domingo, 18 de junho de 2017

Energia nuclear muda a cor e multiplica o preço de cristais

Energia nuclear muda a cor e multiplica o preço de cristais

Com tecnologia, quartzo é transformado em ametista. Lapidário revela como destaca a beleza de pedras brutas.
DIRCEU MARTINSBelo Horizonte e Lagoa Santa (MG)
       

Em busca da perfeição. Será que é possível mudar a cor e a beleza dos cristais? É sim, com energia nuclear e criatividade de artista. Em Minas Gerais encontram-se, em cidades vizinhas, dois homens que se dedicam a essa transformação. Em Lagoa Santa, Walter Ferreira trabalha com as mãos. Na capital, Belo Horizonte, o professor Fernando Lameiras e sua equipe bombardeiam cristais com raios gama.

Os alquimistas nunca conseguiram fazer ouro. Mas, em Belo Horizonte, os cientistas conseguem mudar a cor e multiplicar o preço dos cristais. Na mão deles um quartzo vira uma ametista.

A transformação acontece no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear de Minas Gerais. A técnica foi descoberta na Alemanha, na década de 40, e aprimorada no Brasil. Cristais claros, sem cor, ganham tons de que vão do amarelo ao azul.

O primeiro passo é selecionar o cristal certo. Nem todos mudam de tonalidade. Mas o Brasil desenvolveu a tecnologia mais avançada do mundo para avaliar a composição química dos minerais e assim saber se a pedra vai ou não ganhar cor. Aí entra o poder da energia nuclear.

O laboratório é cercado de medidas de segurança. Para acionar a cápsula radioativa é preciso primeiro digitar no computador a senha que desbloqueia o sistema.

Pablo Grossi é o responsável pela segurança do laboratório e um dos únicos que têm acesso à chave da câmara de irradiação, onde as pedras mudam de cor.

Só é permitido entrar no local com o sistema desligado. Mesmo assim, nos corredores que levam à cápsula, é difícil esquecer que estamos a poucos metros de uma perigosa fonte radioativa.

"A fonte de radiação fica um metro abaixo do solo. É uma fonte de cobalto 60. Quando ela é exposta, sai de sua blindagem de chumbo e fica em uma região onde os produtos são irradiados e todo o processo ocorre. Ela fica dentro de um cilindro, que serve para proteger o material radioativo que está lá dentro", explica Paulo Grossi.

Para mudar de cor, os cristais ficam expostos à radiação de três dias a dois meses. Os cientistas explicam que o processo não deixa nos minerais nenhum resquício de radioatividade. O que muda mesmo é o valor da pedra.

"No Brasil, costuma sair pedra em um estado que vale muito pouco, cerca de R$ 20 o quilo. Bruta e sem cor. Uma pedra que já está bruta e colorida pode chegar a valer R$ 2 mil o quilo", explica Fernando Lameiras.

Walter Ferreira faz parte de um grupo de artistas cada vez mais raros. A lapidação artesanal de joias vem diminuindo muito no Brasil. Quase sempre as pedras são exportadas em forma bruta e lapidadas no exterior, geralmente na Ásia, onde a mão-de-obra é mais barata. Walter resiste. Começou a trabalhar aos 11 anos e nunca mais parou. Para ele, toda pedra é preciosa. O lapidário acha que só ajuda a revelar a beleza que ela sempre teve.

"Quanto à forma, eu só obedeço. A pedra é que me mostra o seu formato. Eu enxergo formatos dentro das pedras. Se eu não puder por meu trabalho em uma pedra com respeito, eu não ponho. Porque temos que respeitar a natureza", diz Walter.

A lapidação do quartzo consome a tarde inteira. Mas, antes de o sol se por, a peça fica pronta. Apesar das incertezas da profissão, Walter nunca pensou em desistir. "Sou apaixonado por pedras, pela natureza e por minha profissão", afirma.

A mesma paixão que levou o ex-garimpeiro Júlio Bento para Diamantina, o dono de mina Heitor Barbosa para a Paraíba, e que alimenta, todo dia, o sonho dos garimpeiros Miguel Tressi, Deda, Valdemar Bilibil e tantos outros. O sonho de encontrar a felicidade em uma pedra. Para eles, uma pedra mais do que preciosa.

Gemas Tratadas

Gemas Tratadas




O consumidor que compra uma joia com uma pedra preciosa sabe que a gema nela contida passou por um processo de lapidação e que a forma que ela exibe não é a forma que tinha na natureza. Sabe também que o brilho foi melhorado com o processo de lapidação e provavelmente está ciente de que se aproveitou uma porção da gema que não continha impurezas ou que as tinha em quantidade e tamanho aceitáveis. O que o consumidor não sabe, a menos que lhe seja informado pelo vendedor, é se a gema foi tratada ou não.
Gema tratada é aquela em que uma propriedade física, geralmente a cor, foi modificada para lhe dar mais valor. Uma modificação na cor não significa necessariamente troca por outra, pois pode ser apenas uma melhoria na cor natural. Nos casos em que a gema tem uma propriedade apenas melhorada, pode-se dizer que ela é uma gema realçada, um caso particular de gema tratada.
São considerados aceitáveis os tratamentos que não alteram a composição química da gema. Eles são de vários tipos e têm diferentes objetivos.


