Pedras preciosas (completo)
Pedras preciosas são minerais valorizados pela raridade e por qualidades
físicas como a beleza e a dureza. Depois de receber tratamento adequado - lapidação, polimento - a pedra preciosa é usada na confecção de
jóias e objetos de arte. Chama-se gemologia o estudo físico, químico e
genético das pedras preciosas, bem como de outras substâncias
não-minerais usadas com o mesmo fim, como pérolas, âmbar, coral e
marfim. Diversas propriedades são consideradas na avaliação da beleza e
valor das gemas, entre as quais se destacam a iridescência, ou reflexão
das cores do arco-íris em suas facetas; a opalescência, ou reflexo
nacarado característico das opalas; e o asterismo, ou efeito estrelado
da luz refletida por alguns brilhantes.
Entre os mais de dois mil minerais conhecidos, cerca
de cem encontram uso em joalheria e menos de vinte são considerados
preciosos ou semipreciosos. Alguns deles, como o berilo e o coríndon,
dão origem a mais de um tipo de gema.
Histórico - O uso das pedras preciosas teve início no Oriente, onde
antigos povos usavam-nas como símbolo de riqueza e poder. Os romanos, ao
estabelecer contato com esses povos pelo comércio ou pela guerra,
adquiriram o gosto pelas jóias, que passaram a ser usadas pela classe
dominante. Entre os germânicos, que viviam ao norte do Império Romano,
havia o costume de sagrar rei um homem possuidor de grandes riquezas.
Uma das obrigações do monarca era recompensar os serviços de seus
súditos com ouro e jóias. À luz da pesquisa científica, as pedras
preciosas passaram a ser objeto de pesquisa e foram classificadas em
centenas de tipos.
Classificação das pedras preciosas - Embora sejam mais de uma centena, as
variedades mais importantes de gemas usadas em joalheria, divididas em
grupos, segundo sua composição, são: (1) berilos, em cuja composição
entram proporções variáveis de alumínio e berílio, cristalizam no
sistema hexagonal, dos quais os mais conhecidos são a água-marinha, de
cor azul; a esmeralda, de cor verde; e o crisoberilo, conhecido como
olho-de-gato devido à capacidade de mudar de cor, do verde a um vermelho
intenso, sob a luz incandescente; (2) coríndons, óxidos de alumínio de
forma hexagonal, transparentes, entre os quais os mais conhecidos são o
rubi e a safira; (3) diamante, produto da cristalização, em condições
especiais, de moléculas de carbono puro, que varia do incolor ao
amarelado, possui a dureza máxima na escala de Mohs e apresenta grande
transparência; (4) feldspatos, silicato de elementos alcalinos, dos
quais o mais comum é a amazonita, de opacidade e dureza médias e com
cores que variam do amarelo-esverdeado ao azul-esverdeado; (5) granadas,
silicatos de ferro, alumínio, cálcio ou magnésio, podem ser verdes,
como a esmeralda ucraniana, ou vermelhas; (6) jades, entre os quais se
destacam o lápis-lazúli, de cor azul intensa, a olivina verde e o jade
imperial, opaco ou transparente; (7) quartzo, ou sílica natural, que
pode ter diversas cores, como a ametista, as turmalinas, os topázios e o
ônix; e (8) gemas orgânicas, produtos da ação de animais ou vegetais,
como as pérolas, corais e âmbar. Embora não sejam pedras preciosas, são a
elas associadas pela beleza e pelo uso similar.
Pedras sintéticas - As pedras obtidas artificialmente têm em sua
composição os mesmos elementos químicos encontrados nas pedras naturais.
Possuem as mesmas propriedades físicas e químicas. São produzidas
sinteticamente, com grande perfeição, rubis, safiras e outras variedades
coloridas dos minerais da família do coríndon, espinélios de todas as
cores, esmeraldas, diamantes, rutílios (titânia sintética) e quartzo
incolor.
A fabulita é um titanato de estrôncio produzido pela primeira vez em
1952. Por seu índice de refração, superior ao do diamante, e pela grande
dureza, é usada em substituição ao brilhante. Outro produto sintético
de dureza próxima à do diamante é o borazon, ou nitreto de boro.
Técnicas de polimento e tratamento - Normalmente, as pedras preciosas
encontradas na natureza não estão prontas para a comercialização. Devem
ser antes submetidas a um processo de embelezamento que inclui a
retirada das impurezas e o aperfeiçoamento dos contornos que não
apresentam cristalização perfeita. Todos esses processos são muito
antigos, com exceção das técnicas de lapidação do diamante que, devido à
extrema dureza dessa pedra, só foram aperfeiçoadas no século XV.
