domingo, 26 de março de 2017

CPRM Estuda Rochas Portadoras de Diamantes Kimberlitos e Garimpos em Todo o País

CPRM Estuda Rochas Portadoras de Diamantes Kimberlitos e Garimpos em Todo o País

Com o intuito de desenvolver estudos abrangendo os principais aspectos da geologia do diamante no país, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) iniciou, em 2008, por meio do Projeto Diamante Brasil, um trabalho sistemático de pesquisas voltado para o estudo de rochas portadoras de diamantes kimberlitos e garimpos em todo o país. O projeto tem como meta integrar as características da geologia do diamante incluindo fontes primárias e secundárias. Outra vertente do projeto diz respeito à discussão geológica dos garimpos de diamante, que ainda desempenham um papel de destaque na economia brasileira e possuem importante valor histórico. Para o coordenador responsável pelo Diamante Brasil, geólogo Valdir Silveira, as pesquisas desenvolvidas dentro do projeto são importantes para todas as esferas da sociedade. “É fundamental gerar dados na área de diamantes para fomentar pesquisas por empresas do setor e também suprir o governo com informações sobre o tema”, diz. O processo de execução é desempenhado por técnicos da CPRM situados nas regiões diamantíferas. A equipe responsável pelo trabalho nessas áreas conta com técnicos capacitados e até mesmo consultores internacionais especializados no tema. O prazo de entrega está previsto para o final de 2010, porém, devido a algumas pesquisas específicas, poderá ter continuidade nos anos seguintes, estendendo- se até 2014. O projeto é uma ação da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais da CPRM, por meio do Departamento de Recursos Minerais (Derem), e entre o público alvo estão gestores, universidades, empresas com atuação na área de garimpo e órgãos governamentais como a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação do Ministério de Minas e Energia (SGM-MME), o Departamento de Produção Mineral (DNPM) e o Ministério da Justiça. Segundo Silveira, em maior ou menor escala, diversos setores da sociedade serão beneficiados.
 Treinamento
Para dar continuidade à capacitação dos profissionais envolvidos no Projeto Diamante Brasil, no período de 07 a 11 de junho, ocorrerá, na sede da CPRM em Brasília, um treinamento para capacitação profissional que contará com a participação de técnicos canadenses e brasileiros com mais de 30 anos de experiência na área de diamantes. Outras informações sobre o treinamento serão divulgadas brevemente.
 Técnicos em missão de pesquisa na Provincia kimberlítica alto Apiaú-RR
Técnicos em missão de pesquisa na Provincia kimberlítica alto Apiaú-RR


Principais objetivos do Projeto Diamante Brasil
- Produzir mapas mineralógicos das áreas alvos com nota explicativa;
- Realizar guias contendo procedimentos técnicos para prospecção do diamante (amostragem; química mineral e estudo de diamante);
- Utilizar textos técnicos contendo o estado da arte da geologia do diamante no Brasil, em forma de livro;
- Desenvolver estudos mineralógicos, geoquímicos e isotópicos de minerais das áreas (estudos geodinâmicos);
- Caracterizar quimicamente kimberlitos
- Atualização e consistência da shape kimberlito no Mapa Geológico do Brasil na escala 1:1.000.000;
- Elaborar o projeto em Sistema de Informações Geográficas (SIG), contendo os dados geológicos e geoquímicos (mapas, fotos de afloramentos, imagens de satélite e tabelas);
- Sugerir alternativas para gestão, extração das matérias-primas e produtos derivados de forma sustentável, minimizando os danos ambientais;
- Produzir estudo morfológico das populações de diamantes brasileiros para subsidiar a certificação de diamantes através do Kimberley Process.



