quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Reserva Roosevelt – Garimpo Ilegal Numa das Maiores reservas de Diamantes do Planeta

Reserva Roosevelt – Garimpo Ilegal Numa das Maiores reservas de Diamantes do Planeta



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O Presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt (1858-1919). Depois que seu mandato finalizou, decidiu empreender uma expedição na selva amazônica brasileira, contou com o apoio, de  Marechal Cândido Rondon em (1865-1958), um indigenista profundo conhecedor  das questões amazônicas. A expedição (realizou-se entre 1913 e 1914), tinha o objetivo oficial de explorar o chamado “Rio da Dúvida”, um misterioso rio escondido na selva tropical, da qual ignorava-se o lugar exato de suas fontes e também da sua desembocadura. A expedição começou na cidade de Cárceres, situada a margem do Rio Paraguai.
No dia 27 de fevereiro de 2014, os  participantes da expedição chegaram nas proximidades do  “rio da Dúvida”. Com a forte presença  de insetos portadores de malária e outras enfermidades, o grupo dividiu-se: uma parte continuou explorando o curso do rio e a outra parte dirigiu-se ao Rio Madeira. Várias são as teorias que motivaram essa expedição, empreendida Por Theodore Roosevelt. Dentre elas:  O projeto de criar áreas protegidas no Brasil, teria a finalidade  de preservar enormes riquezas que seriam exploradas em um outro momento. A outra hipótese, seria a existência de uma grande mina de diamantes. Comprovada posteriormente a existência das minas de diamante na Reserva Roosevelt. Logo comprovou-se, que o Rio da Dúvida, depois de batizado Rio Roosevelt, é na realidade um afluente do Rio Madeira, e tem suas fontes próximo da cidade do Espigão do Oeste no Estado de Rondônia.
Em 1960, o Rio Roosevelt foi cenário de um massacre de proporções enormes: aproximadamente 3500 indivíduos de etnia Cinza Larga (idioma Mondé), foram envenenados com arsênico pelos mercenários sem escrúpulos pagos por empresários ilegais.Na década de 1960, os Cinta Larga foram protagonistas do chamado ‘Massacre do Paralelo 11’, que ficou famoso na comunidade internacional pelos meios cruéis utilizados para a sua extinção. O episódio resultou em uma condenação contra o Brasil no cenário internacional, obrigando o País a extinguir o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e a criar outro organismo de apoio aos indígenas, a atual Fundação Nacional do Índio (Funai). Na época, a etnia era formada por cerca de 5 mil indivíduos. Da tentativa de extermínio, só restaram 1.760, conforme dados do Instituto Socioambiental.
O repertório de crueldades que fez a fama do ‘Massacre do Paralelo 11’ incluiu a distribuição de açúcar envenenado com estriquinina e objetos infectado de varíola, bombas lançadas por aviões, estupros e índias penduradas e retalhadas por facões,  além de brinquedos envenenados para as crianças. Uma destas ações foi registrada em depoimento do seringueiro Ataíde dos Santos dado a uma comissão liderada pelo procurador Jader de Figueiredo Correia – que apurou a matança  de comunidades inteiras, torturas e toda sorte de crueldade praticadas contra indígenas em todo o País na década de 1960.
Nos anos seguintes muitos garimpeiros ilegais de diamantes, entraram  na reserva, alojando, nas proximidades da Reserva com o intuito de contrabandear as pedras preciosas. A exploração ilegal das pedras preciosas, que ganhou força em 1998 e chegou a reunir 5 mil garimpeiros, em 2004, mudou a vida dos índios. O Ministério Público Federal estima que vivem cerca de 2.500 Cinta Larga nas Terras Indígenas Roosevelt, Serra Morena, Parque Aripuanã e Aripuanã, que ficam na divisa dos estados de Rondônia e Mato Grosso. O garimpo levou às reservas danos ambientais às florestas rios e lagos, drogas, prostituição, mortes, processos na Justiça, e aos índios a fama de milionários e o estigma de assassinos e bandidos.
A Constituição Brasileira determina que a mineração das Terras Indígenas  deve ser regulamentada pelo Congresso Nacional,  mas o ex-deputado federal Mariton Benedito de Holanda (PT), que presidiu a Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas no período de 2011 a 2014, alerta que este pode não ser um bom momento para colocar o assunto em pauta no Congresso porque há uma clara tendência de grande parte dos parlamentares de retrocesso em relação aos direitos já assegurados aos indígenas e, caso ocorra, “há a necessidade de ratificar  a participação dos povos indígenas nesta discussão, já que o Brasil é signatário da Convenção 169 da OIT”, considera ele. A Constituição de 1988 permite a mineração em terra indígena apenas se houver uma regulamentação específica para o tema. Atualmente, tramita em regime de urgência no Congresso Nacional o Projeto de Lei 1610/96, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB), que pretende regulamentar a mineração em terra indígena.
