quarta-feira, 12 de abril de 2017

A COROA DE SANTO ESTEVÃO

A COROA DE SANTO ESTEVÃO

A coroa de Santo Estevão, também conhecida como "Sagrada Coroa da Hungria" foi usada para celebrar os reis húngaros desde o século XIII. A coroa leva o nome de István (1000-1038), o primeiro rei cristão da Hungria e que foi canonizado santo após sua morte. É objeto de enorme veneração e respeito por parte do povo húngaro e sua história comporta fantásticas aventuras: já foi perdida, roubada, considerada resgate de guerra, escondida dentro de arcas de madeira, cofres de ferro, barril de óleo e esteve em castelos, cidades, pequenas vilas, até mesmo no Fort Knox, USA.
A coroa, em ouro e guarnecida com safiras, granadas, pérolas, figuras esmaltadas e também gemas substituídas por vidro, é considerada, por alguns especialistas húngaros, como tendo a sua forma 100% original, mas existem controvérsias devido a alguns detalhes que se sobressaem: a pequena cruz no topo está afixada com um parafuso que penetra o estomago da figura de Jesus, o que não é uma representação ortodoxa; a maioria das figuras dos apóstolos estão superpostas e fora de ordem; a coroa, na sua presente forma atual, não pode ter sido confeccionada por nenhum ourives comissionado pela corte húngara, parecendo mais um amálgama de diversas peças; ainda, para se adequar ao tamanho normal de uma cabeça adulta, faz-se necessária a colocação de tecidos acolchoados por dentro da peça, cuja distribuição desbalanceada do peso sobrecarrega demais o pescoço de quem a porta.
A coroa é composta de duas peças: uma coroa inferior de estilo bizantino e outra superior cruciforme, mais antiga. A primeira data cerca de 1070 e consta ter sido um presente do imperador bizantino Miguel VII Dukas a Synadene, princesa que se tornou esposa do rei húngaro Géza I(1074-75). A coroa superior em forma de cruz foi dada como presente pelo papa Silvestre II ao rei Estevão I e possui um detalhe peculiar: a cruz no topo não está afixada em ângulo reto, mas sim com uma inclinação de aproximadamente quase 30 graus, provavelmente devido a algum acidente em sua manipulação. Não é considerada a cruz original, a qual consta como ter contido uma relíquia que se acreditava ser um pedaço da cruz onde Jesus foi crucificado.
Citando algumas das aventuras pelas quais a coroa de Santo Estevão I passou, entendemos porque ela é considerada uma relíquia sagrada pelo povo húngaro, que crê que enquanto existir a coroa (e ela se encontrar em solo pátrio), a Hungria existirá como nação. Em 1241, o rei Bela IV resgatou a coroa dos tártaros; em 1463, o rei Mateus comprou-a da corte vienense por uma soma astronômica; em 1526 ela foi escondida na cidadela de Fuzer, quando da invasão otomana; em 1849 a coroa foi enterrada dentro de uma arca de ferro, em uma cidadezinha da Romênia, quando da queda dos Habsburgos; em 1945 ela foi escondida dentro de um barril de óleo, para escapar do exército russo que entrava na Áustria; também em 1945, ela passou para a posse do Governo dos Estados Unidos da América, que não a considerou como espólio de guerra, mas a manteve guardada no Forte Knox, mesmo lugar onde é guardado o ouro do tesouro norte-americano. Em 5 de janeiro de 1978, a posse da coroa foi finalmente transferida novamente para o governo da Hungria e atualmente encontra-se no prédio do parlamento húngaro.

OURO E GEMAS BRASILEIRAS NO ROMANTISMO PORTUGUÊS DO SEC. XIX

OURO E GEMAS BRASILEIRAS NO
ROMANTISMO PORTUGUÊS DO SEC. XIX

A vinda da Corte Portuguesa para o Brasil foi acompanhada de um grande número de joalheiros e lapidários. Graças a este fato, as medidas repressivas tomadas em relação aos ourives locais foram suprimidas e observou-se então um desenvolvimento da confecção e do comércio de jóias no Brasil.
De uma maneira geral, o design das jóias do início do século XIX seguia o estilo Barroco, com uma grande predominância de diamantes e de motivos florais.

