sexta-feira, 23 de junho de 2017

É possível ganhar dinheiro com a compra e revenda de pedras e metais preciosos, mas é preciso saber como o preço do bem é definido; ter um avaliador de confiança é fundamental

É possível ganhar dinheiro com a compra e revenda de pedras e metais preciosos, mas é preciso saber como o preço do bem é definido; ter um avaliador de confiança é fundamental

Mais que símbolos de status, joias podem ser mercadorias lucrativas. Ganhar dinheiro com elas, contudo, exige conhecimento técnico e de mercado. Muitos compram as peças a preços convidativos em leilões para revendê-las. Outros derretem a aliança de ouro da avó por uns trocados. Alguns obtêm empréstimos bancários penhorando os objetos. A revenda de metais e gemas pode ser um bom negócio, contanto que o avaliador seja de confiança.

Thinkstock/Getty Images
Pureza, cor e tamanho da pedra preciosa são critérios que definem o valor de mercado da joia

Os critérios que precificam uma joia – ou seja, definem o quanto ela vale – são diferentes nos mercados de penhor e nas joalherias. Nos primeiros, contam mais o peso da peça e a composição do metal. No segundo, há um valor de mercado mínimo e máximo, que varia conforme uma série de parâmetros (leia abaixo).
“Uma pedra preciosa nunca perde valor, ao contrário do que se imagina”, afirma a designer e especialista em joias Mariah Rovery, que fundou uma grife com seu nome. Quando um diamante comprado em uma loja por R$ 20 mil for avaliado em R$ 5 mil na revenda, é porque, diz Mariah, a peça foi vendida a um preço acima de seu real valor, não possuindo os critérios que justificassem seu preço.

Se a joia possui certificado internacional de qualidade, for peça única e atender aos quesitos de pureza, cor e tamanho, é impossível que se desvalorize, reitera a especialista. Esses critérios devem ser considerados principalmente se o objetivo da compra for investir.
A oscilação do dólar também pode ser uma aliada para lucrar. “Quando o câmbio sobe, é uma boa oportunidade para vender a peça em dólares”, afirma Mariah, para quem uma joia deve ser, contudo, um investimento pessoal. “Não se compra para vender. Mas se um dia você precisar de dinheiro, pode conseguir um valor razoável.”
Penhor:  crédito barato e sem restrição
Operado apenas pela Caixa Econômica Federal, o penhor de bens é uma forma antiga de obter crédito. Pedras e metais preciosos podem ser dados como garantia para obter um empréstimo. Seu valor é determinado por especialistas do banco.
“Cada peça é pesada e avaliada conforme suas características, eventuais defeitos, atualidade da joia, presença de adornos e a composição da liga metálica”, explica a superintendente Nacional de Pessoa Física da Caixa, Lore Manica Ribeiro.
Com pedras preciosas, os critérios são mais rigorosos, segundo ela.  “O valor de pedras como o diamante é regulado pela sua disponibilidade, pureza, ausência de cor ou cor mais intensa, lapidação e peso".
Bracelete de jade: pureza, cor e tamanho determinam o valor de mercado da gema. Foto: Thinkstock
Caixa Econômica Federal realiza em média 34 leilões de joias por mês no Brasil. Foto: Thinkstock
Pedra de rubi: peça está entre as mais cobiçadas e valiosas, ao lado de esmeralda, diamante e safira. Foto: Thinkstock
Diamante: pedra não perde valor, desde que certificada . Foto: Thinkstock
Colar de prata: com alta do ouro, joalheiros aderem ao metal para tornar o mercado acessível. Foto: Thinkstock
Anéis de ouro: cotação do metal acompanha o mercado financeiro. Foto: Thinkstock
Bracelete de jade: pureza, cor e tamanho determinam o valor de mercado da gema. Foto: Thinkstock



