sábado, 11 de fevereiro de 2017

CORRIDA DO OURO EM SERRA PELADA

CORRIDA DO OURO EM SERRA PELADA

Entre 1981 e 1992, milhares de homens migraram para Serra Pelada, no Pará, em busca de ouro. Do maior garimpo a céu aberto do mundo foram extraídas 42 toneladas do metal precioso.

A HISTÓRIA

Em plena floresta amazônica, entre Carajás e o Araguaia, foi descoberta uma montanha de ouro, em 1980. Serra Pelada, como ficou conhecida, era um elevado coberto por floresta cravado na Fazenda Três Barras, no sudoeste do Pará. A primeira pepita foi encontrada pelo fazendeiro Genésio Ferreira da Silva, que, após mandar a preciosidade para averiguação, permitiu que um grupo de 30 homens tentasse a sorte em uma grota da propriedade. O ouro de aluvião, caracterizado por aparecer em camadas superficiais da terra, era abundante: logo, a notícia se espalhou pelo país. Movidos pelo sonho do Eldorado, cerca de 90 mil homens, principalmente do nordeste, foram atraídos para Serra Pelada, entre 1980 e 1992, quando garimpo foi fechado.  Já nos primeiros meses, a vegetação foi retirada e a serra, dividida em barrancos para exploração individual. Aquele pedaço de floresta se tornou o maior garimpo a céu aberto do mundo, rendendo aos cofres públicos 42 toneladas de ouro. 
Com o tempo, o ouro de aluvião ficou escasso. A perfuração de um lençol freático e as fortes chuvas sazonais típicas da região transformaram em um grande lago o buraco de mais de 100 metros de profundidade de onde se extraía o mineral. O garimpo manual se tornou impossível, afinal, o principal local de extração de ouro estava submerso e o metal encontrado na superfície era escasso. Os milhares de garimpeiros de Serra Pelada ficaram sem emprego: aumentou a pobreza e a violência na região. A divergência de opinião sobre as medidas cabíveis para retomar o garimpo gerou tensão entre os próprios garimpeiros, que continuaram sonhando com o tesouro perdido.

GARIMPOS, A FEBRE E A GANÂNCIA PELO OURO NA AMAZÔNIA

GARIMPOS, A FEBRE E A GANÂNCIA PELO OURO NA AMAZÔNIA






A saga de homens e mulheres em busca da riqueza fácil arriscando a vida nos rios e enfrentando doenças tropicais.
A revista Via Amazônia esteve em contato com homens e mulheres que na década de 80, auge da busca pelo ouro, se embrenhavam em barrancos, muitos deles clandestinos, procurando enriquecer de forma rápida e fácil. No vale tudo na corrida do ouro, entre a multidão cega pela ambição, muitos mataram, morreram, venderam seus corpos. E ao final, o que colheram, nada mais que ilusão e contaminaram seus corpos, até de forma fatal, contraindo malárias, doenças venéreas e um sem número de males da alma. Pior é que essa loucura não teve fim com o fechamento do garimpo de Serra Pelada, muito menos com a secura que atingiu barrancos, dando uma esfriada no ímpeto de homens que se tornaram selvagens, na ânsia de enriquecer a qualquer custo, pagando até o preço pela própria alma.
 
Os garimpos cessaram seus movimentos "fervilhentes" de aventureiros, mas ainda servem de nutrição para noticiários policiais constantes, junto aos registros- agora raros- de achados de barrancos "bamburrados". Recentemente a imprensa local publicou que uma área de extração de ouro no rio Tapajós foi alvo de fiscalização ambiental deflagrada pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) no município de Itaituba, oeste do Pará,. A operação, realizada em quatro Vilas e na sede do município, como já se esperava, resultou na apreensão de equipamentos, emissão de autos de infração e Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). A ação conjunta envolveu também o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), a Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema) e a Secretaria de Meio Ambiente de Itaituba.
A equipe de fiscalização da Semas, composta por dois engenheiros ambientais e um sociólogo, foram às Vilas do Farias, Bom Jardim, Raiol e São Luís do Tapajós, onde foram localizadas balsas tipo 'Chupão' – adaptadas com mangueira de sucção –  e também detectadas, a partir de denúncias locais, dragas ancoradas – sem responsáveis por perto – em área de Unidade de Conservação urbana. Na ocasião, em continuidade a processos pendendes na Gerência de Recuperação de Áreas Degradadas (Gerad), a equipe da Semas também procedeu à fiscalização do lixão do município e do Hospital Regional de Itaituba.
Segundo o coordenador da operação, Carlos Nobre, em todas as Vilas foram encontradas embarcações do tipo 'Chupão', mas os responsáveis fugiram, abandonando os equipamentos no rio. Na Vila do Farias foram encontradas três balsas, além de bateias, motor de partida, baterias e ainda duas armas com munições.

