domingo, 8 de outubro de 2017

ÁGUA-MARINHA

Agua-marinha

 A água-marinha é uma variedade do berilo, com uma composição química de silicato de alumínio e berílio. 
No Brasil, existem minas nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Rondônia (sendo este pouco explorado nesta região) e Rio Grande do Norte onde são encontradas as melhores do país. 
Na década de 1950 foi encontrada em Resplendor, Minas Gerais, a maior água-marinha do mundo que, devido à sua beleza, foi denominada "Martha Rocha", a Miss Universo da época. Foi também motivo de muitas brigas e mortes na região. A mais pesada tinha 110 kg, e suas dimensões eram de 48,5 cm de comprimento e 42 cm de diâmetro. Tem fraturas desigual e clivagem imperfeita. A sua cor varia desde o azul-claro ao azul-esverdeado ou até mesmo tende aos tons escuros. São raros os exemplares com um azul intenso e sem tons esverdeados, uma vez que a maioria das águas-marinhas com um azul perfeito foi sujeitas a tratamentos especiais, o sendo o principal o aquecimento da gema. Este tratamento elimina os tons esverdeados fazendo com que a gema fique com um aspecto mais impressionante. Contudo, nem sempre as pessoas preferiram assim, algumas pessoas preferem os tons naturais por ser mais parecido com o azul do mar.



Por sua cor excepcional, é uma gema muito popular. A bela água-marinha varia de cor, indo desde o verde-azulado até o mais perfeito e intenso azul-celeste. Assim como as esmeraldas, os heliodoros e as morganitas,

Dureza: 7,5 - 8 na escala de Mohs.
Cor: varia do verde-azul a azul-claro
Origens
Como todas as outras variedades de berilo, a água-marinha ocorre tipicamente em rochas pegmatíticas e também em depósitos secundários. As jazidas mais importantes encontram-se no Brasil, nos Estados de Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Norte. Os melhores cristais azul-escuros de água-marinha vêm de Madagascar.  Esta gema é encontrada um pouco por todo o mundo. Já foi encontrada em Elba, Itália; Mourne Mountains, Irlanda do Norte; Mursinsk, Takovaja River, Shaitansk Hills, Adun-Tchilone Baikal, Rússia; Rossing e KI. Spitzkopje, Namíbia; Madagascar; Zimbábue;Tanzânia; Quénia; Sri Lanka; Índia; Mianmar; Califórnia, Colorado, Connecticut e Maine, Estados Unidos ; Austrália; Paquistão; Afeganistão.
Gema de agua-marinha bruta
Gema de agua-marinha bruta










Estrutura cristalina do berílio



Não existe água-marinha sintética, mas muitas vezes se vende topázio natural e espinélio sintético azuis como se fossem água-marinha. Mais de 90% das gemas encontradas no comércio internacional devem sua cor azul ao aquecimento a que foram submetidas berilos amarelos ou verdes e a cor obtida desse modo não pode ser distinguida do azul natural. Além disso, as gemas de cor fraca são aquecidas a 400-500°C para ficarem mais escuras.


Os antigos gregos tinham a água marinha como símbolo do amor e sorte no matrimônio.
Fonte: Geologo.com

Loyola: inflação deve seguir baixa por até 2 anos; próximo presidente é fator de risco

Loyola: inflação deve seguir baixa por até 2 anos; próximo presidente é fator de risco

