quinta-feira, 30 de março de 2017

Kimberlito vargem-1 (Coromandel, MG): bulk sample confirma mineralização diamantífera

Kimberlito vargem-1 (Coromandel, MG): bulk sample confirma mineralização diamantífera

Vargem-1 kimberlite: bulk-sample confirms the diamond mineralization





RESUMO
O kimberlito Vargem-1, a sudeste de Coromandel (MG), ocorre sob o leito e margens do Rio Santo Inácio, o qual possui depósitos aluvionares lavrados desde longa data. Entretanto, a presença de diamantes na intrusão foi sempre questionada, pois teria uma química mineral desfavorável à mineralização. Agora, amostragem de grande volume, em execução por firma mineradora, revelou a presença de diamantes, com pesos inferiores a 1 ct, em um dos poços pesquisados. Esse fato "abre" nova perspectiva exploratória em dezenas de intrusões já identificadas em tal região.
Palavras-chave: Kimberlito Vargem-1, Coromandel, diamante.

ABSTRACT
The kimberlite Vargem-1, southeast of Coromandel (MG), occurs under the bed and banks of the Santo Inácio River, which has alluvial deposits mined for many years. However, the presence of diamonds in the intrusion was always questioned, which would have an adverse mineral chemistry to diamond mineralization. Now, bulk sampling running for a mining company, revealed the presence of diamonds, weighing less than 1 ct in one of the pits. This fact "opens" new exploratory perspective in dozens of intrusions already identified in such region.
Keywords: Vargem-1 Kimberlite, Coromandel town, diamond.



1. Introdução
O kimberlito Vargem-1 reveste-se de maior importância por constituir o primeiro corpo desse tipo inequivocamente identificado em Minas Gerais (1969), por meio de análises químicas de minerais separados do seu solo de alteração (Svisero et al., 1977). Uma parte da intrusão aflora sob o aluvião rico em diamantes do rio Santo Inácio, afluente do rio Paranaíba, a sudeste de Coromandel (Figura 1-A). Como os cascalhos desse rio são mineralizados a teores compensatórios, com o encontro periódico de grandes diamantes, permaneceu sempre a dúvida se o kimberlito seria ou não diamantífero e, logo, um dos responsáveis pelo espalhamento da mineralização no meio secundário, embora as empresas que antes o pesquisaram tivessem-no considerado estéril. Agora, amostragem bulk revelou o contrário.

2. O kimberlito Vargem-1
A intrusão, datada em 80,3 Ma, compõe um cluster com, pelo menos, outros dois ou três corpos próximos (Svisero et al., 1986, 2005). Para esses autores, sua forma superficial, com cerca de 1,8 ha, é triangular e voltada para sul, hospedando-se em siltitos do Grupo Bambuí, onde, no contato dessa encaixante, desenvolvem-se, localmente, grandes blocos, quase maciços, de silexito. Nas cavas de pesquisa, abertas no yellowground do corpo, observam-se, em meio à massa argilosa, restos de minerais originais, em "manchas" serpentinizadas, consideradas por Svisero et al. (1986) como resultantes da alteração de antigos megacristais de olivina forsterita.
No presente (Figura 1-B), seis poços de pesquisa estão sendo abertos pela GAR Mineração, cada um com cerca de 100 m3 cada, atravessando o corpo longitudinalmente. O material aluvionar foi previamente removido, juntamente com o topo mais alterado do corpo, para se evitar possível contaminação. A bulk sample pretende amostrar próximo de 2.000 toneladas de material rochoso, suficientes para definir teores e reservas do corpo. Os diamantes recuperados têm peso inferior a 1 ct.