Na Vila de São Luís do Tapajós foram encontradas sete balsas abandonadas, sem equipamentos. Na Vila Raiol, mais quatro balsas foram deixadas para trás pelos responsáveis e foram apreendidos motores de partida, alternadores, baterias e outros apetrechos. Na comunidade de Periquito, na Vila Bom Jardim, foi aplicado Auto de Infração administrativo à Clair Gomes de Oliveira, por extração ilegal de ouro e aberto um Termo Circunstanciado de Ocorrência pela Dema, com apreensão dos equipamentos utilizados na atividade ilegal.

CIANETO, O VENENO DE AÇÃO RÁPIDA
QUE AGE NOS GARIMPOS DO TAPAJÓS

O homem como vilão do meio ambiente, é ainda sempre citado na corrida do ouro. Ano passado a imprensa noticiou que  as águas do rio Tapajós estão sendo contaminadas com Cianeto. A denúncia foi feita ao blog “Alter do Chão On Line” por uma garimpeira que pediu para não ser identificada, temendo represálias por parte dos garimpeiros que estão contaminando o rio. A garimpeira mostrou a  um órgão da imprensa local, fotos e os vídeos, que mostram como o rio está sendo contaminado pelo cianeto. O material fotográfico foi colhido no garimpo “Ouro Roxo”, no município de Jacareacanga. 
O Cianeto é utilizado para mineralizar a terra, retirar o ouro para o mercado e devolver o arsênio e o ácido sulfúrico para o rio. São feitas enormes valas, como mostra a foto que ilustra a reportagem, aonde são depositados a terra junto com o ouro e onde é feita a separação com o ácido cianídrico. O ácido cianídrico é um veneno de ação rápida. Por ingestão, a dose é capaz de provocar a morte entre 3 a 4 minutos.
O Cianeto é comprado em São Paulo e levado em pequenos aviões até os garimpos que margeiam o rio Tapajós. Se confirmada a denúncia, a população das cidades que ficam a margem do Rio Tapajós pode estar cronicamente exposta ao cianeto, arsênio e outras substâncias tóxicas contidas nos rejeitos da atividade. A pessoa exposta ao cianeto por muito tempo, também está sujeita a contrair doenças de pele, se posta em contato direto com a substância química. Mais uma denúncia citada nas páginas da revista Via Amazônia, mostrando o extremo que chegam homens em sua ambição maldita pelo ouro. Ainda que hoje da riqueza dos barrancos só existam histórias, onde seus personagens nem sempre tem final feliz.

