terça-feira, 28 de março de 2017

Novo presidente da Vale tem perfil discreto e direto

Novo presidente da Vale tem perfil discreto e direto


Descrito como um executivo discreto e de posicionamento bastante direto em negociações, Fabio Schvartsman chega à presidência da mineradora Vale após ter permanecido seis anos à frente da fabricante de papel e celulose Klabin. Com 40 anos de carreira, Schvartsman, 63 anos, teve passagens por outros ícones nacionais, como Duratex e Grupo Ultra. “Ele não é ‘político’ na relação pessoal, é mais duro e objetivo”, descreveu uma fonte que já negociou diretamente com o novo presidente da Vale.
Depois de trabalhar na Duratex no início de sua carreira, a ascensão do engenheiro formado pela Poli-USP no mundo dos negócios se deu durante a passagem de 22 anos pelo Grupo Ultra, hoje dono de negócios como a distribuidora de gás Ultragás, a rede de postos Ipiranga, a química Oxiteno e a rede de farmácias Extrafarma. Atualmente, o Ultra fatura cerca de R$ 76 bilhões ao ano.
No Ultra, Schvartsman participou de negociações importantes, que ajudaram a dar ao grupo o porte que ele tem hoje, lembraram fontes de mercado ao Estado.
Entre elas figurou a compra da rede de postos de combustíveis Ipiranga, em março de 2007, em parceria com a Petrobrás e a Braskem. Anos antes, dentro do Ultra, foi um dos defensores da compra da petroquímica Copene, mas o negócio acabou ficando nas mãos da Odebrecht, dando origem à Braskem, companhia considerada o braço mais saudável do conglomerado.
Apesar de ter participado de negociações importantes e de ter sido diretor financeiro e de relações com investidores, a saída de Schvartsman do Ultra se deu em meio à disputa pelo comando do negócio, no fim de 2007.
Depois de mais de duas décadas, ele esperava ser elevado à presidência da Ultrapar, contam pessoas que trabalharam de forma próxima ao executivo na época. Schvartsman era cotado para assumir a presidência da Ultrapar, substituindo Paulo Cunha. O escolhido acabou sendo Pedro Wongtschowski, que ficou no cargo até 2012, quando foi nomeado o atual CEO, Thilo Mannhardt.
Após deixar o Ultra, Schvartsman assumiu em 2008 o comando do grupo San Antonio, onde ficou até 2010. O San Antonio foi um dos maiores fracassos da história da gestora GP Investments. Em 2014, a GP registrou a perda total do investimento no negócio de serviços para o setor de óleo e gás – apenas a compra de 17,7% da operação custou US$ 135 milhões, em 2008. O novo presidente da Vale deixou a San Antonio para assumir o comando da Klabin em fevereiro de 2011. Ele foi o primeiro executivo que não pertencia às famílias controladoras a comandar o grupo, e chegou para finalizar o processo de profissionalização da companhia de papel e celulose.
Na Klabin, também teve o desafio de colocar em pé o projeto Puma, o maior investimento já realizado pela empresa. Inaugurado em junho de 2016, em Ortigueira (PR), teve orçamento de R$ 8,5 bilhões e se diferencia por ter produção híbrida, que permite a produção da celulose do tipo “fluff”, usada em fraldas, por exemplo.
A soma das experiências de Schvartsman “vai fazer muito bem” à Vale, afirma Pércio de Souza, sócio da butique de investimentos Estáter: “O Fábio é um dos raros executivos que alia as capacidades de identificar problemas, implementar soluções e liderar times”.
Desafios
Uma das tarefas previstas do novo presidente da Vale será a reorganização societária. A empresa quer acabar com a Valepar para transformar a mineradora numa companhia sem controlador até 2020, o que acarretará mudanças no conselho de administração e na estrutura de suas ações em Bolsa.
Schvartsman enfrentou desafio semelhante na Klabin, incluindo a transformação de parte das ações em “units”. Uma outra fonte lembrou que existem semelhanças entre os negócios de celulose e de mineração. Assim como o minério, a celulose é um produto cotado no mercado internacional e voltado para a exportação.
Outro ponto comum às duas atividades é o risco ambiental. No setor de papel e celulose, há o impacto das florestas e da produção. Na Vale, a questão ambiental é terreno bastante sensível, por causa do rompimento da barragem da Samarco – joint venture da brasileira com a BHP Billiton -, que rendeu bilhões de reais em multas à subsidiária e resultou na morte de 19 pessoas no fim de 2015.
Apesar de ver paralelos entre Klabin e Vale, a fonte lembrou que o desafio na mineradora é “infinitamente maior” não apenas pelo porte da companhia, mas também pela presença de fundos de pensão no negócio. A Klabin afirmou nesta segunda-feira, 27, em nota, que a decisão sobre a substituição de Schvartsman ainda não está tomada. O executivo não respondeu ao contato feito pela reportagem.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Alexa