A reserva indígena Roosevelt foi criada em 1973 na cidade de Espigão do Oeste, em Rondônia. Com aproximadamente 2,7 milhões de hectares, atualmente é casa de mais de 1.200 índios da etnia Cinta Larga. Sob um olhar mais superficial, trata-se de mais uma grande reserva indígena brasileira, com suas dificuldades de preservação, demarcação e de convívio com os “homens brancos”. Porém, observando mais profundamente compreendemos os fatores que fazem da Reserva Roosevelt um caso especial.
Além de todas as riquezas em fauna e flora da floresta, a área de abrangência da reserva guarda em seu solo um tesouro de enorme valor financeiro, por tratar-se uma enorme jazida de diamantes. Para que se tenha uma ideia do que a área representa, a Companhia de Pesquisas e Recursos Minerais (CPRM) estimou que a região é a quinta maior em quantidade de diamantes do planeta. A CPRM chegou a esta conclusão a partir de dados fornecidos pelo governo japonês e pela NASA. Alguns especialistas, porém, acreditam que a quantidade de minerais preciosos pode ser ainda maior e especula-se que, na verdade, a Reserva Roosevelt esteja sobre a maior jazida de diamantes do mundo.
Em 2004, a quantidade de pessoas explorando a região em busca de pedras preciosas começou a crescer vertiginosamente, gerando um óbvio descontentamento entre os indígenas. O desfecho deste impasse foi trágico: os índios assassinaram 29 garimpeiros, em uma chacina que ganhou as páginas dos jornais em todo o mundo. Os líderes indígenas afirmaram na época que as mortes ocorreram porque os garimpeiros não deixaram a região, mesmo depois de vários avisos para que partissem. Em Rondônia existem quatro aldeias da tribo cinta larga. Cerca de 1,3 mil índios vivem numa área que tem aproximadamente o tamanho do estado de Sergipe. Espigão d´Oeste é a cidade mais próxima de uma das quatro aldeias, a Roosevelt, onde aconteceu o massacre de 2004. Estudos mostram que a área esconde uma das maiores reservas de diamantes do mundo, com capacidade para produzir R$ 40 milhões por mês. No auge do garimpo, os caciques compraram carros importados, casas e outros bens que eles passaram a valorizar após o contato com os brancos.
Desde a época do massacre, centenas de máquinas de mineração foram apreendidas. As estradas que levam à aldeia estão cercadas, mas os garimpeiros sabem como furar o bloqueio. Contornam as estradas, varando por dentro da selva e ingressando para dentro do garimpo. A Polícia Federal deteve, por cinco dias, seis lideranças Cinta Larga entre as sete pessoas presas na operação Crátons, um desmembramento direto da operação Lava- Jato, que investiga o esquema bilionário de desvio e lavagem de dinheiro na Petrobras. Na Crátons (nome de estruturas geológicas que dão origem à formação de diamantes), a PF desarticulou uma organização criminosa que promoveu crimes ambientais para extração e comercialização ilegal de diamantes na região do “Garimpo do Lage”, conhecido também como Garimpo do Roosevelt.
De acordo com a PF, o esquema foi descoberto a partir de informações sobre a atuação do doleiro Carlos Habib Chater, o primeiro preso da Lava Jato, em março de 2014. Os investigados da Lava Jato estavam financiando o garimpo dentro da reserva, como a compra de equipamentos, combustível, pagamento de mão de obra de indígenas e não-indígenas, diz a polícia. Uma associação indígena também é investigada como envolvida na organização criminosa, que teria investido R$ 1 milhão para render ao grupo até R$ 6 milhões em 90 dias.
Segundo as investigações, participavam da organização empresários, comerciantes, garimpeiros, advogados e índios. Entre os seis índios que foram presos estão os caciques Nacoça Pio Cinta Larga e Marcelo Cinta Larga. A Polícia Federal diz que os nomes de todos os acusados estão em sigilo devido as investigações e, por isso, não os divulgou. Os acusados foram indiciados em crime de financiar, gerir e promover a exploração de diamantes no “Garimpo Lage”. Os seis indígenas cumpriram prisão temporária em regime domiciliar nas aldeias e na sede da Funai, em Cacoal. Eles foram soltos no dia 12 de dezembro de 2015, depois de assinarem um acordo de delação premiada, o que permitirá à Polícia Federal investigar a exploração ilegal de diamantes e madeira dentro da reserva.