O DIAMANTE KIMBERLÍTICO LATINO-AMERICANO VIRÁ DA BAHIA

O DIAMANTE KIMBERLÍTICO LATINO-AMERICANO VIRÁ DA BAHIA


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Vista aérea da área de desenvolvimento
Não à toa, áreas do semi-árido da Bahia já aparentavam ter diamante desde a década de 1930, mas a evolução foi lenta. Alguns garimpeiros se arriscavam no local, mas o processo não é manual, feito para aventureiros. Até os anos 90, pouca coisa aconteceu na região baiana. Foi quando a gigantesca De Beers, com sede em Luxemburgo e atuais projetos de diamante espalhados pelo mundo, como no Canadá, na África do Sul e Namíbia, veio para o Brasil à procura de novas jazidas.A De Beers descobriu 22 corpos kimberlíticos na Bahia, mas não deu continuidade às pesquisas.
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Exploração por amostragem na Planta Piloto
Semi-Industrial
O depósito de kimberlito B3, onde foi aberto um pipe vertical e lateralmente, localizado na parte sul da planta, foi o alvo prioritário de pesquisas da companhia. Ele apresentou a maior ocorrência do minério e a viabilidade econômica para o projeto. A maior parte da sondagem, que envolveu 91 furos em pouco mais de 14,5 mil m e teste do depósito a uma profundidade de 350 m, foi feita pela Vaaldiam. Dessa forma, a Lipari, em 2010 e 2012, pôde realizar toda a parte de amostragem de grande volume.
A Lipari já recebeu a Licença Prévia (LP) do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), que aprovou o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) feito pela companhia. “Foi uma conquista significativa, que mostrou o nosso compromisso com as questões legais, ambientais, sociais e, especialmente, com as comunidades da área de influência, que manifestaram expressivo apoio e receptividade ao projeto”, afirmou na época o presidente e diretor executivo, Kenneth Johnson.
“Eu não diria que tivemos uma planta piloto, mas sim uma planta ‘semi-industrial’. Sua capacidade era um pouco superior. Foi a planta utilizada para fazer as amostras de grande volume, para avaliação dos diamantes gerados e estudos de viabilidade. Em 2010, fizemos campanha de trincheiras com grande volume e, em 2012, outra campanha, mas, dessa vez, com 100 m de profundidade e 2,5 m de diâmetro”, comenta Fernando Aguiar, vice-presidente e diretor de operações da Lipari Mineração. O trabalho foi feito gradualmente, com base nas Guias de Utilização emitidas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). No momento, o projeto se encontra em fase de manutenção.
Operação
A primeira mina de diamantes da América Latina desenvolvida em rocha kimberlítica, a céu aberto, com uma profundidade de 250 m, diâmetro de 340 m e que terá sua lavra em cava por meio de bancadas em espiral, já tem data para sair do papel. “Esperamos que a Licença de Instalação (LI) seja concedida até o fim deste mês de setembro”, relata Aguiar. Se realmente entregue, as obras começam em outubro e a mineradora deve ter 20% das obras executadas já até o fim de 2014. Inicialmente, a Lipari esperava iniciar a produção comercial no primeiro trimestre de 2015, mas será postergada por quase um ano. O atraso se deve ao processo de licenciamento, no qual a empresa deu entrada há três anos. Dentro dos procedimentos ambientais, a LP é estimada em 12 meses e a LI, em seis meses. Em tese, as licenças deveriam ser concedidas em um ano e meio.lipari6
A planta de porte médio vai trabalhar, em capacidade plena, com 60 mil toneladas (mt) de minério de diamante por mês. Em relação ao teor, a média é em torno de 50 quilates (ct) por 100 toneladas (t), internacionalmente conhecido como 50 cpht (sigla em inglês). Isso significa que, numa média da reserva lavrada, existem aproximadamente 50 ct a cada 100 t de minério. Entretanto, a produção estará muito ligada à capacidade de separação em meio denso, moderna tecnologia utilizada em minas sul-africanas que isola o material leve do pesado, podendo aumentar a velocidade de 100 t/h para 150 t/h, devido à carga circulante no sistema. “É o que chamamos de coração da planta, pois é um sistema que recupera o diamante”, relata Aguiar.
Resumidamente, o funcionamento será da seguinte forma: o estéril escavado vai para a pilha de estéril, enquanto o minério escavado vai para o estoque e para o pátio de Run of Mine (ROM). Na única usina da planta de beneficiamento, com britagens primária, secundária e rebritagem (uma espécie de terciária), o diamante será separado do kimberlito (rejeito). O rejeito também será conduzido à pilha de estéril. Todo o kimberlito será processado na planta e o minério, reduzido à faixa de 1 a 25 mm. Esse material será misturado à água, formando uma polpa, que passará pelo módulo de separação por meio denso. Um ciclone de separação vai separar o material leve do pesado. Por ter uma alta densidade, o diamante estará incorporado ao material pesado.
Ele será classificado em quatro faixas de tamanho e seguirá para outro processo, de identificação do diamante, realizado por uma máquina específica. Ela faz a redução por Raio-X de baixa intensidade. O diamante, quando recebe essa emissão, tem a característica de fluorescência. O material coletado irá com um secador infravermelho e cairá numa mesa fechada, onde será feita a coleta manual. Ou seja, o beneficiamento vai até a última etapa, de coleta manual do diamante.
Nos sete anos de vida útil da mina, do Projeto B3, a Lipari vai remover 33 milhões de estéril e processar 4,9 Mt de minério. A média, em termos de relação estéril/minério é de 6,8. Ou seja, para cada 1 t de minério, serão removidas 6,8 t de estéril. Todos os 2,5 milhões de quilates de diamante, do tipo gema, serão exportados para a Europa, via aérea. “O volume é muito pequeno. Estamos falando de aproximadamente 6 kg por mês”, diz Fábio Borges, diretor financeiro da Lipari.
Investimentos
Até aqui, a empresa investiu mais de R$ 80 milhões, com todo o capital aportado pelos acionistas. “Os investimentos  vão depender diretamente do desenvolvimento da construção e isso vai envolver a concessão das licenças. Todo o cronograma está condicionado ao ritmo do tempo de obtenção das licenças. Temos projetado um investimento de mais R$ 80 milhões, que deve ser distribuído ao longo desses próximos anos”, afirma Borges. O montante previsto para a implantação do projeto é de aproximadamente R$ 100 milhões.
Para as obras de instalação a empresa prevê que sejam contratadas 600 pessoas. Indiretamente, serão gerados 2400 empregos. A estimativa é de que, para a operação, sejam criados 230 novos postos de trabalho diretos e mais 936 indiretos. “Queremos treinar e capacitar o pessoal na região junto ao SENAI. Nosso processo exige certo conhecimento. A tradição na produção de diamante só existe em países como Canadá, África do Sul, Rússia e Austrália. Mas dentro de qualquer processo de tratamento de minério, é normal ter operadores de pá-carregadeira, motoristas de caminhão ou auxiliares no tratamento de minério”, destaca o vice-presidente da mineradora.