O penhor é uma opção para quem não tem acesso a outras formas de crédito – além de ser uma das modalidades mais baratas. Os juros mensais ficam em torno de 1,5%, perdendo apenas das taxas do crédito consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ao redor de 0,75% ao mês. Pessoas com o nome sujo também podem penhorar, já que o banco não exige avaliação cadastral do cliente.
No ano passado, o volume de bens penhorados subiu 25%. O recorde histórico de empréstimos com penhor aconteceu em outubro de 2012, quando o valor acumulado das peças alcançou R$ 942,9 milhões.
Como o varejo avalia as peças?
No mercado varejista, o primeiro critério para determinar o valor de uma pedra é sua pureza, de acordo com Mariah. Quanto maior a presença daquele material – ouro ou diamante, por exemplo – na peça, mais ela vale.
A coloração vem em segundo lugar. Quanto mais viva e forte é a cor de um rubi ou esmeralda, por exemplo, mais cara ela é. No caso da opala, o material furta-cor em seu interior aumenta seu preço.
Alguns avaliadores também levam em conta a marca da joia para precificá-la na revenda, uma vez que algumas grifes são vistas como sinônimo de qualidade, como Bulgary ou H. Stern.
Metais como ouro e prata, no entanto acompanham a cotação do mercado financeiro, atualmente em torno de US$ 90 por grama. “Neste caso vão avaliar o valor do metal, independentemente da marca”, diz a designer de joias.
Preferência do brasileiro
No Brasil, as peças mais vendidas são em ouro 18 quilates, que possui 75% do metal, ligado a outros componentes em sua formulação. “É uma preferência cultural”, acredita Mariah. Esta composição é mais barata que o ouro 24 quilates – a forma pura do metal – e também mais fácil de ser trabalhado, por ser menos rígido e quebrar menos.

Mariah Rovery
Safira, esmeralda e diamante figuram entre as pedras mais cobiçadas no Brasil

Segundo a especialista, as pedras mais preciosas, e também mais cobiçadas no mercado, são o diamante, o rubi, a esmeralda, a safira, e mais recentemente a turmalina paraíba, que "entrou na moda" em todo o mundo, após ter sido descoberta em território brasileiro.
Mariah trabalha mais com ouro puro (24 quilates) banhado sobre a prata ou ouro 18, o que barateia a peça. Com a cotação do dólar muito alta – passou de US$ 40 por grama há cerca de seis anos para os US$ 90 atuais –, muitos joalheiros têm preferido trabalhar com a prata, para tornar o negócio mais acessível ao bolso. “É uma alternativa mais barata ao consumidor”, diz a designer.
O mercado da prata cresce de tal modo que a Caixa introduziu, em dezembro de 2012, a opção de objetos com o metal como garantia para o penhor.
O mercado do leilão de joias
Quando o proprietário de uma joia penhorada não honra o pagamento do empréstimo por mais de 60 dias, a peça segue para leilão na Caixa. Apenas 1,8% dos contratos de crédito tornam-se inadimplentes, segundo dados do banco. Destes, 77% acabam regularizando o pagamento. Os outros 23% seguem efetivamente para a venda, e em torno de 90% dos objetos ofertados são vendidos.
No catálogo para leilão disponível no dia 17 de agosto, os interessados encontram desde um brinco de ouro de 1,4 grama, com lance inicial de R$ 68, até um conjunto de anéis, brincos, colares e pingentes com diamantes com valor mínimo de R$ 16.151.
Qualquer pessoa jurídica ou pessoa física maior de 18 anos pode dar um lance nas peças, desde que apresente os documentos exigidos pelo banco. As regiões com maior concentração de contratos são Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte. A Caixa realiza cerca de 34 leilões por mês.
Exame

    Era uma vez um ambulante

    Era uma vez um ambulante

    Ex-vendedor de mexericas na rua, Ricardo Nunes é hoje o presidente da segunda maior rede de eletroeletrônicos do Brasil, que planeja faturar 9 bilhões de reais neste ano


