quarta-feira, 29 de março de 2017

Brexit: um 'divórcio' que começa com (muito) mais perguntas que respostas   

Brexit: um 'divórcio' que começa com (muito) mais perguntas que respostas   
Castelos de areia com bandeiras britânica e europeia: Processo de separação entre Reino Unido e UE é complexo - deverá levar anos© BBC Processo de separação entre Reino Unido e UE é complexo - deverá levar anos
Nesta quarta-feira, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, informou oficialmente à União Europeia a decisão do país de deixar o bloco político-econômico de 28 nações, do qual faz parte desde 1972.
Mas este processo de "divórcio" entre Londres e Bruxelas ainda está marcado por muito mais perguntas que respostas - e está longe de ser simples.
Para início de conversa, o prazo inicial para colocar os planos de "secessão" em prática é de dois anos e poderá ter de ser estendido diante de questões complexas em termos legais e econômicos.

Abaixo, explicamos como as duas partes chegaram até aqui, onde podem chegar e por que os olhos do mundo, e não apenas de europeus, estarão acompanhando atentamente o desenrolar dos acontecimentos do Brexit, como ficou apelidado o processo de saída.

Por que o Brexit?

Em 23 de junho de 2016, houve um plebiscito convocado pelo então primeiro-ministro, David Cameron, para decidir sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia.
A realização da consulta popular foi uma promessa feita por Cameron em 2013 como parte de seus esforços por uma vitória de seu partido, o Conservador, nas eleições de dois anos mais tarde - na época, os conservadores governavam em coalizão com os liberais-democratas.
Ao contrário de muitos colegas de legenda, Cameron era pró-UE e fez campanha pela permanência. No entanto, o "não" ao bloco político-econômico contrariou as pesquisas eleitorais e venceu nas urnas, ainda que por uma pequena margem (51.9%).
A taxa de comparecimento às urnas foi de 71,8%, mais alta do que nas eleições que, em 2015, tinham dado a Cameron uma maioria confortável no Parlamento.
O premiê renunciou no dia seguinte.
Fotos do ex-premiê David Cameron e da atual primeira-ministra, Theresa May: Por causa do Brexit, Cameron deu lugar a May© PA Por causa do Brexit, Cameron deu lugar a May

'Brexit é Brexit'

O lugar de Cameron foi assumido menos de um mês mais tarde pela então ministra do Interior, Theresa May, que se tornou a segunda mulher a ocupar o cargo (Margaret Thatcher tinha sido premiê entre 1979 e 90).
Durante a campanha para o referendo, May fez campanha contra o Brexit, mas não ocupou uma posição de destaque na frente multipartidária e nunca tinha se destacado como eurófila entusiasmada.


E foi ela quem cunhou a frase-símbolo do processo de "divórcio" ao dizer que "Brexit é Brexit" - ou seja, que seu governo não procuraria amenizar demais o processo de saída, apesar da vitória apertada.
David Davis: O eurocético David Davis é o ministro do Brexit© Getty Images O eurocético David Davis é o ministro do Brexit

E a economia, como fica?


Durante a campanha do plebiscito, um dos principais pontos de quem defendia a permanência na UE era que o Brexit poderia desencadear uma crise econômica - incluindo recessão e um grande aumento de desemprego, sem falar em um aperto da política de austeridade que marcara o primeiro mandato de Cameron (2010-15).
No primeiro dia após o plebiscito, houve realmente um tremor nos mercados. A libra esterlina sofreu sua maior desvalorização em décadas - e ainda permanece em um patamar 15% menor em relação ao dólar do que antes da consulta popular e 10% mais desvalorizada em relação ao euro.
No entanto, as previsões mais catastróficas ainda não se realizaram. Na verdade, estima-se que a economia britânica cresceu 1,8% em 2016, atrás apenas da Alemanha (1,9%) no grupo das sete nações mais industrializadas do mundo - o PIB brasileiro, por exemplo, encolheu 3,8%.
O atual índice de desemprego no Reino Unido é de 4,8%, o menor em 11 anos. E bem inferior à média dos outros 27 países da UE (8,5%).

