sexta-feira, 30 de junho de 2017

ANÁLISE-Brasil enfrenta difícil tarefa de dizer "não" a investidor de energia renovável

ANÁLISE-Brasil enfrenta difícil tarefa de dizer "não" a investidor de energia renovável

sexta-feira, 30 de junho de 2017 17:51
 

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Turbina eólica é usada para gerar eletricidade em Fortaleza, no Brasil
26/04/2017
REUTERS/Paulo Whitaker
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Por Luciano Costa SÃO PAULO (Reuters) - Autoridades brasileiras têm enfrentado a difícil tarefa de dizer "não" a investidores globais ávidos por colocar bilhões de dólares em projetos de energia renovável no país mesmo em meio a uma enorme recessão. Principal mercado para renováveis na América Latina e um dos maiores do mundo, o Brasil sofre enorme pressão da indústria de energia para contratar novas usinas eólicas e solares, o que não acontece desde 2015. Mas uma sobrecapacidade de geração e custos adicionais para tarifa decorrentes de eventuais novas contratações de usinas geradoras exigem cautela, dizem especialistas do setor elétrico e autoridades. O governo pretende primeiro "arrumar a casa" antes de retomar as contratações, o que tem passado pela criação de novas regulamentações que permitem cancelar projetos problemáticos que não saíram do papel nos últimos anos e por estudos para uma revisão da regulamentação do setor. "Por mais que a gente seja tentado, não podemos escolher um segmento e dizer que ele está isolado da crise do país e que lhe daremos o que ninguém tem, uma demanda garantida... por mais que seja justificável, meu papel tem sido, no âmbito técnico, dizer não", disse o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa. Ao participar de evento do setor nesta semana, Pedrosa admitiu que há pressões de todo o tipo pela retomada das licitações, "inclusive políticas". Ele disse que o governo pretende retomar os leilões, mas ainda não é possível garantir quando. O Brasil contratou um recorde de novas usinas no período entre 2009 e 2015, mas a enorme recessão econômica levou a demanda por eletricidade a cair em 2015 e 2016, o que não acontecia no país desde 2009. Ao mesmo tempo, diversas usinas contratadas nesse período não conseguiram sair do papel devido à degradada situação financeira de alguns investidores, à falta de crédito com a crise e outras questões, como problemas com fornecedores. Agora, o governo tem apostado na inédita solução de descontratar usinas para verificar se há mesmo necessidade de novos empreendimentos mesmo em meio à baixa demanda. Diversos parques eólicos já rescindiram contratos, e em agosto o governo deve realizar novas descontratações, por meio de um leilão específico para cancelar projetos. "Acho que logo após isso a gente deve ter um panorama bem definido... após tudo isso, ouvindo o mercado, ouvindo as distribuidoras, aí sim vamos tomar uma decisão", disse o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho ao ser questionado sobre o tema em um evento nesta semana. O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., fez coro às falas do governo ao participar de encontro com investidores em energia solar. "Tem que ser sustentável... a primeira coisa é a gente resistir a algumas tentações, algumas facilidades", afirmou ele, ressaltando que é preciso ter clareza sobre a demanda por energia antes de realizar novos leilões. INDÚSTRIA PREOCUPADA A pressão a favor dos leilões tem sido movida por representantes de investidores que querem construir usinas e fabricantes de equipamentos, que temem ficar com fábricas vazias devido à ausência de novos projetos. No boom renovável dos últimos anos, o Brasil atraiu produtores de turbinas eólicas como a dinamarquesa Vestas, a norte-americana GE e a espanhola Gamesa, além de fornecedores solares como a chinesa BYD e aCanadian Solar. O crescimento das renováveis também gerou renda em cidades pobres do Sul e do Nordeste, o que tem feito políticos locais se somarem à pressão sobre as autoridades de energia do governo federal. Em janeiro, governadores do Nordeste foram a Brasília pedir mais leilões de usinas eólicas e solares. Mas o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rego, acredita que apenas a soma dessas pressões explicaria a retomada dos leilões com força já em 2017. "Tem que arrumar a casa, como está se fazendo... se o governo estiver em uma linha de olhar só oferta e demanda, vai fazer ano que vem. Se tiver muita pressão para que atenda à indústria, aí faz este ano, mas mais pela pressão, porque não precisa", disse. Por parte dos investidores, o interesse em renováveis tem crescido e a demanda não seria um empecilho, uma vez que os contratos oferecidos nos leilões de energia do governo são de longo prazo e garantem receita estável para as usinas independentemente do nível de consumo de eletricidade no país. IMPACTO TARIFÁRIO Uma das formas de contratar novas usinas no Brasil é em leilões promovidos pelo governo para as distribuidoras de energia, após estas preverem a demanda de seus clientes no futuro. Mas a decisão sobre leilões de energia também pode vir do governo, caso das usinas "de reserva", que não dependem da demanda das distribuidoras porque são contratadas para elevar a segurança do sistema. A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), que representa pesos pesados como Dow, Alcoa e outros, teme que uma contratação via leilão de reserva mesmo sem demanda represente mais custos em um momento já difícil para a indústria e consumidores. "Ainda existe sobreoferta... esse problema (de segurança do sistema) não existe hoje, por isso acho que um leilão aumentaria os custos para o consumidor desnecessariamente. Essa é a preocupação", disse à Reuters o presidente da Abrace, Edvaldo Santana, lembrando que os consumidores estiveram bastante pressionados nos últimos anos. As tarifas de eletricidade do Brasil subiram em média 61 por cento entre 2013 e 2017, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ante alta de cerca de 28 por cento na inflação, de acordo com dados do Banco Central.

