quinta-feira, 6 de abril de 2017

ALEXANDRITA   

ALEXANDRITA   
ALEXANDRITA        


A mais rara e valiosa variedade de crisoberilo exibe as cores verde e vermelha, as mesmas da Rússia Imperial, e seu nome é uma homenagem a Alexandre Nicolaivich, que mais tarde se tornaria o czar Alexandre II; de acordo com relatos históricos, a sua descoberta, nos Montes Urais, em 1830, deu-se no dia em que ele atingiu a maioridade.

Como uma das mais cobiçadas gemas, esta cerca-se de algumas lendas, a mais difundida das quais diz que o referido czar teria ordenado a execução de um lapidário, depois que este lhe devolveu uma pedra de diferente cor da que lhe houvera sido confiada para lapidar.

Esta lenda deve-se ao fato de que a alexandrita apresenta um peculiar fenômeno óptico de mudança de cor, exibindo uma coloração verde a verde-azulada (apropriadamente denominada “pavão” pelos garimpeiros brasileiros) sob luz natural ou fluorescente e vermelha-púrpura, semelhante a da framboesa, sob luz incandescente. Quanto mais acentuado for este cambio de cor, mais valorizado é o exemplar, embora, para alguns, os elevados valores que esta gema pode alcançar devam-se mais a sua extrema raridade que propriamente à sua beleza intrínseca.

Esta instigante mudança de cor deve-se ao fato de que a transmissão da luz nas regiões do vermelho e verde-azul do espectro visível é praticamente a mesma nesta gema, de modo que qualquer cambio na natureza da luz incidente altera este equilíbrio em favor de uma delas. Assim sendo, a luz diurna ou fluorescente, mais rica em azul, tende a desviar o equilíbrio para a região azul-verde do espectro, de modo que a pedra aparece verde, enquanto a luz incandescente, mais rica em vermelho, faz com que a pedra adote esta cor.

Este exuberante fenômeno é denominado efeito-alexandrita e outras gemas podem apresentá-lo, entre elas a safira, algumas granadas e o espinélio. É importante salientar a diferença entre esta propriedade e a observada em gemas de pleocroísmo intenso, como a andaluzita (e a própria alexandrita), que exibem distintas cores ou tons, de acordo com a direção em que são observadas e não segundo o tipo de iluminação a qual estão expostas.

Analogamente ao crisoberilo, a alexandrita constitui-se de óxido de berílio e alumínio, deve sua cor a traços de cromo, ferro e vanádio e, em raros casos, pode apresentar o soberbo efeito olho-de-gato, explicado detalhadamente no artigo anterior, no qual abordamos o tema do crisoberilo.

As principais inclusões encontradas na alexandrita são os tubos de crescimento finos, de forma acicular, as inclusões minerais (micas, sobretudo a biotita, actinolita acicular, quartzo, apatita e fluorita) e as fluidas (bifásicas e trifásicas). Os planos de geminação com aspecto de degraus são também importantes características internas observadas nas alexandritas.

Atualmente, os principais países produtores desta fascinante gema são Sri Lanka (Ratnapura e diversas outras ocorrências), Brasil, Tanzânia (Tunduru), Madagascar (Ilakaka) e Índia (Orissa e Andhra Pradesh).

No Brasil, a alexandrita ocorre associada a minerais de berílio, em depósitos secundários, formados pela erosão, transporte e sedimentação de materiais provenientes de jazimentos primários, principalmente pegmatitos graníticos. Ela é conhecida em nosso país pelo menos desde 1932 e acredita-se que o primeiro espécime foi encontrado em uma localidade próxima a Araçuaí, Minas Gerais. Atualmente, as ocorrências brasileiras mais significativas localizam-se nos estados de Minas Gerais (Antônio Dias/Hematita, Malacacheta/Córrego do Fogo, Santa Maria do Itabira e Esmeralda de Ferros), Bahia (Carnaíba) e Goiás (Porangatú e Uruaçú).

