quarta-feira, 26 de abril de 2017

Minério de ferro irá ficar mais forte que o esperado no 2º semestre, avalia Citi

Minério de ferro irá ficar mais forte que o esperado no 2º semestre, avalia Citi


Os preços do minério de ferro podem surpreender o mercado no segundo semestre, quando parte dos investidores acredita em uma forte desaceleração do valor da commodity, avalia o Citi em um relatório assinado pelo analista Alexander Hacking. O banco reitera a recomendação de compra das ações da Vale (SA:VALE5) após o relatório de produção divulgado na semana passada e diz esperar que o preço do minério de ferro permaneça mais forte que o esperado no segundo semestre de 2017. O preço-alvo de R$ 44,80 às ações foi mantido, o que sugere um potencial de valorização de 64%.
“O preço atual das ações incorpora um minério de ferro a aproximadamente US$ 50 a tonelada versus o preço no mercado a vista de US$ 60 a tonelada”, calcula Hacking. Segundo ele, os investidores talvez estejam subestimando o potencial de crescimento da Vale em relação às empresas pares que já completaram suas expansões.
A produção de minério de ferro da Vale no primeiro trimestre chegou a 86,2 milhões de toneladas, aumento de 11,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, esse volume representa um recorde de produção para um primeiro trimestre. Em relação ao último trimestre de 2016 a produção caiu 6,7%, queda explicada especialmente pela sazonalidade climática.
Fonte: Money Times

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Produção mineral movimenta R$ 2,2 bi

Produção mineral movimenta R$ 2,2 bi


A produção mineral baiana comercializada movimentou  no ano passado R$ 2,2 bilhões, numa queda de 12,6% em relação a 2015 (R$ 2,5 bilhões). Os principais responsáveis por esta retração foram a suspensão das atividades do grupo Mirabela, no município de Itagibá, motivada pela baixa cotação do níquel no mercado internacional, e a inundação  da mina de cobre da Caraíba Mineração em Jaguarari, o que obrigou a companhia a paralisar a produção. Também tiveram comercialização menor os agregados para a construção civil, cromo e bentonita.
No sentido contrário, a receita com o ouro somou quase R$ 790 milhões (alta  de 35%) e a de rochas ornamentais outros R$ 181 milhões (+54,16%). Os dados constam do Informativo Anual da Mineração Baiana de 2016, que acaba de ser lançado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). O documento revela que, ao longo de 2016, foram comercializados pelo estado 46 bens minerais, extraídos em 168 municípios por 378 produtores. A maior mineradora  é a Jacobina Mineração, com 23% de participação, seguida pela Fazenda Brasileiro (14%), Ferbasa (8%) e a Magnesita (6%).
De acordo com o relatório, a arrecadação da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) caiu  17% no ano passado, totalizando R$ 32,9 milhões, e colocando a Bahia em sexto lugar neste ranking, atrás dos estados de Minas Gerais, Pará, Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul. “Cinco municípios destacaram-se como os maiores geradores de CFEM: Jacobina, Brumado, Andorinha, Barrocas e Itagibá”, diz o informativo.
Documento vê cenário positivo para 2017
A balança comercial do setor mineral baiano registrou um déficit de US$ 178 milhões em 2016. As exportações somaram US$ 547 milhões e as importações outros US$ 725 milhões. Os principais produtos vendidos para o exterior no ano passado foram o ouro (47% do total), outros metais preciosos (19%) e magnesita (11%). Na outra ponta, o cobre dominou as compras, com  quase 95%  dos negócios.
O documento da SDE traz em seu final uma perspectiva otimista para o setor mineral baiano em 2017, com a possível retomada da produção da mina de níquel da Mirabela, o aumento do consumo de vanádio   e o início da produção de ouro no município de Santa Luz. “Para o segmento de gemas, as perspectivas apontam para que em 2017 a Bahia assuma a liderança nacional na produção de diamantes, quando a Lipari Mineração estará em sua plena capacidade de produção, o que aumentará em cerca de dez vezes o valor das exportações brasileiras dessa pedra preciosa”, afirma o documento, que aponta seis substâncias com grande potencial de exploração nos próximos anos no estado: grafita, rochas fosfatadas, terras raras, água mineral, rochas ornamentais, cerâmica vermelha e cerâmica branca.
Esta etapa de tanta exposição negativa para a Odebrecht é dolorosa, mas necessária. O diretor-presidente da Odebrecht, Newton de Souza, encaminhou há poucos dias um comunicado aos colaboradores do grupo onde pede desculpas pelos “constrangimentos” que as delações dos 77 executivos e ex-executivos da companhia à força-tarefa da Operação Lava Jato estão causando.
Ele disse que os depoimentos exibem não apenas as entranhas da empresa, mas expõem ainda um retrato inédito da atuação de governantes e políticos do país. Afirmou que a delação foi uma opção “consciente”, objetivando, dentre outras coisas, reconhecer erros, pedir desculpas, pagar pelos crimes cometidos, reconstruir a empresa em padrões de ética, integridade e transparência e contribuir para a construção de um Brasil melhor, em que as relações entre empresas privadas e o setor público ocorram sem corrupção.
“Esta etapa de tanta exposição negativa para a Odebrecht é dolorosa, mas necessária. Nós precisávamos passar por isso. Seria impossível reconstruir a empresa que queremos para o futuro sem enfrentar a realidade de fatos ocorridos anteriormente e que só agora vocês e a sociedade passaram a conhecer”, disse Souza. Ele salientou também que o presente da empresa já é “diferente” e destacou um novo modelo de governança, com maior número de conselheiros independentes.
“Aprovamos uma Política de Conformidade mais abrangente e com o mesmo rigor de empresas de capital aberto. Nós todos, na Odebrecht, estamos comprometidos a combater e não tolerar a corrupção, qualquer que seja a sua forma”, garantiu o executivo.
Fonte: A Tarde