Incerteza


Mas analistas econômicos nem por isso descartam tormentas futuras. Especialmente se as negociações com a União Europeia terminarem com a saída britânica do Mercado Comum Europeu, que estabelece livre circulação de produtos e serviços entre os países integrantes.
O Reino Unido hoje tem a UE como o destino de 44% de suas exportações e como origem de 53% de suas importações. Um Brexit mais rigoroso teria que ser compensado com a negociação de um ou mais tratados comerciais que evitem choques na economia britânica, por exemplo.
"O maior problema nessa história é o clima de incerteza criado pelo Brexit. O processo é extremamente complexo sob o ponto de vista legal e, até que as negociações evoluam, ninguém sabe que formato essa separação terá", explica à BBC Brasil Andrew Wood, advogado especializado em comércio internacional e que já trabalhou como negociador do governo britânico junto à UE.
"Para se ter uma ideia de quão complicadas essas negociações são, o acordo de livre comércio da UE com o Canadá demorou sete anos para ser finalizado", afirma ele.
"E embora o Reino Unido na teoria seja um parceiro mais simples de se lidar sob o ponto de vista legal, pois atualmente segue a legislação europeia e é um grande exportador para a UE, agora estamos falando de uma separação cujos termos terão que ser aprovados por 27 países com interesses diferentes em um cenário pós-Brexit."
E ainda não está muito claro se multinacionais hoje operando no Reino Unido continuarão no país se perderem o acesso privilegiado ao Mercado Comum Europeu. O mesmo pode se dizer das empresas de serviços financeiros que fizeram de Londres uma gigante do setor nas últimas duas décadas.
Skyline da região de Canary Wharf, em Londres, à noite: Londres é um dos principais centros de serviços financeiros do mundo© Reuters Londres é um dos principais centros de serviços financeiros do mundo

Quais são os principais pontos a discutir?

- Comércio: O Reino Unido terá algum acesso ao Mercado Comum Europeu ou tentará um acordo de livre-comércio com o bloco? Como ficará sua posição junto à Organização Mundial do Comércio?
- Segurança: Como funcionará a cooperação com os vizinhos europeus nos esforços contra o crime organizado e ataques extremistas?
- Indenização: Estima-se que a conta do Brexit - o montante que Londres pagará para acertar suas obrigações com o orçamento da UE, bem como bancar a mudança de instituições da UE em solo britânico, por exemplo - poderá chegar ao equivalente a R$ 200 bilhões.

Despedida longa


Para deixar a UE, os britânicos têm de invocar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que prevê um prazo de dois anos para que Londres e Bruxelas decidam os termos de "divórcio".
Na teoria, então, o processo teria de ser concluído em 2019, quando o governo britânico então teria que aprovar no Parlamento um novo pacote legal que acabasse com a preponderância da legislação europeia sobre a britânica.
Imigração no Aeroporto de Heathrow: Status dos 2,9 milhões de europeus vivendo no Reino Unido ainda é uma incógnita© PA Status dos 2,9 milhões de europeus vivendo no Reino Unido ainda é uma incógnita O processo, porém, esbarra em dois problemas cruciais.
O primeiro: o artigo 50, um plano para que qualquer país deixe a UE, entrou em vigor apenas em 2009. E seu texto é simples, com apenas cinco parágrafos, dizendo apenas que um país insatisfeito com o bloco precisa notificar o Conselho Europeu e que há dois anos para negociar a saída, a não ser que, por unanimidade, britânicos e todos os países da UE concordem em estender o prazo.
O segundo ponto? Desde a criação formal da UE em 1992, nenhum país tinha pedido para sair.
Manifestação pró-UE no centro de Londres: Reino Unido será o primeiro país a deixar a UE desde sua criação formal, em 1992© AFP Reino Unido será o primeiro país a deixar a UE desde sua criação formal, em 1992 Ou seja: o processo real pode levar ainda mais tempo, com alguns analistas prevendo até seis anos para a concretização do Brexit. Isso porque pelo menos 20 dos 27 países da UE (e pelo menos 65% da população do bloco) precisam dar o aval para qualquer acordo de saída.
"Dois anos certamente não serão suficientes para negociar o relacionamento entre o Reino Unido e UE. Temos pela frente uma série de negociações complexas e que vão requerer uma série de acordos de transição", alertou esta semana um dos mais graduados diplomatas britânicos, Simon Fraser.
Enquanto isso não acontece, o Reino Unido permanece cumprindo a legislação e os acordos com o bloco, mas sem tomar parte no processo decisório.

