terça-feira, 16 de agosto de 2016

Mato Grosso é exportador nº 1 de diamante

Mato Grosso é exportador nº 1 de diamante

diamentePrimeiro lugar no ranking de exportação e produção de diamante no Brasil, Mato Grosso comercializou em 2013 um total de R$ 30.357.086, o que equivale a 38.895 quilates, segundo dados do relatório anual de lavra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM-MT). Trata-se do único mineral no Estado exportado, cujo destino é a Europa, caso da Bélgica, mas também vai para Emirados Árabes Unidos, EUA, Índia e Israel, centros de lapidação e comércio de diamantes.
São diamantes predominantemente brancos, pedras com alto teor de pureza, que são as de maior valor, ou com tonalidade amarelada, ou cinza. Com qualidade gemológica, ou seja, lapidável, as pedras se assemelham aos famosos diamantes de Roosevelt, avalia o geólogo e especialista em pedras preciosas (gemólogo) do DNPM Amós de Melo Oliveira.
Segundo ele, a mineração em terras indígenas é expressamente proibida no Brasil e a de Roosevelt teve uma intensa extração de diamante entre os anos de 1999 a 2004, quando foi fechada, após a morte de 29 garimpeiros. Eles foram assassinados na região, que compreende os estados de Rondônia e Mato Grosso, por desentendimentos com os índios cinta-larga, em virtude do tesouro que aflora nessas terras.
Apenas o município de Juína não possui a qualidade do cobiçado diamante de Roosevelt.
Mesmo sendo o montante considerado insignificante para o mercado internacional, a produção no país está aumentando, ao avaliar que em 2009 a exportação brasileira foi de US$ 20 milhões, 35,9 mil quilates, e no ano passado o Brasil exportou legalmente US$ 60,1 milhões em diamante bruto, ou seja, 44,3 mil quilates. Um quilate é o equivalente a 200 miligramas.
Diamante bruto só pode sair do país com certificado Kimberley, o CPK, emitido pelo DNPM. Se forem de áreas não legalizadas, não são, em tese, certificados. E o Estado de Mato Grosso possui atualmente 20 licenças: uma no município de Alto Araguaia, outra em Rondonópolis, nove em Poxoréu e mais nove em Juína, único município que obteve resultado na exploração em 2013.
Há três anos o número de licenças era de 32 no Estado e estavam na lista Diamantino, Nortelândia, Guiratinga, que obteve em torno de 15% do valor comercializado no ano de 2011, além de Itiquira, Ribeirãozinho, Alto Paraguai e até mesmo Chapada dos Guimarães. 
Amós aponta que há diamantes também nos municípios de Tesouro, Paranatinga, Alto Paraguai e Arenápolis.
O país é participante do Sistema de Certificação do Processo Kimberley, que regulamenta, com a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU), o comércio internacional de diamantes brutos e exige de seus signatários medidas para garantir que suas pedras sejam extraídas somente de áreas legalizadas.
Fonte – Cenário MT

CPRM Estuda Rochas Portadoras de Diamantes Kimberlitos e Garimpos

CPRM Estuda Rochas Portadoras de Diamantes Kimberlitos e Garimpos em Todo o País

Com o intuito de desenvolver estudos abrangendo os principais aspectos da geologia do diamante no país, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) iniciou, em 2008, por meio do Projeto Diamante Brasil, um trabalho sistemático de pesquisas voltado para o estudo de rochas portadoras de diamantes kimberlitos e garimpos em todo o país. O projeto tem como meta integrar as características da geologia do diamante incluindo fontes primárias e secundárias. Outra vertente do projeto diz respeito à discussão geológica dos garimpos de diamante, que ainda desempenham um papel de destaque na economia brasileira e possuem importante valor histórico. Para o coordenador responsável pelo Diamante Brasil, geólogo Valdir Silveira, as pesquisas desenvolvidas dentro do projeto são importantes para todas as esferas da sociedade. “É fundamental gerar dados na área de diamantes para fomentar pesquisas por empresas do setor e também suprir o governo com informações sobre o tema”, diz. O processo de execução é desempenhado por técnicos da CPRM situados nas regiões diamantíferas. A equipe responsável pelo trabalho nessas áreas conta com técnicos capacitados e até mesmo consultores internacionais especializados no tema. O prazo de entrega está previsto para o final de 2010, porém, devido a algumas pesquisas específicas, poderá ter continuidade nos anos seguintes, estendendo- se até 2014. O projeto é uma ação da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais da CPRM, por meio do Departamento de Recursos Minerais (Derem), e entre o público alvo estão gestores, universidades, empresas com atuação na área de garimpo e órgãos governamentais como a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação do Ministério de Minas e Energia (SGM-MME), o Departamento de Produção Mineral (DNPM) e o Ministério da Justiça. Segundo Silveira, em maior ou menor escala, diversos setores da sociedade serão beneficiados.
 Treinamento
Para dar continuidade à capacitação dos profissionais envolvidos no Projeto Diamante Brasil, no período de 07 a 11 de junho, ocorrerá, na sede da CPRM em Brasília, um treinamento para capacitação profissional que contará com a participação de técnicos canadenses e brasileiros com mais de 30 anos de experiência na área de diamantes. Outras informações sobre o treinamento serão divulgadas brevemente.
 Técnicos em missão de pesquisa na Provincia kimberlítica alto Apiaú-RR
Técnicos em missão de pesquisa na Provincia kimberlítica alto Apiaú-RR