Tingimento
O tingimento visa a mudar a cor da gema. É muito usado em todo o mundo para gemas como a ágata. Também a howlita costuma ser tingida.
Ágata tingida
Ágata tingida

As belas cores que se veem na ágata podem ser naturais, mas muitas vezes são obtidas por adição de produtos químicos. As ágatas do Rio Grande do Sul, maior produtor mundial dessa gema, se têm cor rosa, roxa, verde ou azul, são tingidas. As cores vermelha e preta podem ser tanto naturais quanto provenientes de tingimento.
Estima-se que pelo menos 90% das ágatas vendidas no mundo são tingidas, mas daquelas procedentes do Rio Grande do Sul, consideradas as mais belas do mundo, cerca de 40% apenas passam pelo tingimento.
A mudança de cor da ágata é possível porque ela é porosa e, além disso, resistente ao calor e aos ácidos. Se as cores naturais são visualmente agradáveis, não se usa tingimento; caso contrário, a ágata é colocada numa solução que pode conter ferrocianeto de potássio, ácido crômico com cloreto de amônio, açúcar ou percloreto de ferro com ácido nítrico e sucata de ferro,
Howlita de cor natural (branca) e tingida
Howlita de cor natural (branca) e tingida
dependendo da cor desejada. O tingimento pode ser feito a frio (bem mais lento) ou com aquecimento. Em qualquer um dos casos, porém, demora geralmente vários dias.
A porosidade das faixas é variável, de modo que algumas absorvem mais o corante do que outras, aumentando assim o contraste entre as cores. Como a solução tingidora penetra pouco na gema, o tingimento costuma ser feito após a peça ser cortada e desbastada, mas antes de ser polida, pois o polimento obstrui os poros, dificultando a penetração do corante.
O preço final é o mesmo para as peças tingidas e para as não tingidas. Se os corantes usados forem inorgânicos, a cor será estável; com corantes orgânicos (usados, por exemplo, para obter cor rosa ou verde), ela poderá enfraquecer com o tempo. O Museu de Geologia da CPRM possui chapas de ágata nessas cores em que um lado é hoje bem mais claro que o outro porque ficou voltado para cima no expositor, sujeito, portanto, à ação da luz e, por consequência, ao enfraquecimento da cor.
O tingimento de uma gema pode ser seletivo. Lápis-lazúli, por exemplo, pode receber tingimento azul apenas nas porções brancas, formadas por calcita.


Tratamento Térmico

Citrino obtido por tratamento térmico de ametista
Citrino obtido por tratamento térmico de ametista
Muitas gemas podem mudar de cor quando aquecidas e são, por isso, submetidas a tratamento térmico para obtenção de cores diferentes ou para melhorar a cor original. São assim tratados rubi, safira, âmbar, água-marinha, ametista, citrino, tanzanita, zircão, topázio e turmalinas.
Um exemplo de tratamento térmico muito conhecido é o aplicado à ametista. Essa variedade de quartzo tem cor roxa, mas, aquecida a cerca de 475 ºC, transforma-se em citrino, outra variedade do mesmo mineral, de cor amarela ou alaranjada. É um tratamento que dá cor estável e que é intensamente usado no Rio Grande do Sul para as ametistas de cor fraca ou irregular. Algumas vezes, também o quartzo incolor e o quartzo enfumaçado dão esse resultado.
A prasiolita é um quartzo de cor verde obtido por tratamento térmico a 500 ºC de ametistas provenientes de Four Peaks (Arizona, EUA) ou de Montezuma (Minas Gerais). Outra gema que costuma ser submetida a tratamento térmico é o topázio amarelo, que fica vermelho (a 300-350 ºC), rosa ou azul. Essas cores podem ser encontradas também em gemas naturais, mas os topázios de cores rosa e vermelha encontrados no comércio são quase sempre produto de tratamento térmico.
Águas-marinhas azuis de cor fraca podem ficar mais escuras e, portanto, mais valiosas por tratamento térmico. Mais de 90% das águas-marinhas dessa cor encontradas no mercado internacional são gemas amareladas ou verdes que foram tratadas termicamente. Não se conhecem meios de distinguir as águas-marinhas assim tratadas daquelas naturalmente azuis. Rubis opacos aquecidos a 1.200 ºC ficam transparentes ou pelo menos translúcidos.


Impregnação
Algumas gemas porosas ou com fissuras podem ter sua cor ou transparência melhoradas pela adição de óleos incolores, cera, resina natural ou produtos sintéticos.
É costume tratar a esmeralda com óleos de índice de refração semelhante ao seu. Normalmente, essa gema é cheia de fissuras e, além disso, é normal haver nelas impurezas. Por isso, a esmeralda costuma ser lavada com ácidos, que removem as impurezas das fraturas que se comunicam com o exterior, e a seguir é imersa em óleos naturais (como óleo de amêndoa quente) ou artificiais. Outra opção é o emprego de resinas, que também melhoram a aparência, tanto das esmeraldas brutas quanto das lapidadas. É muito usado o Opticon, resina tipo epóxi, após a qual se aplica uma substância que promove sua polimerização.
Para introduzir o óleo, pode-se antes submeter a gema ao vácuo, visando a remover ar e impurezas. Feito isso, ela é submetida a pressão, com temperatura moderada (até 100 ºC). Com o tempo, o óleo pode sair, sendo necessário fazer nova aplicação.