A alexandrita é sintetizada desde 1973, por diversos fabricantes do Japão, Rússia, Estados Unidos e outros países, que utilizam diferentes métodos, tais como os de Fluxo, Czochralski e Float-Zoning, inclusive na obtenção de espécimes com o raro efeito olho-de-gato.

A distinção entre as alexandritas naturais e sintéticas é feita com base no exame das inclusões e estruturas ao microscópio e, como ensaio complementar, na averiguação da fluorescência à luz ultravioleta, usualmente mais intensa nos exemplares sintéticos, devido à ausência de ferro, que inibe esta propriedade na maior parte das alexandritas naturais.

Na prática, a distinção por microscopia é bastante difícil, seja pela ausência de inclusões ou pela presença de inclusões de diferente natureza, porém muito semelhantes, o que, em alguns casos, requer ensaios analíticos mais avançados, não disponíveis em laboratórios gemológicos standard.
O custo das alexandritas sintéticas é relativamente alto - mas muito inferior ao das naturais de igual qualidade - pois os processos de síntese são complexos e os materiais empregados caros. O substituto da alexandrita encontrado com mais frequência no mercado brasileiro é um coríndon sintético “dopado” com traços de vanádio, que também exibe o câmbio de cor segundo a fonte de iluminação sob a qual se observa o exemplar. Eventualmente, encontram-se, ainda, espinélios sintéticos com mudança de cor algo semelhante à das alexandritas.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Brasil de volta ao clube dos grandes produtores de diamante