A importância do Projeto Diamante Brasil para o país
Iniciado em meados de 2008, o Projeto Diamante Brasil vem desempenhando um papel social, econômico e geológico fundamental para os diferentes setores da sociedade. Segundo o chefe do Departamento de Recursos Minerais da CPRM, Reinaldo Brito, os reflexos dos anos de estudo podem ser melhor sentidos agora, uma vez que os estudos executados pela CPRM são de grande importância para a soberania nacional. “O projeto faz com que o Estado assuma o papel de soberano sobre o real potencial diamantífero do Brasil, resgatando para a sociedade o direito de conhecimento sobre o seu solo”, disse. De acordo com Brito, antes do projeto apenas empresas privadas tinham conhecimento das áreas onde os diamantes estavam localizados, a quantidade e qualidade dos mesmos. Hoje, a CPRM possui todas essas informações. “Agora se sabe onde está o ouro, o urânio e até o diamante. Antes, ficava um vazio em relação aos diamantes, não havia informações precisas”, comenta Brito. “O projeto serviu até mesmo para dizimar conflitos oriundos do diamante”, lembrou. Por ser uma atividade com alto grau de informalidade, muitos garimpos eram ilegais, principalmente em áreas indígenas e de conservação ambiental. Com esse trabalho, foi possível identificar essas regiões e o governo pôde dar subsídio nessas localizações. 
Banco de Dados
Uma das metas do projeto é realizar um banco de dados de ocorrências diamantíferas no Brasil e vinculá-lo a pólos produtores, distritos e províncias diamantíferas. Haverá um banco físico com amostras de rochas e gemas que serão caracterizadas. Além disso, todos esses dados também estarão disponíveis no Geobank da CPRM para consulta pública.

Investimentos
O Projeto Diamante Brasil é executado com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e até o ano de 2017 serão investidos cerca de R$ 2,7 milhões. Para este ano, R$ 740 mil estão previstos para dar continuidade ao projeto.

 Uma das equipes de campo recebendo treinamento sobre o kimberlito Redondão-PI
Uma das equipes de campo recebendo treinamento sobre o kimberlito Redondão-PI
 Técnicos da CPRM em trabalho de campo na Província kimberlítica Rosário-RS
Técnicos da CPRM em trabalho de campo na Província kimberlítica Rosário-RS



 Prospectores fazendo coleta de cascalhos em drenagens da Folha Pará de Minas-MG
Prospectores fazendo coleta de cascalhos em drenagens da Folha Pará de Minas-MG

