quinta-feira, 15 de junho de 2017

PÉROLAS: LÁGRIMAS DOS DEUSES

PÉROLAS: LÁGRIMAS DOS DEUSES




              
A pérola encanta e fascina desde os primórdios da humanidade por sua beleza inata. Conhecida como "Lágrima dos Deuses" pela mitologia, a pérola traz também significados místicos e religiosos. Na tentativa de desvendar seu surgimento, o homem fez uso de muita imaginação para compreender este maravilhoso milagre da natureza. A formação da pérola contém toda esta magia por ser a única gema que é oferecida pronta pela natureza, por isso a consideramos um presente. Graças à ousadia humana, hoje a pérola pode ser produzida em larga escala - é o que chamamos de pérola cultivada.
Gema orgânica produzida por moluscos perlíferos, a pérola pode ser natural ou cultivada, e tanto uma quanto outra podem se originar em água salgada ou doce
A pérola natural é aquela que provém de uma ostra sem a ajuda do homem, onde um agente externo entra acidentalmente dentro da mesma e este agente irritante provoca a formação de uma substância chamada nácar que vai envolvendo o grão até a formação completa da pérola.
A pérola cultivada tem basicamente o mesmo princípio de formação da pérola natural, só que nesta o homem dá sua contribuição para que a mesma possa ser produzida em uma escala comercial. Esta acontece da seguinte maneira: As ostras são criadas em cestos ou gaiolas, até atingirem a idade de 3 a 4 anos, são então introduzidos esferas de madrepérola para serem o núcleo e um pedaço do epitélio para ser o agente irritante, assim inicia-se a produção de nácar. Após a inserção do núcleo, as ostras são devolvidas à água, permanecendo por um período de 2 a 3 anos (se permanecerem por mais tempo corre-se o risco das pérolas deformarem ou os animais adoecerem). Após este período o nácar adquire uma espessura de aproximadamente 0,8 a 1,2 mm, então os moluscos são retirados da água e as pérolas colhidas de seu interior. Geralmente os moluscos morrem neste momento.
As pérolas cultivadas de água-doce são também denominadas pérolas Biwa. Nos anos cinqüenta, o lago Biwa, em Kyoto (Japão) foi o pioneiro no processo de cultivo de pérolas.
foto: arquivo Jóia brNo processo de avaliação de uma pérola devemos levar em consideração seu formato, cor, tamanho e brilho. Quanto ao formato, podemos dizer que as pérolas podem variar de perfeitamente esféricas a barrocas, sendo as esféricas as mais valiosas.As pérolas são encontradas em várias cores e as mais comuns são: rosa, branca, bege e amarela. As pérolas cultivadas no Thaiti podem ser encontradas nas cores preta, cinza, azul, roxa e marrom. Das pérolas cultivadas, a preta é a mais rara.
Para melhorar ou mudar suas cores, as pérolas podem passar por processos de descoramento, tingimento ou radiação. Seu tamanho é influenciado pelo tamanho do núcleo inserido (se houver) e pelo tempo de cultivo - sendo que o mesmo pode variar desde o tamanho de uma cabeça de alfinete até o tamanho de um ovo de um pombo. A maior pérola encontrada tem 5cm de diâmetro, pesa 450 quilates e se encontra no museu de South Kensington (Londres).
Podemos também avaliar o grau de brilho da pérola. Quanto mais lustro ou brilho ela tiver, mais valorizada será.
A pérola precisa passar pelo processo de perfuração para que possa ser utilizada em colares. Este processo se chama encordoamento ou fiação de pérolas, que pode ser com ou sem nós. De acordo com o tamanho do colar montado podemos classificá-los conforme a tabela abaixo:
Coleira: 30 a 35cm
Gargantilha: 35 a 40cm
Princesa: 43 a 48cm
Ópera: 70 a 85 cm
Matine: 50 a 60 cm
Corda: 110cm ou mais