Brasil de volta ao clube dos grandes produtores de diamante
Descoberta na Bahia estimula corrida pelo mineral. País pode subir a 11º lugar no ranking
Diamante (Foto: Peter Macdiarmid/Getty Images)
DIAMANTE (FOTO: PETER MACDIARMID/GETTY IMAGES)
Após a descoberta na cidade de Nordestina, no interior da Bahia, de uma reserva de diamante capaz de multiplicar a produção nacional da pedra preciosa numa escala superior a dez vezes, o país voltou a ficar na mira de investidores. Ao menos três empresas estão prospectando a pedra preciosa no país — na Bahia, em Goiás e em Minas Gerais — num movimento que deve colocar o Brasil de volta no mapa mundial dos diamantes. Um mercado seleto, com apenas 21 nações produtoras e que em 2015 movimentou US$ 13 bilhões.O Brasil já liderou a produção global de diamante no século XVIII e, hoje, representa ínfimo 0,02% desse mercado, ocupando a 19ª posição do ranking, capitaneado pelos russos. Considerando o pico de produção na mina de Nordestina, em 2020, estimado em 400 mil quilates, o Brasil será alçado ao 11º lugar, mantida estável a produção dos demais países. Em 2015, foram produzidos 127,4 milhões de quilates de diamantes no mundo.
Paralelamente à chegada de novos investidores, está em fase final de revisão um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão do governo federal, com áreas potenciais para exploração de diamantes.
O projeto Diamante Brasil identificou 1.344 dos chamados corpos kimberlíticos e rochas associadas, reunidos em 23 campos. É nessas áreas de nome esquisito que se encontra o diamante primário, incrustado em rochas e cuja produtividade é bem maior que a do diamante secundário, geralmente encontrado nos rios.
É sobre esse mapa da mina que as empresas estão se debruçando atrás de novas jazidas. Uma atividade cara e de risco. Estima-se que apenas 1% dos corpos kimberlíticos tenha diamantes economicamente viáveis. No mundo, pouco mais de 20 jazidas de kimberlíticos estão em produção. Até ano passado, o Brasil estava fora dessa estatística. Produzia somente diamantes secundários, muito explorados por cooperativas de garimpeiros.
A descoberta de Nordestina mudou o cenário. Em meados de 2016, deu-se início a primeira produção comercial de diamante primário no Brasil. Liderada pela belga Lipari, a produção deve alcançar este ano 220 mil quilates — em 2015, último dado fechado, a produção nacional havia sido de 31 mil quilates.
Segundo o canadense Ken Johnson, presidente da empresa, as terras onde a Lipari prospecta diamantes foram adquiridas da sul-africana De Beers, em 2005. Desde então, foram investidos R$ 214 milhões. A produção será exportada.
"O trabalho na mina é de 24 horas por dia. Temos 270 funcionários e devemos chegar a 290 empregados no fim do ano. E isso é só o começo. Estamos olhando outras áreas em Rondônia e Minas Gerais", diz Johnson.
Descompasso entre oferta e demanda
O diamante é feito de carbono e é formado na base da crosta terrestre, a pelo menos 150 quilômetros de profundidade. Para que se forme, é necessário que esteja em ambiente estável, com elevadíssimas temperaturas e determinadas condições de pressão. Com a movimentação no interior da Terra, há liberação de energia. O magma, então, busca uma válvula de escape e aproveita falhas geológicas para chegar à superfície. O diamante “pega carona” no magma.
"Quando esse percurso é feito em poucas horas ou poucos dias, o que é bastante raro, o diamante é preservado. Caso contrário, desestabiliza-se e vira grafite", explica a geóloga Lys Cunha, uma das chefes do projeto Diamante Brasil.
Ao chegar à superfície, o magma se solidifica e forma as chamadas rochas kimberlíticas. O diamante primário fica incrustado nessas rochas. Com o passar do tempo, as rochas sofrem processo de erosão e o diamante acaba sendo carregado para outras áreas, alojando-se ao longo de rios. Nesse caso, passa a ser chamado de diamante secundário. Segundo empresários e especialistas, não há diferença de qualidade entre eles. O que muda são os meios de extração empregados e a sua produtividade.
"O diamante secundário tem uma produção errática, pois fica mais espalhado. Além disso, não se costuma cavar mais de 15 metros a 20 metros de profundidade para encontrá-lo. Já o diamante primário fica mais concentrado. No processo de extração, pode-se perfurar de 200 metros a 300 metros de profundidade, o que exige uma produção bastante mecanizada e investimento bem maior. O volume de produção também é muito superior", explicou Francisco Ribeiro, sócio da Gar Mineração. "Por isso, temos a oportunidade de voltar a ocupar posição de destaque no ranking global".