3. Química dos principais minerais indicadores
Estudos mineralógicos prévios são devidos a Svisero et al. (1977) e Esperança et al. (1995), a partir de material rochoso alterado da borda da intrusão. Os piropos, analisados com microssonda eletrônica, foram classificados como do tipo G-9, de pouca representatividade em intrusões férteis na África do Sul e Rússia (Figura 1-C). Agora, separou-se do material recuperado, em uma das cavas de bulk sample (a que produziu diamantes), grande quantidade de minerais pesados para novos estudos. As análises em granadas confirmaram os dados anteriores que indicam larga predominância de piropos G5 e G9 sobre os G10 (conforme classificação e limites de Grütter et al., 2004), os quais caracterizam corpos de alto potencial diamantífero. Estudos sobre outros indicadores encontram-se em andamento.


4. Conclusão
A constatação de que o kimberlito Vargem-1 é diamantífero, mesmo que os teores encontrados resultem em antieconômicos, permite comprovar que não apenas esse, mas, inclusive, a maioria dos corpos da região foram pesquisados insuficientemente. Isto já havia sido demonstrado no caso do kimberlito Canastra -1, pesquisado preliminarmente em 1974, mas somente com uma nova campanha exploratória, em 1991, foram identificados teores economicamente viáveis (Chaves et al., 2008). Tal fato "abre" a perspectiva de exploração de dezenas de outras intrusões de natureza semelhante na região.

5. Agradecimentos
O autor expressa seus agradecimentos aos Srs. Francisco e Fernando Ribeiro, proprietários da GARMIN, sócia do empreendimento, pelas facilidades concedidas, e, também, ao CNPq, pela concessão de Bolsa de Produtividade em Pesquisa.

Diamantes do médio rio Jequitinhonha, Minas Gerais: qualificação gemológica e análise granulométrica

Diamantes do médio rio Jequitinhonha, Minas Gerais: qualificação gemológica e análise granulométrica







RESUMO
Os depósitos aluvionares da bacia do Rio Jequitinhonha, em Minas Gerais, constituíram a fonte da maior parte dos diamantes produzidos no Brasil desde 1714 até meados da década de 1980. Essa importância histórica e econômica motivou a apresentação dos dados quanto à granulometria e qualificação gemológica dos diamantes nas áreas de concessão das mineradoras Tejucana e Rio Novo. Em adição, a amostragem adquirida em 14 pontos ao longo do rio é instrumental para a composição de um banco de dados, tendo em vista a identificação da origem de populações de diamantes. No mega-lote estudado, constituído por 186.052 pedras (17.689 ct), merece ser destacada a grande proporção (82,2%) de diamantes gemológicos.
Palavras-chave: Rio Jequitinhonha, diamante, distribuição granulométrica, qualidade gemológica.

ABSTRACT
The Jequitinhonha River basin alluvial deposits, in Minas Gerais, were the source of most of the Brazilian diamond production since 1714 until the last middle eighties. This historical and economical importance is in itself a reason to publish grain-size and gemological quality data concerning the diamonds of the Tejucana and Rio Novo mining companies concession areas. In addition, extensive sampling (186,052 stones or 17,689 ct) on 14 locations along the river can contribute to create an important database to identify the origin of different diamond populations. Among other observations, the high proportion (82,2%) of gem diamonds should be stressed.
Keywords: Jequitinhonha River, diamond, grain-size distribution, gemological quality.



1. Introdução
Diamantes foram descobertos no Brasil nas proximidades de Diamantina, centro-norte de Minas Gerais, ao início do século XVIII. Nesse contexto, a bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha se destaca por sua importância, não só histórica, como também comercial, uma vez que a maior parte dos diamantes daquele distrito foram produzidos sobre tal bacia, nas suas porções superior e média. No médio curso do rio Jequitinhonha, os aluviões são mais largos, permitindo a operação de grandes dragas de alcatruzes, como as das mineradoras Tejucana e Rio Novo, ao contrário do que ocorre no seu alto curso. O objetivo do presente trabalho é apresentar os dados quanto a granulometria e qualidade comercial referentes à produção de diamantes do Médio Jequitinhonha. Além disso, busca-se compor um banco de dados que apóie o desenvolvimento de um modelo para a identificação da origem de diferentes populações de diamantes.

