quarta-feira, 28 de junho de 2017

Novo Garimpo ilegal de ouro no Pará

Do alto, é difícil acreditar que um garimpo tão grande atue na ilegalidade: no meio da floresta densa, abre-se uma chaga de centenas de metros de terra exposta e água empoçada, em plena terra indígena mundurucu.
Na última terça-feira  seguindo denúncia das principais lideranças mundurucus, o megagarimpo foi alvo de uma operação do GEF (Grupo Especializado de Fiscalização), a unidade de elite do Ibama. A Folha acompanhou a ação.
Após viagem de 200 km desde a cidade Novo Progresso (PA), os três helicópteros da missão aterrissaram ao lado do igarapé Água Branca, que, sem a proteção da floresta, se transformou num jorro barrento cruzando a terra estéril.
Seis agentes portando armas longas foram escalados para a ação, em região considerada de alto risco. No ano passado, um PM que dava apoio ao Ibama foi morto por um garimpeiro. Em 2012, a PF matou um mundurucu durante a tomada de um garimpo ilegal.
O objetivo era destruir o maquinário, autuar infratores e levantar informações sobre os donos do garimpo, mas um incidente com um mundurucu fez com que a missão fosse interrompida após meia hora no solo.
Ao ver uma escavadeira, avaliada em cerca de R$ 500 mil, sendo incendiada, um índio avançou sobre um dos agentes, que usou spray de pimenta para pará-lo. Após desconfiarem que a situação sairia do controle, foi dada a ordem de retirada.
Os agentes estavam em ampla desvantagem numérica. No garimpo, há uma currutela (vila) de pelo menos 50 barracos –o local, que ocupa cerca de 400 hectares, segundo imagens de satélite, e dispõe até de pista de avião e de internet sem fio.
Apesar do pouco tempo no chão, o Ibama conseguiu apreender atas de reunião, informes e recibos de pagamento em ouro dos garimpeiros para a Associação Pusuru, de mundurucus da região.
No documentos obtidos, aparecem carimbos com CNPJ e assinatura dos coordenadores da organização, com sede em Jacareacanga (a 1.190 km a sudoeste de Belém, em linha reta).
Ao Ibama, o garimpeiro José Barroso de Lima, 60, dono de uma escavadeira, explicou que está no local há dois anos, após acordo com lideranças locais mundurucus pelo qual entrega 10% do ouro produzido –2% para a associação e 8% para uma das aldeias próximas.
DIVISÕES INTERNAS
A corrida do ouro tem criado tensão entre os mundurucus, etnia de 12 mil pessoas conhecida por protestos ousados, como a tomada por uma semana do canteiro de obras da usina Belo Monte, em 2013.
Principal liderança da etnia, o cacique geral, Arnaldo Kabá, protocolou ou apoiou denúncias de atividade garimpeira em terra indígena à Funai, ao Ministério Público e ao Ibama.
No ano passado, ele foi ao local pessoalmente, mas a reunião não teve resultado: "Fiquei triste porque o meu povo está com ideia tão diferente. Cacique pega ouro, mas não sei se está fazendo alguma coisa pela comunidade", disse à Folha, por telefone.
"A população está sofrendo muito com os garimpeiros brancos. A água está muito suja, muita tristeza, traz mercúrio, malária, diarreia", completou.
Embora em minoria, o envolvimento dos mundurucus é significativo. Apenas no garimpo Água Branca, 22 aldeias recebem pagamento em ouro, de um total de 123.
O número de aldeias participantes foi dado por Waldelirio Manhuary, uma das principais lideranças da associação Pusuru. Ele afirma que a cobrança do percentual é um direito pelo dano e afirmou que as lideranças contrárias ao garimpo não são representativas.