O acesso à Terra Indígena Roosevelt é feito partindo de Porto Velho até Espigão do D´Oeste, um percurso de 500 quilômetros de veículo pela rodovia federal BR 364, que liga a região Norte ao Centro-Oeste do país. De Espigão até a reserva são mais 80 quilômetros de viagem por uma estrada empoeirada e sinuosa, um caminho em zigue- zague por um terreno acidentado e cheio de pedras. Localizado a 30 quilômetros da aldeia Central da Terra Indígena Roosevelt, o garimpo ocupa uma faixa de terra de cerca de 13 quilômetros de cumprimento. Uma mancha de terra nua, marcada por crateras, no meio da floresta.
“O rasgo do garimpo na mata cresceu 30% desde 2013, o que comprova que a atividade vinha sendo exercida a pleno vapor, em uma das maiores jazidas do mundo, com diamantes de ótima qualidade”, informou para a Agência Brasil o delegado Bernardo Guidali Amaral, da Superintendência da PF em Rondônia, um dos responsáveis pela Operação Crátons. A Polícia Federal monitora o garimpo desde 2013 e até o meio do ano, havia cerca de 700 garimpeiros trabalhando no local. “Só com o que foi extraído de madeira no último ano, visando ao funcionamento do garimpo, contabilizamos mais de R$ 1 milhão, valor que já está estipulado como dano mínimo ambiental”, segundo o delegado Guidali Amaral.
Levantamento realizado pela indigenista Maria Inês Hargreaves indica que, em média, para cada índio cinta-larga, há entre três e quatro processos judiciais, a maior parte de cobrança de dívidas. Independentemente das trapalhadas financeiras, parte do endividamento é fruto de golpes: estelionatários que abusam do despreparo dos índios para fazê-los assinar documentos em branco, aceitar juros abusivos e aprovar cartas de crédito sem detalhamento das condições de pagamento. Para saldar os débitos, muitas vezes cobrados a arma de fogo, permitem a garimpagem em sua terra e a ela se aliam. “Eles sabem que a situação criminosa e marginal em que se encontram conduzirá (já está conduzindo, na verdade) toda a comunidade à extinção. O povo cinta-larga está à beira do genocídio, se não físico, no mínimo étnico e cultural”, sentencia o procurador Reginaldo Trindade.
Os diamantes extraídos da Roosevelt saem, sobretudo, por três caminhos. Um deles é justamente o transporte aéreo. Retiradas da terra, as pedras são fotografadas e as fotos enviadas pela internet para os compradores intermediários, geralmente europeus e norte-americanos. Por mensagem, negociam preços e local e data da entrega. O comprador chega à América do Sul via Equador, Peru, Colômbia ou Bolívia. Num desses destinos, aluga um monomotor e cruza a fronteira pelo ar, até aterrissar numa pista ilegal para entregar o dinheiro e pegar o diamante, sem nem pisar em solo brasileiro. Outra forma de desovar os diamantes é pela fronteira terrestre, rumo à Venezuela e à Guiana. A Venezuela era um dos poucos países produtores de diamante que não emitia o certificado Kimberley (espécie de certidão da pedra que, em tese, comprova sua origem) até abril deste ano, quando assinou o acordo internacional. Antes, todo seu mercado de diamantes era ilegal, e toda pedra brasileira que lá entrava era incorporada pelo comércio local. Para a Guiana, o fluxo de contrabando é menor.
A vantagem é que se pode conseguir o selo Kimberley, pedras que entrem num zoneamento legal da certificação são cadastradas como se tivessem sido extraídas de lá. O terceiro modo de esquentar os diamantes é interno. A operação é semelhante à que se realiza na Guiana, com o registro feito em outros Estados, no caso Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás. Os diamantes são levados de forma ilegal até minas regularizadas e, chegando lá, são “oficializados”.
A extração dos diamantes chegou a ser paralisada em várias ocasiões, sob promessas de medidas de apoio aos indígenas do governo federal. Promessas não cumpridas que aumentaram a desconfiança dos índios, que já não acreditam em propostas e acordos. Tão certo quanto é grande o impacto do garimpo à integridade do povo Cinta Larga é a certeza de que a exploração das pedras deve ser legalizada para evitar conflitos maiores. Os indígenas e órgãos ligados à questão concordam neste ponto.

