domingo, 17 de setembro de 2017

“Obsidiana” ou “vidro-da-terra”

“Obsidiana” ou “vidro-da-terra”



“OBSIDIANA” OU “VIDRO-DA-TERRA”
Infelizmente os mercados de minerais, de gemas e de cristais esotéricos têm sofrido com um grande número de erros de classificação ( intencionais ou não ), bem como fraudes de diversos tipos. Isso leva os compradores menos preparados ou desatentos a adquirir “gato por lebre”, bem como dificulta o trabalho dos comerciantes honestos que têm de competir com imitações de menor ou nenhum valor.
Daremos ênfase ao que ocorre no mercado de minerais para coleção e de cristais esotéricos, pois no caso das gemas existe uma estrutura bem montada de laboratórios gemológicos que vêm sistematicamente estudando e publicando informações sobre materiais sintéticos e processos de modificação de cor, o que não ocorre na mesma escala no caso dos minerais e dos cristais.
No primeiro número desta série abordaremos uma fraude bastante atual, que é tentar classificar VIDRO como “OBSIDIANA” ou “VIDRO-DA-TERRA”.
A obsidiana é um vidro natural, sem estrutura cristalina nem composição química constante, encontrado no interior de lava vulcânica. Ocorre em vários países do mundo, mas apenas onde houve vulcanismo relativamente recente ( o que não é o caso do Brasil, onde as mais recentes erupções vulcânicas ocorreram há cerca de 40 milhões de anos! ). As cores são sempre muito escuras ( marrom, marrom-esverdeada, marrom-avermelhada ou preta ), e o material é, com raras exceções, translúcido ou opaco.
Como se trata de material de baixo valor seu uso como material ornamental se restringe à produção de pedras roladas, ovos, esferas e esculturas ( com a exceção da “obsidiana arco-íris” ou “rainbow obsidian”, encontrada no México ). As variedades naturais mais conhecidas são as seguintes:
– OBSIDIANA “LÁGRIMA-DE-APACHE”



– ocorre no Arizona como nódulos semi-esféricos ou alongados, de cor marrom-escura, translúcidos ou quase transparentes, medindo até cerca de 5 cm, e encontradas em solos resultantes da decomposição recente de lavas vulcânicas claras denominadas “perlitas”.


– OBSIDIANA “LÁGRIMA-DE-APACHE” NA PERLITA


– OBSIDIANA “FLOCOS-DE-NEVE”



– é um material preto opaco com nódulos brancos com aparência de flocos de neve ( causados pelo início de formação do mineral “cristobalita” ), é encontrada no estado do Utah, USA.
– OBSIDIANA “DOURADA”



– ocorre no México, tem cor marrom-esverdeada muito escura, translúcida, e apresenta inclusões tubulares, ocas, que proporcionam reflexões internas da luz do tipo “olho-de-gato”; os índios aztecas e os toltecas a utilizavam intensivamente na confecção de esculturas, ferramentas e pontas de flecha.
– OBSIDIANA “MOGNO”



– ou obsidiana “mahogany”, tem cor preta, opaca, com manchas marrom-avermelhadas, ocorre no México bem como em vários estados norte-americanos ( Arizona, Califórnia, Novo México e Oregon ).
– OBSIDIANA “ARCO-ÍRIS”



– é a variedade mais valiosa, consiste de uma matriz negra, opaca, com zonas internas iridescentes, o que resulta, ao se lapidar o material em cabochão ou na forma de coração, em reflexões internas verdes/ roxas/ azuis/ vermelhas. A ocorrência mais importante se localiza no México
Por outro lado, os vidros, sintéticos, vendidos fraudulentamente como “obsidianas” ou “vidros-da-terra” são verdes ou azul-esverdeados, completamente transparentes, o que jamais foi visto em obsidianas naturais. Sua ocorrência natural é geologicamente impossível: o solo, onde essas “obsidianas” teriam sido encontradas ( é sempre a mesma história, um garimpeiro de “total confiabilidade”, “que não mente”, encontrou a peça escavando a terra, ou um fazendeiro também “totalmente confiável” coletou-a do mesmo modo ), provém sempre da decomposição de uma rocha, seja ela sedimentar, metamórfica ou ígnea; nos dois primeiros casos jamais poderá ser encontrada uma massa de vidro natural, e as rochas ígneas encontradas no Brasil não são do tipo lava vulcânica extrusiva, que poderia conter massas de obsidiana natural ( mas nunca grandes, transparentes e azuis ); as lavas vulcânicas que existiram no Brasil há mais de 40 milhões de anos já foram completamente erodidas.
Recebemos recentemente uma oferta de uma fantástica “obsidiana verde” de 53 kg. A pedra é a das fotos abaixo.





