quarta-feira, 12 de abril de 2017

HISTÓRIA DA JOALHERIA O OURO E OS OURIVES NA ANTIGUIDADE

HISTÓRIA DA JOALHERIA

O OURO E OS OURIVES NA ANTIGUIDADE

As pepitas de ouro atraíram a atenção de nossos ancestrais desde muito cedo, e simples ornamentos feitos em ouro estão entre os mais antigos objetos de metal feitos pelo homem. O ouro das minas ou de depósitos aluviais tem sido explorado durante praticamente toda a história do homem.
Foi no segundo milênio A.C. que o homem começou a minerar o metal. A mineração nunca foi uma tarefa agradável e vários documentos se referem às condições terríveis dos mineradores. Em algumas das minas menores é certo que trabalhava - se por incentivos econômicos, mas nas grandes minas controladas pelo estado, escravos, prisioneiros de guerra e presos condenados trabalhavam duramente sem descanso. Na Roma antiga, ser enviado para as minas era uma punição comparável à de morrer na arena dos coliseus.
As principais minas de ouro da antiguidade espalhavam se por vários territórios. As guerras travadas e os conseqüentes tratados eram orientados de forma a se obter o melhor acesso ao ouro. Sendo assim, a influência do ouro na história da humanidade não pode ser subestimada. Por exemplo, não é coincidência que as terras conquistadas por Alexandre, o Grande, abrangiam quase todas as minas do antigo oriente próximo. Famosas entre estas estavam as minas dos desertos do Egito e da Namíbia, do oeste da Turquia, da armênia e até mesmo da índia. Na Europa, as minas de ouro encontravam - se nos Bálcãs, nos Alpes, na Espanha, na Irlanda, nas montanhas Altai e na Sibéria, e era negociado principalmente através das colônias gregas às margens do mar negro.
Na antiguidade, o ouro era usado não só como ornamento, mas também servia para distribuir riquezas. Governantes e templos podiam acumular grandes tesouros, em geral na forma de vasos ou outros objetos semelhantes e também na forma de jóias (as correntes em ouro eram largamente utilizadas). O ouro era guardado como um sinal de poder e riqueza, e era utilizado nos negócios e para financiar guerras e pagar resgates.
Para o cidadão médio da época, o ouro servia como moeda (reserva econômica). De vez em quando surgia uma lei para limitar a posse do ouro por indivíduos, mas não prosperava. O ouro tinha um significado alto na escala de valores, e objetos em ouro eram valorados e negociados pelo seu peso e não só pelo trabalho empregado na sua decoração. A negociação com ouro foi formalizada no primeiro milênio A.C. pela introdução da cunhagem da moeda. A circulação da moeda passou a facilitar o comércio e mais pessoas passaram a ter acesso ao ouro. A cunhagem de moedas passou a ser controlada pelo estado, que estabelecia o peso e a pureza do material empregado. Penas severas eram impostas a quem adulterasse qualquer destes itens.Era grande a variedade de técnicas de ourivesaria usadas pelos ourives da antiguidade. Em síntese, a chave para a ourivesaria do mundo antigo era a simplicidade no processo de confecção combinada com o refinamento na decoração. Os ourives deste período construíam suas próprias ferramentas. Nos primórdios, "martelava – se" o ouro com pedras. Mais tarde, ferramentas simples, como o martelo, foram inventadas e passaram a ser utilizadas pelos ourives. O trabalho de um ourives era predominantemente feito a partir de uma folha de ouro (obtida pelo contínuo martelar do metal até tornar-se uma superfície plana, lisa e de espessura desejada), que era então cortada com uma faca ou um cinzel na forma escolhida e ornamentada com filigrana, granulação ou outras técnicas decorativas, como a simples perfuração. Fios de ouro eram confeccionados cozendo e martelando uma fita fina de ouro até obter a espessura do fio desejada ou então torcendo e enrolando duas fitas estreitas de ouro. Desenhos decorativos podiam ser impressos na folha de ouro utilizando-se ferramentas simples feitas de madeira ou osso. Até mesmo objetos maciços, como anéis ou broches, eram feitos somente com a utilização de martelos.
A fundição do ouro era raramente empregada para confecção de jóias ou objetos valiosos e somente começou a ser utilizada durante a idade do ferro, na Europa. A fundição de metais era certamente conhecida e utilizada no mundo antigo desde o início da idade do bronze, mas raramente era feita com ouro. Uma das razões para isso era a potencialidade de quebra: era quase impossível produzir um molde que utilizasse sempre uma mesma quantidade de ouro. Com as modernas técnicas de hoje isso não se constitui um problema, mas na antiguidade, onde o ouro era caro, escasso e geralmente fornecido pelo cliente ao ourives que fabricaria sua jóia, essa consideração prática era um parâmetro importante.
Mesmo com poucas e simples ferramentas, os ourives da antiguidade foram capazes de produzir fantásticos exemplares de jóias e objetos decorativos, decoradas com sofisticação e desenhos intrincados, que resistiram não só ao passar dos séculos, mas também serviram e servem de inspiração até hoje a designers e joalheiros de todo o mundo.

