sexta-feira, 11 de março de 2016

A exploração, produção, distribuição e marketing do diamante


A exploração, produção, distribuição e marketing do diamante já eram bastante sofisticados, em sua maior parte, desde o final do século XIX. 
O ponto crucial para sua modernização deu-se em 1888, quando foi fundada a De Beers Consolidated Mines Ltd. A partir daquele ano e durante mais de um século, este conglomerado deteve praticamente o monopólio da comercialização de diamantes, adquirindo cerca de 80% da produção mundial de bruto através de uma espécie de cooperativa, denominada Central Selling Organization (CSO), aberta em 1916.
Na prática, a De Beers funcionava custodiando estoques reguladores, mantendo assim o equilíbrio entre oferta e demanda, de modo que os preços permanecessem relativamente estáveis.
Depois de serem adquiridos pela CSO, renomeada Diamond Trading Company (DTC) em 2000, os diamantes brutos de diferentes procedências são misturados, classificados por tamanho e qualidade, avaliados e, finalmente, vendidos a um seleto grupo de empresas ou negociantes, denominados sightholders, que são convidados a adquirir os lotes pré-selecionados contra pagamento imediato.
Há 10 oportunidades de compra por ano, denominadas vistas (sights), cada qual com duração de uma semana, em Londres, Lucerna (Suíça) e Kimberley (África do Sul). De acordo com o atual contrato, firmado para o período de 2008 a 2011, o número de negociantes escolhidos foi reduzido a apenas 79 em todo o mundo.
De posse dos sightholders, a maioria da produção destina-se, seja qual for a rota, a um dos 5 maiores centros de lapidação: Mumbai (Índia), Antuérpia (Bélgica), Tel Aviv (Israel), Johanesburgo (África do Sul) ou Nova York (EUA). 
Os diamantes lapidados fazem uma última parada, antes de sua longa jornada para as joalherias, nas bolsas de diamante, nas quais há também severas regras de filiação e conduta.
foto: reprodução
Diamante bruto “Letseng Legacy”, de 493 ct,
extraído da mina Letseng-Ia-Terai, no Lesoto, África
A grosso modo e não sem alguns percalços, tudo funcionou mais ou menos assim durante mais de cem anos, até que uma conjunção de fatores políticos, econômicos e sociais alterasse por completo o panorama mundial do diamante a partir do início dos anos 90.
O principal fator que contribuiu para estas mudanças foi o influxo, a partir de 1991, de diamantes provenientes de um número bem mais diversificado de fontes que as até então habituais.
O colapso da União Soviética em 1991 e o decorrente anseio por se desfazer de parte do seu estoque de bruto através da cooperativa Alrosa, de controle majoritário da República Semi-Autônoma de Yakutia (Sakha), localizada no extremo norte da Federação Russa; a decisão de não escoar exclusivamente através da De Beers a enorme produção da mina australiana de Argyle a partir de 1996; e a impossibilidade da De Beers deter o controle majoritário da significativa produção canadense, que teve início em 1999, levaram a uma total restruturação no mercado mundial.
Diante deste novo cenário, em julho de 2000 a De Beers percebeu que teria de modificar sua estrutura para se adaptar ao novo sistema de distribuição ramificado emergente e anunciou formalmente ter cessado seus esforços para seguir controlando o suprimento mundial. Já no ano seguinte, detinha “apenas” cerca de 57 % da produção, contra os históricos aproximadamente 80%. 
Em vista disso, o mercado tem se tornado significantemente mais competitivo e diversificado, com a participação de um maior número de companhias mineradoras e governos, o que deverá gerar uma maior volatilização dos preços, no que parece ser uma fase de transição para uma possível 'comoditização' do diamante.

O progresso da gemologia depende de uma estreita e saudável relação com a ciência

DESAFIOS À FRENTE 



O progresso da gemologia depende de uma estreita e saudável relação com a ciência, com a indústria joalheira e com o público consumidor. 

