quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

‘INVASÃO’ CHINESA INFLACIONA MERCADO DE PEDRAS PRECIOSAS

‘INVASÃO’ CHINESA INFLACIONA MERCADO DE PEDRAS PRECIOSAS

Cinquenta metros abaixo do chão, trabalhadores caminham na Mina do Cruzeiro por túneis estreitos, abertos na rocha e cheios de poças de água, para extrair a pedra que caiu no gosto do mercado de luxo da China – turmalinas. As pedras são exportadas em forma bruta, lapidadas na China e lá transformadas em anéis, brincos e pingentes para chinesas endinheiradas.
O aumento do interesse chinês por turmalinas e outras pedras preciosas do Brasil já provoca uma pequena revolução no mercado de gemas. O apetite da China literalmente salvou empregos em algumas cidades do interior de Minas, mas também é motivo de preocupação.
Cinquenta metros abaixo do chão, trabalhadores caminham por túneis estreitos, abertos na rocha e cheios de poças de água, para extrair a pedra que caiu no gosto do mercado de luxo da China. Com pás, picaretas e furadeiras, uma centena deles retira todos os dias quilos e quilos de turmalina na Mina do Cruzeiro, no município de São José da Safira, interior de Minas Gerais. As pedras são exportadas em forma bruta, lapidadas na China e também lá transformadas em anéis, brincos e pingentes usados por chinesas endinheiradas.
O aumento do interesse chinês por turmalinas e outras pedras preciosas e semipreciosas de cor do Brasil é ainda uma novidade, mas já provoca uma pequena revolução no mercado de gemas. Os chineses tornaram-se mais visíveis como compradores depois da crise financeira mundial de 2008, quando os compradores tradicionais – americanos e europeus – se retraíram. A demanda da China literalmente salvou empregos em algumas cidades do interior de Minas Gerais – o Estado mais tradicional na produção e venda de “pedras coradas” do país – que são centros de exploração ou comércio de pedras. Mas o apetite asiático também é motivo de preocupação.
Grandes joalherias brasileiras que usam em suas peças pedras nacionais viram quase de uma hora para outra compradores chineses arrematando grandes lotes de turmalinas, topázios, águas-marinhas e muito quartzo. A disponibilidade de pedras para o mercado nacional diminuiu, ao mesmo tempo em que os preços explodiram. Algumas pedras estão sendo vendidas a preços 400% superiores aos que eram praticados há quatro anos e muitos produtores acabam privilegiando fazer negócios com os chineses porque eles estariam em geral mais dispostos do que os compradores brasileiros a pagar mais pelas pedras, compram lotes maiores e pagam à vista.
Um dos efeitos do aquecimento do mercado pela China se vê nas minas. Segundo o chefe do escritório do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) em Governador Valadares, Marlucio Dias de Souza, há um movimento de reabertura de minas na região.
Marcos de Moura e Souza/Valor / Marcos de Moura e Souza/ValorO resultado do trabalho na Mina do Cruzeiro
Em seu discreto escritório na cidade, Douglas Willian Neves, um dos proprietários da Mina do Cruzeiro, diz que antes da crise de 2008 a China representava 20% de suas vendas. Hoje, representa 80%. Neves está à frente também da Nevestones, empresa de compra e venda de gemas. “A China aqueceu o mercado. Eles compram de tudo, pedras para joias e para bijuterias. Antes de 2008, até o cascalho de turmalina [pedras pouco aproveitadas para lapidação, mas que têm valor para coleções e entalhes], que custava US$ 200 o quilo, hoje custa US$ 3,5 mil.”
Outro comerciante de pedras preciosas e semipreciosas de Valadares, José Henrique Fernandes, dono da Pinkstone International e da Mina de Aricanga, diz: “Se não fossem os compradores asiáticos, nós, pedristas, teríamos quebrado. Exportávamos para o mercado dos EUA e da Europa, mas, com a crise, a tendência dos preços era cair”.
Não se trata apenas de uma substituição do mercado. Os empresários que produzem pedras dizem que com os chineses – e em menor escala outros novos clientes da Índia e Rússia e de alguns países asiáticos – compram mais do que os americanos e europeus.
