sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Conheça a história do homem que ganhou R$ 122 milhões e hoje está pobre

Conheça a história do homem que ganhou R$ 122 milhões e hoje está pobre



De madrugada a temperatura cai bastante e ninguém consegue dormir sem cobertor. Uma espessa neblina encobre o garimpo quando esta estranha cidade no meio da selva, que já chegou a ter mais de 80 mil habitantes, começa a acordar para mais uma jornada. É sábado, um dia como outro qualquer em Serra pelada, onde o fim de semana só começa ao meio-dia de domingo.
O barulho das britadeiras moendo o cascalho nos barrancos; procissão de vultos silenciosos caminhando para a cava; a rotina recomeçava. O zunido dos pernilongos ainda está nos ouvidos, suplício apenas para os forasteiros.
“Como é que se chama pernilongo aqui?”
“Carapanã que o senhor fala? Ah, não precisa chamar não. É só deixar a porta aberta que eles vêm sozinhos…”
Apesar das precaríssimas condições de vida e trabalho no garimpo, o bom humor predomina, e é raro ouvir alguém se queixar da vida. Explica-se: para a maioria deles, a vida lá fora era ainda mais dura, e sem qualquer perspectiva de melhora. Aqui todos têm trabalho e comida, com direito a sonhar.

Blefados ou bamburrados na loteria do garimpo
Quatro homens do barranco 26 jogam dominó. Libânio, Antônio, Vitorino e Francisco vieram do Maranhão há menos de um ano. Três eram estudantes, um trabalhava na roça. São meias-praças, vão ter direito a 5% do ouro que for encontrado no barranco – o pedaço que lhes cabe no imenso tabuleiro esculpido numa enorme cratera de 24.615 metros quadrados, com 1.200 metros de diâmetro e mais de 100 metros de profundidade – mas até agora não encontraram nada. O dono do barranco mora em Belém. Só vem de vez em quando para prover a turma de comida e óleo para a britadeira, comprar alguma ferramenta que falta. Por que eles estão aqui?
“É mais a necessidade de aventurar alguma coisa”.
Eles agora estão jogando dominó em pleno dia de trabalho porque, quando chegam as chuvas, o garimpo começa a ser desativado. Apenas uma pequena parte da cava, não mais do que 10% ainda tem condições de continuar funcionando. Dentro de poucos dias, eles irão embora para outro garimpo, o de Cumaru.
“A gente chega lá e vai caçar patrão. Tem muito serviço lá”, explicava Libânio.
O maior garimpo a céu aberto do mundo
A cada dia, lotando caminhões que ligam esta ferida aberta na selva, 130 quilômetros a Sudoeste de Marabá, a 13 localidades do Pará, Maranhão e Goiás, milhares de paus-de-arara do ouro vão deixando para trás, em meio à poeira, o maior garimpo a céu aberto do mundo.
São os blefados, que deixam para trás também sua saúde, seus sonhos de riqueza desfeitos. Nos teco-tecos e bimotores, que fazem a ponte aérea Marabá – serra Pelada, vão embora também os bamburrados, aqueles 2% de garimpeiros que ficam com 72% da renda de todo o ouro do garimpo descoberto no início dos anos 80 e festejado como o tesouro que resolveria os problemas do Brasil.
Homens enlameados até os cabelos, caminhando como formigas com sacos de cascalho nas costas e cavando como tatus, levantando poeira ou barco dentro de um grande buraco, o garimpo – esta é a paisagem humana que encontrei quando vim aqui a primeira vez, está fazendo quase oito anos. Naquele tempo, quase nenhum piloto se arriscava a ir para lá. Só os mais malucos. Motivos não faltavam, mesmo para estes suicidas pilotos de garimpo que topam qualquer serviço.
A pista improvisada no cabo de enxada era apenas uma tênue nesga de terra rasgada no meio da mata, quase sempre escondida pela chuva, a neblina ou a poeira. Cercada por morros, era também a principal e única rua do garimpo, vivia coalhada de gente. Descer lá sem problemas era como acertar sozinho na loto.
A imagem não é gratuita: Serra pelada sempre foi, desde o começo, um jogo, um contrato de altíssimo risco. Ali, a distância entre a riqueza e a miséria, a vida e a morte, a glória e o ridículo, o céu e a terra sempre foi muito pequena, nem dá para notar lá do alto. Estávamos em serra Norte, onde mais tarde viria nascer a República dos Carajás. O piloto não inspirava nenhuma confiança. Era um refugiado angolano que aceitava qualquer vôo e para ele tudo era lucro. Não sei o que me dava mais medo, se era o piloto ou o aviãozinho dele, todo remendado.
Meia hora depois, só céu e mata, quando já deveríamos estar chegando a Serra Pelada, o angolado começou a mostrar sinais de preocupação. Constatou simplesmente que estava perdido, a rota não era aquela. Tenta contatar outro avião pelo rádio, e nada. Para encurtar a agonia, depois de mais meia hora o homem conseguiu descobrir onde estava e gloriosamente vislumbramos o garimpo. Pela primeira vez na vida, e por pouco a última, ouvi um avião buzinando para pousar. O pessoal não saiu da pista, o angolano teve que dar uma arremetida toda torta e quase batemos num carro.
