segunda-feira, 24 de abril de 2017

Mercado aprova novo comando da Vale — mas não será nada simples

Mercado aprova novo comando da Vale — mas não será nada simples

Assim como os estadistas, os presidentes de grandes empresas costumam ser inapelavelmente rotulados pela história. Podem ter feito muito, mas são lembrados por uma coisa só — seu estilo de administração, um grande erro, um grande acerto. No caso de um ícone nacional, como a mineradora Vale, sua história recente pode ser claramente separada em duas fases. A primeira, sob o comando de Roger Agnelli, foi a da expansão desenfreada.
Em meio ao boom mundial das commodities, Agnelli foi às compras e multiplicou por  8 o faturamento da Vale em uma década. Coube a Murilo Ferreira fazer o exato oposto: encolher a Vale, preparando-a para um período de preços baixos no mercado global. Fabio Schvartsman, o executivo que no fim de maio assumirá o posto no lugar de Ferreira, sentará na cadeira já sabendo qual é sua missão.
Após a faxina geral dos últimos anos, a Vale não tem grandes desafios estratégicos ou operacionais. Schvartsman foi contratado, isso, sim, para orquestrar a mais delicada transição da história da empresa. Até 2020, a ex-estatal Vale passará a ser uma empresa sem controlador, com ações pulverizadas no mercado — o tipo de mudança que, apesar de parecer simples, de simples não tem nada.
Desde 1997, ano em que foi privatizada, a Vale é controlada pela holding Valepar, que hoje é formada por um grupo de acionistas — os fundos BNDESPar e Bradespar, a mineradora japonesa Mitsui, um grupo de fundos de pensão liderado pela Previ e o banco Opportunity. Esses acionistas mandam na Vale. Eles se reúnem obrigatoriamente antes das reuniões de conselho da mineradora, tomam suas decisões, e seus representantes repassam as definições ao conselho de administração quase figurativo da empresa. Mas esses acionistas resolveram dissolver o acordo. Como eles tinham ações da Valepar, e não da Vale, era difícil vendê-las.
Para os fundos de pensão, sobretudo, essa situação era insustentável, já que eles precisam levantar dinheiro para pagar suas aposentadorias. Com a mudança, a Valepar deixa de existir, e todos passam a ter ações da Vale. Até novembro, a empresa quer converter suas ações preferenciais em ordinárias, para ter apenas uma classe de ações e migrar para o Novo Mercado da bolsa, segmento com mais exigências de governança corporativa, e os acionistas do bloco poderão vender suas ações aos poucos. Em 2020, finalmente, a Vale se tornará uma “corporation”, como são conhecidas as empresas sem controlador. O mercado adorou a notícia, algo evidenciado pela valorização de quase 7% nas ações no dia do anúncio.
Os atuais controladores decidiram dar a Fabio Schvartsman, um executivo de 63 anos, a missão de organizar o processo. Ele ocupava a presidência da fabricante de papel e celulose Klabin, e sua escolha foi rapidíssima — menos de três semanas depois de anunciado o processo de busca de um sucessor para Murilo Ferreira, o cargo estava preenchido. Pesou na indicação sua experiência em transições desse tipo. Schvartsman ajudou a levar a holding Ultrapar à bolsa em 1999. Na Klabin, onde estava desde 2011, também levou a companhia a um nível mais avançado de governança na Bovespa. Ele assumirá a Vale em um momento considerado bastante favorável.
Ao longo dos últimos cinco anos, a Vale encolheu para ficar mais eficiente e produtiva e tem o menor custo de produção de minério de ferro. Nos últimos anos, a com-panhia fez pesados investimentos para colocar em operação sua nova mina em Carajás, naquele que foi o maior projeto da história da Vale. Agora, os investimentos foram concluídos. A projeção dos analistas é que o lucro e o fluxo de caixa livre tripliquem até 2019. Assim, Schvartsman poderá se concentrar no modelo de governança da mineradora. E tentar fazer com que a Vale seja uma “corporation” com mais qualidades do que defeitos — já que os defeitos possíveis são muitos.
É irônico que a Vale se proponha a virar uma “corporation” justamente quando esse modelo é colocado em xeque no mercado brasileiro. Foi-se o tempo em que a empresa sem controlador era considerada o máximo da governança, a modernidade engarrafada e trazida dos Estados Unidos para transformar o capitalismo brasileiro. “Hoje está claro que não há um modelo ideal, e sim que ambos têm vantagens e desvantagens”, diz Richard Blanchet, conselheiro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.
Empresas sem controlador representam menos de 5% do total de companhias listadas na bolsa brasileira, mas as experiências nacionais e as diversas experiências estrangeiras servem de amostra do que pode dar errado em empresas sem dono. Numa caricatura extrema, o maior risco é deixar a empresa ser dominada por uma cultura de curto prazo, que vive para servir a seus executivos e que, em tempos de crise, pode ser chacoalhada por investidores que só querem se beneficiar e ir embora. Numa mineradora como a Vale, são riscos que a empresa tem obrigação de conhecer a fundo.
Se não existe vácuo em política, na política corporativa ele também inexiste. Numa empresa “sem dono”, é natural que alguém ocupe essa posição mesmo sem ter direito a ela. “Um dos riscos numa corporação é que os administradores se tornem superpoderosos”, diz Peter Taylor, chefe da gestora Aberdeen no Brasil — a Aberdeen é uma das maiores acionistas individuais da Vale.
Em 2013, quando a incorporadora Gafisa acumulava mais de 1 bilhão de reais de prejuízo em dois anos, seus executivos ganharam quase 20 milhões de reais em bônus por desempenho. O executivo Carlos Medeiros ocupou a presidência da administradora de shoppings BR Malls durante mais de dez anos e agia como se fosse o dono. Os executivos da empresa recebiam 40% acima da média do mercado, mesmo quando os resultados pioraram.
Em abril do ano passado, a gestora Squadra começou a mostrar sua insatisfação com o modelo e indicou dois conselheiros independentes para a empresa — o início da chacoalhada resultou na saída de Medeiros da presidência (o que será efetivado em maio). Claro, nem sempre o executivo superstar resulta em crises. A varejista Renner, primeira empresa sem controlador da bolsa brasileira, tem no presidente José Galló seu “dono” há quase dez anos. A gestão de Galló é saudada pelos acionistas, que, justamente, temem pelo dia em que ele não estará mais no cargo. Como raios teimam em não cair no mesmo lugar, ninguém em sã consciência cria uma “corporation” para entregar, na prática, seu controle a um executivo.

