terça-feira, 4 de abril de 2017

Incerteza política esfria ofertas de ações, mas mercado ainda espera 17 operações no ano

O ano marca a volta das ofertas públicas de ações. A melhora da economia, a perspectiva de aprovação das reformas e a queda dos juros fizeram o mercado acionário subir no ano passado e neste, retomando as ofertas. “Esperamos este ano chegar a R$ 25 bilhões em ofertas de ações, tanto aberturas de capital (IPO) quanto captações de empresas já abertas (follow-ons) ”, diz Edemir Pinto, presidente da Brasil Bolsa Balcão (B3), a nova bolsa de valores. Ele estima que 17 empresas venham a mercado com novas ofertas.
Nos últimos meses, porém, a queda das bolsas no Brasil e no exterior e as incertezas políticas provocaram uma interrupção dos processos. “A confiança do mercado está muito atrelada às condições políticas, mais que à economia, e o ambiente politico está impactando o sentimento das empresas”, avalia Edemir. A situação mudou bastante em relação a fevereiro, quando o Ibovespa acumulava alta de 10% no ano e empresas como a Movida, de aluguel de carros, e a Hermes Pardini (na foto), de diagnósticos, abriram seu capital.
Edemir cita as denúncias da Operação Lava Jato, que atingem integrantes do governo, especialmente as da delação da Odebrecht. Há ainda a expectativa de julgamento da chapa que elegeu a ex-presidente Dilma Roussef e o presidente Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Mas não tenho dúvidas que a confiança voltou, não só para o investidor local como para o estrangeiro, que é quem faz diferença no Brasil, já que não temos poupança interna para financiar os projetos”, diz.
Azul arrisca
Uma das empresas que se arriscou a lançar seus papéis é a Azul, cuja oferta  termina dia 5 de abril. A empresa de aviação de baixo custo pretende captar R$ 1,5 bilhão em ações preferenciais, com valor entre R$ 19 e R$ 23.
A oferta causou polêmica por envolver apenas ações preferenciais, sem voto, mas com direitos especiais, como possibilidade de participar de decisões importantes, como saída do Nível 2 de governança da B3. As “super PNs” são alvo de crítica da Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec), que teme que outras empresas sigam esse modelo. “É uma volta aos anos 1980”, diz Mauro Cunha, presidente da Amec. Ele diz que a entidade está atenta a essa retomada das ofertas e teme a assimetria de informações entre os bancos que fazem as colocações e os investidores e as empresas sobre as condições de mercado.
Segundo semestre
Edemir espera que as ofertas de ações aumentem no segundo semestre, quando as questões políticas estarão mais esclarecidas e as reformas encaminhadas, especialmente a da Previdência. “O juro caindo para um dígito no fim do ano também ajuda, mas a estabilidade política será o principal para a retomada”, afirma.
Janela de captações
Para Luís Gustavo Pereira, responsável pela área de renda variável da Guide Investimentos, a chacoalhada do mercado em março inibe um pouco o apetite das empresas de virem a mercado. Mas ele espera que as operações sejam destravadas. “Há uma janela entre o fim de março e junho que costuma ser positiva para as ofertas, pois tem mais liquidez e não é período de férias nos Estados Unidos”, lembra. A procura por ativos também fica maior e isso deve trazer novas ofertas ao mercado.
Motivos para ofertas
Ele mantém a perspectiva de 17 ofertas este ano, considerando um total de 25 empresas que a Guide está monitorando e que podem abrir capital, ou já tentaram vir a mercado ou foi especulado que viriam.
Ele lembra que ainda há alguns fatores que levam as empresas a abrir seu capital neste momento, como a melhora na estrutura do balanço. “Algumas estão fazendo ofertas restritas, só para grandes investidores, para melhorar o perfil do balanço, como a Alupar, ou para um negócio, como a Lojas Americanas, que tanto pode usar os recursos para comprar a Via Varejo quanto para capitalizar o braço de internet B2W”, diz. Há ainda ofertas iniciais para capitalizar empresas já listadas também. Outras buscam aproveitar a mudança de ciclo, reduzir a dívida ou aproveitar uma oportunidade para comprar ativos que estão depreciados. “Por enquanto não há demanda por recursos para ampliar produção porque há muita capacidade ociosa”, explica.
XP pode levantar R$ 20 bi
A lista de potenciais emissores de ações inclui desde companhias aéreas até corretoras, caso da XP Investimentos. A especulação mais forte é que a oferta da hoje maior corretora independente do mercado deve ocorrer entre junho e julho, com a instituição avaliada em R$ 20 bilhões. Trata-se de um múltiplo elevado, de quase 29 vezes o lucro, para uma empresa que ainda não está consolidada.
Outras candidatas são o Carrefour, agora sob o comando do ex-concorrente Abílio Diniz, e outras farão oferta só lá fora, como a Netshoes.
Mercado mais seletivo
O  mercado hoje está bem mais seletivo com as ofertas, avalia Pereira, observando atentamente a oportunidade e o preço. “Como a perspectiva lá na frente é incerta, o investidor olha muito o preço para ver se não está caindo em uma avaliação muito alta”, diz. Há também questões de mercado, como Unidas e Movida, duas empresas de aluguel de carros, que fizeram ofertas quase ao mesmo tempo. A competição pelo mesmo tipo de investidor acabou levando a Unidas a suspender a operação. Ao mesmo tempo, a Movida teve de baixar o preço para captar, o que mostra que o mercado também não está tão afoito para comprar tudo o que aparece. “Os movimentos mostram cautela do mercado e estão se realizando porque são ofertas menores, não são gigantes e não são nomes tão tradicionais”, avalia Pereira.
Algumas operações maiores são esperadas para este ano, caso do Atacadão/Carrefour, que pode atingir um valor de mercado de R$ 20 bilhões. A Caixa Seguridade saiu da pauta de privatizações, mas pode voltar caso as condições de mercado melhorem, segundo afirmou o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, em entrevista recente.
 Abaixo, uma lista com potenciais ofertas de ações
IPO/Follow-onEmpresaDescrição
IPOAliançaEmpresa de energia
IPOAlliedEmpresa de tecnologia
IPOAtacadãoBraço de atacarejo do Carrefour
IPOBio RitmoRede de academias
Follow-onBiosevProdutora de bioetanol
IPOBiotoscanaFarmacêutica de Especialidades
IPOCaixa SeguridadeHolding de seguros da Caixa
IPOCEDAEEmpresa de saneamento
IPOCruzeiro do SulEmpresa de educação
IPOEldorado BrasilEmpresa de Papel e Celulose
IPOFurnasEmpresa do setor Elétrico
IPOInfraero AeroportosSubsidiária da Infraero com 19 ativos
IPOHap VidaEmpresa de seguros de saúde
IPONotreDame IntermédicaOperadora de planos de saúde
IPOIRB Brasil REEmpresa de Resseguros
Follow-onLojas AmericanasComércio Varejista
IPOLog Commercial PropertiesGalpões logísticos da MRV
Follow-onMultiplanRede de Shoppings
IPONeoenergiaHolding do setor elétrico
IPONetshoesEmpresa de E-commerce
IPORede D’orEmpresa de saúde
Follow-onSomos EducaçãoEmpresa de Educação (76% Tarpon)
IPOAzulPrograma de fidelidade da Azul
IPOUnidasEmpresa de Locação de Veículos
IPOXPCorretora de valores
Fonte: Levantamento Guide Investimentos