Chineses querem investir US$ 20 bilhões no Brasil

Chineses querem investir US$ 20 bilhões no Brasil

O Brasil em crise virou a grande oportunidade para os chineses ampliarem seus negócios no país. Sem medo de gastar e com forte apetite para o risco, eles planejam desembolsar neste ano mais US$ 20 bilhões na compra de ativos brasileiros – volume 68% superior ao de 2016, segundo a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC). O movimento tem sido tão forte que o País se transformou no segundo destino de investimentos chinês na área de infraestrutura no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Na lista de companhias que planejam desembarcar no país, de olho especialmente nos setores de energia, transportes e agronegócio, há nomes ainda desconhecidos dos brasileiros, como China Southern Power Grid, Huaneng, Huadian, Shanghai Eletric, SPIC e Guodian. ”Há dezenas de empresas chinesas que passaram a olhar o País como oportunidade de investimentos e estão há meses prospectando o mercado brasileiro”, diz Charles Tang, presidente da CCIBC.
Enquanto essas companhias não chegam, outras chinesas estão mais avançadas na estratégia de expandir os negócios. A State Grid, por exemplo, liderou os investimentos no ano passado, com a compra da CPFL; a China Three Gorges arrematou hidrelétricas que pertenciam à estatal Cesp e comprou ativos da Duke Energy; a China Communications Construction Company (CCCC) adquiriu a construtora Concremat; e a Pengxin comprou participação na empresa agrícola Fiagril e na Belagrícola.
Segundo levantamento das consultorias AT Kearney e Dealogic, de 2015 para cá, os chineses compraram 21 empresas brasileiras, que somaram US$ 21 bilhões. “Hoje, o Brasil é um país que está barato, por conta do cenário político e econômico. E isso é visto como uma grande oportunidade pelo investidor chinês”, afirma o diretor para a área de infraestrutura da A.T. Kearney, Cláudio Gonçalves.
O atual movimento dos asiáticos no Brasil tem sido considerado como a terceira onda de investimentos chineses. Na primeira, vieram grandes multinacionais, como a Baosteel, de olho no setor de mineração e aço. A empresa chegou a fazer parceria com a Vale para construir duas siderúrgicas no País, mas o projeto não prosperou. Em 2011, comprou uma pequena participação na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, que aposta na exploração de nióbio.
Na segunda onda de investimento chinês, apareceram companhias que tinham pouca ou quase nenhuma experiência no mercado externo, afirma o advogado do escritório Demarest, Mário Nogueira. Ele explica que, nesse segundo movimento, muitas empresas – incluindo o setor automobilístico – não se deram bem no Brasil, por não terem recebido orientação adequada de como funcionava o mercado nacional.
“Dessa leva, algumas quebraram e outras tentam até hoje se desfazer de ativos.” A onda atual também inclui empresas inexperientes no mercado internacional, mas gigantes na China, com muito dinheiro para gastar. E, desta vez, as companhias têm se cercado de assessores financeiros e jurídicos. “Tem cliente que montou escritório de representação e está há três anos estudando o mercado brasileiro.
De tanto rodarem em busca de negócios, já conhecem mais o País do que eu”, afirma Nogueira. Por ora, os escândalos revelados pela Operação Lava Jato envolvendo as maiores empreiteiras do Brasil estão longe de serem vistos como fator de preocupação econômica ou de instabilidade política pelos investidores chineses. Pelo contrário, têm ajudado, já que os preços dos ativos caíram.
Nos próximos meses, vários negócios em andamento poderão ser concluídos. É o caso da Shanghai Electric, que estuda assumir projetos de transmissão da Eletrosul, cujos investimentos somam R$ 3,3 bilhões; a SPIC está na disputa pela compra da Hidrelétrica Santo Antônio; e a CCCC tem vários ativos na mira, de construtoras a ferrovias. Outra que fez aquisições em 2016 e não deve parar por aí é a Pengxin.
A empresa negocia a compra de parte do banco Indusval, apurou o jornal O Estado de S. Paulo. Fontes afirmam que há ainda planos da Pengxin levantar um fundo de US$ 1 bilhão para investir em agricultura. Procurados, o banco não comentou o assunto e a Pengxin não retornou os pedidos de entrevista.


