segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Pré-Market: Intervenção tira Previdência do foco

Pré-Market: Intervenção tira Previdência do foco







A semana começa com um feriado nos Estados Unidos pelo Dia do Presidente, o que somado às comemorações pela chegada do Ano do Cachorro na Ásia esvazia de vez a liquidez nos mercados internacionais. No Brasil, a semana é de votação importante na Câmara dos Deputados – mas não será sobre a reforma da Previdência.
O decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro, a ser votado hoje à noite (19h), foi a manobra política que governo e Congresso encontraram para paralisar a discussão sobre as novas regras para aposentadoria, sem que se apontasse culpados no caso de um provável fracasso na aprovação da matéria. Assim, a classe política conseguiu tirar a questão da Previdência do foco, travestindo o discurso em prol da segurança pública.
Nada mais sintomático e que ficou nas entrelinhas das declarações. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi pela via populista, dizendo que o único objetivo de uma decisão “tão dura” só leva em conta “a preservação da vida dos cariocas e fluminenses”. Já o presidente Michel Temer foi mais claro e disse que a intervenção será cessada quando a reforma da Previdência estiver pronta para ser votada.
Foi, portanto, o pretexto encontrado. Maia e Temer se uniram com o intuito de saírem fortalecidos na história, cientes de que a base aliada não reúne os 308 votos necessários dos deputados para aprovar a Nova Previdência neste mês. Aliás, o governo não conseguiria passar o texto ao Senado nem nesta nem em qualquer outra semana do ano – tivesse ou não a intervenção federal no Rio.
Ficou nítido que a transferência ao Exército das ações de segurança pública no estado fluminense faz parte de um jogo de xadrez de Temer e Maia, visando trazer uma agenda mais popular à pauta de votações, às vésperas das eleições, tirando da pauta medidas tão polêmicas. Só que com a desculpa, o desgaste tende a ser maior.
Afinal, a reforma da Previdência era a principal meta legislativa do governo federal e o seu fracasso respinga em intensidade variada nos principais nomes para o pleito em outubro. O principal afetado deve ser o ministro Meirelles (Fazenda), que conduz a equipe econômica e é o comandante-mor na busca pela melhora das contas públicas.
O decreto já está em vigor desde sexta-feira passada, quando foi assinado por Temer. No entanto, a medida precisa ser aprovada no Congresso para continuar valendo, passando primeiro pela Câmara e depois pelo Senado, onde deve ser analisado com urgência. A aprovação depende de maioria simples entre os parlamentares.
Já a agenda econômica desta semana traz entre os destaques, no Brasil, o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), que sai nesta segunda-feira (8h30). A previsão é de crescimento acelerado em dezembro (+1,1%), sinalizando mais um trimestre de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo horário, sai a Focus.
Antes, sai uma nova prévia do IGP-M neste mês (8h). Depois, o calendário interno ganha relevância somente na sexta-feira, quando sai a prévia de fevereiro da inflação oficial ao consumidor (IPCA-15). Os preços devem manter o ritmo de alta, em meio ao fim da queda nos alimentos e às pressões vindas de itens em transportes e educação.
No mesmo dia, serão conhecidos os dados regionais do mercado de trabalho no Brasil ao final de 2017. Ainda sem data definida, saem os números de janeiro sobre o emprego formal no país (Caged), que deve mostrar continuidade no aumento de trabalhadores contratados com carteira assinada e salários bem comportados.
Também são esperados os indicadores sobre a arrecadação federal de impostos no mês passado. No exterior, dados de atividade nos setores industrial e de serviços dos Estados Unidos e da zona do euro recheiam o calendário nesta semana. Outro destaque fica com a leitura final da inflação ao consumidor (CPI) na região da moeda única, na sexta-feira.
A expectativa é de uma atividade robusta na zona do euro, combinada com a perspectiva de aumento lento e gradual da inflação entre os 19 países europeus que compartilhem a moeda. Tal cenário reforça as apostas de retirada dos estímulos monetários por parte do Banco Central da região (BCE).
Nos EUA, a publicação da ata da primeira reunião do Federal Reserve em 2018, na quarta-feira, deve trazer detalhes sobre o ritmo de alta da taxa de juros neste ano. O documento, que relata o último encontro do Fed sob o comando de Janet Yellen,  pode esclarecer as dúvidas sobre a sinalização de um aperto adicional, além dos três aumentos já previstos até dezembro.
À espera desses eventos, os mercados internacionais tentam dar continuidade à recente recuperação, após a pior onda vendedora (selloff) em dois anos, amparados no desempenho das bolsas em Nova York. Os índices futuros estão no positivo nesta manhã, mas hoje não haverá pregão em Wall Street. Ainda assim, a sessão foi de ganhos na Ásia, com destaque para Tóquio (+1,97%), em meio à perda de força do iene.
O dólar está estável em relação aos rivais de países desenvolvidos, mas mede forças frente as moedas emergentes, diante do fortalecimento do petróleo, que ensaia alta pelo quarto dia seguido e é cotado acima de US$ 62 por barril. Nos metais básicos, o embate entre China e EUA em torno da importação de aço e alumínio agita os negócios. Já o juro projetado pelo título norte-americano de 10 anos (T-note) segue abaixo de 2,9%.
Fonte: Jornal ADVFN