Conselho de figurões

Para evitar o tal vácuo, as “corporations” devem ser supervisionadas por um conselho poderoso, ativo e detalhista. Infelizmente, talvez seja justamente essa a maior lacuna brasileira. O país não tem tradição de formar conselhos que, de fato, mandam na diretoria. “Quanto mais figurões e ministros, mais o conselho serve de fachada para o poder absoluto de executivos”, diz Mauro Cunha, presidente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais.
Não apenas em empresas sem controle, vale dizer — basta citar casos como o da estatal Petrobras, que sofreu abuso seguido de abuso de seu controlador, e a finada petroleira OGX, de Eike Batista, cujo conselho também era renomado. A falta de comando do conselho foi um ingrediente essencial para a crise que acabou no colapso da incorporadora PDG.
A empresa tornou-se uma “corporation” em janeiro de 2010. A diretoria entrou numa rota de crescimento a qualquer custo, comprando, como se não houvesse amanhã, concorrentes, terrenos e tudo que via à frente. Tornou-se, nove meses depois, a maior do país. Mas as empresas compradas não foram integradas, e os imóveis encalharam. Enquanto as incorporadoras “com dono”, como Cyrela e Eztec, pisaram no freio e fizeram ajustes antes da crise, a PDG seguiu adiante. Seus executivos são investigados pela Comissão de Valores Mobiliá-rios de negociar ações com informação privilegiada (o processo ainda não foi concluído). Em 2012, a gestora Vinci comprou ações da PDG e tentou impor uma cultura de controladora, mas não conseguiu evitar o pedido de recuperação judicial da empresa.
Cientes da importância de um conselho forte nessa transição, os acionistas da Vale acenderam a luz amarela e começaram a se mexer. A gestora Aberdeen sugeriu dois nomes de conselheiras independentes, especializadas em governança e sustentabilidade, para compor o conselho — e tem feito um esforço de convocação de outros acionistas estrangeiros para apoiar a chapa. As corretoras Geração Futuro e VIC, que representam os investidores Lírio Parisotto e Victor Adler, também sugeriram dois nomes. Hoje, os minoritários não têm voz na Vale. Desde que se transformou numa empresa sem controlador, há sete anos, a companhia de tecnologia Valid vem mudando — ampliou o número de conselheiros independentes (ou seja, sem relação alguma com a própria Valid) de um para cinco.
O conselho é formado por sete pessoas. “As reuniões, que eram trimestrais, passaram a ser mensais e também nos falamos informalmente com frequência”, diz Carlos D’Albuquerque, presidente da Valid. Para dar suporte ao conselho, a Valid também criou comitês permanentes de ética e estratégia. Para aumentar a interação com seus acionistas, a Renner criou um manual para votação em assembleia, em 2006, que acabou virando regra de mercado. Só no ano passado a empresa fez quase 1 500 reuniões e eventos com investidores. A presença nas assembleias da companhia passou de 25% da base de acionistas para 57% em dez anos. No caso da Vale, essa será uma tarefa e tanto. A mineradora tem 40 vezes mais acionistas do que a Renner.