Principais objetivos do Projeto Diamante Brasil
- Produzir mapas mineralógicos das áreas alvos com nota explicativa;
- Realizar guias contendo procedimentos técnicos para prospecção do diamante (amostragem; química mineral e estudo de diamante);
- Utilizar textos técnicos contendo o estado da arte da geologia do diamante no Brasil, em forma de livro;
- Desenvolver estudos mineralógicos, geoquímicos e isotópicos de minerais das áreas (estudos geodinâmicos);
- Caracterizar quimicamente kimberlitos
- Atualização e consistência da shape kimberlito no Mapa Geológico do Brasil na escala 1:1.000.000;
- Elaborar o projeto em Sistema de Informações Geográficas (SIG), contendo os dados geológicos e geoquímicos (mapas, fotos de afloramentos, imagens de satélite e tabelas);
- Sugerir alternativas para gestão, extração das matérias-primas e produtos derivados de forma sustentável, minimizando os danos ambientais;
- Produzir estudo morfológico das populações de diamantes brasileiros para subsidiar a certificação de diamantes através do Kimberley Process.


A importância do Projeto Diamante Brasil para o país
Iniciado em meados de 2008, o Projeto Diamante Brasil vem desempenhando um papel social, econômico e geológico fundamental para os diferentes setores da sociedade. Segundo o chefe do Departamento de Recursos Minerais da CPRM, Reinaldo Brito, os reflexos dos anos de estudo podem ser melhor sentidos agora, uma vez que os estudos executados pela CPRM são de grande importância para a soberania nacional. “O projeto faz com que o Estado assuma o papel de soberano sobre o real potencial diamantífero do Brasil, resgatando para a sociedade o direito de conhecimento sobre o seu solo”, disse. De acordo com Brito, antes do projeto apenas empresas privadas tinham conhecimento das áreas onde os diamantes estavam localizados, a quantidade e qualidade dos mesmos. Hoje, a CPRM possui todas essas informações. “Agora se sabe onde está o ouro, o urânio e até o diamante. Antes, ficava um vazio em relação aos diamantes, não havia informações precisas”, comenta Brito. “O projeto serviu até mesmo para dizimar conflitos oriundos do diamante”, lembrou. Por ser uma atividade com alto grau de informalidade, muitos garimpos eram ilegais, principalmente em áreas indígenas e de conservação ambiental. Com esse trabalho, foi possível identificar essas regiões e o governo pôde dar subsídio nessas localizações. 
Banco de Dados
Uma das metas do projeto é realizar um banco de dados de ocorrências diamantíferas no Brasil e vinculá-lo a pólos produtores, distritos e províncias diamantíferas. Haverá um banco físico com amostras de rochas e gemas que serão caracterizadas. Além disso, todos esses dados também estarão disponíveis no Geobank da CPRM para consulta pública.

Investimentos
O Projeto Diamante Brasil é executado com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e até o ano de 2012 serão investidos cerca de R$ 2,7 milhões. Para este ano, R$ 740 mil estão previstos para dar continuidade ao projeto.