Irradiação

Quartzo incolor após irradiação
Quartzo incolor após irradiação
É a exposição de uma gema aos efeitos de uma radiação para alterar a cor. Há várias fontes de radiação usadas para esse fim. O uso de raios X exige equipamento que é de fácil obtenção, mas proporciona baixa uniformidade de cor, pouca penetração na gema e, por isso, não é um processo comercialmente viável. Safiras incolores ou amarelo-claras sob ação de raios X ficam amarelas, semelhantes a topázios.
A radiação mais usada são os raios gama. Eles têm boa penetração na gema, dão cor com boa uniformidade e não deixam resíduo radioativo. A estabilidade da cor final depende da gema tratada. A irradiação por nêutrons penetra mais que as anteriores, dá colorido mais intenso, mas deixa a gema radioativa. Desse modo, é preciso esperar que essa radioatividade se dissipe para poder comercializar o produto. Diamantes assim tratados ficam verdes e se a irradiação for seguida de tratamento adquirem cor amarelo-canário. Tanto essa cor quanto o verde não podem ser distinguidos das mesmas cores de origem natural.
Por fim, há os aceleradores de partículas, mas eles penetram menos que a radiação gama e são pouco usados. O quartzo incolor submetido a radiação gama pode adquirir várias cores, inclusive duas cores na mesma gema. Atualmente há uma grande produção de pedras preciosas tratadas dessa maneira, cujas cores recebem nomes comerciais como whisky, cognac, champagne e green gold. O mesmo tipo de quartzo, procedente de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e do Uruguai, pode ser transformado em prasiolita, a variedade obtida por tratamento térmico de ametistas, mas só das procedentes de Montezuma (MG) e Four Peaks (EUA).
Ametista que perdeu a cor por exposição prolongada ao sol pode tê-la de volta por ação de raios X. Topázio incolor por efeito da radiação gama pode ficar amarelo e se após isso sofrer tratamento térmico passará à cor azul. O volume de topázios azuis assim obtidos é de várias toneladas por ano. O processo é usado para rubis, safiras e topázios.


Difusão
Esse processo consiste em introduzir impurezas na gema por difusão de óxidos a altas temperaturas (de 1.600 ºC a 1.900 ºC). A gema é colocada em um cadinho, misturada a óxidos metálicos em pó e aquecida a alta temperatura e em atmosfera adequada por um tempo variável. O resultado é uma fina camada muito colorida de cor estável. O processo é usado para rubis, safiras e topázios.


Preenchimento de Fraturas
O preenchimento de fraturas e fissuras é feito com resinas e colas do tipo epóxi. Elas tornam esses defeitos menos visíveis ou mesmo invisíveis. O processo valoriza a gema, mas o tratamento não é estável. O diamante é uma das gemas que recebe preenchimento de fraturas. Esmeraldas também recebem esse tratamento, com substâncias que têm índice de refração semelhante ao dela.


Remoção de Inclusões
Raios laser e produtos químicos podem ser usados para remover impurezas de gemas, principalmente do diamante.


Clareamento
É o uso de produtos químicos ou outros processos para clarear a gema ou para remover cores indesejáveis. Na grande maioria dos casos, quanto mais escura a gema, mais valiosa ela é, mas há exceções. A turmalina verde vale mais quando é clara, por se assemelhar mais à esmeralda. Assim, usa-se tratamento térmico para deixa-la menos escura. Safiras também podem ficar mais claras quando aquecidas.


High Pressure High Temperature - HPHT
Centros de cor indesejáveis em diamantes podem ser removidos por tratamento que envolve alta pressão e alta temperatura.


Fonte
BRANCO, Pércio de Moraes. Dicionário de Mineralogia e Gemologia. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. 608 p. il.
FAVACHO, Maurício et al. Tratamento em gemas. In: CASTAÑEDA, Cristiane et al. Gemas de Minas Gerais. Belo Horizonte, Soc. Bras. de Geologia, 2001. 80 p. il. p. 5-73.
Fotos
P. M. Branco – Coleção Pércio M. Branco.

Como Avaliar uma Pedra Preciosa Lapidada

Como Avaliar uma Pedra Preciosa Lapidada





O consumidor que pretende comprar uma pedra preciosa e não tem conhecimento especializado avalia a qualidade da gema com base em critérios puramente pessoais, sendo seu gosto o que atribui valor ao produto.
Além disso, se for um consumidor sem conhecimentos de gemologia, ele avaliará a gema com base principalmente em cor, brilho e tamanho. O que não está errado, mas deixará de considerar aspectos igualmente importantes, como a qualidade da lapidação.
Como se trata de um comprador individual, essa avaliação poderá implicar perda ou prejuízo apenas para si próprio. Mas, quando se trata de comprar para uma empresa ou quando se faz necessária uma avaliação profissional, como no caso de uma ação judicial, a avaliação não pode ser assim subjetiva. Ela deve basear-se em critérios objetivos e quantificáveis. Mas como se faz isso?
São quatro os fatores a considerar na avaliação de uma pedra preciosa lapidada: cor, pureza, qualidade da lapidação e do acabamento e peso. Como se verá, esses fatores não têm o mesmo grau de importância.


Peso
O peso das gemas lapidadas é expresso sempre em quilates (símbolo ct). Um quilate corresponde a 200 miligramas, ou seja, um grama equivale a cinco quilates (1 g = 5 ct).


Cor
Normalmente a cor é o fator mais importante, representando 50% do valor da gema. Para determiná-la levam-se em conta três aspectos: o matiz, que é a cor propriamente dita ou uma combinação de cores (ex.: amarelo, amarelo-esverdeado, verde-azulado etc.); o tom(ou tonalidade), que é descrito em termos de claro ou escuro; e a saturação, que é a pureza ou intensidade do matiz e que varia de vívida a sem vida.