Bovespa fecha em alta de 1% por cenário externo e acumula leve ganho no mês

Bovespa fecha em alta de 1% por cenário externo e acumula leve ganho no mês

sexta-feira, 30 de junho de 2017 18:02 BRT
 


 
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Por Flavia Bohone SÃO PAULO (Reuters) - O índice de referência do mercado acionário brasileiro fechou em alta nesta sexta-feira, acumulando leve ganho no mês, diante de um cenário externo mais tranquilo e com ganhos em commodities, mas com investidores ainda cautelosos com o cenário político conturbado. O Ibovespa fechou em alta de 1,06 por cento, a 62.899 pontos. Na semana, o índice teve ganho acumulado de 2,97 por cento, fechando o mês com leve alta de 0,3 por cento. O índice encerrou o segundo trimestre em queda de 3,21 por cento, no primeiro recuo depois de cinco trimestres de ganhos, mas ainda conseguiu acumular alta de 4,44 por cento no primeiro semestre do ano. O volume financeiro do pregão somou 6,15 bilhões de reais, abaixo da média diária para o mês até a véspera, de 7,05 bilhões de reais. Segundo operadores, o ajuste de carteiras para o fechamento do mês e do semestre também influenciou o movimento desta sessão, mas não indica tendência para os próximos meses, que seguirão no modo cautela diante da expectativa pelo desenrolar da crise política e seu impacto sobre o andamento das reformas no Congresso Nacional. Neste sentido, a reforma trabalhista deu mais um passo esta semana e o governo espera sua votação no plenário do Senado na próxima semana. Já a votação da reforma da Previdência parece menos provável neste momento. "Se passar, vai ser alguma coisa menor, muito desidratada", disse o economista da Órama Investimentos Alexandre Espirito Santo. O desempenho desta sexta-feria também foi respaldado pelo tom positivo em Wall Street, com os índices Dow Jones e S&P 500 fechando em leve alta na sessão e registrando o melhor primeiro semestre desde 2013. DESTAQUES - PETROBRAS PN subiu 1,56 por cento e PETROBRAS ON ganhou 1,46 por cento, em sessão de alta nos preços do petróleo no mercado internacional e após a empresa anunciar nesta manhã que poderá reajustar os preços do diesel e da gasolina com mais frequência, "inclusive diariamente". - BRADESCO PN teve alta de 1,81 por cento e ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,66 por cento, ajudando o tom positivo do Ibovespa devido ao peso dessas ações em sua composição. - SABESP ON subiu 2,76 por cento, respaldada pela conclusão da revisão tarifária da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que aumentou o otimismo sobre a revisão para a empresa paulista de saneamento e água, que deve sair em 15 de setembro. - COPASA ON, que não faz parte do Ibovespa, ganhou 3,36 por cento, após a conclusão da segunda etapa da revisão tarifária, com índice médio de aumento de 8,69 por cento, ante indicação anterior de alta de 4,06 por cento. - VALE PNA teve variação positiva de 0,11 por cento e VALE ON ganhou 0,35 por cento, devolvendo as perdas vistas mais cedo, em mais uma sessão de ganhos para os contratos futuros do minério de ferro na China, mas com os fortes ganhos recentes limitando o movimento. Os papéis preferenciais acumularam alta de 11,72 por cento nos sete pregões anteriores. - CSN ON avançou 4,51 por cento, liderando a ponta positiva do Ibovespa, também na esteira do desempenho dos contratos futuros do minério de ferro e do aço na China. USIMINAS PNA subiu 1,77 por cento e GERDAU PN teve valorização de 1,18 por cento. - FIBRIA ON perdeu 1,49 por cento, no pior desempenho do índice, após avançar quase 4 por cento na véspera. Como pano de fundo estava a negativa da empresa de que estaria em negociações com a Arauco sobre uma potencial parceria para compra de participação na produtora de celulose Eldorado Brasil, da holding J&F.

