sábado, 4 de fevereiro de 2017

Começa corrida por mineração no fundo do mar

Começa corrida por mineração no fundo do mar


Começa corrida por mineração no fundo do mar
Os primeiros navios mineradores já estão prontos para começar a trabalhar.[Imagem: TSMarine Australia]
As perspectivas de uma "corrida do ouro" nas profundezas do mar, abrindo um polêmico caminho para a mineração no leito oceânico, estão mais próximas.
A ONU acaba de publicar seu primeiro plano para o gerenciamento da extração dos chamados "nódulos" - pequenas rochas ricas em minerais - do fundo do mar.
Um estudo técnico promovido pela Autoridade Internacional do Leito Oceânico (ISA, na sigla em inglês), o órgão da ONU que controla a mineração nos oceanos, diz que as companhias interessadas podem pedir licenças a partir de 2016.
A ideia de explorar ouro, cobre, manganês, cobalto e outros metais do leito oceânico foi considerada por décadas, mas só recentemente se tornou factível, por conta do alto preço dos minerais e metais e de tecnologias mais modernas de exploração.
De acordo com a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, a ISA foi estabelecida para estimular e administrar a mineração do fundo do mar para o benefício mais amplo da humanidade - com uma parcela dos lucros dirigida para os países em desenvolvimento.
Agora o órgão está dando o passo significativo de não só mais simplesmente manejar pedidos para exploração mineral, mas também considerar como licenciar as primeiras operações reais de mineração e como dividir as receitas.
"Estamos à beira de uma nova era de mineração do leito marinho profundo", disse o conselheiro legal do ISA, Michael Lodge.
Minerais no fundo do mar
Especialistas em proteção ambiental vêm advertindo há tempos que a mineração no leito oceânico pode ser altamente destrutiva e poderia ter consequências de longo prazo desastrosas para a vida marinha.
O próprio estudo da ONU reconhece que a mineração provocará "danos ambientais inevitáveis".
Mas o relatório foi divulgado em meio ao que um porta-voz do órgão descreve como "um aumento sem precedentes" no interesse das companhias estatais e privadas.
O número de licenças emitidas para a busca de minerais já chega a 17, com outras sete prestes a serem emitidas e muitas mais em análise. Elas cobrem vastas áreas dos Oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.
A atração é óbvia. Uma análise do leste do Pacífico - uma área de 5 milhões de quilômetros quadrados conhecida como zona Clarion-Clipperton - concluiu que mais de 27 bilhões de toneladas de nódulos poderiam estar misturadas à areia.
Essas pedras poderiam conter 7 bilhões de toneladas de manganês, 340 milhões de toneladas de níquel, 290 milhões de toneladas de cobre e 78 milhões de toneladas de cobalto - apesar de ainda não se saber o quanto disso é acessível.
No mês passado, geólogos japoneses encontraram o que afirmam ser um tesouro de terras raras no oceano, mas dentro do mar territorial do país, fora do alcance da ISA.
Começa corrida por mineração no fundo do mar
O grande desafio da mineração marinha será combinar interesses privados com recursos que devem ser compartilhados por toda a humanidade. [Imagem: Nautilus Minerals]
Mineração marinha e meio ambiente
As perspectivas da mineração no fundo do mar já geraram um forte debate entre cientistas marinhos.
"Não creio que nós tenhamos a propriedade sobre o oceano profundo, no sentido de que possamos fazer o que quisermos com ele", afirma Jon Copley, biólogo da Universidade de Southampton e chefe de missão do navio de pesquisas britânico James Cook.
"Em vez disso, nós dividimos a responsabilidade por sua condução", diz. "Nós não temos um histórico bom em alcançar um balanço em nenhum outro lugar - pense nas florestas tropicais -, então a questão é: 'Será que conseguiríamos acertar?", questiona.
O também biólogo Paul Tyler, do Centro Nacional Oceanográfico, da Grã-Bretanha, adverte de que espécies únicas podem ser colocadas em risco.
"Se você limpa aquela área pela mineração, aqueles animais terão que fazer uma dessas duas coisas: ou se dispersam e colonizam outra fissura hidrotermal em outro lugar ou eles morrem", comenta. "E o que acontece quando elas morrem é que a fissura se torna biologicamente extinta."
A química marinha Rachel Mills, da Universidade de Southampton, sugere um debate mais amplo sobre a mineração em geral, com o argumento de que todos nós usamos minerais e que as minas em terra são muito maiores do que seria qualquer uma no leito do mar.
Ela fez pesquisas para a Nautilus Minerals, uma empresa canadense que planeja explorar minas nas fissuras hidrotermais na costa da Papua Nova Guiné.
"Tudo o que nos cerca, e a maneira como vivemos, depende de fontes minerais, mas não nos perguntamos com frequência de onde eles veem." "Precisamos nos perguntar se há mineração sustentável em terra e se há mineração sustentável no mar. Acho que são as mesmas questões morais que devemos colocar se é nos Andes ou no Mar de Bismarck", diz.