Durante muito tempo, a gemologia restringiu-se, principalmente, ao estudo, à identificação e à caracterização de gemas naturais e à distinção de suas equivalentes sintéticas e tratadas.
Tudo transcorreu sem maiores embaraços enquanto os melhoramentos de gemas se resumriam ao tratamento térmico, à irradiação, ao tingimento e ao preenchimento de fraturas com óleos e resinas.
Nos últimos anos, no entanto, tratamentos mais complexos têm sido desenvolvidos e rapidamente lançados no mercado e sua detecção requer, em muitos casos, técnicas analíticas avançadas, que impõem mais tempo de exame e custos mais elevados.
Intensiva e laboriosa pesquisa tem sido empreendida em várias partes do mundo com o objetivo de desvendar estes novos tratamentos e tornar a detecção de, ao menos parte deles, rotineiramente possível por meio de métodos estritamente gemológicos, o que, definitivamente, é tarefa das mais difíceis.
Por outro lado, o ensino e a difusão da gemologia precisam ser constantemente atualizados e devem passar a cobrir um escopo mais abrangente de temas, visando acompanhar a dinâmica e os avanços da indústria joalheira.
Além dos tradicionais tópicos relacionados à origem, modos de ocorrência, propriedades e meios de identificação das gemas, ganharam importância temas como normatização, classificação de qualidade, certificação, revelação de tratamentos, comprometimentos ambiental e social, e práticas comerciais.
Ademais, é recomendável que os segmentos da cadeia produtiva do setor de gemas e joias instruam o público consumidor e lhe disponibilizem, tanto individual como coletivamente - por meio de publicações, palestras, apresentações e outros meios disponíveis - as informações gemológicas mais importantes sobre os produtos que adquire, transmitindo-lhe assim a confiança e a segurança imprescindíveis para bem respaldar suas transações comerciais.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Por que a Usiminas subiu 104% em uma semana?

Por que a Usiminas subiu 104% em uma semana?



 
Desde o dia primeiro de março a ação da Usiminas saiu de R$0,91 para R$1,86 hoje: uma alta de 104,4%.

Somente hoje a alta supera os 20%.

Por trás destas altas expressivas está o dedo dos japoneses da Nippon Steel e do Sumitomo Metal Corp que estão propondo aos seus acionistas uma injeção de um bilhão de reais nos cofres da Usiminas. A decisão deverá ser feita em uma reunião de acionistas na sexta, mas tudo leva a crer que será aprovada pela maioria.

A Nippon Steel espera que o dinheiro vá convencer os principais credores da Usiminas a refinanciar o débito e garantir um período de carência.

No curto prazo a Usiminas deve tentar pagar R$1,92 bilhões aos seus credores. No total a dívida ultrapassa R$8 bilhões.

Caso o dinheiro não seja injetado a Usiminas deverá solicitar uma recuperação judicial o que pode decretar o fim da empresa.

Minério de ferro cai, mas não existe motivo para desespero

Minério de ferro cai, mas não existe motivo para desespero



 
Em que cenário uma queda de 8,8% no preço do minério de ferro não irá matar de susto o investidor?

Este cenário existe e estamos no meio dele...

Os preços da tonelada do minério de ferro 62% Fe estavam subindo fortemente desde dezembro de 2015. Neste período de três meses a tonelada já subiu 68% fazendo a alegria dos investidores e das mineradoras.

Nesta segunda-feira o minério teve a maior alta da história da commodity: 20%.

Como era esperado, após uma grande alta sempre vem um reajuste. Foi o que aconteceu hoje com o preço da tonelada caindo 8,8% para US$58,02.

Uma queda terrível?

Nem tanto.

Trata-se, apenas, de uma visão mais realista e conservadora. Afinal, 20% de alta é um pouco demais, mesmo com as boas notícias da China que implicam no crescimento da produção de aço, graças a mais de 1.000 novos grandes projetos de infraestrutura.

Isso mesmo: mais de 1.000 projetos de construção serão aprovados e iniciados nos próximos meses. Isso vai reacender a chama do crescimento chinês e reaquecer a economia de muitos países.

Portanto, qual a importância de uma queda de 8,8% em um cenário destes?

quarta-feira, 9 de março de 2016

Fortescue pode ser investigada por ganhos indevidos graças a vazamentos

Fortescue pode ser investigada por ganhos indevidos graças a vazamentos



 
A notícia de que a Vale e a Fortescue estavam assinando um memorando de entendimento (MOU) atingiu o mundo como uma bomba. Afinal uma joint venture entre a maior e a quarta maior produtora de minério de ferro do mundo é coisa para desestabilizar o mercado desta commodity.

No entanto, um dia antes, as ações da Fortescue subiram mais do que qualquer outra similar no mercado mundial: 23,7%. Apesar da gigantesca alta nos preços do minério de ferro naquele dia os reguladores da Bolsa de Sidney não estão acreditando em uma simples reação do mercado. Eles acreditam em vazamento de informações confidenciais e em ganhos indevidos.

Na verdade, a Fortescue, assim como todas as empresas em situações similares deveria ter suspendido as negociações dias antes da informação ser veiculada. Andrew “Twiggy” Forrest (foto) poderá ter que explicar o inexplicável.

Hoje a Fortescue cai mais de 10%, mas se for comprovado o vazamento o buraco será muito mais embaixo.