Wall St encerra semana volátil com leve ganho, mas registra forte alta no primeiro semestre

Wall St encerra semana volátil com leve ganho, mas registra forte alta no primeiro semestre

sexta-feira, 30 de junho de 2017 18:23 BRT
 

 
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Por Lewis Krauskopf (Reuters) - Os principais índices de ações dos Estados Unidos encerraram a sexta-feira em leve alta depois de uma semana volátil, impulsionados pelo balanço trimestral bem recebido da Nike, e com o S&P 500 registrando o melhor primeiro semestre desde 2013. O índice Dow Jones subiu 0,29 por cento, a 21.349 pontos, enquanto o S&P 500 ganhou 0,15 por cento, a 2.423 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 0,06 por cento, a 6.140 pontos. As ações da Nike subiram 11 por cento depois que a maior fabricante mundial de calçados divulgou lucro trimestral acima das estimativas e informou que iria lançar um programa piloto de vendas online com Amazon.com. As ações da Nike deram o maior impulso para o Dow Jones e o S&P 500. O índice de tecnologia do S&P caiu 0,1 por cento e registrou a primeira perda mensal do ano, enquanto o declínio nas ações de biotecnologia limitou o desempenho do Nasdaq. O setor de tecnologia levou o S&P 500 a subir 8,2 por cento neste ano, mas a recente queda sugere que os investidores podem estar embolsando os lucros para migrar para outros setores. As ações do setor industrial registraram o melhor desempenho, com avanço de 0,8 por cento. "Quando você olha algumas das ações que estão com um desempenho particularmente bom hoje, elas são algumas dessas ações economicamente sensíveis", disse Chuck Carlson, diretor executivo da Horizon Investment Services em Hammond, Indiana. "Durante uma época em que parece que ainda há uma quantidade razoável de negatividade a respeito da economia e do PIB, sempre que você tiver alguns dessas ações mostrando alguma força, provavelmente encoraja o mercado", disse Carlson. O S&P 500 registrou o maior ganho percentual no primeiro semestre desde a alta de 12,6 por cento nos primeiros seis meses de 2013. O Nasdaq registrou o maior ganho do primeiro semestre desde 2009. Os resultados corporativos do segundo trimestre devem começar a ser divulgados nas próximas semanas, com a expectativa de que as empresas do S&P 500 registrem um aumento de 8 por cento nos ganhos, segundo a Thomson Reuters I/B/E/S.

Governo vê Petrobras como credora em renegociação de contrato, quer pagar em óleo, diz fonte

Governo vê Petrobras como credora em renegociação de contrato, quer pagar em óleo, diz fonte