QUARTZOS FUMÊ E MORION IRRADIADOS: NOVA TENDÊNCIA

QUARTZOS FUMÊ E MORION IRRADIADOS:
NOVA TENDÊNCIA



O mineral quartzo pode ser considerado um verdadeiro “camaleão” em se tratando das variedades de cores alcançadas com a aplicação da radiação gama (tratamento em pedras preciosas comumente conhecido como “bombardeio”). Entre eles, grandes destaques para os quartzos fumê e morion irradiados a partir do quartzo natural incolor. Nos últimos tempos, tais variedades vêm ganhando espaço e ocupando seu lugar no comércio de gemas e jóias. Em função desta nova tendência de mercado, grandes quantidades de quartzos naturais incolores oriundos de diferentes regiões brasileiras têm chegado às unidades de radiação da EMBRARAD (Empresa Brasileira de Radiações), para transformá-los em quartzos destas tonalidades.
 
O quartzo fumê ou enfumaçado (Smoky quartz) é uma das variedades mais populares do mineral quartzo. Sua cor é facilmente reconhecida pelo público em geral - quando apresenta certa transparência o nome quartzo fumê é mais corretamente aplicado. Apesar de existir na natureza, o quartzo fumê pode ser obtido facilmente a partir da aplicação de radiação gama em seu correspondente natural e incolor. A cor fumê após bombardeio deve-se à presença do elemento químico alumínio.
 
Quando o mineral quartzo (após irradiado pela natureza ou laboratório) não apresenta nenhuma transparência, o nome mais correto seria morion ou black quartz - ou seja, quartzo completamente preto e opaco. Alguns quartzos morion são tão escuros que se tornam similares ao ônix (agregrado microcristalino de quartzo) e difíceis de serem encontrados. Portanto, seu correspondente irradiado tornou-se preferido pelos designers de jóias, devido a sua perfeita combinação com brilhantes incolores e ouro branco, além de ser mais facilmente encontrado. Quartzos morion são estremamente enriquecidos em alumínio, elemento fundamental na formação de “centros de cor” com a aplicação da radiação gama, que faz com que este mineral fique saturado na cor preta.
 
Quartzos enfumaçados com tonalidades laranja-amarronzados, conhecidos no comércio como quartzos conhaque, são obtidos a partir da aplicação de radiação gama em quartzos naturais incolores enriquecidos em Fe e Al. Esta é outra variedade preferida pelos designers. Vale ressaltar que o correspondente natural do quartzo conhaque é extremamente raro e poucas lavras deste tipo de material são conhecidas.
 
Fotos:
- quartzo fumê irradiado (acervo do autor)
- anel e brincos em quartzo fumê e diamantes (designer Sonaya Cajueiro)
- anel ouro branco e quartzo black (Brüner)
- conjunto em quartzo conhaque (Manoel Bernardes)

GEMAS IRRADIADAS: TOPÁZIO AZUL

GEMAS IRRADIADAS:
TOPÁZIO AZUL




O topázio azul é uma das gemas mais populares na joalheria e preferidas pelos designers, estando sempre presente nas linhas de produção. O que muitos comerciantes de jóias não sabem é que o topázio azul é extremamente raro na natureza. A cor azul intensa observada dominantemente no comércio é resultado da aplicação de radiação gama ou de outros tipos de radiações em topázios naturalmente incolores.
Topázios azuis com cores mais suaves (similares à coloração de água-marinha) podem ser conseguidos com métodos envolvendo radiação gama. Tons de azuis mais acentuados - conhecidos como swiss blue e london blue - são obtidos através de aceleradores de elétrons e reatores nucleares.
A subseqüente queima (tratamento térmico) é um fator determinante na coloração final. Tons cinzas indesejados podem aparecer se a queima não for corretamente conduzida.
A cor azul em topázios irradiados é permanente. No entanto, fogo direto na pedra deve ser evitado durante a confecção da jóia. A causa de cor em topázios irradiados está diretamente relacionada a sua composição química.
Existem basicamente dois tipos de topázios: topázios ricos em OH (hidroxila) e topázios ricos em F (Flúor). Estes últimos parecem ser mais susceptíveis à radiação gama que os demais. Topázios incolores do norte de Minas Gerais são famosos pelos resultados obtidos em tratamento por radiação gama.
         
