domingo, 26 de novembro de 2017

Paralisação de atividade de Cubatão será de no mínimo 5 anos, diz Usiminas

Paralisação de atividade de Cubatão será de no mínimo 5 anos, diz Usiminas


A paralisação da atividade primária da unidade de Cubatão da Usiminas, suspensa desde janeiro do ano passado, no epicentro da crise financeira da companhia, será de no mínimo cinco anos, disse nesta quarta-feira, 22, o presidente da siderúrgica, Sergio Leite, em reunião com analistas e investidores.
O executivo afirmou que a retomada pode depender se uma velocidade maior da atividade econômica no Brasil, mas que ele não vê essa decisão sendo tomada antes de 2020. Neste momento, disse, a Usiminas está focada na volta de um dos altos-fornos em sua unidade em Ipatinga.
O vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores da Usiminas, Ronald Seckelmann, disse que a Usiminas hoje possui uma capacidade muito maior do que aquela que utiliza e que o resultado da empresa irá capturar o aumento de volume que virá com a melhora da economia doméstica. “Vemos resultados crescentes e consistentes para os próximos anos”, afirmou.
Já o presidente da Usiminas afirmou ainda que a unidade da companhia que enfrenta mais dificuldade é a Usiminas Mecânica, que atua no segmento de bens de capital. Segundo Leite, foi a que sentiu mais os efeitos da recessão da economia brasileira. O presidente da empresa disse que a unidade opera hoje com 15% de sua capacidade, mas que ela está equilibrada em termos de Ebitda.
Unidade de mineração
A unidade de mineração da Usiminas deverá operar no próximo ano em um ritmo de seis milhões de toneladas, disse Leite, na reunião com analistas em investidores. Desse total, 3,5 milhões devem ser destinados para exportação e 2,5 milhões de toneladas para uso próprio.
A Usiminas retomou duas unidades de produção de minério de ferro neste ano. No terceiro trimestre, as vendas do insumo atingiram 904 mil toneladas, crescimento de 14% ante o observado um ano antes. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve um aumento de 44%. No ano até setembro, no entanto, as vendas da commodity caíram 15%, para 2,176 milhões de toneladas.
A Usiminas também retomou a exportação de minério de ferro no terceiro trimestre. No período, o embarque o embarque chegou em 175 mil toneladas.
 O presidente da Usiminas disse que hoje não há estudo para a venda da Mineração Usiminas (Musa) e que no atual patamar de preço de aço a companhia opera acima do breakeven.
O diretor de Mineração da Usiminas, Wilfred Bruijn, disse que hoje, considerando o atual frete e taxa de câmbio, o equilíbrio do minério de ferro está em US$ 55 a tonelada. Ele disse ainda que a companhia está focada em minério de alta qualidade.
Preço do aço <!–
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De acordo com Leite, o cenário atual do mercado é de estabilidade dos preços do aço. Segundo ele, o diferencial do preço do produto nacional em relação ao importado está, hoje, em 10%.
Leite destacou que a empresa continua em negociação com a indústria automobilística para reajustes para o próximo ano e que um acordo deve ser firmado na segunda quinzena de dezembro. A empresa mira um aumento de 25% para esse segmento.
Fonte: IstoÉDinheiro