Por telefone, Manhuary afirmou que há no local dez escavadeiras e 19 máquinas para garimpo, usadas para lavagem do solo. Dessas, duas escavadeiras e oito máquinas pertencem aos mundurucus.
"Não somos bandidos. Ladrões são os de colarinho branco, os congressistas", afirmou.
Responsável pela fiscalização do sudoeste do Pará, a gerente executiva do Ibama em Santarém, Maria Luiza de Souza, afirma que, ao poluir os rios, o garimpo traz mortalidade de peixes e doenças para as comunidades indígenas, que em troca recebem um percentual muito pequeno da riqueza produzida.
"Não há aumento na qualidade de vida da aldeia, é um dinheiro que beneficia apenas o garimpeiro. O índio não fica com nada."
BALSA DESTRUÍDA
Em ação cinematográfica, agentes do GEF (Grupo Especializado de Fiscalização do Ibama) incendiaram uma grande balsa de garimpo dentro de área protegida, no sudoeste do Pará. A destruição foi criticada pela Câmara de Vereadores de Itaituba (1.300 a oeste de Belém), cidade que vive da exploração do ouro.
A balsa foi localizada no último dia 3 de junho durante fiscalização feita por três helicópteros do Ibama em trecho do rio Jamanxim que marca a divisa entre a Terra Indígena Sawré Muybu e Floresta Nacional Itaituba 2, ambas vetadas à mineração.
Por falta de local de pouso, três agentes do GEF, unidade de elite do Ibama, pularam do helicóptero para o rio, de forte correnteza, em trecho próximo à balsa. Outros três desceram em uma ilha de pedra e usaram um pequeno barco sem motor parado ali para atravessar o Jamanxim.
A reportagem da Folha, que acompanhou a operação, não foi autorizada a desembarcar por falta de segurança.
Antes de a balsa ser destruída, foram apreendidos um revólver e um caderno de contabilidade que demonstraria extração de ouro até a véspera da operação. As quatro pessoas na embarcação, todas empregadas do proprietário, foram liberadas. Não havia indígenas.
Chamada de escariante, essa balsa é considerada a mais nociva ao meio ambiente entre as encontradas no garimpo. Por meio de uma coroa rotativa apelidada de abacaxi, sua draga tem capacidade de perfurar o leito do rio em busca de ouro.
A embarcação pertencia a Luis Rodrigues da Silva, 64, o Luis Barbudo, presidente do Movimento em Defesa da Legalização da Garimpagem Regional.
Por telefone, ele afirma ter sofrido prejuízo de R$ 1,5 milhão e negou que estivesse garimpando no local.
"Não me deram oportunidade pra conversar, notificação, nada. A balsa estava parada no local havia 15 dias porque o motor quebrou. Como não consegui arrumar o rebocador nesse prazo, o Ibama passou e tocou fogo."
Na terça-feira (6), o garimpeiro recebeu o apoio de vereadores da cidade durante sessão na Câmara, que se comprometeu em aprovar uma moção de repúdio ao Ibama.
Segundo a chefe da fiscalização do órgão ambiental para o sudoeste do Pará, Maria Luiza de Souza, toda a região depende economicamente do crime ambiental, principalmente garimpo, exploração madeireira e a pecuária em cima do desmatamento, atividades em que é comum o envolvimento de políticos locais e grandes empresários.
"Da maneira que eu vejo, a exploração da Amazônia é insustentável. É aquela coisa do extrativismo: vamos tirar, acabar tudo e depois a gente vê o que dá."
Os jornalistas FABIANO MAISONNAVE e AVENER PRADO viajaram para a terra indígena mundurucu a convite do Ibama
Fonte: Folha de São Paulo