Pureza
Descreve a quantidade e o tamanho das inclusões existentes na gema, entendendo-se por inclusão corpos estranhos ou qualquer outra imperfeição que afete a transparência e a beleza da pedra. A pureza responde por 30% do valor da gema lapidada. Essa característica é avaliada usando-se lupa de 10 aumentos; o que não é visto com essa ampliação considera-se inexistente.
Nesse aspecto é preciso lembrar que há gemas que praticamente sempre têm inclusões, como a esmeralda e a rubelita. Outras – como topázio, água-marinha, ametista e turmalina verde – podem ser facilmente encontradas sem essas imperfeições. Rubi, safira, granada e alexandrita situam-se numa posição intermediária nesse aspecto. Portanto, a presença de inclusões numa ametista ou numa água-marinha é muito mais grave do que numa esmeralda.
As gemas são classificadas em cinco categorias com relação à pureza: SI (sem inclusões), IL (inclusões leves), IM (inclusões moderadas), IA (inclusões acentuadas) e IE (inclusões excessivas). Não se deve esperar ver no mercado ametistas ou águas-marinhas com qualidade IE, tampouco esmeraldas com pureza SI.


Lapidação e Acabamento
A qualidade da lapidação e do acabamento é o fator de menor peso na avaliação da gema, representando 20% da nota final. Nesse item, devem-se observar vários aspectos:
a) Proporções: altura da gema (não pode ser muito alta nem baixa demais em relação à largura), tamanho da mesa (a faceta maior e mais importante), boa proporção entre comprimento e largura etc.
b) Acabamento: características da superfície da gema, como marcas deixadas pelo polimento.
c) Simetria: forma, posição e arranjo das facetas.
Cada um dos três fatores – cor, pureza e lapidação/acabamento – recebe uma nota que vai de 1 a 10. Exemplos:
- Uma gema de matriz puro e uniforme com brilho intenso recebe nota entre 8 e 10 com relação à cor. Mas se ela tiver muita saturação (quase preta) ou, ao contrário, pouquíssima saturação (quase incolor), terá nota entre 1 e 4.
- Uma gema daquelas que são facilmente encontradas sem inclusões visíveis a olho nu terá uma nota entre 8 e 10 para pureza, se examinada com lupa de 10 aumentos e mostrar inclusões pouco visíveis ou ausentes. Mas se tiver inclusões visíveis a olho nu cai para uma nota entre 1 e 4.
- A pedra preciosa com lapidação bem feita, mostrando boas proporções, simetria perfeita, bom polimento e facetas bem colocadas terá nota de 8 a 10 com relação à lapidação. Mas se mostrar grandes variações de simetria e for mal proporcionada e mal polida sua nota cai para 1 a 4.
Notas entre 8 e 10 para um determinado parâmetro classificam a gema como excelente ou extra; notas entre 6 e 8 caracterizam a gema como boa ou de primeira. Se a nota cair no intervalo de 4 a 6 ela será média ou de segunda; e se tiver nota apenas entre 1 e 4 será fraca ou de terceira.


Cálculo da Nota Final
Obtidas as notas para cor, pureza e lapidação/acabamento, pode-se calcular a nota final da gema. Ela será a média ponderada das três notas, levando-se em conta a importância de cada um dos três parâmetros.
Vamos supor que uma gema alcançou nota 6 na cor, 9 na pureza e 7 na lapidação. A média será:
6 x 50% = 3,0 (cor)
9 x 30% = 2,7 (pureza)
7 x 20% = 1,4 (lapidação)
Total = 7,1

A qualidade da gema como um todo terá então nota 7,1, sendo a gema da categoria boa ou de primeira. Com isso, podemos determinar seu preço usando as tabelas de preços publicadas regularmente pelo Convênio DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral)/IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos).
Nessas tabelas, procura-se na coluna à esquerda a faixa de peso da gema, e dali para a direita busca-se a coluna correspondente à sua categoria (no caso, boa). No encontro da linha referente ao peso com a coluna referente à qualidade está o preço, dado em dólares por quilate.
A tabela abaixo mostra os preços do citrino, uma das gemas mais baratas. Supondo-se que a gema do nosso exemplo (qualidade boa) tenha 9 quilates, pela tabela pode-se ver que seu preço está entre 1,5 e 5 dólares por quilate, ou seja, ela vale entre 13,50 e 45 dólares.

Se em vez de citrino fosse uma turmalina paraíba azul néon, uma das gemas mais caras que existem, a tabela mostraria um preço incomparavelmente maior: 9.500 a 20.000 dólares por quilate. Como a gema do nosso exemplo tem 9 ct, ela valeria no mínimo 85.500 dólares (provavelmente bem mais, já que está quase no topo da faixa de peso).



Fonte
BRASIL. Departamento Nacional de Produção Mineral & Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos. Boletim referencial de preços de diamantes e gemas de cor. 6 ed. rev. ampl. s.l., Convênio DNPM/IBGM, 2009. 201 p. Il.

Breve História da Mineralogia Brasileira

Breve História da Mineralogia Brasileira






Introdução
O uso dos minerais no Brasil começou já com os índios que aqui habitavam antes da chegada dos primeiros colonizadores. Eles empregavam minerais (como jaspe, cristal de rocha, calcedônia, hematita, serpentina, jade, amazonita, ágata, aventurino, citrino, nefrita etc.) inicialmente para confeccionar ferramentas (machados, pontas de flechas, mãos de pilão, facas, furadores, raspadores). Mas, aos poucos, passaram a empregá-los também em rituais religiosos (estatuetas, ídolos), objetos de adorno pessoal (muiraquitãs, pingentes, tembetás e pedras de mando) e oferendas não religiosas.