Quem mandava ali por todos os seus prepostos à paisana ou fardados era o Exército. Mais precisamente, o garimpo era comandado pelo major Curió (anos mais tarde, ele se elegeria deputado federal com os votos dos garimpeiros). Em poucas semanas, aquele pedaço de fim de mundo perdido na selva amazônica seria transformado num retrato três por quatro em branco e preto deste lugar do mundo chamado Brasil.
Quase meio milênio após a chegada dos descobridores portugueses, repetiam-se as mesmas cenas de devastação, depredação das riquezas naturais e humanas, o vale tudo na terra de ninguém. E reuniam-se novamente em busca do tesouro os senhores, os feitores e os escravos, aqui chamados de formigas, os homens expulsos de outras terras que chegaram ao fim da linha e tentavam sobreviver carregando sacos de terra molhada do garimpo até as máquinas dos seus proprietários, onde os sonhos passariam pela peneira.
Mas muita água correria pelo leito natural do igarapé da grota Rica, onde o filho de um certo Zezinho, protegido de Genésio Ferreira da silva, o antigo dono das terras da Serra Pelada, encontrou alguma coisa brilhando junto a uma bica d’água, em fevereiro de 1980, até se chegar aos confrontos entre os garimpeiros e a Polícia Militar do Pará sobre a ponte de Marabá, no final de 1987.
Da constatação de que se tratava de ouro o que o menino viu à invasão da fazenda, foi como um raio. Correm na Serra Pelada também outras lendas e versões. Uma delas dá conta de que o próprio Genésio encontrou ouro ao cavar um buraco para fazer cerca. Há quem garanta que quem encontrou ouro primeiro foi um tal de Pedrão, que limpava juquira (roçava o mato) para Genésio.
A lei do garimpo é desafiar a sorte
José Mariano dos Santos é um dos milhares aventureiros da Serra Pelada. Fiquei sabendo de sua história aos poucos, até ele ganhar a confiança da minha amizade. Na época, quando Marabá naufragou, levada nas enchentes, o garimpeiro José, o Índio, viu na televisão a notícia de que acharam o ouro em Serra Pelada. Pegou uma carona de caminhão até o KM 16 da estrada PA-150, que liga Marabá a Serra dos Carajás. Ali hoje é o entroncamento da estrada de terra que liga a rodovia asfaltada a Serra pelada, mas naquele tempo só havia um jeito: enfrentar a selva.
Índio já bamburrou e ficou blefado várias vezes, na gangorra das riquezas e misérias de Serra Pelada. Apesar de tudo, não se arrepende de ter largado a família na Baixada Maranhanse, onde trabalhava de terça na terra dos outros, ou seja, entregava ao dono da fazenda um terço do que produzia sua roça de arroz, milho, feijão, mandioca, o de sempre.
“A Serra para mim foi uma mãe” ia sempre me repetindo, sem ninguém perguntar.
Com outros trinta homens e uma máquina de lavar cascalho na cabeça, encarou o garimpo do ouro prometido, caminhando das seis da manhã às seis da tarde. Depois de passar dois dias com fome, vendeu a muda de roupa para conseguir comida, ajeitou-se num pedacinho de barranco da grota Rica e dali pára cá, “animei com o negócio, já tava lá dentro mesmo… era obrigado a passar fome, o que eu ia fazer? Não ia voltar”.
Fortuna e miséria na trilha do ouro
Como bichos, comendo e defecando no mesmo pedaço de terra, milhares de homens como Índio lançavam-se na grande aventura de ficarem ricos da noite para o dia. Para falar bem a verdade, a grande maioria nem sonhava tão alto, estava ali apenas para tentar sobreviver, longe da família e de qualquer resquício de vida, digamos, civilizada. Eram quase todos antigos lavradores, posseiros, homens que foram sucessivamente sendo expulsos das suas terras no Maranhão, no Paraná, em Minas, no Pará.
Índio chegou a ficar um ano e sete meses sem sair do garimpo, andando só de calção. “Já tava ficando doido. Mulher que conhecia era só a minha mãe…” resolveu ir para Belém. “Nunca tinha visto tanto dinheiro na minha vida, nem sabia como funcionava banco”. A esta altura, ele estava só no mundo. Sua mulher, Ângela Maria, com quem teve dois filhos, o havia abandonado depois de três anos de casamento. “Ela fugiu com outro, um motorista de caminhão. Eu era um braçal, ele era motorista, ela quis melhorar de vida…”
Ao bater com a picareta numa pepita de 13 quilos de ouro, Índio tinha ficado rico, mas agora já era tarde demais. A mulher e os filhos estavam longe, não tiveram paciência para esperar o resultado da loteria. A primeira coisa que fez em Belém foi o que fazem todos os garimpeiros bamburrados comprou um carro zero quilômetro. Como não sabia dirigir, contratou um motorista. Ele queria apenas um carro novo, mas logo descobriu que com o dinheiro do ouro daria para comprar 30 carros novos…
“Tanto dinheiro… Eu achava que era o homem mais rico do mundo. O carro era azul-metálico, todo mundo ficava olhando”. O motorista Domingos que, arrumou para roubá-lo nos oito dias em que dirigiu, conseguiu comprar dois táxis.
Mas Índio parecia conformado; dizendo que “o primeiro dinheiro que a gente pega, joga fora. Depois acaba aprendendo”.
Um estádio de futebol escavado a mão