Em 2009, a China já era o principal destino das exportações de pedras brutas brasileiras. Naquele ano, Hong Kong sozinha comprou US$ 6,5 milhões e a China continental mais US$ 6,2 milhões. Em 2011, as vendas para cada um estavam na casa dos US$ 11 milhões. Para a Índia, as exportações saltaram de US$ 4,1 milhões para US$ 9,5 milhões. No mesmo período as exportações para os EUA ficaram num nível bem inferior: de US$ 3,8 milhões em 2009 para US$ 4,7 milhões no ano passado. Para a Alemanha, a maior economia da Europa, foram de US$ 1 milhão para apenas US$ 1,5 milhão.
Marcos de Moura e Souza/Valor / Marcos de Moura e Souza/ValorLapidador em Valadares trabalha em turmalina
Quando a China começou a abrir sua economia, o consumo local por pedras preciosas era quase todo limitado ao jade, pedra verde com longa tradição no país e que era usada para joias, estatuetas e talismãs, diz Hécliton Santini Henriques, presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), cujos escritórios ficam em Brasília e em São Paulo. Com a abertura, outras pedras ganharam espaço. Comerciantes de diamantes foram um dos primeiros a se estabelecer. Depois, veio o forte consumo de platina. “De três anos para cá, os chineses começaram a descobrir a cor, a variedade de pedras de cor. E começaram a comprar turmalina, principalmente a vermelha. Daí essa valorização brutal”, diz Henriques. “Eles também compram quartzo rutilado e a demanda por esmeraldas está em um processo de crescimento.”
Esse interesse, trouxe à região de Valadares um tipo diferente: o comprador chinês de pedras preciosas. “Os chineses ficam circulando por aqui, nas cidadezinhas menores, como São José da Safira, por exemplo. Estão em todo o lugar. Nos garimpos ilegais, eles dominam”, diz Douglas Neves. Em Curvelo e Corinto, municípios da região central de Minas e onde o forte é o quartzo, chineses também passaram a fazer parte da paisagem e da economia locais.
Esses compradores são tipos sui generis, segundo a descrição que se ouve entre empresários: andam de chinelo, mal vestidos, dormem em pensão ou às vezes debaixo de lona no mato e falam um português arrevesado (quando falam). E, apesar da aparência, compram lotes de pedras com dinheiro vivo, à vista – muitas vezes pagam adiantado por uma produção. São eles que passaram a concorrer com vários compradores de pedras brasileiros.
Parte das pedras sai do subsolo de Minas Gerais de modo ilegal e entra também de modo ilegal no mercado. Não há consenso entre empresários e autoridades, qual o peso da extração e do comércio clandestino no comércio total de pedras no Brasil. Mas até o DNPM em Valadares admite que o número de minas sem autorização de funcionamento deve ser muito maior do que as meras dez autorizadas em todo o leste e nordeste do Estado. Quanto ao envio das pedras para o exterior, o caminho alegadamente mais fácil para quem está no mercado clandestino é o de subfaturar lotes de pedras – algo difícil de ser captado pelas autoridades.
Para os produtores e comerciantes de maior porte, como Neves e Fernandes, a porta para o mercado externo costuma ser outra. Como vários exportadores brasileiros, José Henrique Fernandes, participa da feira de joias e gemas de Hong Kong, a Jewellery and Gem Fair. É lá onde faz muito de seus negócios. “Antes participávamos das feiras de Tucson, Nova York e Las Vegas (EUA) e na Basileia (Suíça). Hoje, nos concentramos só nas feiras de Hong Kong, que não atrai só compradores chineses, mas americanos e europeus.” Na edição de setembro da feira (são três edições anuais), das 35 empresas no pavilhão do IBGM, 30 são de Minas, segundo Hécliton Henriques.
O Brasil é, segundo o IBGM, o maior produtor de pedras coradas em termos de variedade. Produz mais de cem tipos de gemas, num mercado que só aqui movimenta entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões. Estimativas citadas pela instituição em seu site apontam o Brasil como a fonte de cerca de um terço do volume das gemas do mundo – sem levar em conta diamantes, rubis e safiras. Dois Estados são grandes produtores e polos de negócios: Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Minas é o maior produtor em termos de valor.
