terça-feira, 29 de março de 2016

Para o setor de mineração, o pior ainda está por vir

Quando você está em um buraco, diz o ditado, pare de cavar.
Uma lição simples que, possivelmente, foi ignorada pelo setor de mineração, que perdeu mais de US$ 1,4 trilhão do valor para os acionistas por cavar buracos demais em todo o globo.
A queda de 73% do setor em relação ao pico de 2011 está muito além da perda de 49% do setor do petróleo durante o mesmo período.
Quanto tempo levará para que o mundo use os estoques repletos de metais, carvão e minério de ferro foi o debate central na maior conferência de investimento do setor de mineração na Cidade do Cabo nesta semana, que atraiu mais de 6.000 altos executivos, banqueiros, corretores, analistas, mineradores e repórteres. Aqui está o que eles concluíram.

O pior ainda está por vir

Este ano poderia ser ainda pior, com preços com tendência mais baixa por mais tempo, de acordo com o presidente executivo da Anglo American, Mark Cutifani, que diz que sua empresa deveria estar melhor preparada “para o inverno que inevitavelmente vem depois do verão”.
O australiano revelou que desde que assumiu o cargo, há 33 meses, a receita da empresa caiu em média US$ 350 milhões por mês.
A Rio Tinto Group também está se preparando para um ano difícil, e o CEO Sam Walsh previu na Bloomberg Television na quinta-feira (11) que a queda das commodities vai se espalhar. A empresa se juntou às concorrentes ao descartar sua chamada política progressiva de dividendos.

Afligir-se ou impressionar

O setor está se dividindo em dois tipos de pessoas: aqueles aflitos e aqueles que vão impressionar por atravessar a retração e sair do outro lado em uma posição mais forte para entrar no próximo ciclo.
Tom Albanese, presidente executivo da Vedanta Resources, hesitou em dizer que tinham chegado ao fundo do poço. A Vedanta, como seus pares, está focada em pagar suas dívidas e vai “fazer isso e resistir”, disse ele em entrevista à Bloomberg Television.

Excesso de produção

A abundância generalizada, do minério de ferro ao cobre, é o principal desafio para o setor.
O crescimento econômico mais lento da China em uma geração provocou a abundância dos metais, e o setor é o maior responsável, disse Cutifani. O alto custo da limpeza ambiental depois do fechamento de uma mina impede fechamentos e prolonga a crise.

Ouro, uma luz que brilha

O ouro, a commodity de melhor desempenho neste ano, está dando certa esperança às mineradoras. O status de refúgio seguro faz com que o ouro seja imune a muitas das forças que pesaram sobre os metais industriais e as commodities a granel.
Os preços estão fortes e as empresas estão querendo adquirir, disse Neil Froneman, o presidente executivo da Sibanye Gold, o maior produtor de ouro da África do Sul.

Transações vão acontecer

Os maiores produtores foram prejudicados pela queda nos preços das commodities que obrigou os produtores a descartar minas e fundições de menor qualidade.
A Anglo American, que está vendendo mais da metade de seus ativos, provavelmente vai anunciar vendas de seus ativos de carvão no país nas próximas duas semanas, de acordo com o Ministro sul-africano de Recursos Minerais.
Grupos de private equity estão circulando.
O valor das transações de private equity no setor de mineração vai aumentar neste ano dos US$ 3,2 bilhões em 2015 porque os maiores produtores economizam dinheiro e descartam operações não desejadas, de acordo com a firma de advocacia Berwin Leighton Paisner, do Reino Unido.

Enxurrada de ações

Evy Hambro, da BlackRock, um dos investidores de mineração mais importantes, foi contundente em sua avaliação do setor.
Quando perguntado sobre as perspectivas para a oferta, ele brincou que o bem mais abundante seriam novas ações em empresas de mineração.
Ele projeta que “as comportas [das vendas de ações] vão se abrir” porque o setor vai captar recursos para reerguer seus balanços enfraquecidos.

Zepelim vai encontrar ouro e diamantes em África

“Pode aterrar na terra, água, areia, até no gelo.” Foi assim que um responsável da Hybrid Enterprises apresentou o novo dirigível, movido a hélio, que poderá chegar a zonas remotas e escondidas das terras africanas, onde estão mais de 90 por cento dos recursos minerais em África.
Desenvolvido a partir do famoso balão de ar, criado em Paris em 1783, o zepelim não era o tipo de transporte aéreo mais falado, pelo menos até a data. Após 20 anos de pesquisa, a Lockheed Martin e a Hybrid Enterprises estão prestes a lançar um novo e revolucionário tipo de veículo que pode render milhares de milhões em recursos dos solos africanos, incluindo ouro ou diamantes.
Este zepelim híbrido pode realizar milhares de quilómetros numa só viagem e a uma velocidade de 60 nós. Pode ainda carregar dezenas de toneladas de recursos.
O inovador veículo foi apresentado na Cidade do Cabo, no evento African Mining Indaba, como a próxima descoberta em prol das companhias mineiras. Utilizando a frase ” No roads, No problem” (sem estradas, sem problemas), os promotores destacaram a capacidade de chegar a locais remotos mas extremamente lucrativos.
Locais como os Camarões, a República do Congo ou a Guiné, podem ter a oportunidade de explorar novas e inacessíveis áreas, mas ainda vão ter de esperar porque estima-se que este zepelim esteja pronto a funcionar em 2018.