Cuidados com as Pérolas:
As pérolas possuem dureza de apenas 2,66 mohs, por isso são frágeis, delicadas e precisam de cuidados especiais.
- Nunca limpe pérolas com jatos de vapor ou materiais abrasivos.
- Por serem porosas, não devem entrar em contato com água ou umidade, e deve-se evitar utilizá-las em praia, piscina ou banho.
- Não passar perfume, laquê ou cremes sobre as pérolas. Não expor as pérolas ao calor do secador de cabelos.
- Se entrarem em contato com o suor, devem ser limpas com uma flanela ligeiramente úmida.
- Elas devem ser guardadas em saquinhos de pano ou caixinhas. Não utilizar embalagens plásticas.
- Reencordoar sempre que necessário, para evitar o escurecimento das pérolas.
Com estes cuidados suas pérolas durarão muito mais, e caso sua jóia precise de conserto leve-as a um ourives, certificando-se que o mesmo tenha o conhecimento e experiência necessários ao manuseio das pérolas.

 Fonte:Veja

MADEIRA NA JOALHERIA

MADEIRA NA JOALHERIA

Patrícia Peixe *



Madeira com prata, madeira com ouro, madeira com pérolas, madeira com criatividade!
Trazer a natureza para a joalheria é a tendência do momento. Fácil de trabalhar, a madeira adquire formatos inusitados e exóticos, que podem ser conseguidos com ferramentas simples de joalheria. Uma serra, lima, brocas, diversas lixas e habilidade transformam um pedacinho do nosso planeta em adorno elaborado.
O ideal é que a madeira retirada da natureza seja certificada (madeira de reflorestamento), ou então, usando muita criatividade, podemos reciclar pedaços de móveis e utensílios já existentes, sempre tomando o cuidado de observar o seu estado de conservação. É importante trabalhar com produtos de impermeabilização, assim, a peça terá uma durabilidade muito maior.

Peça exclusiva em prata, cobre
e madeira maciça. By Pat Peixe
Peça de produção em escala
trabalhada c/ madeira em lâmina
e ouro. By Cristiane de Azevedo


Peça em marchetaria e
e prata. By Flora de Sá
Várias técnicas podem ser utilizadas: a madeira maciça pode ser esculpida e transformada em peça exclusiva. A técnica do corte a laser proporciona a produção em larga escala. Até a marchetaria, que é uma técnica nobre no design de móveis, pode ser aplicada na joalheria de maneira arrojada e moderna, fazendo a composição com lâminas em cores contrastantes, para obter desenhos geométricos e diferenciados.
Vale a pena investir na tendência do momento!

DE ONDE VEM A JARINA?

DE ONDE VEM A JARINA?

Patrícia Peixe *



Ao ver um trabalho de joalheria com esta semente, muitos se questionam sobre sua origem.
A Jarina é uma variedade de palmeira encontrada na região equatorial das Américas Central e do Sul. No Brasil, distribui-se por toda região amazônica, à sombra de altas árvores. Ocorre de forma espontânea em várias regiões tropicais do mundo e é encontrada normalmente em bosques de sua própria espécie.
As sementes levam de 3 a 4 anos para germinar e as plantas de 7 a 25 anos para iniciar a frutificação. De início, as cavidades das sementes contém um líquido refrescante, parecido com água de côco. Depois o líquido se transforma em uma gelatina doce e comestível (neste estágio muitos animais, inclusive o homem, utilizam-na para alimentação) a gelatina amadurece e vira uma substância branca e dura. Quando amadurecidos, os frutos caem e soltam as sementes, permitindo que elas sequem num prazo de 1 a 4 meses.
A Jarina é também conhecida como Marfim Vegetal devido a ser muito semelhante ao Marfim Animal em aparência e características de manuseio. Hoje tudo que é ecologicamente correto está em alta. Devido a isto, e também por sua beleza exótica, ela entrou com tudo no mercado de jóias e bijuterias.
Antigamente a Jarina era muito utilizada no mercado de confecções em forma de botões. No início dos anos 1900, o Equador, principal fonte de Marfim Vegetal, exportava milhares de toneladas de semente todo ano para este fim. Mas depois da 2ª Guerra Mundial, o surgimento do plástico praticamente acabou com o Marfim Vegetal para botões.
Como se trabalha a Jarina?
É muito simples trabalhar a jarina, ela é bem parecida com a madeira. Utiliza-se serra, lima e lixas. Ela deve ser encerada para obter maior proteção e brilho. É muito interessante deixar os veios da própria jarina aparecendo, é o que a caracteriza! Delicie-se com esta novidade, pois tem feito muito sucesso em território nacional e internacional.
FOTO: Peça em prata e jarina, vencedora em 2º lugar do 3º concurso de design Espaço Mix. By Eliane Coda.