 Uma das equipes de campo recebendo treinamento sobre o kimberlito Redondão-PI
Uma das equipes de campo recebendo treinamento sobre o kimberlito Redondão-PI
 Técnicos da CPRM em trabalho de campo na Província kimberlítica Rosário-RS
Técnicos da CPRM em trabalho de campo na Província kimberlítica Rosário-RS



 Prospectores fazendo coleta de cascalhos em drenagens da Folha Pará de Minas-MG
Prospectores fazendo coleta de cascalhos em drenagens da Folha Pará de Minas-MG

Para onde vão nossos diamantes

Para onde vão nossos diamantes
Por que o Brasil deixa a maior jazida de diamantes do país, na terra dos índios cintas-largas, entregue aos contrabandistas?

"Sempre que uma grande riqueza é descoberta, um banho de sangue acontece." Essa é a frase de abertura do filme Diamante de Sangue, que colocou em evidência o tortuoso caminho percorrido pelas pedras retiradas de países em guerra até as joalherias mais finas. No cinema, o ator Leonardo DiCaprio interpreta um mercenário que troca diamantes por armas para as milícias em Serra Leoa, na África da década de 90. O filme impressiona, e até revolta, mas a tragédia dos diamantes também está do lado de cá do Atlântico. Na Amazônia, garimpeiros, contrabandistas internacionais e atravessadores - como o mercenário interpretado por DiCaprio - voltaram a explorar ilegalmente a maior jazida de diamantes do Brasil.
Desde janeiro, quatro máquinas retroescavadeiras removem a terra vermelha do garimpo do Laje, situado na terra indígena dos cintas-largas, em Rondônia. A cratera aberta pelas máquinas já possui cerca de 10 quilômetros de perímetro. A exploração de diamantes na região deveria estar suspensa desde 2004, quando o massacre de 29 garimpeiros chocou o mundo. Mas nem a presença da Polícia Federal consegue evitar novas invasões na área indígena.
RIQUEZA?
Cratera aberta pelo garimpo e criança cinta-larga com arco-e-flecha.
Os diamantes não ajudam os índios - nem o país
O que se diz da jazida de Laje lembra os antigos mitos de Eldorado amazônico. Segundo Luís Paulo Barreto, secretário-executivo do Ministério da Justiça, pesquisas geológicas feitas por duas multinacionais da mineração indicam a presença de 15 formações rochosas vulcânicas de onde saem os diamantes, chamadas kimberlitos. Isso seria três vezes mais que as principais jazidas da África do Sul e Botsuana, os maiores produtores mundiais de diamantes. Mas todo esse potencial nacional está desperdiçado. Estima-se que o garimpo desordenado e ilegal consiga tirar cerca de R$ 100 milhões por ano de Laje. Se fosse uma mineração com recursos industriais, seria possível extrair rochas mais profundas e retirar até R$ 3 bilhões por ano.
Essa quantia seria capaz de sacudir o mercado global de diamantes, que hoje movimenta cerca de US$ 10 bilhões por ano, ou R$ 21 bilhões. O comércio mundial é dominado pela empresa multinacional De Beers, sediada na África do Sul. A De Beers, da família sul-africana Oppenheimer, possui minas em Botsuana, Zaire, Austrália e Canadá. Também compra a produção de outros países. Em seus cofres, estima-se que estejam 40% dos diamantes extraídos no mundo. Toda segunda-feira, a operadora de vendas da De Beers, a Central Selling Organization, reúne os grandes negociantes das pedras em s Londres. É ali que a De Beers avalia como está o preço internacional dos diamantes e decide quantas e quais pedras vai lançar no mercado. Sua decisão regula o valor internacional dos quilates de diamantes. Hoje, 1 quilate (equivalente a 0,2 grama) de uma pedra de boa qualidade vale US$ 1 mil. Da reserva dos cintas-largas, já saiu um raro diamante-rosa que teria sido vendido por R$ 7 milhões no mercado negro.
O Brasil já foi o maior produtor mundial de diamantes entre os séculos XVIII e XIX. Com o declínio da exploração artesanal em Minas Gerais, o país perdeu posição para os grandes produtores africanos, da De Beers. Hoje, o Brasil exporta apenas R$ 60 milhões por ano. Está fora do time dos grandes produtores: Botsuana, África do Sul, Canadá, Rússia, Índia e Austrália. A perspectiva de legalização das jazidas das terras dos cintas-largas poderia colocar o país entre os três maiores produtores mundiais.