Fonte: Exame

O Garimpo de Diamantes em Marabá e seus impactos ambientais

O Garimpo de Diamantes em Marabá e seus impactos ambientais



br.geoview.info
O presente artigo tem a finalidade de analisar as atividades de diamantes no município de Marabá, localizado no Sudeste do Estado do Pará, bem como descrever um breve  histórico do município.
No final do século XIX, maranhenses que chegaram ao estado do Pará fundaram um pequeno povoado na margem esquerda do rio Tocantins. Denominado Burgo Agrícola do Itacaiúnas, o local começou a se desenvolver após a chegada de Francisco Coelho da Silva, um comerciante que construiu um negócio chamado “Casa Marabá”, em homenagem à obra do poeta Gonçalves dias. A vila começou a crescer através da extração do látex utilizado na produção de borracha, produto bastante consumido no mercado internacional para fabricar pneus. A atividade trouxe muitos imigrantes nordestinos para a cidade.
O município de Marabá vivenciou vários ciclos econômicos. Até o início da década de 80 a economia era baseada no extrativismo vegetal. No início o extrativismo girava em torno do látex do caúcho, cuja lucrativa exploração atraiu grande número de nordestinos. Desde o fim do século XIX (1892) até o final da década de 40, o extrativismo foi marcado pelo ciclo da borracha que contribuiu sobremaneira para a economia do Município e da região, porém, a crise da borracha levou o município a um novo ciclo, desta vez, o ciclo da Castanha-do-Pará, que liderou por anos a economia municipal. Houve também o ciclo dos diamantes, nas décadas de 20 e 40, que eram principalmente encontrados às margens do rio Tocantins. Com o surgimento da Serra Pelada e por situar-se na maior província mineral do mundo, Marabá também viveu o ciclo dos garimpos, que teve como destaque maior, a extração do ouro.
Marabá já viveu nada menos do que quatro grandes momentos econômicos: a borracha, com a extração do caucho (em 1895); extração da castanha-do-pará (1920); garimpo de diamantes no leito do rio Tocantins (1930) e a partir dos anos 80, a exploração do minério, com o ouro de Serra Pelada e o minério de ferro da Serra do Carajás.Em 1950, a cidade começou a se destacar como exportadora de pedras preciosas, atividade que passou a ser desenvolvida em paralelo ao comércio da castanha. Garimpos de diamantes foram descobertos ao longo do rio, e novos moradores começaram a chegar na região. É o caso de Militão Solino pessoa que, assim como a cidade, também é centenário. “Cheguei em 1950 com a esperança de fazer riqueza por aqui, mas nada disso aconteceu”, disse o aposentado, que mesmo assim não voltou para a terra natal: em Marabá, ele casou, constituiu família.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os preços e a demanda da castanha-do-pará, despencaram no mercado internacional, devido as várias restrições impostas pela guerra. Entre 1939 e 1945 as exportações de diamante e cristal de rocha superaram as exportações de castanha-do-pará, e se tornaram as principais commodities exportadas por Marabá. O garimpo, iniciado nas proximidades de Lago Vermelho, atual Itupiranga, era feito nos pedrais e corredeiras dos rios; em seguida, sendo mecanizado, passou a utilizar bombas para secar os canais naturais do rio Tocantins, em cujo leito havia muitas gemas. A partir de 1940 os garimpos de diamantes passam a utilizar escafandros para prospecção e extração submersa.
As frentes migratórias para a região de Marabá, a partir de meados da década de 20, destinavam-se especialmente, a extração e a comercialização de castanha-do-pará e, desde os fins dos anos 30, no garimpo de diamante nos pedrais do rio Tocantins. A cidade recebia imigrantes vindos de várias regiões do Brasil, principalmente da Bahia, Ceará, Piauí, Goiás, Paraíba, Maranhão, mas também imigrantes Libaneses, constituindo uma camada importante na sociedade local. Em 1929, a cidade já se encontrava iluminada por uma usina à lenha e em 17 de novembro de 1935 o primeiro avião pousa no aeroporto recém inaugurado na cidade. Nesse período, a cidade era composta por 450 casas e 1500 habitantes fixos.
Foi em São Félix, na década de 1940, que surgiu a primeira associação de classe do município de Marabá, a associação dos garimpeiros. As pressões da associação obrigaram o governo federal a instalar na localidade a Fundação de Assistência ao Garimpeiro (FAG), demonstrando assim a elevada influência da vila à época. Neste período surge um vilarejo próximo ao São Félix, a Vila do Espírito Santo, que também concentrava garimpeiros.