A empresa, de capital nacional, atua há 60 anos no Brasil e hoje produz cerca de 3.600 quilates a 4.800 quilates por ano de diamante secundário no Triângulo Mineiro. Agora se prepara para estrear na produção de primário. Segundo Ribeiro, a companhia está em fase de qualificação das reservas, também em Minas Gerais. E a estimativa para iniciar a produção é de um a dois anos.
A história do diamante no Brasil remonta ao século XVIII. Não se sabe ao certo quando houve a primeira descoberta, mas historiadores apontam o ano de 1729 como o que o então governador da capitania de Minas Gerais, Dom Lourenço de Almeida, oficializou a existência das minas à metrópole. Até então, as descobertas da pedra preciosa corriam à boca pequena e enriqueciam quem se aventurava na clandestinidade.
Com a Coroa ciente, a produção no então Arraial do Tijuco (atual Diamantina, Minas Gerais) ganhou novo impulso e o Brasil assumiu a liderança mundial do diamante, desbancando a Índia. Durante quase 150 anos, manteve a dianteira. Em 1867, a descoberta de um diamante nos arredores de Kimberley, na África do Sul, levou a uma corrida pela pedra preciosa no país. O Brasil, então, perdeu a hegemonia e está hoje na lanterna da produção global, à frente apenas de Costa do Marfim e Camarões.
Nos EUA, peça essencial do noivado
Desde 2010, a produção mundial está estacionada na faixa dos 130 milhões de quilates. Recente relatório da consultoria Bain&Company, porém, estima que a demanda vai crescer a um ritmo de 2% a 5% ao ano até 2030, embalada pelo consumo da classe média americana e chinesa. Cobiçado por casais apaixonados, o diamante brilha com frequência em joias que os maridos americanos dão a suas esposas. Pesquisa mostra que 71% dos americanos nascidos entre os anos 1980 e 2000 consideram o diamante um elemento essencial do anel de noivado.
A oferta de diamantes, no entanto, não deve acompanhar a retomada do consumo. A consultoria projeta queda de 1% a 2% por ano na produção da pedra até 2030, devido ao esgotamento das minas. É nesse desequilíbrio que está a oportunidade para o Brasil voltar ao clube.
"O Brasil, de alguma forma, foi ignorado pelos maiores produtores e a oportunidade de identificar e desenvolver novas minas é única. Em uma recente viagem a Antuérpia, houve empolgação quanto à qualidade dos diamantes brasileiros. O país tem chance de voltar a figurar entre os líderes da produção global de novo", diz Joe Burke, diretor de Marketing da Five Star Diamond.
A empresa foi fundada por um geólogo australiano, que se associou a investidores estrangeiros e a um advogado brasileiro. Juntos, compraram áreas em diferentes regiões no Brasil para prospectar diamante. Segundo Burke, em 15 dos cerca de cem corpos kimberlíticos que a companhia tem no portfólio há grande chance de ocorrência de diamante. A Five Star já levantou US$ 7 milhões com investidores e se prepara para listar a empresa no mercado de capitais canadense. A produção no Brasil deve começar em Goiás, onde o projeto está mais avançado, no fim do ano.
Burocracia e falta de segurança
A ausência de guerras civis e religiosas no Brasil é apontada por fontes do setor como um atrativo. A exploração da pedra preciosa sempre levantou polêmica porque costumava ser usada para financiar conflitos civis na África. Com o filme “Diamante de sangue”, estrelado por Leonardo DiCaprio em 2006, a crueldade das guerras e a associação à produção do diamante se tornaram mundialmente conhecidos.
O diamante produzido legalmente no Brasil e em outros países, no entanto, segue o processo de certificação Kimberley, espécie de atestado de origem criado justamente para inibir o comércio ilegal. A burocracia no país para emitir os certificados, no entanto, é uma trava na expansão do mercado, alertam empresários. Antes de ser exportado, o diamante precisa ser pesado, medido e analisado. Isso é feito por um funcionário do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) em uma unidade regional do órgão.
Como o certificado precisa da assinatura do diretor-geral do DNPM e o sistema não é informatizado, ele é enviado por Sedex até Brasília, sede da instituição, e retorna ao produtor igualmente pelo correio. O processo leva de dez a 15 dias, segundo João da Gomeia Silva, da coordenação de ordenamento e extração mineral do DNPM.
Durante esse período, os diamantes ficam em cofres das próprias empresas produtoras ou de seguradoras, trazendo risco à segurança das companhias e dos funcionários. Mês passado, a Lipari foi invadida e teve parte de sua produção roubada. Se depender da agilidade do poder público, as mineradoras continuarão vulneráveis.
"O DNPM está na era digital. Até 2018, a ideia é eliminar o papel", diz Silva.