Nem sempre isso é verdade. No garimpo, é como se não houvesse amanhã. O dinheiro corre rápido, assim como entra, sai. O que explica a multiplicação de bordéis, que depois se transformam em vilarejos em torno de Serra Pelada (até há dois anos, era proibida a entrada de mulheres no garimpo). Quem nunca perde nada é o Posto Serra Pelada. Bem em frente ao posto está instalado o depósito de gás engarrafado. O dono de tudo é um advogado paranaense, Milton Gatti, um dos pioneiros de Serra Pelada, que chegou a ter mais de 300 homens trabalhando nos seus barrancos.
Com o prazer de quem vai mostrar sua própria casa ao visitante, benedito Evaristo, paulista de São José do rio Preto, conhecido por Adão, seu nome artístico de cantor de música sertaneja, me lva até a cava, uma cratera do tamanho do Estádio do Morumbi escavado a mão! Em torno dela corre um riacho formado pelas águas do fundo do tilim, a parte mais baixa do garimpo, bombeadas por duas dragas. É a periferia do garimpo, lugar onde trabalham os requeiros.
Vizinho ao barranco de Adão, três paulistas fazem hora para bagere, o almoço no garimpo. Um bancário, um químico e um comerciante, que largaram tudo, estão há 60 dias sem sair daqui e não se queixam: “ouro tem, é só a gente ter paciência que encontra”. E se divertem com as histórias do garimpo. “Sabe como é que a gente fazia rabo-de-galo (pinga com vermute) aqui no garimpo? Era álcool com Biotônico Fontoura. Mas, agora, até o hospital ta proibido de usar álcool e as farmácias não podem mais vender biotônico…”, confidenciou-me o bancário.
Passado alguns anos, voltei lá, voltei outras vezes e dava para ver a olho nu que a degradação da natureza acompanhava a degradação humana, na mesma proporção – a revolta silenciosa e profunda se espelhando nos rostos de homens que já não tinham mais volta, que já tinham deixado tudo para trás e agora se apegavam ao buraco feito náufragos sem esperança de chegarem à terra, mas reunindo as últimas forças para se segurarem no barco virado.
Na terceira visita à Serra assisti uma cena trágica que não abandona. Destruídas as famílias e os sonhos perdidos, só filhos dos que foram aventurar-se em Serra Pelada perambulavam pelas ruas de marabá, de Imperatriz de muitas cidades. Meninas bonitas, que fariam sucesso nas colunas sociais, se tivessem dentes, se fossem bem cuidadas, ofereciam-se a qualquer um, para que as levassem junto, para qualquer lugar. Seus pais chegaram aqui buscando riqueza. Pois agora, as filhas imploram para sair de lá.
Com pás e picaretas, carregando sacos de terra nas costas, eles tiraram do mapa um morro com mais de cem metros de altura e, em seu lugar, cavaram um enorme buraco com o mesmo tanto de profundidade por trezentos metros de largura. Em volta, a mata cedeu lugar a mais uma favela, um monstruoso favelão sem futuro, porque mais dia, menos dia, chega a temida mecanização do garimpo.
Serra Pelada sempre foi, desde o início até as revoltas mais recentes que fizeram o governo se lembrar da sua existência, um jogo em que poucos ganharam muito, alguns se arrebentaram e a imensa maioria apenas lutou para sobreviver, por absoluta falta de opção de vida, trabalhando para comer em condições que fazem lembrar as minas dos garimpeiros escravos do século XVIII. Homens enlameados até a raiz dos cabelos, caminhando como formigas com sacos de cascalho nas costas, levantando poeira ou barro de um grande buraco, enquanto uns poucos viviam como reis.
Estradas foram rasgadas na selva, algumas até asfaltadas, chegaram os fliperamas, a televisão e telefones, e já não se depende do aviãozinho do angolano para descobrir o que se passa naqueles grotões do Brasil. Nem o angolano nem seu teco-teco existem mais: dias depois daquela primeira viagem, uma pequena notícia de pé de página informava que ele havia se espatifado com três passageiros na cabeceira da pista de Serra Norte, a mesma de onde decolamos.
Ninguém saberá dizer ao certo quantos morreram nesta aventura. Foram centenas, com toda certeza – o trágico resultado de uma guerra de vida e morte pelo sonho do ouro.
O processo de extração
O processo inicia-se no fundo da cava com pá e picareta. Entre as escadas adeus-mamão os trabalhadores retiram o cascalho do barranco de seu dono – um dos 3200 quadrados de terra que compõem o tabuleiro de xadrez de Serra Pelada. Como cada barranco pertence a um proprietário diferente, a progressão na escavação é desigual, criando às vezes enormes desníveis que podem provocar desabamentos. Mais como segurança psicológica do que física, os cavadores usam cordas de nylon (azuis) amarradas no corpo na tentativa de evitar a queda junto com a terra. Durante uma das visitas dos autores ao garimpo, um desses desmoronamentos matou instantaneamente 13 garimpeiros, paralizando a extração por três dias.
Os formigas carregam os sacos de terra para fora da cava. Antes de subir, passam pelo controle do apontador de baixo que controla as saídas de cada homem da cava para conferir mais tarde a chegada da carga com o apontador de cima e executar o pagamento por viagem.