Primeiras Descobertas
Em 1550, 50 anos após a descoberta do Brasil, o espanhol Felipe de Guilhem (1487-1571) escreveu ao rei Dom João III falando das esmeraldas e de outras riquezas minerais do Brasil. Em 1576, o português Pero de Magalhães Gândavo (cerca de 1540-1580) publicou o primeiro relato da existência de ouro e cristais.
Em 1587, Gabriel Soares de Sousa (cerca de 1540-1591) registrou achados de ouro, cobre, ferro, pedras verdes usadas pelos índios como adorno, além de ametistas e granadas. Em 1589, Afonso Sardinha (?-1616) e seu filho de mesmo nome (?-1604) descobriram magnetita e dois anos depois construíram a primeira fundição de ferro do Brasil em Ipanema, atual Sorocaba (SP), que funcionou até 1628. Pedro Sardinha, neto de Afonso Sardinha (pai), e seu filho Gaspar mineraram ouro em Jaraguá por várias décadas.


Primeiros Mineralogistas
O mineralogista mais ilustre do Brasil foi José Bonifácio de Andrade e Silva (1763-1838). Infelizmente, ele é mais conhecido por sua atuação política, visto que seu trabalho de mineralogista deu-se principalmente na Europa. Sua atuação como parlamentar e estadista lhe valeu o título de Patriarca da Independência.

José Bonifácio (tela de Benedito Calixto)
José Bonifácio (tela de Benedito Calixto)
Langsdorff
Langsdorff
José Bonifácio nasceu em Santos (SP). Aos oito anos, sua família mudou-se para São Paulo. Em 1783, ingressou na Universidade de Coimbra, em Portugal. Em 1787, concluiu o curso de Filosofia Natural (Ciências Naturais) e no ano seguinte, o de Direito. Em 1789, ingressou na Academia Real de Ciências de Lisboa e no ano seguinte publicou seu primeiro artigo científico, sobre a pesca de baleias.
Entre 1790 e 1791, estudou Mineralogia na França, tendo contato com René Haüy, fundador da cristalografia. Em 1791, ingressou na Sociedade de História Natural de Paris.
Em 1792, estudou Mineralogia Prática e Geognosia em Freiberg, Saxônia (Alemanha), tendo sido aluno de Abraham Werner, o pai da geologia alemã.
De 1794 a 1798, estudou e fez várias viagens científicas na Europa. Teve contato com cientistas de renome da época e descreveu quatro espécies minerais novas – escapolita, criolita, espodumênio e petalita –, além de oito variedades – entre elas a afrizita (atual schorlita), a wernerita e a indicolita. Em 1800, voltou a Portugal e fez uma expedição científica pelo país com seu irmão Martim Francisco, também formado em Filosofia Natural. Ocupou diversos cargos públicos relacionados com sua atividade de mineralogista e ampliou sua importante coleção de minerais.
Quando a família real fugiu para o Brasil, em 1808, ante a invasão das tropas de Napoleão Bonaparte, permaneceu em Lisboa e integrou o 1º Batalhão Acadêmico de Coimbra, formado por 150 professores e 761 alunos, que lutou até rechaçarem a tropas de Gen. Junot. Continuou trabalhando com pesquisa mineral, mas em 1819 voltou ao Brasil por ordem de Dom João VI, fixando-se em Santos, sua cidade natal. Trabalhou com dois de seus irmãos até 1821, quando Dom João VI voltou a Portugal e José Bonifácio começou sua importante atuação de político e estadista, assumindo inicialmente a vice-presidência da Junta Governativa de São Paulo (no ano seguinte aconteceria a independência do Brasil). Após seu falecimento, em 1838, a família doou suas diversificadas coleções ao Museu Imperial.
No período colonial, destacaram-se os naturalistas e mineralogistas brasileiros Alexandre Rodrigues Ferreira (1756-1815), que fez várias viagens philosophicas pelo interior do Brasil; José Vieira Couto (1752-1827), que pesquisou os recursos minerais de Minas Gerais; Manuel Ferreira da Câmara Bethencourt Aguiar e Sá (1762-1835), que pesquisou ouro e diamante, dedicando-se também à siderurgia; José de Sá Bethencourt Accioly (1754-1828), que pesquisou em Minas Gerais; Antônio Gonçalves Gomide (1770-1835), que tinha coleção com amostras de ouro, estalactites, crocoíta e minério de ferro; além de dois irmãos de José Bonifácio, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silvae Martim Francisco Ribeiro de Andrada.