A inflação de setembro medida pelo IPCA, de 0,16%, ficou dentro do esperado e mostra que a tendência dos preços é de tranquilidade por um bom tempo, avalia o ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola. “Está bem tranquila, não vemos a inflação mostrando as caras nos próximos 18, 24 meses”, disse, após participar do 38º Congresso da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). Com isso, o BC poderá reduzir os juros básicos até 6,75% ao ano, uma das menores taxas da história.
Para manter essa taxa, porém, será necessário avançar com as reformas, em especial a da Previdência, afirma Loyola. Sem a reforma, o teto dos gastos públicos fixado pelo governo deve estourar já em 2019, diante do crescimento das despesas com aposentadorias e outros gastos obrigatórios do governo. “As reformas são muito importantes para o ajuste das contas públicas e para mudar a trajetória da dívida pública, trajetória que hoje é insustentável”, afirmou. “Se perdermos a janela de oportunidade para fazer a reforma da Previdência com Temer, ela só será possível em 2019, comprometendo o ajuste fiscal, o teto e, mais que o teto, a sustentabilidade da dívida”, alerta.
Com a reforma adiada para 2019, ganha mais importância a eleição presidencial do ano que vem, que ainda não apresenta uma definição. “Estamos esperando um cenário de juro baixo, mas ele pressupõe a cenário benigno da economia que só pode vir da continuidade das reformas, especialmente a da Previdência”, diz. “Sem essa âncora fiscal, dificilmente vamos sustentar a estabilidade macroeconômica e em algum momento ela vai explodir”, alerta. “E você não tem mais tempo para tomar medidas paliativas”, diz, admitindo que há casos de desperdícios na Previdência que poderiam reduzir seu déficit. “Podemos fechar uma brecha aqui ou acolá, mas isso não resolve, tem de mexer na questão estrutural que é o envelhecimento da população e a redução da população ativa que eleva o déficit”, lembra.
Loyola acredita que há hoje uma maior percepção dos políticos em Brasília de que é preciso reformar a Previdência. “Mas o  grande problema é a desidratação que essa reforma vai sofrendo ao longo da discussão política, pela força dos grupos de interesse”, explica. No caso, os grupos mais poderosos e vocais são os ligados aos funcionários públicos. “Essa reforma proposta feita pelo Temer tem um aspectos positivo que é justamente a unificação dos regimes, público e privado, e aí acaba com os privilégios, mas é justamente isso que cria maior resistência”, diz.
Mesmo a questão da idade mínima poderia ser vencida, acredita Loyola. “Basta que você dilua o impacto do aumento da idade com uma boa regra de transição, que não atinja quem está perto de se aposentar”, diz. Já os grupos de interesse, como funcionários públicos, polícia federal ou Judiciário ou mesmo funcionários de outras esferas de governo tem um poder de barganha maior, mais acesso aos parlamentares e aos formadores de opinião.
O receio, diz Loyola, é que o próximo presidente não tenha a mesma capacidade de articulação política de Temer para aprovar a reforma.
O grande problema é que a maior parte dos gastos públicos não pode ser reduzida, o que reduz as opções para o próximo presidente ajustar as contas públicas e torna mais importante a reforma da Previdência, explica Loyola. Além disso, o Estado brasileiro tem uma eficiência muito baixa, presta serviços ruins e as pessoas percebem isso e não devem aceitar um presidente que não se comprometa em melhorar essa eficiência. Um outro desafio são os setores que se acostumaram com os benefícios do governo, seja diretamente via subsídios, seja indiretamente. “Esses setores da economia não querem desmamar do governo, mas será preciso”, afirma Loyola.
Ele deixa claro também que as mudanças têm de ser feitas pelos políticos, rebatendo as ideias de que bastaria eleger um presidente autoritário ou então esperar um golpe militar para impor à força uma reorganização do Estado. “Não vai ser uma pessoa que vai chegar lá e decretar que tudo tem de mudar, não é assim que funciona na democracia”, afirma. Ao mesmo tempo, Loyola deixa clara sua preocupação com as pesquisas eleitorais que mostram o crescimento de nomes mais radicais na corrida presidencial.

Fonte: Arena do Pavini

O Ibovespa tem fôlego para continuar subindo ou enfrentaremos uma nova queda?

O Ibovespa tem fôlego para continuar subindo ou enfrentaremos uma nova queda?