    Odin
    (Foto: Redação VejaBH)
    No escritório: o único capricho de Nunes é poder conferir a perda dos cabelos em seu próprio banheiro
    No intervalo da novela das 9, enquanto assiste ao comercial da rede varejista Ricardo Eletro, a advogada Maria da Conceição Lopes Pereira, de 71 anos, lembra-se do menino franzino e falante que, trinta anos atrás, lhe vendia mexericas na porta da faculdade de direito em Divinópolis, a 124 quilômetros da capital. "Eu não queria entrar na sala de aula com aquele cheiro característico nas mãos", conta. "Para não perder a venda, ele mesmo descascava as frutas." Ainda que comercializasse toda a produção anual de tangerinas do Brasil, aquele garoto, hoje um homem de 42 anos, não conseguiria juntar nem 6% dos 9 bilhões de reais que sua empresa espera faturar neste ano com a venda de eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, móveis e outros produtos. A rede presidida por Ricardo Nunes, a Máquina de Vendas, que reúne cinco bandeiras (Ricardo Eletro, Insinuante, Eletro Shopping, City Lar e Salfer) e tem 1 100 lojas, tornou-se em abril a segunda maior do setor no país, atrás apenas do gigante Viavarejo, do grupo Pão de Açúcar, que tem as marcas Casas Bahia e Ponto Frio.
    O mineiro soube surfar nas ondas do consumo movido a crédito e da tão propalada ascensão da classe C. Escreveu seu nome na lista de empresários poderosos como Samuel Klein, o fundador das Casas Bahia, e Luiza Trajano, a presidente da rede Magazine Luiza, que acaba de perder para Ricardo, como ele é chamado por todo mundo, a vice-liderança no ranking dos maiores do setor. "Eu mesmo me assusto com o tamanho que atingimos", afirma. A carreira de vendedor começou prematuramente, aos 12 anos, depois que o pai morreu de infarto e ele resolveu fazer dinheiro com as mexericas que cresciam no quintal de casa. Ainda adolescente, pegou a estrada rumo a São Paulo para comprar bijuterias e revender na loja da mãe, a Marina Joias. Aos 18 anos, decidiu que já era tempo de apostar no próprio negócio. Abriu uma portinha para vender bichos de pelúcia e, apenas um ano depois, inaugurou a Ricardo Eletro, que de eletro não tinha quase nada. "Era uma batedeira aqui e um liquidificador ali só para justificar o nome", recorda o irmão Rodrigo Nunes, de 39 anos, que hoje é vice-presidente da Máquina de Vendas e braço direito do fundador da empresa. "Ele vendia os eletrodomésticos por um preço abaixo do custo para conquistar a clientela e recuperava o prejuízo com os ursinhos."
    A disposição para correr riscos, uma marca registrada do moço de Divinópolis, acabou por levá-lo do interior à capital. Para entrar no mercado de Belo Horizonte, onde hoje reina soberano, comprou redes tradicionais que, naqueles idos anos 90, enfrentavam dificuldades financeiras: Casa do Rádio, Mig e Kit Eletro. "O Ricardo sempre enxergou atrás da montanha", diz Rodrigo. "E nunca tirou os pés dos pontos de venda." Nem a frenética rotina de presidente de um grupo com tentáculos em todas as regiões do país fez Ricardo Elétrico, como costumam brincar seus amigos, abrir mão do compromisso que ele se impõe nas manhãs de sábado: visitar lojas. Acompanhá-lo nessas excursões é uma experiência enriquecedora. Ricardo não vai observar, e sim mostrar aos funcionários como se faz. Em apenas uma hora, é capaz de laçar oito pessoas na rua para irem até o balcão. Em um sábado de maio, pegou pela mão a vendedora Alessandra Santos, uma cliente em potencial que estava prestes a entrar no concorrente Ponto Frio. "O telefone custava menos na outra loja, mas ele acabou me dando desconto, como promete na propaganda", relatou ela, surpresa. Repetindo o mais conhecido de seus bordões, Ricardo explica: "É proibido perder venda".
    Apesar dos números bilionários que cercam seu negócio, o empresário, que não estudou além do curso técnico de contabilidade, continua levando uma vida relativamente simples. "Investi tudo o que ganhei, não tem nem quatro anos que deixei de pagar aluguel", afirma ele, que comprou seu primeiro apartamento no bairro Funcionários. Lá, mora com a mulher, Adriana, sua primeira e única namorada, e as filhas Laura, de 15 anos, e Lívia, de 12. Com elas, tem um pacto: em casa, trabalho não faz parte das conversas. "Aqui ele não fala sobre isso, só anota", confirma Adriana. Os papéis que Ricardo carrega são folclóricos. "Do lado da minha cabeceira sempre há algum para eu ir anotando as minhas ideias", diz, apontando três folhas avulsas com nada menos do que 37 itens marcados como "já cumpridos".
    Todas as manhãs, o presidente da Máquina de Vendas sai de seu apartamento com uma lista na mão. Enquanto um segurança dirige o Land Rover Defender rumo à sede mineira da empresa, em Contagem, Ricardo repassa as anotações que fez sobre as tarefas do dia. Só espera dar 8 horas para disparar vários telefonemas. O itinerário de casa até o escritório sempre dependerá das ligações que fizer e das respostas que escutar. Se a nova campanha promocional não saiu como o empresário esperava, o percurso pode incluir uma passadinha na agência de publicidade que o atende. Quando finalmente chega ao complexo que abriga os edifícios administrativos e o maior dos centros de distribuição da bandeira Ricardo Eletro, ele já está acelerado.
    Do lado de fora da sala onde se reúne com os diretores, é comum ouvir o repetido som de socos na mesa. Os ruídos podem parecer broncas, mas são apenas um hábito que ele não consegue largar. Seus funcionários já se acostumaram. O jeitão simples, que faz questão de conservar — está sempre de calça jeans e camisa social -, também se percebe em seu escritório. Sobre a mesa há apenas um suporte para balas e chocolates. O único privilégio que se permite é ter seu próprio banheiro. "Lá atrás, o que eu mais queria na vida era ter isso", confessa, orgulhoso da conquista.
