sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Madeira Fossilizada, na Bahia.

Madeira Fossilizada, na Bahia.

Madeira fossilizada exposta no Museu Geológico da Bahia, da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia.
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A denominada madeira petrificada é um fóssil dos mais conhecidos, que ocorre na Bahia em vários locais, destacando-se Macururé e Petrolândia.
Sua formação se dá especialmente pela substituição do Carbono presente na Celulose por Sílica. Daí, neste caso, é um processo de Substituição, o qual provoca uma Silicificação, gerando uma Pseudomorfose.
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Aspectos de Madeira fossilizada encontrada no Município de Petrolandia, exposta no Museu Geológico da Bahia, da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia.
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Amostra de Madeira fossilizada, encontrada no Município de Monte Santo, exposta no Museu Geológico da Bahia, da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia.
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É uma Pseudomorfose porque, apesar da forma preservada, ali não temos mais madeira.
A madeira petrificada é uma madeira que foi silicificada, um fóssil, na verdade, uma rocha que substitui completamente o antigo vegetal.
A Celulose é o componente estrutural da madeira, o que a torna o principal componente da estrutura de sustentação orgânica de uma ávore. Trata-se de um polissacarídeo de alto peso molecular que não é solúvel em água”.
A Sílica aparece como uma variedade hidratada de Óxido de Silício, ou seja, basicamente a mesma composição do Quartzo, acrescida de água.
No processo de silicificação que gera "pseudomorfoses", perde-se o material orgânico original, substituído por outro inorgânico. No caso em questão, o material esquelético original de ávores, no caso a madeira, é substituído por um novo mineral, no caso um mineral de Sílica.
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Madeira fossilizada, encontrada no Município de Macururé, depositada atualmente no Campus VII da Universidade do Estado da Bahia - UNEB - Doação de Jayme Vasconcellos.
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Também os espaços vazios acabam preenchidos por Sílica, que vem sob a forma de um silicato hidratado, como calcedônia ou opala. Assim, o material original, a celulose, não permanece.
A opala é uma variedade criptocristalina, ou seja, microscópica, de Quartzo, hidratada, ou seja, rica em água.
Opala - SiO2 + xH2O
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Moléculas de Celulose..
Passagem de líquido (solução) formada principalmente por água (H2O) e Óxido de Silício (SiO2).
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A solução leva os átomos de carbono e deixa a sílica em seu lugar, na molécula.
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Outro tipo de pseudomorfose é aquela em que antigas conchas se tornaram conchas fósseis piritizadas, isto é, seu antigo CaCO3 foi substituído por FeS2.
Exemplo de fossilização por Piritização:
Amostra do mineral Pirita - FeS2 - Sulfeto de Ferro.
a)Exterior de Concha de Cardoceras, da Russia. Corte mostra o interior Piritizado.
Detalhe do interior do fóssil de Cardoceras, da Russia.
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Cristais de Quartzo de Brotas de Macaúbas

Cristais de Quartzo de Brotas de Macaúbas

A produção baiana de Quartzo em 2015 atingiu 15.253 toneladas de minério bruto, cotada a R$ 1.900,,00 por tonelada. Entretanto, essa produção é praticamente dominada pelos garimpeiros, o que torna o controle de quatitativos extremamente dificultada.
O Município de Brotas de Macaúbas está situado na microrregião da Chapada Diamantina, distando 590 quilômetros de Salvador. O acesso é através da BR-242, que, a partir do entroncamento, dista 42 quilômetros da sede do município. É dominado por um clima semi-árido e seco a sub-úmido, com temperatura mínima média em torno de 16°c, a máxima média em torno do 35°c, ficando a média geral em torno de 20°c. Seu período chuvoso estende-se de Novembro a Março, atingindo a pluviosidade anual média de 723 mm, com mínimos de até 309 mm e máximas de até 1593 mm.
Olderico Barreto - Presidente da Associação dos Garimpeiros - Brotas de Macaúbas.
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O Município de Brotas de Macaúbas dispõem de intensa atividade baseada especialmente no garimpo de Quartzo, com origens assentadas na década de 1930. Desde então passou-se a explorar e explotar suas variedades verificadas que são Quartzo hialino, Quartzo leitoso, Quartzo fumê e Quartzo fumê rutilado.

