segunda-feira, 10 de abril de 2017

A HISTÓRIA DA JOALHERIA

A HISTÓRIA DA JOALHERIA

A arte da joalheria é uma das mais antigas artes decorativas existentes: mais de sete mil anos se passaram desde que um ancestral do homem moderno resolveu utilizar conchas e sementes como adorno pessoal. As jóias, os metais preciosos e as gemas sempre vieram ao encontro dos mais profundos sentimentos humanos: a atração por materiais raros e belos, o desejo pelo embelezamento do corpo, o status e a superstição representada pelo poder atribuído a determinadas gemas. A história da joalheria no progresso da civilização humana compreende o trabalho, a criatividade e o talento de sucessivas gerações de artesãos ao desafio de transformar materiais preciosos em ornamentos pessoais de elevado valor artístico.
Este rico e diversificado panorama começa na Antiguidade, quando as técnicas básicas dos ourives tornaram - se mais sofisticadas: os Etruscos atingiram uma perfeição nunca antes igualada nas técnicas de filigrana e granulação em ouro assim como os gregos, durante o período Helenístico, na arte de modelar figuras humanas para compor brincos, colares e braceletes. Os luxuosos ornamentos romanos em ouro, esmeraldas, safiras e pérolas brancas marcam um grande contraste com as jóias policrômicas da Idade Média, que expressavam os ideais do cristianismo e do amor idealizado, tema central de praticamente toda a joalheria da época.
Já no Renascimento, foram criadas peças históricas decoradas com esmaltes e pedras preciosas, cujo nível artístico é comparado aos da pintura e da escultura do mesmo período: artistas como Hans Holbein, Albrecht Dürer e Benvenuto Cellini eram contratados por mecenas para desenhar peças que estimulassem os ourives renascentistas a chegar a níveis nunca antes alcançados nas técnicas de esmaltação, gravação e cravação. No período seguinte, o Barroco, a troca de estilo foi evidente, com as jóias tornando-se mais um símbolo de status social devido à grande quantidade de gemas na mesma peça em detrimento do design, que perde sua expressão artística.
As jóias do período Rococó eram assimétricas e leves, se comparadas com as do período anterior. Surgem, pela primeira vez, jóias para serem utilizadas durante o dia, mais leves, e jóias para serem usadas à noite, desenhadas especialmente para resplandecerem iluminadas pela luz dos candelabros. No período seguinte, o Neoclássico, o design das jóias adapta-se às severas linhas do estilo, que buscou inspiração nos estilos grego e romano, e que se impunha devido à simplificação do vestir e dos anos de mudanças políticas em toda a Europa e América do Norte que se seguiram à Revolução Francesa.
A história da joalheria no complexo século XIX inicia - se com as grandiosas jóias criadas para a corte do Imperador Napoleão I e que serviram de padrão para toda a Europa até à Batalha de Waterloo em 1815: os conjuntos de jóias chamados parures, compostos de tiaras, brincos, gargantilhas ou colares, e braceletes fantasticamente adornados com gemas como o diamante, a esmeralda, a safira, o rubi e a pérola, cujo esplendor sobressaía mais do que o próprio design das peças. Quase ao mesmo tempo, emergia o Romantismo, com uma volta ao design das jóias da Antiguidade e dos tempos medievais. O crescente gosto pelo luxo, encorajado por um período de prosperidade, baixos impostos e uma sociedade elitizada surgida com o boom da Revolução Industrial, foi expresso pelas inúmeras jóias guarnecidas somente com diamantes, principalmente depois da descoberta das minas da África do Sul na década de 60. Esta descoberta transformou o caráter da joalheria, que por várias décadas se concentrou no brilho em detrimento da cor, do desenho e da expressão de idéias.