sexta-feira, 30 de junho de 2017 18:33 BRT
 


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Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo federal já decidiu que a Petrobras terá direito de ser credora na renegociação com a União do contrato de áreas do pré-sal cedidas à petroleira no processo de capitalização realizado em 2010, e a ideia é pagar a estatal com barris de petróleo excedente aos 5 bilhões de barris de óleo equivalente que fizeram parte do acordo, disse a Reuters uma autoridade nesta sexta-feira. Estima-se que haja um excedente de pelo menos 5 bilhões de barris ao volume negociado com a Petrobras na região da cessão onerosa, como ficou conhecida a área cedida pelo governo à estatal, segundo a fonte do governo. Essas reservas adicionais ao que já foi acertado com a Petrobras serão utilizadas para os pagamentos devidos à estatal. "É certo que a Petrobras tem que receber", disse a fonte do governo na condição de condição de anonimato, na semana em que o governo já começou a receber documentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que serão utilizados no cálculo. O cálculo sobre o montante devido à Petrobras em função da renegociação do contrato ainda vai ser feito com mais precisão. Mas, independentemente do valor, a União não tem condições de realizar o pagamento em dinheiro, uma vez que projeta um déficit de cerca de 139 bilhões de reais este ano. Na época da capitalização, a petroleira pagou à União o equivalente a 42,5 bilhões de dólares. Mas uma renegociação de algumas variáveis do contrato, como o preço e o câmbio, estava prevista desde o início, após a declaração da comercialidade das áreas. "A Petrobras pagou por 5 bilhões (de barris) e dizem que o excedente é de pelo menos 5 bilhões (de barris). Estamos vendo o número. Vamos ver o que a Petrobras tem a receber nesse excedente e o restante fica para a União", declarou a fonte "Veremos quanto a Petrobras tem para receber e transformamos em barris, pois não temos como pagar em dinheiro", adicionou a fonte. Ao ser questionada se haveria algum impedimento legal para o pagamento em barris, a fonte revelou que há solução para eventuais impasses nesse sentido, como eventualmente mudança na legislação. "Dizem que tem isso aí, mas não temos dinheiro... Então, o que vai se fazer é pagar em barris e aí a Petrobras monetiza isso", explicou. (Edição de Roberto Samora)

Brasil tem pior déficit primário para maio, de R$30,736 bi, mostra BC

Brasil tem pior déficit primário para maio, de R$30,736 bi, mostra BC

sexta-feira, 30 de junho de 2017
 

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Sede do Banco Central, em Brasília. 16/05/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
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Por Marcela Ayres BRASÍLIA (Reuters) - O setor público consolidado brasileiro registrou déficit primário de 30,736 bilhões de reais em maio, recorde para o mês, em meio ao contínuo descompasso entre receitas em queda e despesas em alta e que coloca em xeque o cumprimento da meta fiscal deste ano. Em pesquisa Reuters com analistas, a expectativa para maio era de rombo primário de 21,05 bilhões de reais. O resultado foi o pior para o mês desde o início da série do Banco Central em dezembro de 2001. O BC informou nesta sexta-feira que o governo central (governo federal, BC e INSS) registraram déficit primário de 32,106 bilhões de reais no mês passado, enquanto os governos regionais (Estados e municípios) tiveram superávit primário de 894 milhões de reais. No período, as empresas estatais também conseguiram fazer economia para pagamento de dívidas, com saldo positivo de 475 milhões de reais. Na véspera, o Tesouro Nacional já havia divulgado déficit recorde para o governo central, pressionado principalmente pelo forte aumento das despesas. O governo, que enfrenta forte crise política, tem tentado garantir o andamento da reforma da Previdência no Congresso Nacional, a fim de colocar as contas públicas do país em ordem. META AMEAÇADA No acumulado em 12 meses até maio, segundo o BC, o déficit primário do setor público somou 157,707 bilhões de reais, ou 2,47 por cento do PIB, acima da meta oficial de déficit de 143,1 bilhões de reais para 2017. O objetivo inclui rombo de 139 bilhões de reais do governo central, de 3 bilhões de estatais federais e de 1,1 bilhão de reais de Estados e municípios. Membros da equipe econômica vêm ressaltando o compromisso com o cumprimento da meta, que representará o quarto resultado negativo consecutivo do país, já sinalizando que aumento de impostos está sendo analisado. Como o governo não tem conseguido economizar para pagar os juros da dívida pública, o país segue se endividando para arcar com seus compromissos. Em maio, ainda segundo o BC, a dívida bruta foi ao patamar recorde de 72,5 por cento do PIB, contra 71,3 por cento em abril. Já a dívida líquida atingiu 48,1 por cento, acima de 47,4 por cento do mês anterior. A expectativa em pesquisa Reuters era de que ficasse em 48 por cento do PIB.