Congonhas prepara plano emergencial

Congonhas prepara plano emergencial


A Prefeitura do município mineiro de Congonhas organiza plano emergencial que será colocado em prática a partir do dia 26 de novembro. A preocupação é com a estabilidade da Barragem Casa de Pedra, da CSN, que passa por obras para prevenir a ameaça de um rompimento que afetaria milhares de pessoas. A mobilização agrega Corpo de Bombeiros, Coordenadoria Estadual de Defesa Civil e Polícia Militar. Todos irão intervir no salvamento de pessoas em caso extremo e capacitar a comunidade, independentemente de providências da empresa. O próprio comandante dos Bombeiros na região, capitão Ronaldo Rosa de Lima, classifica a represa de rejeitos como “propensa a rompimento”, o que tem levado a corporação a cobrar medidas da CSN e dos órgãos de defesa civil.
O número de pessoas em risco, inicialmente estimado em 1.500, mais que triplicou após levantamentos mais detalhados, chegando a 4.688, de acordo com a prefeitura local. Um rompimento, sobretudo do Dique de Sela, uma das estruturas da barragem Casa de Pedra contém 9,2 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e eleva-se a cerca de 80 metros do município de Congonhas.
O Ministério Público e o Ministério do Trabalho cobram explicações e ações da CSN, que chegou a ter as atividades no barramento interditadas, em 11 de outubro deste ano. De acordo com laudo do Centro de Apoio Técnico do MP, o fator de estabilidade da barragem apresentado foi de 1,3, abaixo do nível exigido pela legislação, de 1,5, segundo o MP. A CSN afirmou que a barragem não corre risco de rompimento e que esse fator já foi superado, chegando a 1,6 e a 1,7, levando-se em consideração os dois lados da barragem.
O documento do MP critica ainda a falta de um plano emergencial satisfatório em caso de desastre. A CSN garante que tem aprimorado seu plano emergencial e que instalou duas das cinco sirenes que seriam necessárias, segundo compromisso firmado com o MP.
O Ministério Público também critica o alteamento da barragem em mais 11 metros de altura, que já tem licença e deve ser retomado em breve. O promotor de Justiça Vinícius Alcântara Galvão disse ter solicitado à CSN estudos, principalmente em relação à qualidade do solo. Até 30 de novembro os levantamentos geotécnicos e geológicos devem ser entregues para avaliação dos peritos da Central de Apoio Técnico do órgão do MP, que poderá, com base nas análises, definir se a barragem está segura ou não.
Moradores e ativistas contra obra 
Moradores das comunidades ameaçadas pelas obras na barragem da mina casa de Pedra, da CSN, e ativistas (quase 5 mil pessoas) realizaram manifestação contra os trabalhos. Eles passaram a temer o rompimento da barragem de rejeitos depois que surgiram infiltrações no paredão de 80 metros do Dique de Sela. Devido às infiltrações, a CSN teve que providenciar reparos emergenciais que ainda continuam.
As ombreiras da barragem, que são seus pontos de apoio sobre terrenos naturais, apresentaram, de acordo com parecer técnico da Central de Apoio Técnico (Ceat) do Ministério Público (MP), fator de estabilidade de 1,3, sendo que o mínimo exigido pela legislação do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) é 1,5. De acordo com a CSN, as obras executadas no dique conseguiram elevar esse fator de estabilidade para 1,6 e 1,7 nos dois lados do barramento, mas as obras continuam.
A CSN informou que está agindo com a Prefeitura de Congonhas para implementar um plano de evacuação para a população que vive à beira da Barragem Casa de Pedra.
Fonte: Brasil Mineral