A exploração de diamantes foi uma atividade econômica importantíssima para Marabá. Com a lavra das gemas iniciada em 1937 em Praia Alta ,hoje parte do município de Itupiranga, a região experimentou um grande boom econômico e populacional. Um dos distritos urbanos de Marabá, o distrito de São Félix (incluindo a vila Espírito Santo), se desenvolveu como uma vila de garimpeiros neste período, concentrando órgãos da Fundação de Assistência ao Garimpeiro (FAG) e órgão do Ministério do Trabalho. A história do distrito do São Félix relaciona-se em sua fundação com fatores históricos e geoeconômicos marcantes para o município de Marabá. O primeiro fator são as enchentes que anualmente atingem Marabá, deixando grande parte da Velha Marabá  centro histórico do município alagada. O segundo fator foram os ciclos econômicos das gemas (diamantes e cristais) e do extrativismo vegetal (castanha e caúcho), e a posição geográfica estratégica que o distrito dispunha em relação aos depósitos minerais e vegetais.
Embora próximos da cidade de Marabá, à época restrita somente a Velha Marabá, os depósitos minerais exigiam alguma infraestrutura básica em áreas mais próximas a estes. Desta forma, os garimpeiros e comerciantes de pedras preciosas, montam seu acampamento próximo aos “pedrais de São Félix” e do “Espírito Santo”, onde havia a lavra de tais gemas. Surge então, o povoado de São Félix de Valois, nome dado em homenagem à Félix de Valois, santo padroeiro de Marabá.
A descoberta dos depósitos de gemas de diamante e cristal de rocha no leito do Rio Tocantins nas proximidades de Marabá, na década de 1930, fez ocorrer uma intensa imigração de garimpeiros e comerciantes para a região. A lavra torna o acampamento dos garimpeiros um centro economicamente dinâmico, concentrado todo tipo de estabelecimentos comerciais e de lazer bares, restaurantes, bordéis, etc, além de hotéis e outros serviços.
Com a mecanização da lavra, que passou a utilizar bombas para secar os canais naturais do rio Tocantins, cujo leito havia muitas gemas, a escala produtiva de diamantes e cristais aumentou substancialmente. A partir de 1940 os garimpos de diamantes passam a utilizar escafandros para prospecção e extração submersa. A extração desenfreada precipitou a exaustão das gemas no Tocantins. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a produção dos garimpos cai, até que nos fins da década de 1950 praticamente inexiste, levando a vila a uma profunda crise. Mesmo com a crise, a vila de São Félix servia como área de abrigo durante as enchentes que atingem a Velha Marabá anualmente. A queda na produção de gemas a partir de 1947 deixou o povoado de São Félix em situação econômica difícil. Muitos dos estabelecimentos comerciais fecharam, e a Fundação de Assistência ao Garimpeiro (FAG) encerrou suas atividades. Houve um esvaziamento populacional, com grande parte dos antigos moradores mudando-se para a Velha Marabá.
Na década de 1950, São Félix tornou-se uma vila de pescadores e extratores silvícolas, recuperando parte de sua importância econômica. Graças a sua localização, dentro das terras dos povos Gavião, havia grande abundância de recursos vegetais em seu entorno, entretanto a relação entre indígenas e extrativistas era conflituosa. Já na década de 1960, tanto a vila de São Félix, quanto a vila do Espírito Santo haviam se recuperado economicamente, sendo assim de vital importância para Marabá, pois localizavam-se numa área rica em castanhais e dentro dos territórios indígenas.
No garimpo e no setor mineral, o nomadismo também foi essencial na busca de novas jazidas de diamantes e cristais de rocha, tanto é que os garimpeiros se espalharam livremente entre as cidades de Marabá, Itupiranga, Tucuruí, São Domingos do Araguaia e Jacundá, vizinhas entre si, no período 1920-1960, compondo da mesma forma uma classe de trabalhadores autônomos. Os custos sociais do nomadismo eram exorbitantes. A circulação pelas matas colocava em perigo a vida dos extrativistas que eram atacados de malária; febre amarela; doenças de Chagas; filariose, entre outras enfermidades que deveriam ser tratadas na cidade, onde havia o SESP, serviço público de saúde, bastante precário, com apenas dois médicos em 1950 para uma população superior a 40 mil indivíduos, entre eles, residentes e flutuantes.Nos garimpos de diamante da região de Ipixuna muita gente fez riqueza. Muitos dos garimpeiros se concentraram na região do Pedral do Lourenção e de lá extraíram muitas pedras. Mortes, traições, brigas, doenças e outros dilemas desse tipo de lugar fizeram parte do cenário do garimpo.