Com o início do século XX, joalheiros como Cartier e Boucheron, adotaram um novo estilo, inspirado no século XVIII e chamado de Belle Èpoque, compondo jóia onde a delicadeza das guirlandas, das flores estilizadas e da utilização da platina, era uma reação à banalidade das jóias recobertas de diamantes. Por volta da mesma época, os joalheiros da corrente Art Nouveau, liderados por René Lalique, criaram furor na Exposição de Paris de 1900, com designs inspirados na natureza e executados em materiais como marfim e chifres de animais, escolhidos mais pela sua qualidade estética do que por seu valor intrínseco. Como não eram jóias práticas para uso, o estilo rapidamente desapareceu, com o início da 1ª Guerra Mundial.
Com a paz, em 1918, impõe-se na joalheria o estilo Art Decó, com seu design associado ao Cubismo, ao Abstracionismo e a arquitetura da Bauhaus, suavizado na década de 30 pelos motivos figurativos e florais reintroduzidos por Cartier. A arte da joalheria, depois da 2ª Guerra Mundial, adaptou - se a uma clientela que comprava não só para uso, mas também como investimento. A ênfase passou a ser na qualidade das gemas, perfeitamente facetadas e montadas em peças de design de acordo com a moda. A partir da segunda metade do século XX, novas idéias e conceitos, assim como novos materiais passaram a ser utilizados pelos designers, como os metais titânio e nióbio, e também diferentes tipos de plásticos e papéis, buscando novos caminhos de expressão.

Atualmente, a joalheria mundial está voltada para o design, que deve ser criativo, bem identificável e corresponder a um mercado consumidor sempre crescente e ansioso por inovações tanto nas técnicas de fabricação, quanto na expressão dos estilos e conceitos escolhidos, cabendo a todos os profissionais envolvidos, seja na produção artesanal seja na produção industrial de jóias, contribuir para a qualidade do produto final, dentro da exigência deste mercado consumidor que premia a qualidade, a criatividade e o estilo diferenciado.

Pedra brasileira alcança prestígio internacional e amplia os negócios de ourives em Pedro II, no Piauí

Pedra brasileira alcança prestígio internacional e amplia os negócios de ourives em Pedro II, no Piauí


por Hanny Guimarães | Fotos: Ernesto de Souza
Ernesto de Souza
Sobre a pedra bruta de onde são extraídas, estãos expostas gemas de opala (esq.) e peças já lapidadas que serão usadas em joias (dir.)
A paisagem árida do interior do Piauí esconde a riqueza que a região oferece. Em Pedro II, no norte do estado, no entanto, ela está estampada já no portal da cidade, onde se lê que o lugar é a “terra da opala”.

Essa pedra preciosa, ainda pouco valorizada no país, movimenta a economia local e chega a render para os ourives até R$ 70 mil por mês. O município tem a única reserva de gemas nobres de opala no Brasil, que é a segunda maior do mundo – a primeira está na Austrália, que explorou minas brasileiras na década de 1970.

Afastada a desorganização e a mineração desenfreada, a cidade tomou as rédeas do negócio e foram criadas associações ligadas ao garimpo e à lapidação, estruturando o mercado da pedra.
Ernesto de Souza
Juscelino Souza, há 24 anos como lapidário em Pedro II, no Piauí
O lapidário Juscelino Araújo Souza, pioneiro no segmento de joalherias, conta que quando começou, há quase 24 anos, o setor não estava organizado. “Tinha a pedra, mas não tinha quem fizesse o trabalho”, diz. A falta de mão de obra especializada o estimulou a abandonar as feiras livres, onde era ambulante, e procurar um curso de lapidação promovido pelo governo na época. Em 1992, Juscelino inaugurou a primeira empresa de lapidação de Pedro II e, em 2000, implantou ali uma área dedicada à joalheria.
Exportação e mercado interno
Assim como a empresa de Juscelino, outras 30 se estabeleceram na região. Atualmente, elas são responsáveis pelo beneficiamento de 5 quilos de pedra bruta por mês, que resultam em 30 quilos de joias, já com valor agregado da prata ou do ouro utilizados na confecção das peças.

Cerca de 30% das opalas garimpadas são de alta qualidade e seguem para exportação, movimento que chega a render até R$ 500 mil anuais para lapidários do município. Os principais compradores são os Estados Unidos e a Alemanha, além de França e Suíça, que também valorizam o produto. Os 70% restantes ficam na região de Pedro II e são utilizados na produção de joias artesanais comercializadas no próprio Nordeste e em alguns estados brasileiros.