Diamante 'Pink Star' é leiloado por soma recorde de US$ 71,2 milhões

Diamante 'Pink Star' é leiloado por soma recorde de US$ 71,2 milhões

Diamante de 59,60 quilates é a maior gema de sua categoria classificada pelo Instituto Gemológico da América (GIA)




Diamante de 59,60 quilates foi a maior gema de sua categoria classificada pelo Instituto Gemológico da América (GIA) (Foto: Vincent Yu/AP)Diamante de 59,60 quilates foi a maior gema de sua categoria classificada pelo Instituto Gemológico da América (GIA) (Foto: Vincent Yu/AP)
Diamante de 59,60 quilates foi a maior gema de sua categoria classificada pelo Instituto Gemológico da América (GIA) (Foto: Vincent Yu/AP)
O diamante rosa "Pink Star" bateu o recorde mundial de venda em um leilão de pedras preciosas depois de alcançar nesta terça-feira (4) os US$ 71,2 milhões (R$ 221,8 milhões) em Hong Kong, na China.
O diamante de 59,60 quilates é a maior gema de sua categoria classificada pelo Instituto Gemológico da América (GIA).
A casa de leilões Sotheby's declarou-se orgulhosa pela venda.

Por que a compra do Alasca pelos EUA foi um dos melhores negócios da história

Por que a compra do Alasca pelos EUA foi um dos melhores negócios da história



AlascaDireito de imagem Getty Images
Image caption Estado foi colonizado pela Rússia antes de ser vendido aos EUA

Em 1867, uma autoridade dos EUA se viu alvo de piadas impiedosas por ter autorizado uma compra considerada extravagante com recursos públicos.
Os Estados Unidos tinham acabado de pagar US$ 7,2 milhões ao governo imperial russo pelo território do Alasca, uma imensidão isolada que não parecia ter utilidade econômica alguma.
Os críticos zombavam da "loucura de Seward". Era assim que eles chamavam a compra do Alasca, associando-a com o então secretário de Estado, William Seward, que tinha feito o negócio.
Nesta quinta, faz 150 anos que os Estados Unidos compraram o território. O tempo acabou dando razão à Seward: a aquisição se mostrou um dos negócios mais rentáveis da história.

Uma pechincha

Se for levada em conta a inflação do período, os US$ 7,2 milhões pagos pelos Estados Unidos em 1867 ao czar Alexandre 2º equivalem a cerca de US$ 100 milhões (R$ 313 milhões) hoje.
Ou seja, pagou-se uma verdadeira pechincha pelo que hoje é o maior Estado dos EUA.


Pessoa caminha AlascaDireito de imagem AFP
Image caption Na Guerra Fria, o Alasca se tornaria um posto militar de valor inestimável

A compra do Alasca adicionou mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados aos EUA. Com isso, se analisarmos apenas o preço do quilômetro quadrado hoje naquele Estado, estima-se que o território vale 150 vezes mais do que Washington pagou por ele.
Mas o Alasca é muito mais que um pedaço de terra gelada. É também um enorme depósito de recursos naturais: menos de 20 anos depois de o negócio ser fechado, instalou-se uma corrida por ouro na região.

Além disso, em meados do século 20 petroleiras encontraram enormes reservas no norte do Estado que, desde então, tem sido exploradas de maneira intensa e rendem milhares de dólares.
O Alasca se transformou numa poderosa economia. Tem uma população que se aproxima de 1 milhão de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 44 bilhões anuais. Em outras palavras, produz anualmente mais de 400 vezes o que a Rússia ganhou ao vender o território.

Poder militar

O Alasca sempre foi considerado estratégico do ponto de vista militar.
Acredita-se que, entre as razões pelas quais a Rússia vendeu a terra, estaria o receio de que o Reino Unido tivesse ambições expansionistas. Naquela época, os britânicos eram uma superpotência mundial e já controlavam o Canadá.


Alaska na atualidadeDireito de imagem Getty Images
Image caption Em meados do século 20, petroleiras encontraram enormes reservas no norte do Estado
Mal imaginaria o czar que, quase um século depois, em 1945, início da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, o Alasca se tornaria um posto militar de valor inestimável - permitia que tropas, radares e aviões americanos estivessem praticamente na porta da Rússia.
Logo, vista com as lentes da modernidade, a venda feita em 1867 pelos russos pode ser encarada como um erro comercial e uma falha estratégica.

Consolo

Mas essa não foi a única compra de terras a favorecer os EUA no século 19.
Em 1803, décadas antes da aquisição do Alasca, os americanos compraram da França a área conhecida como Louisiana.