Estrangeiros tiraram R$ 3,347 bi da Bovespa em março

Os estrangeiros retiraram da Bovespa R$ 3,347 bilhões, um dos maiores resgates líquidos mensais da bolsa brasileira, segundo dados da B3, a nova bolsa. Com isso, no ano, o saldo acumulado dos estrangeiros continuou positivo, mas caiu para R$ 3,537 bilhões.
O saldo de estrangeiros tem forte impacto no mercado brasileira, uma vez que eles respondem por 50,7% do volume negociado na bolsa este ano. Os institucionais respondem por 25,6% e as pessoas físicas, por 17,9%.

Diamante “Pink Star” é leiloado por soma recorde em Hong Kong

Diamante “Pink Star” é leiloado por soma recorde em Hong Kong


Pink StarExtraída em 1999 na África do Sul, pedra arrecadou 71,2 milhões de dólares.  O diamante rosa “Pink Star” bateu o recorde mundial de venda em um leilão de pedra preciosa depois de alcançar nesta terça-feira os 71,2 milhões de dólares em Hong Kong. O diamante de 59,60 quilates é a maior gema de sua categoria classificada pelo Instituto Gemológico da América (GIA). A casa de leilões Sotheby’s declarou-se orgulhosa pela venda.  O mineral, que foi extraído em 1999 na África do Sul pelo grupo De Beers, foi talhado e apresentado em público em 2003. A primeira venda aconteceu em 2007 a um preço não revelado. De um rosa excepcional, a pedra havia sido avaliada em 60 milhões de dólares.
Fonte: Correio do Povo