Para reconhecer uma gema de valor é preciso estar atento à intensidade de cores que ela apresenta. Quanto maior o jogo de cores, mais valiosa é a pedra. A opala pode ser classificada, em ordem decrescente, como extra, média, fraca ou leitosa. Os garimpeiros chegam a vender as mais preciosas por até R$ 200 o grama, enquanto o grama da opala comum vale cerca de R$ 5.
Indicação Geográfica
Segundo estimativas dos garimpeiros, ainda há jazidas inexploradas na região. Hoje existem cerca de 30 minas locais, e estudos sugerem que apenas 10% da reserva foi explorada. Com a organização do setor, as associações receberam o suporte que faltava para se desenvolverem. Em 2005, foi criado o Arranjo Produtivo da Opala, projeto que ajudou a reestruturar o mercado das pedras de Pedro II.
Ernesto de Souza
Peças feitas em mosaico utilizando resíduos da lapidação de opala
Marcelo Morais, coordenador dos trabalhos, afirma que o negócio está mais orientado e hoje aspira até ao registro do selo de Indicação Geográfica, que já está em análise pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A expectativa é de que até o fim do ano a indicação acompanhe o nome das opalas da cidade.

Juscelino, que também é o presidente da Associação para a Indicação Geográfica da Opala, diz que com a obtenção do selo a demanda deverá aumentar, o que pode elevar o preço final da joia em até 30%. Enquanto aguardam reconhecimento nacional, as associações se preparam para criar uma escola profissionalizante. “O espaço irá atender o aumento da produção e oferecer formação para os jovens do município”, afirma.
Hoje é fato que a maior reserva de OPALAS NOBRES do mundo está no Brasil, em PedroII Piauí, porque as minas da Austrália estão esgotadas, e portanto como nem 20% foi explorado, a riqueza da região atrai cada dia mais estrangeiros, que vão requerer alvarás pelo DNPM para explorar Opalas Nobres em toda a região.
Estima-se que tem no subsolo mais de 2 bilhões de dólares em Opalas nobres e negras, as mais raras.

O que define se uma pedra é preciosa ou semipreciosa?

Toda pedra usada como ornamento por sua beleza, durabilidade e raridade, deve ser chamada só de gema. A beleza de uma gema é determinada por um conjunto de fatores como cor, transparência, brilho, efeitos ópticos especiais (variação de cores, dispersão da luz, opalescência); enquanto a durabilidade está relacionada à resistência a ataques químicos e físicos. A raridade com que uma pedra ocorre na natureza é outro fator importante na determinação de seu valor comercial. No entanto, a tradição e a moda podem influenciar decisivamente no preço final. Assim, o diamante — que não é uma das gemas mais raras na natureza – costuma ter um alto valor de mercado por ser uma das pedras mais antigas e tradicionais para uso em joias, ou seja: ele nunca sai de moda.
A grande maioria das gemas são minerais, classificados de acordo com a seguinte divisão: substâncias cristalinas (diamante, topázio, ametista, esmeralda, água-marinha); substâncias amorfas (como opala e vidro vulcânico); substâncias orgânicas (pérola, coral, âmbar) e rochas (lápis-lazúli, turquesa e outras). Todas essas substâncias são naturais. Além delas, há hoje no mercado um grande número de produtos parcial ou totalmente fabricados pelo homem, tentando reproduzir o brilho e a beleza desses minerais. São as gemas sintéticas: chamadas de revestidas, reconstituídas ou compostas.
A denominação “pedra preciosa” costumava ser usada apenas para o diamante, a esmeralda, o rubi e a safira, por serem as mais conhecidas e apreciadas desde a antiguidade; as demais eram denominadas popularmente de semipreciosas. “Esses termos são artificiais e confusos desmerecendo gemas como opala, água-marinha, crisoberilo, ametista ou alexandrita, entre outras pedras de grande beleza, apreciadas no mundo todo. Por isso, a distinção entre pedras preciosas e semipreciosas deve ser evitada, usando-se o termo gema”, afirma o gemologista Pedro Luiz Juchem, do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O TESOURO DE WINCHESTER

O TESOURO DE WINCHESTER

Arqueólogos britânicos encontraram vários exemplos de elaborados ornamentos pessoais usados pela elite da sociedade que dominava a região perto de Winchester, Reino Unido. Esses ornamentos, datados em torno de 100 AC-50 DC (Idade do Ferro), provam a criatividade e o esmerado trabalho dos ourives da Antiguidade na Grã-Bretanha. Exemplares confeccionados em ouro, electrum, prata e bronze, principalmente torcs (colar geralmente rígido rente ao pescoço composto quase sempre por fios de ouro retorcidos; representavam riqueza, poder e coragem e também eram usados pelos homens em batalhas para demonstrar também grau de comando), broches e braceletes estão entre o maior número das jóias encontradas.