A produção sempre foi reconhecidamente de vulto, entretanto, de dimensionamento altamente problemático.
Seus estimados cerca de 200 pontos de garimpos distribuídos no município, todos voltados para a produção dessas variedades de Quartzo, não mostram registros de produção confiáveis.
Cristais de Quartzo agregados sob a forma de drusa - Garimpo do Bojo do Ioiô - Brotas de Macaúbas
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Visando agregar a mão de obra garimpeira, normalizando a sua conduta, procurando colocar a produção em um caminho de regularização e melhoria, surgiu a Cooperativa Agromineral Sem-Fronteiras – CASEF. Esta passou a agregar praticamente todos os garimpos e garimpeiros do Município de Brotas de Macaúbas, além de outros dos municípios em torno. Efetua lavra legalizada estendendo-se por Brotas de Macaúbas, Oliveira dos Brejinhos, Ipupiara e Gentio do Ouro, contando com associados cooperativas ligados a todos esses municípios, contando atualmente com um quadro de 645 associados.
Retirada de drusa de Quartzo - Garimpo do Bojo do Ioiô - Brotas de Macaúbas.
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Como deveres, os associados devem pagar uma taxa de manutenção da área de 10% da sua produção. Além disso, a revenda controlada de explosivos pela CASEF costuma a cobrar ágio de 30%, o qual é utilizado para novas aquisições e necessária manutenção do seu estoque.
Retirada de drusa de Quartzo - Garimpo do Bojo do Ioiô - Brotas de Macaúbas.
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Dentre esses destacam-se os Garimpos do Bojo do Ioiô, do Bojo Vermelho e o Garimpo Mina da Banana.
Drusa de Quartzo - Garimpo do Bojo do Ioiô - Brotas de Macaúbas.
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A produção se caracteriza por recursos muitos limitados, em paragens muito distantes e de acesso prejudicado pelas condições das estradas e problemas como o de manutenção dos compressores.
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Rutilo de Novo Horizonte na Bahia

Rutilo de Novo Horizonte na Bahia

Barracos de plástico, de papelão. No meio do nada, pequenos abrigos acolhem famílias inteiras. A vontade de ficar rico da noite para o dia impõe sacrifícios, improviso. A Vila da Esperança, construída por exploradores de um minério pouco conhecido, deve ser a mais nova vila de garimpeiros do Brasil.




Rutilo, o minério da moda

Quem já ouviu falar em rutilo ou quartzo rutilado? Segundo os geólogos, é o minério da moda no mundo das pedras preciosas. Um cristal amarelado com fios dourados dentro. As minas foram descobertas há pouco tempo, em Novo Horizonte, sudoeste baiano. São as únicas no Brasil.
A maneira de extrair é o que há mais precário em mineração. Os aventureiros entram e saem de buracos sem nenhuma segurança, como se fossem exímios equilibristas. Os menos corajosos dependem de quem controla o carretel, uma espécie de elevador manual.
Os buracos mais rasos têm 15 metros de profundidade. Embaixo do chão, o trabalho, além de pesado, é extremamente perigoso. É preciso muita sorte, não só para encontrar o rutilo, mas para não morrer também, porque não há nada que sustente o teto. O otimismo e o sonho de ganhar muito dinheiro fazem com que eles esqueçam o medo.
Os garimpeiros Gilson e Giorlando Moraes começaram a abrir a galeria, e as pedras foram aparecendo. "A parte mais escura é o rutilo. Talvez tenha toneladas", comenta Gilson.
Um comprador pagou R$ 70 por 70 quilos de pedra – R$ 1 por quilo. Os preços do rutilo variam de acordo com a qualidade das pedras. Em três lotes selecionados, considerados bons, um vale R$ 100 reais o quilo, outro vale R$ 150 e o outro, R$ 300. O garimpeiro que encontrar uma peça especial ganha muito mais dinheiro. Os exportadores chegam a pagar até R$ 2 mil por quilo.
Antes de seguir para o exterior, o minério passa por uma limpeza. Os chineses compram tudo o que os garimpeiros produzem. Todo mês, a região exporta cerca de 60 toneladas. Só uma empresa vende quase mil tonéis de rutilo por ano para indústrias de Hong-Kong.
"O quilo de uma pedra especial custa de US$ 90 a US$ 150, mais de R$ 400", conta a gerente Leila Catarine Fernandes.
Enormes, bonitas e caras. As pedras que saíram do garimpo de Luiz Antônio dos Santos, só colecionadores ricos conseguem comprar. Chegam a custar R$ 70 mil.
"As pessoas compram para fazer bolas de pedras", diz o garimpeiro.
Molhado e no reflexo da luz do sol, dá para ver melhor a beleza do rutilo.
"Cinqüenta quilos custam cerca de R$ 30 mil. É fácil achar comprador", afirma Luiz Antônio.