Fonte: Joia br

O periclásio é um óxido de magnésio, MgO


PERICLÁSIO
O periclásio é um óxido de magnésio, MgO. Cristaliza-se no sistema cúbico, normalmente sob a forma de octaedros, mas que raramente excedem 2 mm de comprimento.
A cor pode ser incolor, branco-acinzentada, amarela, amarela-amarronzada, verde ou preta; o brilho é vítreo, o índice de refração é relativamente alto (1,74); a dureza é 5,5 e a densidade é 3,56.
Os cristais exibem clivagem cúbica perfeita, de onde saiu o nome do mineral, derivado de uma palavra grega que significa “quebrar em volta”.
É um mineral relativamente raro, encontrado em calcários metamórficos magnesianos formados em ambiente de alta temperatura.
No site www.mindat.org, que é uma das melhores fontes de referência para quem busca informações sobre qualquer mineral, estão publicadas apenas 8 fotos de periclásios, o que mostra como o mineral é raro e normalmente não-fotogênico; a mais bonita é de um cristal verde, medindo 2 mm, proveniente da Suécia; todas as demais fotos são de cristais brancos ou cinza.
PERICLÁSIO SINTÉTICO
Há cerca de 10 anos surgiram no mercado amostras de periclásio de cor verde-maçã, transparentes, medindo até mais de 5 cm; foram vendidas como periclásio natural, supostamente provenientes de “um lugar secreto na Bahia”, e vários lotes foram lapidados e vendidos fraudulentamente como gemas naturais.
Periclásio sintético
O que apuramos é que a Magnesita S.A., que opera jazidas na região da Serra das Éguas, em Brumado, BA, e é a maior produtora de materiais refratários no hemisfério sul, importa periclásio sintético, de alta pureza, que é usado como padrão em seus laboratórios de análises químicas para controle de qualidade de seus produtos, e que alguém ou teria desviado peças do estoque da Magnesita ou feito uma importação direta com a finalidade de vender o material fraudulentamente como natural; essa é uma possibilidade plausível pois periclásio sintético nunca é encontrado numa feira internacional de minerais ou de gemas, assim sendo nenhum comerciante brasileiro ou estrangeiro teria a oportunidade de conhecer esse material e se sentir tentado a trazê-lo ao Brasil para fazer dinheiro fácil iludindo compradores incautos.
Periclásio sintético
É muito fácil distinguir um periclásio natural de um sintético: simplesmente não existem periclásios naturais de qualidade gemológica que meçam mais do que poucos milímetros, e devido à raridade do mineral e das características de suas ocorrências é extremamente improvável que algum dia peças maiores sejam encontradas

Fonte: Geologo.com

Zeólitas: Ocorrência “Das Antas”

Zeólitas: Ocorrência “Das Antas”


Até a década de 60, ocorrências de zeólitas de tamanho considerável eram conhecidas apenas na Islândia, Ilhas Faroé, Alemanha, Hungria, Áustria, Austrália e outras menores. Na América do Sul, não existiam registros.
Foi neste contexto que surgiu a ocorrência que viria a ser mundialmente conhecida como “Das Antas”: apofilitas verdes e escolecitas incolores com até 20 cm de aresta associadas a outros minerais e encaixadas no basalto encontradas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
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Algumas destas peças foram para museus como o Instituto Geológico de Heidelberg, o Museu Geológico de Barcelona e o Smithsonian Institute, em Washington D.C. Outras permaneceram em solo nacional e são comercializadas entre colecionadores brasileiros.
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Fonte: Geologo.com

QUARTZO C MARCAS DE RAIO

QUARTZO C MARCAS DE RAIO
Quartzo com marca de raios… o que será isso??

Essa excepcional curiosidade científica e esotérica tem sido muito estudada recentemente, tanto em pesquisas acadêmicas como por pessoas reputadas no meio esotérico como “altamente sensitivas”.
Peço desde já perdão aos puristas, pois a linguagem que usaremos será totalmente voltada à compreensão do conceito por parte de pessoas leigas.
Quartzos com marcas de raio são cristais de quartzo que apresentam fraturas em forma de “rastros” em sua superfície, como ilustra a foto abaixo, e que resultam do choque gerado pelo impacto de um raio na rocha onde o quartzo se formou (notem que o impacto do raio foi no solo, não no cristal em si).
Tais fraturas apresentam-se com características muito peculiares que evidenciam que foram criadas “de dentro para fora” (foto abaixo), ou seja, não resultam de qualquer agressão feita ao quartzo de forma intencional.