A recente alta do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, voltou a agitar consultores de mercado e investidores. Na segunda-feira, a bolsa novamente subia, chegando à casa dos 74.400 pontos. Analistas têm apontado, em geral, que a tendência é de manutenção da trajetória de alta engrenada desde meados de 2016, encerrando o ano em níveis recordes.
“O mercado segue em clara tendência de alta de médio e longo prazos. Nas últimas semanas houve o movimento histórico que foi o rompimento do topo principal nos 73.920 pontos, região de resistência que durou nove anos”, avalia João Marcello, analista gráfico da Elite corretora. “Para ganhar uma nova força e romper a nova resistência, que foi marcada nos 76.400, a minha projeção é de 79.700 pontos para o final do ano”.
O cenário macroeconômico no Brasil sugere que a Bolsa poderá acelerar a valorização até o final do ano, conforme análise de Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Corretora. “O recorde do Ibovespa neste ano já era esperado, empurrado pelas recentes quedas da Taxa Básica de Juros (Selic), pelo otimismo externo e pela melhora da percepção em relação ao cenário político” analisa. “Mantemos nossa estimativa de um Ibovespa perto de 90 mil pontos até o final do ano, puxado pela manutenção da inflação baixa, a queda da taxa de juros, a recuperação da atividade econômica e o cenário externo favorável”, projeta.
As projeções de valorização até dezembro de 2017 não garantem altas semanais de agora até o final do ano: o risco é de volatilidade e lateralidade no curto prazo. “Foi um rompimento muito esticado, com oito semanas seguidas de alta e muitos indicadores já demostrando sobrecompra. Como foi um rompimento esticado, no curto e médio prazos é possível que o mercado venha passar por um momento de lateralização, ou alguma correção mais importante para as próximas semanas”, explica João Marcello, da Elite. Que vê inclusive algumas possibilidades de queda: “Esgotada a força de curto prazo, o primeiro alvo de queda foi cumprido no próprio 73.100, zona que passou a ser um suporte importante, mas com espaço para corrigir até a zona dos 70.000/69.000, onde geraria novas oportunidades”.
Vicente Koki, Analista-chefe da DMI Group, afirma que a recente alta é puxada em grande parte pelos investidores se antecipando à melhora da economia brasileira – e, em consequência, resultados mais expressivos para as companhias do país com capital aberto. “Essa antecipação tem refletido na alta da bolsa de valores. Outros fatores também têm contribuído para a alta do índice, como a intenção de privatização da Eletrobras e os maiores preços das commodities no exterior. Pelo lado negativo, ainda há incertezas políticas, e em relação ao avanço das reformas previdenciária e tributária. Na combinação destes fatores, o Ibovespa no curto prazo ainda deve continuar com este movimento de alta, marcando novos recordes”, afirma Koki.

Fonte: Acionista.com

Brasileiros pagam R$ 20 bilhões a mais por energia elétrica com bandeira vermelha

Brasileiros pagam R$ 20 bilhões a mais por energia elétrica com bandeira vermelha


(Foto: Agência Brasil)

"Nossos serviços de energia têm um nível de chiqueiro", critica Boris Casoy


  • Conta de luz em outubro virá com bandeira vermelha 2, a mais cara prevista
Os consumidores brasileiros desembolsaram R$ 20,8 bilhões a mais nas contas de luz de janeiro de 2015 a agosto de 2017, segundo os dados mais recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O valor adicional tem relação com a cobrança da taxa extra das bandeiras, que é maior conforme o custo de produção de energia no país. A vermelha, que indica a maior cobrança, permaneceu vigente durante mais da metade do período entre janeiro de 2015 e outubro deste ao.
Dos 34 meses com a taxa mais alta (nem todos seguidos), 19 foram sob bandeira vermelha, ou seja, 55,9%. Dentro da bandeira mais cara, há ainda dois níveis: com taxa extra podendo ser de R$ 3 (patamar 1) ou R$ 3,50 (patamar 2) por 100 KWh consumidos.
Após anúncio da Aneel, a bandeira vermelha patamar 2 passou a vigorar em dois de outubro. Com isso, a taxa a ser paga pelo consumidor será a mais cara de todas pela primeira vez desde que foram instituídas as bandeiras.
O argumento para a cobrança adicional é a estiagem. Com poucas chuvas e represas com níveis baixos de armazenamento, fica mais caro operar as usinas hidrelétricas.
Salete Lemos: "O baixo investimento em energia é pior que a falta de chuva
Fonte:  UOL

