sábado, 12 de março de 2016

Poxoréu, do diamante às pedras no caminho

Poxoréu, do diamante às pedras no caminho

POR EDUARDO GOMES – Uma cidade em descompasso na região mais desenvolvida de Mato Grosso
Fotos: FELIPE BARROS, DA REVISTA MT AQUI
Poxoréu tinha tudo pra dar certo, mas não foi bem assim. Parte do centro ainda resiste e mantém ares de normalidade, com razoável movimentação. Porém, no conjunto, a cidade agoniza.
Desde 1960, quando tinha 16.687 habitantes, a população nunca foi tão reduzida quanto agora: 16.919 residentes. Há alguns anos o índice de crescimento populacional é negativo. Somem-se a isso preocupantes indicadores sociais e o desmembramento político de Primavera do Leste. O município perdeu a vitalidade econômica desde que o garimpo entrou para a história. Resta a força da pecuária com suas 298 mil cabeças bovinas, que gera poucos empregos da porteira pra dentro.
revista outubro siteO caos não dá lugar à comemoração pelos 75 anos de emancipação, data que na época das vacas gordas era celebrada em 26 de outubro. A luz no fim do túnel aponta para a MT-130, a rodovia que cruza o perímetro urbano e será uma das principais de Mato Grosso, pois é rota obrigatória das commodities de Paranatinga e região ao terminal ferroviário de Rondonópolis. Dos bons tempos do garimpo não resta nem mesmo o xibiu que os capangueiros refugavam.
LEGENDA: Placa identifica uma Poxoréu que não mais existe
A realidade mostra que o momento é de tirar as pedras do caminho pra encontrar o diamante sem jaça e, assim, bamburrar. A outrora Capital dos Diamantes não aguenta mais ficar blefada.
REVISTA OUTUBRO SITESituada entre Rondonópolis, Primavera do Leste e Campo Verde, Poxoréu está em descompasso na região mais desenvolvida de Mato Grosso. A riqueza da cidade escapou por entre as mãos.
LEGENDA: Com a economia em descompasso muitas portas baixaram e até a Zona Eleitoral foi removida do município
Agências bancárias baixaram as portas, a 5ª Zona Eleitoral foi removida para Nova Mutum e figuras ilustres pegaram a estrada, se mandaram para outros lugares, de onde arrotam suspeita paixão pela terra que um dia também foi deles. O êxodo esvaziou o lugar, mas a Santa Sé permanece firme, com sua Matriz São João Batista e outras igrejas, e seu foco continua nos índios xavantes e bororos, sem perder de vista a população urbana e rural, que em boa parte se converteu às denominações evangélicas, que abriram templos por todos os cantos.
revista outubro siteLEGENDA: Na praça deserta com calçamento de pedra, a matriz dos padres defensores dos índios
A vida segue ao ritmo do tique-taque, avançando, mas diferente dos anos 1940, 50 e 60, época em que a elite econômica e os novos ricos do garimpo usavam o avião como meio de transporte.
Uma das rotas Cuiabá-Belo Horizonte, operadas pela extinta companhia Real Aerovias, fazia escalas na cidade com seus bimotores DC-3. O município vivia um período de opulência no ciclo do diamante.
Nas décadas de 1960 e 70, quando a agência do Banco do Brasil não dispunha de numerário para grandes saques – então comuns –, o gerente recorria a um velho conhecido de todos, Prisco Menezes, o ex-garimpeiro que se tornou milionário emprestando dinheiro a juros. Àquele tempo o médico e ex-prefeito Antônio dos Santos Muniz, o Doutor Muniz, dizia que a cidade era um verdadeiro ímã, que segurava todos que chegassem. O Doutor Muniz era exceção quanto ao poder de sedução de Poxoréu: um dia ele trocou a Boa Terra da Bahia por aquele lugar, de onde saiu às pressas para Rondonópolis deixando pra trás inclusive o mandato na prefeitura, após ser derrubado do cargo num verdadeiro golpe de Estado em dimensão municipal.
revista outubro siteLEGENDA: Nos primórdios de Poxoréu o Morro de Mesa mostrou o rumo ao garimpo; agora é cartão-postal que a prefeitura não sabe explorar 
Por volta de 1980, com os primeiros sintomas da exaustão do diamante, levas de garimpeiros migraram para Juína. No auge do garimpo – estimava João de Barro, antigo morador do distrito de Alto Coité –, 6 mil aventureiros arriscavam a sorte em Poxoréu.
