sábado, 17 de junho de 2017

A Terra está recheada de pedras preciosas

A Terra está recheada de pedras preciosas, estejam escondidas bem no fundo do oceano, nas correntes dos riachos ou nas entranhas dos terrenos mais inóspitos. Localizadas nos lugares mais improváveis, os homens já encontraram verdadeiras raridades, pedras tão preciosas que valem milhões e estão nas coroas e anéis de realezas. Veja quais são algumas dessas preciosidades brilhantes (a relação não está na ordem dos mais caros):

1 – Diamante Koh-i-Noor

Fonte da imagem: Reprodução/Oddee
Esse é simplesmente um dos diamantes mais famosos do mundo, pertencente à Coroa Britânica. Trata-se de um diamante especial, não somente pelo altíssimo valor, mas por estar envolto em lendas e mistérios ao longo dos séculos. Nos séculos passados, o Koh-i-Noor pertenceu aos indianos, considerado por muitos um dos maiores diamantes do planeta.
Alguns textos religiosos hindus indicam que o diamante pode ter sido encontrado há mais de 5 mil anos. Quando a Índia foi anexada ao Império Britânico, a Rainha Vitória foi declarada Rainha Imperatriz do país asiático, recebendo em mãos o Koh-i-Noor. Atualmente, esse precioso e raro item histórico pesa 108 quilates e é um dos diamantes mais brilhantes do mundo.

2 – Safira Millennium

Fonte da imagem: Reprodução/Oddee
A Safira Millennium, que é do tamanho aproximado de uma bola de futebol, é uma preciosidade esculpida com desenhos de figuras históricas famosas. Caso você se interesse, essa raridade está à venda por míseros US$ 180 milhões. Contudo, se você quiser comprar, é necessário colocar a peça em um local onde as pessoas possam contemplar a grandiosidade do objeto.
Essa peça valiosíssima foi esculpida pelo artista italiano Alessio Boschi, que concebeu a Safira Millennium como um tributo aos seres humanos mais geniais que já andaram entre nós. Entre as personalidades, é possível encontrar Shakespeare, Beethoven, Michelangelo, Einstein e muitos outros. A safira mede 28 centímetros e foi descoberta em Madagascar, em 1995.

3 – Aquamarine Dom Pedro

Fonte da imagem: Reprodução/Oddee
O maior pedaço de pedra aquamarine (ou água-marinha) encontrado no mundo foi aqui no Brasil. A preciosidade foi batizada com o nome do antigo imperador do Brasil, Dom Pedro, encontrada em 1980. Atualmente, ela está em exposição permanente em um museu em Washington, nos Estados Unidos.
Essa joia foi polida pelo alemão Bernd Munsteiner, que esculpiu o material no formato que ele possui hoje. A principal beleza da Aquamarine Dom Pedro está no brilho, por ser translúcida e de um azul-claro profundo.

4 – Maior pérola do mundo

Fonte da imagem: Reprodução/Oddee
Essa é a maior pérola do mundo, pesando seis toneladas e medindo 1.6 metros de diâmetro. Ela foi descoberta na China e vale, aproximadamente, US$ 300 milhões – na China as pérolas são mais valorizadas do que diamantes. A pedra é formada, basicamente, de minerais fluoritas, compostos de fluoretos de cálcio.
Apesar de o material em si não ser algo raro, a magnitude da formação é que chama a atenção do público. As pessoas que poliram essa raridade levaram mais de três anos para deixá-la nesse formato arredondado perfeito. Além disso, ela é capaz de brilhar no escuro quando é exposta por tempo demais a luz.