Menino no AlascaDireito de imagem AFP
Image caption Estado tem cerca de 1 milhão de habitantes e um PIB anual de US$ 44 bilhões
Era um território ainda maior que o Alasca, com 2,1 milhões de quilômetros quadrados que compreendem hoje 15 Estados dos EUA - vai da cidade de Nova Orleans, no sul, até Montana, no noroeste do país.
O custo da compra de Louisiana foi de US$ 15 milhões, o equivalente a aproximadamente US$ 300 milhões hoje.
No século 19, os EUA conseguiram um aumento territorial expressivo mediante o pagamento de quantias irrisórias para potências europeias.
Mas uma coisa é verdade: naquela época, era difícil prever a expansão econômica que o país iria contabilizar décadas mais tarde.
No Alasca, comemorou-se o 150º aniversário do negócio assinado por Seward em 1867. E ele acabou entrando para história não como um louco, como previam seus contemporâneos, mas como o arquiteto de um dos maiores negócios de todos os tempos.


Cheque pago à RússiaDireito de imagem Getty Images
Image caption Este foi o cheque com que os Estados Unidos compraram o Alasca

Ata do Fed derruba bolsas; Ibovespa cai com pesquisa indicando derrota na Previdência

As bolsas americanas acabaram em baixa hoje, depois de subirem com dados de emprego no setor privado e caírem com a ata da reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e com declarações pessimistas de políticos americanos. No Brasil, a bolsa reagiu a uma pesquisa mostrando que a oposição ao projeto de reforma da Previdência, principal ponto do ajuste fiscal do governo de Michel Temer, é muito grande entre os deputados.
Mais empregos
Os dados da consultoria privada de processamento de folhas de pagamento Automatic Data Processing (ADP) divulgados pela manhã mostraram a criação de 263 mil vagas em março, ante uma previsão de 180 mil do mercado, mostrando um mercado de trabalho mais aquecido e que deve impulsionar a economia. Os números aumentaram o otimismo com os dados oficiais do mercado de trabalho que saem na sexta-feira.
Revenda de títulos pelo Fed
À tarde, porém, a ata da última reunião do Fomc mostrou diretores defendendo que o Fed comece a reduzir seu estoque de títulos comprados do mercado na época mais grave da crise financeira. A redução do chamado “balanço” do Fed, sugerida para começar no fim deste ano, teria impactos na liquidez mundial e nos mercados de risco ao reduzir o dinheiro em circulação na economia.
Ações caras demais para o Fed
Além disso, os diretores afirmaram que os preços das ações estão altos em relação aos fundamentos das empresas, citando a possibilidade de uma correção nos mercados financeiros, com riscos para a economia, segundo o The Wall Street Journal.  Os papéis do S&P500 estariam sendo negociados a um preço equivalente a mais de 20 vezes seu lucro anual por 106 pregões consecutivos, o mais longo período desde 2010, segundo levantamento da consultoria FactSet, informou o Wall Street.
Mais difícil que o Obamacare
Ao mesmo tempo, a agência de notícias Reuters divulgou uma entrevista com o porta-voz da Câmara, Paul Ryan, afirmando que as mudanças na tributação sugeridas pelo presidente Donald Trump levarão mais tempo para serem aprovadas do que o projeto de reforma do sistema de saúde.
Bolsas americanas em baixa e petróleo resiste
Com isso, o Índice Dow Jones caiu 0,2%, o Standard & Poor’s 500, 0,3 e o Nasdaq, 0,6%. O petróleo perdeu um pouco do fôlego da manhã após dados de estoques nos Estados Unidos ainda elevados. O petróleo também oscilou bastante, com o barril do tipo WTI, negociado em Nova York, fechando e alta de  0,24%, para US$ 51,15, enquanto o Brent, de Londres, ganhou 0,35%, para US$ 54,36. O óleo subia mais, mas perdeu força após a divulgação de um aumento de 1,6 milhão, para 535,5 milhões de barris nos estoques americanos, o sétimo recorde em oito semanas.