Bom dia, Investidor! 19 de fevereiro de 2018

Bom dia, Investidor! 19 de fevereiro de 2018









Pré Market

A semana começa com um feriado nos Estados Unidos pelo Dia do Presidente, o que somado às comemorações pela chegada do Ano do Cachorro na Ásia esvazia de vez a liquidez nos mercados internacionais. No Brasil, a semana é de votação importante na Câmara dos Deputados – mas não será sobre a reforma da Previdência.
O decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro, a ser votado hoje à noite (19h), foi a manobra política que governo e Congresso encontraram para paralisar a discussão sobre as novas regras para aposentadoria, sem que se apontasse culpados no caso de um provável fracasso na aprovação da matéria. Assim, a classe política conseguiu tirar a questão da Previdência do foco, travestindo o discurso em prol da segurança pública.
Nada mais sintomático e que ficou nas entrelinhas das declarações. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi pela via populista, dizendo que o único objetivo de uma decisão “tão dura” só leva em conta “a preservação da vida dos cariocas e fluminenses”. Já o presidente Michel Temer foi mais claro e disse que a intervenção será cessada quando a reforma da Previdência estiver pronta para ser votada.
Foi, portanto, o pretexto encontrado. Maia e Temer se uniram com o intuito de saírem fortalecidos na história, cientes de que a base aliada não reúne os 308 votos necessários dos deputados para aprovar a Nova Previdência neste mês. Aliás, o governo não conseguiria passar o texto ao Senado nem nesta nem em qualquer outra semana do ano – tivesse ou não a intervenção federal no Rio.

Destaques Corporativos

BB Seguridade (BBSE3) / Resultados – A BB Seguridade reportou lucro líquido de R$ 907,917 milhões no 4T17.
Via Varejo (VVAR11) / Resultados – A Via Varejo, maior varejista de eletrônicos e móveis do Brasil, reportou lucro líquido de R$ 129 milhões no quarto trimestre de 2017.
Petrobras (PETR4) / Participações – A São Martinho informou ao mercado que a Petrobras vendeu a sua participação na empresa por R$ 18,51 por ação. Assim, a São Martinho recomprou R$ 6,5 milhões de ações.
Banrisul (BRSR6) / Resultados – O banco reportou lucro líquido recorrente de R$ 323,7 milhões no quarto trimestre de 2017.

Recomendações de Ativos

(TGMA3) (RAIL3) / Safra Corretora – A Safra Corretora acredita que a Tegma e a Rumo Logística são destaques positivos no setor de transportes da temporada de resultados do quarto trimestre de 2017.

Notícias

Boletim Focus / Inflação – Os economistas do mercado financeiro revisaram para baixo a estimativa da inflação para 2018. Segundo o mercado, a inflação recuou de 3,84% para 3,81%, registrando a terceira queda seguida do indicador.
Boletim Focus / PIB – Para 2018, a projeção do Produto Interno Bruto foi elevada de 2,70% para 2,80%. Para o ano que vem, a expectativa do mercado financeiro para a expansão da economia permaneceu em 3%.
Companhias listadas / B3 – O número de empresas com papéis negociados no pregão chegou a 344 no fim de 2017. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o número é equivalente ao registrado 12 anos anos, em dezembro de 2005.
Greve em São Paulo / Reforma da Previdência – Motoristas de ônibus de diferentes cidades de São Paulo paralisaram as atividades na manhã desta segunda-feira (19) em protesto à reforma da previdência. Em Sorocaba, a previsão é que o transporte volte a circular a partir das 8 horas.
Bitcoin / Cotação – O Bitcoin iniciou em alta nesta segunda-feira (19). Com variação de 4%, a moeda estava cotada a US$ 10.907, às 09h06.