Garimpo não era a única aventura. Para o paulista Jubal Martins da Siqueira, ex-vereador e ex-pecuarista já falecido, em nenhum lugar do mundo se joga tanto quanto em Poxoréu. O jogo a que Jubal se referia é o baralho, mesmo. São muitos os tunguetes e casas onde as cartas correm soltas madrugadas adentro. Jubal era falante sem perder a verdade nem abrir mão da seriedade.
revista outubro siteLEGENDA: Esta é a Rua Bahia, que nos bons tempos do garimpo foi a mais famosa zona boêmia de Mato Grosso eagora está reduzida a escombros e entregue ao silêncio
Em 1969 Jubal construiu na fazenda Lidianópolis, de sua propriedade, a primeira piscina da zona rural de Poxoréu.
Antes da piscina de Jubal, em 1966, chegou ao distrito de Paraíso do Leste o mineiro, descendente de italianos, José Nalon, acompanhado por familiares, e iniciou ali, naquele ano, o plantio da primeira grande lavoura de fumo para a indústria tabagista de que se tem registro em Mato Grosso. O pioneirismo dos Nalon não parou por aí. Trinta anos depois, Manoel Nalon, filho do fumeiro, liderou um movimento que resultou na tentativa da cultura do maracujá em escala no município.
LEGENDA: Com o fim do garimpo as mulheres partiram e a Rua Bahia perdeu o quê da boemia – é cenário de varal com roupas comuns
revista outubro siteO Morro de Mesa foi a referência geográfica aos garimpeiros que no final do século XIX buscavam o diamante nas altas cabeceiras do pantaneiro rio São Lourenço. Agora, é ponto turístico, mas sem exploração – cartão-postal que a prefeitura não sabe valorizar.
A colonização do lugar começou em 1924 com o garimpo. Quatorze anos depois Poxoréu era cidade, não sem antes ser destruída por um incêndio que devorou seus primeiros casebres. No ano seguinte à emancipação, o coronel Luizinho – que na bia batismal recebeu o nome de Luiz Coelho de Campos – foi empossado intendente, que era a denominação do prefeito à época.
Rica em diamante, Poxoréu ganhou representatividade política. O ex-senador Louremberg Nunes Rocha, que nasceu naquele lugar, conta que na eleição para presidente da República em 1950 todos os candidatos foram à sua cidade.
A representatividade política numa visão doméstica em Poxoréu é atípica. Filho do ex-prefeito Joaquim Nunes Rocha, Lindberg Nunes Rocha administrou o município em vários mandatos; a prefeita Jane Maria Sanches Lopes é sua mulher e Louremberg, seu irmão. Antes da figura da reeleição, Lindberg cismou em permanecer na prefeitura após seu mandato. Para tanto lançou seu primo Lucas Ribeiro Vilela à sua sucessão. Com a força do clã Rocha, Lucas ganhou de barbada. Juntos os dois primos protagonizaram um episódio talvez inédito na política nacional. Eleito, o parente deixou as chaves da prefeitura e junto com elas uma procuração com plenos poderes ao antecessor. Essa situação perdurou ao longo do mandato.
revista outubro siteLEGENDA: Rodovia MT-130 que cruza a cidade e pode se tornar a salvação da lavoura
“O problema do diamante é que ele não dá duas safras”, resume o ex-garimpeiro e agora parceleiro do Incra João Gualberto Guimarães, o João Gogó. A opinião de João Gogó reflete parte do problema, que é maior porque a incompetência dos prefeitos nunca deu passagem à alternativa econômica. Tanto assim que uma infeliz poligamia do município com o Estado e o governo federal resultou na criação de dois projetos Casulo periféricos à cidade, onde foram assentados ex-garimpeiros. Todos os que bebem água, à exceção de alguns em Poxoréu, sabem que o homem acostumado ao garimpo não se adapta à agricultura familiar. Por isso, os Casulos foram pro beleléu.
O diamante escafedeu-se e o pouco do que resta enfrenta o travamento do Ibama. Sem garimpo, não há onde trabalhar. Dona Maria do Carmo Silva Soares, nascida na cidade e filha de garimpeiro, sabe bem o que é desemprego. Ela tem três filhos e um pegou as malas e se mandou para Primavera do Leste, onde mão de obra ociosa é igual fantasma – pode até existir, mas ninguém vê.