Esse enorme potencial de riqueza, até agora, só tem trazido calamidades, como ilustra a história do cacique João Bravo, que controla a área indígena onde fica o garimpo. Com 60 anos, o cacique é o que os antropólogos consideram um órfão de contato. Ele é um dos cintas-largas que perderam todos os parentes com a chegada de invasores brancos, entre os anos 60 e 70. O primeiro contato dos cintas-largas com os brancos aconteceu por meio dos garimpeiros. João Bravo conta que, antes de ser cacique, vivia na região do Rio Aripuanã, em Mato Grosso. Nessa época, os cintas-largas ainda estavam isolados na floresta. Eram exímios caçadores e temidos guerreiros canibais. De acordo com Bravo, a vida na floresta só era possível por causa de um intenso treinamento que começava aos 10 anos de idade. "Ficávamos durante toda a manhã passando frio debaixo das cachoeiras", diz. "Depois, todo mundo tinha de ir caçar ou morria de fome", afirma o cacique.
Essa vida mudou com a chegada dos primeiros garimpeiros e seringueiros. "Primeiro, mataram as crianças que brincavam no rio", diz Bravo. "Depois, invadiram as aldeias atirando em todo mundo." Quase todos os caciques da região também são órfãos de contato e perderam seus pais e irmãos de forma semelhante. "Lembro de ter ficado semanas caído no chão. Estávamos tão doentes que víamos nossa família morrer e não podíamos fazer nada", afirma Oita Matina, outro dos líderes da terra indígena. As chacinas e epidemias de gripes trazidas pelos invasores reduziram a população de mais de 10 mil cintas-largas para 1.300 indivíduos. A pior matança ocorreu em 1963 e ficou conhecida como o Massacre do Paralelo Onze. O inquérito policial do caso relata que dinamites foram jogadas nas aldeias para dispersar os índios para a floresta, onde eram surpreendidos por pistoleiros. "Tudo explodia. Nós ficávamos tentando flechar os aviões", diz João Bravo. Durante o massacre, uma índia foi pendurada pelo pé e esquartejada viva.
Depois de tentar a guerra contra os brancos, os cintas-largas decidiram, na metade da década de 70, entrar em acordo com os garimpeiros e invasores. João Bravo foi um dos que visitaram as cidades próximas às aldeias para distribuir colares de presente para a população. Em 1974, a Funai demarcou o território. Em menos de 30 anos de convívio com o mundo civilizado, os cintas-largas tiveram de aprender a falar português, dirigir carros e lidar com dinheiro. Muitos ainda não dominam nenhuma dessas habilidades. Donos de um território de 2,7 milhões de hectares, grande parte das mulheres, crianças e velhos ainda compreende apenas o tupi-mondé, a língua tradicional da etnia. João Bravo fala um português limitado e sua caminhonete vive amassada por batidas. Seus filhos estudam até o ensino fundamental, mas ainda passam pelo treinamento de guerreiro - não mais para lutar com outras tribos, mas para formar a milícia que toma conta do garimpo. As meninas se casam antes dos 15 anos, geralmente com os tios, em uma teia social na qual o dono da casa exerce o papel central. Um cinta-larga poderoso chega a ter várias esposas de uma só vez. João Bravo tem cinco mulheres.
O garimpo de mais de três décadas atingiu seu auge em 1999, quando milhares de aventureiros chegaram de vários cantos do país, atraídos pela "fofoca do diamante". Os índios incorporaram o garimpo em seu modo de vida. "Decidimos controlar a área. Senão os brancos entravam e roubavam tudo", diz João Bravo. A situação saiu do controle em 2004, quando 5 mil garimpeiros circulavam no Laje. Qualquer aventureiro queria entrar na reserva. Até que a chacina de 29 garimpeiros ganhou as manchetes nacionais. Os índios são os principais acusados. Depois das mortes, mais seis pessoas foram assassinadas na região, entre índios, contrabandistas e garimpeiros. A polícia estima que outros 20 estejam desaparecidos. Para tentar conter o conflito, o governo federal interditou a região em 2004 e proibiu o garimpo em qualquer terra indígena do país.
DINHEIRO
O cacique João Bravo (à dir.) controla a terra onde estão os diamantes.
À esquerda, jipes apreendidos dos índios por dívidas e irregularidades