Energia nuclear muda a cor e multiplica o preço de cristais

Energia nuclear muda a cor e multiplica o preço de cristais

Com tecnologia, quartzo é transformado em ametista. Lapidário revela como destaca a beleza de pedras brutas.
               

       

Em busca da perfeição. Será que é possível mudar a cor e a beleza dos cristais? É sim, com energia nuclear e criatividade de artista. Em Minas Gerais encontram-se, em cidades vizinhas, dois homens que se dedicam a essa transformação. Em Lagoa Santa, Walter Ferreira trabalha com as mãos. Na capital, Belo Horizonte, o professor Fernando Lameiras e sua equipe bombardeiam cristais com raios gama.

Os alquimistas nunca conseguiram fazer ouro. Mas, em Belo Horizonte, os cientistas conseguem mudar a cor e multiplicar o preço dos cristais. Na mão deles um quartzo vira uma ametista.

A transformação acontece no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear de Minas Gerais. A técnica foi descoberta na Alemanha, na década de 40, e aprimorada no Brasil. Cristais claros, sem cor, ganham tons de que vão do amarelo ao azul.

O primeiro passo é selecionar o cristal certo. Nem todos mudam de tonalidade. Mas o Brasil desenvolveu a tecnologia mais avançada do mundo para avaliar a composição química dos minerais e assim saber se a pedra vai ou não ganhar cor. Aí entra o poder da energia nuclear.

O laboratório é cercado de medidas de segurança. Para acionar a cápsula radioativa é preciso primeiro digitar no computador a senha que desbloqueia o sistema.

Pablo Grossi é o responsável pela segurança do laboratório e um dos únicos que têm acesso à chave da câmara de irradiação, onde as pedras mudam de cor.

Só é permitido entrar no local com o sistema desligado. Mesmo assim, nos corredores que levam à cápsula, é difícil esquecer que estamos a poucos metros de uma perigosa fonte radioativa.

"A fonte de radiação fica um metro abaixo do solo. É uma fonte de cobalto 60. Quando ela é exposta, sai de sua blindagem de chumbo e fica em uma região onde os produtos são irradiados e todo o processo ocorre. Ela fica dentro de um cilindro, que serve para proteger o material radioativo que está lá dentro", explica Paulo Grossi.

Para mudar de cor, os cristais ficam expostos à radiação de três dias a dois meses. Os cientistas explicam que o processo não deixa nos minerais nenhum resquício de radioatividade. O que muda mesmo é o valor da pedra.

"No Brasil, costuma sair pedra em um estado que vale muito pouco, cerca de R$ 20 o quilo. Bruta e sem cor. Uma pedra que já está bruta e colorida pode chegar a valer R$ 2 mil o quilo", explica Fernando Lameiras.

Walter Ferreira faz parte de um grupo de artistas cada vez mais raros. A lapidação artesanal de joias vem diminuindo muito no Brasil. Quase sempre as pedras são exportadas em forma bruta e lapidadas no exterior, geralmente na Ásia, onde a mão-de-obra é mais barata. Walter resiste. Começou a trabalhar aos 11 anos e nunca mais parou. Para ele, toda pedra é preciosa. O lapidário acha que só ajuda a revelar a beleza que ela sempre teve.

"Quanto à forma, eu só obedeço. A pedra é que me mostra o seu formato. Eu enxergo formatos dentro das pedras. Se eu não puder por meu trabalho em uma pedra com respeito, eu não ponho. Porque temos que respeitar a natureza", diz Walter.

A lapidação do quartzo consome a tarde inteira. Mas, antes de o sol se por, a peça fica pronta. Apesar das incertezas da profissão, Walter nunca pensou em desistir. "Sou apaixonado por pedras, pela natureza e por minha profissão", afirma.