No Ceará, alunos de design usam pedra da região do Cariri para produzir joias

No Ceará, alunos de design usam pedra da região do Cariri para produzir joias


Uma rocha de calcário sedimentar laminado muito usada na construção civil, encontrada em grande quantidade na região do Cariri, no sul do Ceará – a pedra cariri – chamou a atenção de professores e estudantes do curso de Design de Produto da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e o grupo passou a confeccionar bijuterias e joias com o material
O resultado se traduziu em brincos, anéis e pingentes, feitos manualmente com a pedra, em conjunto com prata, latão e outras pedrarias. As peças foram expostas neste mês na mostra Fortaleza Brazil Stone Fair, na capital cearense, que reúne produtores de rochas ornamentais do país, e fizeram sucesso. Os estudantes que participam do projeto conseguiram fazer negócios com a inovação e também receberam amostras de outros minerais, como mármore e granito, para trabalharnovas ideias. Uma das características da rocha de calcário são os estratos horizontalizados que formam desenhos de linhas. Além disso, ela se apresenta em diferentes tons, que vão desde o ocre até o cinza.
As joias desenvolvidas pelo grupo de estudantes utilizam os rejeitos da pedra cariri, oriundos do processo de mineração nas jazidas e que normalmente são descartados na natureza, podendo gerar impactos como o assoreamento de riachos e a elevação do PH das águas.
“Para os estudantes que estão começando a empreender, esse é um material barato que pode ser beneficiado e vendido por um valor superior. Dependendo do perfil usado, a pedra apresenta umas linhas, que é da forma como ela foi sedimentada. É possível explorar a face da pedra que se deseja usar, pode-se brincar com isso”, disse a professora Ana Videla, coordenadora do curso de Design de Produto e do Laboratório de Joias da UFCA.
A estudante Dayane Araújo, do 8º semestre do curso, abordou essas características no conceito das joias que desenvolveu, que revelam geometrismos. Ela explorou as faces da pedra que mostram o processo de sedimentação, ocorrido no período Cretáceo, há 120 milhões de anos. Já Márcia Ferreira, do 5º semestre, representou animais e insetos fossilizados. O nome Pedra Cariri também se refere a um dos sítios do Geopark Araripe, que reúne áreas de preservação geológica e paleontológica no sul do Ceará.
Mineral
Por ser um mineral considerado mole (de média dureza, entre 4 e 5 na escala Mohs), a pedra cariri é de fácil moldagem e lapidação. No entanto, a característica também significa pouca resistência a impactos. Por causa disso, algumas peças receberam detalhes protetores em metais e os integrantes do laboratório estudam técnicas e substâncias para torná-la mais resistente após a lapidação.
“Uma das alternativas é utilizar resina. A pedra suga o material e fica mais resistente. Estamos analisando isso pelo viés da viabilidade financeira, mas creio que  não torne as peças caras, até porque a pedra em si não é cara. A formação do preço seria mais em virtude dos metais e das horas trabalhadas”, diz Dayane.
De acordo com Márcia, o laboratório envolve atividades que vão desde a conceituação e conhecimento das técnicas de fabricação até a ourivesaria, que mantém relação com um trabalho, onde cada peça é única. Por esse fator, o trabalho com Pedra Cariri não tem como fim a produção de joias em grande escala, mas sim estimular a atuação artesanal.
“Temos tem o interesse fortíssimo de comercializar, mas em escala artesanal, e não industrial. São peças feitas uma a uma, não saem todas iguais, têm identidade própria.” O grupo do laboratório de joias recebeu convite para expor suas peças em uma feira Verona, na Itália, e aguarda confirmação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece).
Fonte: IstoÉDinheiro

Apesar de criticar desmatamento, Noruega é dona de mineradora denunciada por contaminação na Amazônia

Apesar de criticar desmatamento, Noruega é dona de mineradora denunciada por contaminação na Amazônia


