domingo, 7 de agosto de 2016
Saiba quais fatores físicos tornam uma gema valiosa no mercado
Entenda como as pedras preciosas são identificadas pelos gemólogos
Só em 2012, o Brasil exportou mais de U$ 3,3 bilhões em joias, incluindo ouro e gemas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). No que tange à produção mundial em 2011, a entidade apontou o país como sendo o sétimo do mundo em termos de produção de joias. Diante deste cenário, e de um vasto acervo de pedras preciosas encontradas no Brasil, cada vez mais o mercado nacional vem demandando profissionais que possam identificar de forma correta as gemas, como são conhecidas as pedras preciosas e não-preciosas depois de serem lapidadas, ou polidas.
Daniela Newman, professora de Mineralogia do
curso de Gemologia da UFES (Foto: Divulgação)
curso de Gemologia da UFES (Foto: Divulgação)
No Brasil, segundo ela, os principais depósitos minerais de gema estão localizados em estados como o de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, São Paulo e Paraná. As gemas brasileiras mais comuns são oriundas de variações do mineral berilo, incluindo pedras como a esmeralda, água-marinha, morganita e heliodoro; as turmalinas, com destaque para as turmalinas da Paraíba; as variedades do mineral espodumênio, que abrange a kunzita, hiddenita, hialofana; fosfatos, como a brasilianita e apatita; além dos óxidos, incluindo o rubi, a safira e o crisoberilo. Fazem parte da lista ainda diamantes e opalas, dentre outras gemas coradas.
Entre as mais preciosas, Daniela destaca o diamante, encontrado na Serra do Espinhaço (MG), Tibagi (PA), Juina (MT) e em Rondônia; a turmalina Paraíba; a esmeralda, comum em cidades como Socoto (BA), Santa Teresinha de Goiás (GO), Carnaíba (PE), Monte Santo (BA) e Nova Era (MG); e a água-marinha, encontrada em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. “Uma turmalina Paraíba, via de regra, valerá mais do que uma apatita azul; bem como uma goshenita (variedade incolor do berilo) é mais rara do que um quartzo incolor. O diagnóstico correto de uma gema é o que dará credibilidade ao profissional, agregando valor tanto ao material isolado quanto montado em uma joia”, ressalta a gemóloga.
Uma gema é definida pela sua cor, pureza, beleza, raridade e portabilidade. Mas o que diferencia uma pedra da outra? Daniela explica que as gemas são diferenciadas pelas suas propriedades ópticas e físicas, principalmente no que diz respeito ao índice de refração, birrefringência (dupla refração), densidade, espectro de absorção de luz, sendo tais características resultantes da estrutura cristalina (sistemas de cristalização) da gema e da sua composição química. “O importante é que, em se tratando de gemas, todos os testes aplicados devem ser de caráter não destrutivo”, ressalta a especialista.
Processo de lapidação
A lapidação é aplicada a um mineral dando origem à gema e tem o intuito de realçar as características inerentes de cada peça. Em função da variedade de gemas com a qual se está trabalhando, aplicam-se técnicas diferentes, gerando formatos variados de lapidação. “No caso de gemas pleocróicas (que possuem variação de cor), é importante posicionar a lapidação corretamente, em função do eixo óptico do mineral, para que se possa aproveitar a melhor cor, que em uma gema representa 50% do seu valor no momento da avaliação”, detalha a professora.
Segundo Daniela, gemas que apresentam vários planos de clivagem (propriedade de se quebrarem, ou dividirem, com maior facilidade), como é o caso do diamante e da fluorita, são difíceis de serem lapidadas e cravadas, pois possuem vários planos de fraqueza e, ao serem submetidas a esforços mecânicos, podem se romper. “Gemas de alta dureza, como é o caso do coríndon (variedades do rubi e da safira) e do diamante, são difíceis de serem lapidadas. Gemas como a cianita, que apresenta duas durezas (resistência ao risco) diferentes, também são difíceis de serem lapidadas. Gemas com baixa dureza devem ser utilizadas com cautela em joias, pois se arranham facilmente, como é o caso da fluorita e apatita”, aconselha a gemóloga.
"Ganhei dinheiro com ouro, mas só sobrou uma correntinha", diz garimpeiro
"Ganhei dinheiro com ouro, mas só sobrou uma correntinha", diz garimpeiro
- Flávio Ilha/UOLRisomar e o que restou dos anos de garimpo
Aos 50 anos, o garimpeiro Risomar Oliveira Cabral, nascido e criado no Médio Tapajós, no Pará, tem a aparência surrada pelas longas temporadas na floresta e uma casa em Itaituba – o que restou de 35 anos nas lavras do oeste paraense. Nem família ele conseguiu segurar, já que vida no garimpo "é errante".
"Não prestei para mais nada. Até ganhei dinheiro quando o ouro de aluvião dava mais, só que gastei tudo nas corrutelas (pequenas vilas que se formam próximas das áreas de garimpo, onde há prostituição e jogatina). Me sobrou essa corrente de ouro aqui", mostra o trabalhador, que atua na área do Chapéu do Sol – ao sul de Itaituba e dentro da terra indígena Sawré Mauybu, da etnia munduruku.