A mesma paixão que levou o ex-garimpeiro Júlio Bento para Diamantina, o dono de mina Heitor Barbosa para a Paraíba, e que alimenta, todo dia, o sonho dos garimpeiros Miguel Tressi, Deda, Valdemar Bilibil e tantos outros. O sonho de encontrar a felicidade em uma pedra. Para eles, uma pedra mais do que preciosa.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Fabio Schvartsman, da Klabin, será o novo presidente da Vale

Fabio Schvartsman, da Klabin, será o novo presidente da Vale
SÃO PAULO/SP-BRASIL,07/05/2012 - Fabio schvartsman presidente da Klabin da Entrega do premio Valor economico 2012.(Foto: Zanone Fraissat - Folhapress / MONICA BERGAMO)***EXCLUSIVO***
Fabio Schvartsman, novo presidente-executivo da Vale




O diretor-geral da Klabin, Fabio Schvartsman, 65, foi eleito para substituir Murilo Ferreira na presidência da Vale a partir de maio.
O nome foi escolhido com apoio da consultoria Spencer Stuart e foi aprovado pelos acionistas da mineradora em reunião nesta segunda (27).
No fim de fevereiro, Ferreira anunciou que ficaria no cargo até 26 de maio, quando vence o seu mandato.
Schvartsman tem graduação e pós-graduação em engenharia de produção pela Poli-USP, além de pós-graduação em administração de empresas pela FGV.
Ele foi presidente da companhia de perfuração San Antonio Internacional e da Telemar Participações. Foi também diretor financeiro na Ultrapar, do Grupo Ultra, e teve cargos de chefia na Duratex.
No Ultra, comandou o processo de abertura de capital.
Como presidente-executivo da Vale, terá como principal missão tocar o processo de pulverização do controle da companhia, anunciado em fevereiro.
Com o objetivo de permitir a entrada da mineradora no Novo Mercado da Bovespa, espécie de selo de governança, os acionistas da Vale desenvolveram um plano que elimina o bloco de controle, hoje formado pelo Bradesco e por fundos de pensão.
Pelo acordo, um único investidor poderá ter, no máximo, 25% do capital —-hoje, os controladores têm 53,88% das ações com direito a voto.
A informação sobre a escolha de Schvartsman foi antecipada pelo jornal "O Estado de S. Paulo". As ações da empresa fecharam o dia em alta de 2,49% (as preferenciais, sem direito da voto) e 1,34% (as ordinárias).
Em nota divulgada após o fechamento do mercado, a Vale disse que Schvartsman "foi eleito pelo conselho de administração a partir de uma lista preparada pela empresa internacional de seleção de executivos Spencer Stuart".
Também em nota, a Klabin disse que o executivo "estabeleceu um novo ciclo de gestão e resultados na companhia", que ainda não definiu o nome de seu substituto.
TURBULÊNCIA
No cargo desde 2011, Ferreira deixará a Vale após um período conturbado na história da mineradora, no qual teve que lidar com a queda abrupta dos preços do minério de ferro e a tragédia provocada pelo vazamento de resíduos de minério em mina operada pela controlada Samarco, em Mariana (MG).
Foi responsável por um forte movimento de corte de custos na mineradora, que vendeu ativos e reduziu investimentos para enfrentar o cenário adverso, e enfrentou a resistência de trabalhadores pelas demissões e pela mudança da sede da companhia para a Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
Em teleconferência para anunciar a decisão de deixar a empresa, ele disse que, como defensor da idade máxima de 65 anos para executivos, não poderia permanecer na companhia —Ferreira faz 64 em junho.

Como se extraem esmeraldas?

Como se extraem esmeraldas?

Há sistemas de iluminação, de ventilação e de comunicação que ligam a entrada ao fundo do poço. As minas funcionam 24 horas diárias.