Quando o barranco cai no ouro, os sacos ficam estocados embaixo e são retirados apenas no fim da tarde ou de noite por motivos de segurança. Nestes casos uma caminhonete do proprietário do barranco fica esperando o transporte dos sacos para levá-los diretamente para sua refinadora.
No processo de refino o material bruto é primeiro triturado em britadeiras. A terra com ouro escorre sobre uma calha recoberta com mercúrio; que se liga quimicamente apenas ao ouro, formando a amálgama. Para separação final da mistura ouro-mercúrio da terra, o garimpeiro utiliza a baleia, que faz o papel de uma centrífuga primitiva. É nessa operação que pode ocorrer a contaminação dos rios da região pelo mercúrio excedente, que por descuido ou negligência é arrastado pela água. O manuseio sem proteção do mercúrio pode intoxicar o próprio garimpeiro, provocando seqüelas congênitas e distúrbios nervosos com a acumulação do metal no organismo.
Na etapa final do refino a amálgama é aquecida, vaporizando o mercúrio e deixando o ouro limpo. As pepitas (pequenos pedaços de ouro) são levadas ao barracão da Caixa Econômica federal onde são fundidas na presença do proprietário em um lingote que será vendido à própria Caixa. Nas produções maiores é utilizado um alto-forno. Finalmente o processo, quase totalmente artesanal, está pronto, resultando na barra de ouro puro. A última limpeza retira a fuligem que recobre o ouro. Este lingote pesa 1,7 kg, resultado de uma tarde de extração depois de 2 anos cavocando um barranco. O dono, José Aparecido, espera tirar 13 kg de ouro desse barranco, para compensar seu investimento.
De acordo com os técnicos da DOCEGEO e do DNPM – Departamento nacional de produção Mineral, o garimpo manual desperdiça em média 40% do ouro de Serra pelada. A poluição do mercúrio e o alto índice de perdas são o grande argumento dos que defendem a mecanização do garimpo.
As empresas envolvidas estimam um aumento de produção de pelo menos 30% do ouro, que até hoje já rendeu 40 toneladas. Anualmente a produção vem caindo, ocupando agora apenas 5.000 garimpeiros, muito abaixo dos 50.000 homens que trabalhavam na cava em 1983, o melhor ano da Serra.
Por outro lado criou-se uma verdadeira cidade em torno do buraco, que resiste como pode contra a mecanização. Seria o fim do sustento para milhares de garimpeiros, que consideram Serra Pelada a sua casa.
O dialeto do garimpo
CAVA: como é chamado o grande buraco do garimpo aberto à mão; a de Serra Pelada tem hoje cerca de 100 metros de profundidade e o formato de um feijão.
BARRANCO: pedaço de terra de dimensões variáveis, comprado dentro da cava por um ou mais garimpeiros para ser explorado na busca do ouro.
CATA: sinônimo de barranco, onde os garimpeiros “catam” o ouro.
APONTADOR: empregado do dono do barranco que controla a quantidade de sacos retirados pelos carregadores de terra e despejados fora da cava. Têm direito a uma porcentagem da produção de ouro do barranco.
FORMIGA: carregador de sacos de terra e cascalho. São os bóias-frias do garimpo, que recebem um pagamento correspondente aos sacos carregados entre o barranco e o alto da cava.
MELEXETES: são os formigas sujos de barro.
ADEUS-MAMÃE: nome dado às escadas utilizadas pelas formigas para levar os sacos de cascalho para a superfície. São verdadeiras estradas de trânsito com mão própria de subida e descida. O nome vem dos freqüentes acidentes fatais quando do desabamento das escadas com dezenas de formigas sobre elas.
MEIA-PRAÇA: trabalhadores braçais que têm direito a uma porcentagem sobre o ouro encontrado no barranco do dono.
CAPITALISTA: dono do barranco, que normalmente vive fora do garimpo; financia as despesas com comida e equipamentos.
EMBARCADOR: indivíduo que coloca o cascalho com ouro na britdeira, onde o material é moído por um processo rudimentar.
COBRA-FUMANDO: “uma banheira de botar água para lavar cascalho e separar ouro”, na definição dos próprios garimpeiros.
MÁQUINA: sinônimo de cobra-fumando.
PASSADOR-DE-MÃO: indivíduo que procura separar à mão o ouro da terra, na qual está misturado.
CURIMÃ: rejeito mais nobre da separação do ouro, que geralmente passa por uma segunda lavagem.
BATEIA: instrumento em forma de peneira feito de chapa de metal, utilizado para a purificação manual final da mistura de mercúrio com ouro.
APURADOR: indivíduo que faz a separação do ouro utilizando-se de uma bateia para lavar o amálgama mercúrio-ouro. O mercúrio liga-se quimicamente ao ouro, facilitando a separação das impurezas.
REQUEIRO: fazer reque; procurar ouro nos rejeitos que correm nas águas, as migalhas que sobram.
DÍZIMO: porcentagem retirada da venda do ouro destinada à cooperativa dos garimpeiros para efetuar melhoramentos e obras de estabilização da cava.
BAMBURRADO: aquele que tirou a sorte grande no garimpo, encontrando um filão de ouro no seu barranco.
BLEFADO: garimpeiro que perdeu tudo, só é dono da roupa do corpo.
CUTIA: carregador de cascalho que fica com a pele vermelha.
ORELHA DE JEGUE: vale, adiantamento.
Fonte: ariquemesonline

