quarta-feira, 5 de abril de 2017

Sem choro nem vela: juros de 1% ao mês acabam semana que vem

Se tudo correr bem e Donald Trump e o gordinho maluco da Coreia do Norte, também conhecido como Kim Jong-un,  não acabarem com o mundo antes, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir os juros básicos da economia, a taxa Selic, hoje de 12,25% ao ano, para 11,25% ao ano na reunião que começa dia 11 e termina dia 12 de abril. Com isso, na quinta-feira, o juro mensal ficará abaixo de 1% ao mês, o que não ocorria desde janeiro de 2015, para desespero de alguns investidores que têm nesse porcentual um número mágico para suas aplicações.
Na verdade, o juro já está um tiquinho abaixo de 1%, 0,97% ao mês, ainda assim considerando o rendimento bruto. Líquido de imposto, o ganho da Selic já está em 0,82% ao mês, ou 10,33% ao ano na melhor das hipóteses, caso o investidor consiga 100% da taxa e com uma alíquota de imposto de 15%, para aplicações acima de dois anos. Para aplicações até seis meses, com alíquota de 22,5%, o ganho é ainda menor, 0,75% ao mês, ou 9,38%. Isso imaginando um mês perfeito, de 21 uteis, já que o rendimento varia de acordo com os feriados e dias úteis de cada mês.
Se cair para 10,25% – e há quem aposte em queda maior, de 1,25 ponto, para 10% ao ano – o juro mensal será de 0,816% ao mês brutos, ou 0,69% líquidos, também considerando alíquota de 15% de imposto. Isso dá 8,65% ao ano livres de imposto, ainda um belo real ganho acima da inflação, estimada em torno de 4,5% para os próximos 12 meses. O problema é que a queda dos juros não vai parar por aí e, se tudo correr bem, a reforma da Previdência passar, o presidente Michel Temer terminar seu mandato, e os dois malucos, o americano e o coreano, não explodirem o mundo, a taxa deve parar perto de 9% ao ano no fim de 2017.
Ainda assim, um ganho real razoável, acima de 4% ao ano, como destaca João Albino Winkelmann, presidente do Comitê de Private Banking da Anbima, que reúne os gestores de fundos do mercado. “Juros de 9% com inflação de 4% a 4,5% ainda representam um ganho real muito interessante, eu não deixaria de investir em renda fixa a maior parte do meu portfólio”, diz.
Viúvas do juro de 1%
Na iminência da queda, porém, as viúvas do juro de 1% ao mês não dão muita bola para o ganho real ainda elevado e buscam desesperadamente alternativas para manter a rentabilidade. E aí mora o perigo: começam a surgir sugestões mirabolantes para o ganho, que para atingir 1% líquidos, após o imposto, exigiria uma aplicação de 15% brutos ao ano. Com a Selic a 9% ao ano, deve-se imaginar que tipo de devedor pagará 15% ao ano para um investidor. Ou seja, será preciso correr muito mais risco se se quiser manter o ganho.
Falsas ilusões
No desespero de manter os ganhos, as viúvas do juro de 1% acabam se tornando presas fáceis de falsas ilusões. A mais comum é procurar, com a ajuda de gerentes de bancos mal informados ou mal intencionados, fundos de renda fixa que renderam extraordinariamente nos últimos meses apostando que vão manter a rentabilidade.
Um risco enorme, pois rentabilidade passada nada mais é que passado. Muitos fundos renderam bastante no ano passado e neste ano porque os juros caíram e os papéis antigos em suas carteiras, com juros mais altos, se valorizaram. Ou seja, a partir de agora, seu rendimento já está ajustado ao nível atual de juros futuros. Só darão ganhos extraordinários se houver uma queda além do já esperado pelo mercado, o que significaria taxas abaixo de 9% no fim do ano. Há hoje até o risco de uma reversão de tendência, que jogue o juro para cima e provoque perdas em quem estiver em papéis longos.
Outra promessa é de fundos de crédito, que costumam ter ganhos acima da taxa dos papéis do Tesouro. É verdade, empresas e bancos menores pagam juros bem acima da Selic. Mas há o outro lado da moeda: é preciso tomar cuidado com o risco de crédito dessas carteiras. Uma empresa que dê calote (Oi, PDG, OAS, Lupatech são exemplos) pode colocar a perder todo o ganho extra do fundo de crédito. Por isso, a qualidade do gestor em avaliar a saúde das empresas e sua independência em escolher o que é melhor para o fundo e não para o banco para quem trabalha são fundamentais quando se fala em fundos de crédito.
Salsichas financeiras
É preciso ver também o que há nas carteiras dos fundos que vão bem demais, mas que podem estar recheadas de papéis de maior risco e derivativos nada saudáveis para o investidor. Quem se assustou com os ingredientes das salsichas e linguiças revelados pela Operação Carne Fraca ficaria ainda mais apavorado com o que alguns gestores colocam em seus fundos para obter maior rendimento. Um bom indicador desse risco podem ser as taxas de volatilidade das carteiras. Algumas chegam a superar a oscilação da bolsa de valores, o que pode tanto ser fruto da oscilação dos papéis longos do Tesouro quanto operações mais arriscadas. Mas, mesmo nos fundos com títulos do Tesouro, há o risco das oscilações de curto prazo, que precisa ser levado em conta por quem aplica por alguns meses apenas.
O principal, portanto, é o investidor analisar bem onde vai investir seu dinheiro, olhando para o futuro, não para o passado, e se adaptando à nova realidade do mercado, que ainda oferecerá um retorno real razoável e exigirá mais risco para ganhar mais. Há muitos papéis isentos emitidos por empresas chegando ao mercado, com ganhos razoáveis ampliados pela isenção, debêntures de infraestrutura e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
Winklemann, da Anbima, vê oportunidades em papéis privados, já que os bancos por enquanto não precisam de recursos para emprestar e por isso pagam pouco em seus CDBs, e em fundos multimercados, que podem buscar ganhos com câmbio, ações e juros. Os fundos imobiliários já subiram bastante neste ano e no ano passado, mas ainda há oportunidades desde que o investidor procure bem.
Mas mesmo assim seu ganho não se distanciará muito da Selic, até porque em geral elas usam a taxa do CDI, que acompanha o juro básico, como referência, ou a NTN-B do governo, que já paga 5% ao ano mais inflação, ou cerca de 9% ao ano. Aliás, uma NTN-B já paga menos de 1% ao mês considerando o IPCA de 0,23% esperado para março mais 0,40% dos juros de 5% ao ano.
Portanto, o ideal para as viúvas do juro de 1% ao mês é deixarem o luto de lado e aproveitarem os juros reais ainda altos ou partirem para aventuras mais ousadas, sempre calculando bem o risco.