Mineradora brasileira Nexa quer aumentar base de clientes na Ásia

Mineradora brasileira Nexa quer aumentar base de clientes na Ásia


Após abrir capital em Nova York e Toronto, a mineradora brasileira Nexa Resources deve decidir ainda neste ano sobre a abertura de um escritório comercial na Ásia, como parte de uma estratégia para ampliar sua base de clientes na China e em outros países da região. Em entrevista à Reuters, o CEO da Nexa (ex-Votorantim Metais), Tito Martins, afirmou que a empresa já tem uma base de clientes bem estabelecida na Europa e bastante forte na América Latina. Agora, vai buscar se aproximar mais do mercado que mais cresce no mundo, explicou o executivo.
A mineradora, integrante do conglomerado Votoratim, uma das cinco maiores produtoras de zinco do mundo, tem atualmente escritórios comerciais em Houston (EUA), Luxemburgo (Europa), Lima (Peru) e São Paulo.m desafio para nós tem sido entrar mais na Ásia… É muito provável que a gente decida abrir uma representação comercial (na região)”, disse à Reuters Tito Martins por telefone. Os quatro países onde a empresa tem representações comerciais foram responsáveis, juntos, por 70 por cento da receita total de vendas da Nexa em 2016, de 1,913 bilhão de dólares, sendo que o Brasil e o Peru representaram, cada um, quase 30 por cento do montante total. Enquanto isso, a China representou menos de 1 por cento.
Martins, que foi diretor financeiro da mineradora Vale, vê boas oportunidades de crescimento nas vendas e nos preços de realização de zinco e cobre, enquanto o gigante asiático vem reduzindo sua atividade mineral e industrial, em meio a um esforço do governo para reduzir a poluição.Segundo o executivo, a China é um dos maiores produtores globais de zinco. No entanto, após a adoção de novas exigências na área ambiental, o país tem reduzido sua oferta.
“Com isso, nos últimos 12 a 18 meses, tem faltado concentrado de zinco no mercado e a expectativa é que a situação se mantenha pelo menos nos próximos 24 meses. O que significa que a gente deve ver os preços de zinco em patamares onde estão hoje ou acima deles pelos próximos 24 meses”, disse Martins.
Atualmente, os preços do zinco giram em torno dos 3.200 dólares a tonelada, um dos maiores patamares da história, frisou Martins.

INVESTIMENTOS E CRESCIMENTO

A Nexa ainda não fechou suas metas para 2018, mas Martins prevê que o volume de investimentos deverá ficar em um patamar semelhante ou acima do que será registrado ao longo deste ano, de cerca de 200 milhões de dólares. O objetivo da empresa para os próximos anos será se concentrar nas construções das minas de zinco Aripuanã, no Brasil, e Shalipayco, no Peru, enquanto melhora a capacidade das operações existentes no Peru. As receitas obtidas com os IPOs, realizados no mês passado, deverão seguir nesta direção.
As novas minas brasileira e peruana deverão iniciar operações em 2020 e 2021, respectivamente, segundo Martins. No entanto, a Nexa não descarta o crescimento também por meio de aquisições, caso boas oportunidades venham a surgir futuramente. “A gente quer crescer nos projetos que nós temos hoje, mas lógico que se houver possibilidades de sociedades em outros projetos e em outras empresas vamos estar sempre vendo… não tem nada hoje, mas é uma possibilidade também”, ponderou o executivo.
Ao publicar os resultados do terceiro trimestre na semana passada, a Nexa Resources apontou um lucro líquido de 81 milhões de dólares, alta de 67,4 por cento em relação ao mesmo período de 2016. A receita líquida foi de 625,8 milhões de dólares, alta de 19,7 por cento na mesma comparação.
Foi o primeiro balanço financeiro que a companhia anunciou após a abertura de capital em Nova York e Toronto.
O IPO da Nexa do Canadá foi o terceiro maior no setor de mineração no país, de acordo com dados da Thomson Reuters, e aconteceu quando os IPOs no Canadá já estavam desacelerando, após o primeiro semestre mais forte em 11 anos. A escolha do Canadá para abrir o capital, segundo a empresa, foi devido ao amplo conhecimento que os investidores no país tem sobre empresas de mineração. Nova York também foi escolhida com expectativa de liquidez para os papéis.
Fonte: Reuters

Semanário Bovespa: índice valorizou 0,98% com expectativas sobre a Previdência

Semanário Bovespa: índice valorizou 0,98% com expectativas sobre a Previdência

 