O que acontece com atividades de mineração na Amazônia? Conheça exemplos

O que acontece com atividades de mineração na Amazônia? Conheça exemplos..

  • Extração de minério pela Vale do Rio Doce em Carajás, no Pará
    Extração de minério pela Vale do Rio Doce em Carajás, no Pará
Mineração na Amazônia dinamiza a economia local ou causa devastação ambiental e problemas sociais? A imensa importância ecológica da maior floresta tropical do mundo e experiências do passado, como a corrida ao ouro em Serra Pelada e o projeto de Carajás, ambos no Pará, estimulam esse tipo de questionamento.
A decisão de Michel Temer, por decreto, de extinguir uma reserva mineral do tamanho do Espírito Santo entre os Estados do Pará e do Amapá deu novo combustível ao debate. A Renca (Reserva Nacional do Cobre e Associados) é rica em ouro e outros minérios e tem grandes reservas naturais e terras indígenas. Com o decreto, que foi suspenso temporariamente, o governo federal busca atrair empresas interessadas na exploração minerária.
Para especialistas, as experiências de mineração industrial na Amazônia feitas de forma legal e em locais permitidos –que não incluem Terras Indígenas e Unidades de Conservação– alteram profundamente as regiões em que chegam.
O desafio é direcionar o aquecimento gerado na economia para melhorias locais efetivas e duradouras e evitar danos ao ambiente. Os exemplos de sucesso são poucos e recentes.