O governo da Noruega, responsável por duras críticas a políticas ambientais do Brasil na última semana, é o principal acionista da mineradora Hydro, alvo de denúncias do Ministério Público Federal (MPF) do Pará e de quase 2 mil processos judiciais por contaminação de rios e comunidades de Barcarena (PA), município localizado em uma das regiões mais poluídas da floresta amazônica.
Além de enfrentar ações na Justiça, a empresa até hoje não pagou multas estipuladas pelo Ibama em R$ 17 milhões, após um transbordamento de lama tóxica em rios por uma de suas subsidiárias na região amazônica, em 2009. Segundo o Ibama, o vazamento colocou a população local em risco e gerou “mortandade de peixes e destruição significativa da biodiversidade”.
Dono de 34,3% das ações da megaprodutora mundial de alumínio, o governo da Noruega ganhou manchetes em todo o mundo na última semana, após criticar publicamente o aumento do desmatamento na Amazônia. Despertando constrangimento na primeira visita oficial do presidente Michel Temer à Noruega, o país anunciou um corte estimado em R$ 200 milhões nos recursos que repassa ao Fundo Amazônia, destinado à preservação ambiental.Mas testes realizados pelo Laboratório de Química Analítica e Ambiental da Universidade Federal do Pará (UFPA) indicaram que um em cada cinco moradores da região onde estão as empresas norueguesas está contaminado por chumbo, com uma concentração do elemento químico no corpo sete vezes maior do que a média mundial.
Entre os efeitos tóxicos do chumbo no organismo estão doenças nos sistemas nervoso e respiratório, problemas no coração e efeitos “extremamente preocupantes” no desenvolvimento cognitivo de crianças, segundo o MPF.”Como acionista em várias empresas, o Estado norueguês tem expectativas claras em relação à responsabilidade social corporativa das empresas, incluindo questões ambientais”, afirmou o Ministério do Comércio, Indústria e Pesca do país à reportagem. A assessoria do ministério não comentou diretamente as multas do Ibama – que alega que a empresa “dificultou a ação do poder público” no exercício de fiscalização de infrações ambientais na área da empresa.
O governo da Noruega disse que a responsabilidade social é “parte central do diálogo entre o ministério e a empresa” e afirmou que foi informado, assim como os demais acionistas, das consequências do derramamento de 2009 pelos relatórios anuais da Hydro. Procurada, a empresa negou responsabilidade sobre os índices de contaminação registrados na cidade, disse que investe em soluções sustentáveis e no diálogo com comunidades e informou que o vazamento de rejeitos químicos de 2009 foi fruto de chuvas intensas.
A embaixada na Noruega em Brasília não quis comentar o caso.

Contaminação

Graças a uma rede de abastecimento de água que atende a apenas 40% da população local, os rios e poços artesianos são a principal fonte de água na região da pequena Barcarena – que viu sua população crescer em ritmo três vezes mais rápido que o do resto do país nos últimos 40 anos graças aos empregos gerados pelas mineradoras.
Formado por dezenas de ilhas e igarapés que deságuam em rios como o Icaraú, Tauaporanga e Barcarena, o município experimenta crescimento desordenado desde que se tornou um importante exportador de commodities minerais (bauxita, alumínio e caulim), vegetais (soja) e animais (gado vivo). À BBC Brasil, a Hydro questionou as pesquisas utilizadas pela Procuradoria da República, afirmando que os derramamentos da subsidiária Alunorte não representam “ameaças significativas nem para a vida humana nem aquática”.
A empresa também não comentou as multas aplicadas pelo Ibama, mas disse que busca diálogo transparente com todos os envolvidos no processo da mineração, que possui rigorosos sistemas de monitoramento de água, solo e ar e que “garantir uma conduta responsável com a sociedade é altamente importante em todas as fases das operações”.
Por meio da Hydro, o governo norueguês é acionista majoritário de duas grandes mineradoras na região: Albrás, que produz alumínio a partir da alumina (óxido de alumínio), e Alunorte, que realiza o processo de obtenção da alumina a partir da bauxita – ambas compradas da Vale, que ainda é acionista minoritária.
Desde o ano passado, o Ministério Público Federal exige que as duas mineradoras, ao lado de quatro outras empresas do polo industrial de Barcarena, forneçam “em caráter emergencial” dois litros diários de água potável por morador e “indenizem os danos ambientais e à população afetada pela contaminação”.
A procuradoria afirma que emissões destas empresas, em conjunto com as demais empresas da região, seriam responsáveis pela contaminação da área. ”O histórico de acidentes ambientais em Barcarena é impressionante, uma média de um por ano”, disse à BBC Brasil o procurador da República Bruno Valente, que assina a ação civil pública movida em 2016. ”O transbordamento de lama da bacia de rejeitos da Hydro afetou uma série de comunidades em 2009 e até hoje nunca houve uma compensação ou pagamento de multa”, afirmou.