LENDAS E VERDADES.....

LENDAS E VERDADES.....


Existe muitas histórias que se houve em garimpos., que na realidade fica dificil de saber se foi verdade ou mais uma das inumeras lendas..
assim que cheguei no Rio Madeira na decáda de 80., se falava muito de um acidente que havia acontecido no garimpo dos Periquitos., na epóca ficava em Vila Nova.,hoje Nova Mamoré.,em Rondônia..diz que em uma fofoca de balsa de mergulho(varias balsas.,uma amarrada na outra).,quando varios garimpeiros estavam mergulhando e enviando material para cima.,houve um deslizamento de um barranco...e dezesseis garimpeiros.,dentre eles uma mulher.,morreram com toneladas de terra sobre seus corpos....foi rápido.,sem tempo de nada...e seus colegas que tinha ficado em cima da balsa dando apoio., só puderam cortar e liberar as mangueiras que mandavam oxigenio....os corpos ficaram lá para o todo e sempre....
Isso é plauzivel.,pois varias foram as vezes que presenciei colegas que morreram em balsas de mergulho...um descuido pode ser fatal...estando lá em baixo., fica-se succionando o material atraves de um tubo(maraca)., e com isso cava-se burracos...e quando menos se espera o que ficou acima desbarranca..ai ja era...um mergulhador trabalha em média duas horas direto embaixo da agua..o ar é mandado por um tubo.,acoplado em cima na balsa em um compreensor de oxigenio..temos varios códigos de sinais...por exemplo se precisamos de um socorro urgente(ser puxado)., é só dar um puxão forte na mangueira...se quisermos saber se ta indo material., damos dois puxões e quem esta em cima dando apoio responde...se tiver bom dois puxões., se tiver ruim um.....e ai vai..sao varios códigos passado de garimpeiro para garimpeiro....para nós mantermos lá em baixo., usa-se um cinto de chumbo preso na cintura de mais ou menos 50 kilos...só assim a pressão da agua não nos manda de novo para a superficie...quando queremos subir., amarramos o cinto na corda de apoio e o colega puxa o cinto e a gente submerge...dificil a semana no Rio Madeira dos tempos dourados do garimpo em que não morria um ou dois colegas por queda de barreiras....
Nos seus bons tempos o rio Madeira chegava a dar em média de 1 a dois kilos de ouro a cada 24 horas de trabalho....foi sem duvida a maior mina de ouro do Brasil...não tinha a midia como era o caso de Serra Pelada.,mais tinha muito minerio....
E por falar em Serra Pelada., ali tambem tem uma lenda.,que se mistura com a realidade...era apenas uma fazenda.....fazenda serra pelada.,imaginava-se que podia ter minerio.,pois toda a area era rica.,mais emfim apenas uma fazenda....conta-se uma das inumeras lendas de como surgiu o garimpo de Serra Pelada., que dois peões foram mandados cavar alguns buracos para fazer um cerca para separar os pastos....cavaram e de repende bateram em algo duro....um ainda reclamou...poxa.,mais uma pedra pra atrapalhar..mais emfim a cerca tinha que ser ali., e foram tirar a pedra..era uma pedra diferente.,amarelada....uns dos peões que ja tinha trabalhado em garimpo falou que podia ser ouro...de pronto forma mostrar pro patrão..o padrão.,liso igual a candiru.,disse que não era nada.,apenas uma pedra diferente.,apanhou-a e guardou...lógico que ele sabia que era ouro....os peõs terminaram a empreitada e forma embora...naquela epóca a cidade mais perto era Marabá., e ali gastando seus dinheiros nos bares da cidade o que achou a pedra comentou com o pessoal...e ai pronto..a fofoca estava pronta,pois Marabá era uma cidade chave para garimpeiros que extraiam minerio no Pará...e num piscar de olhos Serra Pelada foi invadida de tal forma que só restou ao dono da fazenda pedir ajuda a policia federal e vender a area para a CEF.....e por falar em Serra Pelada.,mais duas lendas ou verdades....conta-se que um garimpeiro rodad0(sem trabalho)., chegou em um dos barrancos do garimpo e pergunto pro dono se não tinha algum reco(relavagem de cascalho) para ele fazer....o dono do barranco malcriado que só.,pegou um montinho de terra e mandou na canela do sujeito e disse:lava isso ai e ve se não da mais trabalho.,bando de rodado....e la foi o indigitado lavar aquela terra...e dentro duas pepitas de ouro, que pesada passavam de meio quilo.....é a
sorte.,amiga..madrasta dos necessitados no garimpos....
outra que se conta., é de um garimpeiro., que deu uma boa bamburrada e tinha uma namorada no Rio de Janeiro....pegou mais de tres quilos de ouro em um barranco e resolveu ir visitar a amiga...chegou em Marabá., e o ultimo voô para Brasilia.,aonde podia se embacar para o RJ.,ja tinha saido...só na outra semana....não se fez de rogado...foi na agencia da empresa aerea.,pagou em ouro o aluguel de uma aeronave que veio especialmente buscar ele...foi ao Rio de Janeiro....mando a aeronave alugada esperar..namorou a vontade e no outro dia voltou para Marabá.....
diz-se que hoje esta na fila do sopão dos necessitados em Curionópolis...mais não sei se é lenda ou realidade.....

O GARIMPO DE ESMERALDAS......

O GARIMPO DE ESMERALDAS......