De uma lavra de turmalina, topázio imperial ou água marinha no interior de Minas, até a vitrine de uma joalheira brasileira num shopping de São Paulo, por exemplo, o caminho costuma ser mais ou menos o mesmo. Começa com o empresário, o dono da lavra; passa pelos representantes das empresas de joias que vão a campo ver e escolher os lotes de pedras; segue para as mãos de lapidários; dos designers e da equipe de montagem da indústria joalheira e pronto, as peças estão à disposição dos clientes. Se o efeito China é ótima notícia para quem investe e trabalha na ponta inicial dessa cadeia, para os demais é um estorvo.
Os lapidários, por exemplo, parecem estar em fase de extinção. “Aqui em Valadares havia há uns 10 ou 15 anos cerca de 2 mil oficinas de lapidação. Hoje são no máximo 50”, diz Ronaldo Rodrigues Barbosa, 45, ele mesmo um lapidário. É a velha questão dos custos da mão de obra: enquanto no Brasil o preço do trabalho por quilate oscila de US$ 0,80 a US$ 1,20, na China, fica entre US$ 0,25 e US$ 0,35. Um grama é equivalente a 5 quilates. Barbosa conta que muitos de seus colegas de profissão ficam duas ou três semanas sem trabalho; outros tantos simplesmente abandonaram o ramo porque os clientes que tinham passaram a contratar lapidários na China e na Índia.
Mas quem se queixa mais da concorrência asiática são mesmo as empresas de joias que dependem da oferta das pedras nacionais. “Tivemos de rever o tamanho das pedras de algumas de nossas coleções. Antes, podíamos fazer o que quiséssemos com pedras de quaisquer tamanhos, hoje já não é mais assim”, diz Rodrigo Robson, designer da Vivara, empresa paulistana, fundada em 1962, que se apresenta como a maior rede varejista de joalherias do Brasil. Segundo ele, a maioria dos fornecedores de pedras da empresa são de Minas Gerais. Topázio e quartzo são as duas mais usadas nas joias de Vivara. “O que estamos percebendo é uma diminuição na oferta de pedra bruta. As pedras maiores vão para a China.”
Daniel Sauer, diretor da Amsterdam Sauer, sediada no Rio, diz: “Se eu quiser comprar, tenho de pagar o preço que eles [chineses] estão pagando ou mais. E tem pedras que eles estão pagando o dobro e ninguém quer pagar mais”. “A China não está apenas comprando commodities. Está consumindo muito produto de luxo e a joia está nesse contexto.”
A vantagem de sua empresa, diz ele, é estar há 70 anos no mercado, enquanto os chineses ainda não estabeleceram uma base de confiança com muitos fornecedores. Os chineses, no entanto, compram quantidades maiores e pagam valores acima do que as joalherias nacionais estão dispostas a pagar.
Em Belo Horizonte, a grife joalheira mais conhecida da cidade, a Manoel Bernardes, desistiu de depender da pedra preciosa de cor brasileira. “Comprávamos mais de Minas Gerais, mas hoje 80% das pedras brutas de cor que compramos vêm da África, de Moçambique e Nigéria. Às vezes também do Paquistão”, diz Marcelo Bernardes, que junto com o irmão, Manoel, dirige a empresa fundada pelo pai. A vantagem, diz ele, é que a oferta africana é maior e mais contínua.
Segundo Bernardes, a oferta brasileira de pedras é pequena e os produtores preferem vender mais para quem paga mais, que são os chineses atualmente. “É difícil para nós pagarmos o preço que eles pagam. Sai mais barato comprar em Moçambique do que aqui”.
Nem todos veem assim. Raymundo Vianna, um dos maiores exportadores de joias do Brasil, com vendas para 112 países, é um deles. Dono da Vianna Brasil, ele diz que se fosse depender de pedras importadas para competir mundo afora seria derrubado pela carga tributária do Brasil, que onera pedras preciosas de fora em 40%. “Nossa empresa já está tendo dificuldade de adquirir matéria-prima no Brasil. Se continuar assim, a empresa não terá condições de sobreviver.”
Presidente do Sindicato da Indústria de Joalheria, Bijuteria e Lapidação de Gemas de Minas Gerais (Sindijoias-MG), Vianna defende medidas drásticas do governo: estancar a saída de pedra bruta do Brasil e motivar empresas de joias e lapidação a se instalarem aqui. “Algo tem de ser feito, senão acaba a indústria da joia no Brasil.”