Agenda Econômica

– Sem agenda
Fonte: Jornal ADVFN

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O negócio secreto das pedras preciosas coloridas

O negócio secreto das pedras preciosas coloridas

O Tapajós esta entrando no mundo das pedras preciosas coloridas, por enquanto com o topázio e a ametista. A cobertura florestal ainda é um impecilho para a descoberta de mais jazidas e mais tipos de pedras, mas é só questão de tempo.

Enviado por Fernando Lemos:
Richard Hughes é o "Indiana Jones" moderno das pedras preciosas. Há décadas, esse americano percorre o planeta atrás das gemas mais valiosas, encarando pelo caminho aventuras dignas do cinema. Essa indústria, que movimenta US$ 10 bilhões por ano, é envolta não só em beleza, mas também em mistério.
Ao contrário do negócio mundial de diamantes, que é em grande parte controlado por empresas gigantes como a De Beers e minuciosamente monitorado por investidores e banqueiros de Wall Street, o mundo das pedras preciosas coloridas ainda é dominado por pequenos mineradores e aventureiros que vão a alguns dos lugares mais perigosos e subdesenvolvidos do mundo em busca de novos tesouros. As melhores pedras tendem a vir de países como Madagascar, Tajiquistão, Colômbia e Mianmar, onde o contrabando muitas vezes corre solto, a manutenção de registros é deficiente e os donos de minas com frequência impedem a presença de comerciantes de fora por medo de que façam seus próprios negócios com os moradores locais.
Em alguns casos, especialistas como Hughes compram pedras de garimpeiros ou intermediários e as revendem a clientes ricos. Há gemas que chegam ao público através de atacadistas que as compram em leilões ou mercados abertos na Tailândia, Índia e outros centros de processamento. Só num leilão em Mianmar, em 2011, as vendas chegaram a US$ 2,8 bilhões. De qualquer forma, os compradores de pedras preciosas raramente têm ideia de onde vieram as pedras e, mesmo se quisessem, provavelmente não teriam como descobrir sua origem. Quando se trata de rastrear os dados mais básicos sobre quais países produzem a maioria das pedras, a indústria é "muito vaga", diz Jean Claude Michelou, vice-presidente da Associação Internacional de Pedras Preciosas Coloridas, entidade que representa o setor.
Na verdade, é praticamente impossível encontrar um diretor-presidente ou grandes acionistas por trás das maiores minas de rubi ou safira do mundo. Em Mianmar, país há muito considerado a principal fonte mundial de rubis e jade, muitas minas são controladas pelos militares ou seus colaboradores mais próximos, incluindo alguns que são alvo de sanções dos Estados Unidos impostas anos atrás para punir o autoritário regime militar do país. (Embora muitas dessas sanções tenham sido relaxadas nos últimos dois anos, quando um novo governo reformista começou a reverter décadas de rígido controle militar, algumas restrições sobre as pedras preciosas de Mianmar foram mantidas.) Mas as pedras também podem vir de caçadores privados de fortunas cujas identidades são desconhecidas fora de seus países. Um dos magnatas que Hughes conheceu durante uma perigosa caçada a jade em minas da remota Hpakant, em Mianmar, era um ex-motorista de táxi que começou com uma pedra bruta que comprou por US$ 23 de um passageiro e a revendeu por US$ 5.000 para um comerciante de jade. (Quando Hughes o conheceu, em 1996, ele posou para uma fotografia sobre uma pilha de pedras de jade que ocupava uma sala inteira de sua casa.)
Ao mesmo tempo em que é difícil acompanhar o crescimento da indústria, os especialistas dizem que os preços vêm subindo significativamente nos últimos anos, em grande parte porque o fornecimento é inconstante. Robert Genis, um comerciante e caçador de pedras preciosas do Arizona que entrou para o negócio na década de 70, diz que os rubis de alta qualidade de Mianmar quadruplicaram de valor no varejo, para mais de US$ 40.000 o quilate, desde meados da década de 90, enquanto as esmeraldas colombianas praticamente dobraram de valor em relação ao início dos anos 2000. Hughes, que já viajou para mais de 30 países em busca de pedras e agora vive em Bangkok, diz que os preços do jade aumentaram em dez vezes nos últimos cinco anos, devido em grande parte ao aumento da demanda da China, embora recentemente os preços tenham caído ligeiramente.