Ao mesmo tempo, o nomadismo provocou invasões e conflitos graves nas terras indígenas que eram resolvidos no final, com violência, entre o extrativista e o índio usando-se a bala como solução. O nomadismo também enfraqueceu a família oficial do garimpeiro e popularizou a família não oficial, longe do cartório civil e da Igreja, dando origem a uma população de filhos que jamais soube o nome de seus pais biológicos.
É importante ressaltar, o aspecto ambiental, apesar que no momento histórico em questão, não havia uma exigência e fiscalização legal. Mas, temos que frisar a relação homem e natureza, na exploração extrativa dos diamantes no período analisado. Nas últimas décadas a acepção do termo garimpeiro tornou-se sinônimo de degradação ambiental, especialmente aqueles dedicados à extração do ouro na região amazônica, responsável pelo despejo de mercúrio nos rios, assoreamento das coleções hídricas, conflitos com sociedades indígenas, entre outras mazelas na busca desenfreada por riqueza. Mas nem todo garimpeiro se dedica ao ouro e muito menos na Amazônia. Analisada sob uma perspectiva mais ampla, a problemática garimpeira tem vínculos históricos importantes, o que se confirma examinando o comportamento da legislação que envolve a atividade original e as demandas por conservação do meio ambiente a partir da Constituição Federal de 1988. Legalmente é exigida uma licença ambiental para garimpar, atrelada a um plano de recuperação da área degradada. Na prática isto não funciona, ou funciona muito mal, pois o garimpo é tradicionalmente dinâmico e o Poder Público tem dificuldades para acompanhar e fiscalizar a atividade, especialmente pela extensão da região. Se o garimpeiro sem sorte não encontra diamantes suficientes para bancar suas despesas, como poderá custear a recuperação da área degradada? Quanto custa uma licença ambiental, um plano de recuperação de uma área degradada e a execução deste plano? Quem planeja, executa e fiscaliza a recuperação da área degradada pelo garimpo?
O exame deste questionamento reconhece, por razões óbvias, que a atividade garimpeira do diamante tornou-se inviável, especialmente após a incorporação de equipamentos mecânicos. Descumprida a legislação, o garimpeiro torna-se um criminoso. Por este viés o garimpeiro é o ator principal de um conflito multifacetado na busca por sobrevivência, onde, em alguns casos, buscou outras atividades para o seu sustento, tanto ou mais poluidoras que o garimpo de diamantes. Ainda como parte do conflito existe a ruptura cultural, ou a desterritorialização da população garimpeira. Perceber a figura do garimpeiro para além da vilania ambiental e reconhecer sua figura como vítima histórica pode resultar positivamente para o meio ambiente.
A garimpagem geralmente é executada de forma tradicional nas margens de rios, em locais que recebem grande volume de sedimentação e em planícies fluviais. O garimpo mecanizado produz profundos impactos nos ambientes fluviais, destruindo as margens dos rios e modificando profundamente a paisagem. O prejuízo ambiental é muito elevado, pois os rios são assoreados, a fauna é contaminada, a cobertura vegetal é retirada e compromete a saúde do homem.  Os danos gerados nas áreas onde são desenvolvidas a garimpagem são irreversíveis. Diante desses fatos percebemos que a lucratividade oriunda da extração mineral fica nas mãos de uma minoria e os prejuízos ambientais para toda a população atual e também futura.
Em 1966, foi produzido um filme, dirigido por Líbero Luxardo e patrocinado pelos empresários marabaenses: Pedro Bentes Pinheiro, Iran Bichara, Miguel Gomes da Silva e Luso Solino. O filme, faz menção, ao garimpo e tem como personagem principal João, goiano, tropeiro, seguindo orientações de uma cigana, sai a procura de fortuna em garimpo. O filme, trata de trabalho, cobiça, desejo, vingança, amores e amizades em uma clima de muita aventura.
 Fonte: O Liberal

