diamante em valor de mercado. 
 
Uma senhora simpática que mora atualmente ao lado da lavra – e preferiu manter-se no anonimato – conta que foi um primo seu, garoto na época, quem encontrou a preciosidade pela primeira vez. O menino brincava perto de um rego d’água, quando uma galinha ciscou um monte de cascalho e as pedras brotaram da terra. 
 
Não se sabe se foi este ou outro menino que, impressionado com a beleza da gema, que muda de cor de acordo com o tipo de luz à qual é submetida, achou aquilo bonito, cavou um pouco mais com as mãos, encheu uma sacola e levou para o distrito. Chegando lá, o garoto mostrou o achado a um comerciante, que provavelmente identificou ali algo valioso, e recebeu em troca dois pacotes de bala.
 
O assunto logo virou tema de conversa em reuniões de família, grupinhos de beira de rua e frequentadores de botecos. “Dizem que é uma tal de Alexandrita. Estão falando que vale muito dinheiro”, especulavam os moradores.  
 
Em 1986 não havia internet no Brasil, muito menos Facebook ou WhatsApp. Televisão em casa era para poucos. Mesmo assim, a informação correu rápido e em poucos dias começavam a chegar garimpeiros do país inteiro em busca das preciosas alexandritas de que tanto se falava. E eles chegavam armados com pás, picaretas e engenhocas para lavar cascalho. Armados também com revólveres, escopetas, garruchas, facas e canivetes.

Garimpo de Serra Pelada perde uma de suas lendas

Garimpo de Serra Pelada perde uma de suas lendas

wendersno_costa-300x200_thumb_filesizer_
O garimpo de Serra Pelada, em Curionópolis, sem dúvida é um dos maiores produtores de causos do Pará. Na semana passada o garimpeiro José Mariano dos Santos, o Índio, protagonista de alguns desses causos em Serra Pelada faleceu de causa ainda indefinida. Ele era hipertenso e se recuperava de um derrame.
No auge do ouro em Serra Pelada, os barrancos de Índio produziram nada menos que 1.183 quilos de ouro. Em valores atuais, o intrépido garimpeiro colocou nos bolsos fortuna equivalente a R$147 milhões.
Índio ficou conhecido nacionalmente quando uma rede de TV produziu, em meados dos anos 90, um programa sobre Serra Pelada e Índio pode contar seus causos, tantas vezes repetidas entre seus pares. Naquela época, o cantor Sidney Magal fazia um sucesso muito grande e a peso de ouro foi contratado para fazer um show no garimpo. Trouxe com ele uma dançarina fogosa e jovial de nome Terezinha que despertou a paixão em Índio. Inconteste, assim que o show terminou e a jovem voltou ao Rio de Janeiro, Índio se deslocou até Marabá, pois queria a todo custo rever a jovem. Quando chegou ao aeroporto de Marabá não havia mais vagas no voo para o Rio de Janeiro,´Movido por uma paixão avassaladora e  uma irresponsabilidade ainda maior, Índio não pensou duas vezes. Comprou 100 bilhetes de um Boeing com destino ao Rio de Janeiro, o que fez com que a empresa enviasse um avião para transportar o apaixonado garimpeiro até sua amada. Índio viajou acompanhado apenas da tripulação.
Lá chegando, Índio hospedou-se no Hotel Copacabana Palace, o mais caro à época, por sessenta dias, vivendo da luxúria que o dinheiro lhe concedia.
Conta a lenda que Índio ainda comprou 11 carros de uma só vez, três apartamentos em Belém e se casou por quatorze 14 vezes, gastando todo o dinheiro conseguido em Serra Pelada com luxos, mulheres e muita curtição, morrendo pobre.
Quando perguntado se estaria arrependido do que fez com o dinheiro em virtude da falta do mesmo nos tempos atuais, Índio era taxativo, e sem arrependimento afirmava que “se pegasse o mesmo dinheiro, hoje, faria tudo de novo”.
Serra Pelada produziu milhares de toneladas de ouro e outros tantos garimpeiros como Índio. Aliás, a maioria deles que “bamburraram” em Serra Pelada está hoje pobre. Um dos motivos era a falta de conhecimento com o dinheiro, a outra simplesmente o fato de acreditar que todo aquele ouro recolhido a duras penas não acabaria nunca e que o garimpo lhe daria outra vez, e muito mais.