Goldman projeta demanda por commodities e recuperação global

Goldman projeta demanda por commodities e recuperação global

As commodities vão contar, nos próximos meses, com o apoio de uma recuperação global que abrange os EUA, a Europa e a China e que está sustentando a demanda mundial por matérias-primas, de acordo com o Goldman Sachs Group. ”Vemos uma alta cíclica na atividade econômica mundial, e isso está impulsionando a demanda, não apenas por petróleo, mas por todas as commodities”, disse Jeffrey Currie, diretor de pesquisa sobre commodities, em Hong Kong nesta terça-feira. “Este é o principal motivo que nos levou a atualizar nossa perspectiva sobre commodities para overweight”, disse ele, referindo-se à decisão tomada pelo banco em novembro.
As commodities se recuperaram em 2016 com o primeiro ganho anual em seis anos porque estímulos na China estabilizaram o crescimento e produtores de petróleo liderados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) voltaram atrás e decidiram limitar a oferta. Currie — que deu entrevista à Bloomberg TV e a um jornalista — disse que o impacto do estímulo da China provavelmente vai perdurar no primeiro semestre de 2017. Ele acrescentou que as políticas do novo presidente dos EUA, Donald Trump, poderiam fortalecer as pressões inflacionárias, o que ajudaria as matérias-primas.
“Os EUA e a China são pontos focais onde estamos vendo uma alta, mas até mesmo a perspectiva para a Europa está muito mais positiva do que as pessoas poderiam ter imaginado há seis meses ou há um ano”, disse ele. “Não se trata do que está acontecendo no lado da oferta, mas sim do que está acontecendo no lado da demanda.”
O Bloomberg Commodity Index avançou 11 por cento no ano passado, e os ganhos registrados pelo zinco e pelo petróleo Brent ficaram entre os maiores. O minério de ferro deu um salto de mais de 80 por cento em 2016 porque o estímulo na China ajudou a sustentar a produção de aço no país, o maior produtor do mundo. O índice de commodities da Bloomberg avançava 0,5 por cento às 11h49 em Londres e registra alta de 1,7 por cento neste ano.
O Goldman não é o único com uma perspectiva positiva. O Citigroup afirmou em maio do ano passado que o pior já havia passado para as commodities e, em dezembro, projetou que a maioria das matérias-primas terá um desempenho forte em 2017 à medida que o crescimento econômico global se recuperar e os mercados se reequilibrarem.
O estímulo na China “foi substancial e isso tem uma consequência, leva tempo”, disse Currie na entrevista à Bloomberg TV. “Tivemos muito estímulo de crédito no ano passado, e é provável que essa seja uma característica do mercado em termos de crescimento da demanda por infraestrutura no primeiro semestre deste ano.”
Fonte: Bloomberg

Convênio vai injetar US$ 1,5 bi em pesquisas científicas no Brasil

Convênio vai injetar US$ 1,5 bi em pesquisas científicas no Brasil

Um convênio do governo brasileiro com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai injetar US$ 1,5 bilhão para o financiamento de pesquisas científicas no País. A informação foi confirmada nesta terça-feira pelo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab, após reunião do Conselho Consultivo da pasta, em Brasília.

