sexta-feira, 15 de julho de 2016

Mineração verde e sustentável ruma para profundezas da Terra

Mineração verde e sustentável ruma para profundezas da Terra


Mineração verde e sustentável terá que ir para a profundezas da Terra
O projeto já desenvolveu vários protótipos para a "mineração profunda do futuro" e estabeleceu objetivos para áreas que ainda dependem de inovações. [Imagem: Agnico Eagle/I²MINE/Divulgação]

Embora existam minas de ouro que já estão retirando minérios de até 4 km de profundidade, a larga maioria das minas do mundo está na superfície ou logo abaixo dela. E mesmo as subterrâneas descem devagar, escavando a uma média de 100 metros adicionais por década.
Mineração profunda
Especialistas reunidos no projeto I²MINE, financiado pela União Europeia, acreditam que é preciso levar a mineração para muito mais fundo, para profundidades superiores a 1.500 metros em média.
Esta conclusão resulta de uma abordagem integrada visando o atendimento às demandas de minerais e à necessidade de tornar a mineração mais verde, melhorando simultaneamente a competitividade econômica e a sustentabilidade.
Exploração seletiva
A "mineração profunda do futuro" vislumbrada pela equipe exigirá várias inovações, o que a transforma tanto em um desafio como em uma oportunidade para desenvolver novas tecnologias e novos processos.
A ideia dos especialistas é diminuir ao máximo a mineração de superfície, geralmente associada com fortes impactos ambientais, e torná-la "invisível, segura e com impacto zero, o que exigirá profundidades superiores a 1.500 metros".
Um foco essencial do projeto está na "exploração seletiva inteligente", que exigirá o desenvolvimento de novas técnicas de sensores para o reconhecimento e detecção dos minérios, dos limites entre as camadas de minérios e rejeitos e da classificação dos minérios por teor de metal contido.
Outra área de inovação está no campo da extração propriamente dita. "Nós desenvolvemos uma nova cabeça de corte para o corte contínuo de rocha dura com resistência compressiva de mais de 250 MPa. Este novo equipamento permite a operação contínua onde hoje apenas a perfuração e a detonação seriam viáveis," disse o Dr. Horst Hejny, da Universidade Técnica de Lulea, na Alemanha, que coordenou o projeto.
Robôs e trabalhadores
Outro componente do projeto está na maximização do uso de máquinas autônomas, utilizando sistemas de transporte subterrâneos anticolisão e capazes de encontrar o caminho entre a frente de lavra e os moinhos.
No entanto, os especialistas concluíram que isto não será possível em todas as operações, de forma que será necessário investir em mecanismos para garantir a segurança dos trabalhadores em grandes profundidades.

Outro protótipo que resultou do projeto é um robô de pulverização capaz de aplicar forros de concreto nos túneis das minas, resultando em maior segurança e eficiência. "Estes dispositivos são um passo à frente no sentido tanto da automação, quanto da autonomia na mineração,' disse o Dr. Heyny.

Brasil começa a exportar urânio enriquecido

Brasil começa a exportar urânio enriquecido


Brasil exportará urânio enriquecido pela primeira vez
Urânio enriquecido será vendido à Argentina.[Imagem: INB]

A INB (Indústrias Nucleares do Brasil) exportará urânio enriquecido pela primeira vez.
Dióxido de urânio
A empresa, vinculada ao MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), fará suas primeiras exportações para a empresa estatal argentina Combustibles Nucleares Argentinos (Conuar).
O acordo prevê o envio de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio para a carga inicial de abastecimento de um reator nuclear localizado na cidade de Lima, ao norte de Buenos Aires. O contrato tem um valor de US$ 4,5 milhões.
As 4 toneladas serão divididas em três lotes, com teores de enriquecimento de 1,9%, 2,6% e 3,1%.
Enriquecimento de urânio
Além do Brasil, o urânio é enriquecido por outros 11 países. A tecnologia usada na unidade da INB em Resende é a de ultracentrifugação para enriquecimento isotópico, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares.
Segundo o ministério, a exportação não afeta o abastecimento de combustível das centrais nucleares de Angra dos Reis (RJ). Atualmente, a Usina de Enriquecimento tem seis cascatas de ultracentrífugas em operação e atende a cerca de 40% das necessidades de Angra 1.
Transferência de tecnologia
O acordo com a Argentina não envolve intercâmbio de conhecimento, uma vez que prevê a entrega de um produto pronto, mas abre essa perspectiva. A empresa estatal argentina Invap participa do desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro, e os programas nucleares dos dois países são contemporâneos, iniciados na década de 1960.
Criada em 1988, a INB atua na cadeia produtiva do urânio, da mineração à fabricação do combustível que gera energia elétrica nas usinas nucleares. A empresa pública tem sede no Rio de Janeiro e também está presente nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e São Paulo.
Urânio
Segundo a INB, o Brasil tem a sétima maior reserva geológica de urânio do mundo, o que permite o suprimento das necessidades domésticas no longo prazo e uma possível disponibilização do excedente para exportação. As reservas estão concentradas nos estados da Bahia, do Ceará, Paraná e de Minas Gerais, com cerca de 309 mil toneladas de concentrado de urânio.