Para quem estiver disposto a manter suas pedras por um longo período, o retorno pode ser enorme. Considere a safira de 62 quilates que John D. Rockefeller Jr. comprou de um marajá indiano em 1934 e a transformou em um broche para sua esposa. A família vendeu a pedra em 1971 a um negociante de joias por US$ 170.000. Nove anos depois, ela voltou ao mercado e foi vendida por US$ 1,5 milhão e, em 2001, foi revendida por mais de US$ 3 milhões. Outra safira famosa, comprada pelo empresário James J. Hill para sua esposa na década de 1880, por US$ 2.200, foi vendida por mais de US$ 3 milhões em um leilão em 2007. E há ainda o rubi de 8 quilates de Mianmar dado a Elizabeth Taylor pelo marido, o ator Richard Burton, em 1968, como presente de Natal. Em 2011, ele foi leiloado por US$ 4,2 milhões.
O diamante ainda continua a ser o melhor amigo de uma mulher, como disse uma vez a atriz americana Marilyn Monroe, mas as pedras coloridas continuam a ter um fascínio quase místico. Parte da atração está ligada à sua beleza luminosa e à sua raridade. Para muitas pessoas ricas, especialmente na Ásia, não há nada como ter uma coleção de pedras brilhantes que podem transportar ou esconder para vender em caso de emergência. Isso se tornou ainda mais comum com a crise financeira global.
Encontrar novas grandes pedras para saciar a demanda mundial, porém, não é tarefa fácil. É aí que os caçadores entram em ação. Genis, o negociante do Arizona, diz que entrou nesse negócio ainda na faculdade, quando estudou mapas para ver onde estavam os recursos naturais mais cobiçados do mundo, incluindo estanho, ouro e cobre. Foi o pequeno símbolo verde na Colômbia, representando depósitos de esmeralda, que mais o atraiu. Ele vendeu um aparelho de som e um carro velho, juntando US$ 1.000 para a viagem.
Após uma viagem de ônibus até a fronteira da Califórnia com o México, alguns trens e muitas caronas, Genis desembarcou no distrito de esmeraldas de Bogotá e usou o dinheiro que lhe restava para comprar pedras preciosas. Voltou aos EUA e duplicou o investimento vendendo as pedras. "De repente, tinha US$ 1.000 a mais e pensei: 'Isso é muito melhor do que ir para a faculdade'", lembra. Após várias visitas, ele estava ganhando o suficiente para ir de avião à Colômbia, com paradas para se divertir no Caribe.
Hoje, Genis contrata outras pessoas para buscar muitas das pedras que vende, incluindo um associado de Mianmar que conheceu durante uma conferência de pedras preciosas e tem conexões com os famosos depósitos de rubi de Mogok. Apesar de não serem tão selvagens como em Hpakant, as minas de Mogok também são estritamente vigiadas por militares — e reverenciadas em todo o mundo.
O apelo é evidente quando se considera o tipo de negócio que se consegue por lá. A última descoberta de Genis: uma safira de 39 quilates que agora está à espera de ser leiloada na Sotheby's. Genis diz que calcula que a pedra possa arrecadar até US$ 1 milhão na prestigiada casa de leilões. "Para muitos desses colecionadores, é quase como heroína: quando você começa, não consegue parar", diz.
À medida que a demanda por pedras preciosas coloridas continua crescendo, uma questão permanece no ar: será que essa indústria pode se autorregular? Parte da resposta pode estar a meio mundo de distância de Mianmar, em Londres, no nobre bairro de Mayfair. Lá, um grupo de veteranos da indústria de mineração está elaborando seu próprio plano para obter mais pedras coloridas.
A empresa do grupo, a Gemfields, está tentando se tornar uma potência da indústria, algo como a De Beers das pedras coloridas. Apoiada por um ex-diretor-presidente da mineradora anglo-australiana BHP Billiton, a maior mineradora do mundo, e com ações negociadas na Bolsa de Londres, a Gemfields afirma que tem a meta de assegurar os direitos sobre uma percentagem grande o suficiente da produção mundial de pedras preciosas para introduzir processos modernos de mineração e, assim, garantir um fornecimento mais previsível, ao mesmo tempo em que investe pesadamente em marketing para tornar as pedras mais conhecidas.
Ian Harebottle, o sul-africano que é diretor-presidente da empresa, diz que pedras coloridas costumavam ser tão populares quanto os diamantes até a década de 40, quando a De Beers começou a pôr em ação seu gigantesco orçamento de marketing, com slogans como "um diamante é para sempre". Hoje, as vendas de pedras coloridas são apenas uma fração dos US$ 70 bilhões do comércio internacional de diamantes, e os mineradores de pequeno porte que dominam o negócio não têm o dinheiro ou a escala necessários para fazer muita coisa, diz ele.