    Embora já se destacasse no mercado tendo apenas a bandeira Ricardo Eletro - que, sozinha, deverá faturar 3,6 bilhões de reais em 2012 —, o empresário deu sua grande tacada em 2010, quando resolveu procurar o baiano Luiz Carlos Batista, fundador da rede Insinuante. O setor passava então por um processo de consolidação, com pequenas marcas sendo incorporadas pelas grandes. Ricardo percebeu que precisava antecipar uma jogada: ou encontrava uma forma para sair comprando, ou seria comprado. Forte na Região Nordeste, a Insinuante vivia cenário semelhante. Ricardo não teve pudores, ligou para Batista e alertou: "Precisamos nos unir". Juntos, os empresários passaram a dar as cartas. Apenas três meses depois da fusão das duas bandeiras na empresa Máquina de Vendas, em junho de 2010, eles se associaram à City Lar, de Mato Grosso, que tinha 200 lojas. Um ano mais tarde, abocanharam a Eletro Shopping, com sede em Pernambuco e 150 lojas espalhadas em seis estados do Nordeste. No último mês de abril, juntaram-se à Salfer, um grupo com 178 lojas no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Foi a compra da participação majoritária na rede catarinense que garantiu o segundo lugar no pódio dos varejistas.
    Com negócios no país inteiro, as viagens tornaram-se cada vez mais frequentes na rotina de Ricardo, que passou a usar um jato Premier, avaliado em 13 milhões de reais. Ele não se deixa fotografar no avião, diz que detesta ostentar e faz questão de frisar que o bem é da empresa, não dele. Garoto-propaganda das próprias campanhas, virou uma celebridade sempre disposta a agradar a um fã. Quando está nas lojas, chovem pedidos para tirar fotos a seu lado. Dificilmente ele seria descrito como uma pessoa reservada. A exposição, porém, não vai além da vida profissional. Ricardo não gosta de falar da vida pessoal e procura poupar a mulher e as filhas de aparições na mídia. Elas até dão entrevistas sobre o empresário, mas jamais posam para fotos. Ele também é avesso a badalações e não figura nas colunas sociais. O único programa do qual realmente gosta, segundo afirma, é ir com a família para a casa de campo que tem no condomínio Miguelão, em Nova Lima. Hobbies? Nenhum. Não gosta de futebol, não tem interesse especial pelo tênis — que joga eventualmente com outros empresários mineiros - e não aprecia a boa gastronomia. "Minha bebida favorita é Coca-Cola, prefiro cerveja a vinho e gosto mesmo é de comida mineira", resume.
    Na definição da mulher e da mãe, é um moço beeeeem família. Mesmo que chegue tarde em casa, faz questão de lanchar com as filhas, perguntar como foi o dia de cada uma e colocá-las na cama. Antes de dormir, cumpre o religioso hábito de telefonar para a mãe, que, aos 71 anos, tão ativa quanto ele, ainda trabalha na loja de joias em Divinópolis. "Às vezes Ricardo me liga à 1 hora da madrugada para pedir bênção e tenho de dizer: 'Menino, eu tomo remédio para dormir'." A matriarca dos Nunes gosta de lembrar dos tempos em que o segundo de seus quatro filhos estudava no balcão da joalheria. E sempre se emociona ao pegar a foto em que o menino toca piano. "Ele estudou por sete anos. Tocou no velório do pai, para se despedir."
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    (Foto: Redação VejaBH)
    Os números impressionantes do negócio o fazem ser apontado, país afora, como exemplo de empreendedorismo. Mas a vitrine tem seu preço. A posição de destaque também o colocou no alvo de toda sorte de especulação sobre seus métodos empresariais. Há quem diga que, para vender barato e honrar seu slogan, importa produtos desmontados do Paraguai e sonega impostos. Ele rechaça as acusações. "Tenho dezoito centros de distribuição no país, com caminhões da Brastemp, Philips e LG descarregando o dia inteiro. O Paraguai teria de trabalhar só para mim", argumenta. Nem tudo é só boato, porém. No ano passado, Ricardo Nunes foi condenado, em primeira instância, a três anos e quatro meses de reclusão por corrupção ativa do auditor da Receita Federal Einar de Albuquerque Pismel Júnior. Os advogados de Ricardo recorreram, alegando que o cliente não é corruptor, e sim vítima de extorsão. O processo corre em segredo de Justiça. Ele, que não fala sobre o caso, atribui os comentários à falta de informação. "Os balanços de minha empresa são auditados. Nem se eu quisesse conseguiria sonegar. Gente que não conhece meu sacrifício para erguer o negócio sempre quer me derrubar." Se ele fica chateado com as fofocas, não demonstra. Prefere mudar de assunto e falar das ideias que tem para driblar um fantasma que assombra todo o varejo: o alto nível de endividamento das famílias, o que vem provocando queda nas vendas e nos lucros. "Está mais suado conseguir resultado", afirma. O comprometimento do orçamento dos brasileiros com prestações de longo prazo, como as da casa própria e as do carro novo, é uma ameaça para os varejistas. Mais do que nunca, os funcionários das lojas estão proibidos de perder uma venda. "Problemas não me assustam", avisa. Desde menino, Ricardo tem uma convicção: quem mais apanha é também quem mais alcança o sucesso. E disposição para apanhar, garante, é coisa que não lhe falta. Vaidoso, ele só se queixa dos cabelos que caíram. "Meu pai tinha apenas umas entradas", lembra. "Mas tudo bem, ele era dono de uma loja e eu, de 1 000."
    Fonte: Veja