Spix
Spix
Martius
Martius
No século XVIII, tendo se tornado o maior produtor de ouro e de diamantes do mundo, o Brasil atraiu diversos cientistas estrangeiros que viajaram pelo nosso país estudando seus recursos naturais. O geólogo e engenheiro de minas alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege (1771-1855) integrou o exército português e lutou contra as tropas de Napoleão. Veio para ao Brasil e aqui assumiu a direção do Real Gabinete de Mineralogia. Construiu uma siderúrgica em Congonhas do Campo, montou vasta coleção de minerais (que foi para a Alemanha) e publicou a obra “Pluto Brasiliensis”.
Georg Heinrich von Langsdorff (1774-1852), também alemão, pesquisou flora, fauna e minerais em Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso. Reuniu 29 caixas de minerais, que foram enviadas à Rússia. Parte desse acervo pertence hoje ao Museu Mineralógico Alexander Fersman, em Moscou. Outro alemão, Friedrich Sellow (1789-1831), percorreu Minas Gerais e Rio Grande do Sul, tendo enviado duas mil amostras de rocha e minerais ao Museu de História Natural de Berlim.
O zoólogo e paleontólogo austríaco Johann Baptiste von Spix (1781-1826) e o botânico Karl Friedrich von Martius (1794-1868), também austríaco, coletaram igualmente grande quantidade de espécimes de flora, fauna e minerais. Publicaram uma obra em três volumes, “Viagem ao Brasil”, com observações geográficas, etnográficas, mineralógicas e biológicas. Estiveram em Minas Gerais, Bahia e Amazonas coletando diamantes e outras gemas, que enviaram a Munique.
Rochus Schüch (1788-1844) foi um cientista austríaco que dirigiu o Gabinete de História Natural da Imperatriz Leopoldina, cujo acervo deu origem ao Museu Nacional. Johann Emmanuel Pohl (1782-1834), outro austríaco, levou para a Áustria vasta coleção mineralógica. Em Viena, dirigiu o Museu Brasileiro, onde eram expostas as coleções reunidas por ele e outros cientistas austríacos. Publicou cinco livros sobre flora, rochas, minerais e fósseis brasileiros.
Também a França contribuiu para o conhecimento da mineralogia brasileira através de vários cientistas, dos quais devem ser destacados dois. O naturalista Alcide Charles d’Orbigny (1802-1857) percorreu o Estado do Rio de Janeiro e a Serra dos Parecis, no Mato Grosso, e levou para a França mais de 10 mil peças aqui coletadas, descritas na obra “La Relation du Voyage dans l’Amérique Meridionale”.

Claude-Henri Gorceix (1842-1919) veio ao Brasil em 1874, a convite de Dom Pedro II, a fim de escolher o melhor local para instalar a Escola de Minas, que viria a ser inaugurada em Ouro Preto dois anos depois. Foi nela professor de geologia, mineralogia e química, publicando mais de 50 trabalhos sobre jazidas de ouro, diamante, topázio, ferro e terras raras.

Derby (Fonte: Universidade Federal de Ouro Preto)
Derby (Fonte: Universidade Federal de Ouro Preto)
D'Orbigny
D'Orbigny
Gorceix
Gorceix
O petrólogo austríaco Eugen Hussak (1856-1911) foi contratado por Dom Pedro II para ser professor de mineralogia de seu neto Pedro Augusto. Foi pioneiro da microscopia petrográfica no Brasil e participou da comissão que definiu o local onde deveria ser construída a nova capital do país, no Planalto Central. Publicou importantes trabalhos sobre a gênese de jazidas minerais, sobre os satélites do diamante, platina, paládio, zircônio e terras raras. Descreveu muitas espécies e variedades novas (zirkelita, derbylita, tripuíta, senaíta, lewisita, florencita, chalmersita, gorceixita e harttita).
O canadense naturalizado norte-americano Charles Fredrick Hartt (1840-1878) esteve no Brasil várias vezes, realizando pesquisa no Amazonas e no Arquipélago de Abrolhos. Tornou-se diretor da Comissão Geológica do Império e publicou a obra “Geology and Physical Geography of Brazil”. Colecionou minerais e fósseis, estando parte desse acervo na Universidade de Cornell.
Orville Adalbert Derby (1851-1915), norte-americano naturalizado brasileiro, veio ao Brasil para fazer estudos geológicos do Amazonas e foi convidado a integrar a Comissão Geológica do Império. Organizou as coleções de mineralogia e paleontologia do Museu Nacional. Escreveu mais de 170 trabalhos, sendo 48 sobre diamante, ouro e manganês.
Seu discípulo John Casper Branner (1850-1922) esteve várias vezes no Brasil e publicou mais de 60 trabalhos, dentre eles alguns também sobre ouro, diamante e manganês. Dom Pedro Augusto (1866-1934), neto mais velho de Dom Pedro II, era engenheiro civil e publicou diversos trabalhos sobre minerais brasileiros escritos em diversos idiomas, reunidos por Clado Lessa na obra “Trabalhos de Mineralogia e Numismática: aspectos da vida de um príncipe brasileiro”.



Mineralogia Mais Moderna
O engenheiro de minas Francisco de Paula Oliveira (1857-1935) publicou mais de 40 trabalhos sobre galena, ouro, amianto, cinábrio, diamante, cobre e molibdenita. Luis Felipe Gonzaga de Campos (1856-1925), também engenheiro, estudou ferro, diamante e ouro de Minas Gerais e ouro de São Paulo. Joaquim Cândido da Costa Sena (1852-1919) publicou mais de 20 estudos sobre bismuto e fosfato. Pertenceu a associações científicas de vários países. Dedicou-se à política, havendo sido presidente da Província de Minas Gerais. Organizou coleções de minerais brasileiros para diversas exposições na Europa e é homenageado no nome do mineral senaíta.
O engenheiro João Pandiá Calógeras (1870-1934) publicou estudos sobre ouro, ferro, níquel e diamantes, foi deputado federal e ocupou três ministérios diferentes. É autor de “As Minas do Brasil e sua Legislação” e foi homenageado no nome do mineral calogerasita. Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa (1872-1932) estudou o ouro de Tocantins, o manganês de Conselheiro Lafaiete, o ferro e o manganês de Corumbá, além de areias monazíticas, diamante e ouro. Fez estudos também no Nordeste do Brasil. Em sua homenagem, há um mineral chamado arrojadita.