A única mina de urânio em operação no Brasil está em Caetité (BA) e tem capacidade de produzir 400 toneladas de concentrado de urânio por ano. Em 2013, a produção mundial de urânio concentrado foi 70.330 toneladas.

Botuobinskaya a nova mina de diamantes da Alrosa entra em produção

Botuobinskaya a nova mina de diamantes da Alrosa entra em produção






Botuobinskaya é mais um kimberlito na região Yakutia. Esta região é famosa por seus pipes e pela enorme produção de diamantes.

O novo pipe deverá produzir um milhão de quilates em 2016, excedendo 2 milhões de quilates por ano a partir de 2018, até o final da vida útil da mina.

Botuobinskaya deverá ter um ROM de 400.000 toneladas extraídas de uma operação a céu aberto.

A Alrosa, a maior produtora de diamantes do mundo, espera compensar a produção decrescente do pipe Nyurbinskaya, que se encontra somente a três quilômetros, mantendo a produção local constante em torno de 7,5 milhões de quilates ao ano.

Botuobinskaya é o primeiro novo pipe a entrar em produção no Yakutia em dez anos.

O kimberlito tem uma reserva Jorc de 13,7 Mt @ 5,19 quilates por tonelada.

No total serão recuperados, ao redor de 93 milhões de quilates, graças a um teor altíssimo de 5,19 quilates por tonelada: uma anomalia raríssima. 

Exploração mineral: um país sem memória

Exploração mineral: um país sem memória



Você sabe onde está guardado o gigantesco acervo coletado pelas centenas de empresas de mineração, que investiram bilhões ao longo de décadas em pesquisa mineral no Brasil?

Estou falando de um tesouro de informações valiosíssimas: da geologia, geoquímica, testemunhos de sondagens, análises químicas, dados geofísicos e muitos outros trabalhos técnicos executados no nosso país.

Onde foi parar esse patrimônio, cujo valor é medido em bilhões de dólares e que pode (e deve) ser disponibilizado para os trabalhos de exploração mineral futuros?

Um patrimônio que nos irá propiciar novas riquezas, se disponibilizado aos pesquisadores minerais que atuam no País.

O que eu estou falando não é pouca coisa...

Tratam-se de milhões de metros de testemunhos de sondagem, centenas de milhões de análises químicas, incontáveis relatórios técnicos, centenas de milhares de mapas geológicos, milhões de quilômetros quadrados cobertos por geofísica terrestre e aérea além de incontáveis investimentos feitos em exploração mineral no Brasil.

A resposta, como alguns já devem imaginar, é assustadora!

A maioria deste acervo de imenso valor está, simplesmente, perdido.

O motivo deste desastre é o desinteresse do governo e a falta de uma legislação clara sobre o assunto.

No Brasil as empresas de pesquisa mineral não são obrigadas a fornecer, obrigatoriamente, ao Governo os dados da pesquisa geocodificados, após um período de carência.

O que fica da pesquisa mineral, neste país, são os relatórios entregues ao DNPM, geralmente mal feitos, cheios de copy paste e generalidades: a chacota de muitos que os veem.

Inócuos, com muito pouco conteúdo técnico esses “pesos de papel” são repletos de informações de pouco valor, copiadas dos livros de geologia e dos relatórios de mapeamentos geológicos feitos pelo Governo. Relatórios feitos para cumprir com as obrigações da legislação mineral.

Pouco ou nada adicionam à geologia ou à sociedade.

E, para desgraça do país, eles, praticamente nunca, contêm os bancos de dados analíticos e geofísicos que embasaram as suas conclusões.

Onde foram parar os milhões de metros de testemunhos de sondagem perfurados nas últimas décadas? Um acervo de valor geológico inestimável que certamente foi lançado no lixo por falta de armazenagem.

O DNPM , que deveria concentrar o acervo da pesquisa mineral brasileira, nada faz.

Por não agir como um verdadeiro órgão fiscalizador e certificador, fica relegado à mediocridade dos relatórios técnicos que acumula.

As milhares de toneladas de papel, acumuladas pelo DNPM, por incrível que pareça, não são disponibilizadas ao público.

É um festival da mesmice anacrônica, pois até hoje esses relatórios ainda não são digitais e nem são utilizados para embasar pesquisas minerais ou trabalhos científicos.