    Produção de diamantes no Brasil pode crescer até 10 vezes

    Produção de diamantes no Brasil pode crescer até 10 vezes

    Pedras preciosas

    Aumento é resultado da exploração da primeira jazida brasileira de diamantes primários, no município de Nordestina, na Bahia

    Divulgação/Governo da Bahia Em 2015, a produção brasileira foi em torno de 31,8 mil quilates, ao valor total na ordem de US$ 1,5 milhões
    Em 2015, a produção brasileira foi em torno de 31,8 mil quilates, ao valor total na ordem de US$ 1,5 milhões
    Com a exploração da primeira jazida de diamantes primários do País, iniciada em 2016, no município baiano de Nordestina, o Brasil deve dobrar a produção e a exportação de pedras neste ano e elevar os valores atuais entre 5 e 10 vezes nos próximos anos.
    Em 2015, a produção brasileira de diamantes foi em torno de 31,8 mil quilates, um total de US$ 1,5 milhão. A produção mundial, de acordo com o Sistema de Certificação do Processo de Kimberley (que controla mundialmente os dados de produção, importação e exportação dos países membros), foi de aproximadamente de 127,34 milhões de quilates, no valor de US$ 13,7 bilhões.
    No mesmo ano, o Brasil exportou cerca de 34,7 mil quilates ao valor total de aproximadamente US$ 5,7 milhões, ao passo que a exportação mundial foi de 351,4 milhões de quilates ao valor de US$ 42,4 bilhões aproximadamente. 
    A diferença entre a produção e a exportação ocorre porque na produção anual não são considerados os estoques remanescentes de anos anteriores.
    Boa parte da produção brasileira de diamantes é exportada, principalmente, para os Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Israel.
    Jazidas
    Além de Nordestina, o Projeto Diamantes do Brasil, em execução pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), tem revelado várias áreas com grandes possibilidades de se encontrar diamantes primários. As jazidas de diamantes primários são aquelas onde se extrai o diamante bruto diretamente da rocha geradora.
    Enquanto essas áreas não são totalmente estudadas, os diamantes secundários continuam a ser encontrados por garimpeiros e por pequenos mineradores, principalmente nas regiões de Coromandel e Diamantina, em Minas Gerais, além de algumas áreas nos estados de Goiás, Pará e Roraima. O projeto tem demonstrado que a grande maioria dos estados brasileiros possuem ocorrências de diamantes.
    Processo de extração
    A rocha primária de diamantes chama-se kimberlito, em homenagem à cidade de Kimberley (África do Sul), onde foram encontrados diamantes pela primeira vez em 1870, resultantes de estudos geológicos, de pesquisa e exploração mineral (e não por garimpos em rios).
    Antes disso, de 1725 a 1866, o Brasil foi o maior produtor de diamantes no mundo, sendo o local onde primeiramente se comercializou a pedra preciosa. Em 1860, foi descoberto o diamante Estrela do Sul, considerado um dos maiores do mundo com 128 quilates.

    Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério de Minas e Energia

    Essa rocha é um meteorito?