Após ação policial, mineradoras pesquisam área de garimpo ilegal

Após duas intervenções policiais desde 2015 para retirada de garimpeiros ilegais, a área da Serra da Borda, na região de Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, deverá ter seu potencial pesquisado por pelo menos duas mineradoras, a Mineração Santa Elina Indústria e Comércio S/A e a Mineração Tarauaca Indústria e Comércio S/A. Ambas apresentaram requerimentos de pesquisa mineral na área nos anos de 1991 e 2000, mas só este mês receberam alvarás do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para iniciar o trabalho. Os dados são públicos e constam do site oficial do departamento federal.
Ao todo, os alvarás abrangem 7.385 hectares, localizados entre as áreas dos municípios de Pontes e Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade (a 562 km da capital). Ambos os alvarás, concedidos no dia 2 de março, são para pesquisa de ouro e têm validade de três anos prorrogáveis por outros três.
Pesquisa mineral
No caso da empresa Mineração Santa Elina Indústria e Comércio S/A, o requerimento foi feito em julho de 1991 para uma área de 6.814/38 hectares em Pontes e Lacerda. O pedido ficou parado até 1999, quando voltou a tramitar no DNPM, avançando até 2003, quando novamente a tramitação ficou paralisada.
O processo do requerimento só voltou a ter movimentação no DNPM em outubro de 2015 – época em que a área da Serra da Borda já estava sendo invadida por garimpeiros ilegais.
Já a empresa Mineração Tarauaca Indústria e Comércio S/A apresentou o requerimento em outubro de 2000 para uma área de 570,81 hectares dentro da jurisdição de Vila Bela da Santíssima Trindade, município vizinho a Pontes e Lacerda.
O pedido tramitou vagarosamente no DNPM até 2005, quando foi paralisado. Assim como no caso do primeiro requerimento, este só voltou a ter movimentação no órgão federal em 2015 – no mês de novembro – ainda durante a exploração ilegal de garimpo na Serra da Borda.
Nos dois casos, a tramitação teve seu andamento prejudicado pelo fato de as áreas se localizarem dentro da faixa de fronteira do Brasil com a Bolívia.
Nesses casos, as autorizações para pesquisa e exploração mineral devem ser apreciadas pelo Conselho de Defesa Nacional, órgão consultivo da Presidência da República, segundo explicou à reportagem o gerente administrativo da Mineração Santa Elina, Sandro Alberto de Souza.
Segundo o gerente, de fato a movimentação ilegal de garimpeiros na Serra da Borda no ano passado – que exploraram a região sem qualquer autorização para isso, forçando a Justiça Federal a decretar ação policial de evacuação da área – foi preponderante para que o DNPM retomasse, após anos, os processos de requerimento de pesquisa mineral.
No caso da Mineração Santa Elina, os trabalhos de pesquisa ainda não tiveram início, segundo o gerente. Ele explicou que a primeira etapa de pesquisa deverá consistir no mapeamento geológico da área e na coleta de amostras de rochas e solo para análise laboratorial que deverá apontar o potencial aurífero do perímetro abrangido pelo alvará.
Conforme esclareceu o DNPM, os alvarás de pesquisa concedidos às mineradoras pelo DNPM as obrigam a apresentar um relatório final de pesquisa sobre a ocorrência de jazidas. Caso se confirme o potencial mineral da área em questão, as empresas já ficam autorizadas a explorá-lo. Somente na área do município de Pontes e Lacerda o DNPM reúne 148 procesos de requerimentos para autorização de pesquisa de jazidas de ouro. Dez deles foram protocolados este ano.

Ouro vive melhor ano desde 1974 e fura previsões dos especialistas

Depois de começar 2016 num dos valores mais baixos das últimas duas décadas, o ouro está a protagonizar uma espetacular recuperação que deixou os analistas confusos. Normalmente, a segurança do metal mais valioso do mundo é utilizada como defesa dos investidores contra a inflação alta, mas a verdade é que num ano de baixa ou inexistente subida dos preços o ouro está a ter o melhor início dos últimos 42 anos.
No final dos anos 70 do século passado, as economias mundiais viviam uma altura de fortíssima inflação, que chegava aos 15% nos Estados Unidos explica a Bloomberg, e por isso o ouro estava em grande destaque nos mercados. Mesmo com um contexto muito diferente, os primeiros dois meses e meio de 2016 trouxeram uma valorização de 18% ao metal mais precioso do planeta, uma variação pouco vista na matéria-prima com preço mais estável das bolsas.
Os especialistas estão à procura de explicações alternativas e parecem ter encontrado justificações no contexto económico. As maiores economias do mundo, como os Estados Unidos, a China e o Reino Unido estão a crescer ao ritmo mais baixo desde o rebentar da crise de 2008 e a consequência é uma volatilidade pouco vista nos mercados.
Com os investidores a fugir das ações e títulos de dívida, receosos de um colapso iminente, o ouro parece ser a solução mais aliciante para quem quer guardar o dinheiro sem desvalorização.