LAPIDAÇÕES QUE VALORIZAM AS GEMAS





LAPIDAÇÕES ESPECIAIS VALORIZAM AS GEMAS



Como tornar ainda mais belo, algo que por si já é fascinante? Esse desafio inquietou o homem desde que ele descobriu o mundo das gemas. Fascinantes e misteriosas, elas só revelam sua beleza por inteiro nas mãos de hábeis artesãos. Afinal, são eles que lhes dão mais vida, cor e brilho.

A lapidação de uma gema representa o seu aperfeiçoamento. O corte é tão importante que é capaz de valorizar uma gema de segunda linha ou depreciar uma de primeira categoria. Nas mãos de um lapidário pouco habilidoso, a melhor gema do mundo pode perder todo seu potencial. Já uma pedra inferior, quando lapidada por mãos preciosas, torna-se quase uma jóia.
Uma lapidação perfeita ressalta qualidades de uma gema que, por vezes, quem a extraiu nem imaginava que ela tivesse. Brilho, cor profunda e intensa, beleza, transparência, ausência de impurezas visíveis: tudo isso só pode ser conferido "ao vivo e em cores" se a lapidação souber explorar o potencial da gema.
Há lapidações de diversos tipos, mas elas podem ser divididas em três grupos: lapidação em facetas, lisa e mista. O primeiro tipo é utilizado normalmente em gemas transparentes, já que o fato de possuir várias e pequenas superfícies lisas acabam por conferir à gema um brilho e um jogo de cor que a realçam ainda mais.
Na maior parte dos casos, as lapidações em facetas podem ser subdivididas em três tipos: primeiro, a lapidação brilhante e em degraus, ou lapidação esmeralda. Já o segundo tipo, a lapidação lisa, pode ser plana ou convexa (tipo cabochão). A ágata e gemas opacas em geral são as mais comumente lapidadas dessa forma. O terceiro tipo, a lapidação mista, possui duas variedades: ela pode ser feita com a parte superior lisa e a inferior em facetas, ou o inverso.
As lapidações, além de vários tipos, também possuem diversas formas. Os principais modelos são: redonda, ovalada, antiga (quadrangular ou retangular com bordas arredondadas), triangular, quadrática, hexagonal, baguette (retangular ovalada), trapezoidal, french-cut (contorno e mesa quadrática), facetas triangulares, pendeloque (pêra ou gota), navette ou marquesa (elípitica apontada), pampel (em forma de gota alongada), briolete (forma de pêra com linhas de facetas que se cruzam).
Na joalheria, o tipo mais usado de lapidação é a brilhante, que equivocadamente virou sinônimo de diamante. Esse é apenas um tipo possível de lapidação aplicada ao diamante, apesar de ter sido criada especialmente para ele (daí a confusão). Possui 32 facetas e mesa na parte superior, e pelo menos 24 facetas na parte inferior. Quando dizemos brilhante, queremos dizer diamante com lapidação brilhante. Para as demais gemas, deve-se dizer seu nome seguido de brilhante, como por exemplo, topázio com lapidação brilhante.
A lapidação em oito facetas (8/8) possui, além da mesa, oito facetas na parte superior e oito na parte inferior. É utilizada em diamantes, menos naqueles em que não é possível ou não têm qualidade suficiente para a lapidação brilhante. Um de seus pontos fortes é a possibilidade de obter-se de 300 a 500 gemas por quilate. Já a lapidação rosa, ou roseta, é uma lapidação em facetas, sem mesa e sem a parte inferior. Propicia várias combinações, dependendo do número e disposição de suas facetas, mas caiu em desuso porque proporciona pouco brilho à gema.
Existem diversas lapidações em degraus, tipo de corte muito usado em gemas coloridas. Suas várias facetas de bordas paralelas possuem um declive que aumenta conforme se aproxima da rondista (cintura). Geralmente, a parte infe-rior desse corte costuma ter mais facetas. A lapidação cruzada ou em tesoura é uma variação da anterior, sendo que as facetas ficam subdivididas pela tesoura em quatro facetas.
A lapidação esmeralda também é um trabalho em degraus, porém tem contorno octogonal. Foi tão utilizada em esmeraldas e acabou ganhando o nome dessa gema, mas também pode ser empregada em outras pedras preciosas, como o diamante por exemplo. Outro tipo de lapidação em degraus é chamada de mesa ou plana. Mais simples que as demais, sua parte superior é bem plana para favorecer uma grande mesa. Já a lapidação Ceilão caracteriza-se por suas várias facetas, para aproveitar mais o peso bruto da gema, o que pode levar a um resultado assimétrico, que muitas vezes obriga a uma relapidação da pedra.
O cabochão, palavra que vem do francês caboche, cujo significado é prego de cabeça grande, é a lapidação lisa mais conhecida na joalheria e também uma das mais simples. Nele, a parte superior da gema é lapidada de forma arredondada, e a inferior é plana, levemente abobodada ou convexa. Nas gemas de tom mais escuro, a parte inferior é lapidada para dentro - o que é chamado de cabochão oco - para clarear seus tons.
Uma lapidação nova é a Millenium Cut, também conhecida como "Canaleta Sorriso". Especial, seu corte faz com que a gema pareça estar sorrindo, aumentando, assim, seu brilho. Essa lapidação proporciona muito brilho à pedra, potencializando suas cores e dando mais vida à gema. O corte pode ser aplicado em todos os tipos de gemas, mas o formato mais adequado, no entanto, é o retangular, de no mínimo nove milímetros. Quanto maior a gema, melhor o resultado final: quando a luz atravessa a pedra, parece que ela solta faíscas, valorizando e embelezando as jóias de uma maneira diferente da tradicional.