Um dos grandes ourives que veio com a Corte Portuguesa para o Brasil foi Antônio Gomes da Silva, nascido em Lisboa. Com a alcunha de “mestre ourives da prata e cravador de diamantes” dada pelo Rei D.João VI, criou no Rio de Janeiro algumas jóias belíssimas, como a Cruz e Colar da Ordem de Torre e Espada e diamantes e esmeraldas, em 1813. Em 1817, confeccionou para a aclamação de D. João VI uma coroa, um cetro e um florete. Várias obras de Antonio Gomes da Silva encontram-se hoje no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.
Não foi somente o ouro e os diamantes que encantaram os nobres portugueses vindos com a Corte. Também as ametistas, os topázios e as águas-marinhas tiveram um papel de destaque nas jóias confeccionadas então.
Maria Pia - reprodução

Em
1870, o ourives Estevão de Souza criou para a Rainha D.Maria Pia um fantástico conjunto formado por colar e tiara em ouro com grandes diamantes formando estrelas.




Uma famosa joalheria, “Leitão e Irmão” - conhecidos como “joalheiros da Coroa”, foi responsável a partir de 1875, por uma grande renovação na arte da ourivesaria, com sofisticadas montagens e novos designs para jóias inspirados na história e no artesanato português e que tinha na Rainha D.Maria Pia sua mais fiel e assídua cliente.
Em geral, as jóias portuguesas da segunda metade do século XIX obedeceram aos modelos em voga em toda a Europa, onde o ouro, com ou sem gemas, ocupava lugar de destaque. A jóia romântica, com letras formando nomes e pequenas frases e com retratos em miniatura era a mais popular. Assim como no resto da Europa, os medalhões em ouro e cristal contendo os cabelos de um ente querido e usados como um pendente junto ao peito ou em pulseiras eram extremamente apreciados, como também o motivo de serpentes - em geral usadas em braceletes.

O GRANDE ROUBO DAS JÓIAS DA COROA FRANCESA

O GRANDE ROUBO DAS JÓIAS DA COROA FRANCESA

No outono europeu de 1792, Paul Miette, famoso bandido francês ora em liberdade, admira as jóias e os tesouros da França, sem se importar em ser interrogado ou preso. Desde 1791, crêem os responsáveis pela guarda dos valiosos objetos que estes estão completamente seguros no edifício chamado de Garde-meuble, atualmente sede do Ministério da Marinha Francesa, e situado na Place de la Concorde, em Paris. Neste edifício de bela arquitetura estavam coleções de gemas raras, jóias fantásticas, armaduras de reis e príncipes, tapeçarias e móveis, tudo de um valor inestimável e guardado no que era considerado um ‘cofre-forte’. Mas na noite do dia 11 de setembro de 1792, por volta das 23 horas, dois bandos se encontram em frente ao Garde-meuble: um é liderado por Miette e outro, por Depeyron, seu companheiro de roubos. Depois de acertados alguns detalhes de última hora, os dois líderes começam a escalar o edifício até o primeiro andar, seguidos pelos outros ladrões. Retiram com precisão de profissionais os vidros de uma janela e entram. No interior do prédio, quebram vitrines e enchem os bolsos com jóias. Nesta noite, não tocam nas coleções de gemas.
Coroa Francesa com os diamantes Régent e SancyNas noites seguintes, e sem que ninguém notasse os roubos, os ladrões voltaram com a mesma determinação: à luz de velas, arrombam uma cômoda contendo uma grande quantidade de gemas, inclusive os célebres diamantes Sancy, de Guise e Hortense, e 82 rubis orientais raríssimos. Dentre os rubis roubados, estava um com 24 quilates, descrito na ficha do catálogo da coleção como "um grande rubi do oriente, de cor rosa intenso, pesando 22¾ quilates". Alguns dos rubis roubados foram deixados pelos ladrões na pressa em dividir o produto do roubo às margens do rio Sena, sendo então recuperados.
Muitas foram as jóias roubadas por Miette e seu bando. A maioria delas simplesmente sumiu, para jamais ser recuperada pelo governo francês. Porém algumas foram mais tarde encontradas. Dentre estas estavam o belísssimo diamante rosa Hortense e a grande safira de Luís XIV, considerada até o século XIX como a mais bela safira do mundo. Esta safira, de cor e pureza magníficas, provinha do antigo Ceilão (atual Sri-lanka) e chegou à Europa pelas mãos de mercadores venezianos. Monsieur Perret, marchand francês com trânsito na corte de Luís XIV, apresentou–a ao ‘Rei Sol’, que não titubeou em comprá-la imediatamente.