Mineração traz investimentos e problemas

“Mineração traz investimentos em regiões que possuem carências sociais e econômicas históricas. É bem-vinda em muitas das áreas habilitadas para receber mineração. Aumentam a potencialidade local. Mas muitas coisas vêm junto”, diz Daniela Gomes, coordenadora do Programa Desenvolvimento Local do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas.
Entre os problemas apontados estão os grandes fluxos migratórios. Em Juriti, no Pará, a população da área urbana dobrou após o início da mineração, saltando de 10 mil para 20 mil habitantes. Uma série de problemas são decorrentes dessa explosão populacional. “Esses fluxos geram uma série de demandas adicionais sobre os serviços básicos de saúde, educação e infraestrutura. Ocorre epidemia de acidentes de trânsito e aumento da violência”, explica Gomes.
No ambiente, o impacto ocorre na forma de desmatamento direto, causado pelas obras, e indireto, ligado, por exemplo, à ocupação desordenada do território.
“Os recursos minerais não são renováveis e, ainda que se evitem impactos, o seu aproveitamento deve alterar para sempre a paisagem onde ocorre. A questão é se ela deixará rios vivos no lugar e se este lugar será reconstruído como ambientalmente saudável, não contaminado”, diz Marcio Santilli, coordenador do Instituto Socioambiental, que trabalha com populações tradicionais da área.
Breno Costa/Folhapress
Barraco no município de Serra do Navio (AP), que recebeu grande projeto de mineração nos anos 1940. Investimentos não geraram riqueza para a população

Licenciamento ambiental é ferramenta para evitar danos

Para o Departamento Nacional de Produção Mineral, ligado ao MME, o licenciamento ambiental garante a adequação da extração de minérios. As leis, do período da Constituição de 1988, estabelecem os limites de exploração e as medidas compensatórias para a região.
“Toda lavra mineral, em qualquer parte do Brasil, só pode ser iniciada quando a empresa detentora do título minerário obtém a licença ambiental junto ao órgão ambiental do Estado ou junto ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)”, diz o órgão, em nota.
No entanto, pesquisadores dizem que ainda há limitações de regulamentação e falta fiscalização para garantir a efetividade das leis.
“O Brasil possui legislação ambiental poderosa. O processo de licenciamento, ainda que tenha uma série de limitações, consegue fazer um diagnóstico e detalhar um prognóstico do impacto e de medidas de compensação que devem ser adotadas”, afirma a pesquisadora da FGV. Para ela um dos problemas está quando as compensações não são feitas ou são feitas com atrasos. “Hoje há discussão de que precisa flexibilizar o licenciamento. Mas o que precisa é de mais [regras] de licenciamento, não menos.”
Marcio Santilli, do Instituto Socioambiental, destaca as fraquezas na fiscalização do poder público. “Não tem capacidade de fiscalizar nem mesmo fora da Amazônia, do que Mariana é apenas o mais recente eloquente exemplo, muito menos nela”, diz.
João Paulo Botelho Vieira Filho/Divulgação
Indígenas constroem barragem vegetal no rio Seco para impedir avanço de peixes em águas poluídas

Poluentes em rio geram disputa entre mineradora e indígenas

mina de níquel Onça Puma, localizada em Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará, teve suas atividades suspensas pela Justiça devido à contaminação das águas do rio Cateté, utilizado para pesca, banho e outras atividades pelos índios Xikrin, no Pará.
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal em maio desse ano, que devolveu a discussão às instâncias originárias. A decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) estabelece que as atividades só poderão ser retomadas após a adoção de medidas compensatórias.
Análises feitas em laboratórios da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e da UFPA (Universidade Federal do Pará) indicam altas doses de ferro, cromo, níquel e cobre nas águas do rio. Para o Ministério Público Federal, a poeira erguida por máquinas, caminhões e explosões contamina o solo e, com a chuva, atinge o rio Cateté, que fica próximo ao empreendimento.
Segundo grupos que representam os indígenas, a população das tribos tem sofrido com doenças e são obrigados a abandonar atividades de pesca.
A Vale, responsável pela mina, diz que a atividade de Onça Puma cumpre todos os procedimentos exigidos pelo órgão ambiental licenciador e nega poluição na região. De acordo com empresa, os elementos dissolvidos no rio Cateté são decorrentes da condição geológica da região.
A empresa também afirma que vem buscando implementar as medidas mitigadoras e compensatórias para a comunidade indígena, mas enfrenta resistência para ter acesso à terra indígena.
Breno Costa/Folhapress
Lagoa Azul, formada pela extração de manganês na Serra do Navio. Antes da mineração, o local era uma montanha

No Amapá, Serra do Navio deixou “buraco”