A Gemfields já produz 20% das esmeraldas do mundo, em uma grande mina da qual é sócia na Zâmbia. A empresa informa que é responsável por até 40% da oferta mundial de ametista e está começando a produzir rubis em um grande depósito em Moçambique. A Gemfields quer se expandir em outros lugares — inclusive Mianmar, se o governo do país mantiver o ritmo da reformas e a situação dos direitos humanos melhorar, diz Harebottle.
A Gemfields também comprou recentemente a Fabergé, famosa marca de joias que remonta à era dos czares russos. A ideia é usar a Fabergé, que tem lojas em todo o mundo, para comercializar algumas de suas pedras no segmento ultraluxo, à medida que cria uma das primeiras cadeias do mundo de fornecimento de gemas coloridas do tipo "da mina ao mercado".
As iniciativas da Gemfields ocorrem em meio a outras tentativas por parte de investidores para trazer práticas mais modernas para a indústria, incluindo disponibilizar mais amplamente as informações de preços e melhorar a classificação das pedras e o monitoramento de práticas, de modo que os consumidores possam ter um ideia melhor sobre quanto valem suas pedras e de onde elas vieram. Funcionários da Associação Internacional de Pedras Preciosas Coloridas, por exemplo, estão pressionando pela criação de um sistema para rastrear as origens das gemas coloridas. Michelou, da associação, diz que alguns países, incluindo Colômbia, Tanzânia e Sri Lanka, têm manifestado interesse.
Ao mesmo tempo, outras empresas estão criando cadeias de fornecimento "da mina ao mercado" e atualizando seus métodos de produção. Entre elas está a TanzaniteOne Mining e sua controladora, a britânica Richland Resources Ltd., que têm ajudado a transformar o mercado de tanzanita ao investir em minas que antes eram artesanais na região do Monte Kilimanjaro, onde estão os únicos depósitos da rara pedra azul conhecidos no mundo. E até mesmo as minas de Hpakant, em Mianmar, estão adotando mais mecanização nos últimos anos, com máquinas de terraplenagem substituindo muitos trabalhadores, embora o local, em geral, continue fora de controle. Tudo isso poderia um dia impulsionar o valor das pedras coloridas caso consiga tornar as fontes mais confiáveis e aumentar a demanda.
"A indústria de pedras coloridas provavelmente irá nessa direção, [de] mineração mais racional e mais formal", diz Russell Shor, analista do Instituto Gemológico dos EUA, uma das maiores autoridades do mundo em pedras preciosas. "Vai ser um processo lento, mas creio que seja esse o futuro."
No entanto, muitas pessoas, incluindo vários caçadores de pedras, permanecem céticos. Os principais depósitos de pedras do mundo, afirmam, são muitas vezes pequenos demais para justificar grandes investimentos e às vezes podem ser explorados de forma mais eficiente com ferramentas manuais primitivas. As minas estão tão espalhadas e em lugares tão irregulares que poderia ser muito complicado — sem falar no custo — trazê-las para a era moderna. "Quantos trilhões você tem?", pergunta Genis. "Com exceção dos diamantes, a maioria das fontes de pedras preciosas é antiga e as melhores pedras já se foram." Tentar integrar as minas, diz ele, "seria praticamente impossível".
Hughes, o caçador de pedras que vive em Bangkok, concorda. Segundo ele, as pessoas sempre se interessaram em trazer mais ordem para o comércio de joias. Mas a Mãe Natureza protege seus tesouros muito bem, escondendo-os em locais de acesso extremamente difícil, diz ele, e as pessoas que cuidam deles têm pouco incentivo para entregar o controle a Londres, Wall Street ou qualquer outro interessado.
"As pedras preciosas são diferentes de outros tipos de mineração", diz Hughes, porque há uma alta concentração de valor em áreas muito pequenas e relativamente poucas pedras. Além disso, apenas as pessoas, e não as máquinas, podem separar espécimes valiosas das que não valem nada — e isso inclui os garimpeiros artesanais que hoje controlam grande parte dessa atividade. Se as grandes empresas tentarem impor mais ordem, diz ele, "sempre haverá pessoas encontrando formas de contorná-la".
Fonte: Geologo.com