Esse debate deve crescer mais com a proximidade cada vez maior do início das operações de mineração.

Mineral mais abundante da Terra é finalmente batizado

Mineral mais abundante da Terra é finalmente batizado


Mineral mais comum da Terra é finalmente batizado
A amostra de bridgmanita foi encontrada em um meteorito chamado Tenham, que caiu na Austrália em 1879. [Imagem: Oliver Tschauner et al. - 10.1126/science.1259369]

Aquele que é presumidamente o mineral mais abundante da Terra pode finalmente ser batizado.
Bridgmanita
O nome é bridgmanita, em homenagem a Percy Bridgman, um físico norte-americano considerado o pai dos experimentos de alta pressão, que permitem sintetizar diamantes e outros minerais que não ocorrem naturalmente.
Para dar nome a um novo mineral, a Associação Mineralógica Internacional exige algo bastante óbvio: uma amostra do mineral, que possa comprovar que ele realmente existe.
Ocorre que a agora reconhecida bridgmanita é um mineral que se acredita compor o manto terrestre, uma camada viscosa entre a crosta e o núcleo do planeta. Assim, devido às altas pressões e temperaturas do seu "habitat natural", o mineral, só previsto teoricamente, deve ser extremamente raro na superfície - se é que ele existe aqui - e todas as tentativas de encontrar uma amostra natural tinham dado em nada até agora.
Amostra espacial
Oliver Tschauner e seus colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia conseguiram finalmente uma amostra que foi considerada natural, mas que não veio do manto - afinal, o buraco mais fundo já feito na Terra mal cutucou a crosta, de forma que não há previsão de quando será possível capturar uma amostra do manto.
A amostra de bridgmanita foi encontrada em um meteorito chamado Tenham, que caiu na Austrália em 1879.
Durante sua entrada na atmosfera terrestre, o meteorito ficou sujeito a temperaturas de 2000° C e pressões de 24 gigapascals, o suficiente para reproduzir as condições nas profundezas da Terra e permitir a formação da bridgmanita.
Mineral mais abundante da Terra
Como o manto tem quase 3.000 km de espessura e representa 38% do volume da Terra, a bridgmanita tornou-se o mineral mais comum em nosso planeta - ainda que a única amostra dele que temos tenha vindo do espaço.

Os pesquisadores agora querem a estudar as pequenas amostras de bridgmanita ao extremo, para ver quais elementos podem se imiscuir em sua estrutura atômica - conhecida como perovskita - e assim ter mais informações sobre a composição e o comportamento do manto terrestre.