Operação da Anglo American substitui óleo por eucalipto

Operação da Anglo American substitui óleo por eucalipto


Batizada de Projeto Fornalha, iniciativa permite o uso do cavaco de eucalipto para geração de gás quente no forno de secagem do minério. A substituição de um óleo derivado do petróleo por uma matéria-prima renovável e não poluente é o grande trunfo do Projeto Fornalha, da Codemin, operação da Anglo American que produz níquel na cidade de Niquelândia (GO). No mês de agosto, entrou em operação a nova fornalha para geração de gás quente no forno de secagem do minério. Como combustível para aquecimento, ela permite utilizar cavaco de eucalipto no lugar do óleo.
A nova fornalha, que tem cerca de 3 metros de largura, 6 metros de comprimento e 4 metros de altura, possui capacidade de geração de 4,5 gigacalorias por hora (Gcal/hora), provenientes da queima do cavaco de eucalipto, um combustível renovável. “Levamos cerca de 18 meses para implantar a nova fornalha, com um investimento de R$ 9 milhões”, recorda José Antônio Rodrigues Júnior, gerente de Processos.
Para aquecer o secador de minério, são utilizadas 750 toneladas de cavacos de madeira por mês. O novo combustível vem das florestas de eucalipto mantidas pela empresa também em Niquelândia, em um processo constantemente renovável. A queima do eucalipto no lugar do óleo mineral reduz significativamente a emissão de gás carbônico e seu impacto na atmosfera.
A ideia surgiu no setor de Processos da Codemin, que levantou a possibilidade de se utilizar o cavaco de eucalipto – já usado como agente redutor de minério – para geração de gás quente no forno secador de minério, substituindo o óleo 1A, um combustível viscoso proveniente da destilação das frações do petróleo.
Os cálculos de viabilidade técnica e econômica foram realizados e, em seguida, aprovados pela empresa.  “A partir daí, a equipe de engenharia entrou em ação, detalhando todo o projeto, fazendo as aquisições necessárias, montagem e início do novo sistema ”, explica Marcelo Ito, coordenador de Projetos.
A nova fornalha é uma caixa refratária com uma grelha inferior, onde há a queima do cavaco e a geração de gases quentes. Esses gases são insuflados no forno secador de minério. Entre as principais peças que compõem a fornalha e seus acessórios estão ventiladores, dutos de ar e de gases e uma câmara de equalização dos gases, que tem a função de garantir a temperatura desejada. “Com exceção do próprio forno secador, todo o restante do sistema de geração de calor é novo, desenvolvido para essa finalidade”, comenta Marcelo Ito.
O novo sistema representa, ainda, uma considerável redução de custo para a companhia. Segundo José Antônio Rodrigues, a economia gerada pelo uso do cavaco de eucalipto no lugar do óleo 1A é da ordem de R$ 3 milhões por ano.