O Ibovespa valorizou 0,98% nesta semana. Com a semana mais curta por causa do feriado do Dia da Consciência Negra em São Paulo e com o mercado americano fechado na quinta-feira (23) para o Dia de Ação de Graças, o que mais movimentou a Bolsa de Valores foi a expectativa em torno da Reforma da Previdência. No começo da semana, o presidente Michel Temer trabalhou em uma mini reforma ministerial para agradar o centrão do Congresso Nacional.
Com a saída do deputado Bruno Araújo do Ministério das Cidades, a pasta foi entregue ao deputado Alexandre Baldy, indicado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Temer também organizou um jantar no Palácio da Alvorada para avaliar o seu apoio, porém apenas 176 parlamentares e ministros compareceram ao evento, o que não atinge o quórum necessário de 300 votos favoráveis à Reforma da Previdência na Câmara.
Já no cenário exterior, a ata mais recente do Federal Reserve, o banco central americano, indicou que a taxa de juros do país deve ser elevada em breve, corroborando a expectativa do mercado de que isso aconteça em dezembro.
Ontem, o indicador terminou o dia com 74.157,38 pontos, reduzindo 0,44%.
Após 15 pregões em novembro, o índice desvalorizou 0,20%. Já se foram sete fechamentos negativos contra oito positivos. O mês de outubro encerrou com 74.308,49 pontos.
Já no comparativo de 2017, após 219 pregões, o Ibovespa subiu 23,13%. Já foram 110 fechamentos positivos contra 109 negativos. Em 2016, o índice fechou com 60.227,29 pontos.
Resumo da Semana
Com o fim de semana prolongado, o mercado iniciou suas atividades na terça-feira (21), quando houve uma valorização de 1,58%, fechando com 74.594,62 pontos. No dia seguinte, o Ibovespa fechou com queda de 0,1%, com 74.518,79 pontos.
Na quinta-feira (23), o indicador encerrou com 74.486,58 pontos. Enquanto isso, ontem, o Ibovespa terminou o dia com 74.157,38 pontos, reduzindo 0,44%.