5 – Esmeralda Bahia

Fonte da imagem: Reprodução/Oddee
A Esmeralda Bahia é uma das preciosidades que também foi encontrada aqui no Brasil. Hoje, ela está nos Estados Unidos, e muitos clamam ser os donos reais da raridade. Trata-se de uma pedra que possui inúmeras esmeraldas dentro de si, pesando cerca de 360 quilos. O valor? Mais de R$ 700 milhões.
Cilindros verdes e brilhantes podem ser encontrados na rocha, em estado bruto, o que é muito raro de ocorrer com esmeraldas. Ela já passou por várias mãos até chegar aos Estados Unidos, muitos a vendarem sem saber o real valor da peça. Hoje ela está em disputa no Tribunal de Justiça de Los Angeles, sem um dono definido.

6 – Diamante Moussaieff

Fonte da imagem: Reprodução/Oddee
Esse é o maior diamante vermelho já encontrado no mundo – e também foi descoberto aqui no Brasil. Com quase um quilo, essa raridade possui um corte triangular característico, capaz de fazer com que ele emita mais brilhos e reflexos. Foi descoberto em 1990, nas Minas Gerais, na região de Alto Paranaíba.
O diamante vermelho foi comprado por William Goldberg, um famoso empresário no segmento de pedras preciosas. Originalmente, a preciosidade foi batizada de "Escudo Vermelho". Entretanto, a joia foi comprada em 2002 por Shlomo Moussaieff, que o rebatizou com o próprio nome. O valor é de aproximadamente US$400 milhões de dólares.

7 – Turmalina Paraíba

Fonte da imagem: Reprodução/Oddee
Realmente o Brasil é uma terra de muitas preciosidades. A Etheral Carolina Divine também foi encontrada em nossas terras, classificada com uma turmalina Paraíba. As turmalinas Paraíba são nomeadas desse jeito por serem encontradas com maior facilidade nesse estado do Nordeste, apesar de serem extremamente raras. O principal diferencial dessa pedra é o tom de cor, levemente azulado, que não é encontrado em nenhum outro lugar do mundo.
A Etheral Carolina Divine vale aproximadamente US$ 100 milhões e já não se encontra no Brasil. Atualmente, o dono dela é o canadense milionário Vincent Boucher. Ela é a maior e mais preciosa turmalina Paraíba já encontrada no mundo.

Pedras do Brasil

 ÁGATA CRISTAL
ÁGATA DENTRITA
TURMALINAS
CIANITA

Pedras do Brasil

A beleza e a utilidadedos nossos minerais são um dos maiores patrimônios do país.

Condições perfeitas
As pedras do interior do Paraná, onde foi encontrada essa ágata-olho, surgiram em erupções vulcânicas há 600 milhões de anos, quando a África começou a se separar da América. A forma como a lava esfriou foi ideal para a formação dessas pedras – algumas das nossas ágatas são tidas como as mais bonitas do mundo.
Tirar pedra de leite
A beleza dessa ágata do Rio Grande do Sul começou a se formar em um ambiente incrivelmente hostil. Em meio à lava deixada por erupções vulcânicas, surgiram bolhas líquidas muito quentes, com diversos elementos. Enquanto essa sopa esfriava, substâncias como sílica e oxigênio se cristalizaram e formaram as partes transparentes. As camadas coloridas ficaram por conta de outros elementos presentes na mistura.
O início do aço
Em meio às cores das pedras abaixo, de Ouro Preto, Minas Gerais, está um dos metais mais famosos do mundo. Essa é uma hematita, o principal minério de ferro do planeta. “O que dá o brilho de arco-íris ao minério são as impurezas presentes na rocha”, diz Paulo Roberto de Albuquerque, geólogo do Museu de Geociências da Universidade de São Paulo, onde estão expostas todas as pedras que aparecem nestas páginas.
Tudo se transforma
Algumas pedras nascem duas vezes. Rochas que voltam a ser submetidas a temperatura e pressão muito elevadas acabam sofrendo modificações em sua estrutura e até se misturam a outros elementos que estão em volta. Essa cianita, de Minas Gerais (e vista aqui sobre um cristal de quartzo), é um desses minerais, chamados de metamórficos.
Várias faces
As mesmas substâncias podem dar origem a pedras muito diferentes. Essa pedra, assim como a que aparece acima, é uma cianita. Existem ainda dois outros minerais – a cilimanita e a andaluzita – com uma composição química idêntica. A diferença entre todas elas está apenas na forma como os átomos se organizam.
Estilo multicolorido
As turmalinas podem ter todo tipo de cor. Elas são compostas por mais de uma dezena de elementos, cada um com a capacidade de mudar o visual da pedra. Apesar de serem encontradas em diversos países, dificilmente uma rocha dessas começaria a se formar atualmente. “A composição do magma mudou muito nos últimos milhões de anos e a lava que vemos hoje tem um número de substâncias bem menor”, diz Paulo Roberto.
A cor da gema
Não é preciso muito para dar esse tom amarelo a uma pedra. Na verdade, basta um elemento, e dos mais banais: o enxofre. Ele é encontrado em todos os continentes, em terrenos de todas as idades e pode ser feito até em processos industriais. O difícil é encontrá-lo em pedras tão perfeitas como essa.
Minério milionário
O Brasil é o maior produtor mundial de turmalinas (como essa à direita, de Minas Gerais) e algumas variações muito valiosas dessa pedra só podem ser achadas por aqui. Também somos um dos maiores produtores mundiais de quartzo (abaixo). Depois de processados, eles se tornam a matéria-prima dos processadores de telefones celulares, computadores e brinquedos eletrônicos.