HISTÓRIA DA JOALHERIA O OURO E OS OURIVES NA ANTIGUIDADE

HISTÓRIA DA JOALHERIA

O OURO E OS OURIVES NA ANTIGUIDADE

As pepitas de ouro atraíram a atenção de nossos ancestrais desde muito cedo, e simples ornamentos feitos em ouro estão entre os mais antigos objetos de metal feitos pelo homem. O ouro das minas ou de depósitos aluviais tem sido explorado durante praticamente toda a história do homem.
Foi no segundo milênio A.C. que o homem começou a minerar o metal. A mineração nunca foi uma tarefa agradável e vários documentos se referem às condições terríveis dos mineradores. Em algumas das minas menores é certo que trabalhava - se por incentivos econômicos, mas nas grandes minas controladas pelo estado, escravos, prisioneiros de guerra e presos condenados trabalhavam duramente sem descanso. Na Roma antiga, ser enviado para as minas era uma punição comparável à de morrer na arena dos coliseus.
As principais minas de ouro da antiguidade espalhavam se por vários territórios. As guerras travadas e os conseqüentes tratados eram orientados de forma a se obter o melhor acesso ao ouro. Sendo assim, a influência do ouro na história da humanidade não pode ser subestimada. Por exemplo, não é coincidência que as terras conquistadas por Alexandre, o Grande, abrangiam quase todas as minas do antigo oriente próximo. Famosas entre estas estavam as minas dos desertos do Egito e da Namíbia, do oeste da Turquia, da armênia e até mesmo da índia. Na Europa, as minas de ouro encontravam - se nos Bálcãs, nos Alpes, na Espanha, na Irlanda, nas montanhas Altai e na Sibéria, e era negociado principalmente através das colônias gregas às margens do mar negro.
Na antiguidade, o ouro era usado não só como ornamento, mas também servia para distribuir riquezas. Governantes e templos podiam acumular grandes tesouros, em geral na forma de vasos ou outros objetos semelhantes e também na forma de jóias (as correntes em ouro eram largamente utilizadas). O ouro era guardado como um sinal de poder e riqueza, e era utilizado nos negócios e para financiar guerras e pagar resgates.
Para o cidadão médio da época, o ouro servia como moeda (reserva econômica). De vez em quando surgia uma lei para limitar a posse do ouro por indivíduos, mas não prosperava. O ouro tinha um significado alto na escala de valores, e objetos em ouro eram valorados e negociados pelo seu peso e não só pelo trabalho empregado na sua decoração. A negociação com ouro foi formalizada no primeiro milênio A.C. pela introdução da cunhagem da moeda. A circulação da moeda passou a facilitar o comércio e mais pessoas passaram a ter acesso ao ouro. A cunhagem de moedas passou a ser controlada pelo estado, que estabelecia o peso e a pureza do material empregado. Penas severas eram impostas a quem adulterasse qualquer destes itens.Era grande a variedade de técnicas de ourivesaria usadas pelos ourives da antiguidade. Em síntese, a chave para a ourivesaria do mundo antigo era a simplicidade no processo de confecção combinada com o refinamento na decoração. Os ourives deste período construíam suas próprias ferramentas. Nos primórdios, "martelava – se" o ouro com pedras. Mais tarde, ferramentas simples, como o martelo, foram inventadas e passaram a ser utilizadas pelos ourives. O trabalho de um ourives era predominantemente feito a partir de uma folha de ouro (obtida pelo contínuo martelar do metal até tornar-se uma superfície plana, lisa e de espessura desejada), que era então cortada com uma faca ou um cinzel na forma escolhida e ornamentada com filigrana, granulação ou outras técnicas decorativas, como a simples perfuração. Fios de ouro eram confeccionados cozendo e martelando uma fita fina de ouro até obter a espessura do fio desejada ou então torcendo e enrolando duas fitas estreitas de ouro. Desenhos decorativos podiam ser impressos na folha de ouro utilizando-se ferramentas simples feitas de madeira ou osso. Até mesmo objetos maciços, como anéis ou broches, eram feitos somente com a utilização de martelos.
A fundição do ouro era raramente empregada para confecção de jóias ou objetos valiosos e somente começou a ser utilizada durante a idade do ferro, na Europa. A fundição de metais era certamente conhecida e utilizada no mundo antigo desde o início da idade do bronze, mas raramente era feita com ouro. Uma das razões para isso era a potencialidade de quebra: era quase impossível produzir um molde que utilizasse sempre uma mesma quantidade de ouro. Com as modernas técnicas de hoje isso não se constitui um problema, mas na antiguidade, onde o ouro era caro, escasso e geralmente fornecido pelo cliente ao ourives que fabricaria sua jóia, essa consideração prática era um parâmetro importante.
Mesmo com poucas e simples ferramentas, os ourives da antiguidade foram capazes de produzir fantásticos exemplares de jóias e objetos decorativos, decoradas com sofisticação e desenhos intrincados, que resistiram não só ao passar dos séculos, mas também serviram e servem de inspiração até hoje a designers e joalheiros de todo o mundo.