Fonte: ÉpocaNegócios

Os Avanços Tecnológicos

A velocidade da evolução tecnológica I A ciência estabeleceu algumas teorias, teses e até experimentos mostrando os passos dados pela humanidade, desde a origem do universo. A rigor, a ciência ainda está engatinhando quando analisarmos os mistérios que ainda precisamos decifrar.
O mote deste artigo é a tecnologia e seus avanços. Não entrei no mérito político e filosófico desta evolução. Evidentemente, um aspecto econômico está inserido no contexto, mas a abordagem principal são os inventos e eventos que trouxeram o homem até os dias de hoje, tecnologicamente falando.
O início de tudo
Os dados levantados de várias fontes mostram que a ciência estabeleceu a origem do universo há 14 bilhões de anos atrás com o Big-Bang. A grande celeuma é o que ocorreu antes do Big-Bang.
O planeta Terra tem sua formação estimada há 3,8 bilhões de anos, a vida incipiente (proteína e matéria orgânica) há 850 milhões de anos. As primeiras plantas, ou os precursores da vida como conhecemos hoje, surgiram há 550 milhões de anos.
Os primeiros indícios de vida humana surgiram há 140 mil anos, mas o ancestral do ser humano de hoje surgiu, segundo historiadores e pesquisadores, há 15 mil anos.
Uma mudança climática teria ocorrido há 8.000 anos, o degelo das montanhas e dos pólos, provocou um aumento de 100 metros no nível dos oceanos. Estima-se que a navegação é iniciada a partir desta situação. A condição climática propiciou o início das terras férteis. Neste período o humano, até então nômade, começa a se fixar na terra e plantar, domesticar animais, e outras atividades primitivas. Surgiram as primeiras ferramentas e o globo começa a ter sua população aumentada. A comida abundantelevou a população dos 30 mil habitantes neste período para 100 mil em pouco tempo. O marco de 300 milhões de habitantes se dá no ano Cristão zero. O primeiro bilhão foi atingido em 1804, o segundo em 1927 e o terceiro em 1960. Em 2007 éramos 6,6 bilhões, e segundo Paul Ehrlich, Tamanho ideal da população da Terra é de 2 bilhões de habitantes.
A comunicação entre os seres humanos é historiada como estabelecida entre 15 e 8 mil anos, começando com grunhidos, barulhos, tambores e finalmente a fala incipiente. Com toda certeza o marco da comunicação foi determinante para nossa caminhada até os dias atuais.
A civilização incipiente
O berço da nossa civilização foi iniciado há 3,5 mil anos, entre os rios Tigres e Eufrates e a formação das primeiras cidades, algumas que chegaram a 40 mil habitantes. Nos locais do Egito, Babilônia, Mesopotâmia e Assíria iniciamos nossa caminhada tecnológica e civilizatória. Podemos inferir que o homem iniciou seu processo de fixação e agricultura há 8 mil anos e em 3,5 mil anos atinge um grau de cultura social e organização. No período entre 6 mil e 3,5 mil anos, destacam-se a criação e utilização da cerâmica, do bronze e de mapas, talvez as primeiras tecnologias que diferenciaram o ser humano dos outros animais.
No período compreendido entre, digamos o berço da civilização e o ano zero Cristão foram de muitos progressos. A bússola, o papel, a escrita, os primeiros passos da química, da física, matemática, astronomia e filosofia.
A roda e as armas com o ferro fundido surgiram nesta época e foram desvirtuadas de sua aplicação, na confecção de produtos e agricultura para invasões dos povos dominadores.
Na China, Japão e no próprio Império Romano, nas épocas que antecederam a virada e o início do calendário Cristão, tivemos muitas invenções e evolução, principalmente a continuidade do progresso das ciências, escrita e o precursor do papel que temos hoje, inventado na China em 400 A.C.
Jesus Cristo teve uma importância muito grande na evolução da humanidade, se não pelo aspecto de tecnologia, pelo aspecto da moral, ética e costumes.
Considerando o tema aqui abordado, vamos dar um salto do período inicial da era Cristã até o renascimento no século XV. A idade média é marcada pelo feudalismo, guerras, pestes e muito pouco progresso se considerarmos toda a evolução da humanidade.
Como destaques, cito a escola de Sagres em Portugal, comparada a NASA dos EUA na época e Gerolamo Cardano que iniciou as discussões sobre eletricidade.A escola foi responsável por diversos inventos e descobrimentos científicos, aprimorou todo conhecimento do passado, melhorou e quebrou paradigmas.
Nos séculos XV, XVI e XVII tivemos as grandes expedições e descobertas. Eventos importantes na evolução, estes períodos foram antecessores de um dos séculos mais importantes para nossa evolução, o século XVIII.
O verdadeiro começo
O ápice do iluminismo se deu com a revolução das ciências, da física, matemática, química, medicina, astronomia e a derrubada do domínio espiritual que cicatrizava ainda as feridas da inquisição e da era feudal.
Grandes inventos, eventos e grandes nomes surgiram e deram o passo definitivo na civilização e no progresso da humanidade no século XVIII. A eletricidade foi um dos pilares que moveram o ser humano.
Na revolução industrial tivemos grandes acontecimentos, no quadro abaixo estão alguns dos mais importantes que foram cruciais e determinantes para chegarmos até aqui.
AnoEvento/InventoAutor
1675Observa forças elétricas no vácuoRobert Boyle
1698Motor a vaporThomas Newcomen
1740AçoBenjamim Huntsman
1750Experiência com a descarga atmosféricaBenjamin Franklin
1752Para RaioBenjamin Franklin
1800Bateria ElétricaAlexandre Volta
1803Embarcação a vaporRobert Fulton
1807Iluminação a gásPall Mall
1808Locomotiva a vaporRichard Trevithick
1820Interação entre Magnetismo e EletricidadeAndré-Marie Ampère
1827Teoria dos circuitos, lei de OhmGeorg Ohm
1831Principio do transformadorMichael Faraday
1844TelegráfoSamuel Morse
1876TelefoneGraham Bell
1879Lâmpada ElétricaThomas Edison
1882Sistema de distribuição elétricaThomas Edison
1885Motor a explosãoGuttlieb Daimler
1892Sistema de corrente alternadaNikola Tesla
1895RádioGuglielmo Marconi