Fonte: Seleções



Requisitos da pedra preciosa

 Ametista
 Água- marinha
Sodalita

Requisitos da pedra preciosa

Pedra preciosa precisa ter obrigatoriamente cinco requisitos, como: ser bonita, límpida, ter coloração e brilho intenso e ser resistente a riscos; qualquer pedra que não possuir um dos requisitos é considerada semipreciosa.


O que são pedras preciosas e semipreciosas?
Quais os critérios para distingui-las?
Além da raridade, existem as qualidades da pedra em si. Para ser preciosa, ela precisa ter obrigatoriamente cinco características principais: ser bonita, límpida (sem incrustações de outros materiais), ter coloração atraente, brilho intenso e ser resistente à riscos. Existem tabelas que permitem que os especialistas avaliem esse aspecto em cada peça, Exemplo: A escala de MOHS é uma delas. Essa tabelas indicam, por exemplo, qual a graduação ideal de verde para uma esmeralda ou qual o seu grau de limpidez ( medido por aparelhos ópticos).
No Brasil, o responsável por essa normatização é o Departamento Nacional de Produção Mineral. Os minérios que apresentam algumas das características acima, mas não todas, são consideradas semipreciosos. É o caso, por exemplo, da sodalita, de cor azul atraente e bonita, mas que risca fácil e só fica brilhante depois de receber polimento.

Cientistas transformam lixo nuclear em superbateria de diamante

Cientistas transformam lixo nuclear em superbateria de diamante

Imagine uma bateria que leva mais de 6 mil anos para acabar. Pesquisadores da Inglaterra querem fazer isso limpando lixo radioativo.