Negócios à parte?


Com poucas exceções, as grandes empresas britânicas se declararam contra o Brexit, sob o argumento de que a permanência na UE tornaria mais fácil mover dinheiro, pessoas e produtos ao redor do mundo.
Agora, há a preocupação em quantos empregos podem migrar para outros centros financeiros europeus.
Recentemente, por exemplo, a BBC noticiou que o banco HSBC poderá mover mil postos para Paris.
Ao mesmo tempo, exportadores relatam aumento de demanda por causa da queda do valor da libra.
Gráfico sobre o processo de saída do Reino Unido da UE© BBC Gráfico sobre o processo de saída do Reino Unido da UE

Pontos de impasse


Em janeiro, May declarou que o país não permanecerá no MCE, uma concessão que automaticamente forçaria o Reino Unido a permitir liberdade de movimento de países cidadãos da UE, um ponto contencioso em um país em que a imigração se transformou em uma questão eleitoral mais importante que a segurança nacional, pelo menos de acordo com pesquisas eleitorais.
Os dois lados têm uma balança comercial significativa e querem continuar fazendo negócios após o Brexit. Os britânicos querem o maior acesso possível ao MCE e May ofereceu a chance de uma união aduaneira, em que os países concordam em não taxar produtos e serviços alheios e adotam tarifas comuns para produtos vindos de locações externa.
Atualmente, o Reino Unido faz parte de uma união alfandegária com o bloco, mas isso impede que o país busque acordos independentes com outras nações. E em diversas ocasiões, líderes europeus deixaram claro sua aversão a uma situação em que Londres deixe a mesa de negociações com o que se pode chamar de "melhor de dois mundos".
Boris Johnson: O ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson, foi um líderes da campanha pelo Brexit© Reuters O ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson, foi um líderes da campanha pelo Brexit E a principal razão é simples: sentimentos anti-UE não se limitam a Londres, outros países do bloco enfrentam o crescimento da popularidade de políticos pedindo consultas populares - na França, por exemplo, isso é representado por Marine Le Pen, cuja plataforma de extrema-direita poderá levá-la ao menos ao segundo turno do pleito presidencial, em maio.
Uma saída "honrosa" para os britânicos, para alguns especialistas poderia alimentar mais movimentos de rompimento. Sem falar que chefes dos 27 estados europeus precisam também garantir os direitos de seus cidadãos vivendo no Reino Unido - estimados entre 2,9 milhões e 3,3 milhões de pessoas, contra 1,2 milhão de britânicos na UE.
O precedente de Brexit "light" existe: a UE tem acordos preferenciais com Noruega, Islândia e Suíça, que permitem acesso ao mercado comum, mas também exigem reciprocidade na movimentação de bens, serviços e pessoas.

E se não houver acordo?


Theresa May disse recentemente que deixar a União Europeia sem um acordo pós-Brexit "é melhor que sair com um mau negócio". Só que a ausência de um tratado comercial poderia forçar o Reino Unido a ter que mediar suas operações com a UE por meio da OMC (Organização Mundial do Comércio).
Praia de região das Ilhas Canárias, em que vivem mais de 300 mil britânicos: Reino Unido tem população de quase 3 milhões de "europeus", mas 1,2 milhão de britânicos vivem em países vizinhos, em especial a ensolarada Espanha© PA Reino Unido tem população de quase 3 milhões de "europeus", mas 1,2 milhão de britânicos vivem em países vizinhos, em especial a ensolarada Espanha Especialistas estão divididos nessa questão e veem pouca vontade política da UE em iniciar uma guerra de tarifas, mas outros preveem um aumento de custos para empresas britânicas comprando e vendendo no exterior. E o perigo de que a falta de acesso ao mercado comum possa fazer com que Londres deixe de ser um centro financeiro global.
"Não acredito que seja do interesse dos dois lados criar uma situação aguerrida, já que há interesses comerciais substanciais em jogo. Nenhuma das partes vai realmente bater na mesa. O que a gente precisa lembrar aqui é o Brexit não é apenas uma questão econômicas, mas também política. Estamos em ano de eleição na França e na Alemanha e isso poderá ter influência nas negociações", completa Hood.