Mineração: por que devemos investir no diamante do Brasil?

O tempo de comprar é “quando houver sangue nas ruas”. Esta é a frase de um banqueiro, o Barão de Rotschild, feita no século 18 após a derrota de Napoleão na Batalha de Waterloo.
Ele estava certo e ganhou fortunas se beneficiando do pânico que seguiu a derrota da França.
Nós hoje estamos chegando a mais um momento de quase pânico entre os investidores que não sabem o que fazer com o seu precioso dinheiro.
De um lado temos a guerra dos preços do minério de ferro que está arrasando, a nível global, projetos, minas e mineradoras. Do outro os preços do petróleo, também em queda, fazem o mesmo com as empresas de energia e com as economias exportadoras.
Empresas como a Petrobras, que já foi uma das três maiores do mundo, podem virar lixo, um penny stock com preços abaixo de US$5 por ação sendo listadas somente em bolsas especiais para as empresas nanicas…
No meio deste tiroteio os investidores correm, atabalhoadamente, para o ouro na expectativa de que as quedas possam ser revertidas em 2016.
Será que isso vai ocorrer?
Entretanto, a maioria esquece que o diamante está se consolidando como um dos melhores investimentos da década e que nós no Brasil temos uma gigantesca região cratônica, favorável, que produziu milhões de quilates onde ainda não existem minas primárias de diamante.
O que faz o diamante tão interessante?
Simples. A produção mundial está caindo (veja o gráfico) e o consumo mundial só faz aumentar criando um descompasso que faz os preços subirem exponencialmente (veja o gráfico do preço do diamante de 1 quilate).
No gráfico de preços por tamanho observa-se que os preços sobem em função da procura por um específico tamanho de pedra. De 2010 para cá as pedras com tamanho entre 3 a 4 quilates foram as que mais subiram. São elas que irão propiciar a lapidação de diamantes de 1 a 2 quilates tão procurados pelas joalherias, cujas pedras atingem, quando excepcionais, até US$33.000 por quilate.
Preço diamante por tamanho
Os diamantes pequenos, que são quase todos lapidados na Índia também estão tendo uma grande procura.
O mais interessante é que esta tendência não está sendo revertida, pois para que isso ocorra, é preciso que as novas descobertas consigam superar a demanda: isso está muito longe de acontecer.
Quando observamos  a localização dos principais produtores do mundo vemos que 70% deles estão na África (Congo,Botswana, Angola, Zimbabwe, África do Sul e Namíbia), o restante no Canadá, Rússia e na Austrália.
Produtores de diamante
No mapa mundi vemos, com clareza, que a produção de diamante mundial está, principalmente associada às regiões cratônicas.
São nessas regiões geologicamente estáveis e frias que ocorrem na África, Canadá, Austrália, Rússia e Brasil que o foco da exploração e pesquisa mundial para diamantes está concentrado. Em todas essas regiões, com exceção do Brasil  existem importantes minas primárias de diamante.
Por que não no Brasil?
É que as empresas que investiram na exploração mineral (De Beers e Rio Tinto) e que descobriram a grande maioria dos mais de 1.500 kimberlitos brasileiros, mesmo tendo encontrado vários pipes com teores econômicos, nunca evidenciaram um depósito que elas considerassem de classe mundial.
Ou seja, o que elas descobriram foi, na época, considerado pequeno.
As grandes multinacionais, é lógico, também não tinham nenhum interesse em colocar em produção novas minas brasileiras que iriam competir com as suas próprias minas já em produção. Era muito mais interessante “sentar em cima” do que desenvolver. Foi o que a Rio Tinto e a De Beers fizeram.
Eventualmente elas foram embora do Brasil deixando para trás inúmeros kimberlitos interessantes sem um bom trabalho de detalhamento. Somente agora, que a crise de 2008 passou,  e os preços subiram, alguns poderão ser lavrados economicamente.
É o caso do kimberlito Braúna descoberto, muitas décadas atrás, pela De Beers na Bahia, em um cluster com outros 21 corpos. O Braúna foi retomado pela junior Lipari e, somente agora, está sendo promovido à mina.
O Braúna deverá produzir em torno de 225.000 quilates de diamantes por ano, por 7 anos e será o primeiro kimberlito a ser lavrado em toda a América do Sul.
Casos similares ocorrem em todas as regiões cratônicas do Brasil, onde são produzidos anualmente grandes quantidades de diamantes, quase todos fora do radar do DNPM. Para o Brasil se tornar um grande produtor de diamantes primários é só uma questão de fomento e investimento.
É óbvio que algumas coisas deverão ser mudadas na legislação, com a aprovação de um novo Código Mineral justo, que fomente e incentive a pesquisa mineral no país, mantendo os direitos de prioridade e protegendo aqueles que investem.