Em 1990.,conheci um dos mais importantes garimpos do Brasil...foi o garimpo de esmeraldas de Santa Terezinha de Goiais.,no interior do estado de Goiais...uma cidade bem interessante,hospitaleira.,aonde na epóca a economia gerava em torno de muitas minas de esmeralda que se espalhava pela cidade.
Ali se vivia 24 horas o ambiente de compra, venda e permutas em torno da pedra...tinha um lugar aonde se reunia os compradores e a conversa ali era só..pedras..quilates..mina e etc...vinha periodicamente pessoas da India(aonde se compra muita esmeralda)..,para conhecer o lugar e quem sabe,levar algo para lá não é???
Porém o dia a dia do garimpeiro de esmeralda não era facil...geralmente ele trabalhava para um patrão que era o dono das minas...andando pela cidade voce observava varios poços(iguais os usados para agua),,e ali se descia até 250 metros atraves de elevadores rusticos e lá era desenvolvido o trabalho..o ar era enviado por mangueiras que era gerado por compressor de ar...trabalhava-se a semana toda e no final de semana o patrão pagava o valor do trabalho semanal e dava um carrinho de xisto(que era o material aonde geralmente fica a esmeralda).,para que o garimpeiro lavasse para ele e se tivesse sorte encontra-se uma boa pedra....muitos ganharam boas quantias em dinheiros com as pedras encontradas nestes xistos....no sabado era normal ver varios garimpeiros nas "piscinas", aonde era lavado o xisto., lavando seu quinhão na esperança de uma boa pedra....e em roda desses garimpeiros os compradores.,avídos tambem por um bom lucro...e eram esses.,os compradores que sempre ficavam com o lucro maior.,pois sabiam da cotação da pedra e tambem ficavam sabendo se tinha "Indianos" na cidade...Indiano era certesa de um bom lucro.
Porém os garimpeiros sempre achavam alguma coisa.,pois trabalhando la embaixo.,sabiam aonde podiam se dar melhor levando para si o melhor xisto...
Porém meus dias de garimpo de esmeralda acabaram logo na minha chegada a Santa Terezinha de Goiais....estava perambulando pela cidade.,procurando uma vaga.,quando um "patrão" perguntou se eu queria trabalhar...disse que sim., e ele me falou que estava precisando de um trabalhador....fiquei alegre..feliz.,com a certesa de logo.,logo estar com o meu carrinho de xisto para lavar...fui feliz para o hotel aonde estava hospedado.,na certesa de outro dia ir trabalhar...porém quando soube o por que dessa vaga "saltei" longe e vazei!"!!!!!...o ultimo garimpeiro que trabalhou naquele poço.,acabava de ser enterrado no cemiterio local...motivo: estava trabalhando nas minas quando um barranco desbarrancou em cima dele...não deu tempo de sair...foi centenas de kilos de terra em cima dele...demoraram mais de um dia para tira-lo de lá...isso o "patrão" não me contou...acabava ali,prematuramente a minha hipotética carreira de garimpeiro de esmeralda......