O Amapá, onde está parte da Renca, é justamente o Estado onde ocorreu a primeira iniciativa de mineração industrial de grande porte na Amazônia. Nos anos 1940, teve início a extração de manganês na Serra do Navio, realizada durante quatro décadas por uma empresa brasileira associada a uma gigante do aço estrangeira.
Na época, o país ainda não tinha leis de licenciamento ambiental e recomposição do meio ambiente degradado.
O empreendimento foi acompanhado da promessa de rápida industrialização e desenvolvimento da região. No entanto, ambientalistas que acompanham o que ocorre na Amazônia, dizem que isso não aconteceu.
“Deixou um buraco lá. E não alavancou a economia, não trouxe melhoria de vida e estrutura urbana. E o que tinha de recursos naturais, foram levados”, diz Ricardo Mello, coordenador da ONG WWF-Brasil na Amazônia.
As reservas minerais da Serra do Navio foram declaradas exauridas em 1997. Estudos indicam que houve danos ambientais, como a contaminação da água de rios e de lençóis freáticos por arsênio e manganês.
Além disso, o crescimento urbano não foi bem equacionado por infraestrutura e serviços. “Na época da chegada da mineradora, o Amapá não tinha nada. Construíram estradas, ferrovia, mas apenas para escoar a exploração. Nenhuma riqueza ficou no Estado”, diz Décio Yokota, coordenador executivo da ONG Iepé, que realiza trabalhos com indígenas na região da Renca.
Bernardo Gutiérrez/Folhapress
Moradores caminham por Oriximiná, cidade do Pará habitada principalmente por quilombolas

No Pará, grandes obras do passado causaram conflitos

Foi em 1970, durante a ditadura militar, que tiveram início os grandes projetos minerários em Carajás e no rio Trombetas, no Pará. Os empreendimentos tiveram importância para alavancar a economia do país e viabilizar obras de infraestrutura, como a construção da usina hidrelétrica de Tucuruí, que fornece energia para grande parte do país. Contudo, grandes impactos socioambientais fizeram parte dos resultados.
Às margens do rio Trombetas, a cidade de Oriximiná cresceu junto com a exploração de bauxita na década de 1970. “Esse crescimento foi acompanhado de relações conflituosas com comunidades indígenas e quilombolas”, diz Yokota.
Na região, além da mineração da bauxita, também foi construída planta de produção de alumínio, o que tornou ainda mais intensos os impactos socioambientais — dentre eles, a remoção de comunidades quilombolas e a geração de grande quantidade de rejeitos de mineração e resíduos da produção de alumínio.
Em Juruti, município localizado na margem oposta do rio Trombetas na altura de Oriximiná, o desmatamento associado à atividade de extração de bauxita afetou a extração de castanhas, fonte de renda de comunidades locais.
Wikipedia
Vista de Juruti, onde mineradora implementou criou fundo e indicadores de desenvolvimento sustentável

Projetos em Oriximiná, Juruti e Carajás buscam compensar impactos

Exemplos que buscam caminho de maior sucesso em preservação ambiental e inclusão social existem. Uma iniciativa apontada como positiva está em Oriximiná. Em 2015, a Mineração Rio do Norte, cuja Vale é a principal acionista, criou um projeto em conjunto com organização da sociedade civil para apoiar atividades como a coleta de castanha-do-pará, a agricultura de subsistência e a pesca, realizadas pela população de agricultores, comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas afetados pela mineração.
Outro exemplo está na cidade de Juriti, às margens do rio Amazonas, no Pará, onde o projeto Juruti Sustentável busca impulsionar o desenvolvimento local com o estabelecimento de uma agenda de longo prazo com a participação da sociedade afetada e a criação de um fundo para financiar projetos sociais e ambientais. Para mostrar os impactos da mineração na cidade, foi criado um site com indicadores de educação, saúde, segurança, dentre outros dados.
E em Carajás, a Vale fez parceria com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) para conservar a Floresta Nacional de Carajás.

Afinal, é possível mineração com pouco impacto socioambiental?