Algumas discussões nasceram para não ter fim. Uma delas é sobre a melhor estrutura de comando das empresas. Modelos entram e saem de moda, para depois voltar. Nos Estados Unidos, onde essas modas costumam ser ditadas, as “corporations” foram duramente criticadas no fim dos anos 80, a era dos excessos dos executivos e da ineficiência. Veio, então, a geração private equity, os “bárbaros” que compravam as tais empresas ineficientes, cortavam custos e as revendiam com lucro. A devoção ao curto prazo era o maior alvo de críticas, tanto das “corporations” quanto dos fundos de private equity. Recentemente, um modelo híbrido passou a intrigar o capitalismo americano — justamente o modelo do 3G, fundo comandado pelo empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann.
Híbrido porque tem a obsessão por eficiência típica de um financista, mas, atuando como “dono”, mantém as empresas por décadas, como no caso da cervejaria Ambev. Na geração de empresas de tecnologia, não é muito diferente. No ano passado, ao justificar a criação de uma classe de ações sem direito a voto no Facebook, o fundador Mark Zuckerberg destacou a importância de ser uma empresa com dono — se a empresa fosse dominada pelas vontades do mercado, declarou, possivelmente não teria rejeitado uma oferta de compra do Yahoo num passado distante.
Jeff Bezos, o mercurial fundador da varejista Amazon, não tem nem 30% das ações da companhia, mas quem manda é ele. Empresas com dono que funcionam tomam decisões que pouco têm a ver com o resultado do trimestre, mas, sim, com a perenidade dos negócios, com a sobrevivência da empresa a turbulências, com uma manutenção de retorno saudável.
No caso da Vale, claro, o tal controlador não era lá grande coisa — estamos falando do governo federal (afinal, o BNDES e os fundos de pensão mantiveram fortísssima influência após a privatização). Mas foi o que viabilizou a companhia a investir em seu maior projeto, a gigantesca mina de S11D, em Carajás, no Pará, em meio à maior crise nas cotações do minério de ferro. Em 2015, a Vale teve um prejuízo de 44 bilhões de reais. Suas principais concorrentes, as australianas BHP e Rio Tinto, suspenderam investimentos e conseguiram reduzir o impacto nos resultados. É muito provável que, se fosse uma “corporation”, o projeto de expansão teria sido abortado — hoje, os analistas dizem que é ele que garante o futuro da Vale.
“A Vale é hoje uma empresa muito melhor do que era cinco anos atrás. Produz o melhor minério do mundo pelo menor preço”, diz Rodolfo de Angelo, analista do banco JP Morgan. Em teleconferência com investidores no fim de fevereiro, Murilo Ferreira ressaltou que foi a visão de longo prazo dos acionistas da Valepar que assegurou à Vale a tranquilidade necessária para a travessia dos últimos dois anos, quando houve uma mudança radical nos preços da mineração. “Quando necessário, os sócios da Valepar mostraram disposição para o sacrifício, como a redução expressiva dos dividendos em 2016”, disse.
Apesar de tantos desafios, é fácil entender por que o mercado ficou animado com a perspectiva de uma Vale com controle pulverizado. A possibilidade de influência política sempre foi um fantasma para os minoritários da Vale, e esse fantasma vai embora. O poder do governo federal vai se limitar a vetar a transferência da sede da empresa para outra cidade ou país. Em tese, a nova fase poderá ser muito positiva para a Vale. Caberá a Fabio Schvartsman acertar nos detalhes. O diabo, como se sabe, está neles.
Fonte: Exame