Dona Maria do Carmo é diarista, mas não encontra serviço todos os dias, para garantir o sustento de sua casa, já que se separou do marido. Ela conhece tão bem a Poxoréu de agora quanto a de antes, nos idos do Diamante Clube superlotado com os grandes bailes abrilhantados pelas principais orquestras brasileiras.
Nenhuma zona boêmia ganhou tanta fama em Mato Grosso quanto a Rua Bahia, no centro de Poxoréu. No começo dos anos 1970, quando o garimpo estava no auge, mais de 20 boates mantinham acesas suas luzes vermelhas, com suas vitrolas no volume máximo ou ao som do maestro Marinho Franco. Em frenesi, as mulheres dispostas a tudo, com suas roupas provocantes e carregadas com maquiagem que realçava a beleza e escondia a feiura.
O coração de Poxoréu batia mais forte na Rua Bahia, onde garimpeiros endinheirados lavavam o chão dos cabarés com cerveja Brahma gelada e pagavam o doce sabor do sexo com a moeda mais forte e conhecida por todos: o diamante.
À noite a Rua Bahia fervilhava; na madrugada, mais ainda. Onde se garimpa diamante a criminalidade é zero ou quase isso, ao contrário das praças das fofocas do ouro. Com sua riqueza, seu sexo, sua farra e seu jogo, Poxoréu foi paraíso.
Quando o último boêmio saía do cabaré e as portas e janelas se fechavam no salão silencioso e impregnado pelo azedume da cerveja e do conhaque derramados, Poxoréu voltava ao garimpo, para mais tarde, tão logo o sol se pusesse, voltar a viver gostosa noite de orgia.
As mulheres da Rua Bahia conviviam bem com a população e embarcavam para Cuiabá ou Rondonópolis nos ônibus da empresa Baleia junto com os demais passageiros. Normalmente saíam em pequenos grupos para as compras na Loja Para Todos, do Bartolomeu Coutinho, o Bartô, em outros pontos do comércio ou em busca de uma agulhada de Benzetacil na farmácia de seo Amarílio de Britto, pra curar incômoda gonorreia. Algumas, mais atiradas, entravam na Matriz para preces a Jesus, o Senhor que perdoou Madalena. Os rufiões também se misturavam ao povo, onde se abrigavam os coronéis das quengas e os gigolôs. O Cine Roma elas conheciam somente pelo lado de fora, porque a exibição dos filmes coincidia com o horário do trabalho da profissão mais antiga do mundo.
Sem o diamante, a Rua Bahia morreu. Seus cabarés viraram ruínas e as pedras de seu calçamento não escutam mais os ais do prazer, ouvem apenas o cortante silêncio sepulcral de uma triste cidade sem garimpo, sem zona boêmia, sem rumo.
Mesmo que a cidade retome sua movimentação, dificilmente a Rua Bahia ressuscitará. O sexo perdeu o quê de boemia, ganhou espaço entre a juventude com sua parafernália nas redes sociais. O casamento já não é mais o mesmo. A vida mudou. Falta agora a mudança de Poxoréu, ou melhor, seu reencontro com a vitalidade econômica para que seu povo tenha melhor qualidade de vida e sua força de trabalho encontre o que fazer perto de casa.
Em 1949, usurpando o papel do governo no melhor sentido da palavra, o garimpeiro mineiro e residente em Poxoréu Jacinto Silva rasgou a machado a rodovia Deputado Osvaldo Cândido Pereira (MT-130). Nos anos 1980 ela foi pavimentada pelo governador Júlio Campos. Agora vai ganhar intensa movimentação com o transporte de commodities agrícolas para o terminal da ferrovia em Rondonópolis.
Poxoréu não tem política para incentivar investidores da agroindústria, de modo a descentralizar a concentração das fábricas que constroem plantas nas boas cidades que a circundam. Pela MT-130 a cidade tem escoamento garantido. Falta produzir antes que a juventude parta em busca do amanhã que a bruma administrativa não deixa clarear sobre a antiga Capital dos Diamantes.
SERVIÇO:
REVISTA OUTUBRO SITEPoxoréu, na região sul, dista 240 quilômetros de Cuiabá, 85 quilômetros de Rondonópolis e 40 quilômetros de Primavera do Leste. O principal acesso é a MT-130.
A pista do aeroporto não é pavimentada.
A cidade fica à margem do rio Poxoréu, nome que para os bororos quer dizer água escura.
O Produto Interno Bruto (PIB) do município é de R$ 277.225.000.
A renda per capita de Poxoréu é de R$ 15.749,64 e a mato-grossense, de R$ 19.644,09.
O Índice de Desenvolvimento Humano é de 0,678 numa escala de zero a um; o IDH médio dos municípios de Mato Grosso é de 0,731.

