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BM&FBovespa pediu ao Cade extensão do prazo para análise da fusão. Havia uma expectativa de que a aprovação pudesse ocorrer já no próximo dia 22
Por Estadão Conteúdo
access_time11 fev 2017,
Pregão da Bovespa: análise estava em vias de completar os 240 dias legais (Germano Luders/EXAME.com)
Por Fernanda Guimarães
São Paulo – A BM&FBovespa pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a dilação do prazo da análise do ato de concentração da fusão com a Cetip, por mais 60 dias. A análise estava em vias de completar os 240 dias legais e havia uma expectativa de que a aprovação do regulador pudesse ocorrer já no próximo dia 22. O prazo de análise no Cade pode levar no máximo, considerando as extensões, até 330 dias. Com o pedido, a aprovação do regulador para a integração das companhias poderá ficar para o fim de abril, um ano depois do anúncio da fusão pelas empresas.
Em fato relevante conjunto, Cetip e BM&FBovespa afirmam que esse pedido junto ao Cade foi necessário para que as informações adicionais possam ser apresentadas, “inclusive com vistas ao prosseguimento da negociação de proposta de acordo em controle de concentração”.
Entre os possíveis remédios a serem adotados pelo Cade podem estar exigências ligadas à governança, à transparência de procedimentos e preços e à obrigatoriedade de prestar serviço de clearing para outras plataformas, o último já dado como certo. Nesse fórum, que trataria sobre a abertura da câmara para eventuais interessados em ter esse serviço, os detalhes e regras devem ficar mais nas mãos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Além do Cade,a autarquia também deve aprovar a operação.
No parecer da Superintendência-Geral do Cade, divulgada no fim de novembro do ano passado, o documento apontou preocupação com em relação a problemas de concorrência e indicou a adoção dos remédios, mas afirmou, ao mesmo tempo, que a fusão traria ganhos de eficiência, que poderiam ser compartilhados com o mercado.
Sobre a prestação de serviços a terceiros, incluindo os da clearing, a Bolsa já teria entregue proposta comercial para a ATS, empresa que até o momento é a única a ter interesse em oferecer o serviço de bolsa de valores no Brasil e que está, inclusive, como parte interessada no processo do Cade.
Se antecipando a questão dos preços, a Bolsa alterou recentemente seu estatuto e criou o comitê de produtos e precificação, exatamente para discutir previamente mudanças nos preços cobrados ao mercado. A intenção é mitigar o risco de prática de preços abusivos e evitar, dessa forma, um desconforto por parte do mercado. O novo documento da Bolsa, que precisa da chancela da CVM, traz ainda um item pensado para garantir também a continuidade no desenvolvimento de produtos e inovação, para não haver qualquer tipo de “acomodação”.
Controle da usina de Belo Monte é colocado à venda por R$ 10 bi
Operação também contará com um banco internacional para tocar as negociações de venda da terceira maior hidrelétrica do mundo
Por Estadão Conteúdo
access_time10 fev 2017, 10h09 -
Belo Monte: empreendimento está envolvido na Lava Jato, que investiga pagamento de propina por parte do consórcio construtor da hidrelétrica (Divulgação / Governo)
A Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, está à venda. Segundo informações obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, as empresas que compõem o bloco de controle da Norte Energia, concessionária que administra a usina, já contrataram o Bradesco BBI para buscar potenciais investidores no Brasil e no exterior.
A operação também contará com um banco internacional para tocar as negociações de venda da terceira maior hidrelétrica do mundo, atrás apenas da chinesa Three Gorges e de Itaipu Binacional.
O que está à venda é a parte das empresas Neoenergia, Cemig, Light, Vale, Sinobras, J. Malucelli e dos fundos de pensão Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa).
A participação dessas companhias na Norte Energia é de 50,02%. O valor patrimonial de Belo Monte é estimado em R$ 10 bilhões. O projeto, que só será concluído em 2019, ainda exigirá investimentos de, pelo menos, R$ 5 bilhões.Saiba mais: Custo da usina de Belo Monte já supera os R$ 30 bilhões.
Quando concluída, a hidrelétrica, de 11.233 megawatts (MW) de energia, terá consumido mais de R$ 31 bilhões – o empreendimento começou orçado em R$ 18 bilhões.