    Essa rocha é um meteorito?

    Meteorito palasito
    A motivação para escrever esse artigo veio das inúmeras consultas sobre como identificar meteoritos que tenho recebido através do site. Uma resposta para essa pergunta pode ser difícil até mesmo para os especialistas mais experientes. Não há profissão formal qualificada para essa análise. A que mais se aproxima é a de geólogo. Porém esses foram treinados para identificar rochas terrestres e a menos que um geólogo não tenha se especializado e experiência com meteoritos não irá conseguir fazer uma identificação melhor do que uma pessoa que tenha estudado e esteja habituada a fazer isso [1]. A vasta maioria de caçadores e colecionadores de meteoritos não é formada por geólogos e muitos deles adquiriram com o tempo uma grande experiência nessa área.
    Recentemente no caso de Varre-Sai tenho também visto muitos astrônomos que se tornaram especialistas em meteoritos de um dia para o outro. Provavelmente sem nunca ter visto um meteorito na vida. A mídia sensacionalista do Brasil na busca de noticias de impacto publica qualquer coisa que algum astrônomo disser sem mesmo saber se o fato é verdadeiro ou não.

    Para se ter idéia da raridade de uma descoberta através de material enviado para analise, uma instituição que analisa meteoritos nos EUA afirma que de cerca de mil espécimes enviadas geralmente uma é realmente um meteorito [2]. Ou seja, encontrar um meteorito não é fácil. Muitas pessoas me enviam fotos e já perguntam qual o valor mínimo que podem receber. Antes de tentar vender alguma amostra que eventualmente tenha encontrado ainda há um longo caminho a percorrer de testes e análises.

    A ideia desse artigo é apresentar algumas observações e testes simples que podem dar uma primeira indicação da origem extraterrestre de um material. Às vezes é possível ter um veredicto com alguns testes simples em outros casos somente testes mais elaborados de laboratório.

    Primeiramente, gostaria de separar a análise da amostra em três fases distintas: análise preliminar, análise da superfície externa e analise da região interna:

    Análise Preliminar

    O material que constitui o meteorito é em geral três vezes mais denso do que uma rocha terrestre. Um siderito é constituído essencialmente de ferro! Assim o que primeiramente se nota ao segurar um meteorito é seu peso relativamente maior do que uma rocha terrestre. Cerca de 99% dos meteoritos possuem o elemento ferro em sua constituição. Mesmos os condritos ainda possuem ferro, porem em muito menor quantidade que os sideritos. Assim o primeiro teste é verificar se a amostra é atraída por um ímã. Caso a atração seja fraca ou o material seja pequeno, é possível amarrar o imã a uma cordinha e aproximar o material do ímã (não o contrário!). Se houver alguma atração será possível perceber um movimento do ímã em direção ao material. Se o material não atrair o ímã a possibilidade de amostra ser um meteorito cai muito, para quase zero, mas ainda existe. Os tipos mais raros de meteoritos como acondritos tem essa característica. Esses também são os mais valiosos!

    Se o material não passar no teste do ímã a chance de ainda ser um meteorito é praticamente zero!

    Se o material atrair um ímã ainda não quer dizer que o mesmo já seja um meteorito. Muitos minerais terrestres têm essa propriedade. O tipo de material que é mais confundido com meteorito é a magnetita, um minério de ferro que atraí muito um ímã (daí vem o nome). Outro mineral é a hematita, que também pode ser ou não magnético. Para diferenciar esses dois tipos de materiais de meteoritos verdadeiros são possíveis fazer testes simples como riscar o material contra uma superfície áspera. Você pode utilizar um ladrilho de cerâmica para isso utilizando a superfície não acabada da mesma (a superfície onde é colada ao piso). Risque vigorosamente a amostra contra essa superfície e observe se a mesma deixa algum rastro. Se a amostra deixar um rastro preto/cinza (como um lápis), é provável que você tenha uma magnetita. Se o risco originado tiver uma cor avermelhada ou marrom é provável que a amostra seja uma hematita.
    hematita
    Risco vermelho - hematita
    magnetita
    Risco preto-magnetita
    Análise da superfície externa

    Geralmente a primeira coisa que conseguimos perceber ao tentar identificar um possível meteorito é o seu formato, cor e textura da superfície.