A reunião ocorreu na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e contou com a presença do presidente da República, Michel Temer. O valor será distribuído à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência vinculada ao MCTIC, ao longo de cinco anos. Do total de US$ 1,5 bilhão, US$ 310 milhões serão executados ainda em 2017.

“Esse investimento, ao lado das ações orçamentárias, nos permite avançar em diversas pesquisas que precisam de recursos”, disse Kassab. “São todas pesquisas muito importantes, no campo da infraestrutura, da segurança, da saúde, principalmente a continuidade das pesquisas no campo do zika vírus”, concluiu.

Dentre os programas com participação da Finep a serem apoiados com recursos do BID, estão o Plano de Desenvolvimento e Inovação da Indústria Química (PADIQ) e o Inova Mineral (Plano de Desenvolvimento, Sustentabilidade e Inovação do Setor de Mineração e Transformação Mineral). Uma iniciativa voltada para o setor de biocombustíveis avançados, em fase de estruturação, também contará com o apoio destes recursos.

Além do acordo com o BID, o governo federal pagou todos os projetos que estavam em restos a pagar, assim como adiantar os valores das bolsas de pesquisa no exterior até março deste ano. “Conseguimos executar no final do ano R$ 1,9 bilhão, que significa um avanço bastante significativo”, afirmou o presidente do CNPq, Mario Neto Borges. Na visão dele, 2017 começa em uma situação “bastante confortável” para o desenvolvimento de programas de pesquisa científica.

Fonte: Portal Planalto

A HIERARQUIA DAS GEMAS

A HIERARQUIA DAS GEMAS


Atendendo a sugestão de uma leitora, abordaremos este mês um tema controverso, mas de grande interesse, o da hierarquia de valor das pedras preciosas.
Sabemos que é no mínimo arriscado propor qualquer espécie de ranking das gemas comerciais pelo critério de valor, tendo em vista que a diversidade e a subjetividade dos fatores envolvidos na sua avaliação dificulta qualquer consenso, mesmo entre aqueles que lidam cotidianamente com a comercialização e a avaliação de gemas e que, portanto, devem estar sintonizados com as particularidades e a dinâmica desse mercado.
Assim sendo, ao elaborá-la, não tivemos a pretensão de apresentar uma relação ultimada e definitiva, nem nos propusemos a suscitar uma discussão sobre o tema que, sabemos, jamais teria termo. Visamos com ela, orientar o público consumidor de jóias quanto ao valor relativo das gemas mais apreciadas, mostrar a relevância no mercado internacional de algumas ainda pouco difundidas pelo setor joalheiro nacional e estimulá-lo a tirar suas conclusões através da prática e da experiência próprias.
Levando-se em consideração as cotações médias praticadas no mercado internacional de espécimes com qualidade para uso em joalheria, que apresentem tamanhos comerciais e possam ter sido submetidos a tratamentos tradicionalmente aceitos pelo mercado, é esta, em nossa opinião, a atual hierarquia das dez gemas minerais mais valiosas:
1. Diamante
2. Alexandrita
3. Rubi
4. Padparadscha
5. Safira Azul
6. Esmeralda
7. Turmalina da Paraíba
8. Demantóide
9. Tsavorita
10. Benitoíta