Distrito de Cassununga foi povoado por famílias em busca de diamante.


Distrito de Cassununga foi povoado por famílias em busca de diamante. 
Hoje, área está abandonada e reúne histórias de assombrações.


Seu navegador não supporta a reprodução deste video. Por favor, tente usar um navegador diferente.
Uma região povoada durante intenso movimento de garimpo no século XX, o Distrito de Cassununga, no município de Tesouro, a 385 km de Cuiabá, se transformou em ruínas e, segundo moradores, é conhecida atualmente como 'Cidade Fantasma'. Fundado em 1928, o distrito abrigou garimpeiros até a década de 70, segundo o historiador Wilson Januário, que já escreveu um livro sobre a história dessa região.
Casas, escola e igreja abandonadas e materiais utilizados em garimpo ainda são estão encontrados no local.
Único garimpeiro que ainda reside no local, o aposentado João Antônio Ribeiro disse que em busca de uma vida melhor várias pessoas se mudaram para Cassununga. “Várias pessoas viam para o local garimpar e a cidade ficou famosa pelos diamantes”, disse.
Local onde viveu cerca de 2.500 moradores só tem três famílias (Foto: Reprodução/ TVCA)Local onde viveram cerca de 2.500 moradores agora só abriga três famílias (Foto: Reprodução/ TVCA)
Os diamantes foram extraídos de dois rios,enormes de 30 a 200 kilates no rio Cassununga e o Rio Garças. De acordo com o historiador, foram registrados muitos assassinados no auge do garimpo, que na época ficou conhecido como 'cidade sem lei'.Um geólogo que não quer ser identificado, falou que tem muitos diamantes a serem descobertos, pois tem kimberlitos ricos na região, na certa uma grande mineradora de fora vai extrair milhões ou bilhões de kilates, com nova tecnologia, ou bilhões de dólares.
O distrito hoje é conhecido por ser assombrado, segundo o morador. "À noite, escuto barulhos sempre e eu não vou olhar o que é”, disse Ribeiro. Na região tem três cemitérios de difícil acesso, pois ficam no meio de matagais.
Casas foram abandonadas por famílias de garimpeiros (Foto: Reprodução/ TVCA)Casas foram abandonadas por famílias de garimpeiros (Foto: Reprodução/ TVCA)
Os túmulos são feitos de ferro e alvenaria. As cruzes se desgastaram com o tempo. “Este cemitério foi construído depois que os outros dois da região central ficaram sem espaço. Não tenho coragem de andar por aqui à noite. Alguns amigos me falaram que ouviram vozes estranhas”, disse o dentista Issak Castelo Branco, que também mora no distrito.
Três famílias vivem nessa comunidade, localizada a cerca de 35 km da zona urbana de Tesouro.
Túmulos foram abandonados em cemitérios do distrito (Foto: Reprodução/ TVCA)Túmulos foram abandonados em cemitérios do distrito (Foto: Reprodução/ TVCA)
O garimpo foi fechado pela Justiça na década de 70. Os garimpeiros então migraram aos poucos para algumas cidades em outras regiões do estado, como Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, que estava em expansão naquela época.
“Os 2.500 garimpeiros deixaram o local em 1975 e foram para cidades vizinhas que estavam crescendo e para capital em busca de uma vida financeira melhor”, disse o historiador Wilson Januário.
Segundo o Censo divulgado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Tesouro possui 3.418 habitantes.