Figura 1- Sky blue, swiss blue e london blue, os 3 tons de azul conseguidos em topázios incolores através da aplicação de radiações
Figura 2- Anel com topázio azul central sky blue tratado pela EMBRARAD, em perfeita harmonia com turmalinas. (Design por Ruth Grieco)

GEMAS IRRADIADAS: QUARTZO

GEMAS IRRADIADAS:
QUARTZO




Os resultados da radiação gama (Cobalto-60) aplicada em quartzos incolores estão levando produtores de gemas do norte de Minas Gerais-Brasil e de outras regiões do Brasil e do mundo a testar cada pedaço de quartzo incolor para ver se o mesmo muda de cor.
Variedade comerciais de quartzo, tais como green-gold, lemon, olive, prasiolita, ametistas, citrinos amarelos e laranja, ametista rose de france, quartzo fumê e morion - produzidos pela radiação gama aplicada em quartzo incolor natural - estão sendo cada vez mais observados em joalherias do mundo inteiro.
O quartzo irradiado é uma excelente opção para quem trabalha com produção de jóias em série e que visa a exportação em larga escala, pois o mesmo pode ser conseguido em grandes quantidades e por preços mais acessíveis, além de permitir a ousadia do designer em criar peças com pedras de tamanhos mais acentuados e com disponibilidade de combinação de diferentes cores e tons.
O know-how da irradiação comercial aplicada em quartzo incolor desenvolvido pela Empresa Brasileira de Radiações - EMBRARAD é considerado o melhor do mundo, devido às diferentes variedades alcançadas com o método
Figura 1- Quartzo green gold nas jóias com design de Chis Lanza
Figura 2- Quartzo conhaque na jóia com design de Rodrigo Robson, Luciana Curci e Vanessa Broglio
(peça vencedora do 2º prêmio EMBRARAD de Design de Jóias)
Figura 3- Quartzo Rose de France na jóia com design de Valéria Sá
Fotos: Almir Pastore

Azul estreia com pompa na Bovespa e reforça retomada em mercado acionário brasileiro

Azul estreia com pompa na Bovespa e reforça retomada em mercado acionário brasileiro

terça-feira, 11 de abril de 2017 17:54 BRT
 

]