ENTREVISTA-Doria promete usar todas suas forças contra volta de Lula em 2018

ENTREVISTA-Doria promete usar todas suas forças contra volta de Lula em 2018

quarta-feira, 5 de abril de 2017 17:29 BRT
 


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Por Eduardo Simões e Daniel Flynn SÃO PAULO (Reuters) - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), prometeu usar todas as suas forças para combater a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência nas eleições de 2018 e colocou o petista como uma das principais motivações que o levaram a decidir lançar-se candidato a prefeito. Ao mesmo tempo, Doria afirmou em entrevista à Reuters na terça-feira ser leal ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seu padrinho político, e reafirmou ser ele o seu candidato ao Palácio do Planalto em 2018 sem, no entanto, descartar explicitamente uma candidatura à Presidência no ano que vem. Indagado sobre a possibilidade de lançar-se caso as pesquisas o apontem como único capaz de fazer frente a Lula, foi evasivo: "o futuro a Deus pertence". "Uma das motivações que eu tive para disputar as eleições foi o Lula, foi o assalto ao dinheiro público no Brasil, foi o roubo generalizado, foi a má gestão pública federal, as mentiras e as promessas feitas à população e não cumpridas, os 13 milhões de desempregados que ele deixou de presente para o Brasil, três anos de recessão econômica e a pior imagem pública do Brasil no mundo", disparou. "O Lula agora se apresenta como salvador e quer disputar em 2018 como salvador. Salvador do quê?", questionou. "Eu usarei todas as minhas forças como cidadão e como prefeito para falar a verdade e dizer que basta! Já chega do desastre que colocaram no Brasil." Com a candidatura apoiada ostensivamente por Alckmin e depois de uma prévia interna tucana turbulenta, Doria elegeu-se prefeito da maior cidade do país no ano passado já no primeiro turno, feito inédito desde que se instituiu a eleição em dois turnos na cidade. Desde então, vem repetindo com frequência o mote da campanha de não ser um político, mas sim um gestor, e imprimiu uma marca de constantes aparições públicas ao lado de seu secretariado em atividades como de zeladoria urbana, nas quais prefeito e auxiliares usam uniformes de gari, e de presença diária nas redes sociais. São comuns também suas críticas ao PT --críticas essas que diz que fez, faz e fará-- e especialmente a Lula, que muitas pesquisas apontam como líder nas intenções de voto para 2018. Doria, entretanto, afirma que os ataques ao ex-presidente, a quem costuma chamar de "cara-de-pau", não têm pretensões eleitorais e refletem um discurso que tem feito desde as prévias. Com o nome cada vez mais em evidência, o prefeito passou a ser apontado como possível candidato à Presidência no ano que vem, o que gerou incômodos dentro do PSDB, já que Alckmin, ao lado do presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), é um dos principais postulantes tucanos à candidatura ao Planalto. O prefeito, por sua vez, segue afirmando publicamente que seu maior objetivo é fazer uma boa gestão na prefeitura, mesmo quando confrontado com a avaliação, com a qual concordou, de que há desgaste com a classe política e com os políticos tradicionais. "É um sentimento muito claro na opinião pública brasileira e vai influenciar sim nas eleições de 2018", avaliou. "Sou prefeito, recém-eleito, quero ser um bom prefeito para minha cidade. Estamos no caminho certo, mas não quero dizer com isso que isso pavimenta qualquer candidatura. Tudo a seu tempo. Temos uma longa trajetória pela frente." Alckmin, que pode ter suas pretensões feridas pelo acordo de delação premiada de ex-executivos da Odebrecht na Lava Jato, no qual teria sido um dos políticos citados como destinatários de recursos da empreiteira, é elogiado por Doria que reconhece no aliado um político, "mas com uma trajetória muito bem construída ao longo da sua vida, de maneira correta, como bom gestor". "Há algumas coisas que foram colocadas