Dados científicos
Como se sabe, o quartzo possui propriedades piezoelétricas, ou seja, sofre contrações e distensões em seu volume quando submetido a variação de voltagem em seus extremos, sendo por isso utilizado em larga escala na fabricação de relógios.
Foi comprovado através da pesquisa abaixo que tal contração/expansão sob o efeito de uma descarga de altíssima voltagem produz nos quartzos o mencionado rastro.
A explicação científica vem de um estudo feito pelo professor Joachim Karfunkel, da UFMG, em parceria com vários colegas de universidades no exterior, como a de Viena, Áustria, Ilmenau, na Alemanha, e do United States Geolocical Survey de Denver, Estados Unidos, entre outros.
O estudo teve por meta constatar a veracidade da história contada pelos garimpeiros da região da Serra do Espinhaço a respeito dos cristais de quartzo por lá encontrados e que apresentavam os tais “rastros”, sendo chamados por eles de “pedra de raio”.
O estudo incluiu desde análises de campo, avaliando dados na superfície das áreas de lavra aonde as “pedras de raio” foram encontradas, onde havia sinais de descargas elétricas sobre o solo, até testes em laboratório, feitos na Universidade de Viena, onde cristais intactos de quartzo da mesma região foram submetidos a descargas elétricas de características semelhantes às de um raio, e que efetivamente produziram nos cristais a mesma marca encontrada nas “pedras de raio”, comprovando assim a interessante tese.
Características esotéricas
Como consta no livro “Love is in the Earth”, da nossa querida Melody, o quartzo com marcas de raio faz parte do grupo conhecido como “Grand Formations”, aqueles a serem utilizados durante as grandes mudanças na Terra. Auxilia a superação de choques e traumas, canalizando a energia da luz na direção desejada, trazendo também a energia do amor com a intensidade de um relâmpago. Facilita espíritos inquietos a fazerem a transição entre os planos físico e espiritual de forma menos traumática. Trabalha no a tendência à inércia que muitas vezes fazem com que o indivíduo aceite a opressão, trazendo força e coragem para mudanças.


Fonte: CPRM

Identificações erradas e fraudes

Uma fraude clássica é a colagem de cristais de diamante e/ou de pequenos grãos de ouro no conglomerado, que são vendidas para colecionadores incautos ou para turistas como sendo peças naturais. Abaixo temos um exemplo típico – a primeira foto mostra a peça inteira, e as demais as montagens em detalhe. Ao clicar nas fotos, elas poderão ser visualizadas em tamanho maior.

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Conglomerado com ouro e diamante colado
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Detalhe do diamante colado
Ouro colado
Ouro colado em destaque

Tanto o diamante como o ouro são encontrados naturalmente nos conglomerados na região da Serra do Espinhaço e adjacências, que se estende do centro ao norte de Minas Gerais. São rochas metamórficas muito antigas, com mais de 1 bilhão de anos de idade, que contêm o resultado da erosão de rochas pré-existentes, inclusive kimberlitos, gerando rochas sedimentares que continham os diamantes, essas rochas desceram na crosta terrestre, e por ação de alta pressão e temperatura se transformaram em rochas metamórficas (quartzitos e meta-conglomerados); essas camadas voltaram posteriormente a se elevar, chegaram de volta à superfície e  foram então novamente erodidas, liberando os diamantes e o ouro (que não se originou em kimberlitos mas em outras rochas que sofreram o mesmo processo de erosão, transporte e metamorfização), gerando os ricos depósitos aluvionares que foram descobertos e intensivamente explorados nos séculos XVII e XVIII.  Na foto abaixo vemos uma excelente amostra  de diamante – um cristal natural, com ótima transparência.
Diamante - cristal natural
Cristal perfeito de diamante
É, portanto, possível encontrar grãos de ouro e/ou de diamante dentro dos conglomerados, mas devido ao colossal volume dessas rochas a chance de se encontrar a olho nu uma dessas amostras mineralizadas é extremamente baixa. Em nenhum garimpo nem em nenhuma mina industrial se tenta ver um ouro ou diamante na matriz, nos garimpos não se desagrega o conglomerado mas sim é processada rocha naturalmente desagregada, e nenhuma amostra é manuseada, o material é concentrado em bateias ou em “jigues” e o ouro e o diamante são concentrados gravimetricamente, os grãos que estiverem dentro do conglomerado vão ser certamente descartados junto com o rejeito da mina. Alguém pode até encontrar uma amostra nesses rejeitos, mas a chance é tão pequena que essas amostras legítimas deveriam ser extremamente raras.
Conglomerado com diamante colado
Conglomerado com diamante colado
Mas não é isso que acontece, existem em Diamantina e outras cidades da região verdadeiras linhas de montagem de ouro e diamantes nos conglomerados; alguns “artistas” (do mal!) colocam algumas vezes dois ou até mais cristais de diamante num mesmo conglomerado, ou então um cristal de diamante e ou grão de ouro, o que seria uma quase impossibilidade estatística de ser encontrado naturalmente. São peças, na minha opinião, desprovidas de qualquer valor, e não merecem pertencer a coleções de minerais sérias.
Diamante colado em conglomerado
Diamante colado em conglomerado
No último show de Tucson um comerciante americano tinha uma mesa cheia dessas amostras, com certeza (devido à quantidade) todas são fraudadas; um comerciante de Governador Valadares também adquiriu há poucos meses várias dezenas de peças, certamente também nenhuma é legítima.
Prezado assinante, caso você tenha uma peça dessas na sua coleção pode ter certeza de que ela deve ter sido montada. Recomendamos que ninguém compre esse tipo de material.

Fonte: BBC