Imigração


O governo britânico até agora se recusou a dar garantias firmes sobre como fica o status legal de cidadãos da UE no país, dizendo que precisa de reciprocidade do bloco. A única garantia é que europeus com direito de residência permanente no Reino Unido, o que é dado depois que vivem no país por cinco anos, poderão permanecer.
O restante dependerá das negociações do Brexit. As duas situações afetam cidadãos brasileiros - grande parte dos expatriados do país vivendo nas fronteiras britânicas também tem cidadania de algum país da UE, como Portugal, Itália e Espanha.
Em números gerais, no entanto, a migração de cidadãos da UE para o Reino Unido é apenas marginalmente maior que a geral - os números mais recentes são dos nove primeiros meses de 2016, em que 165 mil cidadãos da UE entraram no país, contra 164 mil de outros países.

Em caso de arrependimento...


O Tratado de Lisboa prevê a possibilidade de um país "fujão" voltar a fazer parte da EU.
Mas caso o Reino Unido se arrependa da vida pós-Brexit, o processo de retorno não será simples nem automático: o país teria que se candidatar como qualquer outro e precisaria voto unânime dos 27 membros do bloco.

"Compre na baixa e venda na alta

Frase da semana:

"Compre na baixa e venda na alta. É muito simples. O problema é saber o que é baixo e o que é alto..."
Jim RogersCofundador do Quantum Fund e presidente da Rogers Holdings and Beeland Interests

A cratera que pode esconder as chaves sobre a origem da vida na Terra

A cratera que pode esconder as chaves sobre a origem da vida na Terra
Tim Peaken/Nasa/ESA
Cratera de Chicxulub está soterrada debaixo da Península de Iucatã, no México
Cratera de Chicxulub está soterrada debaixo da Península de Iucatã, no México