Antonoaldo Neves, presidente da Azul, fala ao público antes da oferta inicial de ações da companhia na Bovespa, em São Paulo, no Brasil
11/04/2017
REUTERS/Nacho Doce
1 de 1Versão na íntegra
Por Paula Arend Laier SÃO PAULO (Reuters) - A Azul, terceira maior companhia aérea brasileira, estreou com pompa na Bovespa nesta terça-feira, após uma oferta inicial de ações (IPO) que movimentou 2 bilhões de reais e marcou mais um capítulo na retomada das captações no mercado acionário brasileiro. O antigo pregão viva-voz da bolsa paulista recebeu decoração ao estilo da companhia, incluindo os salgadinhos oferecidos pela empresa em seus voos, com recepcionistas vestindo o uniforme da linha aérea dando boas-vindas àqueles que atravessavam um túnel de embarque para acompanhar o tradicional toque do sino que dá início às negociações. O fausto também se traduziu em números. A operação atribuiu um valor de mercado de 2,4 bilhões de dólares (7,5 bilhões de reais) para a Azul. Além disso, a transação marcou o maior IPO desde a oferta da BB Seguridade em 2013, bem como a primeira listagem dupla de companhia brasileira - São Paulo e Nova York - desde a oferta do Santander Brasil em 2009. Ainda, a ação chegou a avançar mais de 9 por cento no melhor momento do dia em relação ao preço do IPO, de 21 reais, encostando no teto da faixa indicativa de 23 reais. Segundo informaram fontes do mercado à Reuters ainda na segunda-feira, a demanda pela oferta superou cinco vezes o volume ofertado, considerando o preço de 21 reais por ação. "Nós estamos muito satisfeitos com o resultado", afirmou o presidente da Azul, Antonoaldo Neves, acrescentando que a operação deixa a empresa criada em 2008 pelo empresário David Neeleman, mais forte para enfrentar os desafios do dia a dia. Desafios que não são poucos uma vez que o setor no país ainda passa por fraqueza de demanda em razão da recessão brasileira que já dura dois anos. Sobre isso, o presidente da Azul, que estava limitado pelo período de silêncio do IPO, comentou apenas que a empresa "está bastante segura" de que nas condições atuais sua equação demanda/oferta está equilibrada. Uma semana antes, o presidente da rival Avianca Brasil, Frederico Pedreira, havia afirmado que o setor ainda tem espaço para reduzir a oferta de assentos, já que a taxa de ocupação de voos da indústria estava abaixo de 80 por cento. Para o presidente da Azul, o resultado do IPO representa um momento importante, porque sinaliza que investir no Brasil voltou a ser atrativo. "Demonstra confiança dos investidores na retomada da economia e na superação da maior crise que nosso país já viveu", afirmou o executivo à plateia que encheu o salão na B3. Os IPOs mais recentes na bolsa brasileira ocorreram em fevereiro, com a locadora de veículos Movida e o laboratório Instituto Hermes Pardini, mas as ofertas ocorreram em volumes mais tímidos, de 645,17 milhões e 877,7 milhões de reais, respectivamente. TUDO AZUL? Um dos focos dos investidores que apostaram no IPO da Azul é o programa de fidelidade de 7 milhões de clientes da companhia, TudoAzul, mas Neves não deu detalhes sobre os planos da empresa nesta frente. As rivais Gol e TAM há anos exploram seus programas de fidelidade por meio da criação das empresas Smiles e Multiplus. No prospecto do IPO, a Azul disse que busca seguir "investindo no crescimento do TudoAzul e avaliando oportunidades para expandir o valor desse ativo estratégico". A listagem da Azul adiciona, na bolsa brasileira, um novo concorrente em um setor formado apenas Gol desde 2012, quando a TAM saiu da bolsa após a fusão com a Latam. Por volta das 14:50, os papéis da Azul eram negociados a 22,46 reais, em alta de quase 7 por cento, enquanto os ADSs da empresa em Nova York tinham valorização de 7,5 por cento. Já a Gol mostrava ganho de 7,1 por cento, a 10,36 reais. No radar dos investidores do setor está o anúncio do governo brasileiro de permitir a abertura de 100 por cento do capital das companhias aéreas nacionais a estrangeiros. A Reuters antecipou a informação na véspera, relatando que o governo federal irá editar nesta terça-feira medida provisória sobre o tema. Na visão de Neves, é muito cedo para avaliar a MP, citando que essa análise dependerá de como virá a regulamentação. "É importante que seja feita de forma abrangente, olhando todas as variáveis que impactam o setor, não só capital." O presidente da associação de companhias aéreas, Abear, Eduardo Sanovicz, também presente no evento da Azul, destacou que não há uma concepção unificada no setor sobre a MP, mas que, no conceito geral, "é sempre positivo um país ter uma estrutura mais aberta, mais amigável para receber capital mais barato". TURBULÊNCIA A estreia das ações da Azul não teve exatamente um voo de cruzeiro. A previsão era de que as ações começassem a negociar no nível 2 da Bovespa na última sexta-feira, mas a operação foi suspensa um dia antes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que apontando irregularidades, como divulgação de materiais de apresentação da operação na Internet. O IPO da Azul também ocorreu após três tentativas. A última, em junho de 2015, tinha sido abortada, assim como das primeiras vezes, pelo cenário adverso do mercado na época. No evento da Azul na bolsa, o presidente da B3, Edemir Pinto, afirmou que 2017 deve encerrar com 17 ofertas de ações entre operações de abertura de capital ou ofertas subsequentes, com o valor movimentado no total podendo superar sua estimativa de 25 bilhões de reais. Para que isso se confirme, ele vê como essencial a aprovação da reforma da Previdência, que ajudará na retomada da confiança, principalmente de investidores estrangeiros. "Dando a esses investidores a reforma...vamos ter uma avalanche de investimento estrangeiro no Brasil a partir do segundo semestre." (Com reportagem adicional de Guillermo Parra-Bernal, edição Alberto Alerigi Jr.)