DESAFIOS A FRENTE

DESAFIOS À FRENTE

Luiz Antônio Gomes da Silveira *


O progresso da gemologia depende de uma estreita e saudável relação com a ciência, com a indústria joalheira e com o público consumidor.

Durante muito tempo, a gemologia restringiu-se, principalmente, ao estudo, à identificação e à caracterização de gemas naturais e à distinção de suas equivalentes sintéticas e tratadas.
Tudo transcorreu sem maiores embaraços enquanto os melhoramentos de gemas se resumriam ao tratamento térmico, à irradiação, ao tingimento e ao preenchimento de fraturas com óleos e resinas.
Nos últimos anos, no entanto, tratamentos mais complexos têm sido desenvolvidos e rapidamente lançados no mercado e sua detecção requer, em muitos casos, técnicas analíticas avançadas, que impõem mais tempo de exame e custos mais elevados.
Intensiva e laboriosa pesquisa tem sido empreendida em várias partes do mundo com o objetivo de desvendar estes novos tratamentos e tornar a detecção de, ao menos parte deles, rotineiramente possível por meio de métodos estritamente gemológicos, o que, definitivamente, é tarefa das mais difíceis.
Por outro lado, o ensino e a difusão da gemologia precisam ser constantemente atualizados e devem passar a cobrir um escopo mais abrangente de temas, visando acompanhar a dinâmica e os avanços da indústria joalheira.
Além dos tradicionais tópicos relacionados à origem, modos de ocorrência, propriedades e meios de identificação das gemas, ganharam importância temas como normatização, classificação de qualidade, certificação, revelação de tratamentos, comprometimentos ambiental e social, e práticas comerciais.
Ademais, é recomendável que os segmentos da cadeia produtiva do setor de gemas e joias instruam o público consumidor e lhe disponibilizem, tanto individual como coletivamente - por meio de publicações, palestras, apresentações e outros meios disponíveis - as informações gemológicas mais importantes sobre os produtos que adquire, transmitindo-lhe assim a confiança e a segurança imprescindíveis para bem respaldar suas transações comerciais.
Fontes:
DEUTSCHE GEMMOLOGISCHE GESELLSCHAFT: 75 Jahre - Present and Future of Gemmology