O tesouro em minerais raros encontrado em montanha submarina no Oceano Atlântico

O tesouro em minerais raros encontrado em montanha submarina no Oceano Atlântico

Uma equipe de investigadores do Centro Nacional de Oceanografia (NOC, na sigla em inglês) do Reino Unido identificou um crosta de rochas extremamente rica em minerais raros nas paredes desse monte, a 500 quilômetros das Ilhas Canárias. Amostras trazidas à superfície detectaram a presença de uma substância rara conhecida como telúrio em concentrações 50 mil vezes mais elevadas que as já identificadas na terra. O telúrio, comum em ligas metálicas, é usado também em um tipo avançado de painel solar. A montanha também contêm minerais e terras-raras usados na fabricação de turbinas eólicas e em dispositivos eletrônicos. A descoberta levanta uma questão delicada: se a busca por recursos alternativos de energia pode impulsionar a exploração mineral no fundo do mar.

Controvérsia

O monte submarino, cujo nome é Tropic, tem três mil metros de altura e seu cume fica a 1 mil metros da superfície. Os pesquisadores do Centro Oceanográfico Nacional (NOC na sigla inglesa) do Reino Unido usaram robôs submarinos para investigar a crosta de grãos finos que cobre toda a superfície da montanha e tem espessura de quatro centímetros. Bram Murton, líder da expedição que explora a Tropic, contou à BBC que esperava encontrar minerais em abundância no local, mas jamais imaginou que as concentrações dos mesmos seriam tão elevadas. ”Esta crosta é incrivelmente rica e é isso que faz com que essas rochas sejam incrivelmente especiais e valiosas do ponto de vista de recursos”, explicou.
Debate necessário
Murton calcula que as 2.670 toneladas de telúrio da montanha equivalem a um duodécimo de todo o consumo mundial. O pesquisador deixou claro que não está defendendo a prática da mineração no mar. A atividade foi recentemente regulamentada pela ONU, mas já provoca controvérsia pelos danos potenciais que pode causar ao meio ambiente marinho. Ainda assim, Burton quer que a descoberta da equipe dele – parte de um projeto mais amplo chamado MarineE-Tech – provoque um debate sobre de onde devem vir os recursos vitais.
 ”Se precisamos de energia verde, precisamos de materiais para construir dispositivos capazes de gerar esse tipo de energia [limpa]. E esses materiais têm de vir de algum lugar”, disse. ”Ou os tiramos da terra e fazemos um buraco lá. Ou os tiramos do fundo do mar e fazemos ali um buraco comparativamente menor”, afirmou Murton, que acredita que esse é um dilema que precisa ser enfrentado por toda a sociedade. “Tudo o que fazemos tem um custo”. Pesquisadores têm pesquisado benefícios e riscos da mineração em terra e no mar.

Vantagens e desvantagens

De forma geral, a mineração em terra implica em desmatar, remanejar povoados e construir vias de acesso para remover rochas com concentrações relativamente baixas de minerais (ou de minério). No mar, por sua vez, os minérios são muito mais ricos, ocupam uma área menor e o impacto imediato sobre populações é bem menor. A desvantagem é que a vida marinha nas áreas de extração corre praticamente morre, e esse efeito devastador pode se estender rapidamente e, potencialmente, comprometer uma grande área.
Uma das principais preocupações é o efeito da poeira produzida ao se cavar o fundo do mar, que pode viajar longas distâncias e afetar organismos vivos pelo caminho. Para entender as possíveis implicações, a expedição britânica realizou um experimento no qual tentou reproduzir os efeitos da mineração para medir a quantidade de pó produzido. Os resultados preliminares, disse Murton, mostram que a poeira não é facilmente detectada a um quilômetro de distância além da fonte. Isso indica que o impacto da mineração submarina poderia ser mais localizado do que o inicialmente previsto.