Considerações
É importante salientar que o Brasil produz ou produziu até recentemente, de forma regular, quatro dentre as sete gemas que consideramos as mais valiosas: diamante, alexandrita, esmeralda e turmalina da Paraíba. Caso estendêssemos esta hierarquia aos 20 ou 30 tipos mais apreciados ou nos detivéssemos apenas às gemas de uso amplo e consagrado em joalheria, certamente figurariam outras espécies e variedades produzidas regularmente em nosso país, tais como olho-de-gato, topázio imperial, água-marinha, rubelita(turmalina vermelha), indicolita(turmalina azul), turmalina verde, opala e crisoberilo.
Dentre as 10 gemas consideradas mais valiosas e que não ocorrem no Brasil ou sua produção é pequena e descontínua em nosso país, encontram-se: rubi, padparadscha (safira laranja-rosada, de tom claro a médio), safira azul, demantóide (nome comercial de uma variedade da granada andradita, de cor verde a verde-amarelada), tsavorita (designação comercial da granada grossulária verde) e benitoíta (espécie mineral de cor azul a azul violácea e, até onde sabemos, de ocorrência restrita a uma única localidade nos EUA).
Outras gemas que não ocorrem no Brasil ou sua produção é aqui escassa e irregular e que, certamente, deveriam constar de uma relação com os 20 ou 30 tipos mais valiosos, são a tanzanita, as safiras de diversas cores (rosas, alaranjadas, roxas, amarelas e com mudança de cor), os espinélios de diversas cores (vermelhos, azuis, rosas) e algumas espécies de granadas de características ou procedências específicas, tais como a Malaya (nome comercial da combinação de piropo-espessartita, de cor laranja), a Kashmirina (designação comercial da espessartita laranja, proveniente do Paquistão) e a Mandarim (nome comercial da espessartita laranja, oriunda da Namíbia).
Muitos leitores poderão, com razão, estranhar a ausência da pérola, que deveria, sem dúvida, constar de qualquer hierarquia de gemas mais valiosas que se proponha séria. No entanto, ela não foi incluída por ser extremamente difícil situá-la no ranking, tendo em vista sua diversidade de tipos e cotações, além de tratar-se de uma gema de origem orgânica, quando todas as demais constantes da relação acima possuem origem mineral.
Como as variações de qualidade e preço das gemas, sobretudo das antes conhecidas como preciosas (diamante, rubi, safira e esmeralda) são extremamente amplas, o fato de que um determinado tipo esteja situado em uma posição hierarquicamente superior não significa, evidentemente, que todos os espécimes deste referido tipo devam ser necessariamente mais valiosos que os de um tipo situado em uma posição hierarquicamente inferior.
Muitas vezes, é uma tarefa extremamente difícil tentar situar adequadamente na hierarquia determinados tipos de gemas, como são os casos, por exemplo, do rubi e da alexandrita. Enquanto a pesquisa direta e as cotações existentes em publicações referenciais de preços indiquem que os melhores exemplares de rubi usualmente apresentam valores um pouco superiores ao melhores de alexandrita, os preços médios praticados para mercadorias de qualidade comercial (cotações média e boa) são superiores no caso da alexandrita, motivo pelo qual melhor a situamos no ranking.
A mesma dificuldade ocorre entre a safira azul e a esmeralda que, historicamente, apresentam cotações muito próximas, de modo que, ressalvamos, não devem ter suas posições relativas na hierarquia tomadas com absoluta rigidez. Nos últimos anos, a presença no mercado de grandes quantidades de safiras azuis e esmeraldas tratadas por métodos de difícil detecção tem tido maior influência sobre as cotações destas gemas do que propriamente o aumento ou a diminuição de sua oferta.