HISTÓRIA DO DIAMANTE

HISTÓRIA DO DIAMANTE

diamante-rosado
A história dos diamantes é bem antiga,  nos últimos 2.500 anos eles vêm sendo utilizados em joias e adereços. O termo “diamante” é derivado da palavra grega “Adamas” (o inconquistável), prova suficiente de que, já na Antiguidade, era conhecida e apreciada por sua indestrutível beleza.
Os gregos se referiam aos diamantes como faíscas das estrelas que caíam sobre a Terra. Sobre eles, dizia-se também que o fogo refletido era a constante chama do amor. E mais: eles seriam lágrimas dos deuses.
A natureza comprova o quanto essas gemas são especiais… O diamante é a única pedra preciosa composta apenas de um elemento, o carbono. É exatamente a mesma composição do grafite, que parece seu antônimo: sem brilho, cinzento, quebradiço.
Quem pensaria em colocar uma pedra de grafite em um anel de noivado?
1C0727_3
A explicação, mais uma vez, vem da natureza. Embora diamante e grafite sejam compostos do mesmo elemento, a forma como os átomos de carbono se unem uns aos outros é completamente diferente.
A isso chamamos de alotropia, do grego allos (outro) e tropos (maneira), é o fenômeno que consiste em um elemento químico poder existir estavelmente sob formas diferentes, com diferentes propriedades físicas e químicas. Exemplo: grafita (grafite) e diamante. 
Até o século XVII, quase todos os diamantes comercializados no mundo tinham como origem a mina de Golconda, na Índia. Daquele local foram extraídos alguns dos mais famosos diamantes do mundo, como o Koh-i-Noor, que faz parte das joias da coroa da Inglaterra, e Orloff, patrimônio das joias da coroa da Rússia.
Mas, em 1725, o Brasil quebrou esta tradição, após a descoberta de diamantes na cidade de Diamantina, em Minas Gerais. Durante os 150 anos seguintes, o estado seria alçado à posição de maior produtor mundial de diamantes, perdendo esta posição, mais tarde, para a África do Sul.
Apenas 20% dos diamantes são utilizados para joalheria. O restante é aproveitado na área industrial. O diamante é muito resistente e utilizado, por exemplo, nos equipamentos de perfuração de petróleo e para o corte de vidro. O diamante é tão resistente que somente um diamante corta outro diamante.
O maior diamante foi encontrado na África do Sul, em 1905, e tinha 3106 quilates, que deu origem a 105 pedras de menor tamanho. Dentre elas está o diamante Cullinan I (também chamado de “Estrela da África”), com 530,20 quilates que adorna o cetro do Rei Eduardo VII, que está na Torre de Londres.
Localidades: Brasil, África do Sul, Congo, Angola, Tanzânia, Austrália, Federação Russa. Atualmente existem minas de diamantes nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Pará, Paraná e Roraima.
Analogias: Energia: projetiva. Planeta: Sol. Elemento: fogo. Signo: Áries, Leão. Chakras: todos. Tarô: A Justiça.
Fortalece funções cerebrais, ajuda o alinhamento dos ossos do crânio. Quebra bloqueios no chakra coronário e na personalidade, é um grande curador.
Afasta a negatividade, purifica o corpo físico e etéreo. Reflete os aspectos divinos de vontade e poder. Purifica e limpa sexualmente. Aumenta a força física e dá coragem.
É a mais neutra de todas as gemas e é extremamente poderosa para remover bloqueios, negatividade e disfunções sexuais. O Diamante intensifica a energia de outras pedras, promove a clareza do pensamento, amplia o pensamento, nos aproxima do Eu superior.
Em essência, é para trabalhar as partes espirituais mais elevadas do ser dentro do corpo físico.
Objetivos: espiritualidade, grande curador, paz, coragem, vigor. Protege contra os inimigos.
Diamante vermelho é a pedra das grandes paixões…