Onde estão os bancos de dados digitais da geoquímica e geofísica, que deveriam, obrigatoriamente fazer parte dos relatórios. As fotografias dos testemunhos de sondagem?

O que nós constatamos é que praticamente TODA a pesquisa mineral feita no Brasil está indo para o lixo.

O problema é recorrente. Somente as junior companies estavam investindo, há poucos anos, quando o país ainda fazia pesquisa mineral, bilhões de reais ao ano em exploração mineral...

Hoje a maioria das empresas de pesquisa mineral já abandonaram o país, que pouco ou nada lhes ofereceu a não ser o descaso. Os dados? Possivelmente engavetados a beira do esquecimento: a falência de um sistema sem memória.



Como geólogo fico horrorizado com a perda que o Brasil sofre, por falta de legislação e de um órgão certificador oficial.

Se o DNPM tivesse em seus quadros profissionais qualificados, aceitos internacionalmente, os Competent Persons (CPs), ele poderia fazer, não só a vistoria dos projetos, mas a primeira certificação e auditoria dos dados (o QAQC). Neste caso, como em um passe de mágica, caberia ao DNPM a confirmação de que esses dados foram obtidos dentro de uma norma brasileira (tipo JORC), aceita internacionalmente.

Então não teríamos este prejuízo bilionário e, possivelmente, não precisaríamos ter que empregar geólogos estrangeiros (Competent Persons) que nada conhecem do Brasil para certificar os nossos projetos.

O DNPM seria uma referência, não o órgão abandonado e ineficiente que se tornou.

Temos que criar uma legislação que obrigue, a todas as empresas de pesquisa mineral a fornecer os seus bancos de dados de geologia, geoquímica e geofísica, geocodificados, ao Governo e ao público, após um período de cinco anos da aquisição.

Esta informação pertence ao Brasil e como tal deve ser disponibilizada para seu benefício.

Desta forma a exploração mineral brasileira poderá usufruir de milhões de dados altamente relevantes que servirão para embasar os programas futuros.

Não seríamos o que somos: um país sem passado, que abandonou completamente a exploração mineral.

Já discuti esses pontos em várias reuniões com a participação das grandes empresas de mineração do Brasil, do DNPM e da CPRM. Mas, graças à falta de interesse de uns e da negação de outros, nunca chegamos a lugar nenhum.

Hoje quando vejo as milhares de toneladas de papéis de baixa qualidade, sem uso e fora do alcance do pesquisador, acumulados nos prédios do DNPM, percebo que erramos feio.

Somos um país sem memória e, ao permanecer no erro, negamos o futuro aos nossos jovens.

Em um mundo digital, onde o Big Data virou a fonte de tesouros inimagináveis, nós nadamos contra a corrente e nem sequer somos capazes de armazenar e disponibilizar a informação adquirida em nosso próprio solo.

Mas ainda tem tempo para mudar. ..

O retorno da esmeralda

O retorno da esmeralda






Esta pedra verde já foi uma das mais importantes no mundo, rivalizando, em alguns casos, com o diamante.
Nos últimos anos a esmeralda praticamente foi eclipsada pelo diamante e desapareceu da mídia.
Somente agora, em 2016, que o mercado da esmeralda está voltando ao que já havia sido. Os preços da esmeralda estão em alta, superando praticamente todas as outras pedras preciosas, perdendo somente, para o diamante bom. O que alavanca os preços é uma forte procura vinda da China e a falta de novas minas necessárias para suprir a demanda. Quarenta por cento das compras atuais estão vindo da China onde as pedras verdes como o Jade e a esmeralda são altamente consideradas há milênios.

A tendência é de uma subida de preços ainda mais pronunciada. O governo de Myanmar, o maior produtor de jade do mundo, paralisou a grande mina mecanizada de Hpakant. Este distrito mineiro é famoso pelas suas jadeítas de altíssima qualidade onde trabalhavam 90.000 pessoas segundo um senso de 2012.
O jade de Hpakant é lavrado a séculos e está cercado de controvérsias e acusações de impactos ambientais e de devastações florestais. Até o Governo Obama está ameaçando proibir o comércio deste jade alegando falta de democracia em Myanmar. Joalherias famosas como Cartier, Tiffany e Signet boicotam o jade de Myanmar. Em 2013 o faturamento do jade de Hpakant foi de  US$297 milhões uma das principais rendas do pobre país.

Com o fim iminente do jade de Hpakant, os preços da esmeralda irão subir à estratosfera. Até agora os preços já subiram quase 100%.
Uma alta muito mais importante irá ocorrer assim que os estoques chineses acabarem.

Se você é dono de uma mina de esmeralda abra o olho, pois lucros extraordinários poderão surgir em um futuro próximo. 

Na foto uma peça de jade, extraída em Hpakant, é inspecionada por compradores : REUTERS/Aung Hla Tun