recentemente, mas eu pessoalmente confio muito na idoneidade e na postura ética que ele sempre pautou a sua vida política", disse o prefeito, que defendeu a realização de prévias para definição do presidenciável tucano e concordou com a ideia de Alckmin de que a escolha se dê até o final deste ano. REFORMAS Oriundo do setor privado, Doria defendeu as reformas da Previdência e trabalhista, propostas pelo governo do presidente Michel Temer ao Congresso Nacional, e elogiou as "posições claras" do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Para o prefeito paulistano, a concretização dessas duas reformas, aliada à lei que regulamenta a terceirização já sancionada por Temer, poderá alterar o atual cenário de "certo otimismo" dos investidores externos com o Brasil para um momento de "entusiasmo" com o país. "A estabilidade política também pode ajudar", disse o prefeito, para quem a manutenção de Temer na Presidência, em meio à possibilidade de o presidente ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), será benéfica para a economia. "Não havendo nenhuma situação que interrompa o mandato do presidente Temer, isso também será mais um fator positivo que aumentará a confiança do mercado com relação ao Brasil", disse Doria, que atribuiu a complicada situação econômica do país ao PT e, especialmente, ao governo da ex-presidente Dilma Rousseff, que teve o mandato cassado em um processo de impeachment. "Nos 13 anos do governo do PT, especialmente no governo Dilma, mais acentuadamente no governo Dilma, destruíram a reputação do Brasil e destruíram os princípios de respeito aos contratos", atacou.

Incerteza sobre reforma da Previdência pesa e Bovespa cai 1,5%

Incerteza sobre reforma da Previdência pesa e Bovespa cai 1,5%

quarta-feira, 5 de abril de 2017 18:06 BRT
 


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SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice acionário brasileiro recuou nesta quarta-feira, em meio a receios de investidores de que governo de Michel Temer não consiga aprovar a reforma da Previdência. Puxado principalmente pelas ações dos setores bancário e de metais, o Ibovespa recuou 1,51 por cento, para 64.774 pontos. O giro financeiro da sessão somou 7,8 bilhões de reais. Segundo operadores, após um sobe e desce nas primeiras horas de pregão, o mercado já vinha sinalizando perda de fôlego após recuo das cotações dos metais no mercado internacional. O movimento vendedor ganhou força, contudo, após divulgação de um levantamento feito pelo Grupo Estado com parlamentares, que apontou que o governo Temer teria dificuldade para aprovar hoje a reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. "Isso azedou os negócios de vez", disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da Renascença DTVM. DESTAQUES - SANTANDER BRASIL recuou 5,09 por cento, a 26,13 reais por unit, liderando a ponta negativa do Ibovespa. A Reuters publicou nesta tarde, citando fontes, que o fundo soberano do Catar está enfrentando forte pressão dos investidores para precificar uma oferta de units do Santander Brasil em torno de 25 reais cada, abaixo do preço inicialmente sugerido. - ITAÚ UNIBANCO recuou 1,83 por cento e BANCO DO BRASIL perdeu 1,71 por cento. A Bloomberg publicou, citando fontes, que o BB recebeu oferta de 1,5 bilhão de dólares pelo Banco Patagonia e que Itaú, Bilbao Vizcaya e Banco Macro apresentaram as maiores ofertas.. Também no setor bancário, BRADESCO caiu 2,04 por cento. - No setor de metais, CSN teve o pior desempenho, recuando 4,84 por cento. USIMINAS cedeu 4,64 por cento e GERDAU METALÚRGICA teve baixa de 3,89 por cento. A VALE PNA caiu 3,69 por cento. - LOJAS RENNER subiu 1,87 por cento após o Bank of America Merrill Lynch ter elevado a recomendação para o papel de "neutra" para "compra". - GOL, que não faz parte do Ibovespa, subiu 4,86 por cento, após a companhia aérea ter anunciado na noite da véspera que sua margem operacional subiu e que a dívida total caiu no primeiro trimestre.