Redução na emissão de gases do efeito estufa
A eficiência operacional, aliada ao desenvolvimento sustentável e ao respeito ao meio ambiente, é um dos pilares da operação níquel da Anglo American. O Projeto Fornalha tem como objetivo a redução do consumo de combustíveis fósseis e, consequentemente, a emissão de gases do efeito estufa e de poluentes. Também no mês de agosto, a Anglo American recebeu o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, pela total transparência dos programas de controle de emissão e gases do efeito estufa. Tanto na operação do Minas-Rio, que produz minério de ferro, quanto nas operações para produção de níquel, em Niquelândia, houve redução na emissão de gases do efeito estufa.
Fonte: Anglo American

Vale implanta Centro de Operações Integradas em Minas Gerais

Vale implanta Centro de Operações Integradas em Minas Gerais


A Vale deu início, na Mina de Águas Claras (MAC), em Nova Lima, Minas Gerais, às atividades do Centro de Operações Integradas (COI) da empresa. “O objetivo do projeto é sincronizar ainda mais as diversas etapas da operação no Brasil e no exterior e aproximá-la com a área de vendas, ganhando-se assim em eficiência e realização de preços”, explica o diretor-executivo de Minerais Ferrosos e Carvão, Peter Poppinga. “Por exemplo, a cada instante temos que gerenciar o fluxo em torno de 300 navios em diversas posições mundo afora, tarefa esta que será muito facilitada através das ações integradas do COI.”
Fonte: Vale

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Ação da Vale tem potencial adicional de 36%, estima BB

Vale
A empresa tem conseguido elevar a produção, enquanto consegue controlar custos
O Banco do Brasil Investimentos elevou as estimativas para as ações da Vale (VALE3) e definiu um preço-alvo de R$ 43 para o final do ano que vem, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 36,5%. A recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), o equivalente à compra, foi reiterada.
“Não há dúvidas de que a Vale está se consolidando como líder na indústria de minerais ferrosos, aproveitando-se do momento positivo em que se encontra atualmente”, explica a analista Gabriela E Cortez em um relatório enviado a clientes nesta quarta-feira (27).
Segundo ela, a empresa tem conseguido elevar a produção, enquanto consegue controlar custos. Um exemplo disso é o início das atividades do projeto S11D, que fará o sistema norte operar com uma capacidade de 230 milhões de toneladas por ano. O projeto deverá ser entregue dentro do cronograma e abaixo do orçado inicial de US$ 19,7 bilhões. Atualmente está em US$ 14,5 bilhões.
“Acreditamos que o desconto existente entre a Vale e seus pares deva se reduzir, ao passo que a geração de caixa cresça e a empresa possa desempenhar acima de seus competidores”, diz a analista.
Fonte: Exame