Segundo fontes próximas à empresa, para ficar com a usina, os compradores terão de assumir o financiamento concedido ao projeto de cerca de R$ 22 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A hidrelétrica ainda pleiteia mais R$ 2 bilhões do banco estatal para concluir as obras.
Por ora, a participação do Grupo Eletrobrás, de 49,98%, não está à venda. Mas, como a estatal tem o direito de “tag along” (mecanismo que permite ao minoritário vender suas ações pelo preço pago ao controlador), o grupo também poderia vender sua fatia na hidrelétrica, diz uma fonte do setor, caso o valor seja satisfatório.
Chinesas. Antes mesmo da contratação do banco que vai liderar a negociação, algumas chinesas – que são consideradas “candidatas” a qualquer processo de fusão e aquisição no País – já vinham sondando o empreendimento. State Grid e China Three Gorges – que estão há mais tempo no Brasil e abocanharam importantes ativos no setor de energia, como Cesp, CPFL e Duke Energy – já começaram a avaliar a usina. A State Grid, por exemplo, está construindo o linhão que vai distribuir a energia de Belo Monte.
Mas fontes ligadas ao negócio afirmam que, por ser um megaempreendimento, a venda deverá ocorrer para um consórcio. A expectativa é que as negociações sejam acirradas.
O empreendimento está envolvido na Lava Jato, que investiga pagamento de propina por parte do consórcio construtor de Belo Monte, formado por Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS e outras cinco empreiteiras menores.
“Há uma enorme preocupação por parte dos investidores que têm negociado ativos de empresas envolvidas na Lava Jato de que o escândalo acabe respingando nos futuros controladores. Se o valor da multa já está estipulado, coloca-se no preço.
Caso contrário, a incerteza é grande”, diz um advogado, que prefere não se identificar. Outro entrave é o modelo financeiro adotado em Belo Monte. Analistas que acompanham o projeto afirmam que o retorno do investimento caiu pela metade nos últimos anos por causa das paralisações e multas aplicadas por atraso nas obras.
Procurados pela reportagem, a Norte Energia e Bradesco não comentaram o assunto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Ler 200 livros por ano é mais fácil do que você imagina
Você precisaria de 417 horas em 12 meses para realizar a façanha. Parece muito?
access_time11 fev 2017, 06h0
Pilha de livros (AnikaSalsera/Thinkstock)
São Paulo — Sim, você seria capaz de ler 200 livros por ano. Pelo menos se empregasse o tempo anual que gasta com redes sociais virando as páginas de um bom texto.
Quem garante é o escritor norte-americano Charles Chu, que experimentou (e comprovou) a própria tese em 2015, quando lançou a si mesmo o desafio de ler pelo menos 3 obras por semana.
Tudo começou quando ele descobriu que seu ídolo, o megainvestidor Warren Buffett, atribuía o próprio sucesso à intensidade da sua relação com os livros.
“Leia 500 páginas por dia”, disse o bilionário, segundo o USA Today. “É assim que o conhecimento funciona, é construído (…) Qualquer um é capaz de ler 500 páginas por dia, embora a minoria realmente faça isso” .
Na época, Chu estava no seu “emprego dos sonhos” e era visto como um grande vencedor por seus amigos e familiares, mas sentia um vazio inexplicável e estava cheio de dúvidas quanto às próprias escolhas.
Ele decidiu então seguir o conselho de Buffett e investir, com força, nos livros.
Deu certo: ele não conseguiu manter a média de 500 páginas por dia, mas ao final de dois anos já tinha começado (e terminado) mais de 400 títulos.
“A decisão de começar a começar a ler foi uma das mais importantes da minha vida”, conta Chu no site “Better Humans”. “Os livros me deram coragem para viajar e pedir demissão do meu emprego e me deram referências, heróis e um mundo com significado”.
Para provar que a façanha de ler 200 livros por ano não é tão difícil quanto parece, ele propõe um cálculo simples, com base em apenas dois dados numéricos.
O primeiro é que, em média, um norte-americano lê de 200 a 400 palavras por minuto. O segundo é que um livro de não-ficção tem em média 50 mil palavras.
Em 200 livros, portanto, há 10 milhões de palavras. Se o seu ritmo for de 400 palavras por minuto, isso significa que a leitura das duas centenas de obras consumirá 25 mil minutos ou 417 horas.