Rui Ribeiro Franco (Foto: Andrea Bartorelli)
Rui Ribeiro Franco (Foto: Andrea Bartorelli)
Djalma Guimarães (1894-1973) estudou o diamante e seus satélites em Minas Gerais e Roraima e o niobo-tantalatos de Minas Gerais. Participou da descoberta das jazidas de apatita e pirocloro de Araxá, descreveu meteoritos, ajudou a criar o Instituto de Pesquisas Radioativas e descreveu quatro minerais novos – arrojadita, giannetita, eschwegeíta e pennaíta. Dois minerais foram denominados em sua homenagem: a djalmaíta e a guimaraesita. O engenheiro Othon Henry Leonardos (1899-1977) publicou diversos trabalhos sobre diamantes do Triângulo Mineiro e sobre minérios de ferro, chumbo, prata, tântalo, nióbio, urânio e ródio.
Viktor Leinz (1904-1983), alemão com doutorado em Mineralogia e Petrologia, veio ao Brasil a convite do Departamento Nacional de Produção Mineral e foi enviado ao Rio Grande do Sul para dirigir trabalhos nas minas de cobre do Camaquã, em Caçapava do Sul. No Museu Nacional, reorganizou um valioso acervo mineralógico (Coleção Werner). Publicou, com João Ernesto de Souza Campos, o “Guia para Determinação de Minerais”, ainda hoje usado. Participou dos estudos do manganês da Serra do Navio e da criação do Curso de Geologia da Universidade de São Paulo.
Octavio Barbosa (1907-1997) foi engenheiro de destaque, autor de dezenas de trabalhos de interesse mineralógico, dentre eles o excelente “Diamante no Brasil”. Mais recentemente, tivemos a valiosa atuação do mineralogista indiano Bhaskara Rao Adusumilli (1928-2003), que criou o Clube de Mineralogia em Recife e fundou o “Jornal de Mineralogia”.
Após esses pioneiros, vários outros cientistas deram sua contribuição ao conhecimento dos minerais brasileiros. São citados pelo geólogo Daniel Atencio, professor da Universidade de São Paulo - USP: George Thurland Prior, Caio Pandiá Guimarães, W. T. Pecora, Joseph J. Fahey, Carlos P. Barbosa, William G. R. Camargo e Rui Ribeiro Franco.. Rui Ribeiro Franco, falecido em 20 de fevereiro de 2008, é considerado, com justiça, o pai da gemologia brasileira. Seu pequeno, mas precioso, livro “As Pedras Preciosas” deve ter sido o primeiro livro de gemologia publicado no Brasil. Rui Ribeiro Franco foi autor de quatro livros e tradutor de outros cinco. Sua valiosa contribuição à mineralogia foi reconhecida por Daniel Atencio, que deu a um dos 11 minerais novos que descobriu o nome de ruifrancoíta.
O geólogo Pércio de Moraes Branco sugeriu que fosse instituído o Dia do Gemólogo Brasileiro, a ser comemorado na data de seu nascimento (dia 9 de junho). A proposta foi encampada pelo então deputado João Almeida, que encaminhou projeto de lei nesse sentido, ainda não votado.


Mineralogistas de Hoje
Dentre os mineralogistas de destaque ainda ativos, Daniel Atencio relaciona: Jacques Pierre Cassedanne, Maria do Perpétuo Socorro Adusumilli, José Marques Correia-Neves, José Moacir Vianna Coutinho, Nilson F. Botelho, Luiz Alberto Dias Menezes Filho, Marie Louise Lindberg, Mário Luiz S. C. Chaves, Alexandre Raphael Cabral e Pércio de Moraes Branco.
Por modéstia, Daniel Atencio deixou de incluir na relação seu próprio nome, mas é ele um dos expoentes da mineralogia em nosso país atualmente. É o representante do Brasil na Comission on New Minerals Nomenclature and Classification, da International Mineralogical Association, entidade que disciplina a nomenclatura das espécies minerais e dá parecer técnico sobre os trabalhos, descrevendo supostas novas espécies minerais. Além disso, ele próprio é autor de trabalhos que tornaram conhecidas 11 espécies minerais novas, todas descobertas no Brasil. Foi, por sua vez, homenageado com o nome atencioíta, dado a outra espécie mineral descoberta no Brasil.

Luiz Alberto Dias Menezes Filho é engenheiro, colecionador de minerais, pesquisador e empresário, importando e exportando minerais muito raros e/ou de elevado valor estético. O geólogo Mário Luís Chaves é especialista em diamantes e autor, junto com Luís Chambel, de um livro sobre essa gema, “Diamante: a pedra, a gema, a lenda”.
Pércio de Moraes Branco é autor dos livros “Dicionário de Mineralogia”, “Glossário Gemológico” e “Dicionário de Mineralogia e Gemologia”. É autor também dos mapas gemológicos dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, bem como de mais de 100 artigos sobre mineralogia.
Deve-se citar também o professor Darcy Pedro Svisero, especialista em diamante, autor de diversos trabalhos sobre geologia de gemas e orientador de muitos alunos de pós-graduação dessa área.