2. Depósitos diamantíferos do rio Jequitinhonha
Na porção superior do rio Jequitinhonha, os vales são apertados, freqüentemente formando canyons entalhados sobre as rochas quartzíticas da serra do Espinhaço. Nessa área, como a largura dos aluviões raramente excede os 20 m, somente atividades garimpeiras são viáveis. A partir da localidade de Mendanha (Figura 1), o rio ganha o seu médio curso, desenvolvendo aluviões mais largos, muitas vezes com o flat alcançando 1.000 m de largura, onde as companhias Tejucana (atualmente com os serviços interrompidos) e Rio Novo operam diversas dragas de alcatruzes, acompanhadas, respectivamente, de dragas de sucção (Figura 2). No processo minerador, a draga de sucção segue à frente retirando o capeamento arenoso, estéril, enquanto a draga de alcatruzes, em seguida, escava, recolhe e trata o cascalho basal do depósito, rico em diamantes (ouro também é recuperado como subproduto).






A lavra de diamantes aluvionares do rio Jequitinhonha abrange exclusivamente sua calha atual, de idade recente a sub-recente. A fonte desses diamantes está concentrada nos conglomerados proterozóicos intercalados na Formação Sopa-Brumadinho, aflorantes em porções altas da serra do Espinhaço nas cabeceiras do rio e sua margem oeste (Figura 1), constituindo, assim, um novo ciclo geológico de erosão-deposição. A forte queda no gradiente do rio, com altitudes entre 1.200-1.500 m no espigão serrano para 700-600 m na área da jazida, fez com que os diamantes fossem reconcentrados nesse trecho aluvionar estudado (Figura 3-A). Na área de concessão da Mineração Rio Novo, mais ou menos na parte central do depósito (em termos longitudinais), a espessura média do cascalho mineralizado é de 4 m, para uma cobertura estéril que, em geral, alcança porte similar (Figura 3-B).



 
3. Identificação da fonte de lotes de diamantes
Desde quando foi percebido que a produção diamantífera de certos países africanos, como Angola, Serra Leoa e Congo, estava atrelada ao financiamento de grupos engajados em guerras civis locais (os chamados conflict diamonds, também conhecidos em português como "diamantes-de-sangue"), uma campanha internacional patrocinada pela ONU tem procurado impor sanções à importação de material desses países. Além disso, a comunidade consumidora, sentindo-se moralmente abalada por tais acontecimentos, estimulou a pesquisa de propostas científicas visando a conhecer a real procedência dos lotes de diamantes, para evitar que essa produção chegasse aos grandes centros lapidadores. Entretanto, logo ficou claro que inexistiam metodologias científicas seguras capazes de identificar tal procedência (Janse, 2000; Shigley, 2002).
Desde longa data se tem percebido que diferentes depósitos diamantíferos, desde os primários, mostram particularidades específicas (Lewis, 1887). Nesse sentido, as médias de tamanho, valor ou qualidade gemológica, a freqüência relativa de formas cristalográficas, a presença de certas variedades, bem como outras propriedades químicas afins, poderiam ser relacionados com certos depósitos ou áreas diamantíferas. Estudos nesse sentido foram inicialmente propostos para alguns kimberlitos sul-africanos (Harris et al., 1975, 1979), norte-americanos (Otter et al., 1994) e para os pláceres costeiros da Namíbia (Sutherland, 1982). No Brasil, estudos semelhantes incluíram os diamantes da mina de Romaria - Triângulo Mineiro (Svisero & Haralyi, 1985), do rio Tibagi - Paraná (Chieregatti, 1989) e da serra do Espinhaço - norte de Minas Gerais (Chaves, 1997; Chaves et al., 1998).
Diversos autores (Chambel, 2000a,b; Chaves et al., 1998; Janse, 2000; Shigley, 2002) procuraram enfatizar que os diamantes de determinado depósito têm uma história geológica comum e, assim, devem possuir características que são "únicas" para cada depósito. Documentando tais características, elas poderiam conduzir à identificação do local de origem do lote de diamantes. Para isso, entretanto, precisa-se envolver análises estatísticas sobre populações de diamantes com grande número de indivíduos e os resultados precisam de ser compilados dentro de um programa de dados para cada área produtora de diamantes do mundo. Tal assinatura mineralógica, ainda que bastante fácil de se obter nas jazidas em fontes primárias, torna-se mais complicada em relação aos depósitos secundários, muitas vezes dispersos sobre grandes regiões. A apresentação dos dados referentes aos aluviões do rio Jequitinhonha pretende ser uma contribuição a tal proposta.