A Polícia Federal tem seis bases fixas na região, batizadas de Operação Roosevelt. Mas nem a intervenção do governo federal consegue conter a corrida pelos diamantes. Cerca de 500 homens - entre índios e garimpeiros - transitam no local. Jatos de água derrubam o barranco e outras máquinas separam o cascalho dos diamantes. O lucro é dividido entre os garimpeiros proprietários das máquinas e os caciques. Cerca de 6% são distribuídos entre os garimpeiros pobres, índios mais jovens e as cozinheiras dos acampamentos. A matemática seria boa, mas os índios alegam ter sido roubados com freqüência por atravessadores de diamantes. Na semana passada, um dos filhos de João Bravo, Raimundinho, acusou um suposto vendedor de levar 700 quilates de diamantes, no valor de R$ 600 mil, dos cintas-largas. Segundo a polícia, o contrabandista teria se oferecido para vender as pedras em Cuiabá e desapareceu.
A exploração industrial
em Rondônia faria do Brasil um dos maiores produtores mundiais
de diamante
Se a jazida das terras dos cintas-largas fosse legalizada, ela poderia gerar algo em torno de R$ 6 milhões por mês de impostos. Além da evasão de divisas, a situação ilegal do Laje atrai máfias internacionais. Investigações do Ministério Público e da Polícia Federal revelam que quadrilhas s do Líbano, Serra Leoa e Bélgica são responsáveis pelo contrabando dos diamantes da terra indígena. Segundo investigações do Ministério Público de Minas Gerais, os diamantes podem estar sendo usados para patrocinar tráfico de drogas e terrorismo. 

Uma das conseqüências da atividade ilícita é a ligação dos índios com esse crime organizado. Devido ao contato com os atravessadores de pedras, 13 cintas-largas estão indiciados por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e contrabando. De acordo com o Estatuto do Índio e a Constituição Federal, as riquezas do subsolo podem ser extraídas pelas nações indígenas quando localizadas em suas terras homologadas. Mas, como a garimpagem em terras indígenas está suspensa pelo decreto de 2004, os índios passaram a viver uma situação marginal em seu próprio território.
 O envolvimento dos índios agora é financeiro. Nos tempos do auge do diamante, em 2002, alguns caciques compraram casas na região e carros importados. Cercados por ajudantes, contratados na forma de motoristas brancos, os índios selaram amizade com os atravessadores de diamantes. Muitas máquinas de garimpo e carros foram comprados no nome desses terceiros. Mas, por causa das dívidas, a maioria perdeu todos os bens. Um depósito da Polícia Federal guarda cerca de 50 caminhonetes Toyotas apreendidas de índios cintas-largas, a maioria por dívidas não quitadas. Um levantamento do Ministério Público Federal (MPF) de Rondônia apontou que os índios devem na região cerca de R$ 700 mil.

GUERRA
DiCaprio interpreta um atravessador de diamantes em Serra Leoa. As mesmas quadrilhas atuam aqui
PRÓSPEROS Tratores retiram diamantes do território indígena, no Canadá. A exploração organizada rende empregos e participação nos lucros
Apesar dos problemas trazidos pelo garimpo ilegal, hoje não há uma estratégia realista para enfrentá-lo. A mera proibição, mesmo com a presença da Polícia Federal, não tem se mostrado eficaz. Um emaranhado de estradas clandestinas desenha um labirinto de lama na floresta. A fiscalização fica impossível. "É um jogo de gato e rato", afirma o delegado da Polícia Federal, Rodrigo Carvalho. Grande parte dos 2,7 milhões de hectares da floresta que envolvem a jazida de diamantes está praticamente intacta. Aventurar-se na região é perigoso. Onças, malária e cerca de 90 índios guerreiros armados com flechas e metralhadoras são apenas alguns dos obstáculos. Mesmo com os riscos, garimpeiros ainda sonham em colocar os pés no Laje. "Se puder entrar lá novamente, eu vou. Os diamantes compensam", diz o garimpeiro Antônio Rosa de Carvalho, o Goiano, um dos sobreviventes do massacre de 2004.

Alexandrite World Occurrences

Alexandrite World Occurrences

"Why Siberia? Never mind, Siberia if you like. I don't care...we'll work...there's snow in Siberia...I love driving in the snow...and must have bells."F. Dostoevsky, "The Brothers Karamazov"