Se você leva um susto ao ouvir “417 horas”, diz Chu, vale fazer algumas comparações para dar a dimensão de quanto tempo isso significa ao longo de 12 meses. Em média, um norte-americano passa 608 horas por ano nas redes sociais. O tempo de televisão é ainda maior: 1.642 horas anuais.
“Nós temos todo o tempo de que precisamos (…) mas somos muito fracos e distraídos para fazer aquilo que é importante”, diz o escritor. “Bastaria você usar melhor o tempo que gasta acompanhando celebridades no Twitter”.
Outro número surpreendente: se você conseguir ler durante pouco mais de uma hora em todos os 365 dias do ano, a façanha de completar 200 títulos estará realizada.
O problema é colocar essa constatação teórica em prática, até porque a construção de um novo hábito não depende apenas de força de vontade.
Segundo Chu, o primeiro passo é criar um ambiente favorável à leitura. “Se você quisesse parar de usar cocaína, deixaria o pó disponível pela casa? É claro que não”, escreve ele. Tenha um espaço livre de distrações tecnológicas. Silêncio e conforto também são fundamentais.
Isso não significa, porém, que você deva ler apenas em condições perfeitas. Muito pelo contrário: o ideal é que você se torne um leitor versátil e flexível, capaz de se adaptar a diversos formatos e ambientes de leitura.
“Se o seu objetivo é ler mais, não seja muito exigente”, diz Chu. “Eu leio no papel, no smartphone, em formato audiobook, e faço essas coisas em qualquer lugar, como parques ou ônibus, onde quer que surja a oportunidade”.
Colorado, nos EUA, vende mais de US$ 1 bilhão em maconha em 2016
Estado arrecadou US$ 200 milhões em impostos com o setor no ano passado
Dados do estado americano do Colorado, divulgados nesta sexta-feira (10/02), indicam que produtores de maconha venderam US$ 1,3 bilhão da erva, para usos medicinais e recreativos, em 2016. Deste valor, o Colorado arrecadou US$ 200 milhões em receitas fiscais no período.
— O Colorado tem tido um desempenho muito bom, sendo o primeiro motor — afirmou Miles Light, economista do Grupo de Políticas para Maconha, ao “Denver Post. O grupo de trabalho fornece serviços de consultoria econômica para os mercados legalizados de cannabis. — Agora, à medida que outros estados legalizam, alguns desses benefícios externos que estão acontecendo vão ser corroídos.O jornal “The Denver Post” informou que o Departamento de Receitas do Colorado divulgou dados fiscais que mostram que foi o terceiro ano seguido de crescimento desde que o estado legalizou a venda de maconha para uso recreativo.
Segundo os dados de 2016, a maconha recrativa respondeu por US$ 875 milhões das vendas totais, enquanto a finalidade medicinal vendeu US$ 438 milhões de erva.
Em 2016, o padrão mensal de receita se estabeleceu em US$ 100 milhões: no período, oito de 12 meses alcançaram o patamar. As vendas combinadas para julho, agosto e setembro, somaram US$ 376,6 milhões. Em dezembro, que é um mês normalmente forte para o setor, afirma o jornal americano, as vendas de lojas de maconha foram um pouco superiores ao nível base: US$ 114,7 milhões, 13% maior do que os US$ 101,3 milhões em dezembro de 2015.
O imposto sobre a maconha ajuda a financiar projetos de construção de escolas e também é destinado a outras áreas, como saúde pública.
Especialista em longevidade, Jan Vijg diz que o importante hoje é fazer com que as pessoas possam envelhecer com qualidade até lá
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Que as“viver para sempre” é algo compreensível, masJan Vijg acredita que, pelo menos durante algum tempo, esse sonho só vai chegar para alguns afortunados no planeta. E, mesmo assim, somente até os 115 aos.
Por que 115 anos? “Essa é a idade limite que surgiu como conclusão de nossos estudos”, diz o especialista em genética molecular do Departamento de Genética do Albert Einstein College of Medicine, escola de medicina privada em Nova York, nos Estados Unidos. Ao cruzar dados de diversos países, os pesquisadores chefiados por Vijg perceberam que havia um limite para as pessoas bastante idosas, os chamados supercentenários, e que esse era de 115 anos. “Nossa pesquisa sugere que há um limite para a duração da vida humana”.