Mercado aprova novo comando da Vale — mas não será nada simples

Mercado aprova novo comando da Vale — mas não será nada simples

Assim como os estadistas, os presidentes de grandes empresas costumam ser inapelavelmente rotulados pela história. Podem ter feito muito, mas são lembrados por uma coisa só — seu estilo de administração, um grande erro, um grande acerto. No caso de um ícone nacional, como a mineradora Vale, sua história recente pode ser claramente separada em duas fases. A primeira, sob o comando de Roger Agnelli, foi a da expansão desenfreada.
Em meio ao boom mundial das commodities, Agnelli foi às compras e multiplicou por  8 o faturamento da Vale em uma década. Coube a Murilo Ferreira fazer o exato oposto: encolher a Vale, preparando-a para um período de preços baixos no mercado global. Fabio Schvartsman, o executivo que no fim de maio assumirá o posto no lugar de Ferreira, sentará na cadeira já sabendo qual é sua missão.
Após a faxina geral dos últimos anos, a Vale não tem grandes desafios estratégicos ou operacionais. Schvartsman foi contratado, isso, sim, para orquestrar a mais delicada transição da história da empresa. Até 2020, a ex-estatal Vale passará a ser uma empresa sem controlador, com ações pulverizadas no mercado — o tipo de mudança que, apesar de parecer simples, de simples não tem nada.
Desde 1997, ano em que foi privatizada, a Vale é controlada pela holding Valepar, que hoje é formada por um grupo de acionistas — os fundos BNDESPar e Bradespar, a mineradora japonesa Mitsui, um grupo de fundos de pensão liderado pela Previ e o banco Opportunity. Esses acionistas mandam na Vale. Eles se reúnem obrigatoriamente antes das reuniões de conselho da mineradora, tomam suas decisões, e seus representantes repassam as definições ao conselho de administração quase figurativo da empresa. Mas esses acionistas resolveram dissolver o acordo. Como eles tinham ações da Valepar, e não da Vale, era difícil vendê-las.
Para os fundos de pensão, sobretudo, essa situação era insustentável, já que eles precisam levantar dinheiro para pagar suas aposentadorias. Com a mudança, a Valepar deixa de existir, e todos passam a ter ações da Vale. Até novembro, a empresa quer converter suas ações preferenciais em ordinárias, para ter apenas uma classe de ações e migrar para o Novo Mercado da bolsa, segmento com mais exigências de governança corporativa, e os acionistas do bloco poderão vender suas ações aos poucos. Em 2020, finalmente, a Vale se tornará uma “corporation”, como são conhecidas as empresas sem controlador. O mercado adorou a notícia, algo evidenciado pela valorização de quase 7% nas ações no dia do anúncio.
Os atuais controladores decidiram dar a Fabio Schvartsman, um executivo de 63 anos, a missão de organizar o processo. Ele ocupava a presidência da fabricante de papel e celulose Klabin, e sua escolha foi rapidíssima — menos de três semanas depois de anunciado o processo de busca de um sucessor para Murilo Ferreira, o cargo estava preenchido. Pesou na indicação sua experiência em transições desse tipo. Schvartsman ajudou a levar a holding Ultrapar à bolsa em 1999. Na Klabin, onde estava desde 2011, também levou a companhia a um nível mais avançado de governança na Bovespa. Ele assumirá a Vale em um momento considerado bastante favorável.