Seguir à risca o licenciamento ambiental e garantir efetiva fiscalização do poder público seriam os pré-requisitos para que os empreendimentos minerários causem menor impacto socioambiental. Mas na visão dos especialistas e ambientalistas, esse mínimo ainda não garante pleno sucesso em termos de proteção de comunidades locais e preservação.
Para Gomes, da FGV, há um caminho possível, mas ainda falta às empresas mineradoras incorporem uma visão sistêmica de tudo que ocorre no território em que se instalam. “O que acontece naquele território? Quais são as vocações econômicas? Quais são as carências? É preciso pensar em processo de compensação e mitigação que leve em conta a totalidade do território”, explica.
“Existem impactos sociais e ambientais positivos decorrentes de projetos ou ações mitigatórias desenvolvidas por algumas empresas, mas não há exemplo de programas que tenham promovido bons resultados socioambientais em escala equivalente à dos impactos que promoveram”, diz Marcio Santilli, do ISA.
Fonte: UOL

Petrobras e Itaú lideram indicações de ações em outubro; analistas diversificam mais

Petrobras e Itaú lideram indicações de ações em outubro; analistas diversificam mais

Petrobras e Itaú Unibanco são as ações preferidas pelos analistas em outubro, segundo as indicações de 13 corretoras recebidas pelo Portal do Pavini. Algumas ações perderam espaço, caso da Gerdau, Klabin e Iochpe Maxion, enquanto Lojas Americanas, BR Foods e B3 ganharam indicações, mostrando uma troca de posições no sentido de aumentar a parcela de varejo, que acompanha os sinais de recuperação da economia.
Há também uma diversificação maior das carteiras, com 18 ações obtendo até três votos, enquanto no mês passado o número era de 16. Os analistas procuram nomes menos óbvios, que ainda não subiram acompanhando a alta do Índice Bovespa nos últimos três meses. Ao mesmo tempo, buscam diversificar o risco depois da alta.
Abaixo, as principais indicações das corretoras:
As preferidas das corretoras
OutubroCódigoIndicações
Petrobras PNPETR48
Itaú Unibanco PNITUB48
Lojas Americanas PNLAME46
Iguatemi ONIGTA35
BRF ONBRFS35
Gerdau PNGGBR44
Klabin UnitKLBN114
Iochpe MaxionMYPK34
Vale PNAVALE54
B3 ONBVMF34
CCRCCRO33
Banco do BrasilBBAS33
MRVMRVE33
Rumo LogísticaRAIL33
Braskem PNABRKM53
Fibria CeluloseFIBR33
RaiaDrogasilRADL33
Via Varejo UnitVVAR113

Fonte: Pavini

Coreia do Norte prepara teste de míssil de longo alcance, diz agência de notícias russa

MOSCOU (Reuters) - A Coreia do Norte está se preparando para testar um míssil de longo alcance que acredita poder atingir a costa oeste dos Estados Unidos, disse um parlamentar russo nesta sexta-feira, segundo a agência de notícias RIA.
Anton Morozov, membro do comitê de relações internacionais da Duma, e dois outros parlamentares russos visitaram Pyongyang do dia 2 a 6 de outubro, relatou a RIA.
“Eles estão se preparando para novos testes de um míssil de longo alcance. Eles até nos deram cálculos matemáticos que eles acreditam que provam que o míssil pode atingir a costa oeste dos Estados Unidos”, disse Morozov, segundo a RIA.
“Até onde sabemos, eles pretendem lançar mais um míssil de longo alcance no futuro próximo. E, no geral, o humor deles é bem beligerante.”

Fonte:  Reuters

UE decide sobretaxar aço laminado a quente de Brasil por dumping

UE decide sobretaxar aço laminado a quente de Brasil por dumping

BRUXELAS (Reuters) - A União Europeia (UE) decidiu sobretaxar o aço laminado a quente do Brasil, Irã, Rússia e Ucrânia, após queixa de siderúrgicas europeias de que o produto usado para construção e maquinários estava sendo vendido a preços excessivamente baixos.
A UE cobrará uma tarifa antidumping de 17,6 a 96,5 euros (20,6 a 112,8 dólares) por tonelada a partir de sábado, informou o diário oficial do bloco na sexta-feira.
A Comissão Europeia inicialmente havia proposto estabelecer um preço mínimo - de 472,27 euros por tonelada -, mas revisou a proposta depois de não receber o apoio de países membros da UE.
Entre as empresas sujeitas à sobretaxa estão as unidades brasileiras de ArcelorMittal e Aperam, que também produzem na Europa, a Companhia Siderúrgica Nacional, Usiminas e Gerdau - com taxas entre 53,4 e 63 euros por tonelada.
O aço iraniano estará sujeito a uma taxa de 57,5 euros por tonelada e a ucraniana Metinvest Group à cobrança de 60,5 euros.
As taxas para os produtores russos variaram entre 17,6 euros para a PAO Severstal, 53,3 euros para a Novolipetsk Steel e 96,5 euros por tonelada para a MMK.
A Comissão também encerrou sua investigação sobre as importações de aço da Sérvia sem propor medidas.

Fonte:  Reuters