A extração rudimentar de opala em Pedro II, Piauí

A extração rudimentar de opala em Pedro II, Piauí, associada à informalidade da atividade mineral, tem originado um baixo nível de eficiência econômica. Trata-se de uma área garimpeira, conhecida há décadas. A qualidade da opala encontrada na região de Pedro II, só é comparada à da Austrália, que compete com o Brasil pela liderança do mercado mundial de opalas. As opalas de Pedro II, além de rara beleza apresentam alta resistência às mudanças de temperatura e maior dureza, o que as colocam em posição de destaque no mercado internacional. No entanto, a exploração da opala tem sido feita desordenadamente, ao longo dos anos. Não há trabalho de detalhamento geológico na área em questão, levando os garimpeiros a extraírem aleatoriamente esses bens, o que tem gerado sério passivo ambiental. Assim sendo, o Projeto Avaliação dos Depósitos de Opalas de Pedro II, uma ação do Programa Geologia do Brasil da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) – Serviço Geológico do Brasil, inserido no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, tem por objetivo fornecer subsídios geológicos ao Arranjo Produtivo Local (APL) da Opala de Pedro II, através da caracterização geológica de seus depósitos, visando uma exploração ordenada e correta. Esse projeto foi iniciado pela CPRM em março de 2011, com duração prevista de três anos, estando sob a responsabilidade dos Departamentos de Recursos Minerais – DEREM e de Geologia – DEGEO, sendo executado pela Residência de Teresina (RETE). Quanto aos aspectos metalogenéticos, com base nos dados do projeto, corroborados por dados existentes na literatura, os depósitos primários de opala estão hospedados em sedimentos da Formação Cabeças, notadamente nas zonas de contato entre essas e as rochas básicas da Formação Mosquito, que as intrudem. A opala ocorre preenchendo fraturas e fissuras em arenitos silicificados e/ou no diabásio. A gênese do minério ainda não está definida, havendo autores que a associam às intrusões básicas e/ou ao intemperismo laterítico. A opala ocorre ainda em depósitos aluvionares, fruto do intemperismo, erosão e transporte da mineralização primária. 1.1 – Objetivos e Justificativas Os vários garimpos de opala encontrados, principalmente, no município de Pedro II vêm sendo explorados desde a década de 1940. Esse projeto tem por objetivo fornecer subsídios geológicos à APL da Opala de Pedro II, através de mapeamento em escala regional (1:100.000) duma área aproximada de 3.000 km2 , para identificar
 as principais litologias e estruturas ocorrentes na região, notadamente as portadoras e controladoras da mineralização. Em seguida, com mapeamento em escala de 1:10.000 ou maior na área onde se concentram as mineralizações, procurar detalhar as áreas promissoras e os garimpos já existentes. Ainda, elaborar o cadastramento e a descrição das ocorrências minerais. O projeto partiu de uma visão mais regional, buscando definir os corpos de diabásio cujos contatos com os sedimentos controlam a mineralização. A seguir foi dado um enfoque de maior detalhe, objetivando caracterizar a mineralização e identificar controles na escala de depósito. Os Arranjos Produtivos Locais são instrumentos de desenvolvimento econômico e social, trazendo benefícios para toda a comunidade. Este estudo pretende gerar informações que tornem mais eficientes os trabalhos de exploração e lavra da opala, contribuindo para geração de empregos e aumento da qualidade de vida da população de Pedro II e região. O estudo se faz necessário em função da escassez de informação geológica e da potencialidade da região para que novos depósitos de opala sejam encontrados. A área apresenta intensa atividade garimpeira, baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e através de apoio técnico adequado é possível fomentar e qualificar a atividade mineral local, gerando mais emprego e renda. 1.2 – Localização e Acesso A área do projeto está localizada na região nordeste do Estado do Piauí. (Figura 1.1). Abrange uma área de 3.000 km2 e engloba fração dos municípios de Pedro II, Milton Brandão, Piripiri, Domingos Mourão, Lagoa do São Francisco, Sigefredo Pacheco e Capitão de Campos, sendo que as zonas urbanas dos municípios de Piripiri, Capitão de Campos e Sigefredo Pacheco estão localizadas fora da área desse projeto. O polígono formado pelos vértices de coordenadas geográficas 41o 15’ e 41o 45’ W de Greenwich e 04o 15’ e 04o 45’ de latitude S emoldura os quadrantes sudeste, sudoeste, nordeste e noroeste das folhas 1:100.000 Piripiri, Pedro II, Conceição e Macambira, respectivamente SB.24-V-A-I-4; SB.24-VA-II-3; SB.24-V-A-IV-2; e SB.24-V-A-V-1 (Figura 1.2). O centro administrativo do município de Pedro II localiza-se na latitude 04o 25’29” S e longitude 41o 27’31” W, distando 210 km da capital Teresina. O acesso é realizado por rodovias federais asfaltadas, partindo de Teresina pela BR-343 até o posto rodoviário de Piripiri e aí pela BR-404 até Pedro II. A cidade de Pedro II está a uma altitude de 743 m (FUNDAÇÃO CEPRO, 2005) assentada na Serra dos Matões.