Ao longo dos últimos cinco anos, a Vale encolheu para ficar mais eficiente e produtiva e tem o menor custo de produção de minério de ferro. Nos últimos anos, a com-panhia fez pesados investimentos para colocar em operação sua nova mina em Carajás, naquele que foi o maior projeto da história da Vale. Agora, os investimentos foram concluídos. A projeção dos analistas é que o lucro e o fluxo de caixa livre tripliquem até 2019. Assim, Schvartsman poderá se concentrar no modelo de governança da mineradora. E tentar fazer com que a Vale seja uma “corporation” com mais qualidades do que defeitos — já que os defeitos possíveis são muitos.
É irônico que a Vale se proponha a virar uma “corporation” justamente quando esse modelo é colocado em xeque no mercado brasileiro. Foi-se o tempo em que a empresa sem controlador era considerada o máximo da governança, a modernidade engarrafada e trazida dos Estados Unidos para transformar o capitalismo brasileiro. “Hoje está claro que não há um modelo ideal, e sim que ambos têm vantagens e desvantagens”, diz Richard Blanchet, conselheiro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.
Empresas sem controlador representam menos de 5% do total de companhias listadas na bolsa brasileira, mas as experiências nacionais e as diversas experiências estrangeiras servem de amostra do que pode dar errado em empresas sem dono. Numa caricatura extrema, o maior risco é deixar a empresa ser dominada por uma cultura de curto prazo, que vive para servir a seus executivos e que, em tempos de crise, pode ser chacoalhada por investidores que só querem se beneficiar e ir embora. Numa mineradora como a Vale, são riscos que a empresa tem obrigação de conhecer a fundo.
Se não existe vácuo em política, na política corporativa ele também inexiste. Numa empresa “sem dono”, é natural que alguém ocupe essa posição mesmo sem ter direito a ela. “Um dos riscos numa corporação é que os administradores se tornem superpoderosos”, diz Peter Taylor, chefe da gestora Aberdeen no Brasil — a Aberdeen é uma das maiores acionistas individuais da Vale.
Em 2013, quando a incorporadora Gafisa acumulava mais de 1 bilhão de reais de prejuízo em dois anos, seus executivos ganharam quase 20 milhões de reais em bônus por desempenho. O executivo Carlos Medeiros ocupou a presidência da administradora de shoppings BR Malls durante mais de dez anos e agia como se fosse o dono. Os executivos da empresa recebiam 40% acima da média do mercado, mesmo quando os resultados pioraram.
Em abril do ano passado, a gestora Squadra começou a mostrar sua insatisfação com o modelo e indicou dois conselheiros independentes para a empresa — o início da chacoalhada resultou na saída de Medeiros da presidência (o que será efetivado em maio). Claro, nem sempre o executivo superstar resulta em crises. A varejista Renner, primeira empresa sem controlador da bolsa brasileira, tem no presidente José Galló seu “dono” há quase dez anos. A gestão de Galló é saudada pelos acionistas, que, justamente, temem pelo dia em que ele não estará mais no cargo. Como raios teimam em não cair no mesmo lugar, ninguém em sã consciência cria uma “corporation” para entregar, na prática, seu controle a um executivo.