4. Discussão dos dados
Na área da Cia. Tejucana, os dados utilizados, no presente estudo, compõem-se de 14 parcelas correspondendo à produção mensal de cinco dragas (T1-T5), quando em plena operação nas décadas de 1980-90 (Figura 1, Tabela 1). Tal produção foi classificada originalmente pelos técnicos dessa companhia em termos granulométricos e comerciais, nos quatro grupos principais: (1) diamantes gemológicos de 1ª qualidade, (2) diamantes gemológicos de 2ª qualidade, (3) chips e (4) diamantes industriais. Os chips correspondem a diamantes de qualidade gemológica inferior, por apresentarem cristalização irregular ou geminada (Chaves & Chambel, 2003). Nesse trabalho, os diamantes de melhor qualidade (1ª/2ª) foram agrupados constituindo os diamantes "gemas", conforme referido nas Tabelas 3,
Em relação aos estudos realizados na área de concessão da Mineração Rio Novo, somente duas amostragens foram utilizadas (janeiro e junho/1994), referentes a cerca da metade da produção mensal em porções distintas do setor de lavra conhecido como "Lagoa Seca" (jusante e montante), um distando do outro cerca de 1.000 m (Figura 1). Tal produção era proveniente de uma das duas dragas em operação pela companhia ("Maria Bonita"), pois, desde 1989, a mesma trabalhava também com a draga "Chica da Silva" (ou T1), adquirida da Mineração Tejucana. Para melhor entendimento das análises fornecidas, o trecho estudado do rio Jequitinhonha foi ainda dividido em dois setores, designados de "bloco montante" e "bloco jusante".
Há que se lamentar a falta de dados entre as localidades de Mendanha e Maria Nunes, onde os teores com certeza foram maiores por estarem logo à frente do espigão serrano (Figura 1). Sem dúvida, nesse trecho do rio Jequitinhonha, os serviços estavam concentrados na época da Coroa Portuguesa, a julgar pelos relatos de Mawe (1812) e Eschwege (1833). Com os dados fornecidos na Tabela 1, a impressão inicial é de que não existe correlação entre a distribuição das médias de peso/tamanho das pedras com o distanciamento de montante para jusante. Ainda que se verifique uma drástica diminuição desses valores desde o ponto 1 (resultando em 3 pedras para cada quilate) até o ponto 14 (19 pedras/ct), nos pontos intermediários os dados apresentam-se aparentemente caóticos.
Dessa maneira, poder-se-ia, em princípio, deduzir que as distribuições granulométricas, bem como os teores em diamantes, são bastante variáveis, provavelmente em dependência do posicionamento das cabeceiras dos tributários da margem esquerda do rio (Tabela 1 - Coluna 5). Produções (e teores) maiores determinariam o quanto de superfície tal sub-bacia teria drenado áreas de afloramento do Conglomerado Sopa. Entretanto, juntando-se os dados para trechos maiores do rio, conforme a coluna 6 da mesma tabela, observa-se uma notável regularidade na diminuição das médias de tamanho das pedras, desde 5,17 pedras/quilate na área de lavra da T3 - no início do bloco montante, até 19,36 p/ct na área da T4 - ao final do bloco jusante.
Em termos de granulometria (Tabela 2), a faixa preferencial, em função do peso dos diamantes (a qual se considera como a melhor maneira de se interpretar os dados), está concentrada no crivo [>12 <19], a qual inclui diamantes de peso médio de 0,33 ct, com a média geral de 35,3%. Interessante lembrar que tal classe, conhecida no meio comercial como 3/1 (três pedras por quilate), apresenta valores médios bastante apreciáveis de comercialização, pois ela é largamente utilizada na confecção de brilhantes de pequeno porte (@0,10 ct), os mais procurados em termos de "volume" de vendas em joalherias.
Em relação às qualidades gemológicas dos lotes (Tabelas 3, 4, 5), algumas observações se destacam: (1) em função do peso, a classe de granulometria [>12 <19] também apresenta amplo predomínio em termos de diamantes gemológicos de alta qualidade, variando entre 19,6-31,0%, com média de 26,5% para este crivo nos sete pontos do bloco montante, e 10,1-27,8% no bloco jusante (média de 20,2%); (2) a média total de diamantes lapidáveis (gemas + chips) atingiu o máximo de 93,5% (Ponto 3 - bloco montante), com média geral de 82,2% sobre o "mega-lote" (todos os 14 pontos), pesando 17.689 ct, com 186.052 pedras.