    Quando o meteoróide (o material recebe o nome de meteorito somente após ter sobrevivido a reentrada e se encontra na superfície terrestre) faz a sua entrada na atmosfera terrestre a parte externa do mesmo sofre fusão e muito material se perde nesse processo. Em geral o aspecto externo de um meteorito, por ter sofrido essa ação na reentrada, não apresenta pontas agudas ou cavidades, pois essas teriam sido cobertas pelo material fundido. Formatos com ponta, por sua vez, também não iriam sobreviver a reentrada, pois são muito mais frágeis.

    O formato externo às vezes pode também assumir aspectos aerodinâmicos logicamente originados no processo de reentrada. Devido a esse processo meteoritos não apresentam aspectos regulares como esferas ou sólidos de revolução.

    Em alguns casos também é possível observar pequenas marcas na superfície chamadas de remagliptos. Essas marcas se assemelham a marcas de dedos deixadas em uma massa de vidraceiro. Esses remagliptos são originados porque a superfície do material possui pontos de fusão diferentes. Tanto meteoritos rochosos como ferrosos podem apresentar esses remagliptos, porém essas características são bem mais pronunciadas nos meteoritos ferrosos. Veja essas estruturas em meteoritos ferrosos como o Sikhote-Alin:
    sikhote
    Remagliptos em meteorito

    Quanto à cor da superfície externa, pode haver muita variação. Um meteorito recém-caído, condrito ou siderito, vai apresentar uma crosta de fusão preta que vai se perdendo com o tempo.

    A figura abaixo mostra um meteorito recém-coletado após uma queda onde a crosta preta é facilmente observada:
    Borda fusão
    Borda de fusão
    Um condrito em ambiente terrestre perde a sua crosta escura que vai ficando marrom ligeiramente brilhante. Abaixo uma foto de um meteorito que já sofreu a ação do ambiente terrestre e perdeu boa parte da crosta de fusão preta. Nesses meteoritos também são observadas algumas rachaduras provenientes de dilatações e contrações contínuas ao longo do tempo.
    sem borda de fusão
    Sem borda de fusão
    Em relação aos meteoritos ferrosos ou sideritos, a grande maioria não teve a queda presenciada e são encontrados muito tempo depois. Em geral estão enterrados e a sua superfície externa já está totalmente oxidada.

    oxidado
    Sem borda de fusão bastante oxidado


    Com a finalidade de exibir a constituição interna de um siderito, removi toda a camada externa resultando na seguinte peça:

    stripped
    Meteorito sem camada externa



    Análise da região interna

    A análise da região interna deve ser feita somente depois que a amostra tenha passado pela análise da superfície externa.

    A região interna do meteorito é muito diferente do que se pode ver externamente. Uma análise dessa região é fundamental. Muitas pessoas que tentam analisar uma amostra não percebem essa diferença. Para os dois principais grupos de meteoritos (condritos e sideritos) vou descrever o que se espera e como se faz a análise. Em todos os casos é necessário fazer uma janela polida do material. Isso pode ser feito facilmente com uma lima e algumas lixas. Uma mini-retífica tipo dremel com um disco diamantado é muito prática para fazer essa janela. Meteoritos não possuem buracos ou vesículas em seu interior.

    Condrito: Em meteoritos cuja queda foi recente o interior da amostra é claro e vai escurecendo com o tempo. Nesse tipo de meteorito o que se observa em uma janela polida do material são dois tipos de estruturas:

    1) Côndrulos: Os condritos são formados por estruturas chamadas côndrulos (o nome condrito vem disso). Dependendo do tipo do meteorito esses côndrulos são mais ou menos visíveis e praticamente invisíveis em alguns casos. Uma nomenclatura de classificação de meteoritos rochosos ou condritos vem justamente dessa diferenciação dos condrulos. O tipo 3 é o que apresenta os condrulos mais definidos e consequentemente mais facilmente visualizados em uma janela polida. Segue abaixo uma foto de uma fatia do meteorito Buzzard Coulee evidenciando as estruturas chamadas côndrulos:

    condrito
    Condrito


    Veja abaixo uma ampliação da fatia com alguns côndrulos assinalados em vermelho:

    condrito
    Condrulos em detalhe


    2) Grãos de metal: Os condritos também contém uma pequena quantidade de ferro em seu interior. É por isso que um ímã também atrai a maioria dos meteoritos rochosos. Isso é facilmente visível através de uma seção polida. Onde é possível verificar a existência de pequenos grãos de ferro. Abaixo uma fatia do meteorito Lamesa (b) da minha coleção. Observe os pontos prateados no interior da seção. Esses pontos são formados de ferro e níquel!

    ferro em condrito
    Disseminação de liga de ferro em condrito


    Se o material em análise aparenta uma janela homogênea (sem côndrulos ou grãos metálicos) que não seja metálica, então não é um meteorito!