Fonte: Jornal ADVFN

O plano nazista para roubar a Amazônia

O plano nazista para roubar a Amazônia

amazonia-nazista© Superinteressante amazonia-nazista Em um cemitério de Laranjal do Jari, no Amapá, uma sepultura se destaca. Trata-se de uma cruz de madeira com dois metros de largura, três de altura e suástica no topo. Abaixo do símbolo nazista, palavras em alemão informam: “Joseph Greiner faleceu aqui em 2-1-36 de morte febril em serviço de exploração para a Alemanha. Expedição Jari, 1935-1937”. Durante 17 meses, alemães exploraram o afluente do Amazonas com fins científicos – entre eles, Greiner. E seu líder, Otto Schulz-Kampfhenkel, foi além: elaborou um plano de invasão e colonização da Amazônia pelo norte do Brasil, que foi apresentado aos comandantes do Terceiro Reich. Se o seu Projeto Guiana tivesse vingado, o Amapá seria invadido por soldados de Hitler.
Schulz-Kampfhenkel, nascido em 1910, era geógrafo, explorador, escritor e produtor de filmes. Em 1931, aos 21 anos, liderou uma expedição à Libéria, na África, de onde levou vários animais (vivos e mortos) para o Zoológico de Berlim e colecionadores. Seu livro sobre a empreitada fez sucesso, e o jovem Otto ganhou moral entre os nazistas, recém-chegados ao poder e interessados em mandar pesquisadores para os quatro cantos do planeta. Sim, aqueles vilões dos filmes do Indiana Jones têm um fundo de verdade. Heinrich Himmler, chefe da SS, a tropa de elite nazista, tinha predileção por excursões exóticas. Principalmente se visse nelas relação com suas pirações ocultistas: Himmler acreditava que, com os pesquisadores certos, provaria a existência de Atlântida e do martelo de Thor e sua conexão com as origens da tal “raça ariana”. O chefe da SS bancou expedições para lugares como Tibete, Antártida e Cáucaso. Obedientes, os pesquisadores sempre voltavam com supostos indícios que reescreviam a história segundo as teorias nazistas.
Em 1935, Schulz-Kampfhenkel foi encarregado da Expedição Jari: além de buscar indícios de arianos na América do Sul, mapearia a região. O geógrafo, que nesse meio tempo havia se tornado aviador, veio com outros dois pilotos: Gerd Kahle e Gerhard Krause. Sem se preocupar com excesso de bagagem, o trio trouxe 11 toneladas de suprimentos, munição para 5 mil tiros e um avião. Os alemães chegaram ao Rio de Janeiro em junho, mas perderam dois meses enredados em labirintos burocráticos. Apoio oficial não faltava: naquela época, militares, cientistas e membros do governo Vargas expressavam sua admiração pelos novos rumos da Alemanha. Os exploradores precisavam de alguém versado no jeitinho brasileiro e chegaram ao marinheiro Joseph Greiner, um Auslandsdeutscher (alemão criado no exterior). Havia anos no Brasil, Greiner ficou encarregado das bagagens alimentação e contratação de mão de obra local.
Selva infernal
A imprensa saudava a empreitada. Em 9 de agosto de 1935, o jornal carioca Gazeta de Notícias publicou uma matéria em que “a sensacional expedição ao Jari” recebia “os mais francos aplausos”. Schulz-Kampfhenkel era descrito como “uma expressão brilhante da moderna geração que ora está surgindo cheia de vida e coragem, disposta a derrubar os obstáculos que entravam a marcha da civilização”. A voz contrária foi de Curt Nimuendaju, alemão que vivia em Belém trabalhando para o Serviço de Proteção aos Índios, atual Funai. Considerado por Darcy Ribeiro “o pai da antropologia brasileira”, ele foi convidado a se juntar aos pesquisadores, mas recusou. Motivo: odiava nazistas.
Os alemães trouxeram o avião para fazer fotos aéreas. Quando a aeronave pifou, o jeito foi exigir o máximo de seus caboclos para percorrer longas distâncias a pé – o Jari, rio raso e com fundo repleto de pedras, era de difícil navegação. Para chegar até a fronteira com a Guiana Francesa, destino final dos alemães, foi preciso contar com o serviço de tribos locais. Os pesquisadores acabaram desenvolvendo uma relação próxima com os índios aparaí. Segundo algumas fontes, até próxima demais: Schulz-Kampfhenkel teria engravidado uma índia.
Com o tempo, a selva foi cobrando seu preço. O calor era imenso, a chuva, paralisante. Todos tiveram malária, Schulz-Kampfhenkel desenvolveu difteria e uma febre misteriosa acabou matando Greiner, posteriormente homenageado com a cruz. Ao final da expedição, em 1937, os pesquisadores enviaram para a Alemanha peles de 500 mamíferos diferentes, centenas de répteis e anfíbios e 1.500 objetos “arqueológicos” – aspas porque tratava-se de uma arqueologia fraudulenta que buscava reescrever a história segundo os nazistas. Além disso, foram produzidas 2.500 fotografias e 2.700 metros de filme 35 mm, que resultariam no documentário Rätsel der Urwaldhölle (“Enigma da Selva Infernal”), que Otto lançou em 1938 junto com um livro de mesmo nome. Com muitas imagens e precisas descrições de paisagens, a obra vendeu incríveis 100 mil exemplares na época.