          
Marcos Nogueira
Para se chegar a um veio de esmeraldas, é preciso cavar buracos verticais com até 500 metros de profundidade no solo rochoso. Os garimpeiros passam dias a fio dentro dessas minas, dotadas de uma estrutura rústica, mas eficiente. Há sistemas de iluminação, de ventilação e de comunicação que ligam a entrada ao fundo do poço. As minas funcionam 24 horas diárias.
Os trabalhadores manipulam dinamite, respiram fuligem o tempo todo, urinam e defecam em sacos plásticos e estão sujeitos a desabamentos. O risco de morrer é real, mas pode compensar: uma gema de boa qualidade com 1 quilate (2 gramas) é vendida por até 5 mil dólares.
No Brasil, uma das principais áreas de extração de esmeraldas fica na serra da Carnaíba, Bahia, onde o mineral foi descoberto em 1 963. Lá as minas são cavadas dentro de barracões cobertos, sendo invisíveis para quem anda nas ruas do garimpo. Sob a terra, o cenário lembra um formigueiro. Para iniciar a perfuração de uma mina, é preciso instalar bananas de dinamite em fendas feitas com uma britadeira. À medida que se encontram veios de pedra preciosa e a rocha fica mais solta, os garimpeiros se valem de ferramentas mais “delicadas”, como marretas e picaretas. Isolados do resto do mundo, os caçadores de esmeraldas desenvolveram um vocabulário peculiar (leia quadro abaixo).
As primeiras esmeraldas foram descobertas há cerca de 5 mil anos, no Egito. A pedra verde é considerada a quinta gema mais valiosa do mundo – perde apenas para o diamante, o rubi, a alexandrita e a safira. A cor de uma esmeralda varia do um verde pálido ao verde intenso, com tonalidades azuladas ou amareladas. A qualidade da gema depende, fundamentalmente, dessa cor. As mais valiosas e raras são aquelas que têm verde intenso, puro ou com ligeira tonalidade amarelada. O grau de transparência e a presença de rachaduras também influem na avaliação de uma gema.
Fábio Lamachia Carvalho (autor do livro Sonho Verde, sobre sua experiência como garimpeiro)

Imagem: thisisbossi/Wikimedia Commons

TERRA DE NINGUÉM
No subsolo, os territórios de cada garimpo não são muito bem definidos. Não existe propriedade da terra. É comum que escavações de minas concorrentes acabem se encontrando
FURO N’ÁGUA
Quando o poço rompe um lençol freático, a água escorre pela parede e se acumula no fundo. É preciso, então, cavar um desvio e abrir um túnel paralelo. Para que a mina não se inunde, os garimpeiros drenam constantemente a água empoçada
LUZ NO FIM DO TÚNEL
Os túneis têm cerca de 2 metros de altura. O ar é bombeado da superfície até o fundo da mina. A fiação também desce para possibilitar a iluminação das galerias
CONTRA DESABAMENTOS
Às vezes é necessário escorar as paredes com “caixas”, ou estruturas de madeira, para prevenir desabamentos. Os garimpeiros usam a marreta para avaliar a segurança do teto: dependendo do som da pancada, a pedra está solta ou segura

Brasil e Japão na Bahia

Conheça um pouco das estranhas gírias do garimpo
Brasil – a superfície
Japão – o fundo da mina
Malado – quem ganhou muito dinheiro
Massegueiro – ladrão de esmeraldas
Boi – rocha pendurada no teto ou nas paredes da galeria
Canga – boi de xisto com pedras preciosas incrustadas
Indianada – pedras de qualidade inferior, que são vendidas para o mercado indiano
Martelete – tipo de britadeira
Quarta-feira – marreta muito grande e pesada. Tem esse nome porque poucos conseguem operá-la por mais de dois dias seguidos. Ou seja: o garimpeiro agüenta o trabalho na segunda e na terça, mas na quarta já não dá conta do serviço
Vazar – encontrar esmeraldas

O buraco é mais embaixo

Como funciona uma mina de esmeraldas na Bahia
REPESCAGEM
No entulho retirado das escavações, sempre há esmeraldas pequenas e de pouco valor. Isso atrai os “quijilas”, nome dado a quem aproveita os restos do garimpo. Geralmente são crianças, mulheres ou idosos
O ASCENRISTA
Quem controla o que sobe e desce – de pedras a pessoas – é o operador de guincho. A máquina, movida a diesel, tem dois comandos: acelerador e freio. O guincheiro se comunica com o interior da mina por um “telefone”, que, na verdade, não passa de um tubo de PVC