O estudo indica, ainda, que após os 100 anos, os centenários entram em rápido declínio e, por isso, tão poucos são capazes de se aproximar dessa idade-limite de 115 anos. Para Vijg, enquanto os cientistas não determinam qual é o mecanismo que poderia estender a expectativa de vida — se é que isso é possível — nós deveríamos nos concentrar em “viver melhor e com saúde”. “Queremos que mais pessoas possam viver melhor, com saúde, até atingir esse teto”, afirma. “Ou até que possamos encontrar o mecanismo que permite viver mais”.Esse limite de 115 anos é um salto enorme comparado à expectativa de vida em 1900, por exemplo. Nos Estados Unidos, a expectativa média ficava em 47 anos, enquanto hoje uma criança nascida em território americano chega em média aos 79 anos. Entre os países, o Japão carrega a “taça” da longevidade, com uma expectativa média de 83 anos para alguém nascido hoje.
Seu estudo aponta que o limite de vida dos seres humanos estaria em 115 anos. Mas, enquanto estamos conversando, dezenas de companhias gastam bilhões de dólares em pesquisa para aumentar a expectativa de vida humana. O sr. diria que é um dinheiro mal gasto, já que sua pesquisa aponta que chegamos ao limite? Evidentemente, é preciso continuar pesquisando, mas o que percebemos até agora é que não há como ultrapassar essa barreira de 115 anos. Nos últimos 25 anos, embora tenhamos registrado um significativo avanço em tratamentos para muitas doenças, não tivemos um aumento nessa idade máxima. Isso nos mostra que ainda não fomos capazes de encontrar algo que nos faça viver mais tempo. A boa notícia é que há mais tratamentos disponíveis para muitas enfermidades, portanto, um número muito maior de pessoas é capaz hoje de se aproximar dessa idade máxima.
Quais são os principais fatores que garantem a um ser humano chegar perto desse teto? Há alguns elementos em comum, mas ainda não é possível associar um só perfil aos que vivem mais tempo. Seja por uma questão genética, uma mistura de sorte e uma vida saudável, um pequeno número de pessoas chega próximo a esse limite de 115 anos. Isso é o que os dados nos mostram. Se você pensar que houve um momento na história em que a idade média das pessoas girava em torno dos 25 anos, porque muitas crianças morriam ainda na infância de várias doenças, de fome ou de frio, tivemos um enorme avanço. A expectativa de vida chega a quase 80 anos em grande parte dos países desenvolvidos. Um número imenso de pessoas está vivendo mais e melhor. Se encontrarmos o mecanismo que limita nosso tempo de vida, aí teremos as ferramentas que permitirão quebrar essa barreira — e, por consequência, teremos seres humanos que possam desafiar o limite da idade. O problema é que hoje não sabemos qual é esse mecanismo.
Em seu estudo, qual foi a descoberta mais surpreendente? Foi o fato de que nós temos um “teto” de sobrevivência? Quando iniciamos o estudo, havia uma suposição de que nós, seres humanos, temos um limite de vida. Quando publicamos nossas conclusões, muita gente não conseguia acreditar nos dados apresentados e houve muita repercussão. Eu mesmo fiquei muito surpreso. Alguns pesquisadores apontaram que mesmo com cobaias criadas em laboratório, em um ambiente limpo e controlado, os ratos ainda assim sentiam os efeitos do envelhecimento e chegavam aos três anos e morriam. E esse é o limite para os ratos. No caso dos seres humanos, como vimos na nossa pesquisa, é de 115 anos. Podemos afirmar isso agora com acuidade, porque com 7 bilhões de seres humanos no mundo, há uma boa quantidade que vive em condições confortáveis, com boa comida, acesso a tratamento médico e ainda assim temos um número muito pequeno de pessoas que chegam perto dos 115 anos.
Os próprios avanços da ciência permitiram a muita gente estender sua expectativa de vida. Isso é um passo no processo da busca pela longevidade? Muitos cientistas acreditam que, ao desenvolvermos melhores remédios, tratamentos, ferramentas e pesquisas, seremos capazes de manter as pessoas vivas por mais tempo, gradativamente aumentando a longevidade até quebrar esse limite. Eu não acredito nisso. Pessoalmente, creio que o processo de envelhecimento afeta a todos nós. Alguns vão morrer ao chegar aos 75 anos, outros chegarão aos 80, 90 anos, alguns poucos, por uma questão de genes e outros elementos, poderiam chegar até os 115 anos — mas não além disso. O número de pessoas que chega próximo a esse teto é muito pequeno. Para mim, é importante perceber que hoje conseguimos manter as pessoas vivas por mais tempo. Acho isso milagroso. Só por essa questão, nós deveríamos estar muito felizes.