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Pedras preciosas em estado bruto saem de Minas com destino ao gigante asiático


Pedras preciosas em estado bruto saem de Minas com destino ao gigante asiático em contêineres com preço abaixo do mercado. Em Curvelo e Corinto, negócio gera R$ 50 mi




Curvelo – São 7h30 da manhã em Curvelo, na Região Central de Minas Gerais, e já se nota o início do carregamento de caminhões com contêineres cheios de pedras preciosas brutas que sairão do meio do estado em direção à indústria de joias na China. Somente em municípios mineiros como Corinto e Curvelo, a extração e venda clandestina de pedras movimenta mais de R$ 50 milhões ao ano, segundo cálculo a partir de informações da Cooperativa Regional Garimpeira de Corinto (Coopergac) e da Associação Comercial e Empresarial de Curvelo (Ace). Isso sem contar o faturamento em municípios como Inimutaba, Diamantina, Felixlândia, Governador Valadares, Teófilo Otoni e em pequenas cidades da região.

O número contrasta com a informação oficial de exportação de pedras preciosas em bruto no estado. Em 2015, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as vendas externas desse material em toda a Minas Gerais foram de US$ 23,06 milhões (R$ 46, 12 milhões), um total inferior à estimativa de faturamento de apenas dois municípios mineiros. Entre 80% e 90% das pedras preciosas em bruto produzidas no Brasil são exportadas, principalmente ao gigante asiático.


O dinheiro apurado no negócio é invisível aos olhos oficiais. É que 95% dele circula nas mãos de uma poderosa indústria clandestina, que começa no garimpo informal e segue comandada por atravessadores, compradores – hoje, chineses, em sua maioria –, despachantes e empresas de exportação. O silêncio ronda todos os agentes que, de uma ou de outra forma, participam do esquema. A reportagem do Estado de Minas procurou conversar com vários deles. A maioria se recusou a dar declarações sobre o assunto. Outros forneceram informações sob a condição de anonimato.

Segundo uma dessas fontes, a cada 20 dias, em média 12,5 contêineres carregados com 250 toneladas de pedras extraídas dessa região seguem de Curvelo para serem embarcadas no Rio de Janeiro. O mesmo acontece com dezenas de tambores cheios de material mais valioso, que viajam de avião. Tudo aparentemente certo, não fosse o fato de que as notas fiscais mostram valores subfaturados, o que permite que essas pedras sejam enviadas para fora a preços muito inferiores aos praticados pelo mercado. “Um dos caminhos do subfaturamento é a própria Receita Estadual. Os garimpeiros saem de lá com o documento nas mãos”, diz G.L.H, que atua no ramo.

“Qualquer empresário, de dentro ou de fora do país, só pode comprar pedras preciosas de mineradoras legalizadas ou de cooperativas de garimpeiros. Mas os números da nossa exportação são tão baixos que ou elas saem altamente subfaturadas ou são contrabandeadas”, diz Raymundo Vianna, presidente do Sindicato das Indústrias de Joalheria, Ourivesaria, Lapidação de Pedras Preciosas e Relojoaria de Minas Gerais (Sindijoias). Curvelo é o centro mineiro dessa indústria fantasma. De lá partem minerais como quartzos e cristais variados (rutilo, cabelo fachado, lodo verde), ametistas e águas-marinhas, que enriquecem os integrantes da rede.