Ainda nas commodities, a volta da China após feriado fez o cobre e o minério de ferro subirem. O minério ganhou 2,63% na China, subindo para US$ 81,54.
Na Europa, as bolsas fecharam sem uma direção única. O Índice Euro Stoxx 50 caiu 0,26%, enquanto o Financial Times, de Londres, subiu 0,13%. Já o DAX, de Frankfurt, recuou 0,53% e o CAC, de Paris, 0,18%.
BC corrige relatório de inflação para baixo
No Brasil, o dia foi de ajustes após o Banco Central (BC) corrigir as projeções do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Segundo o BC, a projeção para este ano é que o IPCA termine em 3,6%, e não 3,9% conforme havia sido publicado. Para 2018, a projeção é 3,3%, e não 4%. As novas projeções também caíram para o cenário híbrido, com dados do mercado, e Selic constante em 12,25%. Nesse caso, a inflação seria de 3,7%, e não 3,9% para este ano, e de 3,5% e não 4,2% para 2018.
Juros sobem com dólar e Previdência
Os novos dados derrubaram os juros por algum tempo, até que a piora do mercado externo com a ata do Fed e sinais preocupantes quanto à reforma da Previdência no Brasil fizeram os juros subirem no fim do dia. As projeções ficaram em 9,79% para janeiro de 2018, ante 9,80% ontem, 9,49% para 2019, ante 9,44% ontem, e 9,89% para 2021, ante 9,82% ontem. O dólar comercial também subiu, 0,58%, para R$ 3,117 para venda. Já o dólar turismo caiu 0,3%, para R$ 3,26 para venda.
Oposição à reforma chega a 240 deputados
O maior impacto sobre o mercado veio de uma pesquisa feita pelo jornal O Estado de S.Paulo, que mostrou que a proposta de reforma da Previdência é rejeitada por 240 deputados, mesmo com opções de suavizar o texto original. São 35 a mais que o limite de 205 deputados necessários para derrotar a proposta de emenda constitucional, que precisa de 308 votos a favor dos 513 deputados. O jornal afirmou ter ouvido 425 deputados, ou 83% do total, e apenas 20 disseram ser favoráveis à aprovação do texto original.
Adeus ajuste fiscal
A pesquisa é preocupante pois se a reforma não for aprovada ou se passar muito descaracterizada, não haverá como manter o controle de gastos dentro da inflação do ano passado. Com isso, o ajuste fiscal do governo iria por água abaixo e o país teria de buscar um forte aumento de impostos que inviabilizará a frágil retomada econômica.  Além disso, o dólar subirá e será preciso interromper o ciclo de redução dos juros básicos da economia, o que explica a alta dos mercados futuros nos prazos mais longos hoje.
Dos 96 favoráveis à aprovação do texto com ressalvas, segundo o Estadão, 69 defendem idade mínima menor que os 65 anos propostos pelo governo, ponto principal da reforma.
Queda de 1,5% no Ibovespa
Com isso, o Índice Bovespa acentuou a queda no fim do dia, de 0,35% para 1,51%, fechando aos 64.774 pontos, com forte baixa de ações de bancos, da Vale e da Petrobras. O volume financeiro ficou em R$ 7,819 bilhões, abaixo da média do ano, de R$ 8,2 bilhões.
Vale cai 3,7%
As ações preferenciais (PN, sem voto) série A da Vale caíram 3,69%, apesar da alta do minério. Já Petrobras PN perdeu 1,89%, mesmo com a alta do petróleo no exterior. Itaú Unibanco PN, papel de maior peso no índice, perde 1,83% e Bradesco PN, 2,04%.
As maiores altas do dia do índice foram de RaiaDrogasil ON (papel ordinário, com voto), com 2,10%, seguida de Lojas Renner ON, 1,87%, Estácio Participações ON, 1,82%, Ecorodovias ON, 0,78% e Equatorial ON, 0,61%. No caso das empresas de educação, Kroton e Estácio Participações, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) prorrogou por 60 dias a análise da fusão das companhias.
Já as maiores quedas foram das units (recibo de ações) do Santander, 5,09%, CSN ON, 4,84%, Gerdau Metalúrgica PN, 3,89%, Bradespar PN, 3,74% e Eletrobras ON, 3,57%.