Rico como a floresta tropical

Outro estudo, conduzido pelo mesmo grupo, avaliou evidências fornecida pela exploração do fundo do mar em curso e concluiu que muitas criaturas marítimas afetadas se recuperariam em um ano. Poucas, entretanto, voltariam a alcançar seus níveis anteriores, mesmo depois de duas décadas.
Uma pesquisa focou em organismos minúsculos no leito do Oceano Pacífico, na região conhecida como Zona Clarion-Clipperton, ao sul do Havaí. A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em inglês) – uma organização ligada às Nações Unidas – autorizou empresas de 12 países a buscar minerais nas rochas do fundo do mar dessa região.
De acordo com Andy Gooday, professor do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, as rochas do fundo do mar têm uma variedade de organismos unicelulares do tipo xenophyophorea muito maior do que se esperava. Esses organismos estão nos degraus mais inferiores da cadeia alimentar marinha. Também desempenham um papel importante na formação de estruturas sólidas – como se fossem recifes de coral em miniatura – e fornecem habitats para outras criaturas marinhas. Para Gooday, a vida identificada nos sedimentos do oceano profundo é comparável à que existe em uma floresta tropical e “é muito mais dinâmica” do que imaginava.
“Se você remover os organismos unicelulares, que são muito frágeis e certamente serão eliminados pela mineração, outros organismos também serão destruídos”, disse.
“É difícil de prever e, como todo o oceano está conectado aos efeitos da mineração, precisamos aprender mais. Nós ainda sabemos muito pouco sobre o que está acontecendo lá em baixo”, completou.
Fonte: BBC

Assembleia da Vale aprova pagamentos a acionista

Assembleia da Vale aprova pagamentos a acionista

Assembleia da mineradora Vale aprovou nesta quinta-feira o pagamento de remuneração aos acionistas referente ao ano de 2016, cujo valor total somou mais de 5,5 bilhões de reais, informou a companhia em comunicado. Parte do valor total, correspondente a 857 milhões de reais, já havia sido pago em dezembro de 2016.
A empresa pagará o valor restante, de mais de 4,6 bilhões de reais, a partir do dia 28 de abril, de acordo com nota da Vale. No acumulado de 2016, a Vale teve lucro líquido de 13,3 bilhões de reais, ante um prejuízo líquido de 44,2 bilhões em 2015.


Fonte: Exame

Fósseis apontam que mar cobria o interior de SP há 260 milhões de anos

Fósseis apontam que mar cobria o interior de SP há 260 milhões de anos

um levantamento realizado por pesquisadores de sete universidades brasileiras e portuguesas apontou que há 260 milhões de anos o interior de São Paulo era coberto por água. O chamado “mar de Irati” tinha 1 milhão de quilômetros quadrados e acabou secando após uma série de mudanças geológicas.
Entretanto, fósseis de animais marinhos e vestígios de algas ainda podem ser encontrados em algumas regiões, como no município de Santa Rosa de Viterbo (SP), a 300 quilômetros da capital paulista, onde ficava uma das praias de águas limpas, claras, rasas e quentes, como descreve o estudo.
As primeiras descobertas ocorreram na década de 1970, durante os trabalhos de escavação em uma mina de calcário que, mais tarde, se tornou um sítio arqueológico. Agora, as informações foram reunidas em um inventário geológico, publicado na revista científica GeoHeritage. O documento é assinado por geocientistas da Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFScar), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Instituto Florestal e Instituto Geológico de São Paulo.
Segundo os pesquisadores, os elementos que comprovam a existência do mar de Irati estão embaixo da terra, a até 25 metros de profundidade: os estromatólitos são rochas que se formam no fundo de mares rasos a partir de microrganismos solidificados, que se acumulam como um tapete de limo. Em Santa Rosa, com a retirada do calcário pela mineração, foram descobertos estromatólitos gigantes, que só haviam sido encontrados na Namíbia. O engenheiro de minas Marco Antônio Cornetti explica que esse tipo de rocha geralmente é pequeno, mas no interior de São Paulo há alguns com até três metros.
“Uma infinidade de algas morreu e o calcário começa a sedimentar em cima delas. Ninguém sabe por que essas algas não sedimentavam de forma plana, elas formam uma estrutura. Por que elas assumiram essa forma, ninguém sabe o motivo”, diz.
Cornetti trabalhou na pedreira em 1972, quando os primeiros indícios de vida marinha foram descobertos, e também atuou ao lado dos pesquisadores entre 2012 e 2015, na elaboração do inventário atual. Ele conta que o grupo também achou coprólitos, fezes fossilizadas de peixes e tartarugas.
“Elas têm formas diferentes: uma mais cilíndrica e outra mais redonda. Isso vai mostrar a origem de um e de outro [animal]. Esses coprólitos e os restos de conchas estão nessa camada [de rocha], o que comprova ambiente marinho nesse local”, afirma.
Nas áreas de mineração, os geocientistas ainda identificaram fragmentos de ossos de um vertebrado que antecedeu os dinossauros, o Mesosaurus brasiliensis. O animal vivia no mar de Irati e era parecido com um lagarto com um metro de comprimento, segundo Cornetti.
“Ele ficava em cima do estromatólito, morria e caía entre dois estromatólitos. A onda ficava balançando e, por isso, você não encontra o corpo do Mesosaurus completo, porque a água do mar ficava balançando e separava todos os pedacinhos”, explica.