sábado, 7 de outubro de 2017

ESMERALDAS

ESMERALDAS

A esmeralda é a gema mais antiga conhecida da humanidade; foi comercializada há cerca de 6000 anos na Babilônia, anterior ao diamante. Era muito apreciada na Pérsia e na Índia. Seu nome vem do grego smáragdos, latinizado smaragdus, provavelmente derivado do sânscrito marakatam, originário do idioma acadiano barraqtu, que significa pedra reluzente, brilhante. O nome era usado para pedras de diferentes composições químicas, mas geralmente de cor verde. Atribuiu-se à esmeralda o significado de imortalidade.
A esmeralda é a variedade verde do mineral berilo, um silicato dos metais berílio e alumínio (Be3Al2Si6O18), que forma cristais de prismas hexagonais. Outras variedades com qualidade de gema são a água-marinha (azul), o heliodoro (amarelo) e a morganita (rosa). A variação de cor é causada pela inclusão de traços de elementos metálicos, chamados cromóferos, no caso da esmeralda cromo e/ou do vanádio. Entre todas as variedades, a esmeralda é a mais rara, formada em condições geológicas muito específicas. Esmeraldas transparentes e de cor verde intensa e uniforme são muito raras, podendo atingir preços superiores aos dos diamantes, considerando sempre como base de preços o quilate (0,2 g).
Esmeralda da Lavra Carnaíba – Carnaíba, BA, em exposição na atração
Inventário Mineral do MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal.