Vale: Navio com 260 mil toneladas de minério afunda na costa do Uruguai

Vale: Navio com 260 mil toneladas de minério afunda na costa do Uruguai


A Mineradora Vale informou nesta segunda-feira (03/04) que uma carga de 260 mil toneladas de finos de minério de ferro, que estava em um cargueiro que afundou na costa do Uruguai, na sexta-feira (31/03), pertencia à companhia, confirmando informações do sistema de rastreamento de navios da Thomson Reuters. A empresa informou ainda que a carga estava sendo direcionada para um pátio de estocagem/blendagem na China. A Vale disse ainda em nota à Reuters que o produto tem cobertura de seguro. Questionada sobre se haveria necessidade de declaração de força maior, a Vale informou que o produto ainda não havia sido comercializado, ou seja, ainda pertencia à mineradora brasileira.
Tripulação
A Marinha do Uruguai informou que estava perdendo as esperanças de encontrar vivos os 22 tripulantes de um navio sul-coreano que afundou com uma carga de minério de ferro no Atlântico Sul. O navio Stellar Daisy, com capacidade para cerca de 266 mil toneladas, afundou na sexta-feira e pertence e é operado pela Polaris Shipping, da Coreia do Sul. A embarcação, que tinha como destino a China, transportava minério de ferro carregado no terminal da Ilha Guaíba, da mineradora Vale, no Rio de Janeiro, segundo informação do sistema de monitoramento de embarques da Thomson Reuters.
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Procurada, a Vale informou que a Polaris está centralizando informações sobre o caso. A mineradora não informou imediatamente o volume que era transportado, o cliente ou se declararia força maior para a carga. Dois tripulantes filipinos foram resgatados em um bote salva-vidas no sábado, mas outros botes estavam vazios, segundo a agência de notícias Yonhap da Coreia do Sul. “Quanto mais as horas passam, menos chances há de encontrá-los”, afirmou à Reuters o porta-voz da Marinha do Uruguai, Gaston Jaunsolo.
Ele disse que um avião brasileiro havia sobrevoado a área no domingo pela manhã e um navio argentino deveria se juntar às buscas. O navio afundou na sexta-feira a cerca de 3.700 quilômetros da costa do Uruguai, disse Jaunsolo. Oito dos desaparecidos são sul-coreanos e 14 são filipinos.
Em uma última mensagem enviada pela Polaris na sexta-feira, houve relato de que o navio estava fazendo água, segundo a agência de notícias da Coreia do Sul Yonhap. A pedido das autoridades uruguaias, a Marinha do Brasil enviou uma fragata para auxiliar nas buscas aos tripulantes. Ela partiu do Rio de Janeiro no sábado e deve chegar à região de buscas na quinta-feira (6). Uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) já tinha partido do Rio de Janeiro, na noite de sábado, para ajudar nas buscas. A bordo da aeronave KC130, do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1° GTT), viajaram 40 militares brasileiros, entre eles quatro observadores especialistas em operações de busca e salvamento. A aeronave tem uma autonomia de voo de pelo menos 14 horas.
Fonte: Época Negócios

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Companhias investem na venda de água mineral

Companhias investem na venda de água mineral


A garrafa de vidro com um design diferente e um rótulo com letras pretas grandes poderia ser de uma ótima marca de vodka. À venda por £80 (US$99) no Harrods, uma loja de departamento elegante em Londres, o preço marcado na etiqueta era mais um sinal de uma excelente bebida alcoólica. Mas, na verdade, era uma garrafa de água mineral proveniente de fontes de icebergs noruegueses com 4 mil anos. Svalbardi é uma das centenas de marcas de água mineral originárias de lugares exóticos e comercializadas como produtos de luxo.
Do básico ao caro, o mercado de água mineral atrai a atenção dos investidores. De acordo com a empresa de consultoria Zenith Global, o mercado mundial cresceu 9% por ano ao longo dos últimos anos, com um valor estimado em US$ 147 bilhões. Esse boom de vendas de água mineral é um reflexo em parte da mudança de estilo de vida. As pessoas estão cada vez mais ocupadas em suas atividades diárias distantes de casa e frequentam mais os restaurantes.
O hábito de beber refrigerantes e álcool está sendo substituído pelo consumo de bebidas saudáveis. Segundo dados da Beverage Marketing Corporation (BMC), a venda de água mineral superou a de refrigerantes nos Estados Unidos em 2016.
As marcas básicas, como a Aquafina da PepsiCo, competem em preço e têm margens de lucro reduzidas. O custo da matéria-prima, proveniente de fontes naturais ou municipais é insignificante, mas os custos de embalagem, distribuição e comercialização pesam no produto final. Porém, convencer os clientes a pagar um preço caríssimo por um produto que não tem um sabor especial e que pode ser bebido de graça nas torneiras da maioria dos países desenvolvidos, não é uma tarefa fácil.
Mas o aperfeiçoamento do padrão de qualidade de produtos existentes tem atraído o consumidor mais sofisticado. Embora ainda represente uma pequena parcela do mercado americano, a comercialização da água mineral cara, à venda por um preço superior a US$1,30 por litro, tem sido uma das áreas de crescimento mais rápido, segundo a BMC.
Fonte: Opinião e Notícia