The alexandrite variety of chrysoberyl was initially identified in the Ural Mountains of Russia in 1830. Alexandrite chrysoberyl from the Ural Mountains is considered some of the best in the world. In addition to Russia, chrysoberyl has been found in Sri Lanka and India, the principal source for this gemstone today. Brazil has produced some excellent alexandrite gemstones. Between 1840 and 1900, Russia was the primary source for alexandrite. During this period, the Takovaya district on the eastern flank of the central Urals was mined extensively and many large emeralds and alexandrites were unearthed. Little specific production information is available but the deposit was thought to be nearly depleted at the turn of the century. No significant amount of new Uralian material has been reported since the Russian revolution in 1917.
Largest to date, the unique alexandrite crystal specimen measures 25cm x 14cm x 11cm and weighs 5724g found Urals´s in Russia, Izumrudnye Kopi (Emerald mines).
One of the largest known rough chrysoberyls found in history weighed 1,876 carats and one of the largest faceted alexandrite(at 66 carats) is now part of the Smithsonian collection.
The largest uncut alexandrite of gem quality was discovered in 1967 by the founder and chairman of Amsterdam Jewellers, Jules Roger Sauer, in Jaqueto district, Bahia (Brazil). The stone is named the Sauer Alexandrite, weighs 122,400 carats and is held in Souer´s private collection at Amsterdam Sauer in St. Thomas, Virgin Islands (USA).
The famous light green, transparent Hope chrysoberyl located in London weighs 45 carats. Bauer (1968) describes another gem that weighed 80.75 carats (23 x 17mm) that was a yellowish-brown chrysoberyl with a distinct, narrow zone of chatoyantcy. In addition, a 63.38-ct alexandrite is reported to have been recovered from Sri Lanka during the past.
Cook describes another large chrysoberyl that weighed an estimated 225,000 carats that was destroyed during the blasting of apegmatite near Paris Maine. He also mentions reports of twinned crystals up to 120,000 carats that have been found in the past.
When the Russian deposits were thought to have been exhausted, interest in the unique color changing stone decreased because so few stones with an attractive color change were available from anywhere else. Information about the overall color and clarity of these Russian stones is scarce and today, there are few Russian alexandrites available anywhere. Irrespective of quality, Russian alexandrites are highly valued from a historical perspective alone and will command the highest prices especially if they are of high quality and their origin can be certified.
Presently, small quantities of Alexandrite are mined in Brazil, Sri Lanka, India, Myanmar, Tanzania and Zimbabwe. Most of the current production is alluvial where the alexandrite constitutes a small percentage of the overall chrysoberyl production. India is the only country that produces a significant quantity of alexandrite today and even there, production is limited.
Alexandrite was discovered as rolled pebbles in the gem gravels of Sri Lanka not long after its initial discovery and for a long time, Sri Lanka was the only alternative source for the stone. By the early twentieth century, it was the main source for all three varieties of chrysoberyl: alexandrite, cymophane (cat´s eye) and ordinary chrysoberyl have been recovered from river gravels and alluvial material along the foot hills in the southern portion of the island near Saffragam and Matura. The original source for the gem is believed to be granitic pegmatites in the central massif. Alexandrite from Sri Lanka was sometimes fine but never as vividly colored as those from the Ural Mountains in Russia. Some exceptionally large cymophane rough as well as large alexandrite have been mined in Sri Lanka, including some that produced gemstones exceeding 65 carats . Today, the Ratnapura district, where gems have been found for thousands of years, still produces a limited production of alexandrite occasionally.
Tanzanian Uncut Chrysoberyl
Tanzanian uncut chrysoberyl
Fig. 16.: Very rare minty bluish-green uncut chrysoberyls from Tanzania owe their color to the presence of vanadium. 16
In Brazil, alexandrite has been found in the states of Espento Santos, Bahia Minas Gerais. Minas Gerais was formed mainly by colonists who searched for veins of gold and gems and later diamonds. The name literally means "general mines", a shortening from Minas dos Matos Gerais, or mines of the general woods. Minas Gerais is so rich in gemstones that they have been found in excavations for building foundations, in drainage ditches, in water wells and in road cuts. Mining techniques in Brazil are mostly primitive but effective with relatively few mines using modern techniques. Brazil still has enormous gem potential. Little research has been done on country´s gem reserves and large deposits have almost always been discovered by accident. The chrysoberyl from Brazil exhibits a variety of colors including grey-white, pale-yellow, citron-yellow, olive-green, grass-green, and pale-green. Some of the colorless stones approach diamond in transparency and brilliancy. Most of chrysoberyl is found as pebbles in auriferous muds or clays derived from the weathering of nearby granitic and gneissic rocks in the Piauhy and Calhao rivers.