    A imensa cratera gerada pelo impacto do asteroide que exterminou os dinossauros está revelando pistas sobre a origem da vida na Terra.
    Cientistas perfuraram a Cratera de Chicxulub de 200 km de diâmetro soterrada debaixo da Península de Iucatã, no México.
    Eles afirmam que as rochas contêm indícios de que abrigaram um grande "sistema hidrotermal", no qual fluidos de alta temperatura corriam através de rachaduras e fissuras.
    Sistemas similares, gerados por outros impactos no início da formação do planeta, podem ter ajudado a dar início às primeiras formas de vida.
    O sistema hidrotermal de Chicxulub pode ter permanecido ativo por 2 milhões de anos ou mais, acreditam os cientistas.
    David Kring, do Instituto Planetário e Lunar de Houston, no Texas, nos Estados Unidos, é um dos pesquisadores que descobriu e relatou a localização da cratera.
    "O impacto gerou um sistema hidrotermal subterrâneo muito grande", explica ele à BBC.
    "Estamos usando a Cratera de Chicxulub como um ponto de partida para analisar outros eventos de grande impacto no início da história da Terra, uma vez que esses tipos de sistemas podem ter sido cruciais para a química prebiótica e os habitats durante a evolução da vida no nosso planeta", acrescenta.
    Cerca de 829 metros de material localizado no núcleo da Cratera de Chicxulub foram perfurados entre maio e junho de 2016.
    Desde então, cientistas vêm examinando as rochas da cratera, criadas a partir do impacto de um asteroide de 15 km de diâmetro há 66 milhões de anos.
    Paul Rincon
    Amostra do núcleo perfurado dos 'anéis de pico
    Amostra do núcleo perfurado dos 'anéis de pico'
    O projeto de perfuração teve como foco uma área conhecida como anéis de pico, que contém rochas que se movimentaram a uma grande distância com a colisão.
    Falando sobre a descoberta durante a Conferência de Ciência Lunar e Planetária, que está sendo realizada no Texas, a professora Sonia Tikoo, que estuda paleomagnetismo, afirmou que os núcleos permitem aos cientistas calcular a duração desse sistema hidrotermal.
    REVERSÃO DO CAMPO MAGNÉTICO
    A direção do campo magnético da Terra muda a cada 100 mil anos, aproximadamente. Quando a extinção dos dinossauros ocorreu, a polaridade era inversa à de hoje.
    Sonia destaca que os cientistas ficaram surpresos ao descobrir uma polaridade normal, ou seja, na mesma direção da que temos hoje em dia no planeta, em algumas amostras de brechas (tipo de rocha formada por diversos pedaços de minerais e rochas diferentes untadas por um cimento mineral).
    "Passados 300 mil anos, o campo magnético da Terra se reverte e assume uma polaridade 'normal', ou seja, na direção contrária à que tinha quando ocorreu o impacto. Essas rochas devem ter adquirido a magnetização durante um desses períodos de polaridade normal que aconteceram depois (da colisão). Isso nos permite estimar por quanto tempo esses fluidos quentes atravessaram a cratera."
    Inicialmente, acreditam os cientistas, todo o sistema deve ter sido muito quente até para os micro-organismos mais tolerantes ao calor.
    No entanto, com o passar do tempo, os "anéis de pico", formações típicas de grandes crateras de impacto, criadas pela elevação do solo após as colisões, teriam esfriado, permitindo, assim, que pequenas formas de vida se alimentassem das substâncias químicas dissolvidas nos fluidos quentes.
    "Em relação ao sistema hidrotermal, fomos capazes de inferir a mineralogia que os fluidos de água quente produziram", explica Kring.
    "Começamos, assim, a rastrear a evolução termal: quão quente a água ficou e como ela se resfriou".
    "Por fim, a água chegou a uma temperatura ideal para permitir a vida de organismos termofílicos e hipertermofílicos –o mesmo tipo de biota que vive em fontes vulcânicas de água quente. Esses micro-organismos viveram dentro das fendas e rachaduras dessa cratera abaixo da superfície", acrescenta.
    Kring diz não saber ainda "quão diversa essa população era".
    "São duas espécies que permaneceram por milhões de anos? Ou veremos uma explosão de vida de modo que, de repente, teremos 15 ou 30 ou 50 espécies?", questiona.
    O impacto do asteroide exterminou 75% das espécies da Terra, incluindo os dinossauros.
    Max Alexander
    Cenotes (cavidades) mexicanos se formaram a partir de calcário enfraquecido sobre Cratera de Chicxulub
    Cenotes mexicanos se formaram a partir de calcário enfraquecido sobre Cratera de Chicxulub
    Destroços lançados na atmosfera provavelmente escureceram os céus e esfriaram a temperatura global.
    Também teriam provocado incêndios violentos. Mas cientistas não sabem por que esse cataclismo ambiental matou os dinossauros, enquanto que outros animais, como espécies de aves e mamíferos sobreviveram.
    "Não sabemos por que alguns animais, como tartarugas, sobreviveram", ressalva Kring.
    "Mas ao analisar essa cratera poderemos ter noção de alguns limites para parâmetros importantes, como energia e, assim, obter essas respostas", conclui.
    O projeto para perfurar a Cratera de Chicxulub foi realizado pelo Consórcio Europeu para Pesquisa de Perfuração Oceânica (Ecord, na sigla em inglês) como parte do Programa de Descoberta de Oceanos Internacionais (IODP, na sigla em inglês). A expedição também recebeu apoio do Programa de Perfuração Científica Continental Internacional (ICDP

    terça-feira, 28 de março de 2017

    Intolerância a lactose e alergia ao leite: entenda a diferença

    A intolerância à lactose é a incapacidade de digerir o açúcar do leite. A lactose é o açúcar natural existente no leite e derivados e precisa ser digerida por uma enzima chamada lactase, transformada em glicose e galactose antes de ser absorvida e aproveitada pelo organismo. Se a pessoa não tem enzimas suficientes para digerir a lactose dos alimentos que ingere, sentirá uma série de desagradáveis sintomas como gases, distensão abdominal, diarréia e cólicas após a ingestão de alimentos que contenham lactose. Isso ocorre porque a lactose não absorvida passa pelo cólon, onde é consumida por bactérias. Os subprodutos da atividade bacteriana são gases como o hidrogênio e o metano, que são responsáveis pelo desconforto. A doença pode ser diagnosticada pela medição da quantidade de hidrogênio exalado antes e depois da ingestão de lactose. Uma quantidade excessiva de hidrogênio confirma a intolerância à lactose. Com exceção de algumas plantas não-comestíveis, o leite é a única fonte de lactose. Após o desmame, os seres humanos deixavam de ter contato com a lactose; portanto, não precisavam mais da lactase, a enzima que digere o açúcar no trato digestório.