Chuvas

A Hydro se exime de qualquer responsabilidade e diz que a tragédia foi fruto de um “período de chuvas intensas em abril de 2009″. A empresa norueguesa diz que tomou medidas de prevenção e correção após o episódio, incluindo reforços “da capacidade do sistema de drenagem”, nas “instalações de tratamento de água” e nos “planos de emergência” em casos de acidente.
Mas a coordenadora do laboratório federal que constatou índices de contaminação por chumbo em moradores da região, Simone Pereira, contesta os argumentos. ”Técnicos mostraram que a barragem já estava cheia e transbordaria de qualquer forma, não se pode atribuir a um fenômeno natural uma falha que é humana”, afirmou a coordenadora do Laboratório de Química Analítica e Ambiental da UFPA, criticando o que qualifica como omissão do governo norueguês em relação aos impactos de suas mineradoras na Amazônia.
“Se a Noruega está preocupada com o meio ambiente, não deveria só se preocupar com as árvores e o desmatamento, mas também com os rios, o solo, o ar e a população”, completou. À reportagem, a Hydro informou que “não conhece detalhes dos resultados apresentados pelo laboratório da UFPA e que “não há conexão” entre as atividades da empresa e “um suposto aumento nos níveis de chumbo encontrados na área”.

‘Hipócrita’

Para o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), que tem forte eleitorado na região, a contaminação dos rios locais é “toda fruto de vulnerabilidades no sistema de proteção das mineradoras”. ”A mão que afaga é a mesma que apedreja”, afirmou o deputado à BBC Brasil, citando os investimentos noruegueses contra o desmatamento. “Me parece hipócrita. Eles fazem na Amazônia o não fazem na Noruega, porque lá o controle é maior.”
Em 2012, segundo dados oficiais da Hydro, mais de 5.300 processos judiciais ligados a crimes socioambientais tramitavam em primeira instância contra a mineradora – a maior parte fruto do transbordamento registrado em 2009, ainda sem conclusão definitiva. Após a multinacional ganhar em 3.593 casos em primeira instância e 599 em segunda instância, aproximadamente 2 mil casos ainda aguardam decisão judicial. ”As decisões do tribunal após a primeira instância se baseiam no fato de que não há provas de que os autores sofram ou tenham sofrido os supostos danos relacionados ao derramamento de água contaminada com resíduos de bauxita”, diz a Hydro.
Segundo o MPF, entretanto, o episódio de 2009 pode ser considerado “o acidente ambiental mais grave da história do Distrito Industrial de Barcarena”. Para o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, que reúne 110 organizações, sindicatos e movimentos sociais, o caso da Hydro é “um alerta para a sociedade brasileira que é preciso discutir o modelo mineral brasileiro”.
“Não é possível que o presidente e o ministro de Minas e Energia saiam pelo mundo oferecendo novas minas ao capital estrangeiro, sem olhar o rastro de destruição social e ambiental que empresas norueguesas, canadenses e tantas transnacionais deixam no nosso país”, afirmou o comitê. Já a assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Alessandra Cardoso, ressaltou que moradores desapropriados pela empresa ainda aguardam indenizações garantidas por lei.
“Algumas comunidades abriram mão de continuar em seus locais de origem porque os igarapés foram contaminados, mas as empresas não cumprem seus compromissos, enquanto fazem uma enorme propaganda de que são responsáveis e sustentáveis”, disse. Segundo o Inesc, a empresa recebeu isenções fiscais de R$ 7 bilhões do governo brasileiro.
Fonte: BBC

Qual a importância das ferrovias para o desenvolvimento socioeconômico de um país?

Qual a importância das ferrovias para o desenvolvimento socioeconômico de um país?