Minerais Novos Descritos no Brasil
Dezenas de novas espécies minerais são descritas todos os anos em todo o mundo. Alguns países destacam-se nessa área da pesquisa mineralógica, como Rússia e Estados Unidos. Do mesmo modo, algumas localidades destacam-se como fonte de material que leva à descrição dessas espécies novas. São exemplos: Península de Kola (Rússia); Vesúvio (Itália); Rouville, em Quebec (Canadá); San Bernardino, na Califórnia (EUA); Langbam, em Varmland (Suécia); Shinkolobwe, em Shaba (R. D. Congo); Tsumeb (Namíbia); Sussex, em Nova Jérsei (EUA) e Saxônia (Alemanha).
Um pouco mais de 50 espécies minerais novas já foram descobertas no Brasil e mais algumas aguardam aprovação formal. Muitas outras foram descritas, mas são hoje consideradas apenas variedades; ou foram desacreditadas por se constatar, através de estudos posteriores, que se tratava de espécies já conhecidas, prevalecendo, nesse caso, o primeiro nome sugerido.
Dessas espécies novas, nada menos que 11 foram descritas por um mesmo pesquisador, o já citado geólogo Daniel Atencio. As espécies novas encontradas no Brasil são: arrojadita, arrojadita-(PbFe), arsenopaladinita, arupita, atencioíta, ateneíta, bahianita, barbosalita, bariomicrolita, bendadaíta, brasilianita, brumadoíta, chernikovita, coutinhoíta, crisoberilo, derbylita, dukeíta, euclásio, faheyíta, florencita-(Ce), fluornatromicrolita, frondelita, goiasita, gorceixita, guimarãesita, isomertieíta, kalungaíta, joseíta-A, joseíta-B, lantanita-(La), lantanita-(Nd), lindbergita, lipscombita, manganoeudialita, matioliíta, menezesita, minasgeraisita-(Y), moraesita, oxikinoshitalita, paládio, paladseíta, parabariomicrolita, pseudorrutilo, quintinita-2H, ruifrancoíta, scorzalita, senaíta, serrabrancaíta, souzalita, tantaloesquinita-(Y), tavorita, tetratenita, tripuíta, uranomicrolita, whiteíta-(CaFeMg), whiteíta-(MnFeMg), ianomamita, zanazziíta e zirkelita.
Era de se esperar que o Brasil, por sua extensão territorial, estivesse incluído, se não entre os países onde mais se descrevem espécies novas, pelo menos entre os que mais fornecem material para isso. Mas não tem sido assim, e as espécies novas descobertas no Brasil todo são menos numerosas, por exemplo, que as descobertas apenas em Vesúvio.
Essa situação de pouca relevância começou, porém, a mudar nos últimos anos. Apenas entre 2003 e 2007, por exemplo, foram descobertas 11 espécies novas. Mais equipamentos e mais pesquisadores têm estado à disposição para esse tipo de pesquisa e os resultados começam, assim, a aparecer.


Fontes
BRANCO, P. de M. Dicionário de Mineralogia e Gemologia. São Paulo, Oficina de Textos, 2008. 608 p. il.
CORNEJO, C. & BARTORELLI, A. Minerais e Pedras Preciosas do Brasil. São Paulo, Solaris, 2010. 704 p. il.
JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA. Wikipédia em português. Acessado em 10.09.2010.

Fotos: Wikipédia, salvo indicação em contrário.

Everledger entra no jogo para garantir a procedência dos diamantes

Everledger entra no jogo para garantir a procedência dos diamantes


No ano passado, foi o vinho. Esse ano são os diamantes, talvez os melhores amigos das mulheres que agora terão sua procedência registrada por uma blockchain da Everledger.

No ano passado, foi o vinho. Esse ano são os diamantes, talvez os melhores amigos das mulheres que agora terão sua procedência registrada por uma blockchain da Everledger. Isso foi publicado na Finance Magnates.
O Singapore Diamond Investment Exchange (SDIX) anunciou que se associou à Kynetix e à Everledger para concluir a primeira parte de uma Prova de Conceito de autenticação, baseada em blockchain, e um serviço seguro de manutenção de registros para negociações de diamantes em uma bolsa global de commodities .
Linus Koh, CEO da Singapore Diamond Investment Exchange, disse: “Esta colaboração emocionante baseia-se no desejo da SDiX em fornecer tecnologias avançadas que permitam um mercado confiável, justo e transparente para a negociação de diamantes como uma classe de ativos. Este novo conceito baseia-se na capacidade de imutabilidade da blockchain, através dessa capacidade poderemos garantir a procedência dos diamantes negociados trazendo mais transparência e confiança a esse mercado”.
O chefe de desenvolvimento de negócios da Kynetix, Guillaume Kendall, disse: “Continuando nossa missão de construir confiança total em produtos físicos, acreditamos que essa integração inovadora da nossa plataforma Sentinel com a blockchain será mais um passo para reduzir os riscos associados às commodities de negociação e financiamento de forma global”.
Leanne Kemp
A fundadora e diretora executiva da Everledger, Leanne Kemp, disse: “Foi um prazer nos associar a Kynetix, uma poderosa combinação de tecnologia e propósito entrelaçados. Temos o prazer de fornecer a infraestrutura de blockchain líder no mercado, que é a chave para os serviços de verificação e arquivamento de dados da SDiX, e estamos ansiosos para trabalhar com o mercado na criação de ferramentas propositadas para permitir uma troca segura e rápida de diamantes físicos”.
Em dezembro do ano passado, a Everledger tornou-se a primeira organização a garantir a procedência de uma garrafa de vinho que foi registrada em uma blockchain.
Fonte- Revista Negócios