Conquista e colonização
A expedição científica, apesar de pouco conhecida, nunca foi segredo. A revelação é que aquela empreitada inspirou um plano nazista para ocupar parte da Amazônia – usando o Brasil como porta de entrada. A estratégia concebida por Schulz-Kampfhenkel é detalhada no livro Das Guayana-Projekt – Ein deutsches Abenteuer am Amazonas, (“O Projeto Guiana – Uma Aventura Alemã no Amazonas, sem edição brasileira), de Jens Glüsing, correspondente da revista alemã Der Spiegel no Brasil.
O geógrafo best-seller, recém-filiado à SS, bolou o plano de conquista ao voltar para a Alemanha. Com a 2a Guerra estourando em 1939 e os nazistas empilhando vitórias, viu a oportunidade de voltar à Amazônia. Desta vez, no entanto, como conquistador das três Guianas: a Francesa, a Holandesa (hoje Suriname) e a Britânica (hoje simplesmente Guiana). No documento, Schulz-Kampfhenkel afirmava: “a tomada das Guianas é uma questão de primeira importância por razões políticoestratégicas e coloniais”. Os soldados nazistas entrariam pela região que ele conhecia, onde hoje é o Amapá.
A conquista começaria sem alarde: uma tropa de 150 homens subiria o Rio Jari para chegar a Caiena, capital da Guiana Francesa. Ao mesmo tempo, pequenas embarcações e dois submarinos atacariam a costa da Guiana Britânica. Situada entre esses dois territórios, a Guiana Holandesa cairia na sequência. Uma vez dominada, a região serviria como base para um futuro ataque ao Japão via Canal do Panamá – curiosamente, os EUA não entravam na equação.
Na avaliação do pesquisador, nenhum dos países vizinhos impediria a invasão – como argumento, citava o apoio que recebeu durante sua primeira viagem no Brasil. Para ele, aquilo não era assunto de sul-americanos, mas de europeus, uma simples troca de colonizadores. O pesquisador ainda argumentava que a baixíssima densidade demográfica e sua amizade com as tribos locais garantiria a conquista germânica. “O plano parece romântico, mas é factível”, defendeu Schulz-Kampfhenkel. No livro em que revela a estratégia do compatriota, Glüsing escreve que o nazista não queria apenas participar da invasão; ele sonhava em governar a futura Guiana Alemã.
O documento parece ter circulado dentro da SS. Em 3 de abril de 1940, um oficial chamado Heinrich Peskoller escreveu uma carta para Himmler dizendo que Adolf Hitler deveria tomar as Guianas por seu subsolo. “Na Guiana Britânica, a extração de ouro e diamante é mantida em baixa para não atrapalhar o mercado sul-africano (dominado também por ingleses). Nas mãos do Führer, cada metro quadrado de solo poderia ser em pouco tempo explorado pela grande Alemanha”, escreveu o oficial. “O empenho e a técnica alemã poderiam domar as inúmeras cachoeiras na forma de usinas hidrelétricas colossais. Todo o país teria bondes, navegação fluvial, produção de madeiras nobres, pontes, aeroportos, escolas e hospitais. A comparação entre antes e depois da tomada dos alemães contaria pontos para o Führer.”
Apesar de chegar até os altos escalões da SS, o Projeto Guiana nunca saiu do papel. Naquele verão de 1940, os nazistas tinham todas as suas atenções voltadas para a Europa Ocidental. Com Holanda e França ocupadas pelos alemães, suas colônias (o que incluía Guiana Holandesa e Francesa) estavam automaticamente sob domínio de Hitler. Na visão triunfante dos alemães, assim que vencessem a guerra na Europa, bastaria vir até a América tomar posse dos territórios. Como sabemos, não foi assim. O fracasso no front soviético e o desembarque dos americanos na França fez com que qualquer plano de soldados nazistas circulando em nossas selvas fosse abortado.
Já Otto Schulz-Kampfhenkel teve um final de guerra agitado. Com outros cientistas, formou uma tropa de elite de pesquisadores a favor do nazismo. Fazendo fotos aéreas e analisando terrenos, passou pelo Deserto do Saara, Itália, Grécia, Iugoslávia, Finlândia, Polônia e Ucrânia. Em 1945, foi preso pelas forças americanas, sendo solto no ano seguinte. Foi para Hamburgo, onde produziu filmes, escreveu livros e fundou o Institut für Weltkunde in Bildung und Forschung (Instituto de Formação e Pesquisa de Ciência do Mundo). Funcionando até hoje, a instituição fornece material de ensino de geografia para escolas alemãs.
O Projeto Guiana, passo a passo
1. Entrando discretamente pela Foz do Amazonas, 150 soldados alemães subiriam o Rio Jari para tomar a capital da Guiana Francesa, Caiena.
2. Pequenos barcos e dois submarinos avançariam pela costa da Guiana Britânica.
3. O passo seguinte seria o domínio da Guiana Holandesa.
4. A região serviria como base para patrulhar o Atlântico e atacar a Ásia.

Fonte: MSN