Conselho de figurões

Para evitar o tal vácuo, as “corporations” devem ser supervisionadas por um conselho poderoso, ativo e detalhista. Infelizmente, talvez seja justamente essa a maior lacuna brasileira. O país não tem tradição de formar conselhos que, de fato, mandam na diretoria. “Quanto mais figurões e ministros, mais o conselho serve de fachada para o poder absoluto de executivos”, diz Mauro Cunha, presidente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais.
Não apenas em empresas sem controle, vale dizer — basta citar casos como o da estatal Petrobras, que sofreu abuso seguido de abuso de seu controlador, e a finada petroleira OGX, de Eike Batista, cujo conselho também era renomado. A falta de comando do conselho foi um ingrediente essencial para a crise que acabou no colapso da incorporadora PDG.
A empresa tornou-se uma “corporation” em janeiro de 2010. A diretoria entrou numa rota de crescimento a qualquer custo, comprando, como se não houvesse amanhã, concorrentes, terrenos e tudo que via à frente. Tornou-se, nove meses depois, a maior do país. Mas as empresas compradas não foram integradas, e os imóveis encalharam. Enquanto as incorporadoras “com dono”, como Cyrela e Eztec, pisaram no freio e fizeram ajustes antes da crise, a PDG seguiu adiante. Seus executivos são investigados pela Comissão de Valores Mobiliá-rios de negociar ações com informação privilegiada (o processo ainda não foi concluído). Em 2012, a gestora Vinci comprou ações da PDG e tentou impor uma cultura de controladora, mas não conseguiu evitar o pedido de recuperação judicial da empresa.
Cientes da importância de um conselho forte nessa transição, os acionistas da Vale acenderam a luz amarela e começaram a se mexer. A gestora Aberdeen sugeriu dois nomes de conselheiras independentes, especializadas em governança e sustentabilidade, para compor o conselho — e tem feito um esforço de convocação de outros acionistas estrangeiros para apoiar a chapa. As corretoras Geração Futuro e VIC, que representam os investidores Lírio Parisotto e Victor Adler, também sugeriram dois nomes. Hoje, os minoritários não têm voz na Vale. Desde que se transformou numa empresa sem controlador, há sete anos, a companhia de tecnologia Valid vem mudando — ampliou o número de conselheiros independentes (ou seja, sem relação alguma com a própria Valid) de um para cinco.
O conselho é formado por sete pessoas. “As reuniões, que eram trimestrais, passaram a ser mensais e também nos falamos informalmente com frequência”, diz Carlos D’Albuquerque, presidente da Valid. Para dar suporte ao conselho, a Valid também criou comitês permanentes de ética e estratégia. Para aumentar a interação com seus acionistas, a Renner criou um manual para votação em assembleia, em 2006, que acabou virando regra de mercado. Só no ano passado a empresa fez quase 1 500 reuniões e eventos com investidores. A presença nas assembleias da companhia passou de 25% da base de acionistas para 57% em dez anos. No caso da Vale, essa será uma tarefa e tanto. A mineradora tem 40 vezes mais acionistas do que a Renner.