A qualidade da vida urbana está associada à qualidade da mobilidade. E as ferrovias desempenham função primordial nesse contexto, pois trazem muitos benefícios para as comunidades por onde passam e para o país como um todo. Diante dessa importância das ferrovias, elaboramos uma série sobre o tema, dividida em duas partes. A primeira aborda a história das ferrovias no Brasil e os benefícios do uso desse meio de transporte. Já a segunda, que será publicada no dia 30 de junho, explica o papel desempenhado pelos trens da Vale nesse cenário.
A história da ferrovia nacional remete ao início do século, quando os trens eram de extrema importância para o escoamento das mercadorias. Devido à grave crise ferroviária, o governo decidiu privatizar o setor. Desde o início das concessões, nos anos 1990, o transporte ferroviário praticamente dobrou, segundo a Associação Nacional dos Transportes Ferroviários. A partir da medida, foram investidos mais de 50 bilhões de reais na criação de novas ferrovias, expansão de trechos e melhorias.

Criação de empregos

Em todo o Brasil, 80 mil pessoas trabalham em ferrovias. E tem muita gente com intenção de trabalhar no setor. Não é à toa que, quando são abertas vagas para condutor de máquina, o número de candidatos pode chegar a 6 mil em algumas localidades.
Patrimônio histórico
A ferrovia está geralmente associada a um determinado ciclo econômico. Com isso, ela se torna parte da história local e também das lembranças de moradores. Por isso, não é incomum objetos de vagões e histórias das ferrovias fazerem parte de exposições de museus de cidades, principalmente no interior. Em algumas delas, a ferrovia se tornou, inclusive, um patrimônio histórico.

Competitividade

As ferrovias transportam cargas que em sua maioria são matéria-prima para aparatos básicos da sobrevivência humana. Por isso, elas têm forte participação tanto na economia nacional quanto mundial, consequentemente tornando o mercado brasileiro mais competitivo.
Baixo custo
O transporte ferroviário tem baixo custo de frete e de manutenção, inexistência de pedágios, menor índice de roubos e acidentes, além de transportar grandes quantidades a longas distâncias. Quer mais?

Sustentabilidade

As ferrovias têm pouco gasto de energia e poluem menos o meio ambiente. Alguns trens da Vale, por exemplo, já utilizam biodiesel, combustível com menor impacto ambiental. Além disso, as ferrovias não correm risco de congestionamentos, que podem causar perdas de 156 bilhões de reais ao ano no país, segundo dados da Faculdade de economia da USP.E falando em sustentabilidade.
A Vale e a GE Transportation desenvolveram um sistema, inédito no Brasil, que permite conduzir automaticamente os trens da empresa por meio de um computador de bordo.O sistema, tecnicamente conhecido como Trip Optimizer, é mais um recurso à disposição do maquinista, como ocorre com o piloto automático de um avião. A tecnologia garante menor impacto ambiental, pois reduz o consumo de combustível em até 2,45%, proporciona uma economia de R$ 35 milhões por ano na compra de diesel para a ferrovia e redução de 22,7 mil toneladas de CO2 por ano.
Fonte: Vale

   

China relaxa mais restrições a investimento estrangeiro

China relaxa mais restrições a investimento estrangeiro


China reduziu em cerca de um terço nesta quarta-feira uma série de itens de restrição para o investimento estrangeiro, permitindo maior acesso a seus setores de serviços, indústria e mineração. Em novas orientações divulgadas conjuntamente pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e pelo Ministério do Comércio, o governo removeu 30 itens em comparação com a versão de 2015, deixando 63 na lista. As restrições levantadas no setor de indústria incluem as relativas a equipamentos de transporte ferroviário, motos, óleos comestíveis e etanol, segundo o comunicado.
As novas orientações entram em vigor em 28 de julho. Desde o final do ano passado o governo tem prometido adotar medidas para abrir mais a economia ao investimento estrangeiro. As medidas são tomadas no momento em que o presidente Xi Jinping busca projetar a China como líder mundial no combate ao protecionismo e defesa da globalização.
Fonte: Exame