No final do século XIX a engenharia elétrica e a mecânica são reconhecidas como profissão e iniciamos o fabuloso século XX, marcados pela ficção científica e pelas previsões tecnológicas. Ninguém poderia até então imaginar o que estava por vir ou onde poderemos chegar.

O início do século é marcado pela invenção do avião, disputado pelos irmãos Wright americanos e pelo Santos Dumont. Dá-se como a data o ano de 1906 com o vôo do 14 Bis.
Os veículos tomaram definitivamente as ruas tornando-se o meio de transporte mais eficiente. Henry Ford foi um dos maiores responsáveis pela massificação do automóvel em 1908.
A administração, a economia e as ciências eram tremendamente influenciadas pelas descobertas do século passado e os avanços na química, física e matemática. Henry Ford, Fayol, Taylor e outros, ajustavam e aprimoravam a revolução industrial. Linhas de montagem com tecnologia e produtividade iam tomando conta das indústrias criando um ciclo virtuoso, crescimento, prosperidade, emprego e renda.
O mundo mudava radicalmente e a tecnologia começa a suscitar desequilíbrios entre vários países. O resquício do passado de guerras volta a Europa e temos a primeira guerra mundial iniciada em 1914. Anos de disputas políticas, basicamente se desenhava a Segunda Grande Guerra com o apogeu de Hitller e seu poderio militar e tecnológico. Tanto na primeira guerra como na segunda, a tecnologia foi usada e aprimorada. Os avanços da física, medicina, matemática e química continuam. A astronomia e a física ganham a teoria da relatividade com Albert Einstein, novos impulsos e tecnologia surgiriam deste avanço da física.

Topázio ´Imperial volta a ser explorado em Minas

Topázio Imperial volta a ser explorado em Minas


Euler Junior/EM/D.A Press
Tratores e escavadeiras romperam o silêncio imposto pela crise financeira mundial no ano passado, retomando a exploração de topázio imperial na pequena localidade de Rodrigo Silva, distante 35 quilômetros de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. A história do distrito esteve associada por mais de 200 anos à extração da pedra brilhante, translúcida, tingida das cores do sol e do fogo, que encantou dom Pedro I, no século 19. Ainda a um ritmo modesto de produção, a Fazenda Capão do Lana voltou a abastecer grandes indústrias joalheiras, com o trabalho obstinado do engenheiro de minas Vicente Alves, há 30 anos na atividade, e de um grupo de 20 trabalhadores.

Inconformado com o fechamento da reserva em dezembro de 2009, quando o mercado consumidor havia tocado a lona, Vicente Alves reuniu as economias e propôs o arrendamento da área aos donos das terras e dos direitos minerários, pertencentes à Topázio Imperial Mineração. Mais que uma nova aposta na recuperação das vendas da pedra preciosa, significaria resgatar a maior mina de topázio imperial operada em escala industrial no mundo. “Esse mercado vai se firmar. Tudo depende de não deixarmos morrer a pedra, símbolo de prazer e requinte”, afirma o engenheiro, dono da Mineração Topázio. Cerca de 70% das pedras extraídas em oito meses de operação, este ano, foi entregue aos clientes.