Novas jazidas de diamantes no Brasil

Novas jazidas de diamantes no Brasil

Oito especialistas do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia, mapearam e identificaram dezenas de novas áreas potencialmente ricas em diamantes no País, especialmente no Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará.
Essa iniciativa faz parte do projeto Diamante Brasil, cujas pesquisas de campo começaram em 2010. Desde então, os geólogos visitaram cerca de 800 localidades em diversos estados, recolheram amostras de rochas e efetuaram perfurações para descobrir mais informações sobre as gemas de cada um dos pontos.
O ponto de partida para as expedições foi uma lista deixada ao governo pela empresa De Beers, gigante multinacional do setor de diamantes que prestava serviços para o Brasil na área de mineração. Neste documento, constavam as coordenadas geográficas de 1.250 pontos, entre os quais muitoskimberlitos*. Apesar das informações sobre as possíveis localidades dessas jazidas, não havia detalhes sobre quantidades, qualidade e características das pedras, impulsionando o trabalho de campo dos geólogos.
O objetivo principal dos pesquisadores era fazer uma espécie de tomografia das áreas diamantíferas no território brasileiro, visando atrair investimentos de mineradoras e eventualmente ajudar a mobilizar garimpeiros em cooperativas. Essas medidas podem trazer um aumento na produção de diamantes em território nacional e coibir as práticas ilegais relacionadas a essas pedras preciosas.
Atualmente, o Brasil conta principalmente com reservas dos chamados diamantes industriais e de gemas (para uso em jóias). Os de gemas são os que fazem girar mais dinheiro, considerando que um diamante desses pode ser vendido em um garimpo do Brasil por R$ 2 milhões. Já o valor da pedra lapidada pode chegar à R$ 20 milhões.
Os detalhes dos achados ainda são mantidos em sigilo. Com o fim do trabalho de campo, os geólogos do Diamante Brasil darão início à descrição dos minerais encontrados e as análises das perfurações feitas pelas sondas. A intenção dos pesquisadores é divulgar todos os dados em 2014.
*O que é um Kimberlito?
De acordo com Mario Luiz Chaves, doutor em geologia pela Universidade de São Paulo e professor adjunto da UFMG, kimberlitos são rochas hibridas, ígneas ultrampaficas, potássicas e ricas em voláteis, com origem a mais de 150km de profundidade e que chegam a superfície por meio de pequenas chaminés vulcânicas ou diques. Normalmente, os diamantes são encontrados neste tipo de rocha. Confira uma foto:

Os cinco maiores diamantes lapidados do mundo

A obra Diamante: a pedra, a gema, a lenda, de autoria do professor doutor Mario Luiz Chaves e do doutor em engenharia de minas Luís Chambel, aborda aspectos geológicos e de mineração relacionados aos famosos minerais e traz diversas curiosidades para os leitores. Abaixo separamos uma lista baseada no livro com dados sobre os maiores diamantes do mundo e fotos incríveis de cada um deles.
1)    Cullinan I
Essa pedra foi encontrada em 1905 na África e recebeu o nome de Cullinan em homenagem ao dono da mina, Thomas Cullinan. É considerado o maior diamante já encontrado e pesa 3.106 quilates. Atualmente, adorna o Cetro do Soberano, propriedade real da Inglaterra.
2)    Incomparable
O Incomparable, ou Imcomparável, tem uma história curiosa: foi encontrado em 1984 por uma garota em uma pilha de cascalho próxima à mina MIBA Diamond, no Congo. Considerado inútil pela administração da mina, o cascalho foi descartado com a pedra, e a menina acabou descobrindo o segundo maior diamante bruto do mundo, com 890 quilates. O corte do diamante gerou 14 gemas menores e o Incomparável, um diamante dourado com 407,48 quilates.
3)    Cullinan II
O Cullinan II, conhecido como Pequena Estrela da África, foi encontrado no mesmo ano e local que oCullinan I. Com 317.4 quilates (63.48 g) é o terceiro maior diamante lapidado do mundo, e foi colocado na coroa imperial, também pertencente à realeza da Inglaterra.
4)    Grão Mogol
Encontrado na Índia em 1550, pesa 793 quilates. A pedra deu nome a um município em Minas Gerais. O paradeiro atual desta preciosidade é desconhecido.
5)    Nizam
O Nizam é o diamante mais antigo desta lista e foi descoberto na Índia em 1830. A pedra tem 227 quilates e já adornou coroas e joias reais (Elizabeth). Atualmente ninguém sabe ao certo qual foi o seu último destino.