Cientistas provavelmente passam mais tempo se perguntando porque as baterias não duram mais do que o que vamos fazer com todo o lixo radioativo produzido por usinas nucleares. Mas um grupo de pesquisadores da Universidade de Bristol acha que pode ajudar a solucionar os dois problemas de uma vez.
Os cientistas desenvolveram um diamante sintético que é capaz de criar pequenas correntes de eletricidade simplesmente por estar próxima de uma fonte de radiação.
Para provar que o material funciona, eles usaram um isótopo instável de níquel – mas eles tem ideias bastante ambiciosas de onde encontrar outros materiais radioativos.
Uma das opções mais atraentes é o enorme estoque de carbono-14 que a Inglaterra, onde fica a Universidade, tem armazenada. Isso porque as plantas de energia nuclear do país usavam blocos de grafite como moderadores de reatores nucleares. O problema é que esse material também se torna reativo, pelo menos na superfície – e a Inglaterra acabou com 95 mil toneladas de grafite que precisa ser monitorado para não contaminar o ambiente.
Os cientistas pretendem incorporar esse mesmo carbono-14 dentro dos diamantes “elétricos”. Assim, reaproveitam lixo nuclear como fonte de radiação e geram energia, enquanto o diamante também funciona como proteção contra vazamento de radiação.
“O carbono-14 foi escolhido como matéria prima porque ele emite radiação de curto alcance. É perigosa se entrar em contato com a pele ou for ingerida, mas se ela foi contida com segurança no diamante, nenhuma radiação escapa”, afirmou Neil Fox, um dos pesquisadores, em um comunicado à imprensa.
A superbateria de diamante tem uma corrente elétrica baixa e uma capacidade menor que uma pilha AA, por exemplo, que é capaz de prover 700 joules por grama, e vem com 20 gramas. O problema é que, 24 horas depois, com uso contínuo, a pilha acaba.
Já o diamante tem energia pelo tempo que durar a radiação dentro dele. No caso do carbono-14, uma grama, segundo os cientistas, consegue prover 15 joules ao dia – todos os dias, rigorosamente, por 5.730 anos, que é a meia vida dele. Quase 6 milênios depois, então, o medidor de bateria mostraria “50%”, dizem os cientistas.
Se a bateria de diamante não pode, atualmente, prover energia para abastecer eletrodomésticos, os cientistas creem que ela pode se tornar uma alternativa para marca-passos, por exemplo, que têm baixo consumo de energia e precisam de baterias duráveis.
A longo prazo, os pesquisadores esperam desenvolver a tecnologia para satélites, drones de grande altitude e até naves espaciais, equipamentos bem mais inconvenientes de carregar do que os nossos smartphones.