Precisamos proteger os polinizadores para salvar a agricultura

Precisamos proteger os polinizadores para salvar a agricultura


Precisamos proteger os polinizadores para salvar a agricultura
As abelhas (Xylocopa sp.) são essenciais em grande parte das culturas agrícolas - mas elas não contam com nenhuma proteção, por exemplo contra os agrotóxicos.[Imagem: Dino Martins]
Polinizadores
A tecnologia não tem solução para tudo: na verdade, algumas vezes, pode ser necessário dosar a utilização da tecnologia em benefício do próprio homem.
Nesse momento, se esta ferramenta não for utilizada, corremos o risco de perder todos os avanços obtidos nas técnicas agrícolas, que permitiram a ampliação revolucionária da produção no último século e que permitem alimentar (ao menos a maioria) os mais de sete bilhões de habitantes do planeta.
E o que precisa ser feito é garantir o futuro dos insetos polinizadores, como abelhas, moscas e vespas.
Eles estão diminuindo a um ritmo preocupante. E, ao que parece, sobretudo pela ação humana.
Serviços de polinização
Os governos contam com vários meios de ação, entre eles regulamentar e controlar o uso de pesticidas, fomentar a diversificação dos sistemas de agricultura e criar sistemas de monitoramento de longo prazo. Infelizmente, os sinais de que as autoridades estejam de fato fazendo isto ainda são escassos.
Então talvez seja preciso dar mais opções aos governantes.
Em um artigo publicado na revista Science, uma equipe de pesquisadores sugeriu dez maneiras claras pelas quais os governos podem proteger e garantir os "serviços" de polinização vitais para a produção de grãos, frutas, legumes e óleos. No artigo, eles listam confirmações de declínios em grande escala nos polinizadores selvagens em curso no norte da Europa e na América do Norte.
Prioridade: gestão dos agrotóxicos
"Exortamos os governos a analisar nossas propostas políticas e a considerar se eles podem fazer estas mudanças para apoiar e proteger os polinizadores, como parte de um futuro sustentável e saudável para a humanidade.
Precisamos proteger os polinizadores para salvar a agricultura
Uma das propostas é que os agricultores tirem proveito dos "serviços" naturais - das abelhas, por exemplo -, em vez de usar agroquímicos. [Imagem: Dino Martins/Catalina Angel]
"A agricultura desempenha um papel gigantesco. E, embora seja parcialmente responsável pelo declínio dos polinizadores, também pode ser parte da solução. Práticas que amparem os polinizadores, como a gestão dos ambientes para fornecer alimento e abrigo para eles, devem ser fomentadas e apoiadas. Nós também precisamos dar atenção ao financiamento público de pesquisas para melhorar a produtividade de sistemas agrícolas como a agricultura orgânica, que sabidamente ampara os polinizadores.
"A pressão para aumentar os padrões regulatórios internacionais dos pesticidas deve uma prioridade. A Organização Mundial de Saúde e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura têm trabalhado há muitos anos para desenvolver um código de conduta global sobre a gestão de pesticidas, mas ainda há muitos países que não segue esse código. Isto significa que pesticidas inaceitavelmente tóxicos para as abelhas, aves, até mesmo para os humanos, estão em uso generalizado," resumiu Lynn Dicks, da Universidade de East Anglia e um dos autores do artigo.
Como salvar os polinizadores e a agricultura
As dez políticas sugeridas para proteger os polinizadores, a produção de alimentos e, em última instância, os humanos, são:
  1. Tornar mais rigorosos os padrões regulatórios dos pesticidas.
  2. Promover o manejo integrado de pragas.
  3. Incluir efeitos indiretos e subletais nas avaliações de risco das culturas geneticamente modificadas.
  4. Regulamentar o movimento de polinizadores sob controle humano.
  5. Desenvolver incentivos, como esquemas de seguro, para ajudar os agricultores a tirar proveito dos serviços dos ecossistemas, em vez dos agroquímicos.
  6. Reconhecer a polinização como um insumo agrícola nos serviços de extensão.
  7. Apoiar sistemas agrícolas diversificados.
  8. Conservar e restaurar infraestruturas verdes (uma rede de habitats entre os quais os polinizadores possam se mover) em ambientes agrícolas e urbanos.
  9. Desenvolver o monitoramento a longo prazo dos polinizadores e da polinização.
  10. Financiar pesquisas participativas para melhorar os rendimentos em agricultura orgânica, diversificada e ecologicamente intensificada.

"O mundo está acordando para a importância de proteger esses polinizadores vitais. Esperamos que, indo um passo além e implementando essas oportunidades políticas prioritárias, podemos encorajar os tomadores de decisão a agir antes que seja tarde demais. Três quartos das culturas alimentares do mundo se beneficiam da polinização animal, por isso devemos proteger os polinizadores para salvaguardar o fornecimento de alimentos," finalizou Simon Potts, da Universidade de Reading, coautor do alerta.