Esquema Para facilitar o caminho até as pedras, os chineses contam com empresas que oferecem a eles um pacote de serviços para localização, compra e desembaraço das pedras por cerca de R$ 13 mil. São R$ 3.500 de transporte de Curvelo ao porto, R$ 300 para o “chapa” (carregador), R$ 2.000 pelo frete marítimo e R$ 500 de imposto. Para cada contêiner, o lucro dos prestadores de serviço com o negócio é de cerca de R$ 7 mil. Ou seja: uma média de R$ 87,5 mil ao mês para cada 12,5 contêineres enviados ao exterior, segundo uma fonte que pediu anonimato.

“Em média, o total declarado para o conteúdo de cada contêiner é de US$ 6 mil (R$ 12 mil), mas o valor de fato pode ser US$ 100 mil (R$ 200 mil)”, diz uma fonte do setor. Ele lembra que o quartzo mais barato custa R$ 2 o quilo, mas, segundo Raymundo Vianna, o preço do quilo do quartzo muda de acordo com a variedade e a qualidade da pedra. “O quartzo rosa e o rutilado de boa qualidade custam entre R$ 8 mil e R$ 10 mil o quilo. Já a ametista e a rodonita, outras variedades, podem valer até R$ 30 mil o quilo. Porém é impossível estabelecer o valor da pedra sem a avaliação de um perito”, diz.

Segundo a Secretaria de Estado de Fazenda, há equipes especializadas para atuar na fiscalização do setor nas regiões onde a exploração de gemas é predominante. Além disso, o produtor individual pode emitir sua nota fiscal, mas um procedimento de retaguarda é adotado no caso de remessa de mercadoria para o exterior.

Chineses invadem o estado

A rota de interesse dos chineses pelas pedras preciosas brasileiras passa por municípios mineiros e também baianos. Em Minas, os principais são Curvelo, Corinto e Inimutaba. Na Bahia, Novo Horizonte, Ipupiara, Campo Formoso e Oliveira dos Brejinhos. Em Curvelo, profissionais que atuam com eles, mesmo sem formação superior, aprendem até a falar mandarim, ainda que com noções rudimentares. Com isso, têm rendimentos garantidos. Os pagamentos são todos feitos em dinheiro vivo. E adiantados. Entram nessa lista prestadores de serviço, restaurantes, hotéis, postos de gasolina, imobiliárias e lojas de aluguel de veículos. Todos extremamente satisfeitos.

“De coração, se for para prejudicar os chineses não faça essa matéria. Eles pararam de comprar pedras por quatro meses por causa do preço e do ano novo chinês e Curvelo inteira sentiu”, diz um prestador de serviços que viu na chegada dos compradores da China a solução para ter renda. De acordo com ele, de 2006 para cá a presença de chineses na cidade cresceu 70%. “Só na Bahia tem dez famílias”, afirma. Em Curvelo, alguns vivem em hotéis baratos, de R$ 25 a R$ 70 a diária, outros alugam casas onde vivem por cerca de três meses, depois dos quais voltam para o seu país de origem e são substituídos por membros da família.

Em junho de 2010, a Polícia Federal apreendeu 700 quilos de pedras semipreciosas e cristal em Itacambira. Elas foram obtidas por meio da exploração ilegal por quatro chineses e dois brasileiros. As investigações indicaram a existência de um esquema de venda dos produtos para a China, que teria base em Curvelo, na Região Central do estado. Foram presos os chineses Wu Tsung Ying, Daí Yong Dong, Rayoin Huo e Shao Kang He, além do garimpeiro Adilson Mariano de Oliveira e Cláudio Afonso dos Santos, transportador e intermediário do negócio.

Os 700 quilos de cristal e pedras semipreciosas estavam sendo transportados em 18 sacos de linhagem na carroceria de um Fiat Strada e, de acordo com informações da Polícia Federal, foram vendidos para os chineses por R$ 15 mil. Os produtos minerais teriam sido retirados de garimpo no povoado de Machados, na zona rural de Bocaiúva, e seguiam para Itacambira, passando por uma estrada vicinal. A Polícia Militar de Itacambira fez a apreensão, depois de receber uma denúncia anônima. Dias antes, também no Norte de Minas, foi apreendida 1,2 tonelada de cristal de quartzo e 20 quilos de pedras semipreciosas, que saíram de Licínio de Almeida, no sertão da Bahia, e que seriam levados para Curvelo. Segundo a PF, os minérios extraídos na Bahia também teriam como destino a China.