Caçadores de esmeraldas

Caçadores de esmeraldas


Montanhas de beleza rara, vales que parecem não ter fim, rios que se espremem nos corredores de pedras. O conjunto de monumentos impressionantes foi criado pela natureza há 400 milhões de anos, quando a Terra ainda era criança. No coração da Bahia, as águas do inverno saltam dos pontos mais altos do Nordeste. Um espetáculo exuberante. A Queda d'Água da Fumaça, de quase 400 metros, parece que começa nas nuvens. Na Chapada Diamantina, a trilha das águas mostra o caminho das pedras. Pedras preciosas, que contam a história de muitos aventureiros. Carnaíba, norte da chapada. O vilarejo com cara de cidade atrai milhares de garimpeiros. As serras da região concentram a maior reserva de esmeralda do Brasil.
O empresário Alcides Araújo vive perseguindo a sorte há mais de 20 anos. Ele é um dos grandes investidores na extração da valiosa pedra verde. Alcides diz que ainda não encontrou a sorte grande. Do garimpo dele só saíram pedras de segunda. Mesmo assim não dá para reclamar.
"Já ganhei um dinheiro razoável no garimpo, produzi quase quatro mil quilos. Se tivesse essas pedras hoje, valeria R$ 300, R$ 200 o grama. Já ganhei mais de R$ 3 milhões", revela o empresário.
Boa parte desse dinheiro está enterrada na jazida que Alcides explora. O Globo Repórter foi ver como os garimpeiros vão atrás da esmeralda. Uma aventura que requer, além de sorte, muita coragem.

Na maior mina da região, a equipe foi a 280 metros de profundidade. Para chegar lá embaixo, o equipamento é um cinto de borracha conhecido como cavalo. Confira esse desafio em vídeo. Os garimpeiros são mesmo corajosos. No abismo dos garimpos, a vida anda por um fio. O operador da máquina que faz descer e subir o cabo-de-aço não pode vacilar. A água que cai do teto vem do lençol freático que o túnel corta. Parece uma viagem ao centro da Terra. Mas será que vale mesmo a pena correr tanto risco?
Foram quase seis minutos só de descida. Seis minutos de arrepios. A 280 metros a equipe chegou a um corredor estreito. No rastro da esmeralda, os garimpeiros abrem quilômetros de galerias. Calor, pouco ar, oito, dez horas por dia no estranho mundo subterrâneo. Esses homens vivem como tatus-humanos.
Alegria mesmo é quando o verde começa a surgir na rocha. Sinal de que pode estar por perto o que eles tanto procuram. É preciso detonar a rocha para ver se é mesmo esmeralda. O desejo de enriquecer é mais forte que o medo do perigo. Sem nenhuma segurança, eles enchem com dinamite os buracos abertos pela perfuratriz.
“Costumamos fazer até quatro detonações por dia. A cada detonação, são disparados de dez a quinze tiros", conta o fiscal de garimpo Klebson de Araújo.
Muita pedra desceu do teto da galeria. O trabalho agora era levar tudo lá para cima e examinar direito as pedras. E o dono do garimpo? Será que ele confia nos seus garimpeiros?
"Eles encontram e a gente fiscaliza. Se facilitar uma coisinha, eles botam dentro do bolso”, diz o garimpeiro Manoel.
“Tem várias formas de levar. Uns dizem que estão com sede, pedem uma melancia para chupar. Partem um pedacinho, colocam as pedrinhas lá dentro e levam a melancia”, denuncia Alcides.
Escondida ou não, esmeralda na mão é dinheiro no bolso. Nos fins de semana, a praça principal da cidade de Campo Formoso vira um mercado movimentado de pedras preciosas. No local, o que menos importa é a procedência. A esperteza sempre prevalece. Esmeralda de qualidade nunca é vendida na praça. Negócio com pedras valiosas é fechado dentro de casa, por medo de assalto. Os minérios da Chapada Diamantina fizeram fortunas e produziram histórias. Histórias como a de Herodílio Moreira que já viveu dias de glória.
“Já ganhei muito dinheiro com esmeralda. De comprar mercadoria e ganhar cinco carros de uma vez, de lucro. Hoje esses carros acabaram. Estou querendo dinheiro para comprar uma bicicleta velha”, conta o garimpeiro.
No mundo desses aventureiros, pobreza e riqueza dividem o mesmo espaço. O garimpeiro José Gomes, de 70 anos, também já viveu as duas situações, mas nunca perdeu a esperança.
“Quando vejo na joalheria uma esmeralda em forma de jóia, analiso o que perdi. Vejo as pedras nas lojas valendo milhões de dólares e eu sem nada", diz ele.