In 1987 a major strike of alexandrite was made in the Brazilian state of Minas Gerais at Hematita. As soon as news of the find leaked out, three thousand garimpeiros (independent prospectors) descended on the small valley, five hundred feet wide by six hundred fifty feet long, and began to dig.
This "Alexandrite-rush" lasted about four months during the spring and summer of 1987. On average, one person a week was shot to death until bloodshed caused the government to issue an order in June 1987 to shut down. The situation had become so violent that the government had trenched a moat around and posted soldiers on the only remaining operating mine. By this time, the area appeared to be mined out.
Estimated production from this strike was two hundred and fifty thousand gem carats in the rough (50kgs). The original Hematita mine has now been taken over and mining is going deeper into the mountain. Although it is unknown if the mine can produce much more, the material is high quality. Some dealers say this deposit is already depleted but this is difficult to verify. Small amounts of alexandrite have also been found a bit further north in Minas Gerais at Malacacheta.
Brazilian alexandrites show both a distinctive color change with good clarity and color under any light source and also found in the Bahia State which includes localities that have produced some alexandrite near the Carniaba emerald mine at Campo Formoso. One pegmatite near Jaqueto yielded a 120,000 carat twinned crystal. Many other localities in Brazil include pegmatites at Teixeira de Freitas, Medeiros Nero and Cahoeira. In Espirito Santo, exceptional specimens have been recovered from the Itaguacy, Santa Thereza, Tancredo and Colatina deposits, and v-shaped twins up to 22 cm (8.7 in) in length were recovered from Pancas. The Brazilian stones are admittedly not as strong in green as Russian alexandrite, but their purple-reds are thought to be better and the color change is easy to see.
Madagascar´s gemstone production boomed in the 1990s and has continued over the last decade. The mining region around the towns of Ilakaka and Sakaraha in the south central part of the country is the most prolific. The area is mined by a combination of traditional diggers and private investors, - some with machinery. Occasional alexandrites are found as a very small percentage of the alluvial mix. Although some gem quality large single chrysoberyl crystals up to 12.5 cm were recovered in the Lake Alaotra.
The Tunduru area in southern Tanzania, near the Mozambique border produced a large quantity sapphires, spinels and chrysoberyls in 1993. All of the easily accessible areas were mined out in one year. Today, mechanized mining is still producing limited quantities of material but work is difficult in such a remote area. The Tunduru region has produced a variety of outstanding stones including a large clean top color 40ct+ rough diamond and some stunning alexandrites and vanadiumcolored chrysoberyls. In the north, the Manyara area has also produced some alexandrites.
Although Alexandrite has been discovered in Zimbabawe, the present situation in that country means that the only major mines now operating in Zimbabwe are the Sandawana emerald mines in the south west Zvishavane region. The mines are worked by a private company and are known for producing small emeralds of fine color. Although Alexandrite has been found in Zimbabwe, there is no current production. Zimbabwean Alexandrites are small, but may reveal a strong color change, from dark green to purple red.
A few alexandrites have been found in Myanmar in the Mogok area, one hundred and twenty miles north east of Mandalay.
Indian Uncut Alexandrite
Indian uncut alexandrite
Fig. 17.: Alexandrite from Samunda mines famous for their plumb reddish purple color under incandescent light. 17
Some alexandrite has been found in near Dowerin, Western Australia. Known since 1930, the deposit has yielded many small alexandrite crystals. Recent re-working of the deposit has allowed further examination of the gem-bearing rocks and some further discoveries. The Dowerin occurrence is situated in the southwestern region of the Archaean Yilgarn Craton, Western Australia in the northern part of the Lake Grace Terrain.
India is currently producing the bulk of today´s alexandrite production. The focus of the current mining is in Andrha Pradesh province near the city of Vishakhapatnam in the towns of Narsipattnanm and Araku. Narsipattnanm alexandrite mine was discovered and opened in 2005 and produces larger alexandrite with satisfactory clarity and color. Araku produces more cat´s eyes. Most of the mining is illegal so it is difficult to estimate how much material is being produced and most of Vishakhapatmam mines was closed in December 2004 by tsunami. Alexandrite was also found in the Karaka Hill region of the Raipur district in Chattisgarh in 1994 but this deposit is not producing much anymore. Most of the Indian stones show a weak color change, but a few stones are exceptional world class gems. These stones are well known for their outstanding daylight bluish green color and superior clarity and mostly come from now non-producing Samunda Mine, which was closed in 2001 after few years of operation. Samunda alexandrites also known for their incredible color-change and plumb reddish purple color under incandescent light.