O QUE SE PRETENDE PESQUISAR, QUEM E ONDE

O QUE SE PRETENDE PESQUISAR, QUEM E ONDE


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pesquisa-destaqueEntre 1º de janeiro e 30 de novembro de 2016, foram emitidos pelo DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral), 12.556 alvarás de pesquisa mineral no país. Mesmo, sem incluir os dados de dezembro, o número já representa uma redução de mais de 28% em relação aos alvarás emitidos em 2015 (17.525) epouco supera os publicados em 2014 (12.215 alvarás).
Também o número de requerimentos para autorização de pesquisas minerais continua a decrescer,totalizando 12.735 pedidos,no período, contra 14.455em 2015. A tendência de queda se mantém desde 2011, quando 26.069 requerimentos foram protocolados nas superintendências do DNPM, passando a 20.463 em 2012, 19.110 em 2013 e 15.512 em 2014.
Esses resultados não são novidade diante do quadro inercial da mineração brasileira que, num ano conturbado política e economicamente para o país, perdeu ainda mais a pouca significância que tem merecido das esferas de poder público. A exemplo de outras tantas reformas urgentes e necessárias, diante de um quadro de recessão que se encaminha para a estagflação, as medidas que podem devolver ao setor mineral sua capacidade de investimento e desenvolvimento, seguem adiadas. Com isso, a vanguarda da atividade, a pesquisa mineral, realiza-se, em grande parte, apenas para manter as operações atuais. Ainda assim, sofrivelmente.
Substâncias Minerais
Entre os alvarás de pesquisa publicados nos onze meses de 2016 predominam, em ordem decrescente, as seguintes substâncias minerais: Areia, Argila, Granito, Ouro, Quartzito, Calcário, Ferro, Cascalho, Quartzo, Cobre, Mármore, Diamante, Manganês e Basalto . O ouro, o manganês e o diamante mantêm-se no ranking, em relação a 2014, e o destaque é a emergência do mármore.
A substância, aliás, é uma das que tiveram maior número de alvarás de pesquisa em Alagoas, com 10 títulos, depois da argila (17), do granito (15) e antes do ouro (8). Na Bahia, predominam o quartzito (591 alvarás), granito (477), novamente o mármore (319), ferro (262), areia (261), argila (242) e calcário (158), seguidos do quartzo (141), manganês e ouro (119 alvarás cada) e do fosfato (111). No Ceará, o alvo de pesquisa disparado é o cobre (174 alvarás) e, bem atrás, o quartzito (73), o manganês (72), calcário (67), ferro (60) e argila (55). No Maranhão, a dianteira é do ouro (51 alvarás) e ferro (47), tendo na sequência a areia e a ilmenita (32 títulos cada), fosfato (29) e a bauxita e o granito (26 alvarás cada um). A Paraíba tem a areia (52), argila (46), granito (37) e calcário (23) como substâncias mais requeridas, ao contrário do ouro e do ferro, com 4 alvarás cada, contra 118 e 65, respectivamente, em 2015.
Ainda no Nordeste, Pernambuco teve o maior número de títulos foi para areia (36), granito (30), níquel (24), argila (22) e cobre (21), com significativa redução dos alvarás para pesquisa de ouro (18 contra 101 em 2015) e ferro (8 contra 32) e nenhum para fosfato (32 em 2015). Já no Piauí, predominam os alvarás para ferro (94), argila (50), calcário (42), mármore (31), areia (28) e manganês (25). O Rio Grande do Norte conta com mais alvarás para granito (47), calcário (32), argila (31), areia (30) e calcário (29). No Sergipe, os principais alvos de pesquisa são a argila (30) e a areia (29).
Na Região Norte, o Amapá tem a maior parte de seus alvarás (18 de um total de 35) focados em ouro (18 títulos), assim como o Amazonas (21 títulos de um total de 49). O ouro também é o maior alvo de pesquisas no Pará, com 169 outorgas, seguido do cobre (48), calcário (34) e areia (30). Em Rondônia, prevalece o interesse por areia (37), cascalho (22), cassiterita (18), ouro (17) e argila (16), enquanto em Roraima, o ranking é formado por ouro (5 alvarás), cascalho (4), areia e argila (3 cada).