As minas de esmeraldas mais antigas encontram-se no Egito, na costa do Mar Vermelho, e já foram exploradas há 5.000 anos ou mais, fornecendo gemas para o Oriente e para gregos e romanos. há cerca de 2.000 anos os romanos descobriram esmeraldas nos Alpes da Áustria, perto de Salzburgo. Estas pedras abasteceram o mercado europeu durante séculos até a descoberta das esmeraldas no Peru pelos espanhóis.
As primeiras esmeraldas das Américas foram levadas à Europa pelos espanhóis depois da conquista do México por Hernando Cortez (1485-1547) nos anos de 1519/22, onde foram saqueadas em templos e túmulos. Não há notícias de minas de esmeralda no México. Foram trazidas provavelmente do Peru, onde as minas de esmeralda já eram exploradas há mais de 1000 anos.
O fato mais importante na história das esmeraldas nas Américas, foi a conquista do Peru por  Francisco Pizarro (ca. 1475 -1641) com uma tropa de somente 180 homens, nos anos 1530 a 1533. Acharam muitas esmeraldas com os nativos, mas os espanhóis não conseguiram localizar as minas. Em março de 1537, eles receberam de presente algumas esmeraldas dos índios, que também indicaram a localização das minas de Chivor, situadas na encosta oriental da Cordilheira de Bogotá. Como o um lugar era de acesso muito difícil, os espanhóis abandonaram logo os trabalhos. Pouco tempo depois tiveram conhecimento de outras minas nas terras da tribo Muzo, que ofereceu muita resistência aos conquistadores. Somente em 1555 os espanhóis, liderados por Antonio Lanchero, conseguiram derrotá-los, tendo, assim, acesso às minas das melhores esmeraldas do mundo.
O vale dos Muzo está situado cerca de 100 km a norte de Bogotá, e a exploração de esmeraldas começou em 1558. Ambas as ocorrências estão situadas nas montanhas Somondoco, que significa deus das pedras verdes na língua dos nativos da tribo chibcha.
A produção de esmeraldas na Colômbia foi tão grande, que afetou o preço das esmeraldas orientais (e da Áustria) na Europa. O padre jesuíta José d’Acosta relata que, quando voltou do Peru à Espanha em 1587, foram transportadas no mesmo navio duas caixas com algumas dezenas de quilos de esmeraldas.
Até hoje, a Colômbia produz aproximadamente 60 % das esmeraldas no mundo e 80 % das de melhor qualidade. Até a descoberta das esmeraldas nos Montes Urais na Rússia, em 1831, a Colômbia forneceu quase toda a produção mundial. Geologicamente, a ocorrência do vale Muzo se distingue das jazidas mencionadas (Egito, Áustria, Rússia e outros países) como também das brasileiras. Ali a esmeralda ocorre em finos veios de calcita, intercalados em xistos carbonosos e calcíferos, fortemente dobrados.
Uma pedra do tamanho de um ovo de galinha foi encontrada, junto com objetos de ouro, por Antonio de Sepulveda, em 1580, quando tentou drenar o Lago Guatavita, um lago formado em uma cratera vulcânica a cerca de 60 km ao norte de Bogotá. Este e outros lagos eram locais de cultos e cerimônias de consagração de caciques. Depois de untados com óleo e cobertos com ouro em pó, os novos caciques eram levados ao meio do lago em uma balsa carregada com objetos de ouro e esmeraldas, onde se banhavam, tirando o ouro em pó. Os objetos de ouro também eram jogados na água como oferendas ao deus do sol. Essa cerimônia deu origem à lenda do Eldorado, que não é propriamente dito um lugar, mas sim o homem dourado.
As riquezas em ouro, prata e esmeraldas, encontradas pelos espanhóis no México e no Peru, provocaram a inveja do soberano português, no caso D. João III (1502/1521-1557), e também de seus sucessores. D. João III iniciou a colonização do Brasil e em 1548 incumbiu Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Estado do Brasil (1549-1553) com sede em Salvador, de explorar o interior do país. Este contatou o espanhol Felipe de Guillén, morador em Porto Seguro desde 1538, que havia passado pelo Peru, e tinha conhecimentos de química e mineralogia, pedindo-lhe que organizasse uma expedição de reconhecimento. Guillén recusou a tarefa devido à sua idade, mas, numa carta de 1550 ao rei, se mostrava convencido da existência de esmeraldas no Brasil, e relata que Tomé de Souza “…esteve determinado para me mandar ao descobrir, porque é necessário para isso um homem de muito siso e cuidado, e que saiba tomar a altura [do sol para determinação da latitude] e fazer roteiro da vinda e inda, e olhar a disposição da terra e o que há, porque sem duvida há lá esmeraldas e outras pedras finas.”
Começou a epopéia das esmeraldas no Brasil. A expedição planejada por Tomé de Souza partiu de Porto Seguro em 1554 com 12 homens brancos e numerosos índios sob o comando de outro espanhol, Francisco Bruza de Espinoza, atravessando o sul da Bahia e o nordeste de Minas Gerais até o Rio São Francisco. Retornou após 18 meses sem resultados concretos, a não ser o conhecimento da imensidão do sertão do interior do Brasil. Seguiram outras entradas partindo do litoral da Bahia ou do Espírito Santo: Vasco Rodrigues Caldas (1562), Martim de Carvalho (1567/68?), Sebastião Fernandes Tourinho (1572/3), Antônio Dias Adorno (1573), João Coelho de Souza (1580), Diogo Martins Cão (1596), Marcos de Azeredo (1596 e 1611/12); todas elas à busca de esmeraldas e da serra resplandecente. Quase todas essas entradas convergiram, mesmo com itinerários  diferentes, no nordeste de Minas.
A crença das esmeraldas foi alimentada por contatos com os nativos. Pero de Magalhães Gandavo escreveu no seu “Tratado da Terra do Brasil” (ca. 1570): “… A este capitania de Porto Seguro chegaram certos índios do sertão a dar novas de uma pedras verdes, que havia numa serra muitas léguas pela terra dentro, e traziam algumas delas por amostras, as quais eram esmeraldas, mas não de muito preço; e os mesmos índios diziam que daquelas havia muitas, e que esta serra era muito fermosa e resplandecente.” Estas “novas” era o sinal para a entrada de Martim de Carvalho que partiu com 50 ou 60 portugueses e alguns índios locais, percorrendo umas 220 léguas pela região entre os rios Jequitinhonha e Doce.
Marcos de Azeredo partiu em 1596 de Vitória, no Espírito Santo, e subiu pelos rios Doce e Suaçuí Grande e voltou com amostras de pedras verdes. Frei Vicente de Salvador, na sua “História do Brasil” (1627) relata o seguinte: “… De cristal sabemos em certo haver uma serra na capitania do Espírito Santo em que estão metidas muitas esmeraldas, de que Marcos de Azeredo levou amostras a el-Rey, e feito exame por seu mandado, disseram os lapidários que aquelas eram da superfície e estavam tostadas do sol, mas se cavassem ao fundo as achariam claras e finíssimas.” Marcos de Azeredo deixou o roteiro de sua viagem e descobrimento, que foi usado por outros sertanistas na busca das esmeraldas, entre eles Fernão Dias.
Vários cartógrafos do século XVII desenharam a serra resplandecente ou mesmo a Serra das Esmeraldas nos seus mapas. O divisor das águas entre os rios Jequitinhonha e Araçuaí ao norte, e os rios Mucuri, São Mateus e Doce ao sul, chamava-se Serra das Esmeraldas nos mapas até o século XIX; hoje é conhecida como Serra Negra.
Fernão Dias Paes Leme (ca. 1608-1681) é certamente o mais famoso dos bandeirantes na caça às esmeraldas. Saiu de São Paulo como Governador do Descobrimento das Esmeraldas em julho de 1674 com muitos paulistas e índios. Andou mais de 1000 km durante sete anos até o norte de Minas, de onde trouxe pedras verdes. Tudo indica que cruzou a Serra das Esmeraldas, e ele morreu convencido de ter localizado as escavações do Azeredo, porém, hoje supõe-se que as pedras eram turmalinas.