5. Considerações finais
As mineradoras Tejucana e Rio Novo representam raríssimas excessões no cenário nacional, no sentido de operações racionais e organizadas de lavras diamantíferas. O estudo dos dados de produção dessas empresas, por conseguinte, constitui uma excelente oportunidade de se trabalhar com dados precisos e confiáveis, para uma atividade em geral desorganizada e dominada por atividades garimpeiras. Ressalte-se também o fato de que ambas as mineradoras estão com suas reservas à beira da exaustão, tornando o estudo ainda mais premente. As populações de diamantes, ora estudadas, serão ainda úteis na criação de um grande banco de dados, visando a conhecer a proveniência geográfica de lotes de diamantes através de suas características mineralógicas.
Os diamantes do Médio Jequitinhonha, assim, embora de tamanhos médios bastante reduzidos e constituírem uma parcela ínfima da produção mundial (considerando uma produção mundial de 100.000.000 ct/ano e a produção do rio Jequitinhonha em 100.000 ct/ano - isto significaria 0,1% daquele montante), podem ser considerados bastante interessantes pelos seus conteúdos histórico e comercial. Afinal, a bacia desse rio foi por quase 160 anos, a maior produtora mundial de diamantes. Além disso, tal produção representa uma das maiores freqüências médias mundiais de diamantes gemológicos (82,2%, conforme demonstrado). Por isso, ainda atualmente a cidade de Diamantina constitui um importante pólo de comercialização de diamantes em termos internacionais.

6. Agradecimentos
Agradecimentos especiais são direcionados à Min. Tejucana na pessoa de seu diretor, Eng. Fernando Vieira (Diamantina), pelo acesso aos dados dessa mineradora e autorização para publicação dos mesmos, bem como à Min. Rio Novo e ao seu geólogo-chefe à época, Dr. Ronald Fleischer (Belo Horizonte), pelas facilidades e gentilezas prestadas.
 