Wall Street reverte alta inicial e cai após ata do Fed

Wall Street reverte alta inicial e cai após ata do Fed

quarta-feira, 5 de abril de 2017 18:53 BRT
 


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(Reuters) - As ações dos Estados Unidos inverteram a tendência inicial de alta e recuaram após o Federal Reserve, banco central norte-americano, sinalizar que pode mudar a sua política de investimento em títulos neste ano. A maior preocupação de investidores com a capacidade do governo de Donald Trump de realizar redução de impostos, como foi prometido na campanha, após comentários de parlamentares sobre profundas divisões em Washington, também ajudou a derrubar o mercado acionário. Inicialmente, as ações subiram impulsionadas pelo forte relatório de criação de empregos no setor privado. O índice Dow Jones caiu 0,2 por cento, a 20.648 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,31 por cento, a 2.352 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 0,58 por cento, a 5.864 pontos. A maioria dos formuladores de política monetária do Fed acredita que o banco central dos EUA deve tomar medidas para começar a reduzir o seu balanço patrimonial de 4,5 trilhões de dólares este ano, desde que os dados econômicos se mantenham, mostrou a ata da mais recente reunião Fed. Além disso, a ata também mostrou que "alguns participantes consideraram os preços das ações num patamar bastante alto em relação às medidas padrão de avaliação". "(A ata) ou assustou os investidores por causa de uma conversa que soa como talvez (o mercado de ações) esteja criando uma bolha ou há algum pensamento de que a normalização do balanço vai prejudicar o crescimento ... ou vamos ter mais aumentos (da taxa de juros) do que o esperado", disse Janna Sampson, co-diretora de investimentos da OakBrook Investments LLC em Lisle, em Illinois. Nove dos 11 principais setores do S&P recuaram, com o setor financeiro liderando as perdas. Os setores de serviços públicos e imobiliário, considerados defensivos, foram os dois únicos que terminaram em alta. No início do dia, o S&P chegou a subir 0,8 por cento e o Nasdaq atingiu um patamar recorde, depois que os dados de emprego do setor privado superaram as expectativas do mercado. Os dados mostraram que as empresas norte-americanas contrataram 263 mil novos trabalhadores em março, o maior número desde dezembro de 2014 e bem acima das expectativas dos economistas de criação de 187 mil postos.
 

Ouro sobe em NY em reação a dados dos EUA e com eleições na Europa no radar

Ouro sobe em NY em reação a dados dos EUA e com eleições na Europa no radar


O ouro fechou com ganhos nesta terça-feira, 4, impulsionado pela percepção de que indicadores dos Estados Unidos mais fracos que o previsto poderiam levar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a desacelerar o ritmo das elevações de juros, segundo alguns analistas. O ouro para entrega em junho fechou em alta de US$ 4,40 (0,35%), a US$ 1.258,40 a onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex).
O índice dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) da indústria dos EUA, divulgado na segunda-feira, veio abaixo da expectativa. Isso gerou a percepção ontem, que continuou a existir hoje, de que o Fed poderia não manter sua perspectiva de três altas de juros neste ano, segundo Mike van Dulken, da Accendo Markets. Um relatório que mostrou vendas menores de automóveis na comparação anual nos EUA também pesou na avaliação dos investidores, afirmou em nota o Commerzbank.
O UBS aponta que os indicadores dos EUA seguirão em foco, entre eles o relatório mensal de empregos (payroll), que sai na sexta-feira. Além disso, as eleições na Europa e fatores de risco associados a ela também continuam a ser levados em consideração pelos operadores, segundo Daniel Briesemann, do Commerzbank.
Fonte: Dow Jones Newswires