Mineração verde e sustentável ruma para profundezas da Terra

Mineração verde e sustentável ruma para profundezas da Terra

Mineração verde e sustentável terá que ir para a profundezas da Terra
O projeto já desenvolveu vários protótipos para a "mineração profunda do futuro" e estabeleceu objetivos para áreas que ainda dependem de inovações. [Imagem: Agnico Eagle/I²MINE/Divulgação]

Embora existam minas de ouro que já estão retirando minérios de até 4 km de profundidade, a larga maioria das minas do mundo está na superfície ou logo abaixo dela. E mesmo as subterrâneas descem devagar, escavando a uma média de 100 metros adicionais por década.
Mineração profunda
Especialistas reunidos no projeto I²MINE, financiado pela União Europeia, acreditam que é preciso levar a mineração para muito mais fundo, para profundidades superiores a 1.500 metros em média.
Esta conclusão resulta de uma abordagem integrada visando o atendimento às demandas de minerais e à necessidade de tornar a mineração mais verde, melhorando simultaneamente a competitividade econômica e a sustentabilidade.
Exploração seletiva
A "mineração profunda do futuro" vislumbrada pela equipe exigirá várias inovações, o que a transforma tanto em um desafio como em uma oportunidade para desenvolver novas tecnologias e novos processos.
A ideia dos especialistas é diminuir ao máximo a mineração de superfície, geralmente associada com fortes impactos ambientais, e torná-la "invisível, segura e com impacto zero, o que exigirá profundidades superiores a 1.500 metros".
Um foco essencial do projeto está na "exploração seletiva inteligente", que exigirá o desenvolvimento de novas técnicas de sensores para o reconhecimento e detecção dos minérios, dos limites entre as camadas de minérios e rejeitos e da classificação dos minérios por teor de metal contido.
Outra área de inovação está no campo da extração propriamente dita. "Nós desenvolvemos uma nova cabeça de corte para o corte contínuo de rocha dura com resistência compressiva de mais de 250 MPa. Este novo equipamento permite a operação contínua onde hoje apenas a perfuração e a detonação seriam viáveis," disse o Dr. Horst Hejny, da Universidade Técnica de Lulea, na Alemanha, que coordenou o projeto.
Robôs e trabalhadores
Outro componente do projeto está na maximização do uso de máquinas autônomas, utilizando sistemas de transporte subterrâneos anticolisão e capazes de encontrar o caminho entre a frente de lavra e os moinhos.
No entanto, os especialistas concluíram que isto não será possível em todas as operações, de forma que será necessário investir em mecanismos para garantir a segurança dos trabalhadores em grandes profundidades.

Outro protótipo que resultou do projeto é um robô de pulverização capaz de aplicar forros de concreto nos túneis das minas, resultando em maior segurança e eficiência. "Estes dispositivos são um passo à frente no sentido tanto da automação, quanto da autonomia na mineração,' disse o Dr. Heyny.

Nanotorre de Babel é quase tão forte quanto diamante

Nanotorre de Babel é quase tão forte quanto diamante


Nanotorre de Babel é quase tão forte quanto diamante
A nanoestrutura em treliça poderá ter usos práticos em eletrodos para baterias, filtros e componentes ópticos. [Imagem: J. Bauer / KIT]

Esta não é apenas a menor estrutura em treliça já construída pelo homem; é também a mais forte.
Metamaterial mecânico
Com colunas e suportes feitos de carbono vítreo, a nanotorre mede 1 micrômetro de altura - um milésimo de milímetro - e tem 200 nanômetros de diâmetro - 200 milionésimos de milímetro.
E ela é extremamente forte, alcançando uma relação entre força e densidade inéditas.
"De acordo com os testes, a capacidade de suporte de carga da estrutura é muito próxima do limite teórico e muito acima do carbono vítreo não-estruturado. O diamante é o único sólido que possui uma estabilidade específica mais elevada," disse o professor Oliver Kraft, do Instituto de Tecnologia Karlsruher, na Alemanha.
Além de permitir o aprimoramento das técnicas de nanoconstrução, muito úteis no desenvolvimento de metamateriais, a nanoestrutura em treliça poderá ter usos práticos em eletrodos para baterias, filtros e componentes ópticos, entre inúmeras outras aplicações.

"Materiais estruturais leves, como os ossos e a madeira, são encontrados por todo lado na natureza. Eles têm uma capacidade de carga elevada e pouco peso, servindo portanto de modelo para metamateriais mecânicos para aplicações técnicas," disse Jens Bauer, responsável pela construção da nanotorre de Babel.