Na Mina do Capão, três frentes de lavra a ceú aberto movimentam de 50 a 60 metros cúbicos de minério por dia, para buscar a pedra a no máximo 12 metros de profundidade. O resultado da produção corresponde a 15% dos volumes anteriores. A mineração iniciada em 1971 chegou a empregar 80 pessoas, a maior parte de moradores do distrito da cidade histórica, retirando topázio à profundidade de 35 metros. Vencida a turbulência na economia, as vendas estão limitadas a algo em torno de 10% do que esse mercado representava.
Publicidade

Se parece pouco, Vicente Alves não esconde a satisfação de registrar novas consultas de clientes, sinal de que bons tempos para o comércio podem retornar. Comparada à famosa esmeralda, o topázio perde por falta de marketing para impulsionar seu consumo, mas não deixa a desejar na beleza e diversidade de cores, um horizonte que vai do amarelo pálido e do mel ao vermelho, com destaque para o raro e caro lilás. As pedras da Mina do Capão vendidas na forma bruta alimentam as lapidações, onde são valorizadas pela transparência, ausência de trincas, pureza e a perfeição que os entendidos chamam de “quilatagem”.

Um topázio lilás de 5 gramas, livre de trincas, depois de limpo e polido, pode render 8 quilates avaliados em US$ 3,5 mil. Cada quilate da pedra lapidada pode variar de US$ 5 a US$ 500, alcançando US$ 700 para pedra rara e perfeita. Com a mesma forma do topázio, o euclasio, também encontrado na Mina do Capão exibe um verde azulado transparente bastante procurado pelos colecionadores, a preços que vão de US$ 5 a US$ 100 por quilate. Vicente Alves conta que durante as três décadas em que gerenciou a mina, a serviço da Topázio Imperial, houve a tentativa de verticalizar a produção, com a oferta da pedra lapidada.

A iniciativa não teve o retorno esperado, uma vez que além do custo alto da estrutura para lapidação, manter os verdadeiros artistas personificados nesses trabalhadores exigia investimento também pesado. Na reserva, as máquinas cortam a terra deixando os sulcos onde é necessário pôr a mão na massa escura e untuosa de argila à procura da gema. O encarregado de lavra Ivon Pereira já dedicou 20 anos de sua vida à mineração na cidade natal, recordando com gosto o dia em que descobriu uma pedra de 3 quilos. Na extração organizada e nos garimpos, que desapareceram, a cata do topázio era feita em meio à própria enxurrada. “A gente encontrava topázios tão grandes que a mão não fechava”, lembra Ivon.

Memórias da realeza

Na casa simples que abriga o Centro de Referência do Topázio Imperial, em frente à estação ferroviária de Rodrigo Silva, a memória de uma exploração que já foi ativa, seja a extração organizada, seja o garimpo, que sucumbiu ao encolhimento do comércio exterior, guarda histórias e trabalhos técnicos sobre a gema. O engenheiro Vicente Alves logo informa que não transporta a pedra. Ele segue o mapa com os dedos mostrando a extensa área conhecida de ocorrência do topázio imperial, a única no Brasil, em Ouro Preto, que, além de Rodrigo Silva, corta as localidades de Miguel Burnier, Dom Bosco, Boa Vista, Saramenha e Antônio Pereira.

A gema brasileira e mineira, que formou mão de obra especializada nesses municípios, surge encrustrada em rochas macias de argila com veios de caulim, diferentemente do afloramento em países como a Rússia e o Paquistão, onde é difícil a retirada da pedra das rochas de calcário. Dizem os relatos sobre a pedra que o tom de realeza, parte de seu nome, teve origem na Rússia, país no qual foram localizadas as primeiras jazidas, levadas à exaustão no tempo dos czares, os monarcas que governaram o país até o início do século 20.

A Mina do Capão é a maior do complexo de depósitos minerais na área da Topázio Imperial Mineração em Rodrigo Silva. Os terrenos com extensão total de 800 hectares abrigam as jazidas do Brocotó, Mato da Roça e Zé Leite. Alves acredita que as reservas têm vida útil de mais duas décadas, exploradas no processo anterior de tratamento de 4,5 mil metros cúbicos de minério por mês. A cada 2 metros cúbicos, em geral, é obtido um quilate de topázio imperial lapidável. O local se tornou famoso por ter abrigado uma pousada transformada em paço (pouso) real pelo então príncipe regente dom Pedro I, em 1822.