"Se for para prejudicar os chineses não faça essa matéria. Eles pararam de comprar pedras por quatro meses por causa do preço e do ano novo chinês e Curvelo inteira sentiu" - prestador de serviços aos chineses em Corinto, que pediu para não ser identificado.


Caminhos da pedra brasileira rumo à Ásia

Garimpo
É dos garimpos, a maioria deles clandestinos, que saem as pedras preciosas brutas que serão exportadas pelo estado

Subfaturamento
É esse um dos caminhos usados pelos produtores para "maquiar" a pedra bruta clandestina, tornando-a aparentemente legalizada

Venda
Uma vez feita a "maquiagem", as pedras são repassadas aos atravessadores, que vão vendê-las aos clientes estrangeiros

Desembaraço
Empresas especializadas desembaraçam a mercadoria, enviando-a para o Rio de Janeiro, de onde será exportada

China
As pedras chegam à indústria joalheira na China, a segunda maior do mundo, onde serão transformadas em joias, semijoias e bijuterias

Joias montadas (prontas)
Parte das joias e bijuterias entram novamente no Brasil, muitas vezes via contrabando, prejudicandoa indústria joalheira nacional

PF investiga tráfico de pedras preciosas na Paraíba

PF investiga tráfico de pedras preciosas na Paraíba

Descoberta na década de 1980, a turmalina paraíba se tornou uma das pedras preciosas mais cobiçadas do mundo por ser mais rara que diamante e mais cara que ouro. Mas esse raro tesouro deu início a um cruel esquema de mineração ilegal que agora está prestes a ser desarticulado pela Polícia Federal em uma operação batizada de Sete Chaves. A investigação teve início há sete anos, quando um delator revelou à polícia detalhes de uma rede de tráfico internacional da pedra com lucros de mais de US$ 1 bilhão.
Ranieri Addario, sócio da mineradora Parazul Mineração, disse aos investigadores que sua empresa, que não tem licença para operar, extraiu cerca de 10 quilos de turmalina paraíba de uma mina na cidade pobre de Salgadinho, entre 2013 e 2015
, para vender para outros países.  A informação foi dada em um acordo de cooperação fechado entre Addario e a PF.
Cobiçada por gigantes do setor de joias como Dior, Tiffany e H. Stern, a turmalina paraíba tem 0,2g orçados em US$ 10 mil. Logo, 10 quilos da pedra valem mais de US$ 500 milhões.
Segundo a polícia, fazem parte do esquema três pessoas ligadas a Parazul Mineração: Sebastião Lourenço Ferreira, Ubiratan Batista de Almeida, e João Salvador Martins Vieira. Também está sendo investigado Zaheer Azizi, um afegão apontado como responsável por facilitar o envio da pedra a outros países.
Os policiais interceptaram uma conversa telefônica entre os acusados, onde um deles diz que a reserva de Salgadinho deixará suas respectivas famílias “bem de vida por seis gerações”. Porém, os agentes tiveram dificuldades para investigar o caso, pois a população de Salgadinho evitava falar sobre o assunto.
A cidade tem uma taxa de pobreza de mais de 50% e um quarto dos residentes locais vive com até R$ 70 por mês. Além disso, um em cada quatro habitantes é analfabeto. Segundo os investigadores, a população “tem muito medo” de falar sobre mineração com estranhos. Funcionários da Parazul Mineração eram proibidos de falar sobre o processo de mineração e eram submetidos à vigilância constante durante o serviço.
Graças ao acordo de cooperação, Addario se livrou de uma sentença de sete anos em regime fechado. Ele poderá cumprir a sentença em prisão domiciliar e prestar serviços comunitários. Ele também teve US$ 15 milhões confiscados. A polícia espera que as informações prestadas por ele levem a mais prisões.
“As pedras usadas em eventos luxuosos por celebridades e magnatas, que são alugadas por atrizes de Hollywood para desfilar no tapete vermelho na cerimônia do Oscar, deveriam trazer progresso social para a população de Salgadinho e de São José da Batalha, gerando melhores condições de vida e acesso a direitos fundamentais para o desenvolvimento humano, como está previsto na Constituição e em acordos de comércio internacionais”, disse, à rede Al Jazeera, João Raphael Lima, procurador integrante da investigação.
Fonte: Opinião e Notícia