A lapidação e o polimento das pedras preciosas são feitos por meio de
três processos diferentes usados de acordo com sua dureza. O tratamento
com areia abrasiva e água no interior de um cilindro giratório é usado
em pedras de dureza média como a ágata, opala e ônix. O resultado é um
excelente polimento, porém as formas são irregulares. A técnica
Idar-Oberstein, que consiste no uso de pequenos tornos polidores, se
emprega tradicionalmente nessa cidade alemã para o polimento de pedras
de grande ou média dureza. Um terceiro processo, muito utilizado para
pedras de grande dureza, é o que consiste de corte com serra e posterior
polimento com areia, pó de diamante e outros abrasivos.
De grande importância é o corte, que contribui para destacar o brilho e a
beleza das pedras. Para isso usa-se um instrumento de grande velocidade
dotado de brocas de diamante, contra as quais se pressiona a pedra até
conseguir a forma, tamanho, simetria e profundidade desejados. Durante o
tratamento das jóias, podem ser acentuadas determinadas cores e
tonalidades mediante aquecimento sob condições controladas, exposição da
pedra aos raios X ou aplicação de pigmentos nas células básicas dos
cristais.
Imitações - As imitações de pedras preciosas são feitas com várias
substâncias, às vezes produtos não cristalinos. As imitações mais comuns
são feitas de vidro, vidros espelhados, plásticos e imitações de
pérolas. Os vidros usados para imitar pedras preciosas compõem-se de
óxido de silício, álcalis, chumbo, cálcio, boro, tálio, alumínio ou
óxidos de bário. Essas imitações são facilmente reconhecidas pelo brilho
vítreo nas superfícies de fraturas, pelo calor ao tato, pelo
arredondamento das arestas inferiores da pedra, decorrente da fusão do
material, pela pequena dispersão e pelo comportamento de uma gota d'água
em sua superfície. Às vezes podem também ser observadas bolhas
esféricas na estrutura e faixas coloridas, curvas ou irregulares. Os
plásticos são usados para imitar âmbar, marfim e gemas de materiais
opacos.
Outro tipo de imitação são as pedras duplas, triplas ou espelhadas. As
pedras duplas se fazem por união de duas peças com uma cola incolor. Em
duplas feitas de granada e vidro, este é fundido à granada. As triplas
são confeccionadas por meio da colagem de duas pedras com um cimento que
dá coloração à pedra. As pedras espelhadas são obtidas com a colocação
de um espelho na base da pedra, para produzir os efeitos de cintilação
de uma jóia verdadeira.
Valor - Em geral, são considerados preciosos somente o diamante, rubi,
safira e esmeralda, por reunirem as propriedades físicas de cor, brilho,
dispersão e dureza. Algumas pedras são valiosas em função de uma só
dessas propriedades, como a cor, no caso das turmalinas. A raridade da
gema também influi no valor. Esse fato faz com que algumas pedras,
classificadas como semipreciosas, possam alcançar preços superiores aos
de algumas pedras preciosas. É o caso da jadeíta, forma rara do jade,
mais valiosa que o rubi-estrela, de baixa qualidade. As pedras preciosas
e semipreciosas têm sua produção quase toda canalizada para a
joalheria, mas certos tipos especiais, ou as que apresentam
imperfeições, são usadas em relojoaria e na indústria de abrasivos e de
instrumentos elétricos e eletrônicos.
Procedência - Os diamantes podem ser encontrados em depósitos primários,
em rochas ultrabásicas como o kimberlito. Desse tipo são as jazidas da
África do Sul, Congo, Tanzânia, República Democrática do Congo (Zaire), Índia, Estados Unidos e Rússia.
Também aparecem sob a forma de depósitos aluviais no Brasil, Guiana,
Venezuela, África do Sul, Angola e Costa do Marfim.
Certos tipos de rubis e safiras são encontrados em
Myanmar. A esmeralda é
proveniente da
Colômbia,
Sri Lanka, Índia,
Áustria, África do Sul e
Rússia. O Brasil, assim como
Madagascar e os Estados Unidos, tem grandes
jazidas de pegmatitos que produzem gemas de boa qualidade como a
água-marinha, considerada a pedra típica do Brasil, o topázio e a
turmalina. As principais zonas produtoras brasileiras ficam no nordeste
de
Minas Gerais, sudeste da
Bahia e norte, centro e sul do
Rio Grande do Sul.
Fonte: www.klimanaturali.org/CPRM