Extinção

O mar de Irati se estendia pelos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e até partes do Uruguai, Paraguai e Argentina. Segundo os pesquisadores, movimentos geológicos fizeram quase toda água escoar para o oceano Atlântico.
“Na região de Uberlândia o solo foi levantando e foi expulsando o mar em direção à foz do Rio Paraná. Em Santa Rosa, ficou um mar fechado, com mais ou menos 3 mil hectares. Não entrou mais água, esse mar secou e na hora que foi secando, foi depositando calcário”, diz Cornetti.
O engenheiro explica que o Irati era um mar raso, com aproximadamente 200 metros de profundidade, e levou cerca de 20 milhões de anos para secar. Logo depois, a região virou um deserto e, lentamente, a vegetação foi se recompondo. As rochas existentes no local ajudaram a formar o maior reservatório de água do mundo: o Aquífero Guarani.
“Depois do mar, se formou um lago com lama argilosa. Aí, aparecem os derrames basálticos e a formação do que, todo mundo conhece, os aquífero Guarani, Botucatu e Pirabóia, que estão muito acima topograficamente dessa formação, são bem mais recentes”, diz.
Fonte: G1

Mato Grosso produz 87,2% do diamante brasileiro e quer implantar escola de design de joias

Mato Grosso produz 87,2% do diamante brasileiro e quer implantar escola de design de joias

Responsável por 87,2% da produção nacional de diamantes, Mato Grosso deve implantar escola de design e ourivesaria em 2018. De acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), o Estado possui garimpos e minas com exploração contínua há cerca de dez anos nos distritos diamantíferos de Juína, Alto Araguaia e Chapada dos Guimarães.
Dados mais recentes do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) revelam que Mato Grosso em 2014 foram produzidos 49.637 quilates (cts), o equivalente a 87,2% dos 56.923 quilates produzidos no Brasil. Os principais distritos diamantíferos de Mato Grosso, segundo a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), estão localizados nas regiões de Juína, Chapada dos Guimarães, Paranatinga, Nortelândia/Diamantino, Poxoréo, Alto Araguaia, além do Rio das Garças (seu curso percorre municípios como Alto Garças, Guiratinga, Tesouro, General Carneiro, Pontal do Araguaia e Barra do Garças).
Ainda conforme a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), existem 156 garimpos /minas de diamantes de Mato Grosso cadastrados por meio do Projeto Diamante Brasil, além de quatro campos kimberlíticos e 117 corpos kimberlíticos.
“Além de sermos o maior produtor de diamantes, temos potencial enorme de crescimento. Ao contrário de Minas Gerais, por exemplo, nós temos ainda um limite de exploração muito grande. Hoje, produzimos 49 mil quilates, mas já chegamos a produzir 500 mil quilates”, comenta o presidente da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), Marcos Vinícius Paes de Barros.
Marcos Vinícius comenta que há um projeto para montar em 2018 uma Escola de Design e Ourivesaria. “Na parte de mineração das gemas, como diamante, ametista e quartzo, por exemplo, nós temos uma escola de gemologia, ou seja, lapidação e estamos tentando implantar uma de ourivesaria e design. Seria uma etapa seguinte ao processo de transformação da pedra, agregando muito mais valor a ela”.
O presidente da Metamat comenta que já foram formados 120 lapidários. “São Paulo é o Estado que mais concentra produção de joias do Brasil, gerando 45 mil empregos formais. Mato Grosso produz a pedra e não a joia, ou seja, é o oposto de São Paulo, o que faz com que o produto final volte para nós consumidores com um valor agregado ainda maior”.
O geólogo da Metamat, Wanderlei Magalhães, comenta que há previsão de em 2017 abrir uma turma para qualificar 30 pessoas para transformar gemas em artesanato. Hoje, em Mato Grosso, além do diamante e do ouro, são encontradas gemas como ametista, quartzo, granada, ágata, jaspe e topázio.
Fonte: Olhar Direto