Diante dos estudos publicados, o sr. diria que falta muito tempo para que algum cientista consiga quebrar essa barreira do tempo — se é que isso é possível? É difícil dizer, só posso falar baseado nos fatos que temos hoje. À medida que envelhecemos, há muitas coisas que podem dar errado, então para combater cada coisinha, você precisa de uma quantidade enorme de remédios e tratamentos, então me parece improvável que a maior parte das pessoas possa pensar em viver até os 115 anos. Claro, é preciso continuar pesquisando até que sejamos capazes de determinar qual é o processo básico de envelhecimento e, ao encontrarmos, sermos capazes de fazer algo a respeito. Mas, de novo, há cerca de dois séculos, nós também não esperávamos voar como os pássaros, e hoje podemos, então, quem sabe?
Ao analisar os dados dos países que hoje possuem maior número de centenários — como Japão, Estados Unidos e França —, o sr. percebeu algum fator cultural ou ligado à nutrição que seria comum aos supercentenários? Não creio que haja uma conexão nesse sentido. Há países que contam com uma expectativa de vida mais alta do que outros, mas isso está relacionado, especialmente nos países ricos, ao fato de que mais pessoas têm acesso a bom tratamento médico, crescem com melhor nutrição ou mantêm bons hábitos para a vida toda. É nesses países que encontramos o maior número de pessoas centenárias. Dito isso, é importante citar que nós lidamos com dados organizados e, nos países desenvolvidos, a informação disponível é bem confiável. Há muitos países que podem até ter uma população centenária, mas que não dispõem de tantas informações. Muitas pessoas podem até dizer que têm mais de 115 anos, mas não há como aferir. Para nós, pesquisadores, que lidamos com dados, só foi possível concluir uma pesquisa como essa com base em documentação. E, em países como Reino Unido e Japão, os cidadãos têm acesso a bons programas de saúde, exercício, boa alimentação. Se pudéssemos contar com as mesmas informações na China, no Brasil e na Índia, talvez pudéssemos comprovar nossa conclusão ou, quem sabe, descobrir que estamos errados.
Diante da possibilidade de que mais seres humanos vão viver mais tempo, poderíamos concluir também que os governos vão ter de repensar a idade da aposentadoria. Será que as leis trabalhistas terão de ser todas reformadas em breve? Olhando por esse lado, isso faz sentido. Mas me deixe dizer uma coisa. A caminho do meu trabalho, eu passo por trabalhadores que coletam lixo ou estão tirando neve das ruas. É um trabalho pesado. Acho que essas pessoas, por cujo trabalho eu sou muito grato, não deveriam se aposentar mais tarde, seguindo essa linha de pensamento, e, sim, mais cedo — já que têm um trabalho muito difícil. Como regra geral, acho que devemos ser cuidadosos antes de tomar uma decisão. Há certos tipos de trabalho que são muito pesados e que podem afetar sua saúde — portanto faria sentido se aposentar antes dos 60 anos. Se um profissional chega aos 60 anos se sentindo muito saudável, disposto, não há qualquer problema em continuar trabalhando. Mas em vários casos, creio que precisamos abrir exceções. Mas talvez daqui a algum tempo talvez vejamos a aposentadoria somente após os 70 anos.
Da mesma maneira, todos precisamos aceitar que vamos ficar velho e, sim, vamos morrer em algum ponto antes dos 115 anos. Falando como cientista, eu diria que nunca se sabe. Há séculos, você pensaria que ao ver uma pessoa saudável e trabalhando aos 50 anos era praticamente impossível. Eu ainda continuo muito esperançoso que os cientistas possam encontrar um modo de ultrapassar o limite de 115 anos.
Portanto, na sua opinião, deveríamos aproveitar esta “era dourada” para envelhecer melhor e sermos gratos e felizes por estar aqui? É exatamente o que deveríamos fazer. A coisa mais importante é tentar fazer com que mais e mais pessoas cheguem perto desse limite de 115 anos, prevenindo ou tratando e curando doenças, para que continuem saudáveis por mais tempo em suas vidas. E continuar pesquisando os mecanismos que nos permitiriam, talvez, viver mais tempo. Apesar do meu estudo, eu continuo otimista.