Algumas discussões nasceram para não ter fim. Uma delas é sobre a melhor estrutura de comando das empresas. Modelos entram e saem de moda, para depois voltar. Nos Estados Unidos, onde essas modas costumam ser ditadas, as “corporations” foram duramente criticadas no fim dos anos 80, a era dos excessos dos executivos e da ineficiência. Veio, então, a geração private equity, os “bárbaros” que compravam as tais empresas ineficientes, cortavam custos e as revendiam com lucro. A devoção ao curto prazo era o maior alvo de críticas, tanto das “corporations” quanto dos fundos de private equity. Recentemente, um modelo híbrido passou a intrigar o capitalismo americano — justamente o modelo do 3G, fundo comandado pelo empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann.
Híbrido porque tem a obsessão por eficiência típica de um financista, mas, atuando como “dono”, mantém as empresas por décadas, como no caso da cervejaria Ambev. Na geração de empresas de tecnologia, não é muito diferente. No ano passado, ao justificar a criação de uma classe de ações sem direito a voto no Facebook, o fundador Mark Zuckerberg destacou a importância de ser uma empresa com dono — se a empresa fosse dominada pelas vontades do mercado, declarou, possivelmente não teria rejeitado uma oferta de compra do Yahoo num passado distante.
Jeff Bezos, o mercurial fundador da varejista Amazon, não tem nem 30% das ações da companhia, mas quem manda é ele. Empresas com dono que funcionam tomam decisões que pouco têm a ver com o resultado do trimestre, mas, sim, com a perenidade dos negócios, com a sobrevivência da empresa a turbulências, com uma manutenção de retorno saudável.
No caso da Vale, claro, o tal controlador não era lá grande coisa — estamos falando do governo federal (afinal, o BNDES e os fundos de pensão mantiveram fortísssima influência após a privatização). Mas foi o que viabilizou a companhia a investir em seu maior projeto, a gigantesca mina de S11D, em Carajás, no Pará, em meio à maior crise nas cotações do minério de ferro. Em 2015, a Vale teve um prejuízo de 44 bilhões de reais. Suas principais concorrentes, as australianas BHP e Rio Tinto, suspenderam investimentos e conseguiram reduzir o impacto nos resultados. É muito provável que, se fosse uma “corporation”, o projeto de expansão teria sido abortado — hoje, os analistas dizem que é ele que garante o futuro da Vale.
“A Vale é hoje uma empresa muito melhor do que era cinco anos atrás. Produz o melhor minério do mundo pelo menor preço”, diz Rodolfo de Angelo, analista do banco JP Morgan. Em teleconferência com investidores no fim de fevereiro, Murilo Ferreira ressaltou que foi a visão de longo prazo dos acionistas da Valepar que assegurou à Vale a tranquilidade necessária para a travessia dos últimos dois anos, quando houve uma mudança radical nos preços da mineração. “Quando necessário, os sócios da Valepar mostraram disposição para o sacrifício, como a redução expressiva dos dividendos em 2016”, disse.
Apesar de tantos desafios, é fácil entender por que o mercado ficou animado com a perspectiva de uma Vale com controle pulverizado. A possibilidade de influência política sempre foi um fantasma para os minoritários da Vale, e esse fantasma vai embora. O poder do governo federal vai se limitar a vetar a transferência da sede da empresa para outra cidade ou país. Em tese, a nova fase poderá ser muito positiva para a Vale. Caberá a Fabio Schvartsman acertar nos detalhes. O diabo, como se sabe, está neles.
Fonte: Exame