Quando encontrou a reportagem, Cabral carregava 10,8 gramas de ouro – resultado de quase três meses no mato. Pela cotação oficial das DTVMs, valiam R$ 1.425. O garimpeiro, entretanto, repassou a coleta por R$ 300 e mais "umas cervejas" na vila São Luiz do Tapajós, a meio caminho entre o garimpo e Itaituba. Culpa da baixa qualidade do ouro, segundo ele.
"Em um mês, quem maneja sozinho tira dois gramas, três gramas. Há 30 anos eu conseguia 30 gramas em 15 dias. Mas não sei fazer mais nada, então o jeito é continuar aqui", diz o garimpeiro.
Em um mês, quem maneja sozinho tira dois gramas, três gramas. Há 30 anos eu conseguia 30 gramas em 15 dias
Risomar Oliveira Cabral, garimpeiro
Risomar Oliveira Cabral, garimpeiro
De acordo com o geógrafo Maurício Torres, professor colaborador da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará), o garimpo industrial de grande escala vem substituindo gradativamente o trabalho manual feito por ribeirinhos, aquele que garantia o sustento de Riosmar. Segundo ele, o garimpo Chapéu do Sol, na região do Jamanxim, reúne entre 300 e 400 trabalhadores dentro da floresta nacional Itaituba 2.
"É um garimpo grande e impactante, bancado por capital internacional. O garimpeiro tradicional, que era dono do seu trabalho, está tendo de ceder a esse modelo pela invasão das áreas", diz. Nos garimpos industriais o método de extração utiliza escavadeiras de grande porte – conhecidas como PCs – que retiram em poucos minutos uma área de terra que um trabalhador braçal levaria semanas para abrir.
O DNPM, que deveria licenciar e fiscalizar a ação dos garimpos, não tem representação em Itaituba – o escritório do órgão na cidade deverá ser desativado até o fim do ano. Segundo a superintendente interina do DNPM no Pará, Adriana Pantoja, o órgão realiza apenas ações pontuais de fiscalização. "A região é muito conflagrada, quem passa em algum concurso e é lotado em Itaituba logo pede transferência para outro local porque tem medo de ficar", diz a interina.
A Secretaria de Meio Ambiente de Itaituba, responsável por licenciar e fiscalizar lavras de até 500 hectares, tem três fiscais para monitorar uma reserva aurífera estimada em 98 mil km² – a maior do mundo em extensão.
Quem passa em concurso e é lotado em Itaituba logo pede transferência porque tem medo de ficar
Adriana Pantoja, superintendente interina do DNPM no Pará
Adriana Pantoja, superintendente interina do DNPM no Pará
"Meu amigo, eu poderia estar sentado agora em uma mesa de mármore, ter 15 carros na secretaria, computadores moderníssimos e toda estrutura necessária se eu multasse quem estiver fora da lei. É fácil, está todo mundo fora da lei. Mas eu não faço isso porque, se fizer, vou estar criminalizando a profissão do garimpeiro", diz o secretário de Meio Ambiente da cidade, Hilário Vasconcelos.
Contraste
A extração de ouro que sustenta a economia formal e informal de Itaituba é a mesma que coloca quase metade da população da cidade (48 mil pessoas) abaixo da linha da pobreza, segundo o Sistema de Informações de Indicadores Sociais do Pará.
Em contraponto às caminhonetes de luxo que circulam pelos bares e restaurantes da orla e que representam 30% da frota local, a zona urbana nem sequer tem rede de esgoto. Os dejetos correm por valões a céu aberto antes de serem despejados nas águas verdes do Tapajós.
Segundo o Siab (Sistema de Informação da Atenção Básica) do Ministério da Saúde, apenas 4,1% dos domicílios de Itaituba tem acesso a rede de esgoto – no Brasil, esse índice é de 42%; no estado do Pará, 58%. A população também enfrenta problemas no abastecimento regular de água. O Siab estima que a rede abranja 9,5% dos domicílios. Quase 90% da população usa poço ou nascente.
Flávio Ilha/UOL
Urubus passeiam por rua na região central de Itaituba (PA): só 4,1% dos domicílios têm esgoto
A prefeita Eliene Nunes (PSD), que é alvo de uma ação civil do Ministério Público por crimes ambientais, reconhece a falta de saneamento e de água na cidade, mas atribui o problema a "gestões anteriores".
De acordo com Eliene, a União prometeu liberar R$ 2,8 milhões em 2013 para a elaboração de projetos do sistema de esgotamento sanitário da área central de Itaituba. Para a rede de água, os recursos prometidos chegam a R$ 11 milhões. A cidade também não um sistema público de transporte coletivo. "Nosso governo está fazendo o que os outros não fizeram e alguns ainda falam que são obras federais. Então, por que os outros não foram buscar?", defende-se a prefeita, que responde a um inédito pedido de afastamento, na Câmara de Vareadores, por improbidade administrativa.
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