Pedras preciosas são a atração de Ametista do Sul, seja na superfície ou no subterrâneo

Pedras preciosas são a atração de Ametista do Sul, seja na superfície ou no subterrâneo

Entre os passeios pela cidade do norte gaúcho estão uma igreja coberta por pedras, uma adega subterrânea e muitas minas, ativas e inativas

Pedras preciosas são a atração de Ametista do Sul, seja na superfície ou no subterrâneo Marielise Ferreira/Agencia RBS
Ametista Parque MuseuFoto: Marielise Ferreira / Agencia RBS 
Conhecida pelas pedras preciosas, Ametista do Sul, na região norte do Estado, tem um roteiro que pode surpreender os visitantes: boa parte é feita de baixo da terra.
Nosso passeio começou no Garimpo Dutra — ativo há 39 anos e localizado a menos de dois quilômetros do Centro, na companhia de um grupo de estudantes e de um guia. A entrada custa de R$ 8 a R$ 10. Os túneis — com cerca de dois metros de altura, às vezes estreitos e com pouca luz — assustam um pouco, mas logo a gente se acostuma e curte as belezas que vão surgindo.
Com pouco mais de 8 mil habitantes, a cidade tem cerca de 200 minas semelhantes, de onde se extrai a ametista e outras pedras, como a ágata e o cristal branco.
— Foi bem legal ver o trabalho do garimpeiro e as ametistas que foram encontradas. Só dá um pouco de medo quando se entra, porque é tudo escuro — diz a estudante Bruna Gotardo.
Os visitantes têm, inclusive, a chance de dar o comando para uma detonação.
— Deu medo, ainda estou tremendo um pouco, mas foi diferente — relata a estudante Luize Richetti, que encarou a experiência naquele dia.
Nossa segunda parada foi na vinícola Ametista. A fachada é como de qualquer outra, mas ela tem uma peculiaridade: fica sobre uma mina inativa, hoje utilizada para armazenar as bebidas. O ambiente escuro e o clima mais frio são perfeitos para a maturação dos vinhos. O passeio com degustação custa R$ 7.
Mina inativa que serve de adegaFoto: Vinícola Ametista / Divulgação
A cidade também tem o Ametista Parque Museu, que conta com 1,5 mil pedras (ingresso a R$ 10) e mais um garimpo. Quem não quiser conhecer o lugar caminhando pode fazer o passeio em um carrinho. Ele balança bastante, passa por uns trechos complicados, mas é bem legal.
Ametista do Sul ainda proporciona aos turistas lugares místicos e religiosos. Quem entra na Paróquia São Gabriel se deslumbra com o que vê. A igreja é muito bonita, com detalhes que impressionam. A construção levou 40 toneladas de pedra ametista. Elas estão pelas paredes, que foram todas revestidas, e em peças como uma pia de batismo.
— É a única igreja no mundo revestida de pedras preciosas. Além das paredes, a gente percebe que todos os detalhes foram pensados usando as pedras. A mesa do altar, por exemplo, é uma pedra de 936 quilos; o sacrário, um geodo em formato de coração; e o padroeiro tem o contorno de pedras — enumera o padre Gilberto Gioacomoni.
Paróquia São Gabriel e suas paredes revestidas de pedrasFoto: Marielise Ferreira / Agencia RBS
Em frente à igreja, na praça central da cidade, há um espaço esotérico: aPirâmide de Energização, construída em 1998 por iniciativa de um grupo de turistas. Para quem acredita, é um local de meditação e renovação de energia.
— A pirâmide simboliza a ligação do céu com a terra. Seus quatro ângulos representam a inteligência, a verdade, o silêncio e a bondade. Também representa os quatro pontos cardeais. Eles uniram o poder da pirâmide com o poder da pedra — explica a guia Gisele Rojhan.
Como ir
Para chegar à cidade a partir de Porto Alegre, são 439 quilômetros e quase seis horas de estrada. Depois da BR-448, é preciso pegar a BR-386 até Seberi, de onde se roda mais 40 quilômetros pela RS-587.
O roteiro pode ser feito em um só dia. Para quem quiser dormir por lá, há dois hotéis com diárias a partir de R$ 45.