    Siderito:

    Uma janela polida de uma amostra candidata a siderito deverá apresentar um aspecto homogêneo brilhante com a cor de aço inox. Removendo a camada externa que pode ser a crosta de fusão ou uma camada oxidada o interior vai ser essencialmente ferro. Ainda é possível encontrar amostras de ferro que não são meteoritos e foram originadas em processos gerados pelo homem como em fundições (escória) ou em artefatos metálicos. Nesse caso uma análise mais profunda do material é necessária. É possível sem grandes dificuldades fazer dois tipos de análises nessa situação:

    Teste de Níquel: um siderito é composto de uma liga de Ferro e Níquel. “Meteoritos” suspeitos encontrados e que possam ter origem em algum processo de origem humana dificilmente conteria níquel. Para esse teste é usado um reagente que facilmente indicará a presença de níquel. O teste de níquel pode ser feito facilmente e deveria ser obrigatório em toda analise envolvendo possíveis sideritos.

    Estrutura de Widmanstätten: Também chamada de estrutura de Thomson (na verdade o descobridor), são figuras únicas de longos cristais de ferro e níquel encontrados em meteoritos ferrosos octahedritos e alguns palasitos. São constituídos pela sobreposição de bandas de tenita e kamacita (ligas com diferentes constituições de ferro e níquel). Sua formação somente pode ocorrer em ambiente extraterrestre. Para verificar se uma amostra apresenta a estrutura de Thomson, deve-se primeiramente preparar uma superfície bem polida. Após aplicar uma solução de acido nítrico e ferro chamada NITOL. A solução ácida irá atacar as ligas de ferro-niquel de maneira diferente. Parte da liga menos resistente irá ser removida com a solução ácida e alguns padrões serão formados.



    widmanstatten
    Estrutura de Widmanstätten



    Resumo

    Segue algumas perguntas que podem dar um forte indicativo para uma amostra em análise ser um meteorito:

    1) A amostra é densa? Um meteorito é cerca de duas ou três vezes mais pesado do que uma rocha terrestre com tamanho similar.

    2) A amostra é sólida e compacta?

    3) A amostra é atraída por ímã? Cerca de 95% dos meteoritos são atraídos por ímã.

    4) A amostra é preta ou marrom e apresenta uma superfície homogênea? A crosta de fusão de um meteorito recém-caído é escura. O ambiente terrestre irá fazer essa crosta preta ficar marrom.

    5) A amostra apresenta partículas prateadas em uma superfície cortada e polida? Essas partículas são compostas de ferro e também participam da constituição dos meteoritos rochosos.
      Fonte= Geólogo.com

    Estudo em meteoritos mostra que oxigênio era abundante na atmosfera terrestre primitiva

    Estudo em meteoritos mostra que oxigênio era abundante na atmosfera terrestre primitiva






    Até pouco tempo atrás acreditava-se que o oxigênio foi subitamente introduzido na Terra há 2,4 bilhões de anos e com ele muitas formas de vida anaeróbicas foram, consequentemente, extintas.

    Consequentemente os geólogos calculavam que no Arqueano existia uma atmosfera primitiva com menos de 0,001% de O2 que foi modificado em um evento chamado de a Grande Oxidação.

    Não é exatamente o que um novo estudo, publicado na Revista Nature, diz.

    Segundo Andrew Tomkins, um geólogo da Universidade Monash na Austrália, existia uma camada muita rica em oxigênio na atmosfera superior, já no Arqueano, antes da Grande Oxidação.

    A assertiva de Tomkins deriva de um estudo feito em micrometeoritos de 2,7 bilhões de anos, encravados no calcário de Pilbara .

    Tomkins percebeu que esses meteoritos se oxidaram na entrada da atmosfera quando atingiram 1000 graus centígrados. Segundo o geólogo a reação da liga de ferro-níquel com o oxigênio gerou microesferas de magnetita (Fe3O4) com texturas de resfriamento (foto).

    Isso só podia ocorrer se essa camada rica em O2, situada entre 70-90km de altitude segundo o geólogo, já estivesse em formação.

    Tomkins vai além e diz que esta camada superior já se assemelhava, no seu conteúdo de O2, já no Arqueano, à atmosfera atual.

    Com essa teoria muito do que se pensava em termos de paleoclima, química da atmosfera e da mineralogia e geologia do Arqueano deverá mudar.




    Autor:   Pedro Jacobi
    - O Portal do Geólogo