Governo busca novos aportes para o carvão do RS

Governo busca novos aportes para o carvão do RS


Em busca de novos investimentos para o setor carvoeiro do Rio Grande do Sul, o governador José Ivo Sartori e o secretário de Minas e Energia, Artur Lemos Júnior, receberam nesta sexta-feira (17) uma comitiva de empresários da Copelmi Mineração. A audiência (foto) tratou da intenção de instalação de um parque carboquímico na Região do Baixo Jacuí, uma projeção de investimento de US$ 4,4 bilhões (mais de R$ 13 bilhões), conforme previsão de consultores internacionais.
A proposta foi entregue após as secretarias de Minas e Energia e de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia receberem o resultado de um estudo que atesta a viabilidade da construção de um complexo industrial a partir de uma política carboquímica, ou seja, a base do uso de carvão verde, extraído com o mínimo de danos ao meio ambiente.
“Sabemos da dificuldade e também dos acordos internacionais para a redução de gases nocivos ao meio ambiente. Estamos buscando novos mercados para o carvão uma vez que em 2019, vencendo o contrato com a Bolívia, essa poderá ser uma solução caseira para a internalização da arrecadação de ICMS e também de fornecimento desse insumo, de grande importância para a indústria gaúcha”, explica Lemos Júnior.
Para a carboquímica, os insumos como gás metanol e fertilizantes, em parte importados pelo Estado, foram considerados viáveis para exploração em território gaúcho. Sendo assim, os empresários buscam parcerias para construir um parque onde seja feita a gaseificação do carvão para produção e comercialização de gás natural. A pesquisa foi realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e Sindicato Nacional da Indústria de Extração de Carvão (Sniec), considerando que o estado tem a maior reserva de carvão mineral do país (90%).
Parceria
A Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás) e a Companhia Riograndense de Mineração (CRM) são parceiras potenciais para a Copelmi. Além do projeto ter atratividade para investidores pela questão da sustentabilidade, o complexo pode demandar matéria-prima, o que possibilitaria a oferta do mineral extraído pela CRM para o complexo e o gás natural seria comercializado para a Sulgás.
Conforme o diretor de novos negócios da empresa, Roberto de Faria, a intenção é vender 1,5 milhão de metros cúbicos de gás por dia para a companhia estadual. “O projeto é mais competitivo que o gás importado, o GNL, porque como no futuro o Brasil poderá não ter gás e provavelmente terá que importar, temos uma condição melhor de preço e atratividade nessa base”, complementou. A empresa desenvolve o projeto desde 2014 e já possui parceria com uma empresa coreana que deve participar com 30% no investimento. A intenção é começar a construção a partir de 2018, com prazo de três anos para conclusão da mina.
Fonte: Revista Amanhã