Confirmed findings of Alexandrite (1833 - 2008)
AustraliaAustraliaBrazilBrazilIndiaIndia
Dowerin Carnaiba Mine
Caraiba mine
Esmeraldas de Ferros
Hematita
Itaitinga Mine
Novo Cruzeiro
Teafilo Otoni
Serra Dourada
Deobhog mines 
MadagascarMadagascarMyanmarMyanmarRussiaRussia
Ilakaka Mogok Izumrudnye Kopi
Malysheva mine 
Sri LankaSri LankaTanzaniaTanzaniaUSAUSA
Balangoda
Horana
Tunduru
Lake Manyara
La Madera Mtn. 
ZimbabweZimbabwe

Brazilian alexandrite

Brazilian alexandrite

Alexandrite found in the district of Minacu (Goi's State), near the Pela Ema River, SE border of the Serra Dourada granite-gneissic dome. Among all varieties of chrysoberyl found, 10 to 15% are alexandrite of gem quality with distinctive color change.
Locality details
CountryBrazil
RegionCentral-West Region
ProvinceGoias
LocalitySerra Dourada
Latitude-14.6833
Longitude-49.2667
Altitude1991
Time zoneUTC-3(-2DT)
Locality maps
MapSatellite
Map of Serra DouradaSatellite of Serra Dourada
Primary alexandrite mineralization occurs in metasedimentary rocks of the Serra da Mesa Group in the district of Minacu (Goi's State), near the Pela Ema River, SE border of the Serra Dourada granite-gneissic dome. Among the varieties of chrysoberyl, 10 to 15% are alexandrite of good gemological quality. Most crystals show pseudo-hexagonal habits due to multiple twinnings, with dimensions from 0.4 to 3cm. They contain inclusions of quartz, muscovite, biotite, garnet, monazite and a relatively high number of fluid inclusions. The Serra da Mesa Group in the area is represented by biotite-muscovite-quartz schist containing chrysoberyl, garnet, staurolite and kyanite porphyroblasts, fine lenses of feldspatic schist, thin amphibolitelayers, pegmatites, exogreisens and quartz veins sometimes with emerald mineralizations.
Optical studies of alexandrite crystals revealed the presence of primary and pseudosecundary fluid inclusion. The microthermometry of primary fluid inclusion showed that during the formation of the alexandrite aquocarbonic solutions rich in NaCl, CaCl2, and probably KCl and AlCl3 were present, with salinities varying from 18.5 to 21.5 wt % NaCl equiv. and densities from 0.96 to 1.03g/cm3. Estimatives of P-T values resulted in the following ranges: 6.1-7.5 kbar at 535-576oC and 4.4-5.9 kbar at 530-565oC, depending on the thermodynamic equations used. The conditions for formation of chrysoberyl occurred at medium-grade amphibolite facies, determined by the intersection of the fields generated by the paragenetic associations, for kyanite and staurolite, with the isochores diagrams from the IF analysis. The studies indicate that the formation of the crysoberyl started with the Be liberated from the quartz vein zone with beryl (emerald) and remobilized in the metamorphic fluids, where the precipitation may have been conducted by the presence of Al3+ from the host rocks.
According to the data obtained from field geology, petrography, mineral chemistry, geochemistry and fluid inclusions, it can be concluded that the metassedimentary rocks from the Serra da Mesa Group were intruded by the Serra Dourada Massif. The minerals staurolite, kyanite, garnet and alexandrite, that comprise metamorphic paragenesis of amphibolite facies, are restricted to the metassedimentary rocks in contact with the granite, evidencing a halo of contact metamorphism. The alexandrite mineralization is associated to mafic bands from the Serra da Mesa schists, specifically in the garnet-staurolite-kyanite-biotite-quartz schist. The ore genesis is related to the existence of beryllium, aluminum and chrome in the system. The granitic magma supplied beryllium and aluminum, crystallizing the mineral beryl. Because of the contact metamorphism due to the intrusion of the biotite granite, around 1.6 Ga, beryl was decomposed, generating crysoberyl. The garnet-amphybole-quartz schist that occurs intercalated with the Serra da Mesa Group schists is the most probable source of chromium. The rocks of the studied region were later affected by the Brasiliano orogenic cycle (ca. 0.6 Ga), which gave rise to green schist paragenesis and caused deformation and cracking of the garnet, kyanite, staurolite and alexandrite of the mineralized rocks.