Fonte= Superinteressante

Muito além da pele

Muito além da pele


Quando tinha 13 anos, Kurt Jäntti sofreu várias crises consecutivas de amigdalite. Pouco depois, um misterioso surto de bolinhas vermelhas que ardiam e coçavam brotou no couro cabeludo, nos joelhos e nos cotovelos do jovem finlandês e acabou se espalhando pelo corpo inteiro. Embora o médico não reconhecesse, Jäntti estava com psoríase. O hidratante receitado nada fez para esconder os flocos brancos deixados quando as células mortas descamavam da pele.
Com o passar dos anos, Kurt fez de tudo para esconder os sintomas de amigos, colegas e chefes. “Muitas vezes estendi a mão e a outra pessoa recolheu a dela”, lembra Kurt, engenheiro mecânico aposentado, hoje com 57 anos. Embora a psoríase não seja contagiosa, não é fácil explicar isso quando alguém se assusta ao ver as manchas vermelhas.
A psoríase é uma doença inflamatória autoimune crônica que afeta cerca de 3% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em adultos, começa em geral com grandes manchas vermelhas e planas cobertas por escamas esbranquiçadas de pele morta; nos mais jovens, as áreas afetadas podem ser aglomerações de manchas menores e em forma de gota. Num pequeno percentual de doentes, surgem bolhas cheias de pus não infeccioso. Mas, qualquer que seja a forma externa, a doença é a mesma, explica o Dr. Carle Paul, presidente do Departamento de Dermatologia da Universidade Paul Sabatier, na França.
A Fundação Nacional de Psoríase dos Estados Unidos estima que 10% das pessoas tenham a combinação de genes que as torna suscetíveis. Mas, sem um gatilho que desencadeie a doença, a maioria nunca a terá.
Então o que provoca a psoríase? “Uma reação imunológica exagerada a um sinal de perigo”, diz o Dr. Paul. Pode ser uma ameaça real, como uma infecção, lesão ou cirurgia, mas com frequência é uma reação ao estresse, a medicamentos ou até ao clima; a incidência de psoríase aumenta conforme nos afastamos do Equador. O sistema imune reage como se as células epiteliais do corpo fossem organismos invasores e as combate, fazendo com que novas células da pele cresçam descontroladas. Essas células imaturas se empilham, provocando o rubor, a coceira, a ardência e a descamação.
A doença costuma aparecer entre os 15 e os 35 anos, ou então depois dos 50, diz o Dr. Paul. Quando surge nos mais jovens, é comum haver um histórico familiar de psoríase, segundo ele. E Kurt Jäntti realmente tem primos com o mesmo problema. Mas, quando o primeiro surto aparece mais tarde, é provável que fatores como obesidade, hipertensão ou tabagismo tenham influência.
Antigamente, ter psoríase era como uma sentença de morte. Por esse motivo, durante algum tempo a psicóloga de 59 anos, Silvia Galli Gibrail de Oliveira, de São Paulo (SP), tentou esconder do pai, Ernesto, que era portadora de psoríase. “Um dia, meu pai leu que a doença era hereditária e ficou arrasado. ‘Não queria que vocês tivessem isso’, ele vivia repetindo”, justifica. No início dos anos 1970, a psoríase era uma doença de difícil diagnóstico. Os médicos desconfiavam de tudo: sarna, alergia, hanseníase. Menos de psoríase. “Por medo de contágio, as pessoas se recusavam a cumprimentá-lo. Era cruel”, conta Silvia, que recebeu o diagnóstico da doença em 1980, aos 25 anos. As primeiras lesões, avermelhadas e descamativas, surgiram no couro cabeludo. “Tentei esconder dele, mas não consegui. Quem tem psoríase sabe como é. Não tem como esconder”, recorda ela.
O sofrimento de Ernesto teve fim em 1993, quando morreu, aos 75 anos. Não de psoríase, mas de desinformação. Alguns dos remédios que tomava com prescrição médica causaram danos ao fígado. “Segurei a emoção até não poder mais. Quando papai morreu, tive uma crise tão forte que a doença se alastrou por todo o corpo”. Foi então que Silvia compreendeu tudo o que seu pai viveu. Certa vez, ela se viu obrigada a explicar ao médico do clube – que não queria dar o atestado médico – que a psoríase não era contagiosa. “O senhor faltou a essa aula?”, provocou. Como não queria passar pelo mesmo sofrimento do pai, resolveu procurar ajuda. Procurou, mas não achou. “Na falta de um grupo de ajuda, fundei uma associação”, diz, referindo-se à Associação de Apoio aos Portadores de Psoríase (AAPP).
Segundo Silvia, o objetivo da AAPP é resgatar a autoestima dos portadores da doença e lhes devolver a vontade de viver. Muitos chegam à sede da associação, no bairro da Bela Vista, em São Paulo (SP), queixando-se de tristeza, isolamento e depressão. “A psoríase não tem cura, mas tem tratamento. Não devemos desanimar”, encoraja Silvia, que, em março do ano passado, sofreu outro baque. Descobriu que é portadora de psoríase do tipo artropática, que provoca dor nas articulações e, em alguns casos, até deformidade física. “No início, você pensa no pior. Hoje não me abalo mais. Aprendi a conviver com a doença”, resigna-se a psicóloga.