Passaram-se mais de duzentos anos até serem encontradas esmeraldas legítimas no Brasil, quase sempre por um acaso. A primeira ocorrência foi localizada na região de Brumado (ex-Bom Jesus dos Meiras) na Bahia por volta de 1912. Seguiram-se outras descobertas: na Fazenda Lajes em Itaberaí, Goiás, em 1920, e ainda no mesmo ano na Fazenda Bom Sossego em Ferros, Minas Gerais, localizada cerca de 50 km ao norte de Itabira. Fica cerca de 170 km de Belo Horizonte por rodovia e 120 km (em linha reta) da Quinta do Sumidouro na margem do Rio das Velhas, o pouso da bandeira de Fernão Dias nos anos de 1670. A distância até a Serra Negra (ou Serra das Esmeraldas), também em linha reta, é de cerca de 130 km. Assim, foi por pouco que Fernão Dias não acertou na localização das sonhadas esmeraldas.
Em 1939 foram encontradas esmeraldas na região de Anagé, Bahia (40 km noroeste de Vitória da Conquista) e nos anos 1950 em Tauá, Ceará. Nenhuma destas ocorrências chegou a ter uma produção considerável. Somente na segunda metade do século XX registra-se a descoberta de depósitos maiores: Carnaíba (1964) e Socotó (1983), perto de Campo Formoso na Bahia, e Santa Terezinha (1981) em Goiás. Em todos estes lugares houve uma invasão de garimpeiros que tomaram conta da exploração das gemas.
Uma nova ocorrência foi descoberta em Minas Gerais, em 1978, localizada cerca de 15 km a sul de Itabira, quando José Ota Melo, um ferroviário da Estrada de Ferro Vitória Minas, encontrou umas pedrinhas verdes no sangradouro de um açude que, posteriormente, foram identificadas como esmeraldas. Imediatamente houve uma invasão de garimpeiros; no segundo ano (julho de 1979 a agosto de 1980) foi registrada uma produção de 32 kg de pedra bruta.
Atualmente a jazida está sendo explorada pela empresa Belmont Mineração, uma empresa de referencia na mineração de esmeraldas. A rocha que contém a gema é lavrada em mina de subsolo, depois de britada passa por peneiras, e as esmeraldas brutas são catadas manualmente. A Belmont Mineração é a única mineradora de esmeralda no Brasil e uma das poucas no mundo, pois as outras ocorrências estão sendo exploradas por garimpeiros. O Brasil é hoje, depois da Colômbia, o segundo maior produtor de esmeraldas no mundo, especialmente devido à operação contínua desta mineradora.
Outras ocorrências (Capoeirana, Piteiras, Toco, Canta Galo, Alfié) foram achadas posteriormente na região, na mesma formação geológica, formando um cinturão de rochas esmeraldíferas de cerca de 80 km de extensão, a leste de Itabira, entre São Domingos do Prata e Ferros. A gênese da esmeralda nestas ocorrências é praticamente idêntica em todas elas. Biotita-xistos (às vezes de flogopita, uma mica preta com teores mais elevados de magnésio) foram cortados por fluídos magmáticos de altas temperaturas contendo o elemento berílio. Estes fluidos solubilizam dos xistos traços de cromo que entram na estrutura dos cristais de berilo, formando assim a esmeralda. Quanto mais devagar o resfriamento e crescimento do cristal, mais limpo fica a gema.

Fonte: CPRM