Na Região Sudeste, o Espírito Santo recebeu mais alvarás para areia (144), granito (141) e argila (107). Em Minas Gerais, as substâncias mais contempladas foram granito (781 alvarás), areia (596), quartzito (491) e argila (427), seguidos de longe por quartzo (260), cascalho (184), diamante (182) gnaisse (157), ouro (142) e ferro (137). No Rio de Janeiro destacam-se a areia (108), granito (78), argila (66), saibro (47) e gnaisse (44). Em São Paulo, os alvarás mais numerosos são para areia (352) e argila (326), com granito (89), na sequência.
No Centro-Oeste, Goiás, teve mais autorizadas as pesquisas de ouro (367), areia (201), diamante (101), cobre (72), cascalho (71) e calcário (70). Em Mato Grosso, também o ouro está em primeiro lugar (173), seguido de calcário (92), cascalho e areia (65 alvarás cada). O Mato Grosso do Sul tem areia (54), basalto (37), argila e cascalho (26 cada).
No Sul, o Paraná recebeu mais alvarás para areia (244), argila (218) e bentonita (85). No Rio Grande do Sul, predominam a areia (218), argila (168), basalto (95) e saibro (54). Esse ranking de substâncias se repete em Santa Catarina: argila (418), areia (150), saibro (72) e basalto (54).
Os estados com maior diversidade de substâncias minerais tituladas para pesquisa são a Bahia (72 substâncias), Minas Gerais (61), Goiás (49), Ceará (41), Pará (38), Rio Grande do Norte e Tocantins (36 cada), Paraná (35), Mato Grosso (34), São Paulo (32) e Santa Catarina (31). Os de menor diversidade são Espírito Santo (19), Mato Grosso do Sul (18), Sergipe (17), Amazonas (10), Amapá (9), Alagoas (8), Roraima (7). No nível intermediário situam-se a Paraíba (28 substâncias), Rio Grande do Sul (27), Maranhão (26), Pernambuco (24), Piauí e Rio de Janeiro (23 cada) e Rondônia (22). No total, os alvarás emitidos autorizam a pesquisa de 103 diferentes tipos de substâncias minerais.
Títulos e Titulados
Quando se trata do maior número de alvarás emitidos por estado, no entanto, esse quadro se modifica (Gráfico 03). Esse ranking começa com Minas Gerais (2.797 títulos), Bahia (2.508), Goiás (984), Ceará (731), São Paulo (643), Santa Catarina (570), Rio Grande do Sul (518) e Paraná (509). Na faixa entre 400 e 200 títulos estão Mato Grosso, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão, Tocantins e Rio Grande do Norte. Com mais de 100 e menos de 200 alvarás vêm Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rondônia. Com menos de 100 alvarás estão Sergipe, Alagoas, Amazonas, Amapá e Roraima, este o lanterna do time, com apenas 15 títulos.
Os 12.556 alvarás publicados até 30 de novembro passado autorizam a realização de 17.825 pesquisas minerais, já que um título pode incluir a pesquisa da mesma substância em diversas áreas ou de substâncias diferentes na mesma área. Por esse critério, Minas Gerais, que pode realizar 4.064 pesquisas, supera a Bahia, com 3.256. Goiás, com 1.369 pesquisas, passa à frente de São Paulo (1.075), Paraná (866), Ceará (854), Santa Catarina (807) e Rio Grande do Sul (802). Seguem-se os estados do Mato Grosso (635), Pará (473), Espírito Santo (459), Rio de Janeiro (441), Piauí (413), Tocantins (404), Maranhão (365). Paraíba (280), Pernambuco (231), Mato Grosso do Sul (206), Rondônia (183) e Sergipe (118). Por fim, os estados com menor número de pesquisas autorizadas em seus alvarás são Alagoas (61), Amazonas (49), Amapá (35) e Roraima (19).
Os alvarás foram titulados a 5.312 requerentes, 58% deles pessoas jurídicas e 42% pessoas físicas (Gráfico 02). Entre as pessoas jurídicas, a empresa com mais outorgas é a Votorantim Metais Zinco, com 304 títulos (Tabela 01), distribuídos em maior número de estados (8). A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) e a Braspedrassão as que contam com maior diversidade de substâncias autorizadas (9). A Adher Empreendimentos requereu pesquisa apenas para dolomito e ferro, a Brasil Pedras e a Micapel (Mineração Capão das Pedras) para diamante e ouro e a Aro Mineração e a Mineração Solitário do Brasil somente para areia e platina, respectivamente. Do Grupo Votorantim são destaques, ainda, a Votorantim Cimentos N e NE (157 alvarás) e a Votorantim Cimentos (90. A Vale é a que menos teve títulos emitidos (40).