Em mais de três décadas, Silvia já passou pelos mais variados tipos de tratamento: de aplicação de pomada a exposição ao sol, de hidratação da pele a sessão de fototerapia. “Todos dão resultado. Mas só por algum tempo. Depois, os sintomas voltam”, diz ela. Atualmente, Silvia faz uso de metotrexato, um imunossupressor que reduz a atividade do sistema imune. “Por um lado, ele controla doenças inflamatórias, como a psoríase. Mas, por outro, aumenta o risco de contrair infecções ou desenvolver câncer”, alerta o dermatologista Marcelo Arnone, coordenador do Departamento de Psoríase da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Para evitar as tão temidas recaídas, Silvia toma alguns cuidados. Evita situações de estresse, segue uma dieta saudável e, sempre que pode, se expõe ao sol. Mesmo assim, não abre mão de tomar sua cervejinha nos fins de semana. “Quando bebo no sábado, mesmo tomando remédio, tenho crise na segunda”, constata.
Embora não se conheça o número exato de portadores de psoríase no Brasil, estima-se que cerca de 2% da população tenha a doença – algo em torno de 4 milhões de pessoas. Segundo o Dr. Arnone, o fato de o Brasil ser um país miscigenado pode contribuir para a variação desse índice, tanto para mais quanto para menos. “Precisamos de um estudo de prevalência para chegar a um número exato”, admite o dermatologista.
Hoje a situação é bem diferente para quem sofre o primeiro surto de psoríase, explica o professor Matthias Augustin, do Centro Clínico da Universidade de Hamburgo-Eppendorf e presidente do Grupo de Trabalho Europeu Especializado em Tratamento da Psoríase. “Há uma grande probabilidade de obter ajuda.”
Os medicamentos modernos também são menos arriscados que os antigos, de modo que os médicos podem usá-los com maior possibilidade de sucesso. E, segundo o professor Augustin, com o tratamento certo muitos pacientes reduzem “a pontuação de gravidade praticamente a zero”.
Os medicamentos biológicos (assim chamados por serem feitos com células vivas), por exemplo, são projetados para imitar os anticorpos e atacar as proteínas ou células responsáveis pelas reações exageradas do sistema imune. Em muitas pessoas, esses medicamentos eliminam quase por completo os sinais visíveis da doença.
Mas muitos pacientes que sofrem com a doença há anos podem não saber que drogas mais eficazes surgiram desde que receberam o diagnóstico, como explica a Dra. Alexa Boer Kimball, mestre em Saúde Pública e professora de Dermatologia da Escola de Medicina de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts. Ela recomenda a quem não tem ido ao médico que vá agora. Pode haver um tratamento que dê certo, ainda que outros tenham falhado.
Embora seja fundamental ter um tratamento adequado, o estilo de vida pode ser igualmente importante. Petra Kliková, de Praga, na República Tcheca, sofreu o primeiro surto da doença em 1992, com apenas 6 anos. “Na escola”, recorda, “algumas crianças tinham nojo de mim. Elas me olhavam de um jeito esquisito e se afastavam.”
Petra conseguiu superar a rejeição e, graças às pomadas receitadas pelo médico, a psoríase cedeu e a confiança aumentou. No ensino médio, a adolescente esguia e bonita estava pronta para realizar seu sonho: ser modelo. Inscreveu-se numa agência de Praga, e nos dois anos seguintes equilibrou a escola com o glamour das passarelas. Então, aos 16 anos, tudo desmoronou.
A psoríase de Petra voltou com violência redobrada. As manchas vermelhas cobriram uma parte tão grande do corpo que ela teve de ser internada. E a carreira de modelo acabou.
O estresse, até o que vem com uma carreira muito ativa, é um conhecido gatilho da psoríase. Um estudo coreano publicado em maio de 2013 constatou que o estresse também pode reduzir a eficácia dos tratamentos da doença. Isso acaba provocando um círculo vicioso: o estresse exacerba o surto, que exacerba o estresse, e assim por diante.
Petra, hoje com 28 anos, começou nova carreira como gerente de um salão de beleza de Praga e diz que agora entende melhor como manter a doença sob controle: “Quando durmo bem, levo uma vida saudável, vou ao médico e aplico as pomadas, a pele melhora. E talvez o trabalho ajude, assim como as pessoas que me cercam. Elas se interessam muito mais pelo que faço do que pela aparência da minha pele.”
Fonte= Seleções