Os ourives dessa região, situada na Inglaterra, usavam o ouro quase puro (acima de 90%). Os torcs encontrados possuem fechos que não eram usuais aos ourives celtas e usavam as técnicas decorativas da filigrana e da granulação, fixadas à peça com uma técnica conhecida como solda de difusão. Enquanto a maioria dos torcs era rígida, os encontrados em Winchester eram grossos, porém flexíveis, devido à utilização de centenas de anéis para compor a malha de cada corrente que forma o torc. Os broches possuíam um alfinete de segurança e eram usados aos pares, porque serviam para prender o manto às roupas usadas na Idade do Ferro.
É interessante notar que o tipo e a decoração das jóias encontradas era notadamente celta, mas a técnica de confecção era romana. Então, podemos pensar que ou foram feitos por ourives romanos a serviço de um governante britânico ou foram confeccionados deliberadamente ao estilo celta, e oferecidos pelo César reinante em Roma a algum rei ou senhor-da-guerra local, como presente diplomático.
Os arqueólogos não encontraram nenhuma evidência de comprovação do porque das jóias encontradas perto de Winchester terem ido parar lá: se foram enterradas por segurança contra ladrões ou saqueadores, como uma oferenda aos deuses ou para acompanhar os mortos na sua jornada para a outra vida, a resposta permanece um mistério.

LENDAS E HISTÓRIAS SOBRE O OURO DOS INCAS

LENDAS E HISTÓRIAS SOBRE
O OURO DOS INCAS


Os Incas levam a fama, devido a uma lenda em especial – que tem várias versões - espalhada durante o período de dominação da sua civilização, de que foram eles que inventaram as técnicas de trabalhar o ouro na região dos Andes . Conta esta lenda que três ovos caíram do céu: um de ouro, um de prata e o outro de bronze, diretamente para as mãos do fundador de Cuzco e da dinastia imperial Inca, Manco Capac. E que a mãe do fundador mandou confeccionar para ele ornamentos em ouro e prata para serem colocados sobre os ombros, na testa e usados como uma tiara. Ao ver o filho ornado com tais jóias, mandou-o subir ao topo de uma colina, onde o brilhante reflexo do sol transformou-o num ser radiante. Assim então Manco foi consagrado como o “Filho do Sol”.
Canções Incas cantavam sobre o deus Tonapa que, ao vagar na Terra como um miserável fugitivo, deixou nas mãos de Manco uma vara, a qual mais tarde tornou-se o tupayauri , cetro de ouro que continha a insígnia imperial dos Incas.
Na lenda de Tamputocco, Manco emerge de uma espécie de janela, a capactocco, emoldurada em ouro e liderando uma marcha guerreira, os tupayauri: seres feitos de ouro que lhe serviam de escolta, os quais depois ele enterra em solo fértil para protegê-lo dos poderes da destruição e do mal. Enquanto seus irmãos, que estavam junto a ele mas sem a escolta dos tupayauri foram transformados em pedra pelos huacas (espíritos do mal), Manco consegue destruí-los, graças aos seus guardiões dourados. Em retribuição, quando Manco ordena a construção do Inticancha (templo do sol), pede a seus ourives que confeccionem um grande prato em ouro que significava que “existe um Criador do Céu e da Terra” . Este prato foi colocado em um jardim adjacente ao templo, onde uma árvore tinha suas raízes cobertas por ouro e frutos feitos em ouro adornavam seus galhos.
O ouro, para os Incas, assim como para várias outras civilizações, era um símbolo religioso, um sinal de poder e um emblema de nobreza. O metal, escasso durante a primeira dinastia, só era usado pela família imperial e por distintos membros da sociedade Inca. Estes objetos e ornamentos feitos em ouro como sandálias, chamadas Ilanquis, escudos (chipana) e o parat, espécie de peitoral.
Os sacerdotes Incas rezavam nos templos para que as sementes germinassem na Terra e que o ouro continuasse a aparecer no leito dos rios e em veios subterrâneos, e que os Incas triunfassem sobre todos os inimigos. As vitórias Incas aumentaram o valor mítico do ouro e seu uso ornamental. Os triunfantes Incas exigiam dos vencidos tributos em ouro e outros metais que serviam para enriquecer os palácios de Cuzco e o templo de Coricancha.