O GEÓLOGO E O OURO DE GOIÁS

O GEÓLOGO E O OURO DE GOIÁS


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Por Tébis Oliveira *

O engenheiro geólogo Klaus Petersen formou-se pela UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), na turma de 1988, onde foi membro da tradicional república “Covil dos Gênios”. Em 2011, já em Perth, na Austrália, esse paulista de Santo André concebeu, ao lado do nativo Mark Papendieck e de outro brasileiro, Marcelo Juliano de Carvalho, a então Orinoco Resources, focada em projetos de pesquisa mineral no Brasil e países vizinhos. A novajunior company despertou o interesse de investidores e deu no que deu. De um capital inicial de US$ 500 mil, a atual Orinoco Gold, passados apenas 5 anos, já supera US$ 30 milhões em valor de mercado.fotoperson
Nesse tempo, o Projeto Cascavel, primeira aquisição da empresa, ganhou forma e corpo nos domínios de Faina, município goiano de cerca de 7 mil habitantes, localizado a 211 km da capital do estado. Da fase de pesquisa evoluiu para a de implantação da lavra subterrânea e montagem das plantas de britagem e beneficiamento e se tornou uma mina de ouro – no sentido literal -, que começa a produzir ainda em abril.
Além de Cascavel, a Orinoco detém direitos minerários integrais sobre a Mina Sertão e sobre outros 200 km2 nos greenstone belts de Faina e na vizinha Goiás. Juntos, eles compõem o chamado Projeto PolimetálicoFaina Goldfields, que interceptou teores recordes de prata, tungstênio e cobre – além de ouro, claro -, em alvos de pesquisa. Como a prioridade era tocar Cascavel e os investidores andam ariscos com os baixos preços e a duvidosa demanda de certas commodities, os tesouros de Faina Goldfields seguem, por enquanto, enterrados.
Nesta entrevista exclusiva à In the Mine, Klaus Petersen fala do modelo junior company de negócio e da concepção e viabilização da Orinoco Gold na bolsa de valores australiana. Fala também da implantação e operação da Mina Cascavel, com o desafio de preservar o patrimônio arqueológico de antigas minas bandeirantes em sua área de instalação. Fazendo, ainda, um balanço do projeto, diz que sua maior realização “foi a montagem de um time com técnicos altamente qualificados, em um ambiente de trabalho fértil para produzir interpretações geológicas inovadoras”.