The Project Evaluation of Deposits of Opals of Pedro II

The Project Evaluation of Deposits of Opals of Pedro II, an action from the Geology of Brazil Program (PGB) supported by CPRM/Geological Survey of Brazil, is inserted in the Growth Acceleration Program (PAC) of the Federal Government. Started in 2011, was executed by Residence of Teresina. Aims to provide geological subsidies to Local Productive Arrangement (APL) of Opal of Pedro II, through the geological characterization of deposits, aiming at an orderly and proper exploration, besides elaborating registration and description of mineral occurrences. The work of geological mapping associated with bibliographic information allowed to individualize on project six lithostratigraphic units of Paleozoic and Mesozoic rocks, and Cenozoic sediments. The Paleozoic rocks are represented by formations: Jaicós (Serra Grande Group) - sandstones and occasionally interbedded mudstones, ferruginous sandstones and conglomeratic sandstones beds (Silurian); Pimenteira (Canindé Group) - fine clastic predominantly pelitic facies (siltstones and shales) with layers intercalated of fine sandstones (Devonian); Cabeças (Canindé Group) - quartz sandstone, locally with ferruginous levels, lateritizated, levels of laterite and lateritic conglomerates, and in Pedro II and neighborhoods, overlapping sandstones to diabases, are highly silicified and fractured, and may contain noble opal filling fractures (Devonian). All these formations are part of the Parnaíba Basin. Mesozoic igneous rocks of basic character, constituting large lenticular bodies or thick sills (dykes rarely), intrude the Paleozoic rocks, in particular, the sandstones of Cabeças Formation. Dated held in diabase collected in Roça opal-digging presented age between 194 and 209 Ma (206Pb/238U) and Concordia Age of 203 ± 2 Ma, associated with an MSWD 0.44 and probability of agreement of 0.51 - the result representing the crystallization age of the body (Upper Triassic - Lower Jurassic), thus compounding the Mosquito Formation. Colluvium-eluvial and Alluvial deposits represent the Cenozoic sediments. Treatment of collected data from fractures indicate fractures with average dips greater than 85o and predominance of the directions E-W and NE-SW. In the area, fractures form intersecting families, usually with two directions almost orthogonal to each other. Based on conjugate pairs σ1 inferences were made which resulted in two main directions: SW-NE and SE-NW. In the western portion of the area, prevails σ1 according to SW-NE direction, where there are no records of occurrence of opal. In the region adjacent to Pedro II despite still being observed σ1 according to SW-NE direction, near Boi Morto mine and Mamoeiro opal-digging, main occurrences of opal mines, was observed σ1 with NW-SE direction. This direction is consistent with fotoalignments, suggesting this as the main direction of mineralization in opals. As for metallogenesis, primary opal deposits are hosted in sediments of Cabeças Formation, notably in the areas of contact between them and the basic rocks that intrude them. Opal occurs filling fractures, fissures and veinlets in silicified sandstones, more rarely, in siltstones, and on the capa of diabase sills, where this was altered forming clay level that containing smectite. The genesis of opals of Pedro II is closely related to a hydrothermal environment, arisen with the intrusion of basic rocks in siliciclastic rocks of Cabeças Formation (Gomes e Costa, 1994). Essential data to corroborate this genetic model were presented by Marques et al. (2013), based on analyzes of fluid inclusions, mineralogical and chemical composition of these opals and their solid inclusions, and in large part of the solid inclusions partial dissolution features were observed, also referring to the hydrothermal environment, intense migration of fluids, added to own mineralogy of the same. However, some authors associate the genesis of the ore to lateritic weathering. Thus, we have as main factors associated with generation of primary deposits of opals in the region of Pedro II, the hydrothermal system and the structural pattern of the area. Opal also occurs in secondary deposits derived from the weathering, erosion and transport of primary mineralization, forming alluvial deposits and talus deposits, resulting from the breakdown of Cabeças Formation sedimentary rocks. The productive chain of Opal of Pedro II presents as bottlenecks: lack of daily specialized technical monitoring, what prevents
 a mining streamlined shape, leading to visible environmental liabilities; lack of financial resources to enable equipment to facilitate the mining; lack of continuous improvements in facilities that support the miners in the various opal-digging in the region; manpower drain; evasion of hand labor, because local young people, children and grandchildren of miners, are shunning the opal-digging, and leaving the branch in search of better professional horizons in large urban centers.