QUARTZOS FUMÊ E MORION IRRADIADOS: NOVA TENDÊNCIA

QUARTZOS FUMÊ E MORION IRRADIADOS:
NOVA TENDÊNCIA



O mineral quartzo pode ser considerado um verdadeiro “camaleão” em se tratando das variedades de cores alcançadas com a aplicação da radiação gama (tratamento em pedras preciosas comumente conhecido como “bombardeio”). Entre eles, grandes destaques para os quartzos fumê e morion irradiados a partir do quartzo natural incolor. Nos últimos tempos, tais variedades vêm ganhando espaço e ocupando seu lugar no comércio de gemas e jóias. Em função desta nova tendência de mercado, grandes quantidades de quartzos naturais incolores oriundos de diferentes regiões brasileiras têm chegado às unidades de radiação da EMBRARAD (Empresa Brasileira de Radiações), para transformá-los em quartzos destas tonalidades.
 
O quartzo fumê ou enfumaçado (Smoky quartz) é uma das variedades mais populares do mineral quartzo. Sua cor é facilmente reconhecida pelo público em geral - quando apresenta certa transparência o nome quartzo fumê é mais corretamente aplicado. Apesar de existir na natureza, o quartzo fumê pode ser obtido facilmente a partir da aplicação de radiação gama em seu correspondente natural e incolor. A cor fumê após bombardeio deve-se à presença do elemento químico alumínio.
 
Quando o mineral quartzo (após irradiado pela natureza ou laboratório) não apresenta nenhuma transparência, o nome mais correto seria morion ou black quartz - ou seja, quartzo completamente preto e opaco. Alguns quartzos morion são tão escuros que se tornam similares ao ônix (agregrado microcristalino de quartzo) e difíceis de serem encontrados. Portanto, seu correspondente irradiado tornou-se preferido pelos designers de jóias, devido a sua perfeita combinação com brilhantes incolores e ouro branco, além de ser mais facilmente encontrado. Quartzos morion são estremamente enriquecidos em alumínio, elemento fundamental na formação de “centros de cor” com a aplicação da radiação gama, que faz com que este mineral fique saturado na cor preta.
 
Quartzos enfumaçados com tonalidades laranja-amarronzados, conhecidos no comércio como quartzos conhaque, são obtidos a partir da aplicação de radiação gama em quartzos naturais incolores enriquecidos em Fe e Al. Esta é outra variedade preferida pelos designers. Vale ressaltar que o correspondente natural do quartzo conhaque é extremamente raro e poucas lavras deste tipo de material são conhecidas.
 
Fotos:
- quartzo fumê irradiado (acervo do autor)
- anel e brincos em quartzo fumê e diamantes (designer Sonaya Cajueiro)
- anel ouro branco e quartzo black (Brüner)
- conjunto em quartzo conhaque (Manoel Bernardes)