Chile: Uma Potência Imersa em Incertezas

Chile: Uma Potência Imersa em Incertezas


Considerada uma das economias mais fortes da América do Sul, o Chile está passando por uma desaceleração econômica e, apesar de apresentar vários indicadores de dar inveja a seus vizinhos, ainda tem um caminho a trilhar, se quiser se firmar como destaque mundial. Os principais setores da economia chilena são o industrial e o de serviços, e as suas principais atividades econômicas são exploração de minérios, principalmente cobre, produção de manufaturados e agricultura.
Um de seus maiores desafios tem sido o preço do petróleo, que, aliado aos altos custos de produção de energia, são uma âncora na expansão e no barateamento dos custos do setor industrial. Essa adversidade tem feito o país investir em energias renováveis, e é esperado que, até 2020, elas correspondam à cerca de 20% da produção de energia do Chile.
Outro desafio vivido pelo décimo lugar do mundo no ranking de liberdade econômica é a queda no PIB. O país vinha apresentando crescimento acima de 4% ao ano desde 2004, excluindo os anos da crise econômica internacional de 2008 e 2009, até que uma desaceleração econômica fez com que, em 2014, o aumento fosse de “mero” 1,9%.
Em março de 2014, Michelle Bachelet assumiu o cargo mais importante do poder executivo chileno, sob a promessa de um pacote ambicioso de reformas em educação, saúde e proteção social. Porém, a geração de emprego caiu, e a projeção de crescimento do país diminuiu. A inflação no Chile aumentou, e o PIB apresentou um crescimento pequeno comparado ao que o país vinha experimentando. Enquanto o governo alegava que isso era consequência do cenário internacional conturbado e da queda do preço do cobre, que representa aproximadamente 50% de suas exportações, a oposição criticava duramente a presidente e suas reformas, que, segundo eles, teriam trazido instabilidade e incerteza para o mercado.
Visando seu pacote de reformas, principalmente o projeto de educação, Bachelet propôs uma reforma tributária que, além de aumentar a arrecadação do governo, também tornaria mais difícil a evasão fiscal. Mesmo com a maior arrecadação, as reformas da presidente não foram cumpridas inteiramente, o que gerou descontentamento popular.
Além disso, a presidente teve seu nome ligado a um esquema de corrupção envolvendo seu filho mais velho e sua nora, que estão sendo investigados por, supostamente, terem usado informações privilegiadas e tráfico de influência para revender terrenos por um preço elevado, após um projeto de reutilização do solo. O nome da presidente também foi citado em outro caso de corrupção, dessa vez envolvendo uma das principais holdings do país, que estaria sendo acusada de doações ilegais de campanha, notas fiscais adulteradas e dribles ficais. Para alguns, esse é o maior caso de corrupção no Chile, tornando o cenário doméstico extremamente frágil.
Como consequência, a aprovação de Bachelet está abaixo dos 20%, e os resultados das eleições municipais realizadas em outubro de 2016 preocuparam a atual presidente. A coalizão formada pela oposição ganhou nas principais cidades do país, incluindo a capital, Santiago. Um dos recentes abalos econômicos passados pelo Chile foi a saída dos Estados Unidos do Acordo de Associação Transpacífico, que, antes de perder esse membro, reunia 40% da economia mundial. Apesar de um primeiro abalo negativo a partir da decisão de Donald Trump, o “fechamento” da economia norte-americana teve como resposta uma proposta de maior aproximação com a Argentina e os países do Mercosul. Caso os países sul americanos realmente estreitem seus laços econômicos, isso pode tornar o cenário mais interessante para o Chile.
Com um horizonte incerto na política (principalmente) e na economia, o Banco Mundial prevê um crescimento entre 1% e 3% anualmente para o Chile até 2019, resultado ruim se comparado ao do começo do século 21. Resta esperar para saber se as previsões estão corretas ou se o Chile conseguirá se reerguer mais rapidamente do que o previsto, mesmo com tantas adversidades.
Fonte: Investing.com

Cobrança de Royalties dos minérios deve dobrar, diz ministro

Cobrança de Royalties dos minérios deve dobrar, diz ministro


O governo deve dobrar a arrecadação com as compensações financeiras cobradas da produção da mineração, diz Fernando Coelho Filho, ministro de Minas e Energia. No ano passado, esse valor ficou em cerca de R$ 1,8 bilhão, ou 2,02% da receita líquida das empresas do setor. ”Algumas alíquotas terão aumento, e outras, redução. Agregados como brita e areia, que são usados na construção civil, pagarão menos.”
A arrecadação com o minério de ferro vai passar pelas principais mudanças. Uma delas, segundo o ministro, é a base de cálculo. Hoje, a compensação financeira é calculada em cima da receita líquida. Ela passará a incidir sobre a bruta. A outra é o aumento da alíquota: ela passará da faixa de 2% para 4% –ela vai flutuar de acordo com o preço da commodity. O argumento do ministro é que outros países mineradores, como a África do Sul, cobram royalties maiores.
A indústria está alinhada com o ministério até agora, afirma, mas é contra essas alterações, afirma Walter Alvarenga, presidente do Ibram (instituto de mineração). O produto brasileiro vai perder competitividade com a medida, porque outros produtores do minério estão próximos do grande consumidor, a China, diz ele. ”A pauta dos bens minerais segura boa parte da balança comercial. Vão querer dar porrada na galinha dos ovos de ouro?”, questiona.
Fonte: Folha de S. Paulo