    Como surge a intolerância a lactose

    Com a evolução do homem, a lactase foi programada para desaparecer à medida que o leite fosse gradualmente eliminado da alimentação da criança. Os adultos que conseguem digerir leite são uma minoria na população mundial; 70% da população de origem africana ou asiática apresenta intolerância parcial ou total à lactose a partir dos 4 anos. Por outro lado, 90% dos povos do norte da Europa continuam a produzir lactase. Este traço genético provavelmente permitiu a seus ancestrais absorver cálcio extra em um hábitat com pouca luz solar para ajudar a desenvolver a vitamina D na pele. A intolerância temporária ou permanente à lactose pode ocorrer após uma doença que afete as paredes internas do intestino como doenças gastrintestinais, doença celíaca ou inflamações intestinais. Também pode surgir após tratamentos com antibióticos ou medicamentos antiinflamatórios. Em alguns casos, a intolerância é transitória e desaparece quando o intestino saudável volta ao normal. Em outros, a intolerância à lactose é uma “intolerância limítrofe”. Isso significa que você pode digerir pequenas quantidades de lactose, porém doses maiores podem causar problemas.
    A lactose é encontrada em laticínios, incluindo leite, iogurte e queijo. Também pode ser encontrada como um ingrediente presente em vários produtos alimentícios como biscoito, pães e carnes processadas, salsichas, alguns adoçantes artificiais e até certos medicamentos. Leia os rótulos dos produtos cuidadosamente e procure descobrir se contêm leite, leite em pó, creme, soro de leite, sabores de queijo, coalho e leite em pó desnatado.

    Consuma pequenas quantidades de laticínios

    A maioria das pessoas com intolerância à lactose pode consumir leite sem problemas. Também podem consumir sem problemas laticínios pasteurizados, como iogurte, porque as bactérias empregadas na fermentação usam quase toda a lactose como combustível. Para pessoas com intolerância maior, que ainda assim querem comer laticínios, as lojas vendem produtos com baixo teor de lactose, e as farmácias oferecem enzimas em gotas que podem ser adicionadas ao leite, ou cápsulas de enzimas que podem ser ingeridas antes da ingestão de laticínios.

    Alergia ao leite

    Não confunda a intolerância à lactose com alergia ao leite, que é uma hipersensibilidade às proteínas presentes nos laticínios. Se você for alérgico a leite, poderá ter uma reação mesmo consumindo produtos com baixo teor de lactose.

    Restabeleça o contato com o leite

    Mesmo que tenha intolerância à lactose, você pode incluir produtos à base de leite em sua alimentação.
    • Comece aos poucos. Comece com 1⁄4 de xícara de leite e vá aumentando gradualmente a quantidade. Aos poucos, sua tolerância aumentará. Quanto mais evitar o leite, mais intolerante ficará.
    • Beba leite junto às refeições, nunca de estômago vazio.
    • Coma iogurte. As culturas ativas no iogurte o tornam bastante digerível.
    • Beba leite com baixo teor de lactose.
    Quem tem intolerância a lactose deve abusar de:
    • Leite com baixos teores de lactose, gotas de enzima de lactose ou cápsulas de enzima de lactose, se você não consegue digerir leite.
    • Queijos duros e iogurte, que contêm pouca lactose.
    e evitar:
    • Alimentos que provoquem qualquer reação.
    • Medicamentos à base de lactose se tiver intolerância a essa substância, desde que existam substitutos disponíveis.
    Fonte: Alimentos Saudáveis, Alimentos Perigosos

    Riquezas de Minas Gerais

    Riquezas de Minas Gerais

    Riquezas de Minas Gerais


    Matéria-prima é o que não falta. Minas Gerais é o maior produtor mundial de gemas coradas, mais conhecidas como pedras preciosas.

    O grande problema é que a maioria das pedras preciosas de Minas Gerais sai no seu estado bruto. O tratamento e a lapidação são feitos fora do estado, na maioria das vezes no exterior.

    No caso das pedras preciosas, muitas vezes elas retornam para o estado tratadas e lapidadas ou já em forma de jóias, agregando um grande valor à peça. É fácil perceber os prejuízos com a venda da pedra bruta, muito barata em relação à mesma pedra depois de beneficiada. Uma pena...pois aqui temos o produto mas não existem tantas pessoas capacitadas para desenvolver a função de lapidador.