Turmalina Paraíba, uma das gemas mais caras do mundo, pode estar se transferindo para a África

Turmalina Paraíba, uma das gemas mais caras do mundo, pode estar se transferindo para a África



 

 
 


Talvez você, como muitos, já deve ter se perguntado, em algum momento de sua vida - afinal, o que é essa tal de Turmalina Paraíba e por que ela é uma das gemas mais caras do mundo?

A resposta, é lógico, está na sua raridade e beleza. Uma das características dessa gema é a sua cor brilhante, vívida, quase um neon que só é salientada após a lapidação.

Do ponto de vista técnico ela é uma variedade cuprífera de elbaíta, uma variedade de turmalina cuja fórmula é Na(Li,Al)3Al6B3.Si6O27(OH,F)4. O nome Paraíba vem da primeira localidade onde essa turmalina foi descoberta.
Segundo a lenda a turmalina Paraíba foi descoberta por Heitor Dimas Barbosa em 1981. Heitor passou anos escavando um pegmatito próximo da Vila S. José da Batalha, acreditando que debaixo do morro chamado Paraíba existia algo diferente.
Somente em 1989, Heitor conseguiu o primeiro lote de pedras de qualidade. As cores eram extraordinárias nunca vistas antes em nenhuma outra turmalina: estava descoberta uma das gemas mais preciosas do mundo.
As cores são variadas, mas a clássica é o azul neon cor gerada pelo conteúdo de cobre do manganês na estrutura cristalina da turmalina.
Paraiba paraiba cores
As brasileiras clássicas com seus tons de azul Acima Turmalinas Paraíba vindas da África com diversas colorações

A cor e seu brilho extraordinário são realçados após a lapidação e pelo aquecimento. O aquecimento da turmalina é feito para que a cor alcance o seus tons mais vívidos, a sua principal característica.
As Turmalinas Paraíba brasileiras são raras e, geralmente, pequenas. As estatísticas mostram que são necessárias 2.000 toneladas de material para produzir 40 quilates. O que é pior, aa minas brasileiras já estão praticamente exauridas.

O preço do quilate varia de acordo com a cor, tamanho, transparência, ausência de inclusões e lapidação. Em geral é comum ver preços acima de US$10.000 por quilate em pedras de bom tamanho.

No entanto uma nova descoberta está fazendo as Paraíbas mudarem de continente...

A Paraíba na África:

Mais recentemente, em 2001, foram descobertas turmalinas “Paraíba”na Nigéria e em Moçambique. Essas novas descobertas geraram muitas polêmicas sobre o termo Paraíba. Os gemólogos estavam propensos a chamar a gema de Elbaíta Cuprífera. Mas em 2006 foi decidido que todas as turmalinas tipo elbaita com cobre deveriam ser chamadas de Turmalinas Paraíba ou tipo Paraíba.
As turmalinas vindas da África não podem ser diferenciadas das brasileiras. Somente com estudos químicos foi possível identificar a “digital química” destas turmalinas que realmente tem alguns elementos traços um pouco diferentes.
O que, no entanto, preocupa é que as Paraíbas africanas são muito maiores do que as brasileiras e podem ser produzidas em maiores quantidades o que vai acabar afetando os preços do quilate. Aqui é raro uma Turmalina Paraíba com mais de cinco quilates enquanto que na África estão surgindo várias acima de dez quilates sendo que é de Moçambique a maior Paraíba lapidada do mundo (foto).

paraiba 14 paraiba52
Uma Turmalina Paraíba rara com 14,2 quilates de Moçambique 57,19 quilates de Moçambique é a maior Turmalina Paraíba lapidada
do mundo e pode valer mais de 25 milhões de dólares.


Fotos: Wimon Manorotkul